Luna
2 Feelings and other Drugs
Luna acordou, sentiu a luz invadir seus olhos lentamente. Ela se espreguiçou e levantou, andou até a janela e ficou um tempo ali, só vendo os carros passarem.
A faculdade só começaria em fevereiro, então ela teria uma semana para se acostumar com a vida de paulista. Ela sabia que haveria mudanças, mas estava preparada para isso. A garota havia coberto o sofá (que agora era sua cama) com uma canga colorida, tinha colocado um desenho de sua autoria na parede, assim como um pôster do Bob Marley e arrumou suas coisas no pequeno armário encostado na cama. Deixou seu violão ao lado da cama e seu caderno de desenho na mesinha de cabeceira. Ela já estava se sentindo em casa.
Depois de arrumar quase tudo ela pegou a caixinha que havia colocado na mala no dia anterior, ela a olhou de canto de olho. “talvez mais tarde...” e a guardou na bolsa. Ela colocou um vestidinho leve de flores, amarrou seu cabelo e guardou seus óculos escuros, junto com a carteira e a caixinha.
Luna não queria acordar as amigas, então pegou a copia da chave que Clara havia deixado em cima da mesa e saiu do apartamento. A menina se pôs a andar sem rumo, com a intenção de conhecer o bairro. Sua nova casa ficava na Vila Madalena, um bairro bem caseirinho e até meio hippie, assim como Luna. Ela andou até se sentar em um banco, em uma pracinha. Abriu sua bolsa e pegou a caixinha.
Aquela caixa era nada mais nada menos do que a portadora de todos os segredos, todos os medos, todas as lembranças de Luna. Tudo que sentia ela escrevia e guardava naquela pequena caixinha de madeira.
Depois de escrever seis ou sete linhas sobre como era sua nova vida ela se deu conta de que morria de fome. Ela andou uns três quarteirões até chegar em uma padaria de esquina. Ela entrou pediu três pães na chapa, um capuchino, um café e um suco de laranja para viagem. Enquanto esperava pegou o seu celular e mandou uma mensagem para Clara. “Cla, já acordou?” ela recebeu a resposta uns 5 minutos depois. “sim, cadê você menina?” com isso Luna achou que estava na hora de voltar para casa, ela pegou o café da manhã e voltou para o apartamento.
– Aeee finalmente, tava onde? – Lia disse, assim que Luna entrou.
– comprando a comida. – ela disse, entregando o café para Lia, o suco para Clara e pegando o seu capuchino. Ela se sentou e as três devoraram seus pães na chapa.
– hmm... Quem precisa de drogas quando se tem isso? – Clara exclamou, dando uma mordida em seu pão.
– am... Eu? – disse Lia, fazendo as outras rirem.
– falando em drogas... – Luna olhou maliciosa para as amigas – o que uma mulher faz para se divertir nessa cidade?
As duas amigas riram e contaram a Luna sobre a festa de iniciação que teria naquela noite, a faculdade toda iria e seria ótimo para as três conhecerem novas pessoas.
– preciso pegar alguém nessa festa, tô tão encalhada! – Clara disse com voz de coitadinha, fazendo as outras rirem.
Clara era linda. Ela tinha olhos mel e o cabelo loiro, liso e brilhante. Luna duvidava que ela estivesse mesmo encalhada, e tinha certeza que, se quisesse, a amiga encontraria algum gatinho para passar a noite.
Lia não era tão bonita quanto Cla, mas também tinha seu charme. Tinha olhos verde musgo e o cabelo cheio de mexas coloridas. Ela era a mais gordinha das três, enquanto Cla era a mais magrela.
Luna era bem diferente das amigas, mas ainda assim era bem bonita, com seus cabelos alaranjados, sempre bagunçados, seus grandes olhos azuis e sua pele clara repleta de sardinhas avermelhadas. Ela encantava qualquer um, mas depois de Felipe ela estava atrás de homens com um pouco mais de inteligência, cultura. Um homem que, assim como ela, ligasse para o meio ambiente e para os animais.
As três decidiram que, não só iriam para a festa, como também iriam arrasar. Clara passaria o dia no shopping comprando roupas enquanto Luna e Lia iriam se ocupar com a “diversão”.
– eu conheço um cara que pode arranjar pra gente, ele vai encontra a gente lá na pista de skate.
– demorou, mas a gente precisa tomar cuidado, esse negócio de mexer com traficante nunca da certo.
– combinado, então nós duas cuidaremos de pegar a maconha e de comprar as bebidas.
– eu não acho isso uma boa ideia... – disse Clara, interrompendo os planos das duas meninas, que começaram a explicar a amiga que seria só aquela vez, e que tudo daria certo. Elas sabiam que drogas não eram coisa boa, mas elas eram jovens, e afinal, todo mundo precisa experimentar coisas novas de vez em quando.
Lá pelas 18h, Luna e Lia foram para a pista de skate. Enquanto Lia resolvia as coisas com o fornecedor, Luna foi até uma livraria que ficava ali do lado. Andou por entre varias prateleiras e por fim pegou o livro “A culpa é das estrelas”. O comprou e foi encontrar Lia lá fora. As duas foram juntas ao mercado e compraram duas garrafas de Absolut, depois voltaram para casa, já eram quase 20h30 e já que a festa começaria às 22h elas começaram a se arrumar.
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