Luna

1 The New Life


- LUNA FOLIER DESÇA DESSA ÁRVORE IMEDIATAMENTE!
A mãe da garota gritava de doer os ouvidos. Luna olhou para baixo e viu os cabelos ruivos e cacheados da mãe dançando com o vento, eles era exatamente como os dela. abriu um leve sorriso e pulou da árvore.
- calma mamãe, eu só estava me despedindo. – A garota estalou um beijo na testa da mãe que entrou em casa atrás da menina murmurando coisas sobre ter uma filha louca.

Luna havia plantado aquela arvore a 8 anos, quando tinha apenas 10 de idade. Era uma grande e forte figueira e também a melhor amiga da garota, sempre que se sentia triste ou confusa Luna escalava aqueles fortes galhos e ficava lá em cima, observando a vista. Mas dessa vez não subiu na árvore por estar se sentindo solitária. Luna tinha entrado na faculdade de artes cênicas, esse era o seu ultimo dia em sua casa, naquela cidadezinha no litoral. Amanha ela estaria morando na grande, suja e movimentada cidade de São Paulo, em seu próprio apartamento. Quer dizer, ela o dividiria com suas duas melhores amigas. Clara e Lia.
A garota entrou em seu quarto, pegou uma mala e a abriu em cima da cama. Dentro dela colocou suas camisas cortadas, suas calças rasgadas e seus milhares de vestidos. Pegou suas meias e seus casacos, suas calcinhas e seus sutiãs. Notebook, porta retratos, cangas, caderno de desenhos, escova de dente... E muitos, muitos livros. Depois de guardar também seu porquinho de economias Luna se abaixou, levantou uma madeira solta do chão e de lá pegou uma caixinha, a colocou na mala e fechou o zíper. “Pronto” Pensou a garota “agora só falta...” A porta se abriu e de trás dela vieram sua mãe, seu pai e seu irmão. – só falta a despedida. – Ela disse sorrindo. Todos correram a abraça-la e a levaram até a porta. Depois de muitos beijos e recomendações a garota entrou em seu carro e deu uma ultima olhada para a sua velha casa. – adeus, me deseje boa sorte. – e deu a partida.

Sua cidade natal ficava a 2 horas de São Paulo, porem por culpa do transito ela demorou quase 3h para chegar ao apartamento. “bem vinda ao inferno.” Ela estacionou o carro, pegou sua mala e entrou no elevador. Parou no segundo andar e bateu na porta numero 23. Quem abriu foi Clara.
– amor! Que bom que você chegou... Já estava ficando preocupada.
– mals, culpa do transito. – a garota entrou no apartamento e olhou envolta, a porta dava para a sala, que seria seu quarto. Mais adiante havia uma bancada que separava a cozinha. Ela soltou as malas e acompanhou a amiga para conhecer o resto da casa. Do outro lado da sala havia um corredor com três portas. A primeira era o quarto de Clara, cheio de bichinhos de pelúcia e coisas delicadinhas “eca.” Pensou Luna, mas ela conhecia o jeito da amiga e gostava dela assim. A porta do meio era o banheiro, com um boxe e um grande espelho, e o ultimo era o quarto de Lia. A garota estava lá dentro tocando sua guitarra, ao ver Luna ela parou e se levantou.
– eai Lu! Tudo bem cara?
– tudo Li e contigo, tranquilo?
– de boa.
As duas sorriram e Lia foi para a cozinha beber alguma coisa. O quarto dela era completamente oposto ao de Clara, era todo pichado e com posters de bandas famosas. Havia um skate e duas guitarras, uma Fender Stratocaster e uma Les Paul. Tudo estava espalhado pelo chão, era um bagunça, e Luna viu algumas pontas de cigarro e uma camisinha em um canto. Ela riu sozinha e voltou para a sala.

A garota deixou sua bolsa, abriu a geladeira, pegou uma cerveja e se sentou com as amigas. As três tinham estudado juntas, mas as duas tinham ido fazer o 3º médio na cidade, enquanto Luna continuou em sua antiga cidade. Agora as três morariam juntas e estudariam na mesma faculdade. Luna artes cênicas, Clara turismo e Lia jornalismo.
– eai Lu, ainda com o Fe? – perguntou Cla.
Felipe havia sido seu namorado no 2º médio.
– ele me traiu. – ela disse simplesmente.
Clara a olhou com cara de pena, mas Lia foi mais sincera.
– sempre o achei um babaca... – ela deu um gole na cerveja – desencana. A gente vai arrasar esse ano.
– claro que vamos bicho, um brinde: que venham muitas drogas, sexo e álcool!
As três levantaram as latinhas e começaram a rir e a conversar sobre os velhos tempos. Era incrível como, com as três, assunto nunca faltava. Luna foi dormir com um bom pressentimento de que aquele ano seria um dos melhores de sua vida.