Notas iniciais
Oi!Desculpem a demora,como eu estudo fico muito ocupada com a escola , com meu curso etc... Mas pretendo continuar escrevendo a história aos poucos e para compensar a demora os capítulos sempre serão longos. Devo agradecer a Bahby a minha coo-autora maravilhosa pelas brilhantes idéias e também por ser a estilista dos personagens, me desculpe pela amolação Bah rsrsrsrs ^^ Para quem não leu espero que gostem da história, não se esqueçam de deixar uma review. Boa leitura!^^
P.S: Se encontrarem um erro de português mil desculpas e nós avisem por favor para podermos corrigi-lo.

– Ah qual é Ally? Eu sei me virar tá? – Exclamei meio aborrecido. Minha prima era insuportavelmente chata quando colocava alguma coisa na cabeça.

– Mas Dany eu não quero que você se prejudique por minha causa! – Ally rebateu sem dá o braço a torcer. Eu sinceramente não sabia mais como convencer minha prima que dar uma festa de despedida no dia do aniversario dela não iria me deixar mais pobre, na verdade apenas com algumas notas a menos na minha poupança o que não faria nenhuma diferença já que tinha dinheiro suficiente para comprar um carro pelo menos usado guando tirasse a carteira.

– Dona Alyson quantas vezes eu vou te dizer que a senhorita não precisa se preocupar? – Perguntei-lhe no tom mais calmo que pode fazer, ela estava-me dano nos nervos com aquele assunto, como se eu não pudesse fazer nada sem precisar da ajuda dela.

– Danyel deixa eu te ajudar, por favor? Para você não precisar gastar tanto – Ela implorou acariciando carinhosamente as mechas de cabelo perto da minha orelha.

Respirei fundo e tirei os olhos da tela de Led. Estava tentando terminar o designer gráfico dos convites, contudo minha prima não me deixava em paz por mais que lhe dissesse um não.

–Ally, maninha querida, eu não preciso de ajuda! – Disse-lhe aquilo pela milionésima vez, mas sabia que ela continuaria insistindo por mais que me recusasse a aceitar sua ajuda.

–Não tem nada que eu precise fazer por você?! – Perguntou-me com um tom pidão que já estava me fazendo nojo. Será que ela me amava tanto assim? Pensei exasperado, sem um pingo de paciência nas veias.

–Quer saber?! Faz minhas tarefas de casa já que quer tanto ajudar – Respondi-lhe com um tom petulante e malicioso. Até que aquilo não era uma má ideia, eu já estava como uns trezentos exercícios de física inacabados e ainda tinha que fazer uma redação de história sobre a independência dos estados unidos que era uma amolação.

–Mas ai assim você vai ficar mais burro – Ally me respondeu com um tom brincalhão mais convencido. Não acredito que a garota estava me chamando de burro, eu tirava notas acima de B+ na matéria de exatas quando ela mal conseguia um C+ ou B-. Mas tinha que admitir ela se saia melhor do que eu na área das humanas.

– Falou a inteligente – Rebati com um tom indiferente enquanto testava a cor que melhor se encaixaria no visual do convite.

– Posso ver o que você esta fazendo? – Perguntou-me mudando de assunto, mas visivelmente interessada. Provavelmente estava curiosa porque estava dando mais atenção ao notebook do que as suas perguntas e pedidos irritantes.

– É só o convite da festa – Eu respondi com seriedade enquanto mudava a cor do convite de azul escuro para um rosa choque, mas aquilo não iria pegar bem, nem ficaria legal então eu decidi voltar novamente para o azul escuro com detalhes na cor preta.

– Dany seria melhor você não fazer os convites – Ela replicou com um tom severo que me deixava estressado, pois estava novamente se preocupando com minha situação financeira.

– Ally minha priminha querida da onde se viu fazer uma festa e não encomenda os convites? – Perguntei-lhe com uma voz sínica olhando descaradamente para sua face vincada de preocupação, nossa eu era mal, ela só queria que eu não gastasse mais do que o necessário naquela festa mesmo assim aquilo me irritava.

– Dany a festa é daqui a cinco dias não vai dar tempo de fazerem os convites, alem do mais não quero que você gaste dinheiro à toa.

– Eu não estou gastando dinheiro à toa e alem do mais vou enviar este designer por email e o Max topou fazer os convites de graça – Respondi com naturalidade enquanto terminava de formata a fonte do convite.

– Mas vai dá tempo de fazer os convites? – Ela perguntou mais tranquila apenas preocupada com o prazo da mudança.

– Alyson meu pai conseguiu prolonga nossa estadia em Boston só por causa dessa festa então relaxa.

– Mas...

– Eu já pedi para você relaxa! A festa é Domingo e Max me prometeu aparecer com estes convites quinta-feira.

– Tá bom! Posso ver o convite?

– Pode! – Respondi enquanto a garota se debruçava sobre mim para vê o trabalho que eu havia realizado tão arduamente com ela ao meu lado.

– Você tem talento – Exclamou com sinceridade aprovando o meu trabalho.

– Obrigado – Agradeci realmente contende com o seu elogio. Gostava quando ela me elogiava ou simplesmente me dizia um obrigado. Alyson podia ser a pessoa mais chata do mundo, mas era como uma irmã para mim.

–Olha desculpa está me preocupando tanto Dany! Mas é que eu não quero ser incomodo pra você! – Alyson não sabia o quanto estava me incomodando em pensar que ela seria um incomodo pra mim.

–Alyson, você esta me incomodando agora insistindo para me ajudar, de resto você não me incomoda, vai por mim – disse sinceramente para Alyson, para ver se conseguia a fazer calar a boca, e deixar-me acabar o convite.

–Desculpe, só estou sendo educada! Mas você quer ajuda pra fazer isso?! – quando ela me pediu desculpas, se eu não tivesse meio estressado no momento eu teria dado risada, Aly tinha mania de pedir desculpa por tudo, até por respirar acho que aquela menina pedia desculpas. Mas logo que ela falou quer ajuda pra fazer isso? Toda minha paciência se esgotou, respirei fundo e disse:

–Alyson não quero ajuda em nada. Alias seria de muita ajuda se você ficasse quieta. – eu digo para ver se ela se toca e cala a matraca. Geralmente não sou mal, mas ela já tinha tirado a minha paciência.

–Desculpe! – disse ela em muxoxo. Comecei a rir, não aguentei, ela era mesmo viciada em dizer desculpas. – O que foi que você está rindo?! Tenho um nariz de palhaço em mim, por acaso?! – acho que pelo fato de ter rido dela, tinha feito ela ficar um pouco irritada.

–Você só sabe pedir desculpas Aly, é engraçado, pra tudo você pede desculpas.

–Será que é porque eu segui a educação dos meus pais?! – A voz de Aly estava com uma ironia engraçada, essa menina era um barato. Olhei por cima do ombro pra Alyson, que garota mais abusada.

–O que você está insinuando com isso Alyson Redfield?! – Perguntei me fazendo de inocente.

–Nada Danyel Redfield! Apenas a mais pura realidade! – Ela me responde com o nariz empinado, e eu pensando que Alyson não poderia piorar o abuso dela.

–Por acaso você está me chamando de mau educado?! – Perguntei incrédulo com ela.

–Você que está tirando as palavras da minha boca! – Além de abusada a garota também era cínica, ah! Ela vai aprender a ser gente comigo, ah se vai! Fechei o notebook, olhei bem pra cara dela e disse:

–Ah é?! – Fui mais cínico ainda, peguei o travesseiro e taquei na cara daquela garota abusa. – Pra você aprender a ser gente.

–Eu sou gente Danyel Redfield! Você que não é! – Disse Ally tacando o travesseiro com tudo na minha cara. Peguei outro travesseiro, e taquei nela também, quando demos conta estávamos brincando de guerrinha de travesseiros, que nem duas crianças. Temos que admitir que não tivemos infância. Quando dei outra travesseirada na cara da Ally ela quase cai por cima do meu notebook, tive que segurar ela pra não despedaçar e nem acabar com minha obra prima.

–Acho que é melhor a gente parar com isso, antes que nós derrubemos a casa inteira. – Eu digo tentando recuperar o fôlego.

– Você acha?! – Rebateu Ally rindo – Eu tenho certeza, além do mais você não ganharia de mim! – acrescentou provocativamente.

– Tá sonhando priminha – Eu disse me controlando para não dá com outro travesseiro na cara de Ally e acabar quebrando meu notebook – Você não ganharia de mim nem se fosse à rainha da Inglaterra.

– Não tenha tanta certeza disso Danyel Redfield – Ela exclamou com uma posse de superior. Nossa como aquela garota se achava, ai como eu odeio gente abusada.

– Você se acha garota! – Eu repliquei pegando meu notebook para avaliar se não tínhamos causado nenhum dano a minha obra de arte.

– Olha quem fala?! o senhor gostosão! – Ela exclamou deitando sobre minhas pernas.

– Eu não faço pinta de gostosão, dona Alyson, isso é veneno das suas amigas!

– Tá chamando minhas amigas de cobras Danyel? – Perguntou-me com uma cara de zangada. Tinha que admitir a minha prima conseguia mesmo fazer posse, um dia desses acabo mandando ela segui a carreira de modelo.

– Se a carapuça serviu! – Exclamei só pra provocar a peste, adorava irritar a dona chata.

– Olha como fala de minhas amigas, doutor Danyel – disse jogando um travesseiro na minha cara.

– A senhora não quer mesmo começa com isso de novo, né dona Alyson?! – Exclamei com uma voz ameaçadora. Tá éramos duas crianças crescidas que adoravam se provocar.

– Não doutor Danyel – Disse-me pegando meu notebook.

– Ei! – Exclamei zangado enquanto ela enviava o modelo do convite para o Max – Eu ainda não terminei! – disse um pouco emburrado.

– Terminou sim doutor Danyel, o convite está mais que perfeito, se enfeitar demais estraga – disse colocando meu note encima do criado mudo ao lado dos meus livros de astronomia. Eu não sabia por que gostava tanto daquilo, mas era alucinado com os mistérios do universo.

– Mas eu queria mexer mais – disse fazendo um biquinho e ela me abraçou e deitou comigo encima da cama enquanto afagava meus cabelos.

– Tadinho do bebê – disse beijando minha testa.

– Eu não sou seu bebê – Rebati fazendo uma cara emburrada. Ally sorriu e me deu outro beijo. Ela podia ser chata mais amava aquela garota principalmente quando começava a me fazer carinho do nada.

– É sim. E agora vai deixar eu te ajudar ou não?

– A senhora é muito insistente, dona Alyson!

– E o senhor um teimoso, doutor Danyel!

– Você não vai parar de me encher o saco até eu disser um sim – Exclamei convicto de que ela insistiria para eu permitir que ela me ajudasse até eu pedir arrego. Quando ela queria era insuportavelmente enjoada, por isso a chamava de dona chata ou dona Alyson só para irrita-la.

– Como você adivinhou? – Perguntou-me num tom sínico e divertido.

– Você é previsível – disse fazendo uma cara de superior e ela bagunçou meu cabelo.

– Você é um chato, sabia?

– Você é uma chata maior ainda! – Rebati com um meio sorriso provocante.

– Eu só quero que você não gaste tanto dinheiro comigo.

– Não estou gastando tanto dinheiro assim.

– Fala sério Dany! Você comprou luzes estereoscópicas, alugou um DJ, comprou um aparelho de som, alugou um buffer e ainda me diz que não estar gastando tanto dinheiro assim?

– Alyson, eu só quero que você tenha um ultimo aniversario maravilhoso em Boston, então não estraga a diversão maninha, eu vou ficar sem te dá um presente por 10 anos se você se sentir melhor.

Ally sorriu e me deu outro beijo na minha testa. Ela estava muito melosa aquela semana.

– Você é um irmão maravilhoso – disse-me afagando meus cabelos – mas não precisava fazer uma festa por mim!

– Quem disse que estou dando uma festa só pra você? – Repliquei, mas de brincadeira, realmente estava fazendo aquilo para ela porque simplesmente queria fazer algo para anima-la. Eu tinha que parar de ser um idiota, ninguém gastaria tanto dinheiro para fazer uma pessoa sorrir.

Ela sorriu de novo, mas dessa vez não me beijou.

– Você pode ser irritante, mas é muito fofo garoto!

– Tá me bajulando demais garota! – Exclamei me fingindo um pouco irritado e nostálgico, mas na verdade estava adorando ela me dizendo aquilo.

–Ok, então vou começar te chamar de idiota, pode ser?! – Alyson me provocou, aquela garota era mais abusada do que imaginara.

–Ah, então eu vou te chamar de B-! – devolvi a provocação, Alyson me fitou confusa.

–Por que B-?!

–Por causa da sua notinha de álgebra! – sorri sinicamente para Alyson, ela me fitou de novo com os olhos semicerrados.

–Então eu te chamo de C-! – Alyson empinou o queixo, provocando ainda mais, só não sabia de onde ela havia tirado aquele C-, minhas notas em álgebra sempre foram B+ pra cima.

–Eu nunca tirei C- em álgebra.

–Em álgebra não, mas em história não pode dizer a mesma coisa, senhor C-! – Alyson deu um sorriso malicioso.

–Você já me chamou de idiota, agora está me chamando de burro?! – perguntei em um tom indignado, e com um tom brincalhão.

–Não disse nada disso!

–Então quer dizer que eu tirei as palavras de sua boca?! – perguntei arqueando as sombrancelhas.

–Isso mesmo! – eu olhei Alyson um tanto que indignado, ela era muito dissimulada, pelo amor! Ela dizia que Louise poderia se sair uma bela atriz, mas Ally também se daria muito bem nessa área.

–Alyson você quer aprender a ser gente de uma forma boa, ou de uma forma ruim?! – perguntei com um meio sorriso no rosto.

–Senhor Danyel, antes de você tentar me ensinar a ser gente, você tem que aprender a ser GENTE! – Alyson provocou, eu olhei pra ela incrédulo com tamanha provocação.

–Ah então eu vou ter que te ensinar primeiro a como ser gente! – eu disse caindo em cima dela fazendo cócegas. Eu sabia que Alyson era sensível, e sabia seus pontos fracos, onde ela sentia mais cócegas. Ela não parava de ser revirar, a risada de Alyson era bonitinha, não aguentei e comecei a rir dela.

–Mas o que está acontecendo aqui?! – eu ouvi a voz do meu pai.

Eu e Ally caímos da cama, nós dois nos sentamos, estávamos tentando ganhar fôlego. Vimos meu pai parado na porta, ele estava encostado.

–Nada paizinho, relaxa, só estava dando uma lição nessa garota metida!

–Sabem que incesto é pecado, não sabem?! – meu pai perguntou com um tom severo, mas pelo olhar dele dava para ver uma diversão. O velho era engraçado.

–Que isso Chris?! Assim você me ofende! – disse Alyson com a voz afinada.

–Poxa pai, você acha mesmo que eu ficaria com essa garota abusada?! – fingi está ofendido com meu pai.

–Ei, eu não sou abusada! – Alyson exclamou com a voz mais fina ainda.

–Vocês podem discutir isso lá embaixo?! – meu disse mostrando o caminho com as mãos. Eu levantei-me, e ajudei a Alyson a se levantar.

Alyson passou pela porta, meu pai afagou seus cabelos, quando estava passando pela porta, meu pai passou seus braços ao redor do meu ombro, e disse:

–Eu sei que Alyson é linda meu filho, mas segura as pontas! – o tom de meu pai foi divertido, Alyson olhou para traz com os olhos arregalados.

–Eca pai!

–ECA O QUE DANYEL?! – Alyson gritou.

–Você não é o bastante para mim! – disse empinando meu queixo, o que fez com que Alyson me olhasse com os olhos semicerrados.

–Saiba você Danyel que eu não ligo pra sua opinião.

–E?! – eu disse zuando com Ally.

–Danyel eu sou mais velha que você, não sei se você se esqueceu.

–E?! – provoquei dando um sorrisinho malicioso, mas deu um efeito inesperado, e ao mesmo tempo engraçado. Ally saiu pisando duro e bufando pelo corredor.

Eu e meu pai caímos na risada, o que fez Alyson para, virar, e nos fuzilar. Eu e meu pai nos olhamos, e com a troca de olhar, entendi que teria que me desculpa, senão estava ferrado o resto da semana.

Abracei Ally e dei um beijo em sua bochecha, mas sua reação foi totalmente fria e calculista, ela somente tirou os meus braços dela, e saiu andando. Eu fiquei estático, meu pai estava rindo como nunca. Meu pai deu leves tapinhas nas minhas costas e disse:

–É filhão, você se ferrou!

Meu pai seguiu, e eu continuei estático, Alyson sempre me desculpava quando eu fazia aquilo. Eu sai do meu estado de choque e desci as escadas. Quando cheguei à sala de jantar, na encontrei Alyson, sentei-me e fiquei pensando, não era normal Alyson estourar. Só se ela estivesse de TPM. Não entendia onde Alyson estava não era pra tanto, tudo bem que ela sempre se sentava do meu lado, mas não precisava pra tanto, não almoçar na mesa só porque tinha provocado ela.

Quando estou mais imerso aos pensamentos do que qualquer coisa sinto um tapa na minha cabeça, e logo em seguida vejo meu rosto indo ao encontro do prato de comida, me sujando inteirinho. Vi Alyson sentando ao meu lado rindo, meus pais também estavam rindo.

–Por que você fez isso?! – perguntei irritado, fuzilando Alyson, aquela menina era muito chata. Sabia muito bem me irritar.

–Essa é a resposta para o seu “E?”. Tenha mais respeito comigo moleque! – disse Alyson rindo da minha cara.

–Ta bem, eu mereci! – eu disse levantando-me da mesa. Alyson me olhou confusa; preocupada talvez.

–Aonde você vai?! – ela pergunta confusa, e com os olhos cheios de preocupação.

–Só vou limpar meu rosto, e pegar outro prato pra mim!

–Eu te ajudo! – disse Alyson com a voz entre cortada pela risada.

–Espera ai, você não ficou com raiva de mim naquela hora?! – perguntei pegando a linha do raciocínio.

–Não, só queria curtir com a sua cara depois! – disse ela com um sorriso largo no seu rosto, aquela garota queria apanhar não é possível. Ally pegou seu celular do bolso e completou: -- Diga “xis”!

Ela tirou foto do meu rosto todo sujo, e ainda com a cara de surpresa.

–ALYSON CORRE! – eu gritei. Alyson rindo saiu correndo. A gente poderia dizer adeus ao jantar, não iríamos comer hoje à noite. Eu fui atrás dela, Ally escorregou por um momento.

–Já chega crianças, vamos jantar como quatro pessoas civilizadas! – minha mãe gritou da sala de jantar.

–Se eu for me sentar e comer, ele vai tacar minha cara no prato, como vingança! – Alyson gritou rindo enquanto corria de mim.

–Ah vou mesmo! – eu disse.

–VEM VOCES DOIS JÁ PRA MESA! – minha mãe gritou. – Ou vocês querem que eu vá puxar os dois pela orelha?!

–Só vou se você for primeiro! – disse Alyson parando do lado da frente do sofá enquanto eu estava atrás do sofá.

–Então nenhum dos dois vai jantar hoje! – eu disse rindo.

Minha mãe apareceu na sala, nos fuzilando, nós dois paramos. Ela estava com cara de brava. Respirava profundamente.

– Vocês não tiveram infância?! – minha mãe perguntou sinicamente.

– Não! – disse rindo muito.

– Já que vocês não tiveram infância, vão os dois para sala de jantar, sentar a bundinha de vocês na cadeira, e comem direitinho, senão, não terão sobremesa.

Alyson faz um biquinho como se fosse inocente e disse:

– Mas foi ele que começou! – Alyson fez voz de criança, e biquinho de uma criança mimada.

– O QUÊ?! – perguntei indignado. – Foi ela que começou enfiando meu rosto no prato de comida.

– Não quero saber quem começou! Se não forem comer logo, não terão sobremesa por uma semana. Vocês estão parecendo duas crianças.

– Marie querida, mas eles SÃO duas crianças. – disse meu pai rindo.

– Chris meu amor, se você não reparou eles são dois adolescentes. – disse minha mãe séria.

– Só no tamanho querida, porque o cérebro deles ainda continua no primário! – disse meu pai caindo na risada, fazendo minha mãe rir também.

– RÁ! RÁ! – eu exclamei ironicamente. – você quer dizer o cérebro dela?! – aponto para Ally.

– Quer levar uma pratada na cara?! – Ally perguntou sarcasticamente.

– Já chega, ou vocês ficarão sem jantar por uma semana! – minha mãe já estava ficando irritada.

– Marie querida, se você não dá comida para eles, não vai ter como o cérebro deles amadurecer.

– Chris meu amor o cérebros deles não vai amadurecer sem um pingo de disciplina!

– Os dois poderiam parar de falar como se nós não estivéssemos aqui?! – Repliquei não gostando nenhum pouco daquela conversa, estavam nos chamando de crianças e retardados.

– Olha o tom que você fala comigo garoto! – Minha mãe advertiu com seriedade.

– Isso mesmo bonitinho, olha o respeito – Complementou meu pai contendo o riso e fazendo uma cara de sério e ofendido.

– Eu não estou desrespeitando ninguém!

– Ah não?! – minha mãe rebateu cruzando os braços.

– Marie querida, não exagere alias o menino não falou nada demais – disse meu pai servindo-se antes da hora.

– Chris querido é muita falta de educação se servi enquanto todos não estão à mesa!

– Marie meu amor se eu for esperar por estes dois eu morro de fome! E cá entre nós quero meu cérebro amadurecido.

Eu não conseguir controlar o riso e Ally começou a rir comigo. Meus pais eram duas figuras!

– Do que os dois engraçadinho estão rindo? — Minha mãe perguntou com cara de zangada.

– Marie meu amor para de pegar no pé das crianças e vocês dois venham logo se sentar! – Disse meu pai enquanto terminava de se servi.

– Eu não vou sentar do lado desse idiota — Exclamou Ally ao meu lado.

– Se eu sou idiota a senhorita é o que? — Rebati no ímpeto.

– Vocês dois poderiam acabar logo com este cabo de guerra? — Perguntou-me minha mãe com uma cara de sério.

– É mais fácil perguntar quando o homem vai voltar à lua — Exclamou meu pai enquanto pegava um copo de suco.

– Quero só ver eles não acabarem com esse cabo de guerra. Se não acabarem por si só eu tiro tudo deles!- disse minha mãe arqueando as sobrancelhas — Sente-se logo do lado do Danyel Alyson! — exclamou minha mãe.

–Tia não quer trocar de lugar comigo?! – Ally perguntou fazendo biquinho. Minha mãe a olhou com uma cara decidida e um pouco zangada.

–Alyson Redfield acho melhor você sentar-se no seu lugar, ou você quer ficar de castigo?! – sugeriu minha mãe com as mãos nos quadris.

–Prefiro sentar do lado do Danyel então! – disse Ally, o jeito como ela falou me fez lembrar um cachorrinho com os rabos entre as pernas. Eu cai na risada, e eu acho que meu pai também pensou a mesma coisa, porque logo estava rindo de novo.

–Do que vocês dois estão rindo?! – perguntou minha mãe confusa, e curiosa.

– A Ally parecia um cachorrinho com o rabinho entre as pernas falando com a senhora agora. – meu pai disse, deixando claro que ele também havia pensado o mesmo que eu.

– Há, há, olha quem fala, não sou eu que fico tremendo quando alguém que não vou citar o nome fica estressada – Devolveu Ally na mesma moeda sem um pingo de constrangimento.

– Ally querida, convenhamos sua tia de TPM é assustadora – rebateu meu pai com um tom calmo e divertido.

–Chris você também quer ficar sem sobremesa querido?! – Replicou minha mãe com um sorriso sínico.

– Calma meu amor, eu estou brincando – Disse meu pai com um sorriso travesso – afinal eu não quero ficar sem sobremesa.

– Acho que já sei por que o Dany é tão cara de pau! – Minha mãe exclamou com as mãos na cintura.

– Eu cara de pau?! Mãe desse jeito você me ofende! – Exclamei fazendo uma cara de ofendido.

– Tadinho! Bebê tá ofendido! – Exclamou Ally sinicamente ao meu lado. Ela sabia que eu estava fazendo posse. De tanto conviver com atrizes também acabei virando ator.

– Ah Tá! Até parece que você está ofendido Danyel! – Rebateu minha mãe com um tom reprovador.

– Han... Não querendo ser desagradável querida, mas a comida vai acabar esfriando! – Exclamou meu pai que já tinha quase terminado de comer sua porção.

– Chris querido que modos são esses? – Minha mãe repreendeu o meu pai com o tom reprovador.

– O que foi querida? — Meu pai exclamou se fingindo de inocente

– Você não espera sua esposa e filhos à mesa?

– Não quando corro o risco de comer comida fria – Meu pai respondeu na maior cara de pau.

– Um dia desses vocês acabaram me causando um infarto! – Minha mãe exclamou desgostosa.

– Não se preocupa mãe, papai cobre o plano de saúde! – Exclamei sem pensar e logo me arrependi, pois a senhora Redfield me olhou de uma maneira demoníaca. Eu estava absorto naquele silencio mortal quando meu pai desatou a rir e quase engasgou. Minha mãe voltou a encara-lo e ele parou de rir e ficou quietinho que nem um cãozinho acuado por um tigre.

– Já parou?! – Minha mãe exclamou sem um pingo de emoção.

– Desculpa amor! – Meu pai exclamou em um tom acuado, e tentando segurar o riso.

– E vocês dois sentam nessa mesa AGORA antes que eu acabe botando vocês na RUA! — disse minha mãe se dirigindo para mim e minha prima apontando diretamente para a mesa.

Eu e Ally fomos silenciosamente para mesa e nos sentamos um ao lado do outro. Ainda estava com o meu rosto lambrecado de arroz e maçarão.

– Eu posso lavar o rosto? – Eu perguntei timidamente quando minha mãe sentava ao lado do meu pai. Ela me enviou um olhar tão ameaçador que eu comecei a me servi no mesmo segundo. Ally colocou a mão sobre a boca, e se conteve para não rir, pois sabia que não era momento para ficar zoando com a minha cara. Chris me olhou com uma expressão que queria dizer um cala a boca ou sua mãe te manda pra lua.

–Que tal você ficar quietinho e comer logo?! – minha mãe disse sinicamente, com um olhar de dar arrepios, olhei para Ally, ela estava tentando não rir, ela colocou o copo de suco na frente da boca pra disfarçar a vontade de rir. Alyson deu um gole no suco, mas logo se engasgou, pelo esforço de não dar risada, o acesso de tosse não parava, meu pai e eu contemos o riso, um olhando para o outro, minha mãe fuzilava Alyson. Estava dando graças a Deus por minha mãe e Ally não estarem de TPM ao mesmo tempo, assim como aconteceu uma vez, elas ficaram brigadas por dias, meu pai teve que conter minha mãe para que ela não expulsasse Ally de casa. Ela não parava de tossir, minha mãe se irritou e disse:

– Mas que merda Danyel!

– Mas, o que foi que eu fiz?! – Eu perguntei indignado, um pouco sem paciência, e sem entender o porquê dela está colocando a culpa em mim, afinal de contas eu não tinha enfiado alguma coisa na Alyson pra ela chorar de tanto tossir.

– Querida Dany não fez nada agora! – meu pai me defendeu, fazendo seu trabalho de advogado.

–É o que você não fez Danyel, bate LEVEMENTE nas costas de Alyson. Não está vendo que ela está até sem cor de tanto tossir?! Daqui a pouco ela morre e você não fez nada! – minha mãe falou rispidamente, exagerando. Agora pronto eu era culpado por não ter tomado alguma providencia para Ally parar de tossir. Eu iria saber que minha mãe iria deixar eu parar de comer pra bater nas costas dela?! Ah tenha a santa paciência.

Eu levantei da cadeira e fui até Ally, bati nas costas dela levemente, como minha mãe havia falado. Ally foi parando aos poucos a tosse, quando parou ela estava tentando recuperar o fôlego, minha mãe a olhou preocupada agora, eu fiquei em pé esperando ela recuperar o ar, meu pai continuava comendo, mas ainda sim mostrava um ar preocupado, mas também estava contendo a risada. Quando Alyson percebeu que todos estavam olhando pra ela, preocupados, ela disse:

– Já estou bem pessoal, muito obrigada Dany! – Ally quando queria sabia ser muito educada.

– Está vendo querida?! O cérebro de Ally amadureceu um pouco, estou dizendo um pouco de 3comida iria ajudar! – meu pai disse para descontrair, minha mãe deu um sorrisinho e continuou a comer, eu sentei-me no meu lugar de novo, e Ally somente olhava pra comida dela. Mandei um olhar pra Ally como se perguntasse se ela estava louca em está pensado em deixar comida no prato, ela somente negou com a cabeça, acho que só estava tentando recuperar mais fôlego. Momentos depois a expressão de Alyson ficou seria e ela começou a comer quieta.

Acabamos a refeição, nos servimos de sobremesa, e logo que acabei, disse:

– Com licença, vou fazer meu dever de historia! – eu disse, sentindo que o clima naquela sala estava meio tenso. Ally levantou-se e disse:

– Vou subir também, arrumar algumas coisas! – ela estava se mostrando meio cabisbaixa.

Ela subiu primeiro que eu. Fiquei meio preocupado, Ally nunca foi de estar assim, e ela não estava, até que o clima tinha ficado chato na sala de jantar, poxa, minha mãe exagerou um pouco.

– Acho que Ally está chateada! – eu disse olhando para o meu pai, e ele negou com a cabeça.

– Do que ela ficaria chateada?! – minha mãe perguntou arqueando as sombrancelhas. Ela deve ter percebido minha preocupação, pois sorriu e completou — Filho Ally não é fácil de abalar, ela é uma garota forte, já passou por varias coisas na vida, não se preocupe.

– Filho, ela só deve está com algum remorso, ou então com muita coisa com que pensar! – disse meu pai, me transmitindo um olhar calmo.

Acenei, e subi para o meu quarto; algo estava incomodando Ally. Fui tentar fazer o relatório de história, mas como havia dito, não era muito bom em humanas. Antes de pegar o caderno foi escovar os dentes e aproveitei para lavar o rosto que estava nojento.

Alyson ainda iria me pagar por isso, logo que pensei naquilo me arrependi. Lembrei-me da sua expressão quando subiu para o seu quarto. Sai do banheiro depois que enxuguei o meu rosto e peguei meu notebook. Sentei-me na escrivaninha sem um pingo de animo para começar aquela redação. Minha prima estava ocupando a minha cabeça e não dava lugar para outro assunto que não se resumisse a sua pessoa.

Mas que merda Ally! Eu já sou uma bosta nessa matéria e você consegue consumir meus neurônios porra! Exclamei mentalmente, um tanto ranzinza, mas preocupado. Como se fosse atraída pelos meus pensamentos Ally bateu na porta, me surpreendendo, pediu licença com um sorriso grande no rosto, olhei pra ela confuso.

– Vim te ajudar no seu dever de história! – disse ela sorridente, eu não estava entendendo era mais nada, primeiro ela estava meio pra baixo, agora, estava com aquele sorriso.

– Que sorriso é esse?! Você saiu da mesa agora pouco com um rosto de dar dó! – eu disse.

– Não sai, não, só estava com medo da sua mãe! Agora cala a boca e foca em historia, que você querendo ou não vou te ajudar.

– Poderia saber por que tamanha generosidade? – Perguntei desconfiado. Não acreditava que Ally fosse tão cara de pau. Será que a engraçadinha achava que eu me esqueceria do que ela havia feito comigo dano uma de boazinha?

– Você é meu primo Danyel! Preciso de motivos para ser generosa? – Ela me perguntou com uma expressão meio ofendida, meio aborrecida e um pouco magoada. Talvez Alyson realmente quisesse me ajudar sem querer nada em troca, mas eu não estava a fim de me render tão facilmente à sagacidade da minha irmãzinha querida.

– Ah fala serio?! Você acha que eu sou burro?! O que você quer Alyson?!

A garota me olhou intensamente por alguns segundos. Não conseguir ler os sentimentos contidos nos olhos de Alyson porque em um milésimo de segundos eles se tornaram tão inexpressivos que era impossível saber o que ela pensava ou sentia.

– Eu não quero nada Danyel, apenas vim te ajudar – Replicou sem um pingo de emoção e extremamente seria.

– Conta outra! – Exclamei descrente.

– Se você não acredita pra mim tanto faz! – Disse-me fechando a porta do meu quarto — Você vai fazer essa redação comigo de qualquer jeito!

– Eu não quero sua ajuda.

– Você não tem escolha.

Alyson sabia que minha situação era tensa. O Sr. Crouch havia me dado àquela redação como uma forma de recuperar minha nota do semestre passado. Passei uma semana inteira pedindo para o cara me dá uma chance que conseguir convencê-lo, mas quando ele me passou aquele trabalho tive certeza que o bicho não acreditava que eu pudesse recuperar sequer um ponto naquela matéria. Estava precisando tirar pelo menos um B- ou corria risco de ficar abaixo da média e talvez não fosse tão ruim aceitar a ajuda de Alyson mesmo que ela estivesse de armação.

– Alyson, priminha querida, eu tenho total direito de querer ou não sua ajuda. – Rebati sinicamente quando ela tirou uma cadeira para sentar ao meu lado. Ela estava querendo o me ajudar, mas ainda estava desconfiado. Iria me ajudar, mas a que preço?

– Danyel, priminho querido, eu acho que para sua atual situação você não tem direito a mais nada a não ser aceitar a minha ajuda – Replicou sentando ao meu lado e pegando o meu caderno.

– Se você ainda não se tocou eu não estou nem ai para minha atual situação – Mentir querendo manter o meu orgulho – Posso muito bem querer me ferrar ou não.

– Dany quer saber uma coisa?! – Ela exclamou me encarando e não esperou eu responder – Quer enfiar esse orgulho no seu cu e calar essa boca.

Eu fiquei perplexo. Normalmente Alyson não era grossa nem tão ríspida daquela maneira.

– Você não tem o direito... – Tentei rebater, mas Ally me cortou na hora.

– De mandar você calar a boca? Ou enfiar o seu orgulho no cu?

– Escuta aqui Alyson...

– Escuta aqui você – Replicou com rispidez — Você não pediu minha ajuda?! E daí?! Eu quero te ajudar, ok? Então para de ser um idiota e pegar a porcaria desse caderno – Complementou me entregando o caderno.

– Pra que? – eu perguntei meio confuso.

– Você vai fazer uma redação escrita – Respondeu-me secamente enquanto pegava meu notebook. Eu sabia que minha prima estava armando algo, ela nunca iria me ajudar sem algum custo, o pior é que eu não tinha escolha. Primeira porque precisava de nota, segundo porque Alyson estava me impondo sua ajuda, não oferecendo.

– Você tá brincando né? – Perguntei descrente e desgostoso.

– Robinson Crouch gosta de uma redação bem escrita e preferencialmente com um rascunho a mão.

– Ele é um idiota – Eu exclamei meio ranzinza. Odiava fazer redações a mão e aquela tinha que ter pelo menos duas folhas.

– Para de reclamar e começa logo a merda.

– Ok dona chata – Exclamei pegando uma caneta estereográfica preta e fitei minha prima que permanecia inexpressivo ao meu lado — Por onde eu começo? – Perguntei um pouco mais áspero do que eu queria.

– Faça uma introdução com a nossa colonização, explicando o modelo socioeconômico vigente nas colônias do norte e do sul.

– Hãn – Exclamei um pouco abobado, eu era uma negação em história – Tinha alguma diferença entra as colônias?

– Danyel alguma vez você realmente se interessou em estudar história? – Ela me perguntou descrente.

– Por que eu me interessaria em estudar algo que já aconteceu? – Eu respondi na maior cara de pau sabendo que Alyson era uma amante de história. Normalmente ela odiava quem lhe perguntasse aquilo e tinha medo dela me dá um murro, mas me arrisquei.

– Eu não vou responder esta pergunta – Ally exclamou revirando os olhos – As colônias do norte foram colonizadas por protestantes europeus principalmente ingleses que fugiam das perseguições religiosas impostas por adeptos do catolicismo.

– E daí? – Perguntei com a voz meio irritada. Odiava me passar por ignorante, idiota e tudo que se dizia respeito a uma pessoa burra.

– Como esses colonos chegaram as Américas com o objetivo de desenvolverem uma economia prospera após fixarem suas famílias às colônias do norte sofreram uma colonização de povoamento.

– E as do sul?

– Tiveram um modelo de colonização diferente. Foram colônias de exploração.

– Hum... – Exclamei enquanto começava a escrever as primeiras linhas da minha redação. Eu precisava admitir que Alyson mandasse bem na coisa. — As colônias do sul eram escravagistas? — Perguntei enquanto escrevia.

– Eram – respondeu-me seriamente, mas de rabo de olho eu vislumbrei um sorriso no rosto dela.

– Por que está sorrindo? – Perguntei olhando para ela.

– Por nada Danyel, continue escrevendo – Respondeu-me rispidamente. Eu não havia reparado antes: Ally não estava me chamando pelo apelido, mas pelo nome. Sentir-me um pouco desconfortável, ela costumava me chamar de Danyel só quando estava chateada ou me provocando, porém ela estava seria e não expressava nenhuma emoção.

– Ally – Seu apelido saiu da minha boca automaticamente.

– O que foi? – Ela me perguntou com a testa franzida.

– Você estar bem? – Perguntei um pouco preocupado.

– Não começa Danyel – Respondeu-me um pouco irritada.

– Não! Sério! Você estar bem?

– Claro que estou! por que não estaria? – contra-argumentou secamente. Minha prima estava evasiva demais para o meu gosto.

– Tá – Respondi tentando encerrar o assunto. Ally não estava bem então não iria discutir com ela. Ainda por cima precisava desenvolver a redação e infelizmente não conseguiria sem a ajuda dela. A garota ergueu uma sobrancelha duvidando que eu estivesse convencido, mas simplesmente ignorei aquele ato tentando não discutir com ela, afinal sempre que discutíamos acabávamos brigando – Agora como posso continuar essa bagaça? – Perguntei-lhe após citar algumas características das colônias do norte e do sul e compara-las.

– Agora você tem que fazer uma menção à guerra dos cem anos. – Ela me respondeu tranquilamente enquanto virava o caderno em sua direção – Hum... Eu devo ser sincera não esperava que você escrevesse tão bem.

– Ally priminha querida eu sou um fiasco em história não em inglês. – Disse-lhe tomando meu caderno de volta – Mas à guerra dos cem anos não foi uma disputa entre frança e Inglaterra? — Quando eu perguntei isso minha prima me olhou com uma cara que deixava explicito que não acreditava no que havia ouvido.

– Dany priminho querido você tem cérebro – Ela exclamou com um sorriso no rosto.

– O que você quis dizer com isso? – Perguntei com os olhos semicerrados.

– Danyel querido é notório que eu não esperava que você se lembrasse pelo menos disso – Complementou me enviando outro sorriso, mas um tanto sínica.

– Eu não sou burro Alyson, eu me lembro das coisas que me competem.

– Então dava para lembrar o resto da matéria? – Rebateu com ímpeto, mas com um tom divertido. Eu apoiei meu braço na escrivaninha e fiquei olhando para a cara de Alyson.

– Pra que eu vou gastar meus neurônios se tenho você do meu lado? – Perguntei na maior cara de pau.

– Deixe de ser abusado e continue esse relatório Danyel – Ally me disse voltando ao seu tom seco e distante. Algo a estava perturbando o que me deixava cada vez mais preocupado.

– Alyson você realmente estar bem? – Perguntei-lhe novamente com um tom mais serio deixando a preocupação explicita em minha voz.

– Você já me fez essa pergunta Danyel – Respondeu-me na evasiva como se estivesse pisando em campo minado. Aquela não era uma atitude normal dela, normalmente ela me contaria o que estava sentindo o que não era bom, além disso, continuava me chamando pelo nome.

– Por que esta me chamando de Danyel? – Indaguei um pouco incomodado.

– Talvez por que seja seu nome? – Rebateu com um tom mais seco que o normal.

– Mas você quase sempre me chama pelo apelido Ally, você não está bem.

– Danyel eu estou bem!

– Não está não, você saiu estranha da mesa, e não para de me chamar de Danyel, eu fiz alguma coisa? – Revisei tudo que havia feito naquele dia com Ally e vir que não havia nada que a tenha ofendido tanto além de minhas brincadeiras costumeiras, mas ela já estava acostumada com elas.

– Você não me fez nada Danyel, para de se preocupar a toa.

– Mas Ally você me parece distante e eu não me preocupo a toa, o que aconteceu?!

– Danyel isso é coisa da sua cabeça, esquece – Disse-me na defensiva com a voz um pouco tremula. – Além disso, você tem outras coisas mais importantes para pensar que meu estado emocional.

– O que seria mais importante que você? – Indaguei-lhe um tanto piegas para o meu gosto, mas estava sendo sincero, eu gostava muito de Ally, ela era praticamente minha irmãzinha chata e enjoada.

– O relatório! Não quero que você seja reprovado.

–Eu não vou reprovar por uma besteira dessas Alyson, mas obrigado por se preocupar – Eu exclamei abrindo um sorriso sincero para ela, afinal apesar dos meus desentendimentos com a garota eu me preocupava com ela e a peste também se preocupava comigo. Como meu pai dizia: vivíamos entre tapas e beijos.

–E Você pare de se preocupar comigo e pense no relatório! – disse-me com um sorriso irônico.

– Ally eu não vou conseguir me concentra no relatório se você não me diz o que houve.

– Não houve nada – ela me diz com os olhos marejados e provavelmente se segurando para não chorar. Minha prima estava muito instável e me senti um tanto impotente. Eu era um fiasco. Quando via uma garota triste, não sabia o que fazer, não gostava de ver ninguém chorando. Preferia vê-la sorrindo. Fico olhando pra Ally enquanto ela tenta se estabilizar, seus olhos se enchem de lagrimas.

–Ally você não está nada bem, por favor, me fala o que está acontecendo. Quero muito te ajudar! – eu disse olhando nos olhos dela marejados, quando ela não aguentou mais começou a chorar, e eu me perguntava o que fazia, então decidi, e a peguei em um abraço. Ela não parava de chorar. – Ei, calma, me fala, o que está acontecendo?!

–Nem eu sei, é tudo se misturando, virando uma bola de neve, as lembranças me assombrando, a consciência que vou deixar meus melhores amigos pra trás, isso deve está acabando comigo! – ela não deveria mais está mais aguentando guardar aquilo com ela, pois se ela estava me contando, já havia tempo que ela sofria com isso.

–Por que você não me contou isso antes?! – eu perguntei, odiava saber que ela estava sofrendo há muito tempo, e saber que sofria sozinha.

–Eu não queria... – Ally tentou falar, porem não conseguiu completar, e começou a chorar, afundou o rosto na minha camisa, e se debulhou em lagrimas, eu fiz carinho nela, tentando acalmar os ânimos dela.

–Ei, você deveria ter falado Ally, nós somos que nem irmãos, não precisa me esconder as coisas. Por favor, nunca me esconda o que está te perturbando. – eu disse. Ally não parava de chorar, eu não sai do abraço, fiquei ali a consolando, fazendo carinho nos seus cabelos sedoso, aquilo estava me deixando aflito, não sabia mais o que fazer, eu odiava essas situações, Ally sempre fora forte, e nunca quis uma ajuda emocional de mim. E agora ela estava mais do que nunca precisando, e se entregando sem que eu insistisse muito. Fiquei ali, não me importava o quanto tempo passasse enquanto ela não se acalmasse, eu ficaria ali. Ela foi se acalmando aos poucos, depois de alguns minutos ela estava melhor. Ela separou do meu abraço, passou a mão no olho, e disse:

–Já chega de enrolar, faz logo esse trabalho! – disse ela fungando.

–Está bem maninha, mas antes vá lavar seu rosto. – eu disse dando um beijo na bochecha dela, que estava úmida das lagrimas, ela sorriu e disse:

–Não precisa, continua!

–Alyson, vai lavar o rosto. Vai por mim, é bom lavar o rosto, parece que sai todas as coisas que te fazem mal. – eu disse sorrindo, dessa vez ela decidiu ir lavar seu rosto, ela saiu fungando.

Alyson voltou com um meio sorriso no rosto, e com os olhinhos vermelhos de chorar, sorri com aquela imagem, assim ela parecia tão dependente de carinho, inocente, tudo que Ally não é.

–Melhor?! – perguntei, arqueando as sombrancelhas, ela fez biquinho e disse:

–Um pouco, vamos acabar esse relatório, que ainda temos muita coisa pra fazer, então sem enrolação. – disse me mostrando sua devoção para historia, francamente, não sabia o que minha prima tinha na cabeça pra gostar de uma merda dessas, essa matéria é um saco.

–Aff! Não sei como você gosta tanto de história. – eu disse bufando.

–Do mesmo jeito que você gosta de exatas, uma coisa super insuportável! – ela disse com um sorriso sínico.

–Outra coisa chata é literatura! – eu disse para provoca-la, rindo ao ver a expressão que ela fizera.

– Não ofenda literatura! NEM HISTORIA DANYEL!

– Calma eu estou brincando boba, eu amo literatura, você esqueceu?

– Como poderia esquecer?! Aquele poeminha que você fez pra Louise é inesquecível – Disse sentando sorrindo ao meu lado. Eu retribuir o sorriso. Lembrava-me muito bem daquele dia memorável. Louise jurou que iria desforrar a troça e cumpriu a promessa. Mas felizmente ela não conseguiu tanto sucesso como imaginava.

– Eu tenho talento não? – Perguntei-lhe só de zoação, na verdade apesar de reclamar da área das humanas eu escrevia bem pra caramba além de ser ótimo em inglês, mandava ver em uma redação.

– Com certeza – Ally exclamou com sinceridade e beijou meu rosto delicadamente – Agora dava pra demonstrar o seu talento fazendo o relatório do Sr. Crouch? – complementou.

– Hum... Acho que não... Eu estou cansado sabe?!

– Larga de preguiça Danyel!

– Não é preguiça!

– É o que então?!

– Falta de motivação.

– Quer um motivo pra fazer isso? – Perguntou-me apontando para o caderno com algumas linhas escritas.

– Quero!

– Mesada cortada tá bom pra você?! – Perguntou-me sinicamente. Ela sabia que meu pai depositava alguns centavos na minha poupança e que meu cartão de crédito dependia completamente das minhas notas na escola.

– Então... onde eu parei mesmo? – Perguntei pegando a caneta novamente.

– Na guerra dos cem anos. – ela me respondeu sorrindo.

– Hum... Mas no que a guerra influenciou para a independência? – Perguntei enquanto descrevia um pouquinho o confronto entre França e Inglaterra.

– Os colonos ficaram insatisfeitos com o aumento na taxa de impostos cobrados pela Inglaterra.

– Hum... – Exclamei enquanto escrevia sobre o protesto realizado pelos colonos. Tinha que admitir que fosse bom ter Ally ao meu lado e me ajudando com aquela bagaça.

– Você está descrevendo a festa do chá em Boston? – Perguntou-me um pouco interessada ao ver que estava concentrado.

– Estou! Afinal é a única coisa que lembro mesmo! – Respondi fingindo um tom ranzinza. Até que não estava sendo difícil fazer aquela redação.

– O que levou ao evento? – Perguntou-me com uma sobrancelha arqueada.

– Bom... As medidas abusivas da Inglaterra?

– Que medidas?

– Aquelas leis.

– Você as citou no parágrafo?

– Não. Por quê?

– Porque precisa dã.

– Precisa mesmo? – Perguntei fazendo uma cara de tédio.

– Claro Dany. Não me diga que você não sabe o nome das leis e suas restrições?

– Claro que sei – Respondi deslizando a caneta sem vontade.

Eu descrevia as leis na linha seguinte enquanto Ally me auxiliava sobre os ombros. Quando tinha dúvidas eu perguntava para Alyson e ela não me respondia com o cinismo rotineiro. Só me dei conta que não estava mais escrevendo sobre a festa do chá em Boston, mas sobre o segundo congresso da Filadélfia quando notei que escrevia um trecho da declaração de independência dos estados unidos que Alyson me ditava.

– Acabamos? – Perguntei com sono citando algumas curiosidades sobre a constituição dos estados unidos.

– Sim Sr. Redfield!

– Graças a Deus! – eu exclamei exasperado fechando o caderno.

– O que pensa que esta fazendo? – Perguntou-me com um tom de reprovação.

– Fechando o caderno! – Respondi secamente.

– Você tem que digitar a redação, ou o senhor esqueceu?

– Eu.... Faço isso amanhã – Disse-lhe bocejando.

– Dany esta redação é PARA A MANHÃ!

– Hãn?! – Eu a perguntei meio desorientado.

– Você esqueceu a data de entrega Danyel?

– QUE PORRA! – Exclamei meio estressado quase derrubando a mesa. Eu tinha esquecido completamente a data de entrega.

– Calma ainda são 21h30min! – Disse-me afagando meus cabelos.

– Dava para parar de mexer no meu cabelo? – Repliquei meio azedo e bufando. Ela tirou a mão dos meus cabelos.

– Acho que você não precisa mais da minha ajuda – Disse-me um tanto seria e levantando da cadeira. Parei de digitar na hora ao perceber como havia sido um idiota.

– Alyson... Ei, eu não quis... – Tentei me desculpar antes que ela saísse do quarto.

– Eu vou deitar Danyel amanhã a gente conversa! – Disse-me com um tom cansado já meio metro pra fora do meu quarto – boa noite – Exclamou solenemente e fechou a porta me deixando sozinho olhando pro nada.

“Você é uma anta DANYEL”, me repreendi mentalmente fechando a merda do notebook. Havia praticamente expulsado a garota do meu quarto. Bufei e abrir o notebook novamente. Estava decido a passar no quarto de Alyson depois que terminasse de digitar e imprimir aquela merda. Era exatamente 22h45min quando terminei de digitar o ultimo parágrafo da redação. Havia deixado o trabalho nos conformes com capa e folha de rosto, eu fiz até uma introdução e por fim uma conclusão antes de anexa o arquivo e depois coloquei algumas referências no final. Conectei o cabo USB a impressora e imprimir o relatório sem um pingo de gosto. Grampeei as folhas junto com a parte escrita, mas com as beirada da folha cortada para o demônio não reclamar. Depois de cumprir com a minha tarefa foi até o quarto de Alyson. Ela provavelmente estava dormindo, pois já eram 23h15min, mas mesmo assim me sentia no dever de incomoda-la.

– Alyson – Exclamei abrindo a porta de levinho. Para minha surpresa Ally estava ouvindo musica no MP4 e escrevendo algo em seu caderno. Ela parecia bastante distraída e ao mesmo tempo tinha um olhar distante. Eu bati na parede e levou alguns segundos para a garota levantar os olhos na minha direção.

– Danyel – Exclamou meio surpresa e retirando os fones de ouvido.

– Oi – Disse-lhe entrando no quarto – tem um lugarzinho pra mim?

– Tenho! – Respondeu-me sem cerimônias, deixando um espaço para que eu me sentasse ao lado dela. Caminhei até Ally e me sentei ao seu lado.

– Tudo bem? – Perguntei deixando a preocupação explicita na voz.

– Mais ou menos – Disse-me com sinceridade enquanto deitava sua cabeça no meu peito – Terminou de digitar o relatório? – Perguntou-me em seguida.

– Terminei – Respondi acariciando os cabelos de Ally com carinho.

– Já imprimiu? – Ela me perguntou monotonamente.

– Imprimi, mas vamos esquecer o relatório – Disse-lhe beijando ternamente a sua testa – Ally você me desculpa?

– Pelo que esta pedindo desculpas?

– Por ter sido um idiota àquela hora.

– Que hora? – Ela me perguntou confusa, franzindo a testa.

– No quarto – Eu respondi acariciando seus cabelos sedosos.

– Ah... Aquilo não foi nada Danyel.

– Não. Foi sim, eu foi grosso com você.

– Dany se você me desse um real por cada vez que fizesse aquilo eu estaria rica agora.

– Mesmo assim! Eu não deveria ter agido daquela forma!

– Relaxa – Disse-me enviando um sorriso franco. — Você fica fofo quando está preocupado — Complementou acariciando meu rosto.

– Ah então eu só sou fofo quando estou preocupado? – Perguntei-lhe de brincadeira arqueando as sobrancelhas.

– Hum... Hé – Respondeu se aconchegando no meu tórax.

– Me sinto magoado.

Ela sorriu.

– Sente nada – Rebateu dando um bocejo profundo.

– Já estar com sono? – Perguntei-lhe com um tom divertido.

– Estou – Respondeu-me com sinceridade.

– Então acho que é a deixa para eu sair.

– Não. Fica comigo. – Ela me pediu com uma cara de cachorro sem dono que dava dó.

– Você está muito carente para o meu gosto. – Disse-lhe de brincadeirinha enquanto a enlaçando no meu peito e beijava seus cabelos sedosos.

– Não. Não estou – Disse-me fingindo uma cara emburrada que nem uma criança mimada.

– Está sim! — Disse-lhe provocante.

– Estou não. – Ela rebateu de volta.

– Está sim. – A rebati com um tom teimoso mas brincalhão.

– Estou não – Ela rebateu fazendo em seguida com o mesmo tom.

– Tá bom. Eu desisto.

Ela sorriu de novo.

– Você é um anjo Danyel – Ela exclamou com um tom sonolento se aninhando no meu corpo.

Era a primeira vez que Alyson me comparava com um anjo.

– Você esta me confundindo com outra pessoa? – Perguntei-lhe num tom brincalhão.

– Não. – Ela exclamou fechando as pálpebras e suspirou pesadamente – Meu anjo da guarda – complementou caindo no sono.

Eu a contemplei enquanto ela dormia pensando no que havia me dito. Sorrir bobamente.

– Sempre – Exclamei enquanto beijava sua testa novamente. Aproveite para me cobrir e a cobrir delicadamente com o cobertor. Era a primeira vez que uma garota caia no sono em meus braços. Enquanto dormia minha prima respirava pausadamente e tinha uma face tão serena que não conseguia parar de admira-la. Era minha irmãzinha querida e sempre iria cuidar dela mesmo que ela teimasse que era mais velha e sabia se cuidar. Ela até podia querer ser independente, mas continuaria a me meter na sua vida, e sempre seria assim. Aninhei seu corpo mais confortavelmente em meus braços. Enquanto brincava com seus cabelos acabei caindo no sono aos poucos e quando percebi já estava ressonando profundamente.



Notas finais
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O que precisa ser melhorado?
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