Luna & Summer

1 O Primeiro Dia, eis o mistério!


Notas iniciais
Oi, estou um pouco nervosa de postar uma das minhas histórias, mas eu espero que esteja boa.

Oi oi, é a Luna — de novo — bem, hoje é o primeiro dia de aula — Por que as histórias sempre começam nesse dia? Tenho uma teoria de que "O primeiro dia de aula" era um dia místico no calendário Maia, ou algo assim — estou me arrumando, infelizmente no Brasil, você usa uniforme pra ir à escola — pelo menos na maioria das escolas — assim sendo tenho que colocar a droga da blusa azul e calça preta — aparentemente na minha escola, você fica mais burro se coloca uma calça azul, por isso eles te mandam de volta pra casa se você aparece com uma azul — felizmente, o dia está frio o suficiente para o uso de toucas, então eu prendo cuidadosamente minha touquinha preta de lã com meus grampinhos dourados, coloco um casaco jeans e tênis vermelhos — mais conhecido como all star — desço dois lances de escada até chegar ao térreo do meu prédio, espero mais ou menos dois minutos e já consigo avistar o carro prata chegando.
Uma das qualidades que eu mais prezo nas minhas amizades é a pontualidade, isto é, depois de ter um carro, porque eu não tenho um e preciso chegar nos lugares.

— Olá — cumprimento as garotas no carro.

— Qualquer dia eu juro que vou roubar essa touca — Carol exclama do banco da frente arrumando seu casaco de couro preto.
— Sonhar é de graça — Summer que também estava no banco de trás responde.
— Também vou roubar seu sotaque Summes — Ela disse ainda arrumando o casaco — então todos vão me querer, uma gringa, com uma touca legal, e um corpaço, além é claro dos olhinhos puxados.
— Eu não sou gringa, pare de me chamar assim — Summer retrucou ficando vermelha, haha, ela não gosta de ser lembrada de que não é do Brasil — além do mais, se quiser que todos lhe queiram é só virar a Luna, o que não vão faltar são homens, até mulheres se você quiser...
— Vocês nunca mais vão esquecer disso, não é? — perguntei pra elas. No final do ano passado uma garota pediu pra ficar comigo, eu não aceitei, porque não faz o meu tipo — por favor, não saiam por aí falando que eu sou preconceituosa — desde então elas simplesmente não esquecem essa história.
— E devia? Até hoje ela me pede seu telefone — Carol responde passando gloss.
— Como você consegue se maquiar para ir pra escola? Eu tenho preguiça de acordar, imagina só, me maquiar e arrumar o cabelo, e tudo isso — Summer pergunta encarando Carol que retoca o lápis de olho.
— Minha querida, se eu fosse gostosa como você eu nem me daria ao trabalho de escovar os dentes de manhã — Carol responde.
— Não seja ridícula — Summer argumenta ruborizando, mas a verdade é que ela é bonita, o que se pode fazer?
— Eu espero que tenha gente legal esse ano, preciso de novas amigas — comento.
— HAHA, como se você vivesse sem nós —Carol exclama.
Finalmente chegamos, Giovanna já está na frente do colégio nos esperando, com a expressão assustada.
— Calma Gio, seja qual for o E.T. que esteja ameaçando te abduzir, a gente te protege — Carol exclama ao sair do carro.
— Cala a boca! — ela responde parecendo mais calma enquanto nos dirigimos a nossa sala — Você não entende que estamos no primeiro dia do Ensino Médio, o primeiro dia, do resto das nossas vidas.
— Assim como todos os outros dias do ano... — Summer retruca — Hoje é um dia normal Gio, para com a piração.
— Passando para assuntos mais interessantes — Me intrometo — Qual o relatório?
— O terceiro ano está cheio — Gio responde em um tom de cumplicidade.
— Nota? — Continuo.
— 20 à 25 — ela responde — mas tem uma boa quantidade de 17, e até um 15.
Pode parecer ridículo, mas nós medimos a beleza dos garotos em um sistema de notas de 15 à 26, porque simplesmente nos parecem bons números.
— E na nossa sala? — Carol pergunta.
— Um 19 e um 16 — ela responde desanimada.
— Só? — Summer pergunta incrédula.
— Sim — Gio responde ainda desanimada — olhei toda a lista.
— Que decepção — Carol finge desapontamento.
— Como se você ficasse com alguém com menos de 16 — retruco.
— Nunca é tarde para inovar — ela me responde.
O sinal — que por sinal é muito barulhento — bate e entramos na sala. Existe um sistema entre nós, que é seguido desde a quinta série — quer dizer, mais ou menos, Summer só entrou pra "Gangue" na sétima —, mas é bem simples, Summer senta na primeira cadeira do outro lado da mesa do professor, ao lado da parede, eu sento atrás dela, Gio senta ao me lado, e Carol senta ao lado dela, seguimos nosso esquema com perfeição. O professor entra na sala e dá inicio a aula, Gio e Summes pegam seus cadernos de anotação e parecem beber com os olhos as palavras do professor enquanto anotam cada frase em suas agendas. Tem uma maneira pior de começar o ano letivo que com biologia? Não, eu acho que não.
Já que estou muito entediada para prestar atenção na aula o cabelo vermelho cereja de Carol começa a chamar minha atenção, seu cabelo parece cobertura de bolo, e tão lisinho, nossa... Que fome, o que será que tem pra comer na cantina? Eu espero que tenha algo com muito queijo... E umas baratas não me fariam mau...
AI! Alguém me chutou!
— Senhorita? — O professor me chama com aquele tom de "Já falei com você mais de uma vez" — Se apresente — elaboro uma expressão confusa — nome, Idade, que faculdade pretende fazer? — ele explica.
— Hum, Luna Gappo, 15 anos, e jornalismo — respondo com a garganta seca.
— Muito bem, agora... Senhorita? — Ele pergunta pra Summer, que se levanta.
— Summer Cohen, 14 anos e relações inernacionais
— Você é brasileira? — ele perguntou notando seu sotaque.
— Naturalizada — ela responde calmamente —, moro aqui há três anos, meu pai é brasileiro, sempre estudei em colégios brasileiros no exterior.
— Hum, entendo... — ele responde coçando o queixo — Bem, então... Sejam Bem Vindos ao ensino médio! — ele exclama se dirigindo a classe agora — Não posso prometer que será fácil, mas se vocês fizerem tudo direito, posso dizer que valerá a pena.

— Aula dupla de biologia, mais uma de química — reclamo saindo da sala — Ensino fundamental, cadê você? — reclamo para os céus.
— Foi tudo tão fascinante! — Summer sai da sala com os olhos verdes faiscantes.
— Eu sei — Giovanna concorda com os olhos castanhos também brilhantes.
— Que tédio! — Carol sai da sala encenando uma sobrevivente — Oh, sol... Você ainda está aí? — ela exclama com as mãos nos olhos.
— Fale por você — Giovanna arruma os cabelos castanhos encaracolados em um coque, enquanto nos dirigimos à fila.
— Foi tudo tão incrível! — Summer continua com os olhos brilhantes encarando o nada.
— Claro, claro — respondo sarcástica encarando-a.
Alguma pessoa se projeta na minha frente sem que eu possa vê-la, olho pra frente pensando em que tipo de esculhambação eu posso dirigir ao ser que aparece na minha frente na hora da comida, mas o céu se abre e eu vejo um anjo.

Notas finais
Podem comentar se quiserem.