Lua de Sangue - Livro I
2 Alyson
Notas iniciais
Alyson
- Fala sério — Exclamou o garoto ao meu lado com a voz tensa e visivelmente chateada. Michel O'connell era definitivamente meu melhor amigo desde que me conheço por gente. Quando mudei para Boston ele foi a primeira pessoa com quem me enturmei. Foi praticamente um milagre eu ter ganhado um irmão gentil, engraçado e extrovertido como o Danyel e ao mesmo tempo encontrado um amigo leal, atencioso e companheiro como o Mik. Os dois eram praticamente dois tesouros valiosos: haviam me ajudado a viver na pior fase da minha vida. Realmente sentiria falta daquele loirinho de cabelos curtos, malhado com um metro e noventa de altura e olhos azuis que não saia da minha casa.
- Mas eu estou falando sério Mike, acha que eu brincaria com uma coisa dessas? – repliquei com seriedade olhando para a face carrancuda de Michel que era uma graçinha quando ficava emburrada.
- Por que não me contou? – Ele rebateu com um tom inconformado como se tivesse lhe apunhalado pelas costas, mas o garoto teria que compreender. No dia eu também tinha sido pega de surpresa e totalmente desprevenida, não estava nem um pouco animada com a mudança e menos ainda em ter que deixar os meus amigos.
- Mike, mas eu estou lhe contando, agora, por favor, não faça me sentir mais pra baixo do que estou — Repliquei após chegar ao meu escaninho e me virei bruscamente para poder visualizar os seus olhos. Podia-se nota naquele espelho azul celeste que todo aquele aborrecimento não era porque estivesse realmente chateado ou decepcionado comigo e sim por não havia lhe contado aquilo com antecedência sendo ele a pessoa a quem eu confidenciava todos os meus segredos e temores – compreenda.
- Compreender o que Ally? Eu sou seu melhor amigo poxa, poderia ter me contado isso antes — Mike exclamou com o semblante cansado encostando pesadamente na porta de seu escaninho que ficava ao lado do meu.
- Eu sei, mas eu não estava com clima pra isso, me desculpa!
Ele suspirou.
- E os outros? Já sabem?
- Ainda não, não contei pra eles, por favor, deixa que eu conte tudo bem?
- Tá, afinal é você que esta nos abandonando mesmo.
- Ah para com isso Mike, pelo amor de Deus, eu não to abandonando ninguém.
- Eu sei, mas é isso que eu sinto.
- Você é muito melodramático garoto.
- Olha quem fala – ele replicou me enviando o seu meio sorriso que eu adorava tanto.
— Então vai continuar com o show ou vai me ajudar a programa a despedida? – Perguntei com um tom mais animado apenas para levantar o astral do garoto que parecia realmente arrasado, mas com motivo, éramos praticamente irmãos. Mike e eu não nos desgrudávamos um do outro desde o dia em que nos conhecemos e andávamos sempre juntos como um casal por isso nossos amigos costumava fazer piadinhas a nosso respeito. Eles viviam fazendo comentários idiotas sobre o nosso relacionamento, mas não passávamos de amigos, porém às vezes eu achava que Michel gostava um pouquinho demais daqueles mexericos.
- Hum... Se você me pedir com jeitinho... Acho que eu abro uma concessão – disse-me com um tom brincarão.
- Sabe acho que eu mudei de ideia
Ele riu. Como era bom ouvir aquela risada. Eu adorava guando aquele garoto sorria.
- Vai me ajuda ou não com a festa? – Perguntei com um tom mais serio. Seria nossa ultima semana juntos e não queria dispensar a presença dele.
- Você sabe que não consigo te dizer um não.
Eu tinha que admitir: também não sabia dizer não para ele, qualquer coisa que aquele garoto me pedisse eu estaria aberta a fazer, claro que se me pedisse pra pular de um penhasco com ele, eu não faria isso, eu o faria mudar de ideia no ultimo instante.
-E você também sabe que eu não sei falar não pra você, meu loirinho — Eu disse afagando carinhosamente suas mechas douradas. Sentiria saudades de tudo nele, principalmente de passar a mão naquele cabelo louro tão macio.
- Então fica aqui em Boston comigo? – Ele perguntou com ternura e olhando intensamente em meus olhos. Aquelas palavras me pegaram em cheio, nunca havia me dito algo daquela maneira.
- Se isso dependesse só de mim com certeza ficaria com você, nunca iria sair desse lugar- eu disse com vontade de chorar. Mike era um amigo perfeito, sempre que eu ficava brava com ele arranjava um jeito pra me fazer esquecer que tinha feito algo para eu ficar chateada, sempre inventava algo para perdoa-lo, pegava o que estava comendo e fazia gracinhas, ou então fazia cócegas em mim. Não sei como viveria sem Mike, sempre me ajudando a rir nos momentos de TPM, na verdade ele era o único que conseguia essa façanha. Era a única pessoa que sempre sabia o que tinha de errado comigo, quando e por quanto tempo deveria me deixar sozinha, ele era o meu verdadeiro porto seguro.
- Você realmente ficaria comigo? – Ele perguntou novamente, mas com a voz mais suave, mas com um que de alguma coisa que me deixou confusa.
- Mike você sabe que eu ficaria.
- Então se eu pedisse para seus pais para você ficar comigo você ficaria?
-Se tudo fosse tão simples como eu gostaria que fosse! — lamentei me imaginado morando sozinha com Mike em seu apartamento, aquilo não iria prestar! Meus tios nunca aprovariam uma coisa dessas, mas se fosse morar com uma amiga Chris até abriria a mão, mas como era um garoto nem se ela implorasse de joelhos, subisse o monte Everest pelada ou ameaçasse se jogar de dentro de um avião.
- Ally eu realmente quero que você fique aqui em Boston comigo!
- Você não sabe o quanto desejo isso, mas não posso, os meus tios nunca me deixariam morar contigo.
- Eles não aceitariam nem se eu ameaçasse me jogar de uma ponte por você? — Ele me perguntou esperançoso enquanto eu pegava calmamente as coisas que eu necessitava para as aulas de álgebra.
- Mesmo você fazendo isso eles não vão deixar! E se você estiver mesmo decidido a fazer eu faço você mudar de ideia na hora!- eu digo rindo, ao imaginar a cena do Mike ameaçando se jogar de uma ponte por minha causa, e meus tios não dando muita importância. — Eu até acho que eles iriam te internar no hospício — Completei fechando meu escaninho e olhando diretamente para o rosto de Mike novamente — Mike, por favor, pare com isto, não torne isso mais difícil pra mim do que já está você não é uma criança carente, você tem uma porção de amigas além de mim.
- Não tenho amigas iguais a você – Ele rebateu na hora com um olhar desconsolado.
- Fala sério Mike! Depois de algumas semanas você nem sentira tanta a minha falta
- Ah tá, então você esta dizendo que eu não sou um bom amigo que vai sentir saudades?! -perguntou ele parecendo ofendido.
- Não, não me interprete mal, por favor, o que eu quis dizer foi... Foi... Foi que... Ai Mike me desculpa, eu não quis te ofender. – Tentei me explicar imediatamente me sentindo realmente culpada por ter de alguma forma o magoado.
- Hum... Eu não sei se te desculpo – Respondeu com certa frieza o que me deixou com o coração apertado como se o mundo fosse acabar a qualquer momento.
-Por favor, eu não tive a intenção de te ofender, eu sei que você é um bom amigo, e te admiro muito Mike, não queria que você me levasse a mal.
Ele de repente sorriu com um calor fraterno.
- Alyson eu não consigo me chatear com você! – disse com amabilidade.
Eu não aguentei! Eu quase tinha surtado achando que tinha realmente o ofendido e o sem vergonha estava apenas brincando comigo. Então irritada eu sentei meus livros com força em seu ombro e me dirigir para a sala do Sr. Barney.
- Por que você fez isso? – Perguntou me seguindo.
- Para você parar de ser idiota.
- Tá me confundido com o Dany?
- Não, mas você foi tão babaca quanto ele.
- O que eu fiz?
- Nada Mike só me fez ficar preocupada a toa só isso.
- Ally você não vai fica irritada comigo agora né?
- Por que eu não ficaria?
- Porque essa é a nossa ultima semana juntos e eu não quero que você vá embora com raiva de mim.
-Bom argumento, mas não é tão fácil eu desculpar algo tão idiota! — Eu digo dando o troco nele, eu não estou com tanta raiva pra não desculpa-lo na verdade eu já havia desculpado, mas queria que o bobo sentisse o gosto do próprio veneno.
- Ah não me venha com essa! Você não tá com tanta raiva de mim! Esta? – ele exclamou com um vinco de preocupação em sua voz.
-Estou! E ai o que você vai fazer quanto a isso? Já que você não quer que eu vá embora vai ter que me fazer algo para eu não partir com raiva de você. — Disse-lhe com frieza me fingindo realmente zangada com ele.
- Eu estava pensando em te dá isso mais tarde, mas pela circunstancias acho que vou ter que te dá agora.
- Você comprou um presente pra mim? – indaguei curiosa e um tanto surpresa. O que ele havia comprado? Perguntava-me mentalmente.
- Sabe é que eu estava pensando em seu aniversario... Ai eu vir isso em uma joalheria duas semanas atrás e quando estava vindo para cá... Olha... Eu... Eu... Eu não sabia que você ia embora... Mas... Tive que comprar – Respondeu-me meio desajeitado retirando uma caixinha aveludada negra do bolso da sua da sua jaqueta – Espero que goste! – Disse abrindo-a na minha frente e eu não acreditei no que estava vendo. Meus olhos brilharam de alegria e emoção.
- Michel – Exclamei emocionada parando estarrecida na porta da sala de matemática enquanto observa a pulseira de prata que ele havia recém adquirido aquela manhã. Fiquei sem graça e me sentindo culpada por ter brincado com ele, não deveria ter feito aquilo, ele estava guardando aquilo pra me dar talvez na despedida. E sem dizer o quanto ele ralou pra conseguir aquilo, não deveria ter sido barato tal coisa.
- Você gostou? – Perguntou-me com o tom de voz preocupado como se tivesse medo de que eu recusasse aquele presente.
- Mike eu não gostei – Disse com a voz embargada, ele ficou triste por alguns segundos, mas então eu acrescentei – Eu amei— e Mike me abriu um sorriso caloroso.
- Então estou desculpado? – Ele me interrogou sorrindo.
- Ai Mike — Exclamei com a voz meio rouca me segurando para não chorar. Se não estivesse carregando os meus livros eu teria me jogado no pescoço daquele garoto e lhe enchido de beijos.
- O que foi? – perguntou-me com um tom fraternal fechando a caixinha em suas mãos.
- Eu não estava com raiva de você – disse-lhe me sentindo um tanto culpada por fazê-lo se sentir mal sem que eu estivesse realmente chateada com ele.
- Eu sei – Exclamou me enviando um sorriso maroto que acalmou rapidamente os meus batimentos cardíacos.
- Mas você parecia tão preocupado.
- Ally eu sei guando você estar ou não estar com raiva de mim.
- Então por que ficou nervoso?
- Por que eu...
- Senhorita Redfield – Exclamou o Sr. Barney estacionado ao nosso lado – a senhora poderia dá espaço para eu entrar e achar outro lugar para namorar?
Mike guardou rapidamente a caixinha aveludada no bolso de sua jaqueta.
- Desculpe-me Sr. Barney – disse-lhe meio encabulada.
O professor olhou rispidamente para mim e em seguida se dirigiu para Mike.
- E o Senhor O'connell não deveria estar indo para o ginásio nete exato momento?
- Hãn... Sim.
- Então o que faz aqui?
- Nada senhor — Mike respondeu-lhe com naturalidade e em seguida me enviou um sorriso afetuoso — Até mais Alyson — despediu-se e seguiu pelo corredor em direção ao ginásio.
- A senhorita não vai entrar? – perguntou-me o professor com um tom mais ríspido.
- Ah claro senhor – Respondi meio desajeitada e entrei rapidamente na sala com meus colegas controlando-se para não caírem no riso. Sentei rapidamente ao lado de Louise, prima do Mike que me enviou um olhar malicioso e indagador, provavelmente me exigiria explicações para aquela seninha na porta.
- Por favor, abram seus livros na pagina 245. – Exclamou o professor enquanto colocava o seu material sobre a mesa e pegava um giz – Espaços Vetoriais.
Então eu ouvir o barulho de livros sendo aberto sobre a mesa e paginas sendo viradas. Peguei meu livro de álgebra e abrir na pagina 245 e Louise fazia a mesma coisa ao meu lado. Também abrir meu caderno de anotações porque o Sr. Barney era enjoado pra caralho e suas avaliações eram o cão chupando manga por isso eu nunca me esquecia de tomar notas em suas aulas. No final de suas aulas o demônio como a maioria dos alunos o apelidará sempre passava uma lista de exercícios sobre a matéria dada além olhar nosso ressumo teórico e simplificado do que havia dito em sala. Apesar de ser uma negação em matemática e em tudo que se relacionasse á matérias exatas nunca havia tirado uma nota que não fosse um B — ou C+ em toda a minha existência.
Enquanto eu ficava anotando cada ponto importante que aquele homem falava minha amiga não parava de me importunar. O pior de tudo é que o Sr. Barney ficava me enviando um olhar irritado e amedrontador a cada noventa segundos e eu tinha certeza que aquele cara não iria pegar leve comigo mesmo sabendo que aquela era minha ultima semana de aulas.
- Não brinca! Que fofo! – Ela exclamou hesitada quando contei que Mike havia comprado uma pulseira de prata para mim – Ele te pediu em namoro? – perguntou em seguida.
- Claro que não Louise, nós somos amigos.
- E daí?
- E daí? O que sentimos um pelo outro não passa de amizade.
- Ah fala serio Ally, só você não ver que Mike gosta um pouquinho mais de você.
- Isso é coisa da sua cabeça, sinceramente da onde você tirou que Mike gosta de mim dessa maneira?
- Hã... Deixa-me ver, da cara de cachorro sem dono que ele faz guando você fica magoada com ele, dos olhares calorosos que ele te envia, das coisas que ele te diz, dos presentes que ele te dá, quer que eu acrescente mais alguma coisa?
- Ah Pelo amor de Deus, ele é meu melhor amigo.
- E melhores amigos não podem acabar se apaixonando um pelo outro?
- E quem disse que eu estou apaixonada pelo Mike?
- Eu não disse nada – ela exclamou com um sorriso travesso.
Suspirei pesadamente. Louise e eu havíamos nos tornado amigas por causa de Mike e desde o primeiro dia em que ela me viu com seu priminho querido vinha tentando me casar com ele, mas apesar de detestar seus comentários maldosos gostava daquela garota porque vivia quebrando o meu galho quando eu realmente precisava principalmente quando o assunto se relacionava a uma pessoa cujo nome começava com “M” e sempre dava um jeito de me ajudar com essa pessoa quando ela não queria falar comigo. O que não gostava de admitir é que sentiria falta da pessoinha e de seus comentários maliciosos sobre a minha pessoa e seu primo gostoso. Tá eu tinha que confessar: Michel era um lindo e me arrancava alguns suspiros, mas aquilo era normal afinal não tinha como eu não admirar seus músculos sarados principalmente quando ele mergulhava naquela piscina só de touca e de sunguinha.
- Arf agora você deu para imitar o Dany? – Bufei meio irritada lembrando rapidamente de que aquela fala era típica do meu primo irritante, Danyel. Provavelmente a criatura já devia ter contado para seus amigos que se mudaria para outra cidade do outro lado do país e eu ainda nem havia aberto a boca para dizer sequer uma palavra para os meus sobre o assunto. A mudança para mim era mais indesejável do que para o garoto que tinha aprendido a chamar de irmão. A princípio Dany também odiara a ideia e a havia recebido da mesma forma que eu, como uma bomba, mas havia se conformado rapidamente. Mas para mim era diferente, pois Whinderfield não era apenas uma cidade, não era um lugar como qualquer um nos quarenta e oito estados e também não era apenas uma comunidade pacifica no meio da Califórnia, era a terra que encerrava minhas memórias mais sombrias. Em seus vales verdejantes só haviam ficado a dor e a tristeza.
- Arf não me compara com aquele moleque – Louise exclamou visivelmente ofendida. Se eu não estivesse com um peso em minhas costas provavelmente iria rir naquele momento. A minha amiga era caidinha pelo meu primo, mas ele nem lhe dava bola o que acabou transformando aquela atração em uma bela obseção mesmo que fingisse certo desprezo pelo garoto Louise não conseguia disfarça seu desejo pelo garoto. No fundo eu não sabia o que havia de errado com Dany, sempre que lhe perguntava se já havia gostado de uma garota sempre me respondia a mesma coisa, não. Houve uma época em que eu havia até suposto que o meu primo era gay, mas nem cheguei a contar isto para o rapaz ou ficaria muito nervoso só por eu ter pensado em tal coisa. Um dia perguntei se sentia alguma coisa por Louise e Danyel havia me dito que ela era bonita, mas sentia apenas nada além de atração física pelas garotas da nossa escola e nunca havia pegado nenhuma delas, então quis saber o porquê e ele apenas me respondeu, porque ainda não encontrei a pessoa certa.
Quando o sinal toucou eu havia praticamente escrito uma tese no meu caderno de anotações e o Sr. Barney pediu para que antes que saíssemos passássemos em sua mesa e lhe mostrasse o que cada um de nós havia anotado sobre a aula. A cada pessoa que saia de sua mesa ele entregava uma folha impressa com apenas 24 exercícios relacionados à matéria. Ao chegar à mesa me olhou meio irritado, mas depois que começou a ler as minhas notas ficou satisfeito e me entregou a tarefa, contudo minha amiga não teve a mesma sorte e o carrasco exigiu além das resoluções um trabalho detalhado sobre espaço vetorial totalmente baseada no que ele havia dito em sala.
Saindo da sala Louise ainda ficou me enchendo a paciência sobre as possibilidades amorosas de um relacionamento com Mike e depois mudou de assunto ao notar que estava ficando meio aborrecida com aquele falatório. Perguntou-me o que havia conversado com seu primo. No momento me deu um nó na garganta. Eu não havia lhe dito sobre o que Mike e eu havíamos discutido no corredor e na sala de aula quando ela me perguntou fiquei na evasiva. Enquanto nos dirigíamos para a aula de inglês eu lhe contei sobre a mudança. Ela recebeu a noticia em silencio, mas dava para perceber pela expressão em seu rosto que a tristeza dava lugar a animação.
- E nos conta isto só agora? – Ela fez a mesma pergunta que o Mike com uma única diferença ela disse nós o que deixava explicito que se referia a todos os meus amigos.
- Eu não estava com cabeça para isso Louise e, por favor, não me faça sentir uma degenerada.
- Isso não é justo.
- Eu sei, mas não posso fazer nada.
- Você poderia ficar lá em casa – Louise sugeriu com brilho nos olhos.
Olhei para Louise um pouco incrédula, um pouco impressionada. Sabia que a mãe de minha amiga trabalhava arduamente para garantir o futuro dos filhos. A Srª Finnegan havia se divorciado do marido e arcado com todas as despesas da família incluindo a casa e o colégio em que Louise estudava.
- Louise você percebeu o que acabou de disse?
- Percebi e daí?
- E daí? Você não tem dó de sua mãe não?
- Ah fala sério Alyson! Onde cabem cinco cabem seis!
- Eu não quero ser um estorvo para sua mãe.
- Você é minha amiga e ela te adora, nunca seria um estorvo.
- Eu não sei e afinal as coisas já foram decididas, esta é minha ultima semana em Boston.
- Por favor, Ally, me diz que isso não é verdade — Disse-me com a voz um pouco chorosa. Minha amiga podia ser extrovertida, mas era uma manteiga derretida.
- Bem que eu queria – Exclamei sem um pouco de emoção. Minha vida se resumia aos meus amigos e sem eles eu era um nada, um vazio.
- Eu não sei como vou viver sem você – Ela exclamou fazendo uma cara de choro que me deu vontade de rir. A família de Mike tinha um talento natural para o melodrama.
- Desse jeito eu vou achar que você é lésbica.
- Eu hein?! Deus me livre!
- Hum... Eu ainda tenho minhas dúvidas. – Provoquei de brincadeira.
- Você esta duvidando da minha heterossexualidade?
- Eu estou e daí?
- Quer que eu prove que eu sou mulher?
- Quero!
- Eu beijo o Dany se você quiser – Disse-me com uma voz assanhada.
- Eu só não sei se ele te quer.
- Ele não sabe o que esta perdendo. – Ela disse jogando os cabelos para o lado. E eu não aguentei tive que rir e quando me dei conta à garota também ria comigo.
- Posso saber do que as duas estão rindo? – Perguntou-me Danyel que se dirigia para uma sala de aula próxima da minha.
- Nossa Dany, você nos assustou. – Exclamei um pouco sobressaltada. Meu primo tinha o mau costume de surgir do nada por isso quando era mais nova eu o apelidei de mestre dos magos.
- Desculpa maninha – Dany disse me abraçando com o braço esquerdo e beijando o meu rosto enquanto andávamos – Você sabe que essa não foi minha intenção.
- Não sei o porquê, mas não acredito nisso – disse-lhe retribuindo o beijo.
Dany riu e ainda com o braço esquerdo bagunçou o meu cabelo.
- Então não vão me disser do que estavam rindo?
- Não é do seu interesse priminho – Eu disse de nariz empenado e ele me apertou contra seu corpo me aninhando em seu peito. Às vezes me perguntava de onde ele tirava tanta força, o rapaz só tinha dezesseis anos e era um gorila em forma de gente, bem que um gorila fofo e bonito.
- O que não é do meu interesse priminha?
- Urg – Louise bufou ao nosso lado.
- O que foi Louise? – Dany perguntou com uma sobrancelha arqueada.
- Vocês não podiam parar com a agarração?
- Como? – Perguntei um pouco confusa e Dany deu de ombros
- Vocês dois só vivem se agarrando, cruzes.
- Liga não Ally ela só tá com inveja.
- Ah se toca garoto – Louise rebateu virando a cara.
- Inveja do que Danyel? – perguntei ao meu primo rispidamente e em seguida me virei para a minha amiga — E Louise a gente não vive se agarrando.
- Ah tá! E vocês chamam isso que estão fazendo de que?
- Nada haver – Respondeu-lhe Danyel ao meu lado para a minha total descrença – Somos praticamente irmãos.
- Ah fala sério! Vocês nunca se...
- Nunca — Eu a interrompi antes que completasse aquela frase.
- Vocês não querem que eu acredite nisso né?
- Você que acredite no que te dê na telha – Danyel exclamou friamente e beijou minha cabeça com ternura – Tchau Ally – despediu-se e entrou em uma sala ao lado com outros garotos.
Dany havia deixado uma Louise de boca aberta e indignada com o que disse ao meu lado.
-Ele deveria aprender a ser mais legal com as pessoas!- disse Louise.
-Ele é legal com as pessoas Louise. Você que deveria aprender não pisar no calo do Dany – Eu lhe disse calmamente defendendo meu primo.
-Eu estava só brincando!- replicou Louise orgulhosa e um tanto mentirosa para o meu gosto. Ela estava levando muito a sério o que dizia antes.
-Então meça as suas brincadeiras, e tenha limites. – Rebati no ímpeto, resolvi não a desmentir, já que não adiantaria nada.
Ela olhou para mim um pouco indignada.
- Você sabe muito bem que estou com a razão. – Disse-lhe simplesmente e seguir em direção à sala oposta ao do meu primo.
- Tá bom! Desculpa-me – Ela exclamou ao meu lado ainda irritada – Mas eu não posso mudar o jeito que sou Ally!
- Eu não estou pedindo para você muda nada Louise, você é uma amiga maravilhosa, mas precisa aprender a maneirar um pouco ou acaba ofendendo os amigos de quem tanto gosta.
- Arf eu sei disso, mas seu primo me deixa louca – Ela confessou com um suspiro exasperado que não era nada incomum dela.
- Me conta algo que eu não sei – Eu disse-lhe sorrindo. Todos naquela escola sabiam que ela era doidinha, doidinha pelo meu primo gostoso e extrovertido que vivia dispensando à coitada. Às vezes me perguntava se Dany não fazia aquilo de propósito ou porque realmente não se interessava por ela.
- Então vamos muda de assunto? – Exclamou guando entravamos na sala junto com o restante da turma.
Dei de ombros e disse:
- Claro! O que a gente vai fazer na minha despedida?! — perguntei já sabendo a resposta.
-Uma festa de arromba! O que você acha?!—ela sugeriu com entusiasmo, mas o motivo da festa não animava nenhuma de nós duas.
-Seria ótimo e gostaria que vocês me ajudassem a organizar tudo direitinho, topa?!
-Mas é claro! – disse ela me dando um sorriso e um soco leve no meu ombro.
- Mas você sabe das consequências? ? – Exclamei sentando na primeira fila de mesas.
- Que consequências? – Perguntou-me sentando ao meu lado.
— Você vai ter que atura o Danyel o dia todo.
- Ah qualquer coisa eu afogo seu irmão na piscina.
- Não me diga que você é uma assassina?!
- Não me diga que você não sabia? Sou uma psicopata.
- Como você me esconde uma coisa dessas?! Se você tentar fazer alguma coisa com meu primo, quem vai ser a psicopata aqui sou eu!
- Ah tá! Você que disser se eu não te matasse primeiro?!
- Que tipo de amiga você é?!
- Do tipo que não tolera priminhos irritantes!
- O Danyel não é irritante... Bom... não muito! – Exclamei com irreverência e logo depois nós duas caímos no riso.
A Srtª Lockwood, nossa professora de inglês entrou na sala e paramos de rir instantaneamente, pois sabíamos que ela não tolerava conversas fora de hora apesar de ser uma pessoa legal e carismática fora de sala.
- Bom dia turma! – Ela anunciou enquanto sentava em sua mesa – Hoje vamos começar a trabalhar o romantismo no século XiX, espero que vocês já tenham lido o morro dos ventos uivantes!
Alguns alunos gemeram de desgostos principalmente os garotos que não eram chegados ao gênero, mas a Srtª Lockwood fingiu não se aperceber da reação em cadeia e continuou seu anuncio tão motivador.
- Mas para os caros senhores e senhoras que não leram vão ter a felicidade de ver a obra ao vivo e em cores.
Henry, um dos meus colegas ao lado chegou à bufa de tão animado.
- Arf acho que eu vou dormir! — Exclamou Louise ao meu lado quando a Srª Lockwood desligou as luzes e ligou o aparelho de Data Show e colocou o filme para passar em seu notebook.
-Ai você dorme na prova também!
Dessa vez foi Louise que bufou ao meu lado.
- Por favor, não me diga que você gosta dessas coisas?!
-Não sei o que vocês veem de tão entediante nessa matéria!
- A gente vê tudo de entediante, nós não somos um bando de lesados que fica procurando coisas onde não tem!
- Você tá me chamando de lesada?
- Se carapuça serviu! — sussurrou Louise. A Srtª Lockwood virou-se para gente e fez cara feia.
- Vou fingir que não ouvi isso! — Exclamei virando a cara, pois queria prestar atenção no filme, afinal eu estava pressentindo um relatório vindo com o pacote.
- Dava para me deixar ver o filme?! Eu não quero tirar nota baixa. — Disse-lhe quando terminavam de passar os creditos iniciais.
- Ah me poupe Ally! Você já leu esse livro o que? Umas mil vezes?
- Pelo amor de Deus Louise, eu quero ver o filme, é um clássico de 1992!
- Arf menina! Vai beijar na boca!
- Tá me chamando de BV?
- Não! Só to dizendo pra você beijar mais, e sair dos livros!
- Sabe vou ter muito tempo pra beijar quando passar de ano, isto é se você calar a boca e me deixar assistir o filme! — tentei falar o mais baixo possível, apesar de quase a sala inteira está dormindo. Aquele pessoal ia se ferrar, tava até vendo.
- Mas você não iria se mudar essa semana?
- Vou! Só que não é só aqui que se cobra esse tipo de coisa. E precisa me lembrar disso?!
- Tá bom sua chata eu fecho a minha boca.
— Nossa ate que fim! Muito obrigada!
E realmente Louise fechou a matraca, mas caiu no sono no decorrer da aula enquanto eu prestava atenção em cada sena e em cada palavra dita pelos personagens. Metades dos meus colegas só bochechavam e uma boa parte deles já estava contando carneirinhos como a minha amiga que pelo visto tava tendo um sono maravilhoso. Quando finalmente passavam os túmulos de Hearhcliff e Cat começaram a subir os creditos finais e neste mesmo instante o sinal tocou. As luzes foram ligadas com a comemoração da turma e alguns atirados jogaram as, mas para cima e gritaram um “ó meu Deus muito obrigado”.
A Srª Lockwood nos enviou um olhar sardônico e disse:
-Quero relatório na minha mesa na proxima aula!
Louise se virou para mim toda afobada.
- Amiga linda do meu coração, que eu admiro tanto, me fala o que é o filme, e o livro, por favor?! Ajuda-me no relatório dessa bruxa sem coração! – Disse-me numa dramatização tão perfeita que me perguntei se ela não iria se candidatar para uma proxima versão de o morro dos ventos uivantes.
-Te vira! Tu não és quadrada, tem internet, pesquisa, a biblioteca tem o livro. — Disse-lhe com o nariz empenado, mas só de brincadeira para ver a reação da baixinha.
- Você sabe muito bem que ela vê se a gente não copiou de internet, e outra não dá tempo de ler o livro poxa.
-Baixa o filme! — exclamei com satisfação só para deixa-la um pouquinho mais desesperada. Eu iria ajuda-la como sempre fazia, pois não queria vê minha amiga com uma nota abaixo da média. Ela era um desastre nesse tipo de coisas.
-Você é mesmo sem coração, alem de me abandonar aqui, não vai me ajudar a fazer esse relatório?! Nunca mais falo sobre atualidades sobre você! — Louise dramatizou mais uma vez. Caramba! Essa menina é boa. Muito boa em dramatizar!
-Está me chamando de antiquada?!
-Talvez!
-Eu estou brincando Louise, vou te ajudar. Olha acho que você deveria se inscrever para um filme de drama, você leva jeito pra essas coisas!
-Sério?!-Louise pulou de empolgação. Nós estávamos indo para o refeitório, encontrar com o pessoal. Umas meninas da nossa turma de inglês passaram por nós como se não as conhecêssemos. — Você acha mesmo que eu levo jeito pra essas coisas?! Meu rostinho lindo ficaria bom nas telonas, e eu ficaria supergata desfilando com um vestido preto curtérrimo cheio de paetê no tapete vermelho! — disse Louise gesticulando as mãos, e fingindo está desfilando. Eu começo a rir.
-É só eu, ou você também percebeu que tem umas pessoas da nossa turma de inglês que passa e nem olha pra nossa cara?! — perguntei já tramando algo.
-Não, eu também percebo. Bando de esnobes. Rum! Quem precisa deles?! — Falou uma Louise orgulhosa, de nariz empinado.
-Quer ver essas meninas na nossa frente virar e falar com a gente?! — sussurrei para Louise.
-Duvido que você faça tal façanha! — Louise sabia que eu era capaz de fazer isso, mas ela tinha que ser ela, sempre me desafiando.
-Ok! La vai! – me preparo pra fazer o que tenho em mente, e mando vê. – Nossa Louise a Srtª Lockwood mandou a gente fazer aquele relatório, o pessoalzinhoque dormiu tá ferrado, não é muito fácil interpretar aquele filme, será que alguém precisa da minha ajuda para fazer?!
Arqueio as sobrancelhas ao perceber que elas estão de rabo de olho pra gente.
-Então, eu estou precisando amiga linda! Você vai me ajudar, né?! – Louise entrou na brincadeira.
-Claro, quero que ela se orgulhe da sala. – digo.
-Com licença! — Ouço a voz nazarenta de Abigail. – Mas sem querer eu ouvi você falando que queria ajudar algumas pessoas da sala com o relatório.
-Sim! E daí?! — Disse com um sorriso falso. Todos naquela sala sabiam que eu era boa na matéria.
-Bom, estava pensando se você não poderia nos ajudar! – diz ela apontando para ela, para Amber, e Chelsea.
-Ah claro! — digo, Louise me olha confusa, nós duas sabemos que aquelas não prestavam muito. — Que tal vocês se juntarem e assistirem o filme na casa de uma de vocês? Eu sei onde tem esse filme pra alugar! — meu sorriso falso se alarga mais. Aquelas três eram as únicas da escola que eu não dava nenhum “oi”.
Elas me fulminam e a Amber diz:
-Você disse que iria ajudar! – diz com um tom acusador.
-Disse que ajudaria, mas não disse como! Se quiser o endereço da locadora, te darei! – eu disse, Louise estava a gargalhar.
Elas bufaram e foram na frente, pisando duro. Eu e a Louise trocamos olhares e começamos a rir.
-Do que vocês estão rindo?! – Mike chega, nos assustando.
Nós duas nos sobressaltamos, paramos de rir, olhamos uma para a outra e logo em seguida começamos a rir de novo sem parar.
-Tá vocês estão me assustando! – Diz Mike.
Tento parar de rir, recupero o fôlego e falo:
-Acabei de fazer as três patetas de idiotas!
-Quem são essas?! – Mike está confuso.
-Amber, Abigail, e Chelsea. – quem responde é Louise.
-Caramba! De novo?!
-Sim! – digo com satisfação.
-Você é má! – exclama ele.
-Tinha que fazer isso, minha língua estava coçando. Alem do mais Louise também me ajudou. -Disse-lhe para não ficar como a única pessoa má na história.
-Vocês mulheres são um bando de malvadas!
- Que nada a gente só é má com quem merece! — Respondi no ímpeto.
- Então você acha que aquelas garotas merecem as duas gracinhas tirando onda com a cara delas? – Ele me perguntou fingindo uma indignação sem fim. Pelo jeito a família dele nasceu para a dramatização.
- Por favor, Michel você sabe que aquelas três são um trio de cobras criadas!
-Sei?! Bem que poderia ver se elas tem veneno bom! — diz Michel com ar brincalhão, mas mesmo assim me faz ficar com ciúmes.
-Ah então vai lamber o veneno delas ao invés de ficar aqui com a gente! — disse-lhe com um tom irritado.
- Com ciúmes Ally? — Me perguntou Louise ao meu lado contendo o riso e satisfação.
- Ciúmes Louise você ouviu o que ele disse? Ele nos repudiou!
- É eu ouvir! — Exclamou Louise com uma de desaprovação — Que isso Mike pensava que você tivesse um gostinho melhor – Ela complementou se virando para o primo — E além do mais que isso de trair a Ally?
- Eu não estou traindo ninguém e não sou comprometido nem nada.
- Poxa eu tava pensando em te dá uma chance, mas mudei de ideia acho que vou ficar com o Rick — Disse-lhe com um ar superior só para ver sua reação.
- O que? Com o Rick? Você tá brincando né? — ele me perguntou com ciúme visivelmente indignado.
- Claro que não! Além de tudo ele é um gato!
- Ele é galinha Ally! Você escutou? GALINHA!
- E daí? O que importa é que a Ally acha ele bonitinho — Exclamou Louise ao meu lado se divertindo com a situação.
- O que? Então eu posso pegar aquelas garotas porque também são bonitinhas.
- Você pode pegar quem você quiser Mike eu não mando na sua vida — Eu exclamei mais grossa do que eu queria.
- Ótimo! Então você também pode pegar quem você bem entender!
- Te digo o mesmo GOSTOSONA!
- Então tá, mas não vem me encher o saco depois que eu beijar o Rick na sua frente ok?
- Gente calma! Vamos leva na esportiva — Louise disse ao meu lado contendo seu ataque de risadas.
- Mas a gente já esta levando na esportiva não é Mike? — Exclamei ironicamente e Mike me olhou meio irritado.
-Isso ai Ally, somo da paz. Mas você vai mesmo ficar com o Rick?! Você merece coisa melhor. Não se rebaixe a tal ponto!
- Mike querido quem se rebaixou aqui primeiro foi você!
- Eu disse aquilo brincado, eu nunca ficaria com elas, tem coisa melhor nessa escola, como a prima da Amber!-Mike não sabia parar de provocar.
- Nossa! Vocês se amam! — Louise exclamou rindo ao nosso lado.
- Você esta insinuando o que? — Eu perguntei com uma sobrancelha arqueada, mas sabia muito bem o que ela queria dizer com aquilo.
- Nada! Só que você e o Mike são peças raras!
- Tá eu sei!
- Igual você e o Dany? — Alfinetou Mike.
- O que tem a minha pessoa? — Perguntou Danyel surgindo do nada e se intrometendo na conversa.
- Ah nada não — Respondeu Mike contendo a língua porque Louise lhe enviava um olhar demoníaco que traduzido queria dizer: Ou você cala essa boca ou você nunca mais fala.
- Ally eu já arranjei um DJ para a festa! – Danny Exclamou ignorando Mike e Louise como o resto da turma.
— Danny você não precisa se desesperar tanto, ainda temos tempo além do mais você não acha que estar exagerando muito?
— Eu sei maninha, mas não dá pra adiar mais do que já foi adiado. Lembra que nós deveríamos nos mudar semana passada?
- como assim? — Exclamou Louise perplexa e indignada ao meu lado.
Eu respirei exasperadamente e comecei a explicar.
- Meu tio recebeu essa proposta há quatro semanas, como o empregador já havia arrumado já havia arrumado a casa nós nos mudaríamos semana passada.
- Como você não nos contou isso antes?! Já era pra você ter se mudado e a gente não sabe disso?! — Mike me indagou todo indignado, arrasado e visivelmente chateado.
- Você não tinha contado pra eles? — Perguntou-me Dany pegando o bonde da conversa, mas com um olhar concessivo.
- Ela não nos contou NADA! — Exclamou Louise com o mesmo tom chateado de Mike o que me deixou mais frustrada ainda.
- Eu não conseguia tá? Vocês acham que eu sou o que? Eu não suportava contar pra vocês! – desabafei controlando-me para não chorar, não aguentava mais aquilo, era pressão demais sobre os meus ombros — Eu queria sumir, desaparecer, morrer!
— Calma Ally não é pra tanto — disse Dany me abraçando e tentou despentear os meus cabelos — Ei — ele exclamou guando eu me desvencilhei bruscamente de seus braços e caminhei pesadamente para frente ainda nervosa e aborrecida. Mike e Louise me acompanharam com o mesmo ritmo.
— Olha Ally desculpa por a gente não ver o seu lado, mas é que a gente gostaria de saber que você iria embora. Na verdade acho que nós não estamos com raiva ou chateados com você, mas sim com o fato de você ir embora — Mike disse meio afobado ao meu lado. Eu não digo nada ainda aborrecida, mas ele continua mesmo sem resposta — Não foi a nossa intenção te deixar chateada. E alem do mais nunca mais fale aquelas coisas — Acrescentou quando parei abruptamente e olhei para o seu rosto.
- Que coisas?! — Exclamei com a voz rouca e desconsolada.
- Que você queria sumir, morrer, ou desaparecer. — Exclamou limpando algumas lágrimas que desciam por minha face com a manga de sua jaqueta. Não havia percebido que estava chorando.
- É Ally não fale besteiras, e não nos interprete mal, só estamos fazendo nossos papeis de amigos — Complementou Louise me dando um abraço caloroso — Você gosta tanto literatura, e é tão boa em interpretar essas coisas, como você nos interpretar mal?!
- Desculpa — disse-lhes com a voz ainda rouca.
- Nós que precisamos nos desculpar sua boda — Ela me disse me dando um beijo fofo e me afastando de seus braços.
- Louise tem razão, e olha que isso é raro — Mike disse com um sorriso caloroso ainda ao meu lado e por incrível que pareça isso me fez rir, ele sabia como arrancar o meu sorriso.
- Bom! – Exclamou Dany fazendo uma cara de entediado — Vamos acabar logo com essa seninha melodramática e nos juntarmos logo ao pessoal que já estou cansado de ficar em pé e com fome – complementou quando entravamos no refeitório.
- Você esta em pé e com fome porque quer! — Disse-lhe Louise de nariz empenado — a gente não tá te impedindo de fazer nada.
-Você deveria ser mais educada garota! — Disse Dany no ímpeto.
-Sou educada com quem merece!
-Louise! — Eu e Mike exclamamos ao mesmo tempo.
-Tanto faz! — diz Dany dando de ombros, na verdade Dany não ligava muito para o que Louise dizia. — Eu sei que no fundo, no fundo você presa alguma educação por mim! — Dany estava sendo provocativo. Assim que falou deu as costas pra Louise e saiu andando na nossa frente.
-Ai que esse seu primo idiota, é um babaca! — Exclamou Louise entre dentes.
-Você provoca Louise! — Disse Mike meio que chamando a atenção da prima.
-Te lasque Michel! — Louise estava evidentemente irritada, e sem paciência com qualquer um.
-Eita Mike, é o efeito que o Dany causa na Louise! — Eu começo instantaneamente a rir.
-Você está rindo demais hoje Alyson, e a toa ainda! — Exclama Louise.
-Calma Louise! — exclamou Mike. — Você não quer que Ally vá embora com raiva de você, quer?!
-Não, mas o primo dela me irrita, e você não sabe o quanto!
Eu e Mike rimos da cara de Louise.
Chegamos a nossa mesa, e nossos amigos de sempre estavam lá.
-Pessoal... — travei, não sabia como contar a eles que essa era minha ultima semana aqui.
- E ai Alyson?! — Exclamou Rony me abraçando por trás e me beijando carinhosamente.
Ronald Blackfield era o melhor amigo de Michel desde a quinta série e os dois eram realmente muito próximos e camaradas além de serem integrantes da equipe de natação da escola. Sempre faziam parte da mesma equipe desportiva não interessava o esporte. Mesmo sendo amigos Mike tinha um ciúme do cão dele, principalmente quando ele fazia aquilo que acabara de fazer e a única coisa que amenizava as coisas era que o cara tinha namorada, se não eu não duvidava nada que os dois acabassem caindo no braço.
- Oi Roniko — Exclamei depois que ele se desvencilhou de mim e puxou uma cadeira sentando ao lado de Michelle, sua namorada. Ronilko foi um apelido carinhoso que Louise inventou para o coitado e pior que a coisa pegou e até a Michelle o chamava de Roniko de vez enquanto.
- Eu odeio este apelido — Disse em um resmungo enquanto colocava os braços sobre os ombros de Michelle.
- Mas ele é bonitinho amor — A garota replicou dando um beijo no rosto do namorado.
- Ele é ridículo!
- Ah como homem é bobo — Louise exclamou sentando perto de Charlie.
- Bobo nada, só não admitimos apelidos idiotas — Exclamou Danyel sentando ao lado de Michel com uma bandeja em mãos. Perguntava-me se aquele garoto era dotado de supervelocidade ou tinha alguma capacidade de teletransporte além de superaudição.
- Menino como você consegue? — perguntei um pouco boquiaberta.
- Consigo o que Ally? — Ele perguntou arqueando uma sobrancelha.
- Isso! – Exclamei estendendo as duas mãos para a bandeja.
- Ah, eu pedir para Nat compra o meu lanche! Alem do mais ela já estava trazendo minha bandeja, não é Nat? — Perguntou para a garota que sentava ao seu lado.
- Como você é folgado garoto! — Exclamou Louise ao lado.
- Sou folgado nada, amigos são pra isso.
- Amigos não são escravos Danyel — Exclamou Charlie abrindo uma lata de coca cola extraviada da bandeja de Dany.
- Concordo meu caro e nem banco para financiar a tua merenda — Rebateu tirando a lata da mão de Charlie.
- Falou o menininho do primário — Louise exclamou provocativa.
- Louise dava para parar de provocar o Dany — Michel pediu sentado ao meu lado.
- Liga não Mik o que vem de baixo não me atinge — Rebateu Dany com uma pose de superior bem típica dele.
- Vocês dois não param de brigar não? — Perguntou Nathalie pegando um dos sanduiches na bandeja de Danyel, provavelmente eles tinha dividido o lanche.
- Desculpa Nat, mas não suporto patricinhas metidas a besta — Respondeu Danyel com rispidez olhando provocativamente para Louise.
- E eu não suporto Neandertais grossos, folgados e sem um pingo de educação! — Louise rebateu no ímpeto.
- Calma meu povo — Exclamou Charlie dando uma de pacifista. Ele adorava as alfinetadas de Dany e Louise mais do que qualquer um naquela mesa.
- Sinceramente?! Eles já se acostumaram a brigar — Eu exclamei sem um pingo de emoção.
- Ally você não vai lanchar não? — Perguntou Rony ao meu lado, ele estava mordiscando a bandeja de Michelle sem um pingo de constrangimento.
- Estou sem fome — Disse-lhe com sinceridade, não estava nem um pouco animada, afinal ainda tinha que criar coragem para contar a eles que estava de partida.
- Fala sério maninha — Replicou Dany olhando em meus olhos — Você quer acabar anêmica? — Ele me perguntou com um tom brincalhão, mas dava para perceber a reprovação em sua voz.
- Como se você se importasse! — Exclamei em um tom azedo, mas logo me arrependi daquilo.
O garoto olhou para mim um pouco zangado, um pouco magoa e um tanto que compreensivo.
- Mas eu me importo! — Exclamou com um a voz embargada. Danyel era praticamente um irmão para mim e até me tratava como se eu realmente fosse sua irmãzinha casula que precisava de seu cuidado e proteção apesar de ser mais velha do que ele com um ano de diferença.
- Desculpa Dany eu não queria ser rude, mas...
- Não precisa se explicar — Interrompeu-me bem compreensivo. Meu primo poderia se fazer de um completo idiota e sem noção, um cara extrovertido, palhaço e brincalhão, mas na verdade era tão amável, maduro, protetor e compreensivo que às vezes desejava que fosse realmente meu irmão.
- Eu te amo sabia? — Disse-lhe sem pensar. Infelizmente estava muito emotiva que acabava soltando as coisas precipitadamente.
- Sabia! — Respondeu com um sorriso natural, mas tão sínico que me deu vontade de lhe mete um tapa na cara.
- Tá acontecendo algo que não estamos sabendo? — Perguntou Nat um pouco desconfiado. Ela era muito perspicaz, conseguia nota as coisas apenas pelo tom de voz das pessoas.
Respirei fundo. Não tinha mais como esconder aquilo e tão pouco tinha tempo para isso. Se fosse para contar que fosse de uma vez e pronto, mesmo que depois caísse no choro.
- Vamos nos mudar de Boston — Disse-lhes de uma vez só com a voz um pouco tremula.
Charlie me olhou um tanto incrédulo. Rony parou de comer na hora. Michelle me fitou perplexa e Nathalie não expressou nenhum pingo de surpresa, eu já devia ter imaginado que Danyel havia contado para ela, os dois eram amigos há muito tempo e provavelmente ela havia feito aquela pergunta de propósito para eu abri o bico de uma vez.
- Você tá brincando?! — Michelle exclamou com a voz seca.
Rony e Charlie pareciam estáticos como se o tempo tivesse parado aos seus pés.
- O que aconteceu?! — Perguntou Yan chegando à mesa.
- Alyson e Danyel vão se mudar — Respondeu Nathalie com naturalidade.
- Da cidade? — Perguntou estático.
- Sim! — Eu respondi com a voz seca — meus tios vão se mudar para Whinderfield.
- Por que não nos contou? — Yan perguntou com perplexidade.
- Mas ela esta contando agora! — Dany que respondeu na minha defensiva.
- Quando vocês vão embora? — Charlie perguntou após se recuperar do choque.
- Essa semana! — Respondi com uma vontade imensa de chorar.
- Como? E vem nos contar isso só agora? — Indagou Michelle indignada.
- Gente não é o fim do mundo — Exclamou Nathalie ao lado de Danyel.
- Qual é Nathalie?! É a nossa amiga! — Bradou Michelle indignada.
- Gente a garota não vai morrer — Ela disse com naturalidade.
- Mesmo assim Nat era para você ter um pingo de consideração — Rebateu Charlie com aspereza.
- Mas o que adianta fica metralhando a garota? — Nat replicou com ímpeto tomando um pouco de coca cola.
- Nathalie tem razão gente — Yan disse se sentando ao lado de Louise.
- Ela até pode ter razão, mas Alyson solta uma bomba dessa e ela não sente nada?
- Sinceramente Michelle você já está exagerando — Exclamou Dany ao meu lado.
- Deixa Dany não precisa me defender — Rebateu Nat ao lado Danyel — Para o seu governo dona Michelle eu já sabia disso.
- Como assim você já sabia disso? — Michelle perguntou incrédula.
- Dany já havia me contado há muito tempo.
- Você contou pra ela e não conta pra nós? — Michelle exclamou incrédula olhando para a cara de Danyel.
- Gentes vão parar com a discussão — Rebateu Rony com sensatez — isso não vai resolver nada.
- Contei! E daí? — Dany respondeu sem um pingo de educação.
- E DAÍ DANYEL? VOCÊ É UM BABACA, EGOISTA, SEM NOÇÃO QUE FICA FAZENDO POSSE DE GOSTOSO PARA ESCOLA INTERIRA E SEM UM PINGO DE CONSEIDERAÇÃO PELOS AMIGOS – Michele explodiu na hora sem medi as palavras.
- OLHA AQUI MICHELE EU NÃO TÓ AQUI PARA ATURAR DESAFOROS OUVIU? EU NÃO CONTEI NADA POR CONSIDERAÇÃO A ALLYSON, MAS ACHO QUE A SENHORITA É TÃO EGOCENTRICA QUE NÃO PASSOU PELA SUA CABEÇA QUE O BABACA, EGOISTA E SEM NOÇÃO ESTAVA FAZENDO UM FAVOR PARA ELA — Dany respondeu no mesmo tom levantando da mesa com tanta brutalidade que acabou derrubando a lata de coca cola de Nat — Com licença eu perdi o apetite — disse com um tom mais brando mas com a voz seca. Michelle e todos na mesa ficaram calados.
- Danyel espera — Eu o chamei me levantando também. Merda! Ele estava muito irritado e tinha sido ofendido por minha causa.
Eu fui atrás dele enquanto os outros me observavam incluindo o refeitório inteiro. Quando o alcancei segurei o braço dele e ele se virou para mim bruscamente.
- ME DEIXA! — Disse-me com o tom ríspido e puxando o seu braço com força.
A primeira vez que o vi agindo daquela forma não tinha acabado nada bem. Ele havia ficado tão nervoso que tinha parado em uma delegacia por socar a cara de um garoto até não querer mais. Os acesos de raiva de Dany me deixavam preocupada, ele sempre fora assim: calmo, compreensivo, amoroso, mas quando a raiva tomava conta dele não sabia do que ele era capaz.
- Desculpa — Dany se desculpou com a voz mais calma.
-O que deu em você? — Perguntei seria.
- Você sabe que não tolero desaforos.
- Mas ela é sua amiga Danyel.
- Por isso tenho que a tolera me ofendendo?
— Danyel, por favor, é a nossa ultima semana juntos.
- E Dai? — Perguntou-me com o tom sínico e sem um pingo de emoção.
- E DAÍ DANYEL? EU NÃO PODEREI VÊ-LOS TÃO CEDO E VOU PARA UMA BOSTA DE CIDADE ONDE NÃO CONHEÇO NINGUÉM E VOCÊ ME PERGUNTA E DAÍ? SABE UMA COISA? EU ESTOU CHEIA DISSO!
Danyel suavizou sua expressão guando comecei a chorar e me abraçou com carinho.
- Não chora — Disse-me com ternura e beijou meu cabelo carinhosamente.
- Você é um idiota! — Exclamei com a voz rouca e com a cara embalada na sua camiseta polo branca.
- Eu sei! — Dany exclamou acariciando meus cabelos.
- Você vai voltar para mesa comigo? — Perguntei com um tom pidão.
- Para aturar os desaforos de Louise e Michelle? — Perguntou-me fingindo desgosto.
- É — respondi me afastando de seus braços com um biquinho e ele sorriu com aqueles dentes brancos e perfeitos esculpidos por Michelangelo. Não querendo me gaba, mas meu primo poderia ser modelo e fazer comercial para pasta de dente.
- Ai! O que não faço por você maninha?
Eu rir.
- Eu te amo demais garoto — disse-lhe beijando seu rosto.
- Arg é a segunda vez que você fala que me ama daqui a pouco vai começar a toca violino também?
Rir novamente.
- Você não existe!
- Uai o que eu estou fazendo na sua frente então?
Dany estava me fazendo rir propositalmente. Talvez minha vida em Whinderfield não fosse tão ruim com ele por perto. Nós caminhamos abraçados de volta para a mesa. O pessoal continuava mudo como se não soubessem o que disser e realmente não sabiam mesmo. Sentei-me perto de Michel novamente com Dany ao meu lado. Nathalie que teve a iniciativa de fala alguma coisa e tenta inicia uma conversa.
- Dany não vai conta para o pessoal da festa? — Ela perguntou virando o rosto para Danyel como se não tivesse acontecido nada por isso eu gostava daquela garota, ela não tinha medo de driblar situações criticas e sabia muito bem esquecer as coisas com rapidez.
- Que festa? — Perguntou Yan entrando na conversa e saindo da zona de silêncio absoluto apenas para ajudar Nathalie á abaixa a poeira que tinha subido momentos antes com a explosão colérica de Danyel e Michelle.
- Hora a festa de despedida da Alyson — Nat respondeu com um meio sorriso de agradecimento.
- Então vai ter festa de despedida? — Perguntou Rony com um tom animado, todos sabiam que ele era um baladeiro de plantão.
- Claro — Disse Mike entrando na conversa — Afinal está é nossa última semana juntos.
- Vamos fazer uma festa de arromba — Complementou Louise ao seu lado.
- Calma senhorita Finnegan – Exclamou Mik ao meu lado – Afinal ainda temos que saber onde iremos fazer a festa.
- Não parece obvio? – Indagou Louise com um sorriso travesso.
- Como assim? – Perguntou-lhe Mike sem compreender o raciocínio perspicaz de Louise.
- Vai ser na nossa casa Mik – Quem respondeu foi o Dany, mas com seriedade, pois ainda estava se recobrando do surto com a Michelle.
- Então vai ser sem graça – Exclamou Charlie se pronunciando pela primeira vez.
- Claro que não – Rebateu Louise no ímpeto – Por acaso você já foi à casa dos Redfield?
- Não! E dai?
- E daí? Nossa casa tem um quintal com piscina e um jardim imenso além de uma área para churrasco e festas. – Eu respondi com o nariz empenado.
- Falou Madame! – Exclamou Charlie fazendo uma reverencia e todos na mesa riram menos Michele que continuava sem dizer uma única palavra.
- Com licença – Ela disse se levantando da mesa.
- O que foi amor? – Perguntou Rony preocupado.
- Estou sem fome – Respondeu-lhe com a mesma desculpa de Dany saindo da mesa abruptamente.
- Não! – Exclamou Dany quando Rony se levantava da mesa – Pode deixar! Eu mesmo resolvo isso! – Complementou levantando da mesa e caminhando na mesma direção que Michelle.
Todos ficaram em silencio novamente. Nunca havia imaginado que dar uma notícia podia apresentar tantos problemas.
- Será que eles vão se entender? – Perguntou Yan sem um pingo de constrangimento.
- Se depender do idiota do Dany eles vão é brigar de novo – Exclamou Louise sem um pingo de remorso, não sabia se ela gostava do meu primo ou o odiava, mas eu sabia o que diziam sobre os casais apaixonados: o amor e o ódio andavam de mãos dadas, mas não iria discuti aquilo afinal os dois pareciam realmente o casal do morro dos ventos uivantes, Hearhcliff e Cat.
- Louise — Mike exclamou em um tom de reprovação.
- Qual é Mike? Eu só digo a verdade!
- Não Louise — Eu rebati com ímpeto — Você só diz o que bem entendi.
- Ah pelo amor Ally! Você só sabe defender o seu primo esquizofrênico?
- Em primeiro lugar Louise meu primo não é esquizofrênico e em segundo lugar eu não apenas defendo o meu primo como também amo aquele garoto então é bom você segurar essa sua língua quando for fala dele, entendeu?
- Ai essa doeu em mim – Exclamou Yan tomando o resto da coca cola da latinha de Dany e na bandeja do meu primo só havia migalhas e duvido que Nat tenha comido aquele montante de comida, mas não iria comentar coisa alguma sobre aquilo.
- Não doeu coisíssima nenhuma – Disse cortando as assinhas de Yan.
- Ally toma um calmante vai – Disse-me com um tom provocante.
- Sabe que eu não to com vontade – Exclamei sem um pingo de emoção.
- Gente pelo amor de Deus! Vamos para com isso, por favor – Disse Charlie se intrometendo novamente na conversa – Se forem discutir alguma coisa que discutam a festa!
- Falando em festa adivinhem que vai ser o DJ!– Interviu Nat ajudando a conter os ânimos na mesa.
- Não me diga que vai ser o gostoso do seu primo?! – Exclamou Louise com animação.
- Acertou! – Disse-lhe Nat sorrindo- E sabe o mais importante?
- Não – Exclamou os meninos sem um pouco de emoção, afinal se eles se animassem com a presença de outros garotos em uma festa eu ficaria seriamente preocupada.
- Ele vai levar os amigos e as amigas dele – Ela continuou chamando a atenção de Yan e Charlie que eram os dois solteiros naquela mesa.
- Nat eu não sei não, será que o dinheiro do Dany vai dá para bancar tantas pessoas? – Perguntei-lhe em um tom preocupado.
- O seu primo que esta bancando a festa? – Louise me perguntou descrente.
- Lógico, ou você pensou que meus tios estavam dispostos a soltarem a grana?
- Mas o DANYEL? – Ela exclamou com uma cara que quase me fez rir.
- Sim, o Danyel, o garoto idiota, chato e abusado que você tanto odeia.
- Nossa eu me pergunto o que deu nesse garoto – Ela disse recobrando a compostura.
- Nada dona Louise, ele sempre foi assim só você que não percebe – Eu repliquei com aspereza.
- Ou finge que não percebe – Exclamou Yan com um ar insinuador que me deu vontade de rir. Todos sabiam que no fundo Louise era perdidamente apaixonada pelo meu primo, mas ele a rejeitava de todas as formas possíveis.
Enquanto meus amigos discutiam as picuinhas e assuntos sobre a festa eu pedi licença e me dirigir a mesma direção que Danyel havia seguido minutos antes para conversa com a Michelle. Acabei topando como imaginava com os dois no corredor. Dany me viu e acenou positivamente com a cabeça. Logo depois de se abraçarem veio em minha direção sabendo o que eu queria conversa com ele.
- Então você e ela...
- Nós já resolvemos isso, mas não é isso que você veio conversa comigo não é?
- Não.
- Ainda esta preocupada com isso?
- Dany, eu não quero te criar problemas.
- Você não vai me criar problema nenhum Ally, mas não temos tempo para discutir isso, o sinal já vai tocar.
- Tenho aula vaga! – Repliquei com o tom serio.
- Por acaso esta pedindo para eu mata aula?
- Não, pelo contrario, mas eu queria que...
- Relaxa tá? Depois a gente conversa sobre isso — Rebateu com uma tranquilidade do cão e na mesma hora o sinal tocou então me abraçou ternamente e me deu um beijo — Até mais maninha – Disse seguindo pelo corredor até seu escaninho onde pegaria seus livros para aula de química. Nós tínhamos uma tolerância de 10 minutos para estarmos em sala e a do Dany ficava praticamente em um corredor próximo do seu escaninho, além disso, o Sr. Hudson vivia dando desconto para o meu primo por ser o melhor aluno da turma.
Enquanto eu o observava seguindo para pelo corredor que já começava a fica lotado de jovens e adolescentes que se dirigiam para as suas respectivas salas de aula respirei fundo e seguir em direção à biblioteca onde costumava ficar sozinha para espairecer. Tinha muito no que pensar e no que me preocupar já que o Danyel decidira bancar uma festa apenas para levantar o meu astral. No dia em que ele chegou para mim e me disse que faria uma festa de despedida achei que estava brincando, mas me toquei que estava falando serio quando ele foi conversa com os seus pais pedindo autorização para liberarem a casa já que ele estava disposto a bancar tudo e se responsabilizar por qualquer dano causado no ambiente. Meus tios concordaram numa boa e até permitiram o consumo de bebida alcoólica desde que ele se responsabilizasse pelos problemas que isso fosse causar, pois da ultima vez que inventara de dá uma festa não tinha saído nada bem com eles em uma delegacia pelo filho irresponsável quase espancar um garoto da mesma idade. Lembrava-me que na época ele tinha catorze anos e não tinha um pingo de juízo na cabeça. Antes de ir estudar ou ler um pouco para tentar me acalmar passei em meu escaninho e peguei as minhas coisas. Entrei na biblioteca com a cabeça a mil, pensando na festa, nos problemas que isso podia criar para o Dany, nas mudanças e de repente me peguei pensando nos meus pais e em um túmulo de mármore em Whinderfield. Respirei fundo novamente me sentando à mesa e comecei a me debruçar sobre a lista de exercícios de matemática e quando dei por mim já estava com meus pensamentos ocupados por cálculos algébricos e suas prováveis resoluções apenas esperando que continuassem a ocupar meus pensamentos.
Notas finais
Decidi encurta o capitulo ( como se tivesse curto né?) se não fazia um livro só com o capitulo de Alyson^^
Espero que tenham realmente gostado? se precisarmos melhorar em alguma coisa e só falarem^^
Estou aguardando ansiosamente pelas reviews^^
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