Lua de Sangue
23 Sou Tomada Por Uma Certeza Aterrorizante
Notas iniciais
Besos ♥
Capítulo 23 – Sou Tomada Por Uma Certeza Aterrorizante
Cheguei na Universidade e logo senti falta de uma coisa: Roberto João. Ele sempre chegava cedo e dificilmente faltava as aulas, por incrível que pareça. Estranhei o fato, pois se ele não estava lá alguma coisa de grave tinha acontecido. Fui na direção do pessoal pra ver se eles sabiam de algo. Yuri falava ao celular no fundo da sala.
EU: E ai gente, tudo bem? Cadê o Bets?
ANA: Oi, nós não sabemos dele...
LAÍS: Eu tô é preocupada, porque pra ele faltar... Ainda mais em dia de apresentação de seminário!
FLÁVIA: Tinha até me esquecido dessa merda de seminário, parece que esses professores não tem criatividade, só bosta na cabeça mesmo... Ai xirí, ainda tô fudida nessa matéria! – é impressionante como a boca desta moça é tão suja.
EU: Ai meu Jesus Cristinho! Com quem o Yuri tá falando no celular, tá tão concentrado.
LAÍS: Ele tá tentando falar com o Beto, mas o celular dele tá desligado, ai ele tá ligando pro irmão dele.
EU: Ah bom...
ANA: Tomara que ele consiga falar com alguém...
EU: Tomara que o Beto esteja bem!
JÚLIO: Isso também! – nessa hora Yuri vem até nós com uma cara abatida.
FLÁVIA: Ah cacete que foi que aconteceu com o doido?
YURI: Ele sofreu um acidente... – todo mundo começou a falar ao mesmo tempo.
EU: O QUE?
ANA: ACIDENTE?
LAÍS: COMO?
JÚLIO: MENTIRA TUA...
YURI: É verdade, foi um acidente de carro, ontem à noite...
FLÁVIA: Caralho, fodeu!
EU: Como ele tá pelo amor de Deus!?
YURI: Ele tá desacordado ainda, mas tá bem... Falei com o irmão dele e ele disse que a gente pode ir visitar ele hoje até às 19:00 h, depois disso o horário de visita termina e só no dia seguinte.
ANA: Meu Deus Yuri!
LAÍS: E como fica nosso trabalho?
JÚLIO: Falamos com o professor e pedimos pra ele passar pra próxima semana nossa apresentação, é o jeito.
YURI: Boa.
ANA: Eu não vou poder ir visitar ele, então se ele tiver acordado mandem um beijo pra ele.
FLÁVIA: Também não vai dar pra mim galera, mandem minhas lembranças.
JÚLIO: Putz, pra mim também não, agora que me lembrei... Tenho que fazer umas coisas urgentes pra minha mãe.
LAÍS: Ok, eu mando lembranças de todos vocês!
FLÁVIA: Beleza, então bora logo lá falar com o professor Júlio – depois de alguns minutos eles voltaram – Sorte que ele já tinha chego, fomos lá na sala dos professores.
JÚLIO: O professor disse que só pode passar pra no máximo segunda que vem.
EU: Melhor do que nada, tá ótimo. Até lá ele vai tá recuperado, tenho certeza!
YURI: É... Ele é forte, vai ficar bom logo.
LAÍS: Tomara!
EU: Em qual hospital ele tá?
YURI: Aquele perto do pub... De nome estranho.
JÚLIO: Ah o Honório Batista.
YURI: Esse mesmo!
EU: Então bora...
YURI: Como eu queria ter um carro numa hora dessas...
EU/ LAÍS: Nem me fale!
FLÁVIA: Vão logo seus xirís!
YURI: Falou pessoal, qualquer coisa eu ligo pra vocês! – nos despedimos e fomos pra parada logo em frente à universidade. Passados dez minutos pegamos o ônibus, quando me sentei comecei a imaginar uma possibilidade: será que o carro que estava em meu sonho era o de Roberto? Meu Deus! De alguma forma eu sabia que era, mas não queria crer nessa hipótese. Eu praticamente previ o acidente, será que todos meus sonhos eram algum tipo de premonição? – Ei! – ouvi baixinho a voz de Yuri – Ei garota! – aos poucos foi aumentando de volume, acho que estava tão compenetrada em meus pensamentos que nem percebi que ele estava falando comigo – Estás bem?
EU: Tô, só me destraí... – ficamos quase o tempo todo calados, apenas pensando. Quando descemos do ônibus fomos correndo para o hospital. Lá, nos identificamos e essas coisas mais. Laís bateu suavemente na porta do quarto em que Beto estava. Quando entramos nos deparamos com o irmão e os pais dele. Cumprimentei cada um e fui pra perto de Beto, ele estava todo ferido e com muitos arranhões no corpo, uma faixa de gaze envolvia sua cabeça, sua boca estava machucada, assim como seu rosto. Percebi um ferimento maior em seu ombro, parecia ter sido sério. Me doeu o coração de vê-lo daquele jeito. Mas o que importa é que ele está vivo e se recuperando. Disse algumas palavras perto de seu ouvido e segurei sua mão, não sei se ele podia me ouvir só sei que vi uma lágrima escorrer dos olhos de Yuri. Foi a primeira vez em que vi ele chorar, não consegui me conter e meus olhos se encheram d’água, algumas lágrimas correram pela minha bochecha. Não deu pra segurar a emoção. Ficamos mais alguns minutos e depois fomos embora, afinal não podíamos ficar lá o resto do dia. Sem falar que eu tava atrasada pro meu treino. Corri pra não chegar muito depois da hora no bar.
JUAN: Teu relógio quebrou foi? – falou com seu sotaque forte me repreendendo.
EU: Não, meu amigo se quebrou... Ele sofreu um acidente de carro.
DIANA: Meu Deus Mi, quem foi?
EU: O Beto... – falei cabisbaixa.
SHANE: Ele tá bem? – falou com um ar de preocupação.
EU: Tá sim, ainda bem. Ele vai superar essa fácil – falei confiante.
JOSEPH: Vai sim – deu um sorriso de incentivo.
EU: Mas eu tenho que conversar com vocês... – Juan me interrompeu.
JUAN: Después do treino!
EU: Tá bom, tá bom...
JOSEPH: Então vamo lá. Trouxeste tua espada?
EU: Ah... – abri a bolsa e comecei a revirar – Trouxe!
JOSEPH: Ótimo, hoje vou te ensinar a usá-la corretamente – nunca pensei que saber como empunhar e usar uma espada fosse difícil. Primeiro que ela pesa, não é como os sabres de luz do star wars de plástico que eu brincava quando era criança; segundo: tem que saber a técnica para empunhar; terceiro: tem que saber os golpes e como golpear, sem falar nos outros requisitos. Ainda bem que Joseph já estava fazendo um programa de condicionamento para meus músculos, afinal tem que ter braço pra carregar uma espada – Vamos treinar com a espada até estares preparada pra usar em combate.
EU: Entendido – começamos pelo básico.
JOSEPH: Quando te tornares uma espadachim, te coloco pra lutar com o Shane – riu.
EU: Com o Shane, mas por quê?
JOSEPH: Porque eu tenho que admitir que ele é o melhor de nós com uma espada nas mãos... – deu um sorriso sem graça com o canto da boca.
EU: Mentira?! Aquele leso ali? – apontei para Shane que estava treinando uns chutes no saco de pancadas.
JOSEPH: Pois é... Ele mesmo.
EU: Não creio! — ri
JOSEPH: Pode crer porque é verdade... Mas quando se tratar de armas de fogo e de lançar objetos afiados o negócio é com o papai aqui! – bateu no peito.
EU: Nem se acha... Pior eu, que nem sei se sou boa com alguma arma!
JOSEPH: É isso que estamos tentando descobrir, não te preocupa que todos nós temos uma habilidade especial com armas – enquanto treinávamos conversávamos, isso tornava tudo menos maçante. Mas se eu me distraísse muito, cortavam meu papo! Só que eu já estou acostumada a fazer isso, então não corro riscos.
EU: E quando eu vou aprender a atirar com armas de fogo?
JOSEPH: Uma coisa de cada vez, né?! Mal aprendeu com a espada já quer partir pra outra...
EU: Eu sei, só perguntei oras...
JOSEPH: Ok, bora acelerar aqui, pelo visto o que tens pra falar é importante.
EU: E quando o que eu tenho pra falar não é importante? – brinquei.
JOSEPH: Quer mesmo que eu responda? – fiz uma cara de desprezo, ele riu. Botei mais força e agilidade nos golpes – Epa, calma... Mas tá bem melhor, continua! Bora, bora, bora! – gritava pra eu não parar de atacar. A voz dele ficou mais rouca quando gritou e ele mais sexy ainda! Pensamentos maliciosos surgiram na minha cabeça e foi nessa hora que ele usou um contra golpe em mim. A espada dele veio parar em meu pescoço – Concentração é fundamental... – falou com um ar de menino mau, cara a cara comigo. O olhei seriamente nos olhos, que olhos hipnotizantes, my god! Ele se afastou tirando a espada da minha garganta, humedeceu os lábios e deu um sorrisinho. Parecia até que ele sabia que eu queria agarrar ele. Adorava quando ele ia treinar com essa camiseta preta que parecia um colete. Os braços definidos e as tatuagens dele ficavam à mostra e quando ele ficava todo suado era um pecado, meu Deus! Um pecado porque nem Deus sabe o quão sujos são meus pensamentos quando olho pra aquele homem, ainda mais com o corpo suado. Ah, ele também usa luvas pretas de roqueiro pra treinar, só pra completar minha aflição de não poder pegar ele de jeito lá mesmo – Mais vinte minutos e acabou-se.
EU: Ah, ótimo. Tô entalada aqui pra contar pra vocês... – pensei que esses vinte minutos iam ser pouca coisa, mas pro volume de coisas que o Joseph tava me mandando fazer parecia que eu tinha treinado a noite toda. Quando finalmente acabou, soltei um longo suspiro.
JUAN: Agora o que você tinha pra nos falar...
EU: Pera aí, só um momentinho... – falei ofegante pondo as mãos na cintura tentando recuperar o fôlego.
SHANE: Pegou pesado hein maninho! – falou com um tom de segundas intenções.
JOSEPH: Eu sempre pego pesado mano! – piscou.
DIANA: Aham – fez pouco dos dois, ainda consegui rir junto com ela.
JUAN: Se já pode rir, pode falar...
EU: Ah tá bom, ignorância! Primeiro, tive um mais um sonho estranho, só que dessa vez foi em pedaços e eu acho que esse sonho foi uma premonição do acidente de carro do meu amigo Roberto.
SHANE: Eita. Como foi esse sonho? Mas antes deixa eu me sentar que eu sei que essa discussão não vai ser breve... – esse Shane é muito engraçadinho mesmo! ¬¬ Contei a eles, com detalhes – Eu também acho que possa ser uma premonição.
DIANA: É, mas será que todos os sonhos que a Mi tem são premonições?
JUAN: Isso não se pode ter certeza, mas alguns devem ser... –se sentou na poltrona ao lado de Shane.
EU: Mas sabe o que mais me preocupou, por incrível que pareça?
JOSEPH: O que?
EU: O fato de aparecer uma lua cheia... – falei com um ar sinistro, não sei por que – Não sei direito, mas me dá calafrios, tenho um mal pressentimento sobre isso...
SHANE: O que tens em mente?
EU: Que possa ser relacionada uma criatura do mundo oculto... – fiz uma pausa – Um lobisomem!
DIANA: Vixe... Pior que faz sentido flor!
JOSEPH: Faz mesmo... Mas tu achas que teu amigo pode ter sido atacado por um?
EU: Tirou as palavras da minha boca... – parece que nossos pensamentos haviam se conectado — Não sei se é coisa da minha cabeça, mas eu acho que ele foi mesmo atacado por um. Ele tinha um ferimento grande no ombro direito e eu sei que foi um golpe de lobisomem. Não sei de onde tô tirando tanta certeza quando falo isso.
JUAN: Usted es sensível, entonces seus sentidos, depois da ligação com Joseph, aguçaram e deve ter momentos como esse, de saber o que aconteceu mas não saber como tem essa certeza – falou com uma pose de psicólogo, quase ri.
DIANA: Tá explicado...
SHANE: É.
JOSEPH: Agora o que temos que fazer é esperar teu amigo ficar bom e fazer o teste do lobo.
EU: Teste do lobo?
SHANE: É como nós chamamos carinhosamente o teste que a gente faz pra ver se é lobichomem ou não – fiz uma cara de “Ah entendi!”.
DIANA: Faz tanto tempo que a gente não faz isso que até me esqueci como se faz!
SHANE: Acho que nunca vi uma pessoa usar a palavra “faz” tantas vezes numa frase só! – brincou.
EU: Pior, eu nem tinha reparado nisso! – comecei a rir junto com ele. Joseph fez uma cara de quem queria rir mas que tava com preguiça e Juan fechou a cara, como sempre.
JUAN: Tem mais alguma cosa pra nos comunicar?
EU: Sim, senhor Caxias! – Shane pôs a mão na boca pra não rir, ele tinha me entendido.
JUAN: Senhor Caxias? – falou confuso.
EU: Eh, deixa pra lá! Então, vamos por partes... Quando eu cheguei no trabalho peguei o doutor lendo um caderno muito velho, parecia até de séculos passados, de longe quase que espirro!
SHANE: Achas que isso pode ser o que?
EU: Bom, ele disse que era um caderno velho, e põe velho nisso, do pai dele e que ele tava lendo umas anotações.
JOSEPH: Hum... Sentiste firmeza nessa resposta dele?
EU: Por mais surpreendente que seja, sim. Ele tá falando a verdade... Agora o que tava escrito lá, eu não sei. Mas minhas suspeitas de que ele é um vampiro ainda não foram descartadas!
JOSEPH: Cada vez mais me convenço disso...
EU: Tá, outra coisa: ele, simplesmente falou que o morto tava embriagado.
SHANE: O que menina? – fez uma cara de espanto.
EU: Quando estávamos trabalhando num corpo lá, ele nem precisou chegar perto ou fazer exames tradicionais pra saber que o morto tava bêbado!
SHANE: Ah sim! Estranho...
JUAN: No podemos descartar a possibilidade de que ele pode ser praticamente qualquer criatura evoluída do mundo oculto, além de vampiro.
DIANA: Tem isso também, mas pra mim ele é um vampiro. Se bem que, como ele faz pra comer comida humana, andar sob o sol e essas coisas?
EU/JOSEPH: O medalhão! – falamos em coro. Parecia até uma só voz, nos olhamos estranho – Epa! – falamos juntos de novo – Pode falar! – meu deus! O que tá acontecendo? Tô começando a me assustar.
SHANE: Um de cada vez, gente! – falou abismado, acho que até ele se assustou também.
JOSEPH: Pode falar Miranda...
EU: Mucha gracias, pois é como dissemos – me referindo a mim e a Joseph – Sem dúvidas deve ser esse medalhão que faz isso. Não disseste que se pode colocar feitiços nele, Di?
DIANA: Aham! Mas o problema é que não conheço nenhum feitiço desse tipo que possa ser colocado dentro de um medalhão...
JUAN: Yo también no conheço... – pela primeira vez vi Juan abatido por não saber de algo.
SHANE: Só sei do Radiorum Solem
DIANA: Radiorum Solem?
SHANE: É, vocês nunca ouviram falar desse encantamento?
JOSEPH: O nome não me é estranho... – coçou a cabeça com uma expressão de dúvida.
SHANE: Então, se eu não me engano ele serve como um inibidor do sol ou qualquer coisa do gênero.
EU: Isso! – disse empolgada – Então usaram esse encantamento no medalhão, aí ele pode sair de dia!
JUAN: E quanto à comida? Usted não disse que ele come comida humana?
DIANA: Justamente, aí complica as coisas.
EU: Quando estamos tão perto de descobrir tudo, a verdade escapa por nossos dedos! – falei aborrecida.
SHANE: Acalme-se, nem tudo está perdido!
JOSEPH: Vamos conseguir desmascarar esse cara, relaxa – ele articulou suas palavras com tanta firmeza que eu acreditei pra valer.
EU: Mas, nenhum de vocês descobriu nada sobre ele? – todos ficaram calados – É, pelo visto quem cala consente... Ah, antes que eu me esqueça, convidei ele pra estreia do clube do Beto! – falei com uma certa felicidade.
JOSEPH: Tu o que? – disse indignado.
EU: Convidei ele?! – me retraí. Acho que foi mais uma pergunta do que uma resposta.
JUAN: Estás loca?
EU: Não, eu não tô louca! – me alterei – Olha, é uma boa oportunidade pra ficarmos de olho nele, e vocês conhecerem ele logo. De repente vendo ele vocês podem se lembrar de alguém, sei lá...
SHANE: É, vendo por esse lado... – colocou o dedo indicador no queixo fazendo uma cara engraçada.
EU: Vejam o lado positivo e me deixem explicar da próxima vez, antes de me chamar de louca! – botei banca mesmo.
DIANA: Eu achei uma boa, mas isso pode acabar não dando certo...
EU: VAI dar certo, Di! Nada de pessimismo, não é o que precisamos neste momento.
DIANA: Tá bom. Esse Jacques tá me saindo cada vez mais misterioso...
JOSEPH: Tá certo então leva o vampirão pra festa... – falou como se não estivesse gostando nada da ideia.
EU: Levarei – com um tom desafiador. No fundo eu tava é adorando esse ciuminho dele!
SHANE: Quem sabe se dessa vez a gente não descobre a treta dele?!
EU: Exato! Treta? Parece malandro falando, Shane! – ri.
JUAN: Acho bom, porque não podemos ficar perdendo muito tempo com isso, temos coisas mais importantes para tratar...
DIANA: Isso também é importante, Juan.
JUAN: Sí, claro! Ustedes entenderam o que eu quis dizer... – falou sem paciência – Más alguna cosa para hablar? – se dirigiu a mim.
EU: Não... Pelo menos, não que eu me lembre no momento!
JUAN: Pois bem, encerrado por hoje. Podem ir pra casa, amanhã vejo vocês. Ainda tenho que abrir o bar, buenas noches!
EU: Boa sorte e boa noite! – ele fez uma expressão de agradecimento e saiu.
SHANE: Pois bem — disse imitando Juan – Vamos nus... – o interrompi.
EU: Porém vestidos!
SHANE: Viu só J.J. não sou só eu que uso esta expressão!
JOSEPH: Aham, Miranda é um ótimo exemplo de sanidade mental – falou irônico, porém brincando.
EU: Bozo, não imaginas o quanto estou rindo por dentro! – Diana começou a rir.
JOSEPH: Pelo menos alguém tá rindo...
DIANA: Não tô rindo da Miranda, tô rindo do que ela falou pra ti!
EU: Deveu, otário! – fiz pouco. Shane começou a gargalhar.
SHANE: Por isso que gosto tanto dessas garotas! – Joseph lançou um olhar de reprovação para o irmão.
JOSEPH: A gente já pode ir embora?
EU: Como queira.
SHANE: Já fomos! – segurou no braço de Diana e os dois sumiram, mas dessa vez não teve fumaça.
EU: Por que não teve fumaça?
JOSEPH: Fumaça? – pensou – Ah, é porque eles não se transportaram pra um lugar muito longe. Provavelmente pra onde o carro da Diana tá. É mais seguro pra nós não ficar fazendo muito essas coisas, pois isso é como um sinal luminoso dizendo “Inimigos estamos aqui!”, infelizmente, porque isso facilitaria muito mais as coisas. Como a gasolina... – parecia que ele estava calculando o quanto economizaria se sempre usasse o feitiço do tele transporte – Mas enfim...
EU: E não tem problema se tele transportar pra pequenas distâncias?
JOSEPH: Não. Isso não requer muita energia nem poder de feitiço, então não tem perigo. Vamos?! – assenti. Fomos para o carro.
EU: E ai? Tá ansioso pra estreia? – disse cortando o silêncio.
JOSEPH: Claro, bom a gente já tinha tocado pro público antes só que foi diferente, sem falar que não temos o mesmo baixista e também cada subida no palco é diferente. É como se fosse a primeira vez que você tá fazendo aquilo.
EU: É verdade.
JOSEPH: Mas e ai, pensou na nossa proposta?
EU: Que proposta?
JOSEPH: De tocar teclado na Valhalla.
EU: Ah sim, pra falar a verdade ainda não... Mas prometo pensar com carinho.
JOSEPH: Tá certo. Ah, infelizmente não vou poder ir te pegar na sexta...
EU: Poxa, jurava que ia rolar um romance! – brinquei.
JOSEPH: Sua besta! – riu – Entendeste o que eu quis dizer...
EU: Por que já? O que se sucedeu?
JOSEPH: É que a banda tem que ir um pouco antes, pra arrumar as coisas no palco, acertar tudo e essas coisas mais...
EU: Tá bom, eu arranjo uma carona. O que eu não vou é deixar de ir! – fiquei um pouco sentida por ele não poder me levar, mas não podia fazer nada. Ia de qualquer jeito, nem que fosse a pé! Poucos minutos depois chegamos à porta da minha casa – Boa noite, J.J.! – sorri. Ele humedeceu os lábios, sorriu e me deu um beijo delicado na bochecha. Sorri e saí do carro, ele deu uma leve buzinada como sempre fazia. Entrei em casa. Comi algo pra tapar o buraco do dente e tomei um banho. Abri a janela do meu quarto, senti o fresco vento da noite beijar meu rosto. Olhei para o céu sem estrelas e lá estava ela, reinando sozinha naquele cenário, linda como sempre: a lua. Nem nuvens havia, apenas a imponente lua cheia mergulhada naquele mar de escuridão noturna. Por um momento pensei em vê-la coberta de sangue, mas quando pisquei novamente voltou ao normal. Senti um arrepio percorrer meu corpo. “Deve ser coisa da minha cabeça, ou só cansaço mesmo!”, pensei. Quando finalmente pude deitar o corpo exausto na minha amada cama, só o que esperava era ter um sonho normal nessa noite.
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