Lua de Sangue - Livro I
4 Nichole
Notas iniciais
Nichole
- Acorda Alex – Exclamei meio irritada. O garoto estava praticamente dormindo encima da carteira enquanto o professor Roger não parava de tagarela sobre a composição química das organelas citoplasmáticas. Se Alex não acordasse eu acertaria a cara dele com meu livro.
- Hãn – Ele disse meio grogue como se não soubesse onde se encontrava.
- Você tá no mundo da lua caralho – Disse um pouco mais ríspida para ver se o infeliz despertava pra vida e prestava atenção nas aulas. Ultimamente as notas daquela criatura não estavam nem um pouco agradáveis e me perguntava se o tio dele se importava mesmo com o sobrinho.
- Se isso era pra ser uma piada não foi engraçado – Ele rebateu com um tom desgostoso e com a voz um pouco monótona e sem vida. Ele deitou a cabeça de novo na carteira, eu empurrei ele para ver se a criatura levantava a cabeça, o que funcionou.
— Não era pra ser uma piada, era pra ver se você acorda, poxa, dá mais atenção à aula. – contra argumentei deixando explicito para o individuo que estava muito chateada e preocupada com ele apesar dele não estar nem ai para seu futuro acadêmico.
- Tá! Vou fingi que acredito – Disse ironicamente dando um bocejo como se estivesse acordando para o café da manhã.
- Você não dorme não? – Perguntei severamente olhando intensamente para meu amigo deixando claro que não estava contente com aquele comportamento dele.
- Raramente – Ele me respondeu suspirando exasperadamente enquanto jogava seu corpo para trás se espreguiçando na cadeira.
- Deveria – Eu rebati com aspereza e o encarando duramente. As noitadas de Alex já estavam me deixando preocupada e um tanto nervosa. Ele não dormia direito, se alimentava mal e ainda passava o dia todo bocejando. O pior é que eu não sei o que podia fazer porque aquilo estava se tornando cada vez mais serio. Alex dormia pouco e se esforçava muito, não acreditava que alguém pudesse suportar uma situação daquelas e sabia que aquilo só iria piorar com os ciclos se tornando mais longos. Para minha total descrença o garoto riu sinicamente me dando um susto. Como ele tinha o descaradamento de rir da minha cara? Perguntei-me mentalmente ofendida com aquela ação desrespeitosa da parte de uma pessoa por qual eu tinha uma grande consideração.
- Eu não acho graça nenhuma, estou preocupada com você, será que você não entende?! – Perguntei-lhe com a cara amarrada e bastante aborrecida com aquela atitude. Rir da minha cara enquanto eu estava morrendo de preocupação por ele? Isso não se faz.
- Eu não estou rindo disso – Ele me respondeu no ato ao perceber o aborrecimento explicito em minha voz.
- Então você esta rindo do que? – Perguntei com uma voz descrente um pouco seca ainda irritada e chateada.
- Nada demais apenas da idiotice de certas pessoas.
- Olha aqui Alex – Comecei a rebatê-lo sem um pingo de paciência.
- Não estou falando de você Nick, mas daquele garoto do segundo ano, aquele tal de Rickon Sakamura.
- O que tem o Rickon?
- Ele esta enchendo o saco do seu amiguinho.
- Do Mat?
- Sim. Ele estava Indagando mais informações sobre os corpos encontrados ontem à tarde na floresta.
- Mas o Mat não tem acesso a esse tipo de informações.
- Ah pelo amor de Deus Nick é claro que tem – Alex rebateu um pouco seco. Mathew não gostava nem um pouco de Alex e Alex não gostava nem um pouco dele. E eu ficava no meio deles dois, os ouvindo falarem mal um do outro de vez em quando. Um perguntando como eu aguentava o outro. HUMPF!
- Mesmo se ele o tivesse não poderia ficar espalhando isso assim.
- Eu sei. Sakamura disse que o tio dele trabalha no necrotério da cidade e estudou os corpos das vitimas.
- E daí? – Perguntei um pouquinho interessada para o meu gosto tendo um serio pressentimento que aquela conversa tomaria um rumo desagradável.
- E daí Nick? Os corpos estão irreconhecíveis. Foram completamente dilacerados!
- Alex eu não quero saber disso, poupe-me dos detalhes – Exclamei fazendo uma cara de nojo enquanto um arrepio passava por minha espinha.
Ele riu novamente. Um riso sombrio, sem um pingo de humor.
- O que foi Nick? Com medo de lobo mal? – Perguntou-me com seu cinismo diabólico.
Às vezes Alex me assustava de verdade. Ele sabia que eu tinha ciência dos fatos e me interpelava sobre o assunto de uma maneira que eu ficava bastante incomodada.
- Alex, por favor, eu não quero saber de mais nada.
- Você sacou! Garota esperta! – Ele exclamou ainda sombrio – o idiota do Sakamura como a maioria dos retardados dessa cidade acha que foi um animal, mas você sabe o que foi; não sabe Nick?
- Porque você não para de prestar atenção na conversa dos outros e presta atenção na aula – Eu rebati tentando mudar de assunto e trazer o Dr. Jekyll à tona novamente.
- Eu não tenho culpar por poder ouvir os mexericos da escola inteira – Contra-argumentou com a voz um pouco seca e clareando aquela penumbra que tomava conta de sua personalidade.
- Pelo menos tenta prestar mais atenção na aula, mas que merda. Depois você ficar para recuperação Alex.
- Eu não preciso prestar atenção na aula pra tirar notas altas – Ele rebateu dessa vez bastante convencido para o meu gosto.
- Por que não tira então? – Desafiei com um tom de provocação. O garoto era muito abusado de vez enquanto.
- Porque não quero ser tachado de nerd – Rebateu dando de ombros como se fosse à coisa mais natural do mundo.
- Mas gosta de ser tachado de burro – Rebati deixando a voz mais provocativa. Devo admitir eu adorava provocar o alto ego de Alex.
- Melhor do que ser tachado de nerd, deixa a imagem do garoto muito suja – Contra-argumentou se fingindo superior e dando a mínima importância pelo que eu notava para os estudos. Arg!Garotos, quem os entende? Exclamei mentalmente enquanto o anotava o que o professor Roger Bane passava no quadro.
- Alex você é impossível – Exclamei desistindo de discuti com a mula, afinal não podia convencer um burro de fazer algo do qual ele se recusava a fazer. Para deixar claro que ele não se importava além de dá de ombro o cara ainda bocejou deixando explícito que talvez eu fosse entediante — e insensível
- Eu estou cansado Nick! Eu não queria debochar de você – disse-me ao ver o aborrecimento em minha voz novamente. Na primeira vez ele me convenceu, mas dessa vez eu tinha certeza que era deboche.
-Ah ta, e eu sou besta agora! – Rebati seca e deixando claro o meu tom de descrença e que estava bastante aborrecida com ele. O garoto me olhou diretamente pela primeira vez. Foi então que eu reparei um pouco mais em seu semblante. O rosto de Alex estava marcado pela exaustão, sua expressão era de um cansaço e desanimo tremendos. Seus olhos extremamente negros como a noite normalmente eram brilhantes e intensos como dois diamantes negros, mas se encontravam sem um pingo vida. Suas olheiras que eram quase imperceptíveis estavam mais visíveis deixando explicito as noites sem sono. Seus cabelos tão negros quanto os olhos eram rebeldes, mas se encontravam em uma zona sinistra; totalmente desgrenhados com fios desalinhados sobre sua testa. De repende me vi sentindo dó de Alex, ele não devia dormi há algumas noites.
-Ok, agora presta atenção na aula! – Disse-lhe após suspirar profundamente. O garoto não estava mentindo; dava para notar a sua exaustão, mesmo assim ainda estava um pouco chateada com ele.
- Você é muito cismada. – Exclamou com a voz igualmente cansada. Alex havia percebido que ainda estava chateada.
- eu não sou cismada Alex; só não sou trouxa – Rebati desviando o olhar; era difícil manter o contato visual com Alex por muito tempo, não por causa da sua expressão de zumbir, mas era algo mais além, algo em seus olhos que me fazia recuar.
- Nick eu não queria ter ofender, ok?! Desculpe-me por bocejar na hora em que você estava falando, só não conseguir segurar.
Meu amigo estava sendo sincero e eu ainda continuava chateada com ele? Às vezes não acreditava como minha sensibilidade também me deixava um tanto insensível com as outras pessoas em especial com aquele jovem tão complexado.
- Desculpe Alex, estou meio sensível hoje, não cismada.
O garoto me deu um sorriso leve, mas o cansaço deixava claro o esforço para aquela ação tão simples.
- Por que está sorrindo? – Perguntei um tanto intrigada.
- É difícil ver você dando o braço a torce – respondeu-me com a voz um pouco monótona; fraca e sem tom. A voz de Alex era mais profunda, viva, grave e suave como o vento. Era uma voz linda moldada para um arcanjo, mas meu amigo não era um anjo, pelo contrario, para muitos ele era um demônio. Concordava com o que os mais velhos costumavam dizer, que os demônios podiam ser lindos e sedutores, tão fascinante e atraente quanto os arcanjos.
- E quem te disse que estou dando o braço a torce? – Rebati com o nariz empinado.
- Não precisa dizer Nick, o seu jeitinho te revela. – Disse-me novamente com seu sorriso fraco e franco. Eu corei na hora, o que ele queria dizer com aquilo?
- Que jeitinho?! Eu não estou dando o braço a torcer – Perguntei-lhe no ato. Queria saber o motivo para ele me dizer aquilo. Será que eu dava tanto na telha assim? Será que era tão previsível?
- Você não consegue me enganar Nick, pelo simples motivo de eu ser seu amigo, eu sei quando você mente, fala a verdade, está sendo falsa, sincera, triste, empolgada. Afinal você é minha melhor amiga!
- Que bom, não gostaria de te ter como inimigo. — Disse no impulso, sem pensar no que havia dito.
- O que você quis dizer com isso? – Perguntou-me no ato com a voz embargada e séria.
- O que eu quero dizer com o que?! Não escondo nada de você. – Tentei contorna a situação, um pouco desajeitada.
- Nichole, não tente disfarçar o que você quis dizer com aquilo? – Perguntou-me novamente com o tom mais serio e grave.
— Nada – Disse-lhe tentando convencê-lo e encerrar o assunto que eu mesmo havia começado. Que merda, Nick às vezes você dá um furos sérios, me repreendi torcendo para ele deixar o que eu havia dito pra lá, mas sabia que meu amigo não desistia fácil.
- Já te disse que te conheço, e sei quando está mentindo. – Lembrou-me ainda mais serio e direto.
— Só estava brincando, não se preocupe. – Tentei convencê-lo novamente com aquele argumento para ver se ele deixava o assunto quieto.
— Nichole – Exclamou com um tom serio; meio interrogatório; meio pedindo pra ela abrir o jogo que ele sabia que estava escondendo algo.
- Alex eu já disse que não é nada – Contra-argumentei um pouco irritada, ele era muito insistente e realmente acabaria abrindo a boca de qualquer jeito.
- Por favor, Nichole eu não me importo com o que diga, mas me diz logo – disse-me num tom mais brando e compreensivo, um tom pedinte e sincero.
Eu suspirei exasperadamente, não queria magoa-lo, ele poderia ficar ofendido. Era melhor convencê-lo a esquecer do que havia dito do que falar o que realmente queria dizer com aquela frase idiota.
- Eu só estava brincando Alex – disse-lhe novamente com a voz cansada e seca.
- Nichole; estou pedindo, por favor, o que você queria dizer com aquilo, e não se você estava brincando.
-Você vai ficar chateado comigo – Disse-lhe franzindo a testa, deixando clara a minha preocupação.
— Eu não me chateio a toa – Tentou acalmar-me com o seu tom mais brando.
- Se chateia sim, eu também te conheço Alex. – Rebati com a voz embargada com a preocupação. Realmente o conhecia o bastante para saber que no fundo ele se importava com o que as pessoas diziam ao seu respeito. Sabia bastante ao seu respeito para saber que minhas palavras iriam feri-lo, magoa-lo. Eu não queria fazer Alex se sentir assim tão mal.
- Eu vou ficar chateado se não me contar, por favor, conta.
- Jura que não vai ficar chateado?! – Exclamei deixando explicito que a minha intenção não era feri-lo. Alex era meu melhor amigo, não era justo eu machuca-lo mais do que as pessoas já o machucavam.
-Fala logo! – Exclamou um pouco impaciente e receoso.
Engoli em seco, respirei fundo e soltei a bomba.
-Eu só quis dizer que não seria párea pra você, que você é bem mais forte que eu, e poderia me matar em um segundo.
-Eu nunca faria isso conscientemente. – disse-me com a voz um triste e chateada. Parabéns Nichole, faz o garoto se sentir mal, faz! Repreendi-me novamente nem um pouco feliz.
- só que não é em todo o momento que você estar consciente... – Eu exclamei com a voz um pouco engasgada e olhei diretamente para os olhos tristonhos que me fitavam — Olha Alex eu não quero te magoar, sério, eu sei que você é um cara legal e tudo, mas você é um... – Não era fácil eu dizer aquela palavra, ela sempre entalava na minha garganta — Então... Eu sei que é difícil... Mas... Ah você sabe – encerrei logo a merda meio desajeitada desviando o olhar novamente. Era uma tarefa quase impossível dizer algo olhando diretamente para os olhos de Alex. O Garoto deu uma risadinha sem graça. Para meu desgosto ele estava me surpreendendo demais naquele dia.
— Pelo menos você não me julga como todos me julgam Nick, o que é raro, isso mostra que você não tem más intenções. – Disse-me logo em seguida me deixando pior do que já estava. Por que ele tinha que ser tão compreensivo e complacente?
- Alex você consegue me deixar mal poxa! – Exclamei no ato, com a voz tristonha e arrependida.
- Mas essa não era a minha intenção, e por que eu te deixo mal?! – Disse-me sinceramente e um pouco sem graça.
— Você sabe Alex, você não é mal e eu odeio quando mexo nesse assunto, eu sei que não é sua culpa ser assim e tudo o mais, mas ai droga como eu posso te explicar?!
Alex riu novamente. Uma risada mais branda e um pouco mais divertida, só para descontrair.
-Desculpe te deixar sem palavras – Completou dando-me um sorriso sem graça e com um cinismo quase imperceptível.
- Que droga Alex, eu não queria te deixar assim – Exclamei aborrecida comigo mesma por ser tão idiota.
— Nick, você só me diz o que eu já sei.
- Eu sei, mas isso me incomoda; faz-me sentir uma pessoa como outra qualquer.
- Você não é como o resto das pessoas Nick!
- Sou sim, eu estou te julgando pelo que você é; eu odeio fazer isso, mas... – Eu não conseguir continuar. Alex me fitava com seus olhos negros penetrantes.
- É um fato – Alex completou com um sorriso divertido depois ele ficou serio ao constatar que meu humor não melhorará — Nick eu sou o que sou e sei disso! – Complementou num tom complacente.
— Que droga Alex, vamos esquecer isso?! – Disse-lhe com a voz meio triste e chorosa.
- Nick te incomoda tanto eu ser um loup garu? – Ele me perguntou secamente.
Eu olhei para Alex atordoada. Ele achava que eu me incomodava tanto pelo fato dele ser o que era? Em parte realmente era difícil eu tocar naquele assunto e discuti-lo perto dele, mas eu adorara meu amigo com o pacote todo mesmo que ele fosse bastante diferente.
- CLARO QUE NÃO! Eu gosto de você pelo que é, é só que quando eu tento falar sobre, parece que eu estou te julgando – Disse-lhe exasperadamente em meio aos tropeços. Alex se aproximou do meu rosto e rosnou baixinho. Eu sabia que ele estava me testando; apenas para constatar se o que o que eu havia dito era verdade.
-Valeu por tentar me testar. — Exclamei com a voz triste olhando diretamente para aqueles olhos negros indagadores.
Para minha surpresa Alex parecia confuso e subitamente ele tentou me abraçar, mas sem querer; eu não esperava que ele fizesse aquilo, acabei me desequilibrado e caindo da cadeira mesmo com o garoto tentando me segurar obviamente para evitar o meu baque no chão.
O estrondo da cadeira ecoou pela sala inteira, em menos de um segundo havia um silencio mortal e quando me toquei o professor e os alunos estavam todos me fitando.
- Posso saber o que é isso senhores?! – O Sr Bane indagou secamente com uma cara nada feliz.
- Ela estava tentando colocar o pé na cabeça e acabou caindo – Respondeu-lhe Alex no ato para minha total descrença. O diabo estava zoando com a minha cara, a culpa de eu cair foi dele e para piorar a sala inteira caiu na risada inclusive o professor que não conseguiu se segurar. Eu levantei enrubescida e bastante irritada com o garoto ao meu lado.
- Brincadeira, eu derrubei ela da cadeira. – Alex se corrigiu ao constatar que não estava nem um pouco bem humorada. O Sr Bane continuava rindo como o resto da sala provavelmente porque meu tombo deveria ter sido espetacular. O que me deixava mais irritada era o fato dele ter se corrigido e resto da sala ainda ria as minhas custas. A queda não havia sido nada agradável eu tinha caído de bunda e batido a merda do meu cotovelo no ferro da carteira e para a minha felicidade eu fiquei com um vermelhão bonito em meu braço. O engraçadinho do Alex me fitou preocupado quando eu me levantei.
-VALEU ALEX! – Exclamei deixando explicito como estava grata com o que havia ocorrido. Claro que tinha que agradecê-lo pelo vermelhão no meu braço – Sr Bane – Exclamei em seguida me dirigindo-me ao professor – Posso ir à enfermaria? Meu braço está doendo e eu ainda não quero que ele fique roxo.
O Sr Bane consentiu ainda tentando se controlar do ataque de risos. Quando eu me dirigia para a porta eu ouvir Alex levantando da cadeira.
- Sr Bane eu gostaria de levar a Nick a enfermaria, sabe foi minha culpa ela ter caído.
Eu olhei para trás descrente com o pedido do garoto. O Sr Bane devia ter consentido porque ele começou a caminhar na minha direção. Como ainda estava irritada com ele eu segui a passos duros para fora da sala com ele no meu encalço.
- Desculpa Nick não queria te derrubar – Ele exclamou quando já estávamos no corredor. Ignorei o idiota e continuei seguindo a passos duros. Como eu não havia dirigido a palavra para ele novamente o engraçadinho passou a minha frente sem nenhum esforço e ainda teve a cara de pau em virar na minha direção me forçando a parar na sua frente. Tinha que admitir que Alex fosse mais rápido do que qualquer pessoa naquela escola até mesmo... Os seus amigos. Eu não simpatizava nem um pouco com o grupinho de Alex apesar de ser sua amiga há anos ainda não alimentava nenhum sentimento fraternal para com eles. Eles também não pareciam simpatizar nenhum pouco comigo. Achavam que eu havia apenas me tornado amigo do Alex por causa daquele incidente. Em parte era verdade, eu começara a conversa com Alex por gratidão, mas eu havia realmente me afeiçoado bastante ao imbecil na minha frente.
- Eu só quis descontrair, não quis te deixar nervosa. Desculpa-me, ok?! – Disse-me com um tom mais serio e fraternal. Em seguida olhou diretamente para o vermelhão em meu braço. — Machucou muito o braço?!
-Não sei, estou indo na enfermaria pra isso mesmo! – Respondi grossamente ainda irritada com ele. Não iria desculpa-lo tão facilmente como se ele pudesse zoar da minha cara e pedir desculpas depois. Simples assim!
- E a sua competição de dança? – Perguntou-me com um tom mais preocupado. Só agora ele havia lembrado isso?! Idiota, ele sabia muito bem que eu tinha uma competição pela frente e ainda... Arg eu estava com muita raiva dele.
- Vou ter que dançar com dor se for algo grave, simples assim Alex! – Respondi novamente com um tom áspero e grosso, mas deixando a voz um pouco seca e ainda empinei o queixo deixando claro meu desagrado.
- Eu não quis te machucar nem te prejudicar Nick, me desculpa, por favor. – Continuou com seu tom fraternal.
Suspirei profundamente e o ignorei.
-Nick?! Olha, sinceramente, não quero você com raiva de mim, e estou muito arrependido. – Disse-me com um tom mais tristonho e preocupado.
-Alex, você deveria ter lembrado que eu tinha competição, poxa, eu preciso dela! – Exclamei com o tom mais brando afinal ele era, apesar de ser um babaca, o meu melhor amigo.
- Mas eu não queria te derrubar, foi mal, eu estou meio cansado e não medi minha força – Disse-me em seguida meio muxoxo.
Eu não consigo fica com raiva desse cachorro mesmo, pensei com meus botões.
- URGH! Eu não consigo ficar com raiva de você, seu cachorro – Exclamei perdoando-o por completo, afinal não conseguia guarda magoa de Alex nem se eu quisesse muito ficar com raiva dele. — mas fiquei chateada, poxa – Completei em seguida deixando explicito o desapontamento em minha voz.
- Você me chamou de que?! – Perguntou-me com a sobrancelha erguida um pouco ofendido.
- De cachorro! Qual o problema?! – Indaguei provocante. Esta a fim de provoca-lo um pouco.
— Tá me chamando de animal?! E só pra você saber eu sou um lobo! Não um cachorro! – Exclamou deixando claro a sua indignação em relação ao fato de ser comparado com um cachorro.
- Tanto faz! Faz parte da mesma família! – Rebati com o queixo empenado.
- Se eu te chamar de macaca você vai ficar com raiva?! – Ele exclamou com a sobrancelha arqueada e com um tom bem sínico.
- Porque macaca?! – Perguntei-lhe confusa entrando no seu jogo.
- Porque pertence à mesma família. – Ele respondeu com um tom superior. Meio que usado às mesmas palavras que eu havia usado.
- Alex Wilkinson não se atreva me comparar com uma macaca! – Explodi um tanto indignada.
- Nichole Summers você que começou me chamando de cachorro! – Ele rebateu com ímpeto.
- Mas você é um cachorro! – Exclamei desafiadoramente.
- Eu não sou não! – Ele rebateu bastante indignado – Macaca – Complementou provocante.
-Ah você é seu cachorro! Daqui uns dias você vai ficar se coçando. – Rebati com mais ímpeto e bastante provocante sem pensar no que havia dito. Alex enraivecido tocou no meu braço com força. Eu senti uma dor tremenda porque ele havia segurado o braço machucado, e a força dele era muita, então juntando o machucado, mais a força exorbitante de Alex, dava em merda claro!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI!PRESTA ATENÇÃO – Gritei com um vinco de dor em minha voz, sem ar e com os olhos cheios de lagrima por causa da dor horrível que havia sentido. O garoto se assustou e soltou meu braço no ato.
- Desculpa, desculpa, desculpa! – Exclamou arrependido e preocupado.
- Você é um animal mesmo! – Exclamei um pouco irritada, recuperando o ar que a dor tirou.
- Depois você ainda fala que não gosta de me julgar!
Eu abrir a boca indignada. Eu iria deixar claro que as atitudes dele também não condiziam nada com o que ele dizia, mas fechei a boca porque poderia ofendê-lo.
- O que você ia falar? Você está escondendo muita coisa de mim. – Disse-me com um tom recriminador e perverso.
— Olha... Eu não quero te julgar, juro! Eu só estava brincado – Disse-lhe um pouco mais branda -Mas que foi mancada sua ter me derrubado foi, e ainda mais ter pegado o braço machucado — complementei.
- Eu sei macaca – Exclamou meio provocante e divertido. Droga! Ele não estava levando nada a sério, merda! Eu virei à cara irritada e caminhei para a enfermaria.
- Não sei pra que você está aqui, deveria ter ficado e prestado atenção – disse-lhe tentando disfarça minha irritação. Alex estava impossível naquela manhã. Era melhor eu ter o deixado dormir na carteira!
- Se não gosta de minha companhia Nick porque conversa comigo eu não preciso de sua gratidão. — Disse-me com um tom duro e perverso. Eu demorei uns segundos para processar o que ele havia dito. Não acredito que ele estava me dizendo aquilo, meus olhos se encheram de lágrimas, tanto de raiva e indignação como de tristeza e magoa. Ele realmente acreditava no que aquela trupezinha dele dizia?! Eu não estava conseguindo processar aquilo.
- Eu não tenho amizade por você, por pura gratidão, se você acha isso... – eu explodi me segurando para não chorar. Alex parecia ter ficado estático com minha reação, os olhos deles traspassavam um misto de medo e preocupação.
- Nick eu não quis... – Ele começou a se desculpar.
- Não quis o que?! Chamar-me de falsa?! – O interrompi bastante machucada, magoada.
- Eu nunca iria te chamar de falsa; Nick! – Disse-me com um tom bastante preocupado e receoso.
-Mas acabou de me chamar. Quer saber: que seja! – Exclamei com um tom seco e virando a cara.
- Droga hoje eu acordei pra te chatear, olha, não foi minha intenção, eu falei sem pensar.
- Que seja! – Repeti com o mesmo tom seco e sem vida.
- Nick é serio, eu não queria te magoa.
— Ok! — disse sem emoção, com o rosto limpo, sem nenhuma expressão. Fria!
- Nick você é minha melhor amiga, eu não gosto de te chatear, sério, você de todos aqui é a única que me entende. – Ele continuou com um tom mais desesperado, sincero, preocupado. Ele não sabia praticamente o que fazer. Queria a todo custo que eu o perdoasse. Realmente não conseguia ficar chateada com aquele garoto um tanto sem noção.
- Eu sempre tenho que te perdoar, não é?! – Perguntei-lhe com o tom monótono.
- Você me entende, por isso você me desculpa! – Disse-me com um sorrisinho sínico e convencido.
- Alex não abusa que sua cota já está se esgotando. – Disse-lhe agora um pouco irritada, mas ainda chateada com o que ele havia me dito.
Alex tentou me abraçar, mas não estava nenhum pouco a fim de receber o seu abraço então desviei dos seus braços. O garoto me fitou com uma carinha de cachorro sem dono, tão fofa e pidona que não consegui resisti. Só Alex conseguia fazer aquela carinha de coitado querendo carinho que dava dó. Eu praticamente me derretia toda quando ele fazia aquela carinha tristonha. Não consegui me manter dura e quando vi já havia perdoado o melodramático. Passei os meus braços pelo ombro de Alex pegando ele em um abraço bem apertado.
- Você sabe me fazer fica preocupado; garota! –Ele exclamou com uma voz um pouco mimada. Ele era fofo demais, tinha que admitir.
- Mas é pra ficar mesmo seu sem noção um dia eu faço você falar com a parede – Repreendi-lhe com o tom um pouco mais serio, mas brincalhão enquanto bagunçava ainda mais o cabelo dele.
- Para de bagunçar o meu cabelo – Disse se desvencilhando do meu abraço.
- E Você para de me derrubar!
- Eu não tenho culpa que você é desajeitada – Disse-me quando já estávamos na porta da enfermaria. O garoto abriu gentilmente a porta para mim. Nós entramos na enfermaria. Dona Bertha nos atendeu e olhou direto para o meu braço que estava inchado. Ela me guiou até uma maca; Alex foi seguindo ao meu lado, calado e com as mãos no bolso, sentou na maca ao lado da que a enfermeira me colocou e ficou fitando o vazio. Enquanto me atendia Dona Bertha às vezes olhava para Alex com empatia. Não gostei nada daquilo. Era como se meu amigo estivesse com uma bomba ou fosse um terrorista perigoso.
- O que aconteceu?! – Perguntei arqueando as sobrancelhas.
- Você deu uma bela batida no braço, vai ficar muito roxo, por dias. – Respondeu-me Dona Bertha pensando que eu estava falando sobre isto.
- Não meu braço. — Rebati grossamente — o que aconteceu pra olhar pra Alex desse jeito?!
- Ele não é boa companhia garota! – Ela me respondeu prontamente e Alex continuou quieto, seu rosto era uma mascara inflexível, sem nenhum sentimento.
- Eu decido se ele é ou não. – Rebati mais grossa ainda. As pessoas julgavam o Alex sem sequer conhecê-lo e ainda tinham a maior cara de pau de me recriminar por andar com ele.
- Nichole. – Advertiu-me Alex com a voz severa, mas sem sequer um pingo de expressão na face ou nos olhos.
- Alex! Não vou deixar qualquer um falar assim de você.
Alex me fitou por alguns segundos.
- Não pedi para que me defendesse! – Ele rebateu com a voz sem vida.
- Não precisa pedir – Rebati no ímpeto e em seguida virei para a enfermeira — Eu decido com quem ando e arco com as consequências.
- Que seja garota, mas quando ele mostra quem ele realmente é não haverá volta – Disse-me sem um pingo de emoção passando um pouco de Gelol sobre o vermelhão no meu braço que já estava ficando inchado. Cara! Aquilo estava doendo demais, acho que o apertão que Alex havia dado tinha piorado. Mas minha raiva estava crescendo tanto que eu nem importei com a dor.
- Eu sei quem ele é – Rebati na hora sem um pouco simpatia. Alex era meu amigo e eu sabia o suficiente sobre a sua vida para saber quem ele realmente era ao contrario das outras pessoas.
- Sabe mesmo garota?! – Ela me perguntou um pouco cética e com o cinismo bem nítido em sua voz.
- Eu confio cegamente nele, e não preciso de gente preconceituosa para me falar coisas desnecessárias.
- Não deveria depositar tanta confiança em mim – Disse-me Alex ainda inexpressivo. Ele estava parecendo uma tora sentada naquela maca; não demonstrava reação alguma; só olhando para o vazio. Sua voz estava um pouco distante.
Dona Bertha olhou para ele com uma espécie de nojo como se Alex estivesse contaminando o ambiente apenas com sua presença.
- Não deveria confiar nele – Ela repetiu as palavras de Alex, mas sem se importar em esconder seu desprezo por ele.
- Eu sei em quem confiar! E acho que a senhora está aqui pra cuidar dos ferimentos das pessoas, e não ficar falando besteira.
- Olha o tom que fala comigo garota! Eu tenho o dobro da sua idade.
- Não parece! Falando essas coisas!
- Garota eu conheço seu pai e ele não vai gostar nadinha de saber como a filha é mal educada.
- Então fale! Eu não estou mal educada, estou sendo justa!
- Nick não arranje problemas por minha causa. – Advertiu-me Alex e dessa vez um pouco de preocupação estava visível em sua voz.
- Alex se eu arranjo problema por sua causa o problema é meu – Rebati indiferente ao pedido dele. Eu iria defendê-lo quer ele gostasse, quer não e que se acostumasse com aquilo.
- Nick eu não preciso de uma advogada
— Eu não sou sua advogada eu sou sua amiga
A enfermeira que agora enfaixava o meu braço me olhou um pouco incrédula.
- O que foi?! Eu estou com alguma coisa fora do lugar?! – Perguntei-lhe cinicamente afiando bastante a minha língua.
- Me diga garota como você arranjou esse ferimento? Quem o fez? – Dona Bertha me perguntou com um cinismo maior ainda. Obviamente ela achava que Alex havia me machucado. Em parte era verdade, mas fora um acidente e a intenção dele não era me ferir.
- Quem fez, FUI EU! Cai da carteira – Explodi completamente indignada.
- Tudo bem garota, eu não vou discutir com você, mas só espero que não se arrependa, podem sair, estão dispensados. – Disse-me com um tom seco e áspero. Com certeza ela esperava que Alex me dilacerasse ou rasgasse a minha garganta. Sair da sala com Alex ao meu lado ainda inexpressivo.
-Nick, não precisava fazer aquilo – Disse por fim quando estávamos distantes da enfermaria.
- Precisava sim Alex, estou cansada desse povo te tratando como um leproso.
- Nichole você me defendendo ou não; não vai mudar nada.
- Mas pelo menos eu não fico parada! Se não falasse nada me sentiria mal! Alex quem cala consente, eu estaria meio que apoiando.
- Nichole ela só estava agindo pelo instinto, as pessoas não gostam de nós você tem que se conformar com isso – Rebateu seco sem um pingo de contentamento na voz. Sabia que o nós se referia ao clã dele em especial ao seu bando.
- Mas eu gosto de você – Disse-lhe prontamente sem um pingo de falsidade porque eu realmente gostava do meu amigo não importava o que ele era.
- Eu sei Nichole, mas você não consegue nem encarar meus amigos.
- Desculpe por querer te defender. – Disse-lhe meio muxoxo. Alex tinha razão, eu só o tratava diferente, mas nem sequer conseguia olhar para o restante do bando dele.
- Não precisa se desculpar – Disse-me após perceber a tristeza na minha voz e em seguida como se não estivesse satisfeito me abraçou carinhosamente — Eu nunca tive alguém que me defendesse Nick, acho que já estou acostumado. Mas de qualquer jeito, agradeço por ter se preocupado comigo, mas não faça mais aquilo, se ela abrir a boca pro seu pai, o que eu tenho quase certeza, ele vai acabar brigando feio com você.
- Eu não me importo, só não posso ficar parada quando isso acontece. – Rebati com convicção. Não me importava com as broncas o meu pai, só não tolerava mais tratarem Alex diferente por ele ser diferente. Afinal ele nem era tão diferente assim.
- Nick você fazia a mesma coisa lembra? – contra-argumentou me fazendo lembrar a época em que não éramos amigos. — Isso é o natural das pessoas – complementou.
- Por isso que hoje eu te defendo, não suporto mais essas coisas – Rebati — É como um meio de me redimir.
- Ser minha amiga já é o bastante; senhora defensora – disse-me enviando sorriso franco.
- Defensora dos animais – Complementei rindo.
- Ainda tá me tachando de animal? — Perguntou-me fingindo-se um pouco irritado.
- Se carapuça serviu – Disse-lhe empenando o nariz.
- Nichole não me provoca – Advertiu-me deixando um tom ameaça na voz.
- Calma; garoto! – Exclamei tratando-o como um cachorrinho.
Alex me olhou agora realmente irritado e soltou um rosnado.
- Calma; garoto, calminha, você tem que ser obediente, eu te defendi – Disse-lhe imitando uma adestradora. Por fim eu tentei imitar o seu rosnado; só que o meu rosnado saiu meio esganiçado e Alex caiu na risada. Quando aquele garoto ria eu ria também, seu riso era limpo, não era forçado então também comecei a rir junto com ele. — pensa que é só você que sabe rosnar? – Perguntei-lhe depois que conseguir me conter.
- Você chama isso de rosnado?! – Perguntou-me com um tom superior — isso que é um rosnado – complementou. Em seguida em menos de um segundo Alex rosnou pra valer. Era a primeira vez que via o meu amigo mostra a sua outra fase daquela maneira. Ele arreganhou os dentes, sua face vincada em uma careta lupina, as íris de seus olhos tornaram-se completamente douradas e ele soltou o rosnado preso em sua garganta. Eu engoli em seco, completamente assustada, nunca havia ouvido um rosnado daqueles, normalmente Alex rosnava baixinho, mas aquele rosnado era verdadeiro, selvagem, instintivamente dei um passo para trás. O garoto olhou para mim e começou a chorar de tanto rir.
- Isso não tem graça Alex – Reprimi-lhe após me recuperar instantaneamente do susto — Eu fiquei assustada. – Alex me puxou novamente para um abraço- e cada um tem seu tipo de rosnado! – Complementei brincando.
- Mas eu te assustei mesmo?! – Perguntou-me um pouquinho preocupado.
- Um pouquinho – Menti não dando o meu braço a torce. Eu não queria que ele soubesse que eu realmente havia ficado com medo dele, então uma meia verdade não faria mal.
- Um pouquinho?! – Exclamou fingindo desapontamento.
- Você não é tão assustador – Desafiei-o com certa petulância já que a menos de um minuto atrás estava quase me borrando de medo.
Para a minha surpresa Alex deixou os olhos dourados novamente. Eles haviam voltado ao normal instantaneamente. Mas subitamente em um piscar de olhos suas íris negras começaram a serem preenchidas pelo ouro derretido e não fitava os olhos de negros do meu amigo, mas os olhos de um lobo, contudo não eram olhos ameaçadores apenas olhos penetrantes e calorosos. Fiquei estarrecida com o contraste daquela visão. Os novos olhos de Alex tinham um contraste penetrante porque suas bordas eram completamente negras e algumas partes da sua íris tinham uma coloração escurecida; como uma fita negra.
- Me ensina a fazer isso?! – Exclamei admirada ao mesmo tempo zoando com a cara de Alex. Ele queria me assustar, mas apenas me deixou de boca aberta. O garoto me fitou meio incrédulo e novamente suas íris foram absorvidas pelo negro profundo de seus olhos humanos.
- Ah claro! – Ele disse meio cético e seco. Com certeza não esperava por aquela reação. Fiquei olhando pra ele ainda admirada e esperando que ele fizesse aquilo de novo.
- O que foi?! – Perguntou-me ao perceber que eu não tirava os olhos de sua face.
- Faz aquilo de novo! E me ensina dessa vez! – Disse-lhe prontamente com um pouco de zoação, mas realmente queria ver aqueles olhos dourados de novo.
- Nichole eu estou com cara de atração de circo? – Rebateu irritado com minha atenção exagerada aquele talento natural dele. Já estávamos à porta da nossa sala, mas não iria desistir dele repetindo o espetáculo.
- Depois desses seus olhos dourados, SIM! – Disse-lhe abrindo a porta da sala antes que ele o fizesse; para um garoto do século XXI meu amigo era muito cavalheiro; realmente uma peça rara na atualidade.
- Com licença professor! – Exclamei entrando na sala com Alex calado ao meu lado. O Sr Bane já estava distribuindo uma atividade para os alunos então nos dirigimos a nossa mesa silenciosamente. Alguns alunos ainda nos observavam com o olhar indagador e curioso. Mesmo estudando naquela escola há três anos as pessoas não haviam se acostumado com minha amizade com Alex. Dessa vez o garoto me deixou sentar próxima a janela enquanto ele sentava a ponta. Quando sentei eu fiquei encarando ele logo após o professor deixar um exame encima da mesa. Notando a minha cara de pidona o garoto arqueou as sobrancelhas.
- Por favor?! – Pedi com uma voz mimada que tinha a ciência que meu amigo não resistia e para fechar a posse fiz um biquinho.
- Por favor, o que?! – Ele rebateu sério tentando resistir a minha posse de criança.
- Pisca os olhinhos dourados pra mim vai – Disse-lhe mantendo o tom mimado e manhoso fazendo outro biquinho, e piscando os meus olhos.
-Nichole, estamos em publico agora! – disse Alex com um tom sério, como se fosse um pai repreendendo a filha.
-Por favor! – eu disse com a mesma voz mimada, e prolongando a palavra.
-Quando o pessoal sair eu faço os olhinhos douradinhos. – disse Alex se rendendo ao meu encanto, enquanto eu dava pulos de alegria.
- Vocês não acham que já falaram demais por hoje?! – perguntou severamente o Sr. Bane. – Querem que eu tome a prova de vocês?!
-Desculpe! – eu disse me recompondo, e olhando para aquele exame. DROGA! Eu havia perdido a explicação daquela aula.
-Merda! Eu mato o Alex! – gelei quando percebi que havia dito aquilo em voz alta. Meu coração acelerou.
-Senhorita Summers, se você não quiser trocar de parceiro, eu acharia melhor moderar seu tom! – senhor Bane me repreendeu, eu engoli em seco, e me voltei para o teste. Quando olhei não acreditei no estava vendo, o teste estava todo respondido, reconheci a caligrafia de Alex na hora, olhei pra ele perplexa com a rapidez.
-Acho que você não me mata mais! – disse Alex rindo, e eu ainda sem acreditar, pisquei meus olhos.
-De quem você copiou? – perguntei, ele não havia prestado atenção na aula, tinha dormido, eu ainda tinha pegado pelo menos o inicio.
-De ninguém, você acha que eu me rebaixo a isso?! – ele fingiu indignação, mas não tinha como eu acreditar. – Prefiro fazer esse teste errado.
-Alex! Você chutou?! – eu perguntei arqueando as sobrancelhas, desconfiada.
-Nichole, assim você ofende a minha inteligência.
-Mas isso é impossível, você fez o teste em menos de um minuto! – eu disse ainda com os olhos arregalados, olhando para o teste, eu ainda acreditava que era uma ilusão.
-Você acha mesmo isso?! – ele me pergunta.
-Não me diga que você também contou o tempo também! – eu disse, ele era muito surpreendente.
-Foram exatamente 1 minuto e 17 segundos, só porque eu tive que escrever nossos nomes. – Alex me mostrou que havia contado o minuto e os segundos, fiquei embasbacada, ele era bom. Porra! Como essa peste ainda consegue ser reprovado?! Alex é um ano mais velho que eu, e estava na mesma turma.
-Você deve amar escola garoto! – eu provoquei sorrindo, ainda atordoada com a sua rapidez.
-Por que você acha?! – ele perguntou confuso. Eu sabia muito bem que cada dia aqui pra ele era como uma tortura.
-Pelo fato de você reprova, se eu tivesse essa sua inteligência, nem morta eu iria reprovar, estou fugindo de escola! – eu disse, nunca fui muito fã de escola, acordar cedo, e chegar só à tarde. AFF! – depois não quer ser tachado de nerd! – eu o provoquei apontando para o teste.
-Se eu marcasse tudo errado, você iria me descomungar, e outra, eu não vou ser o único tachado de nerd aqui! – ele se referiu a mim.
-Melhor nerd, do que burra! – eu o provoquei.
-Só para a senhorita saber, eu não fechei o teste. – ele disse naturalmente. Mas é claro! Eu tinha que ter percebido aquilo. Mas poderia sonhar um pouquinho que iria fechar a prova, e conseguir nota máxima.
-O QUE?! É melhor você fechar essa merda Alex! – eu disse entre dentes.
-Eu marquei duas respostas erradas! – eu fiquei estática, DUAS! DUAS! – Tente descobrir quais.
-Desgraçado, corrige logo essas merdas de questões. Se você sabe, não faz graça. – eu disse irritada.
-É chato marcar tudo certinho! – Alex apoiou as mãos no queixo, fingindo tédio. Aquele garoto era impossível mesmo.
-Alex eu preciso dessa nota.
-Precisa nada, você só tira B+ -- ele diz uma coisa que já sei, mas é querer demais um A+?! – E não dá mais tempo pra eu marcar mais nada, o sinal vai tocar agora mesmo! – ele me informou, e logo após dois segundos, o sinal toca, eu abro a boca descrente.
-Como você?! Ah esquece! – eu digo um pouco irritada. Tudo bem que eu não precise da nota tanto assim, mas é tão bom receber um teste com um A+ escrito na folha.
Saio pisando duro da sala, enquanto Alex entrega a folha para o nosso professor de biologia.
-Nick, eu estava só brincando, eu marquei todas certas! – disse Ales vindo atrás de mim, eu olho para trás com raiva.
-Não quero falar com você Alex! – digo com o queixo empinado.
- Você não quer mais ver os olhos douradinhos?! – ele me chantageia, e quase eu caio, mas logo me recompus.
- NÃO! – disse grossa, e pisando duro; as pessoas ao nosso redor estavam indo de um lado para o outro. – Eu sei que está mentindo.
- Nichole, pare de fazer pose, você sabe muito bem que eu não estou mentindo! – Alex disse um tanto que sem paciência.
Eu paro perto do meu armário e o abro, tampando a cara de Alex, não iria deixar de lado meu orgulho.
-Eu não sei de nada! Você é um bom ator! – eu disse guardando minhas apostilas.
-Nichole! – ele exclama, fecho o meu armário em um baque, pra demonstrar raiva, mas não funciona muito, pois quando vou encarar Alex, quando olho no fundo dos seus olhos, percebo que eles estão dourados.
-Os olhinhos! – dou um sorriso meio bobo, e percebo que meus olhos estão brilhando, não consigo evitar, e nem me lembro mais porque estava chateada com ele!
-Agora sei como fazer você ficar que nem uma boba, e me desculpar.
-Você é muito convencido garoto! – digo e viro de costas pra ele, despertando do encanto, e ficando longe dele, para que não me derreta mais.
-Você disfarça direitinho, só não me engana, pois te conheço muito bem Nick.
Eu somente o ignoro, e sigo em frente, não quero dar o braço a torcer, sou orgulhosa demais pra isto, mas ele insistiu, Alex nunca fora de desistir fácil.
- Nichole, pare de fazer teatrinho, senão não faço mais os olhinhos dourado pra você! – ele me chantageou. Aquilo me pego de jeito, e ele sabia. Eu parei bruscamente, virei-me pra trás, e disse:
- Você não é louco!
Alex começa a rir, não sei do que. Eu só poderia ser palhaça, e o pior que era aquela risada limpa, verdadeira.
- Está rindo do que?! – perguntei zangada.
- Da sua cara Nichole, você fica muito engraçada quando está zangada! – diz ele rindo.
- Cala boca! E segue pra sua trupe – Exclamei um pouco irritada, mas não consegui esconder o ciúme contido no fundo da minha voz. O pior é que eu tinha a impressão que Alex havia percebido. A peste iria se acha mais ainda com aquilo.
- Ah, mas você é mais engraçada – Disse-me com um sorriso maroto. Ele realmente havia percebido minha onda de ciúme. Arf! Eu não conseguia esconder nada dele mesmo, Alex era muito Perspicaz.
- Tá me chamando de palhaça é?! – Perguntei afinando a voz.
- Se a carapuça serviu – Disse-me repetindo o que havia dito a ele anteriormente.
- Olha quem fala! A aberração – Rebati um pouco sem pensar e o sorriso de Alex se azedou.
- Depois se diz minha amiga – Ele exclamou seco e com o olhar frio e cortante como cristais de gelo.
- Alex me desculpa... Eu... Eu disse isso meio sem pensa – Desculpei-me um pouco tensa.
- NÃO ME IMPORTA! Já que sou uma ABERRAÇÃO vai ficar com SUA RAÇA! – Rebateu friamente e saiu pisando duro. Eu fiquei petrificada onde estava. Quando me dei conta estava quase correndo atrás dele.
- Alex espera, por favor, eu não quis te chama de aberração!
Ele virou bruscamente para mim. Os seus olhos estavam ausentes de qualquer calor.
- NÃO QUERO OUVIR SUAS DESCULPAS!
- Alex eu...
- VOCÊ NÃO ENTENDEU GAROTA?! EU NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ!
As palavras do garoto me atingiram como uma bomba e fiquei realmente paralisada. Ele se virou e continuou seguindo em direção à mesa onde costumava lanchar com seus amigos. Eu me dirigir para a minha “raça”. Durante todo o intervalo Alex não voltava os olhos pra minha mesa e seus companheiros pareciam contentes com aquilo.
- Ei Nick – Exclamou o garoto ao meu lado – Você divide o almoço comigo?! – Perguntou-me tirando do meu transe.
- Hãn... – Exclamei bobamente.
- Você divide o almoço comigo?! – Ele repetiu a pergunta, mas com a preocupação visível em sua voz.
- Divido – Respondi com a voz monótona e um pouco sem vida. Sempre dividia meu lanche e almoço com Mat desde a quinta série.
- Você está bem? – Perguntou-me em seguida.
- Estou! – Menti, mas percebendo a inflexão em minha voz. Contudo Mat não insistiu no assunto e seguimos para a cantina. Estava tão distraída que acabei esbarrando em alguém.
- Desc.. – Eu comecei a dizer automaticamente, mas quando percebi os dois olhos gelados que me encaravam sem dó nem piedade as palavras ficaram pressas na minha garganta. O garoto me ignorou e saiu da fila. O nó em minha garganta apenas aumentou com aquela reação exagerada de Alex. Droga! Eu tinha que ter dito aquilo, aliás, eu era uma imbecil.
-O que aconteceu?! – perguntou Mat estranhando a reação de Alex, ele sabia que nós éramos muito amigos, decidi ficar quieta, mas Mat estava preocupado. – Nick, o que aconteceu?!
-Nada! – eu disse com a garganta fechada, segurando as lagrimas. Cara! Era ruim ser tratada daquele jeito pelo meu melhor amigo.
-Nichole, eu sei muito bem que aconteceu algo, já que vocês se dão super bem!
-Eu fui uma completa imbecil! – eu disse, naquele momento eu estava me repugnando. Eu extrapolara, minha ação foi completamente infantil.
-Hoje?! Ele sempre é um imbecil, porque você não pode ser pelo menos um dia?! – Mat disse, é claro que ele diria aquilo, ele não gostava nenhum pouco de Alex, e também não gostava que eu ficasse andando com o meu ex-melhor amigo.
-Ele não é um imbecil Mat! – eu disse baixo, e cabisbaixa. Mesmo naquela situação não queria ninguém falando do meu amigo, quer dizer, ex-melhor amigo.
-Você é teimosa mesmo!
Peguei meu almoço, mesmo sem nenhuma vontade de comer, fui até a mesa da minha “raça”. Sentei-me suspirando, e olhando para a mesa de Alex, o pessoalzinho dele estava com um sorriso enorme. Mat comeu sua metade, e não havia tocado na minha metade, só olhava para o prato enquanto minha cabeça girava, meu estomago não estava com nenhuma vontade de receber comida.
-Toma! – disse empurrando minha comida para Mat, ele me olhou confuso, eu sempre comia, sempre chegava à mesa alegre, espontânea, ria de tudo, chegava ao refeitório sorrindo, ou então com uma expressão brava, e não triste. Hoje estava pra baixo, e isso quase nunca acontecia.
-Nick?! Você está bem?! – perguntou Sam, ela sempre reparava bem nas coisas do grupo, sempre preocupada com cada um, ela e Mat sempre foram muito fofos com todos, principalmente comigo, nós nos conhecíamos há anos.
-Estou bem! – menti, dando um sorriso falso, Mat olhou de canto de olho. Ele não aceitou a comida, eu empurrei mais para o lado dele, e ele me devolveu, ficou aquele vai e volta de comida, até que Connor pegou o prato.
-Já que ninguém quer, passa isso logo aqui! – disse ele como sempre, não ligava muito para o clima tenso no ar, sempre amava comer, parecia uma trituradora de comida humana. Não sei onde cabia tatá coisa.
-Connor! Tenha mais educação! – disse Ryan, ele era o mais certinho da turma, sempre o mais educado. – Parece que nunca viu comida na vida.
-Parece um morto de fome. Volta pra Etiópia, poxa! – disse Hillary zoando com a cara de Connor, sempre acontecia isso, ela sempre tinha que entrar em cabo de guerra com ele.
- Nossa; vocês não mudam mesmo, não é mesmo?! – exclamou Kate, que estava um tanto que entediada hoje. – O que aconteceu meu amorzinho?! – ela perguntou para mim.
-Nada! – eu disse, parecia que aquela palavra tornaria parte do meu vocabulário diário. Só que eles me conheciam, eles não iriam cair nessa de que estava tudo bem.
-Desembucha, fala pros seus amiguinhos o que aconteceu! – disse Connor com a boca cheia de comida, eu fiz uma careta. Kate deu um tapa na cabeça do Connor, Hillary no braço direito dele, e Ryan empurrou ele da cadeira. – AAAAAAAAAAAAAAAAI! Seus brutamontes.
-É pra aprender a não falar de boca cheia, na frente das pessoas, cassete! – disse Ryan, esgotando a paciência. E roubando uma batata frita do prato que Connor havia pegado de mim.
-Depois fala que eu sou mal-educado, fica roubando as batatas dos pratos dos outros! – disse Connor olhando feio para Ryan.
-Pré-históricos! – disse Kate, um tanto que desapontada, e voltou-se para mim. – Linda, não preste atenção para as brutalidades desse bando de gente pré-históricas. – Eu dei um sorriso muxoxo, eles sempre sendo os mesmos. – Agora, amorzinho, o que aconteceu para você ficar assim?!
-Ela brigou com o selvagem imbecil! – disse Mat, com isso Kate já saberia de quem ele estava se referindo, eu fuzilei Mat, que só deu de ombros. – Não liga também para as grosserias de um selvagem imbecil, ele não merece a sua amizade. – eu estava começando a achar que quem não merecia amizade dele, era eu.
-Respeito às vezes é bom, Mat! – disse Kate, ela respeitava Alex, era indiferente com ele, não gostava, e nem deixava de gostar. – Tudo bem que ele pode ter magoado a Nick, mas não é legal chamá-lo de selvagem imbecil, você gostaria que ele te chamasse de devorador humano?!
-Concordo com Mat, Alex é um imbecil selvagem! – disse Connor com a boca cheia de novo, eu fiz a mesma careta, e aconteceu à mesma coisa de antes, ele foi acertado por três pessoas e mais Mat agora, que deu um tapa na nuca dele, e disse:
-Selvagem imbecil, e não imbecil selvagem.
-Quem está se saindo selvagem aqui é você, Connor, uma pessoa civilizada não fala de boca cheia! – Hillary disse, mesmo não gostando de Alex, ela tinha que achar algo para xingar Connor.
-Que seja, mas que merda! – exclamou Connor, agora com a boca vazia. Aquilo teria me feito rir, em outro momento. Mas não estava com vontade de rir. Sasha estava quieta hoje, só observando, e também sabia que não adiantaria nada tentar roubar algo de minha boca.
O sinal do intervalo, eu me levantei primeiro que todo mundo, não queria mais ficar ali, esperei um pouco por Kate, para seguirmos juntas até a nossa aula. Senti uma lufada de vento e vi que Alex passara por mim, me ignorando, com as mãos nos bolsos. Aquilo fez meu coração se apertar, parecia que ele não iria falar comigo nem tão cedo. Kate levantou-se e passou o seu braço ao meu redor e seguimos para aula de física.
Chegamos à aula de física, estava sem nenhuma vontade de estudar, encostei minha cabeça na carteira, coloquei meu fone de ouvido, e comecei a ouvi musica, sem prestar atenção. Estava concentrada quando sinto um puxão, tiro o fone de ouvido, e olho para a direção de Kate que está com uma expressão de preocupada, e repreendedora. Ela estava esticando a mão, olhei confusa, e perguntei:
-O quê?!
-Me dê seu Ipod! Não é hora de ouvir musica. – tento disfarça, balbuciei algo como que não estava ouvindo musica, e ela logo me corta – Mentirosa, me dê seu fone, agora!
Entreguei meu fone, incrédula, como Kate estava me tratando.
-Olha Nick, ele vai te desculpar, qualquer coisa que você tenha feito ele irá te perdoar, não fique assim, e trate de comer algo quando chegar em casa, você não almoçou, se continuar assim vai ficar fraca.
Acenei, e encostei minha cabeça na carteira, dessa vez Kate não me puxou; deixou-me quieta, escondi meu rosto, tentando segurar as lagrimas. O resto do dia passou lentamente.
Quando as aulas havia finalmente acabado, eu levantei da carteira, e fui até o armário, peguei o que precisava, e segui até meu carro, Alex passou por mim ignorando, Raven me olhou de soslaio com um sorriso, tive que me segurar pra não mostrar o dedo do meio pra ele, ou dizer algo.
Cheguei a casa, tentei ligar para o celular de Alex, mas só chamava, até que começou a dar direto na caixa postal, ele havia bloqueado meu numero. DROGA!
Tentei comer algo, beber qualquer coisa, mas nada descia pela garganta, subi, fui tentar fazer meus deveres, mas não consegui. Peguei um livro, quando vi já tinham se passado mais de três horas que eu estava na mesma pagina, no mesmo parágrafo. Fechei o livro, coloquei uma musica uma das que eu iria dançar, porém a coreografia que eu mesma havia montado estava girando sobre a minha cabeça, e eu queria ensaiar pelo menos aquela musica. A dor no meu braço estava me deixando louca. Quando olhei no relógio já eram mais de uma hora da madrugada, tomei banho, e me troquei, deitei porem minha cabeça não esvaziava, para conseguir dormir.
Eu havia passado a noite em claro, não pregara o olho um minuto sequer, passando de canal a canal na televisão. Arrumei-me para ir para escola, teria que seguir minha rotina, com ou sem problemas. Fui até a geladeira, porém, minha vontade de comer era igual à zero, o cheiro de comida embrulhava meu estomago.
Peguei as minhas chaves e segui para o colégio. Sai da garagem, fiz movimentos repetitivos no volante, quase fechando os olhos de sono. Havia momentos em que eles chegavam a se fechar. Meu cotovelo latejava toda hora.
Quando cheguei à escola, vi Alex, ele me avistou porem ignorou completamente, resolvi engolir o orgulho e tentar falar com ele, que não estava tão distante. Quando fui chegando mais perto ele somente foi para a outra direção. Fechei os olhos tentando controlar as emoções que se afloravam naquela hora.
As aulas foram se passando, até que chegou a de biologia, cheguei à sala, ele estava no lugar costumeiro, mas assim que viu que eu estava indo a caminho do acento do lado dele, logo se levantou e foi para o lado de Brandon, que agiu naturalmente. Ele era o único do bando de Alex que não olhava de rabo de olho para mim.
Sentei no meu lugar de sempre, e fiquei olhando para a janela, encostei a cabeça na carteira e cochilei. Eu estava me sentindo um pouco fraca. Quando o sinal bateu dei um pulo da carteira, meu pescoço doía pelo fato de ter ficado de mau jeito. Esperei até minhas vistas se clarearem por completo, e me levantei, estava meio tonta.
Cheguei ao refeitório às forças. Olhei ao redor, aquele monte de gente tava me dando zonzeira, segui até a nossa mesa.
-Nick, divide o almoço comigo?! – perguntou Mat, eu o olhei, não estava com vontade de comer.
-Desculpe Mat, mas não estou com vontade de comer. – eu disse encostando a cabeça na mesa.
-Nick?! – Kate me chamou preocupada.
-Estou bem! – eu disse levantando a mão, senti Ryan pegando nela, e logo soltando.
-Eita porra! – exclamou ele assustado, eu levantei a cabeça confusa.
-O que foi?! – perguntou Mat preocupado.
-A mão da Nick está parecendo de gente morta de tão gelada! – disse Ryan, fazendo com que Mat pegasse minha mão, logo depois Connor, Kate, Hillary, Sasha e Sam também.
-Gente minha mão não virou mostruário! – eu digo um tanto que rouca e ignorante.
-Nick, sua voz está super-rouca! – diz Sasha, mostrando preocupação.
-Acho melhor você comer algo! – Connor sugere, porem estou sem nenhuma vontade.
-Estou sem vontade! – digo encostando a cabeça na mesa de novo.
-Nickizinha, você comeu algo ontem, ou hoje?! Dormiu direitinho?! – Kate perguntou, não adiantaria mentir pra Kate, ela sabia quando alguém estava se cuidando bem, e no caso eu mal penteara meu cabelo.
-Não para todas as perguntas. – eu disse.
Levantei a cabeça a tempo de ver todos me olhando incrédulos, não era meu normal ficar sem comer, nem sem dormir. Muito menos está naquele estado que estava. Não estava de todo desleixada, mas também não estava arrumada como sempre me arrumava.
-Acho melhor a fazerem comer a força! – disse Sasha.
Mat pega meu braço, e me arrasta para a fila, ficamos atrás de Alex, ele nem ao menos olha na minha direção.
-Eu não quero comer! – eu digo para Mat, que me lança um olhar de “fica quieta”. – Eu já disse Mat, não vou dividir almoço com você hoje.
-Nick, você vai comer, olha só para você! Nem que eu tenha que empurrar a comida. – eu sabia que ele faria isso. Então me desvencilhei da mão dele e disse:
-Não quero! Mas que merda! E você está pegando no meu braço enfaixado. – eu digo seca, Mat logo solta meu braço, e diz:
-Desculpe, esqueço que você está machucada. Mas e a dança?! Se seu braço estiver enfaixado ainda, não poderá dançar.
-Eu arrumo um jeito. Vou para mesa! – digo saindo, não aguentando mais ficar de pé, e nem perto de Alex.
Voltei à mesa, e todos estavam me olhando com preocupação, foi assim o dia inteiro, até eu ir embora.
Quando cheguei em casa, fiz as mesmas coisas que havia feito no dia anterior, porém com mais monotonia.
Não dormi a noite inteirinha novamente, me arrumei, não comi, nem bebi nada. E fui direto para o carro, o sono estava mais pesado, o braço estava doendo mais, olhei para meu reflexo, estava mais pálido, e as olheiras mais visíveis.
Cheguei na escola, não vi a moto de Alex perto de onde eu sempre estacionara. Fui direto para as minhas aulas, porem decidi ficar no carro, dormir, então dei meia volta, e fiquei no carro.
Quando chegou a hora do intervalo, não fui para o refeitório, fiquei no carro ainda, deitei o banco, e fiquei ali rabiscando coisas, e ouvido musica. Minhas vistas estavam ficando um pouco turvas, meu Iphone parou de tocar, fui olhar porque, Mat estava tentando falar comigo, rejeitei a ligação. Entendia que eles estavam preocupados, mas não estava com cabeça pra falar com eles.
Na ultima aula resolvi aparecer, mesmo me sentindo fraca, e sendo Educação Física, fui andando com dificuldade, tonta.
Cheguei lá, e Hillary veio falar comigo.
- Garota, estávamos preocupados, onde esteve?! – ela perguntou demonstrando preocupação.
- No carro, decidi matar as aulas de hoje! – eu digo com pouco interesse, e mais fraca do já me senti antes.
- Nick, trate de dormir amore, você está parecendo um lobisomem! – disse Hillary provocante, eu somente ignorei, indo em direção ao vestiário, tudo girava, troquei de roupa, quando vi que não aguentaria de frio, peguei o agasalho do time. Hillary me olhou incrédula, não estava frio, para ela não, mas para mim sim, eu estava tremendo. – Nick, você não comeu de novo, não é mesmo?!
-Não!
-Garota, você esta se definhando, sério, suas olheiras estão visíveis demais, seus olhos não estão aguentando ficar abertos. Amiga se cuida, não vai ser por causa do idiota do Alex que você tem que se sentir assim! – Hillary me disse, sempre vaidosa, ela gostava de ver as amigas bem, assim como ela. Não perdia uma noite de sono, e comia sempre em horas certas, e coisas saudáveis. – E outra cadê a Nick diva; que um monte de menina daqui tem inveja?! – ela perguntou, eu sempre fui popular, em partes por causa do meu pai. Mas não estava nem ai se alguém tinha inveja ou não, se eu estava acabando com aquela Nick.
-Ele é meu amigo, quer dizer, ERA! – eu disse enfatizando a palavra “era”, não aguentava mais aquilo, queria que Alex parasse de me ignorar, para que eu pudesse me explicar. – Queria que Alex parasse de me ignorar, sabe?! – Eu somente ignorei a ultima pergunta dela.
-Ah você deve ter sido meio grossa, certo?! – eu acenei, Hillary estava se trocando ainda, e eu esperando, já que só tinha colocado um short. – Para Alex ter parado de falar com você, porque pelo que eu vejo vocês são bem amigos. Nick, vocês já ficaram?! – perguntou Hillary curiosa, e um pouco receosa, acho que ser amiga dele, ela até aceitaria, mas namorar ou ficar com alguém como Alex, ela não iria aceitar.
-Não! – respondi surpresa com a pergunta. Minha visão estava ficando um pouco turva, as coisas estavam começando a ficar embaçadas.
-Ah! – ela suspirou de alivio. – Mas você gosta dele, algo mais de amizade?!
-Não! – respondi afinando minha voz, surpresa de novo com a pergunta.
-Então por que você está assim?! Por que está sofrendo tanto?!
-Será que é porque ele é como se fosse meu irmão?! Quer dizer, ERA! – eu digo, algumas pessoas chegavam a pensar que eu gostava de Alex com um tipo de amor de namorado, mas não, era mais algo fraternal.
-Hmmm! Então pare de sofrer, alias irmãos sempre brigam, sempre ofendem um ao outro! Um começa a ignorar, e a fazer coisas com o outro, mas logo voltam a se falar! – Hillary me disse dando um sorriso largo, e encorajador.
- Obrigada pela força, mas por que esta me dizendo isso? Você não gosta de Alex!
- Porque mesmo não gostando dele, eu sou sua amiga, eu gosto de você, e não é legal ver você assim, sem dizer que ate pra falar a sua voz sai fraca, trate de comer logo, eu tenho uma barrinha de cereal ali no armário, vou pegar pra você.
-Não Hillary, não precisa, eu estou sem fome. E nós estamos atrasadas, depois da aula eu vou comer. – eu prometo, mas sem nenhuma intenção de cumprir a promessa. Hillary aceita a proposta, e nós seguimos para quadra.
Minha cabeça está girando, meu estomago está girando, tudo a minha volta começa a girar, fico desorientada. Mal estou aguentando minhas pernas, elas estão bambas, enquanto estou indo até o centro da quadra. Cada passo que dou é mais difícil, me esforço mais, sinto-me suando. Minhas pernas estão perdendo as forças, até que não aguento mais e caio no chão sentindo um baque forte na cabeça. Minha visão está escurecendo, vejo Hillary abaixando-se até mim, e Mat que estava do outro lado da quadra vindo em minha direção, correndo, o treinador Fitz agachou-se, e tirou o meu moletom, antes de fechar os olhos vi Alex vindo. Fui perdendo a consciência, mas antes consegui sentir Mat me pegando no colo, e logo após sinto alguém me roubando do colo de Mat, minha audição já não estava mais lá, nem minha visão, nem meu consciente, já havia desmaiado.
Não sabia onde estava apenas à escuridão me rodeava. O mundo não existia. Eu não existia. Apenas era um nada em meio ao vazio. Um vazio, frio e solitário. Então comecei a sentir um toque. Um toque suave e caloroso. Aos poucos a sensação de topo começou a me abandonar. Sentir uma dorzinha incomoda na cabeça. O meu corpo estava todo dolorido. Com alguma dificuldade eu comecei a ouvir vozes. Na verdade eram apenas duas vozes. Uma delas me parecia familiar. Era uma voz profunda, grave e suave. Uma voz bonita. Então comecei a abrir os olhos com dificuldade. A luz intensa ofuscou a minha visão, mas aos poucos pode ver nitidamente o ambiente ao meu redor e o rosto sério e preocupado de um garoto a minha frente. Minha mente ainda estava desorientada, mas enquanto eu fitava aquele jovem ela começou a clarear e reconheci o garoto ao meu lado.
- Alex?! — Exclamei com a voz seca e fragilizada pela falta de forças que assolava o meu corpo.
O que ele estava fazendo ali? Ou melhor, onde eu estava? Perguntei-me mentalmente ainda confusa e desorientada.
O garoto respirou fundo e acariciou delicadamente os meus cabelos. Seus olhos pareciam tristes e desolados, arrependidos. Ao mesmo tempo sua expressão era seria e severa.
- Você não tem juízo?! – Exclamou com a voz severa, mas ferida. Será que ele estava sofrendo por minha causa?! Será que ele se sentia culpado?! Continuava a me perguntar mentalmente.
- Por quê?! – Exclamei ainda confusa, mas com a tristeza visível em minha voz. Meu ex melhor amigo parecia bastante culpado. Não queria que ele se culpasse por algo que eu havia feito de maneira irresponsável.
- Por que Nichole?! Você estava tentando se matar?! – Esbravejou com o tom bastante severo e reprovador.
- E se estivesse?! Por que se importaria?! – Rebati um pouco mais seca do que eu queria. Ele não queria mais falar comigo, não era mais meu amigo, por que se preocuparia comigo?!
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ele me olhou com os olhos mais tristes e amuados que já havia visto na minha vida. Parecia um cãozinho com os rabos entre as pernas a procura do dono.
- Por que é minha melhor amiga, poxa! – Respondeu com a voz tristonha ; visivelmente chateado com si próprio.
- Pensei que não me quisesse mais como sua amiga – Disse-lhe prontamente sem querer machuca-lo mas o que eu disse surtiu o efeito que eu não queria que surtisse. Sua expressão transpassava uma dor tremenda que não se podia quantificar.
- Nichole – Exclamou com a voz seca e um pouco trêmula – Eu não vou deixar de ser seu amigo, e como poderia deixar de tê-la como amiga? – Complementou um pouco rouco e dava para perceber a sua sinceridade.
- Mas você ficou me evitando, sempre que tentava falar com você me ignorava ou fingia que não me via.
Alex me fitou com uma carinha de mártir arrependido. Estava obvio que estava se flagelando por dentro. Perguntava-me o que o fazia sofrer tanto, afinal eu não havia me suicidado nem sido atropelada por um carro.
- Nichole eu estava te evitando por puro orgulho – disse-me com certa dificuldade como se as palavras estivessem entaladas em sua garganta.
- Porra Alex – Eu exclamei um pouco chateada com o cachorro. Pensei que o garoto não quisesse me vê nem pintada de ouro e era apenas posse dele – E eu passando por cima do meu orgulho tentando falar com você.
- Desculpa-me, por favor, eu não pensei que eu pudesse fazer você sofrer tanto – disse-me com a voz melancólica.
- Você não pensou que eu pudesse o que?! – Exclamei indignada com a total falta de noção daquela anta na minha frente. Estava seriamente arrependida de ter me martirizando por um ser tão ingrato e egocêntrico – Como assim Alex?! Eu sou sua amiga caralho, é claro que eu sofreria por você?! Será que você não tem coração merda?!
- Talvez não, mas Nick, quando vi você na aula de física dormindo ontem, e comecei a pensar, eu fiquei seriamente preocupado. Ainda mais quando você desmaiou na quadra.
- Mas não era isso que você queria? Me vê definhando?
Alex me fitou indignado, mas o seu olhar também estava repleto de sofrimento. Poderia ser crueldade, mas eu estava gostando de vê-lo sofrendo daquela maneira assim ele aprendia a não fazer as pessoas de idiota e pensava duas vezes antes de fazer algo extremamente imbecil como me evitar por puro orgulho.
- Claro que não Nick! Nunca iria querer isso!
- Sabe de uma coisa Alex! Você não merecia nem um pingo da minha preocupação.
Alex me lança um olhar arrependido, e totalmente triste, aquilo me fez sentir muito mal. Não queria magoar ele de novo, se bem que ele merecia um pouco do que eu havia dito, porém, não queria ver meu melhor-amigo triste.
-Acho que você tem certeza, vou deixar você sozinha, deve está precisando! – Alex disse com uma voz rouca, e baixa, era raro ver meu amigo assim, ele começou a se levantar e se vira, sem pensar peguei a mão dele, impedindo que ele se fosse.
-Por favor, não vai. Desculpe-me por falar com você daquele jeito! – eu digo com o olhar arrependido. – Acabei de recuperar meu amigo de voltar, não posso ter o luxo de abusar da sorte.
Espero um minuto no silencio, enquanto ele me fita, fico desconfortada, e acho que Alex percebe; que logo ele sorri e me diz:
- Nick, sua bobinha, não se pode recuperar algo que você nunca perdeu! – ele diz, meus olhos se encheram de lagrimas. Alex olha pra mim com um sorriso, me pega em um abraço apertado, um abraço quente, um abraço de irmão.
-Nunca mais, nunca mais, me prometa que você jamais irá fazer isso de novo. Fiquei realmente preocupado com você Nick, você não sabe o quanto. – diz Alex ainda me abraçando.
-Alex você está começando a me sufocar! – eu digo, o abraço dele estava começando a ficar realmente muito apertado, era como se ele me soltasse eu pudesse desaparecer, eu ri um pouco daquilo.
-Desculpe, acho que me empolguei! – disse Alex afagando meu cabelo.
-Eu prometo Alex! – disse respondendo o que ele havia me dito antes, e logo completei — Mas você também tem que me prometer nunca mais fazer aquilo! – Alex vem e me abraça de novo, e fica lá, até nos ouvirmos um pigarreio da dona Bertha, vi que ela estava segurando algumas fichas na mão, e estava com um olhar severo e sério.
-Srta. Summers o seu pai já está ciente do ocorrido, e mandou avisá-la que vai ter uma conversa seria com a senhorita assim que voltar do congresso.
-Por quê?! – eu perguntei me fingindo de inocente.
-Como assim por quê?! A senhorita descuidou da sua alimentação e desmaiou no meio da aula de educação física, sem dizer que matou todas as aulas do dia. Ele está muito preocupado com a senhora. – ela me diz, logo percebo que estou em uma enrascada muito grande, não sei o que faço, meu pai vai me descomungar, e ainda mais, vai colocar mais da metade da culpa em Alex, enquanto estou pensando, ela se dirige para Alex e fala – e o Sr. Alex Wilkinson está dispensado dos demais afazeres!
-Por quê?! – perguntei confusa.
-Porque a senhorita precisa de alguém para levá-la pra casa, para te dar algo para comer, senão você pode desmaiar de novo. Os dois estão dispensados.
Eu me levantei para poder sair de lá, mas minha cabeça girou, e minhas pernas se recusaram a aguentar meu peso, tentei andar, e cabei cambaleando, quase caindo, se não fosse Alex eu poderia ter batido minha cabeça em algum lugar, ele me segurou, e passou o braço por mim, para que eu pudesse me apoiar nele.
-Dona Bertha está coberta de razão, você está precisando de nutrientes, ou vai acabar sumindo! – disse Alex em um tom brincalhão e logo completou — Daqui a pouco vão te confundi com crianças da áfrica Nick.
-Muito engraçadinho Alex! – eu digo com um sorrisinho cínico. Dei um tapa no braço do garoto, mas sei que não doeu nada, já que estava fraca demais para que fosse forte. Eu fui tentar andar, porém Alex me pegou no colo.
-O que você acha que está fazendo?! – fico indignada com a facilidade que Alex me pega, eu não poderia está tão leve assim, claro que ele sempre tivera aquela facilidade, porém parecia que ele não havia sentindo nenhum peso sobre ele.
-Eu estou te levando até refeitório para que você possa comer e beber algo. – ele me disse sério, caminhando em direção do refeitório.
-Eu posso muito bem andar sozinha! – eu digo com a voz autoritária.
-Ah pode?! – ele insinuou cinicamente. – Nick você mal consegue ficar em pé, muito menos andar.
Eu resmunguei algumas coisas, e fiquei quieta, odiava ser levada no colo de alguém, me sentia incapaz como uma criança, mas Alex estava certo eu estava fraca demais, não conseguiria nem ficar de pé, nem andar.
-Para de resmungar! – Alex me disse em um tom indiferente. Eu estava começando a ficar enjoada com o balançar rítmico que o andar de Alex estava causando. Não resmunguei mais, estava sem forçar ate para falar agora. – Caramba, Nick, você está gelada demais, não sabia que você seria capaz de se arriscar até chegar esse ponto, pensei que você iria parar assim que percebesse que estava se definhando.
-Ah claro! Como se eu não fosse capaz de fazer algo! – Disse-lhe um pouco desdenhosa. Alex sabia que eu era capaz de qualquer coisa, apesar de que, admito, que foi exagero meu ficar sem comer, e sem me arrumar direito.
Chegando ao refeitório o lugar parecia um deserto, contudo a cantina ainda estava aberta e o garoto me colocou delicadamente no chão como se qualquer movimento brusco pudesse me desfazer.
- Fica aqui que eu já volto – Disse-me em um tom paternal enquanto me ajudava a sentar-me à mesa mais proxima.
- Aonde você vai? – Perguntei um pouco desorientada. Ainda estava um pouco enjoada e minha cabeça começava a girar.
- A cantina horas – Exclamou beijando ternamente a minha testa – afinal eu tenho que fazer alguma coisa para agradar a Deus – complementou me dando um sorriso caloroso.
- Mas eu deixei a carteira em casa – Rebati ao me lembrar de que não havia trazido nem uma moeda para a escola.
— E daí?! — Ele rebateu num tom indiferente.
- Eles não anotam nada fiado, esqueceu?!
- Quem disse que eu vou comprar algo fiado? – Disse-me com um sorriso travesso. Eu não estava acreditando no que acabava de ouvir. Ele pretendia comprar o lanche para mim?!
- Alex não precisa – Disse-lhe um pouco constrangida com a gentileza do garoto.
- Precisa sim! – Ele rebateu no ato — E a senhora fique sabendo que não vai me fazer falta – complementou com um tom petulante – Agora quietinha que eu vou buscar o rango – acrescentou retornando ao tom brincalhão e caminhou em direção à cantina. Não demorou muito para o garoto voltar com uma bandeja nas mãos repleta de guloseimas. Ele sentou ao meu lado depositando a bandeja na minha direção.
- Alex para que isso tudo?! – Perguntei incrédula com a quantidade de comida que o garoto havia comprado. Naquela bandeja havia comida suficiente para eu e mais duas pessoas.
- Pra você repor a comida perdida – Brincou na maior cara de pau – mas fique tranquila que eu ajudo.
- Alex, você tá louco?! Eu não vou conseguir comer nem um terço dessa comida ai! – Rebati no ato e um pouco impressionada com o exagero do garoto.
-Vai sim, você não come há três dias Nick – Retrucou em um tom paternal e autoritário.
-E se eu te disser que não estou com muita fome? – Perguntei-lhe em um tom desafiador.
- Eu não acredito! Agora para de reclamar e come! – Ele me respondeu com um tom mais serio e severo.
-Mas é sério, é como se eu fosse comer e vomitar! Você acha que eu não tentei comer algo em casa, só o cheiro me traz ânsia – Repliquei teimosamente, mas sendo sincera com Alex acima de tudo porque sabia que ele não se convencia fácil. O garoto me olhou preocupado.
-Nick você está grávida?! – Exclamou suavizando a expressão séria e percebi imediatamente que ele estava zoando comigo em seu tom brincalhão costumeiro só para aliviar a tensão.
-Para de ser besta, eu estou sendo seria – Repliquei um pouco irritada com a infantilidade do garoto. Arf, o assunto era sério e ele vinha com brincadeirinha para o meu lado.
-Eu sei Nick, mas você está assim porque seu estômago está vazio, e precisa de algo o preenchendo – Ele rebateu voltando ao tom sério e paternal – então cala a boca e abre a boquinha – Ele acrescentou metendo o garfo em um pedaço de batata e fazendo o som de um aviãozinho.
- O que você acha que esta fazendo? – Perguntei-lhe incrédula com aquela cena tão retro.
— Dando comidinha pra Nickzinha! — Respondeu-me fingindo a maior inocência.
- Alex eu não sou criança! – Exclamei um pouco indignada. Ele estava me tratando como uma menininha de cinco anos de idade.
- Então por que não comeu enquanto eu não estava por perto? – Ele rebateu com a língua afiada como uma navalha. Eu não gostei nem um pouco daquele tom tão petulante e superior de Alex.
-Isso não é da sua conta, eu sei me cuidar muito bem – Eu rebati com a língua mais afiada e bastante irritada com Alex. Não gostava quando ele me tratava como uma criança e o que me deixava mais irritada é que ele sabia disso.
- Nichole para de birra e come logo está porra! – Ele exclamou sem um pingo de paciência e com a cara emburrada. Eu me assustei com aquela reação tão paternal de Alex, mas não demorou muito para eu cair na risada. Meu amigo havia usado o mesmo tom que meu pai usava comigo.
- Por que você está rindo?! Tenho cara de palhaço?! – Ele me perguntou um pouco rude e rabugento. Era obvio que ele não havia gostado nem um pouco do meu ataque de risos e estava bastante irritado com aquilo.
- Tem muita cara de palhaço! – Respondi provocando o garoto um pouquinho e comecei a rir em seguida, mas quando percebi que Alex continuava serio eu parei de rir na hora – Alex é que você pareceu meu pai agora – Eu me expliquei antes que o garoto ficasse com raiva de mim.
- Nichole Summers a senhora quer parar de mudar de assunto e colocar logo essa merda pra dentro porque eu não quero jogar meu dinheiro fora – Disse-me com o tom mais rude que eu havia ouvido na minha vida. Eu o fitei estática por alguns segundos, mas logo me recuperei e tomei o garfo da mão dele com a mesma delicadeza com a qual ele havia dito aquilo.
- Não se preocupe eu pago seu dinheiro depois – Rebati secamente e meti o garfo na minha boca sem vontade e comecei a comer aquela porcaria sem reclamar, mas naquele instante a comida não tinha gosto nenhum na minha boca. Havia pensando que Alex havia agido com gentileza comprando o meu almoço, mas ele estava agindo apenas por obrigação por ter se sentido culpado pelo meu desmaio na quadra e do resto eu era apenas mais um gasto desnecessário para o seu bolso.
- Nichole – Ele me chamou com a voz mais amena, contudo eu não quis olhar para o seu rosto. Para piorar meu estômago não estava aceitando muito bem a comida e eu estava com ânsia de vomito. Estava seriamente enjoada, mas eu me segurei, pois não queria parar de comer já que o Alex iria jogar seu precioso dinheirinho fora. Fechei os olhos tentando controlar a ânsia, mas a cada mordida e cada engolida, eu ficava mais enjoada. Repasso mentalmente todo o processo de mastigação para ver se a comida descia melhor, mas só piorava. Quando eu estava pronta para dá mais uma garfada Alex tomou bruscamente o garfo da minha mão me forçando a olhar para ele.
- Nick, eu não quis dizer que você tinha que me pagar. Relaxa, come mais devagar, e não empurra a comida como você esta fazendo agora! – Disse-me em um tom amável e educado com um olhar meio preocupado – Me desculpa se eu fui rude com você, mas não quero que você passe mal de novo.
O garoto estava sendo sincero comigo e quis respondê-lo no mesmo instante, mas a comida parecia estar entalada na minha garganta e se eu fizesse qualquer esforço eu poderia vomitar.
-Nick?! – Alex exclamou mais preocupado. Eu fiz um sinal para ele aguardar um pouco e o garoto pegou a garrafa de suco na minha bandeja e a abriu para mim.
-Toma isso! Vê se ajuda a descer! – Ele exclamou despejando um pouco do liquido em um copo descartável. Eu peguei o copo da mão de Alex e fiquei encarando o conteúdo avermelhado tomando coragem para abrir a boca. Demorou, mas tomei um gole com esforço, me segurando pra não vomitar. Foi tomando os goles com calma para vê se a ânsia passava e aos poucos o meu enjoou foi melhorando.
- Melhorou?! – Alex me perguntou com uma cara de cão arrependido que me faria rir se eu não tivesse acabado de me recuperar de um ataque de ânsia de vomito. Assenti com um leve aceno de cabeça e olhei para o meu prato. Respirei fundo e peguei algo para comer. Coloquei o pedaço de empanado de frango na boca e comecei a mastigar com calma. Alex encheu automaticamente o meu copo novamente.
- Obrigado Alex – Exclamei olhando profundamente para os olhos do garoto; realmente agradecida pela sua atenção e preocupação sincera. Mas ao fitar Alex acabei lembrando-me do corredor e do que ele havia feito naquele dia. Estagnada pelo súbito lampejo da minha memória eu não conseguir para de encara-lo.
- O que foi?! – Ele me perguntou com uma expressão confusa.
- Faz os olhinhos dourados pra mim?! – Eu disse fazendo carinha de bebê manhoso. A expressão que eu sabia que Alex não conseguia rejeitar algo.
- Você ainda não se esqueceu disso?! – Alex perguntou surpreso, e com um sorriso na boca.
Eu balancei a cabeça negativamente e continuei a encara-lo esperando pela mudança nos olhos.
-Mas Nick... – Disse-me meio constrangido.
- Não tem ninguém aqui que possa ver, e eu sou sua amiga, certo?
- Você é Nichole, mas eu... Eu não quero parecer uma aberração! – Ele me respondeu um pouco hesitante. Dei-me conta de que eu não devia te dito aquilo naquele dia. Talvez eu tivesse mexido sem querer em uma ferida dele e para o meu desgosto meu estomago começava a embrulhar de novo.
-Alex, eu posso te assegurar que você não é uma aberração, poxa, VOCÊ É MEU AMIGO! – Disse-lhe olhando fixamente para aqueles olhos tão escuros e hesitantes — Se fazer os olhinhos dourados te fazer sentir uma aberração; como você tanto acredita; não precisa fazer ok?! Deixe pra lá – completei sendo extremamente sincera com ele.
- Não poderia ter melhor amiga do que você! – Ele me disse do nada com um sorriso afável e de repente seus olhos ficaram dourados, porém não me senti bem com aquilo talvez ele estivesse fazendo quilo porque eu havia insistido no assunto.
- Alex já disse que não precisa fazer esses olhos pra mim se não se sentir bem, e outra se fosse tão boa assim não teria te chamado... Chamado... Daquilo lá – Eu rebati um pouco envergonhada e arrependida por ter lembrado daquilo.
- Nick, por favor, esquece aquilo! – Ele exclamou um pouco serio, mas em um tom brando. Os seus olhos voltaram instantaneamente para sua cor comum.
- Mas Alex...
- Nichole, não foi nada demais aquilo, está me entendendo?
- Mas eu não devia ter te chamado de aberração!
- Nick, você não teve a intenção, poxa, entenda isso. Você não disse nada do que eu já não tenha ouvido de outras pessoas.
- Alex! Outras pessoas falando isso, e eu falando é um pouco diferente, já que eu sou sua amiga, eu deveria ter pensado antes de falar.
- Vamos esquecer isso Nichole?! E come logo esta comida, você não esta nem na metade do prato.
Eu balancei a cabeça positivamente, mas ainda estava ressentida pelo o que havia tido para o Alex. Como amiga eu deveria saber que aquele assunto era delicado para ele, mas nem cheguei a pensar no assunto e o pior eu havia feito ele se preocupar comigo. Eu havia dito que ele não merecia minha preocupação, mas era eu que não merecia a sua. Comecei a comer novamente, mas sem vontade. Eu iria acabar tendo ânsia de vomito novamente.
-Pare de se martirizar Nick, pelo amor! – Alex exclamou colocando sua mão delicadamente sobre a minha.
- Eu não devia ter te chamado daquilo – Exclamei com uma voz meio rouca e resentida.
-Nick, pare com isso! Você tem que esquecer isso.
- Nichole eu já disse que aquilo não foi nada e outra você pode pedir pra eu fazer os olhinhos dourados quando você quiser – disse-me em um tom amável e sincero fazendo novamente os seus olhos ficarem dourados e calorosos – Eu não me importo mais – Acrescentou com uma voz meio rouca.
- Serio?! – Exclamei em um tom meio infantil.
- Sério! – Ele disse com um sorriso afável que chegava aos olhos. A voz continuava um pouco rouca. Eu não sabia se aquilo era parte da metamorfose ou porque ele estivesse de certo modo mexido.
— Alex você está bem? – Perguntei-lhe um pouco preocupada.
- Por que a pergunta? – Ele rebateu com o tom confuso de novo.
- Você está meio rouco – Eu respondi deixando explicita a minha preocupação.
- Eu estou bem Nick, não se preocupe comigo se preocupe com você – Ele replicou com o tom brando novamente, mas a voz continuava rouca.
— Mas a sua voz...
Ele me olhou repreensivamente com os seus olhos dourados.
- Nichole eu já disse para a senhorita se preocupar com você; agora come!
- Mas Alex...
- Come! – Ele me ordenou fazendo uma cara autoritária, mas eu sabia que era apenas posse.
Dei uma garfada no meu empanado obediente. Não queria insistir em um assunto bobo, era obvio que Alex estava bem. Quando eu estava mastigando meu empanado junto com uma porção de arroz eu sentir os olhos de Alex sobre mim. Sempre tinha uma sensação estranha quando o garoto estava me observando mesmo quando ele estava longe.
- Nichole – Ele me chamou com a voz rouca.
- O que? – Eu perguntei imediatamente.
-Eu posso? – Perguntou-me apontando para uma vasilha de batata frita em minha bandeja. Arqueei as sobrancelhas com aquele pedido – O cheiro da comida me deu fome – Se explicou com um sorriso constrangido – E além do mais eu disse que te ajudaria a se livrar disso – Ele acrescentou com um tom brincalhão enquanto se apossava das batatas fritas. Eu bati nas mãos dele de brincadeira, como se estivesse impedindo ele de comer, eu dei uma risadinha.
- Quem disse que eu autorizo, tira as patas! – eu disse brincalhona, Alex olha com uma cara de pidão, com aqueles olhinhos dourados piscando pra mim, dá um ganido de brincadeira, me fazendo rir. Alex sorri com a minha risada. Peguei uma batata frita e coloquei na boca dele.
-Devo confessar, estava com saudades dessa risada! – disse Alex bagunçando meu cabelo, resmungo por ele ter deixado a beleza do meu cabelo mais bagunçado.
-E eu estava com saudades do meu cachorrinho – eu disse sorrindo, colocando uma batata frita na minha boca. Alex me olhou com cara de ofendido, eu o olhei não acreditando que ele havia ficado sentido com aquilo arqueei as sobrancelhas.
-Eu já disse que não sou cachorro, nem seu animal de estimação! – disse ele com o rosto carrancudo. ARF!
-É sim! Você é meu melhor amigo! – eu disse em muxoxo.
-Eu sou seu melhor amigo, e não uma aquisição Nichole! – disse ele ainda carrancudo, olhei pra ele mostrando que estava ficando entediada.
-Além de cachorro, é rabugento! – eu disse rindo, fazia tempo que não ria, parecia que estava me deixando mais leve. Alex da uma rosnada de brincadeira. – Olha só ainda rosna; coisa feia!
-Eu também sei morder, quer ver?! – perguntou Alex me desafiando. Eu o olhei com um olhar afiado e disse:
-Quero! – o desafiando. Alex avança em mim, eu dou um gritinho, ele não consegue parar a tempo de não cair sobre a minha cadeira, derrubando nós dois juntos, a cadeira foi com tudo no chão fazendo um estrondo.
-Vocês só caem, ou é impressão minha?! – ouço a voz de Brandon ao fundo, fiquei surpresa, e Alex parecia mais surpreso, estava claro que ele não estava prestando atenção para perceber que Brandon estava se aproximando.
- Brandon?! – exclama Alex confuso.
- Não, você está enganado, é o irmão gêmeo dele! – disse Brandon sinicamente, mostrando um sorriso sarcástico. Eu rio.
- Nossa, que surpresa, não sabia que Brandon tinha irmão gêmeo. – digo rindo, me fazendo de inocente.
Alex resolve levantar e me dá a mão, para que pudesse me puxar, apesar de comer ainda senti uma tontura leve, me sentei para que não pudesse cair.
- O que veio fazer aqui Brandon?! – perguntou Alex curioso.
- Ver se a garota está bem, né Alex?!
- Estou bem Brandon, obrigada! – digo dando um sorriso em agradecimento.
- De nada, mas vê se não se martiriza por um idiota feito o Alex! – disse se referindo a Alex como se o mesmo não estivesse presente, me fazendo rir.
- Pode deixar! Depois dessa vez não pretendo sofrer mais pelo traste do Alex! – eu digo entrando na brincadeira de Brandon, nunca havia falado com ele, mas ele se mostrara uma pessoa muito legal.
- Se os dois não notaram, eu ainda estou presente aqui! – Alex disse meio que ofendido. Eu e Brandon trocamos olhares e começamos a rir.
- Do que estão rindo?! – perguntou Alex carrancudo.
- Para de ser tão mal humorado Alex, sorrir faz bem, sabia?! – disse Brandon provocante.
- Eu não sou mal humorado! – disse Alex mais carrancudo.
- Não pouco! – eu disse sorrindo, fazendo Brandon começar um ataque de risos de novo.
- Vocês adoram tirar sarro da minha cara, né?! – disse Alex fazendo pose.
- Mas é claro, como todo bom amigo! – disse Brandon entre os risos. Brandon estendeu a mão para que eu pudesse bater nela, eu bati, e comecei a rir da cara carrancuda de Alex.
- Vamos Alex, seja menos chato! – eu disse apertando as bochechas de Alex. Eu nunca tinha falado com Brandon, e só uma vez já estava sacaneando demais Alex, estava começando a ficar com dó.
- Pelo visto, acho que você achou outra pessoa para ser seu cachorro! – disse Alex seco, aquilo me surpreendeu, não fazia ideia que Alex iria ficar tão ofendido assim, o olhei incrédula, ele nunca fora assim.
- Au, au! – Brandon fez igual a um cachorro, o que me fez soltar uma risada curta, já que não queria ofender mais ainda Alex, que continuava carrancudo. Brandon percebendo a carranca de Alex disse. – Ah! Não me diga que irá brigar com a garota, só porque ela está se associando a mim! Pelo amor, né Alex!
-Alex, a gente só estava brincando, não precisa ficar com raiva! – eu disse com medo dele resolver parar de falar comigo novamente.
-Ele não está com raiva, está com ciúmes! – Brandon disse um tanto que seco agora, acho que o humor de Alex estava contagiando o pessoal daquele lugar, porque logo depois eu me senti chateada.
-Ciúmes?! Então tá! – eu disse seca, e me levantei rápido demais da cadeira o que fez eu cambalear, e dar uns três passos para trás, quando perdi meu equilíbrio senti duas mão fortes segurando os meus dois braços, olhei quem era, e claro eram Brandon e Alex.
-Eu acho melhor você comer mais! – disse Alex mais calmo, e com a voz preocupada, me segurando, Brandon vendo que Alex já me segurara soltou a mão sabendo que não iria cair.
-Você acha?! – perguntou Brandon um tanto que sarcástico. – É claro que ela tem que comer Alex! Ela ficou três dias sem comer, ou seja, a menina estava a ponto de ficar anoréxica. – Brando exclamou com um quê de irritação.
-Ei! Eu não estou anoréxica! – eu disse na defensiva brincando, para ver se anulava o clima tenso que havia se instalado, o que funcionou porque eu vi os dois revirando os olhos. – Mas é verdade, olha! – disse apertando minha barriga. – Ainda tenho algumas banhas para eliminar!
Não sei se foi o que eu fiz ou o que falei, mas sei que os dois se entreolharam e começaram a rir, eu sorri, estava cansada de clima pesado, eu e Alex havíamos ficado daquele jeito por três dias.
-Banha?! – perguntou Brandon sem fôlego e rindo ainda. – Você chama isso de banha?! Tenha dó! Então a Sra. Tomppson é o que?!
A Sra. Tomppson era uma das bibliotecárias de lá da escola, ela é uma pessoa baixa, gorda, corpo lento, cabelos curtos caramelos, cara redonda, voz fanha, e tem uma verruga na orelha, ela é uma pessoa nova, porém graças à aparência parece ser mais velha.
-Ai você não está falando de banha! – eu disse rindo, ao lembrar-se dela, sempre que ia à biblioteca e ela estava arrumando as prateleiras não conseguia conter o riso, como ela era baixinha tinha certa dificuldade de andar e pegar/arrumar coisas no alto.
-Nick, limpe os cantos da sua boca! – disse Alex sério, pensando que era algo que estava suja, passei apressadamente a mão sobre os cantos, e perguntei se já tinha limpado. – Ainda não, tem muito! – Alex disse com um sorriso, eu arqueei as sobrancelhas, confusa. Como assim, tem muito?! – Está escorrendo muito veneno. – Nós três caímos na risada, eu revirei meus olhos.
-Vai se ferrar Alex! – disse ainda rindo, não acreditava que havia caído naquela idiotice, pelo amor!
-Você não presta mesmo, Nick! – disse Brandon com um tom brincalhão, eu fiz uma carinha de inocente e ingênua.
-Eu?! Nossa! Todos falam que eu sou um anjinho! – eu disse piscando meus olhos rapidamente vários vezes, brincando.
-Todos falam que você é um capetinha, isso sim! – Alex fez questão de me contrariar, o que poderia deixar uma imagem ruim de mim.
-Alex! Não é pra tanto! Vai que o menino pensa que eu sou assim mesmo!
-Mas você é! – disse Alex brincando, pelo jeito ele estava me dando o troco, URGH! Mas eu não era assim, apesar de ter meus momentos de malvadezas eu também tinha meus momentos de normalidade, e doçura. Abri minha boca, mas logo fechei, acho que Brandon não iria ter aquela imagem de mim. EU ACHO! – Relaxa!Brandon não é de ir pela cabeça dos outros, ele irá ver você como ele julgar melhor.
- Pode relaxar Nick! Sei que você é mais legal do que falam. – disse Brandon suavemente, piscando um olho pra mim.
- Obrigada! – eu corei.
- A senhorita para de jogar charme pra cima do Brandon – Exclamou Alex meio rabugento, mas visivelmente interessado em me provocar – e come logo esta comida.
- Eu não estou jogando charme! A não ser que eu tenha um charme natural! – Eu exclamei meio envergonhada.
- E mesmo se ela estivesse não seria da sua conta Alex, eu deixo – Acrescentou Brandon provocativo.
Alex me puxou subitamente para um abraço e encarou Brandon intensamente.
-Você quer tomar o soco, se abusar da minha amiga você vai desejar nunca ter nascido! – Disse Alex em um tom protetor e ameaçador.
- Nossa estou sendo disputada, que emocionante!
Brandon e Alex começaram a rir.
- Não se acha garota – Brandon exclamou em um tom petulante.
- Eu não me acho! – Rebati no ato.
- Ah e você não se acha?! – Exclamou Alex em um tom mais petulante e provocativo.
- Ao contrário de você senhor Wilkinson eu não fico me exibindo.
- Tá me chamando de exibido?! – Ele exclamou arqueando as sobrancelhas.
- Não preciso chamar! – Respondo-lhe no ato.
- Olha só o que dá te dá corda – Ele disse fingindo um tom descontente – garota abusada!
- Ela não é abusada Alex, é realista – Disse Brandon me defendendo e sentando ao nosso lado.
- Você também?! Tenha dó, que amigos eu arrumei – Rebateu Alex fazendo posse.
- Vai se ferrar Alex – Exclamou Brandon puxando a minha bandeja e pegando o recipiente com as batatas fritas.
- O que pensa que esta fazendo? – Alex perguntou cruzando os braços.
- O que você acha que estou fazendo? – Brandon rebateu arqueando uma sobrancelha e enfiando uma mão de batatas fritas na boca. Para a minha surpresa Alex rosnou do nada.
- Essas batatas fritas são da Nichole – Ele disse com um tom repreensivo.
- E daí? Você comprou uma montanha de comida para a garota, umas batatinhas não farão muita falta.
- Para de ser mão de vaca Alex – Eu disse abraçando meu amigo carrancudo.
- Eu não sou mão de vaca – Ele disse com a voz um pouco mimada. Eu rir com aquilo, às vezes meu amigo parecia um cachorrinho de verdade.
- Olha! Eu tenho minhas dúvidas sobre isso! – Disse Brandon provocante com a boca cheia de batatas fritas. Eu rir com aquilo me lembrando dos meus amigos, pois parecia que eu estava com os meninos.
Alex rosnou ignorando-o e retribuiu meu abraço carinhoso com um abraço de urso e começou a acariciar os meus cabelos.
- Vamos terminar com isso? – Ele disse se referindo a comida.
Eu sorrir. Alex apesar de fingir ser uma pessoa dura e fria era um amigo muito carinhoso e cuidadoso, eu adorava aquela praga.
- Vamos! – Exclamei com uma voz mimada.
- Pelo visto eu to sobrando aqui – Disse Brandon com um resmungo.
Eu rir com o comentário do garoto.
- Bobo – Disse largando Alex e bagunçando os cabelos de Brandon. Eu tinha gostado da praga.
Brandon grunhiu satisfatoriamente.
- Acho que eu fiz uma nova amiga – Ele disse com a voz alegre.
- Você acha?! – Exclamei fazendo um tom reprovador.
Brandon riu e começou a bagunçar meus cabelos.
- Vê se não me imita baixinha – Disse-me com um sorriso no rosto.
-Baixinha?! Eu sou maior que a Raísa! – eu disse com o queixo empinado, e fazendo pose, cruzando os braços e fazendo biquinho.
- Se você não fosse maior eu te chamaria de anãzinha! – Brandon provocou fazendo Alex rir, já que aquela praga me achava baixinha também, mas eu tinha mais de 1,60 de altura.
- Eu não sou baixinha, você que é alto! – disse fazendo bico, com expressão de criança.
- Se esse ser é alto eu sou o que?! – Alex perguntou arqueando as sobrancelhas.
- O supercrescido! Vocês comeram muito fermento, eu não tenho culpa se não comi. – eu disse brincando, fazendo Brandon rir.
- Quer parar de fazer onda, e engolir a comida!
- Eu não comi fermento, só se foi o Alex! – provocou Brandon.
-Cala a boca babaca! – Alex esbravejou.
Alex e Brandon começam a discutir, e brigar de brincadeira, dando soquinhos um no outro, quando Alex junto com o Brandon esbarra na mesa, e a quebra derramando toda a comida, eu afastei minha cadeira instantaneamente para trás para não cair nada em mim, mas sem sucesso, haviam caído algumas sujeiras no meu sapato. Alex e Brandon se espatifaram no chão.
- Não é a toa que Mat te chama de selvagem, parece um animal em campo! – eu exclamo enquanto ajudo Alex levantar, apesar de não estar forte o bastante para isso.
- Estou nem ai para o que aquele idiota me chama! – Alex fica carrancudo, pelo fato de nenhum dos dois se darem bem.
- E afinal de conta nós somos selvagens, e com muito orgulho! O que aquele imbecil acha que é?! – Brandon diz entre dentes, Alex o fuzila, eu estou quase perdendo a paciência, os dois discutindo por algo tão fútil, tenha dó!
- Só se for você o selvagem saco de pulgas! – Alex provoca, ele odiava que dissessem que ele era selvagem.
- Está esquecendo que você também é um meio lobo?! – Brando contra-atacou. Eu, a Nickzinha, ficava que nem naqueles filmes em que tinha duas pessoas brigando e a terceira que estava de fora da briga ficava olhado de um para o outro, estava começando a ficar tonta.
- Não é só porque eu sou um meio lobo que vou agir que nem uma besta selvagem! – Alex fez pose.
- Vocês poderiam parar de discutir se são ou não selvagens, e resolverem quem vai pagar a merda da mesa?! – disse entre dentes, nervosa já, eles pareciam duas crianças brigando, só faltavam dizer que a culpa é um do outro.
- Que tal você?! – apesar de perceber a zoação na voz de Alex, eu fiquei mais fula da vida, respirei fundo uma vez.
- Não fui eu que agi que nem um lobisomem bestalhão, e arregaçou com essa merda! – disse me controlando para não quebrar a mesa.
- Mas foi o motivo! – Alex debochou. Estreitei meus olhos pra ele, deixando-os como uma fenda. Não sabia que ele era tão descarado.
- Não pedi para os dois cachorros brigarem entre si! – rebati no ato, mordendo a língua pra não falar besteira.
- Pera ai garota, eu não sou cachorro! Olha o respeito! – disse Brandon, como se estivesse me ameaçando. Mas que droga! Eles estavam realmente me irritando.
- Senão o que?! – contra ataquei.
- Cachorro aqui é o Alex! – Brando me ignorou.
- Vai pro inferno Brandon! – Alex fez carranca mais uma vez. Quem visse de fora iria achar engraçado, três pessoas, uma brigando com a outra, aquilo estava começando a me parecer ridículo.
- Vocês dois vão parar com isso, e pagarem a mesa! – eu disse sem paciência, querendo espancar os dois.
- Calma garota, eu pago essa porcaria sem problema, apesar de que esse ser idiota também tinha que pagar! – Brandon apontou para Alex, eu não estava acreditando, como se não bastasse os dois ficarem brigando entre si, tinham que colocar mesmo a culpa um no outro. Em que mundo nós chegamos?!
- Eu não estou pedindo esmola não almofadinha! – Alex disse com cara feia para Brandon, arregalei meus olhos, quase saindo de lá pisando duro. – Puta que pariu! Eu pago, desgraça!
- CHEGA PELO AMOR DE DEUS! – eu quase berro, os dois me olham assustados com o meu estouro de nervoso, e percebem o meu estado.
- Calma Nichole! – disse Alex colocando a mão em meu ombro, eu tirei a mão dele bruscamente.
- Calma?! CALMA?! – eu exclamei nervosa, entre dentes. – Você quer que eu fique calma?! Pelo amor, vocês dois estão se comportando que nem duas crianças, agora eu vou ter que bancar a mamãe dos dois?!
- Eu acho melhor eu sair! – Brandon tentou fugir, mas Alex o arrastou mais para o meio de nós.
- Ah não é não! Vamos pagar logo isso antes que a Nichole tenha um colapso nervoso! – Alex disse um tanto que zombeteiro.
- Se já não tiver tido um colapso! – Brandon zoa. Eu alterno o olhar entre os dois, e saio pisando duro pelo refeitório. – Nichole, não seja tão sentimental, eu estava só brincando! – a voz de Brandon vai me seguindo, e eu ignoro.
- Nick! – chama Alex, porém não me viro. Estou andando quando sinto um dos dois vindo em minha direção.
- O que vocês dois ainda estão esperando para ir pagar a mesa?! – perguntei hostilmente lançando um olhar nervoso para os dois vândalos.
- Nós vamos pagar, mas você não pode ficar nervosa! Poxa, é besteira se enervar com isso Nick! Ainda mais agora, já que a ajuizada resolveu ficar 3 dias sem comer. – Alex disse calmamente, fazendo eu amolecer um pouco, eu não conseguia, por mais que eu quisesse, ficar com raiva daquele ser.
- Dava para pagar logo a porcaria da mesa e me levar para casa?! – perguntei mais branda e com a paciência um pouco restaurada.
- Você está com raiva de mim Nickzinha?! – Alex pergunta fazendo uma cara de coitado, deixando explicita a preocupação na voz dele.
- Alex, pelo amor de Deus, vai pagar a mesa! – eu disse, não querendo dar o braço a torcer, eu não estava com raiva dele, mas não queria dizer aquilo agora, como Alex dissera alguns dias antes, era raro eu dar o braço a torcer.
- Tá bom! – Alex fez uma cara fofa, que eu fiquei tentada a apertar a face dele, e dar um beijo e também dar um abraço naquele individuo.
- Então já que os dois se entenderam, eu vou indo embora. – disse Brandon na maior cara de pau, pretendendo sair de fininho, porem Alex o puxa antes que ele conseguisse sair.
- Nem pensar seu cretino, nós dois vamos pagar a mesa! – Alex disse.
- Mas você disse que iria pagar uai! – Brandon disse se fazendo de inocente e confuso.
- Cala boca e vamos logo! – Alex exclama sem muita paciência expressando pressa.
- Puta que pariu Alex, você fala uma coisa e faz outra, poxa! – Brando se fez de magoado. Eu estava tentando nem ligar para a brincadeira dos dois. Os dois vão pagar a mesa antes que eu tivesse outro ataque de nervoso. Depois eles voltam, Alex vai me guiando para a saída.
- Brandon você não tem aula?! – perguntei já que ele estava lá com a gente.
- Tenho! – disse ele normalmente.
- Então o que você esta fazendo aqui?!
- Resolvi matar aula! – mas é claro, ele estava matando aula.
- O que seus pais diriam disso garoto? – pergunto meio que acusando ele, arqueando uma sobrancelha.
- Eles estão nem ai pra mim mesmo. – Brandon diz logo em seguida Alex envia um olhar repreendedor. – Ah você sabe que é verdade Alex.
- Brandon você não devia falar assim de seus pais! – eu digo repreendendo Brandon, não gosto que falem desse jeito dos pais.
- Falo deles como eu quero garota! – Brandon disse curto e grosso, meio que ignorante, me olhando com tédio.
- Brandon! – Alex repreende Brandon logo em seguida.
- Desculpa! – Brandon diz meio sem graça.
- Não te desculpo! – digo fazendo pose, olhando de soslaio para ele.
- Nossa Brandon, mau se torna amigo da garota, e já brigam?! – Alex zoa com Brandon, fazendo com que Brandon faça pose também.
- Tanto faz!
A gente vai indo para o carro de Alex, antes que eu entre no carro dou um abraço em Brandon e um beijo demorado em sua bochecha.
- Ou! Ou! Alto lá! Não acham que já estão se tornando íntimos rápido demais?! – Alex nos separa com o braço, tentando manter distancia, mostrando um certo ciúme.
- Ih Alex se fecha! – diz Brandon contornando Alex, e vindo me abraçar. – Se cuida flor, não fique sem comer, e se o Alex fizer algo que te prejudique me avise que eu irei lá correndo bater nele.
- Olha aqui seu saco de pulga... – antes que Alex pudesse dizer algo, eu o abracei dando um beijo na sua bochecha antes.
- Não precisa ficar com ciúmes seu bobo! – eu digo, Alex sempre foi ciumento e super protetor com os amigos.
- Ai Lelex, você fica tão fofo com ciúmes! – Brandon diz com uma voz fina.
- Eu ein! Tá me estranhando?! – Alex pergunta se afastando um pouco de nós dois. Eu começo a rir.
- Até mais Nick, e Alex... – Brandon hesita, e logo completa. – Ah, esqueça! – Brandon diz e vai andando em direção de seu carro.
- Às vezes, o Brandon me assusta! – Alex brinca, fazendo-me rir.
- Vamos, quero descansar um pouco! – eu digo bochechando, e entrando no carro de Alex.
- Você está bem Nick?! – Alex pergunta preocupado, pelo visto minha cara não era uma das melhores.
- Só um pouco cansada! – eu respondo sorrindo para ele.
- Hmmm, eu sou o culpado disso! – Alex faz uma cara fofa enquanto liga o carro. – eu sou um idiota mesmo!
- Por quê?! – pergunto sentindo-me triste por ele dizer aquilo, Alex era um amigo que eu sempre pude contar.
- Nada! – Ele exclama rápido demais, deixando explicito que nada está bem com ele, que ele está se sentindo culpado por tudo.
- Alex, primeiramente a culpa é minha, eu não deveria ter te xingando.
- Nichole?! – Alex me chama.
- O que?!
- Me promete uma coisa?! – ele me pede com um sofrimento no olhar.
- Pode falar!
- Se por acaso você me magoe, e eu começo a te ignorar, não se importe comigo! – Alex me pede fazendo uma cara de pidão. Ele liga a ignição do carro.
- Alex... – começo, mas ele me interrompe.
- Não discuta comigo Nichole, por favor! – a voz de Alex sai com um quê de sofrimento, ele da partida no carro.
- Alex não fique se culpando por tudo! – eu digo com a voz mansa.
- Nichole...
- Olha você é meu amigo, certo?! – eu digo, esperando que ele entenda. Ele acena. – E Alex, você já me salvou de tantas enrascadas eu me meti. Cara, por que você tem que se culpar por tudo?
- Obrigado! – Alex diz suspirando alto e forte.
- Pelo quê?
- Por você sempre ser uma irmã para mim! – diz Alex com a voz rouca.
- Dava para encerrar esse clima de telenovela?! – pergunto brincando, para quebrar um pouco aquele clima tenso. A risada rouca de Alex preenche o pequeno silencio. – Tá rindo do que?!
- De nada Nichole!
- O nada deve ser bem interessante! – digo, ganhando a atenção de Alex.
- Como?! – Alex pergunta confuso.
- É que você sempre diz “nada”! – eu digo em muxoxo.
- Ah bem! E você quer que eu diga o que?! – Alex foi um pouco duro ao dizer aquilo.
- Que você se abrisse mais! – eu digo suspirando, e logo completo a minha fala. – ou que fosse mais sincero.
- Nichole eu sou sincero com você!
- Nem sempre! – eu exclamo com a voz baixa.
- E você é?! – Alex contra-atacou.
- O que você quer insinuar com isso? – perguntei na defensiva.
- Você me contou logo de cara que estava namorando aquele babaca Nichole?! Você me contou quando você estava chateada comigo?!
- Eu não contei pra escola inteira, contei pra minha rodinha do almoço! – Digo-lhe com uma lagrima descendo do meu rosto.
- O que resume: praticamente a escola inteira! A Hillary não segura muita coisa não Nichole!
- Alex eu não sabia é como contar pra você, isso não quer disser que eu nunca seja sincera. – eu me explico, quero que ele entenda o que eu quero dizer.
- Quer sim Nichole e se você não sabe melhores amigos deveriam ser sinceros um para o outro – Alex joga as palavras na minha cara.
- Digo o mesmo para você Alex!
- Você quer que eu seja sincero VOCÊ NÃO CONFIA EM MIM NICHOLE EU NÃO CONFIO EM VC – Ele me replicou com um tom raivoso, azedo, seco e grosso.
- Para o carro! – Exclamo na hora e o garoto olha pra mim como se não tivesse ouvido nada — PARA A PORRA DO CARRO! – Eu repito sendo mais grossa e chorando
- Você vai embora como? – Ele me pergunta em um tom monótono. Os olhos de Alex não expressavam nenhuma emoção.
- Não te interessa – Replico grossamente. Ele não tinha direito de exigir nenhuma espécie de satisfação sobre mim.
- ótimo – Ele disse com um tom sem vida e os olhos enevoados parando o caro.
Eu não sei que tipo de reação eu esperava daquele garoto, mas eu fiquei muito chateada com aquilo então sai do carro batendo a porta com tudo — NUNCA MAIS FALE COMIGO ALEX! SE NÃO CONFIA EM MIM NÃO PRECISA DA MINHA AMIZADE!
Quando eu dou alguns passos para longe do carro eu ouço a voz meio rouca do garoto — NICHOLE ESPERA
Eu já estava ligando para o Bryan quando Alex agarra o celular com força da minha mão.
Eu me viro, contudo e o encaro, pra minha surpresa os olhos de Alex pareciam mais vivos e desesperados.
— Me desculpa! Eu não sei por que disse aquilo – Me diz com uma voz doce.
- Me entrega essa porra – Digo-lhe grossamente.
- Nichole eu não sei por que disse aquilo – Replicou com uma voz embargada.
- não me interessa
— Nichole eu sou seu amigo
- Não é não!
- Sou sim! – Ele disse um pouco incomodado, aflito, angustiado.
- se fosse meu amigo você confiaria em mim. – cuspi as palavras rudemente, não acreditava ainda que Alex havia falado aquilo para mim.
- Mas eu confio em você – Ele me diz meio perdido. Eu não sei o que estava dando naquele imbecil, ele havia acabado de dizer que não confiava em mim.
- Me deixa Alex e alias isso não foi o que você me disse agora a pouco
- Eu já disse que não sei por que disse aquilo – Alex parecia muito aflito, porém eu ignorei.
- Porque você não confia em mim!
- Nichole, eu sinceramente não queria dizer aquilo, foi como se eu não estivesse presente.
- Conta outra Alex, eu não sou trouxa.
- Ta vendo, você não confia em mim.
— será que é porque você acabou de ser sincero comigo de uma forma grosseira?
— Nichole, caralho eu já disse que... Ah esquece – Ele me diz me dando as costas e saindo cabisbaixo.
- Você está esquecendo de devolver o celular! – Digo seca e quando o garoto se vira pra me entregar o celular de uma hora pra outra ele cai de joelhos no chão com um urro de dor que me assusta. Eu corro em direção ao garoto que estava se contorcendo de dor e urrando que nem um louco.
- Alex – Exclamo preocupada me abaixando e segurando o ombro do garoto.
- Eu não... Eu não... – Ele exclamava incoerentemente e de uma hora pra outra começou a rosnar do nada. Eu me afasto um pouco assustada, mas quando o vejo gemendo me aproximo novamente. Alex parecia lutar contra ele mesmo, pois começou a se debater no chão como um louco.
- Alex – Exclamo com a voz embargada e segurando ele com força para que parasse de se debater.
Alex pareceu se normalizar e me encarou com o olhar meio perturbado – Nichole – exclamou exausto.
- Alex o que foi isso? – Pergunto exasperada.
Ele me olha com uma tristeza tremenda.
- Eu... Ai – Ele disse gemendo, fechando os olhos com a dor e tremendo no meu colo.
Eu não sabia o que fazer naquela situação. Estava ficando fora de controle.
- Alex me desculpa — eu digo acariciando os cabelos negros do garoto sem saber o que realmente dizer – Eu acredito em você – disse beijando a testa dele. Acariciei mais seus cabelos, estava começando a ficar muito preocupada com o meu amigo, ele não parava de gritar de dor, e tremia sem parar.
- Sai daqui Nichole! – disse Alex com dificuldade.
- Está doido?! Não vou deixar você aqui sentindo dor, e tremendo no meio da rua. – eu o olhei incrédula.
- Merda Nichole, você não está vendo como eu estou? – Alex pergunta e começa a rosnar do nada, eu somente fico ali desesperada, sem saber o que esta acontecendo.
- Alex, você consegue se controla perfeitamente! Fica calmo! – eu digo choramingado.
- Mas isso é diferente Nichole! – ele fala entre rosnados e gemidos de dor.
- Diferente como?! – perguntei preocupada com o meu amigo.
- Não sei também, mas que droga! – Alex gritou, com um rosnado preso na sua garganta. Passei a mão no rosto de Alex, fazendo carinho nele, para ver se conseguia acalma-lo. Alex me olhou, e segurou minha mão, instantaneamente ele arreganha os dentes, como em um momento de loucura que eu não consegui processar, logo após o Alex soltou minha mão bruscamente. Alex rola do meu colo e fica agachado e rosnando com o seu rosto escondido. Fiquei preocupada, estava começando a ficar com medo.
- Alex! Acalma-se, por favor! – eu comece meio que chorar. Não aguento mais ver meu amigo daquele jeito. Alex se acalmar me olha com os olhos cansados. Pega minha mão novamente.
- Ni... Chole! – Alex me chamou com dificuldade. Eu o abraço apertado, com carinho enorme. – obrigado! – Alex agradeceu, retribuindo o abraço.
- Você me assustou! – eu disse sorrindo.
- Desculpe, eu não queria te assustar! – Alex diz, levantando, e me guiando até o carro.
Não sei se Alex está em boas condições para dirigir o carro, mas sei que de nada adiantaria discutir com ele naquele momento.
- Toma seu celular! – Alex me deu o celular, tinha umas cinco ligações não atendidas de Bryan.
- Nossa! – exclamo.
- O que foi?! – Alex pergunta.
- Bryan ta tentando falar comigo! – eu digo ligando de volta para ele.
- Ah manda esse seu namorado de merda ir pro inferno! – Alex exclama. Mais um que ele odeia, meu namorado, ele não vai com a cara de Bryan, que de vez em quando provocava Alex.
- Alex! – o repreendi, iria falar mais alguma coisa, mas meu namorado atendeu o celular.
- Nick, você me ligou, só que quando atendi desligou logo! Fiquei preocupado, comecei a te ligar e nada de você me atender amor, o que aconteceu?! – Bryan parecia preocupado.
- Nada demais, eu só liguei por engano! – menti, olhando para Alex que revirava os olhos. Alex sempre me falara que Bryan não presta, que Bryan é um galinha. – Amor vou desligar, mais tarde a gente se fala.
Desliguei o celular e ouvi Alex bufando. Somente ignorei olhando para as arvores que iam passando conforme o carro se movimentava.
Quando chegamos a minha casa Alex me levou até a porta, como um belo cavaleiro. Antes dele ir embora, o beijo no rosto dele.
- Eu não consigo ficar com raiva de você mesmo! – digo sorrindo para Alex.
- Você é minha melhor amiga, não esperava menos! – Alex diz me puxando para um abraço apertado, que retribuo com carinho.
Nos despedimos e Alex foi embora, enquanto eu fiquei em casa deitada no sofá descansando, passei meu dia assim calmo, e pensativa.
Notas finais
boom, espero que tenham gostado dos personagens novos *--*
pedimos desculpas por qualquer erro de ortografia.
e estaremos esperando ansiosamente pelo review de cada um.
até mais leitores lindooos.
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