Lua de Sangue

24 Encontros e Desencontros


Notas iniciais
Gente, me desculpem pela demora, de verdade :/ É que as coisas meio que se complicaram por aqui, mas tá tudo certo! Cá está o novo caps pra vocês, espero que gostem e não me abandonem, pois eu ainda continuo escrevendo, ainda que não tão rápido! Hehehe
Besos ♥ (quero reviews, hein!?)

Capítulo 24 – Encontros e Desencontros

Se sonhei ou não, não me lembro de coisa alguma. Pelo menos acordei descansada, o que era mais importante, a finalidade de eu dormir, afinal. Apesar de tudo estava sonolenta, deveria ser porque eram 05:10 da manhã! Liguei a televisão da cozinha e comecei a preparar um misto com chocolate quente. Só havia eu acordada na casa, minha mãe provavelmente acordaria daqui a alguns minutos. Me sentei na cadeira, colocando o prato com o sanduíche e a caneca na mesa enquanto prestava atenção ao noticiário local:

“Nesta madrugada uma adolescente de 16 anos foi encontrada morta perto do lago da cidade. A polícia ainda não sabe do que se trata, mas suspeitam de assassinato. Os peritos foram acionados para ver se conseguem descobrir alguma pista concreta sobre a morte da garota. Pelo o que pôde ser divulgado para a imprensa, a adolescente tinha diversos ferimentos, um deles de um objeto que parece ter duas pontas afiadas perfurando a parte interna da coxa, além disso, parecia que quase todo o sangue da vítima havia sido retirado de seu corpo. Enquanto isso a polícia segue com a investigação, mais detalhes em nossos plantões. É com você Renê!”

A repórter anunciou. Eu, de início, não dei muita bola para a notícia, uma vez que, isso acontecia toda semana na cidade, ainda mais em uma capital. Deveria ter sido mais um daqueles famosos acertos de contas por drogas, armas e esses bagulhos da pesada. Mas depois, enquanto estava sentada no ônibus, parei pra pensar melhor. “(...) um objeto que parece ter duas pontas afiadas perfurando a parte interna da coxa (...) parecia que quase todo o sangue da vítima havia sido retirado de seu corpo”? Até que o “estalo” veio: um vampiro! Só pode ser isso. Esse objeto de que eles estão falando só podem ser os caninos e, sem sangue no corpo, fala sério, né?! É claro que se trata de um sanguessuga. Mas o que me espantou foi o fato de nunca ter aparecido um caso como esse, assim tão evidente. O que teria levado um vampiro a agir assim? Eles sempre são tão escondidos, que eu mesma nunca cheguei a ver um. Até porque eles tem que ser bem discretos mesmo. O nome de Lionel não saia da minha cabeça, suspeitava que tivesse sido ele quem matou a garota, mas isso era só uma hipótese. Quase me perdi em meus pensamentos e quase perdi minha parada também! Apertei o sinal bem na hora “H”. Desci rápido e fui correndo para o IML. Dei um “oi” pra Lynn, afinal de contas não podia ficar de papo furado por muito tempo. Entrei na sala e Dr. Jacques estava folheando uma pasta atentamente.

EU: Bom dia?!

JACQUES: Ah, bom dia – disse meio aéreo.

EU: Tudo bem?!

JACQUES: É incrível as coisas que chegam por aqui... – olhou para as páginas – Agora vamos ver essa mocinha... – disse indo em direção a uma maca coberta por um pano branco. Ele retirou o pano que deu lugar a um cadáver de uma jovem. Senti um frio gelado passar por entre minha espinha, não tive uma boa impressão – Opa, que que é isso aqui?! – ele botou a mão na coxa do cadáver, revelando duas perfurações na parte interna da mesma – Senhorita Graziela, o que temos aqui? – falou olhando para a identificação no dedão do pé da garota – Bom, isso é estranho...

EU: O que foi doutor? O que é estranho?

JACQUES: Parece que essas pequenas duas perfurações foram a causa mortis.

EU: A causa mortis?

JACQUES: É, a causa da morte dela...

EU: Eu sei o que é causa mortis, doutor! ¬¬ Estudo Direito e vejo esse termo com frequência!

JACQUES: Ah... É mesmo?! Ok, não está mais aqui quem falou! Pois é, continuando... Vamos abrir ela pra ver se achamos algo mais – feito! Em poucos minutos a garota estava aberta – Incrível! – exclamou.

EU: Quase sem sangue nenhum...

JACQUES: Sequinha – abriu um sorriso – O que fizeram com você? – olhou para o rosto da adolescente.

EU: Acho que ela é a mesma menina da reportagem que eu vi hoje de manhã cedinho...

JACQUES: Provavelmente sim. Todos os mortos vem pra cá... A não ser que não sejam encontrados. Se não vierem pra mim, vão pros outros médicos.

EU: Claro. Mas e ai? O que vamos atestar afinal de contas?

JACQUES: Morte por perfuração da artéria femoral – disse com uma voz pomposa e continuou — Desse modo esvaiu-se grande quantidade de sangue num fluxo muito célere, ocasionando uma exordial perda do mesmo em poucos minutos, o que acarretou no óbito da vítima... Aqui de corpo, literalmente, presente – deu um sorrisinho. Como se alguém falasse assim normalmente!

EU: Palavras muito simples, porém bonitas! – ironizei.

JACQUES: De fato! Se não faço uso delas fora do trabalho, terei de usá-las aqui. Afinal, as aprendi para isso, correto?! – continuou com aquela pose de sabichão (que ficava bem engraçada por sinal!) — Nenhum aprendizado é em vão! – falou que nem o mestre Yoda.

EU: Corretíssimo, mestre Yoda! – ri. Ele me olhou com uma cara de quem diz “Engraçadinha!”.

JACQUES: Hum... – passou a mão pelos cabelos da vítima e fez uma cara estranha. Com as duas mãos abriu o cabelo da garota e olhou atentamente para o local – Tem um hematoma aqui... Parece que alguém tentou facilitar o trabalho?

EU: Como assim?! Quer dizer que quem fez isso apagou ela? Pra ficar mais fácil de matar?

JACQUES: Exato, minha jovem, exato! Sem sinais de luta corporal. E pelo o que eu vejo aqui... O objeto usado não tinha saliências. Então ela desmaiou da pancada. Se o objeto tivesse alguma ponta ou coisa assim, poderia ser a causa da morte, vendo assim de primeira. Mas temos que averiguar melhor se essa porrada na cachola não acarretou algum traumatismo ou coisa assim, mesmo eu tendo quase certeza que a morte foi culpa das perfurações na parte interna da coxa. Já vi alguns casos parecidos.

EU: Aham.

JACQUES: O que não entendo, e o que mais me deixa encucado é essa falta de sangue no corpo...

EU: O que tem de anormal? As pessoas podem perder litros de sangue...

JACQUES: Sim, podem, mas... O sangue não “saiu” normalmente, ele foi drenado.

EU: Drenado? – me espantei. Parecia que minhas suspeitas estavam se confirmando.

JACQUES: É, o sangue foi retirado dessa garota...

EU: Como tu sabes disso?

JACQUES: Como eu disse, já vi casos muito semelhantes... E esse me parece um desses. Não costumo me enganar...

EU: Aposto que não.

JACQUES: Caso praticamente encerrado. Preciso me abastecer, meu estômago já tá doendo. Vou lá na lanchonete comprar alguma coisa, não tomei café hoje, quer que eu traga algo de lá pra ti? De repente, nunca se sabe...

EU: Ah, não... Obrigada, não tô com fome ainda – recusei.

JACQUES: Ok. Enquanto isso atesta logo esse óbito. Já sabes o que colocar.

EU: M- mas... Não vai precisar ver direito as coisas?!

JACQUES: Confia em mim, pode botar aquilo. Sem erro – piscou e saiu da sala. Eu nunca havia atestado algo, ainda bem que ele confiava na minha capacidade! Mesmo ele já tendo dito o que era pra colocar... Hehehe Como ele poderia ter tanta certeza do que dizia? Nem fez o resto do procedimento padrão pra poder atestar algo, mas se ele tá dizendo... Fiz o que ele mandou e esperei, após uns minutos ele volta – Agora sim, pronto pra outra! – disse pondo a mão na barriga – Pode levar pra Lynn! – ordenou para que eu levasse o laudo.

EU: Não vai querer dar uma olhada antes de despachar?

JACQUES: Não, eu confio em sua competência!

EU: Tá bom, já volto! – fui em direção à secretaria. No caminho encontrei com o Doutor Aramís, outro legista que trabalhava lá, ele é um coroa bem simpático e tem uma cara de cientista maluco, ainda mais com aquele cabelo branco ondulado arrepiado, os óculos com armação escura e o jaleco. Ele é engraçado, uma das vezes em que “topamos” me contou uma história engraçada de um cachorro que acidentalmente bebeu gasolina e começou a correr sem parar até chegar uma hora em que caiu no chão. Só que eu não falei nada, apenas murmurei algo do tipo “Caramba!” e ele logo tratou de falar “Ela morreu?”, disse como se outra pessoa tivesse perguntado e respondeu “Não, acabou a gasolina!”, tenho que admitir que caí na gargalhada quando ele falou isso, de fato foi bem engraçado. Mas ele é meio maluco de me contar uma coisa dessas do nada! Não importa, só que foi engraçado. O cumprimentei e segui para deixar os papéis com Lynn. “Descarreguei” a papelada na mesa dela e voltei rápido pra sala – Pronto! – disse abrindo a porta da sala.

JACQUES: Ótimo. Tá tudo pronto pra festa de sexta também?

EU: É... Mais ou menos.

JACQUES: O que tá faltando?

EU: Alguém ter a caridade de me levar...

JACQUES: Ah, eu posso te dar uma carona sem problema. Já sei onde fica tua casa.

EU: Tem certeza?

JACQUES: Por que não teria?

EU: Por nada, só não quero incomodar!

JACQUES: Não incomoda!

EU: Tá bom então... – missão “encontrar uma forma de ir pra festa”: cumprida! :)

JACQUES: Voltando aqui, eu querr... – o interfone da sala tocou, o interrompendo – Pois não minha secretária, em que posso ajudá-la?! – ele escutou atentamente – O que? Um homem? – estranhou – Quer falar comigo? Mas agora? Quem é? Olha, se for o Euclides diz que eu não quero... – pus a mão na boca para não rir. O nome Euclides soa tão engraçado, ainda mais sabendo que tive um professor no colégio que se chamava Gladstone Euclides! Hahaha — Então quem é? – fez uma pausa – Da minha família? Essa é boa... O que esse indivíduo quer afinal de contas? ... Ah, disse que é importante, é?! Quer saber, manda logo ele entrar que vou cortar já o barato dele. Agradecido, tenha um bom dia! – falou brincando – É cada um que me aparece, vou te contar! Se for mais um daqueles caras querendo vender assinatura de não sei o que, vai ouvir. Tô de saco cheio desses caras! – bufou.

EU: Realmente, eles merecem uma boa resposta! – alguém bate à porta.

JACQUES: Faz favor de entrar! – um homem muito alto adentrou na sala deveria ter uns 1,90 e pouco, ele era muito bonito também. Tinha os cabelos escuros na altura da orelha e uma franja que quase tocava seus olhos verdes, que corpo! Um homem muito presença e uma cara de cachorrinho abandonado, ele era um homão e ao mesmo tempo um moleque, não sei explicar. Jacques congelou e ficou sem palavras, a mesma reação que tive, por sinal! – Nathaniel?! – ele parecia ter visto uma assombração – Co- como? Não é possível? Nathan? – seus olhos estavam arregalados. Era seu irmão mais novo, Nathaniel, de quem ele havia me falado dias atrás na lanchonete. O único de sua família que ele ainda tinha esperanças de que estava vivo.

NATHAN: Isso mesmo maninho, sou eu! – abriu os braços. Jacques foi a seu encontro e os dois deram um abraço apertado.

JACQUES: Como você me achou? O que tá fazendo aqui? Estás bem? Como tá conseguindo andar assim? Pensei que estivesse morto!!! – falou sem tomar fôlego.

NATHAN: Calma, mano! Uma pergunta de cada vez... – sorriu. Ele lembrava bastante o irmão em certas coisas. Eles não eram muito parecidos, mas não dá pra dizer que não eram irmãos. Alguns traços se assemelhavam, mas era como se um fosse mais parecido com o pai e o outro com a mãe, sabe?! Ainda assim, os dois eram uns GATOS! Nossa! Me lembravam Joseph e Shane, irmãos, não muito parecidos, mas muito gatos! Deus abençoe os pais destes quatro rapazes! Muito obrigada por pôr essas beldades no mundo, meu Deus! Que colírio para meus olhos. Eu só me pergunto onde estavam escondidos esses homens, que eu não via nenhum! Mas, pelo menos cá estão eles, na minha vida! Hahaha

JACQUES: Eu ainda não acredito que você tá aqui...

NATHAN: Pois é, cá estou eu! Queria ver se ainda estavas vivo! – brincou. Virou-se para mim – E quem é essa moça?

JACQUES: É minha aprendiza, Miranda!

NATHAN: Muito prazer, Miranda! Nathan ou Nate... – estendeu a mão.

EU: O prazer é todo meu... – e como! – Nathan ou Nate! – ele riu.

NATHAN: Bom, espero que ele não esteja sendo muito chato com você!

EU: Imagina, não poderia ser mais gentil! – ele sorriu. Que bebezinho! ^^

JACQUES: Sou um ótimo chefe pra sua informação, maninho! – se defendeu.

EU: É verdade...

NATHAN: Ah, que bom.

EU: Só não espero estar atrapalhando o “momento reencontro familiar” de vocês!

JACQUES: Miranda, deixe disso você não atrapalha... É uma ótima companhia.

EU: Ah, muito obrigada, fico lisonjeada! – sorri.

JACQUES: Mas você, querido e sumido irmão, terá de se explicar muito bem.

NATHAN: Sem problema, mano! E o Yuri? Por onde anda?! Ainda tá no ramo alimentício? De repente me deu uma vontade de comer uma daquelas “saudáveis” comidas dele.

JACQUES: Ele tá aqui na cidade, pra sua sorte e ainda faz aquelas delícias gordurosas! Mas pera aí... Você sempre reclamava quando eu comia essas porcarias que “fazem mal à saúde” – disse como se imitasse o irmão – e agora tá querendo comer?! – questionou confuso.

NATHAN: Pois é, pra tudo tem uma primeira vez... Sem falar que, uma vez ou outra, não corro risco de vida! – riu- Mas eu, sinceramente, ainda não sei como não morreste com toda essa bomba de gordura ao longo dos anos!

EU: Eu também queria saber!

JACQUES: Como isso há tanto tempo que me tornei imune, vocês estão por fora!

EU: Sei...

NATHAN: A-ham!

JACQUES: Ah, qualé?! Deixem eu ser feliz, pô! – mexeu os braços.

EU: Tá bom. Ah, Nathan, posso te chamar assim?!

NATHAN: Claro que pode! Diga.

EU: Pois é, bom... Nessa sexta-feira vai ter a inauguração da boate do meu amigo – nessa hora Jacques começou a rir – O que foi?

JACQUES: É que me lembrei do nome! – botou a mão na testa

EU: Ah sim... – me juntei a ele na risada.

NATHAN: Mas que nome é esse que vocês riem tanto?

JACQUES/EU: Cebola & Salsa! – falamos juntos. Nathan soltou um riso alto e depois riu discretamente.

NATHAN: Realmente é engraçado... Mas quem bota um nome desses numa boate?

EU: Não conheces Roberto João!

JACQUES: Ele não goza muito bem de suas faculdades mentais! – gargalhou. Fiquei olhando com uma cara de “O.K.!”.

EU: A palavra certa seria “regula” e não “goza”...

JACQUES: Tanto faz, dá o mesmo sentido!

EU: Que seja...

NATHAN: Respondendo a sua pergunta, eu vou sim, por que não?! Vai ser bom pra eu me socializar e conhecer melhor a cidade.

EU: Ótimo – esbocei um sorriso de satisfação.

JACQUES: Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem... Mas ainda não acabamos nosso trabalho.

EU: É verdade...

JACQUES: Nate, te importas de ficar aqui conosco?

NATHAN: Pra falar a verdade sim, nunca fui muito chegado nesse teu trabalho. Vou dar uma passeada por aí, depois eu volto. Que horas, mais ou menos acabas aqui?

JACQUES: Tá ok, acaba por volta do 12:00/12:30, depende do volume de trabalho que temos aqui. Mas nesse turno, termina nessa faixa, pro almoço e essas coisas.

NATHAN: Beleza, daqui a pouco tô de volta.

JACQUES: Certo, só não vai sumir de novo, hein?! – o ameaçou brincando. Nathan fez um sinal de “Sim, capitão!” e saiu da sala – É inacreditável! Ainda não consigo crer que meu irmão, que pensei que estivesse a sete palmos, está vivinho da silva e aqui! Como será que ele conseguiu me achar?

EU: Vai saber... Até eu fiquei surpresa, imagina o senhor, quero dizer você. Mas o que importa é que ele tá aqui e vivo!

JACQUES: Com toda certeza! Agora foco no trabalho – dito isso, retomamos o que estávamos fazendo. Atendemos dois pedidos de diligência para exame necroscópico, o que deu tempo para finalizarmos tudo. O doutor disse que ia me levar em casa e eu, não reclamei, né!? Saímos da sala e fomos em direção a recepção, avistei Nathan debruçado no balcão conversando com Lynn. Será que só eu senti que tava rolando uma pontinha de clima entre os dois? Acho que não, porque Jacques me olhou na mesma hora com uma expressão insinuante. Rimos de leve – É maninho, não perdeu tempo, hein?! Não eras assim antigamente. O posto de irmão pegador ainda é meu, ok?! – brincou.

NATHAN: Do que você tá falando?! Ah, para com isso, não tem nada a ver! Só estávamos conversando, né mesmo Lynn? – ela assentiu, envergonhada; afinal ela tem um namorado, o Leandro. Perguntei a ela se iria pra festa, só que ela me disse que ainda estava em processo de convencimento da mãe dela, mas que me daria uma resposta antes.

JACQUES: Bora almoçar galera! Vamos, querida secretária!

LYNN: Desculpa, mas não vai dar querido doutor, tenho que ficar até um pouco mais tarde hoje, o doutor Aramís me pediu para que o ajudasse com uma papelada das complicadas. Não sou sua secretária exclusiva, doutor Jacques.

JACQUES: Ok, eu sei disso senhorita – tipo “não precisa me bater!” — Então, diante disto, vamos? Tô morto de fome!

NATHAN: Me conta uma novidade... – caminhávamos em direção ao estacionamento quando, de repente, Jacques puxa o irmão bruscamente – O que foi, Jack? – perguntou assustado.

JACQUES: Nate, você não tinha aquele problema com aquela coisa?

NATHAN: Do que tu tá falando? – pensou um pouco – Ah sim, aquilo?!

JACQUES: Depende do que for “aquilo”! Falo do problema maior...

NATHAN: Do ashfuxkyplogwie? – ele falou em uma língua diferente, acho que era russo. Não entendi bulhufas! Acho que eles não queriam que eu soubesse do que se tratava.

JACQUES: Esse mesmo! E aí? Como fica?

NATHAN: Tá tranquilo, Jack! – Jacques o olhou desconfiado, mas não se pronunciou. Nathan tirou um guarda-chuva da mochila que carregava – A solução do problema – A solução do problema? Um guarda-chuva? Mas é claro... Ele só pode ser um vampiro também, lógico!

JACQUES: O que? Tu achas mesmo que um guarda-chuva vai adiantar? Até parece que não sabes que não dá certo... – realmente isso não vai dar certo... Churrasquinho de vampiro pra hoje.

NATHAN: Se não adiantasse, como achas que consegui vir até aqui? – Jacques fez uma cara de “sei não!”.

JACQUES: Você que sabe... – fez uma expressão de “não adianta discutir com você” e abriu a porta que dava acesso ao estacionamento. Fui atrás dele, seguida por Nathan que logo abria o guarda-chuva. Jacques se aproximou de um carro laranja, eu acho, meus olhos estavam apertados por conta do sol. Nathan chegou perto de mim com o guarda-chuva, me deixando na sombra junto com ele. Abri mais os olhos e pude ver melhor: um dodge STR8 laranja, MARAVILHOSO! LINDO, LINDO!

EU: Não vai me dizer que esse carro é teu também?! – fiquei de queixo caído.

JACQUES: É sim, minha cara! – deu um sorriso largo.

EU: ESPLÊNDIDO! – entramos no carro. Olhava minuciosamente o interior do possante, incrível, simplesmente incrível.

NATHAN: Não sabia que se interessava por carros!

EU: Não me interesso, eu amo!

JACQUES: Já convidei ela pra ir ver meus bebês.

NATHAN: Ela vai enfartar!

EU: Tenho certeza disso! – rimos – E eu tenho que dizer uma coisa... Não vai dar pra eu almoçar com vocês hoje.

JACQUES: Por que?

EU: Eu não posso me atrasar na universidade hoje, desculpa.

JACQUES: Ah, o que tá acontecendo com a mulherada hoje? Nunca fui dispensado assim!

EU: Eu não tô dispensando ninguém, acredite eu bem que queria ir com vocês, mas não vai dar. Aproveitem pra colocar o papo em dia, eu sei que vocês tem muito o que conversar. Fica pra uma outra vez!

NATHAN: Vai ser uma pena você não ir... Mas como está dizendo que não dá, então fica pra próxima!

EU: É, obrigada.

JACQUES: É... Então tá – eles me deixaram em casa.

EU: Bom almoço e bom papo pra vocês! – dei um tchauzinho, eles retribuíram. Entrei em casa e logo me deparei com o papai na porta da sala me olhando feio – O que foi agora?

PAI: Quem eram esses? Primero el de Mustang, después el de Impala y ahora los de Dodge! ?Qué pasa? Achas que eres quién? Fica andando com homens por aí...

EU: Pai, não é nada disso! Para, era meu chefe de novo e o outro era o irmão dele que acabou de chegar de viajem. O senhor sabe muito bem que não sou dessas mulheres, o senhor me conhece muito bem. Não me venha falar disso! Assunto encerrado! – fui para meu quarto bufando. Meu pai era um baita de um chato, me dava vontade de bater nele de tão aporrinhador que ele é! Não sei como minha mãe aguenta ele, sério. Tudo era motivo pra ele implicar e reclamar com todos, que saco, vai cuidar da tua vida! Ah, nem quero mais falar nisso, me tira do sério. Mudando de assunto: fui pra aula e tudo foi normal. No treino Shane quase me mata... Não! Calma, não me matar de verdade, vou explicar melhor. É que a Di, sem querer, molhou a camisa dele com um feitiço que atira um jato de água, só que foi um pouco forte, aí molhou ele todo na cintura pra cima e ele, felizmente, teve que tirar a camisa. Hahahaha! Eu nunca tinha visto o Shane sem camisa, e por mim ele podia andar assim quando ele quisesse. Ele não tem o abdômen tanquinho do Joseph, mas nem por isso é ruim e os braços, que braços! Hehehe Não que eu esteja cobiçando ele, mas se é bonito mesmo eu falo, é verdade ué! Que mal tem nisso?! Melhor seria se o Joseph oferecesse a camisa dele pro irmão não pegar um resfriado, sabe!? KKKKK Mas infelizmente isso não aconteceu. O coitado ficou sem camisa mesmo, mas se secou. Depois dessas e outras Joseph me deixou em casa, como todos os dias.