Lua de Sangue
25 Os Embalos De Sexta À Noite (Parte 1)
Notas iniciais
BESOS ♥
Capítulo 25 – Os Embalos de Sexta À Noite (Parte 1)
Três dias se passaram, normalmente, vale ressaltar. Sem nada de mais além da alta do Beto, na Quinta-feira ele já estava frequentando as aulas novamente, passava muito bem e nem parecia que ele havia sofrido um acidente feio, tirando pela dor nas costelas que ele sentia quando ria. Mas cá pra nós, esses três dias mais pareceram uma eternidade pra mim, eu tava super ansiosa pra essa inauguração. O desespero bateu forte em mim quando me dei conta que não tinha nada de especial pra vestir. E agora?! É, eu sei que isso é muito fútil e blá, blá, blá, mas uma ocasião como essa pede uma atitude como essa. É incrível como eu deixo quase tudo pra última hora, na maioria das vezes eu me esqueço, mas das outras é por preguiça mesmo! Nesse caso tinha que achar uma solução pro meu “problema” o mais rápido possível, afinal já tava em cima da hora. Recorri à minha mãe depois que cheguei do estágio e demos um pulo no shopping que ficava perto da minha casa. Que nem bruxaria da pesada, parecia que não conseguia achar nada legal em nenhuma loja, mas na última eis que a luz pairou sobre a peça ideal. Um vestido roxo com estampa de caveirinha, lindo demais! A minha cara, uniu duas coisas que eu amo: caveira e roxo, perfeito. E caiu como uma luva em mim vestiu muito bem. Não tinha dúvidas de que esse era o vestido ideal. Fui correndo pra casa para não me atrasar pra aula. Já lá, o tempo parecia não passar, estava contando as horas pra acabar e ir correndo pra casa me arrumar, hoje não ia ter treino por causa da festa, uma vez que todos nós íamos. Beto não foi pra aula porque tinha que organizar tudo lá na boate. Finalmente o professor anunciou o fim da aula, amém! Oremos. Cheguei em casa e passei direto pro banho. Agora que já estava limpinha e cheirosinha, podia começar a me arrumar. Botei meu vestido perfeito e comecei a refletir sobre o sapato... “Ah já sei! Esse vai ficar ótimo”, pensei e peguei meu sapato preto de couro, altíssimo (pra mim é bem alto, não sou acostumada a usar salto, mas ele é realmente alto deve ter uns 12cm!). Tentei ao máximo caprichar na maquiagem pra ficar uma coisa bem bacana, mas como eu sou meio lerda pra esse tipo de coisa então vai do jeito que tá! Não que estivesse horrorosa, mas também não tava de profissional. Enfim, me banhei um pouco de perfume e fiquei à espera do “meu” príncipe das trevas em seus possantes clássicos. Hahaha. Imaginei qual seria o carro da vez. “Passo pra te buscar às 09:00!” ele disse, eram 08:59, quando meu relógio marcou nove em ponto, ouvi o motor e logo depois uma sutil buzinada. Dei tchau para meus pais que estavam na sala e fui em direção ao portão. Um carro verde musgo estava estacionado em frente de casa. Olhei pra dentro do carro pra ver se era Jacques. Ele se inclinou no banco e acenou.
EU: Puxa, mais um da coleção?! – olhei melhor para o carro — Só um Ômega Chevrolet! – falei ironizando. Ai, que carro lindo! LINDÍSSIMO, PODEROSO!
JACQUES: É... Mais um bebê que trago pra te conhecer!
EU: Ah muito prazer! – fechei o portão indo em direção ao carro. Passei de leve a mão no possante, o admirando. Entrei no carro – Buenas noches, !hombre! — ele ficou me analisando.
JACQUES: Puxa, digo eu! Tá mó gata, hein?! – tipo “nossa, nossa assim você me mata!” Hahaha.
EU: Mas quando... Mesmo assim, muito obrigada pelo elogio!
JACQUES: Não, tô dizendo a verdade, tá linda mesmo!
EU: Brigada... – senti meu rosto queimando de vermelho por causa da vergonha “boa” que estava sentindo – Ah... Então tenho que dizer que estás muito bonito também! Gostei da camisa ¾ com essa calça e tudo mais, tá gatchenho! – brinquei, mas no fundo falava a verdade ele tava MUITO GATO! Ele vestia uma camisa ¾ vinho com finas riscas de giz branco, uma calça jeans escura, um sapa tênis cor de areia com detalhes azul marinho e um relógio prata muito bonito. É eu sei, eu reparei em tudo isso sim! Não tinha como não reparar. E o perfume? Que coisa boa, que homem perfumado! Ui! — I-isso que eu chamo de ser pontual! – tentei mudar de assunto para não transparecer que estava babando nele.
JACQUES: Pois é, com o tempo eu aprendi a chegar na hora marcada. Precisava ver antes, era um horror! – riu.
EU: Sei muito bem como é, sou assim! – sorri – Cadê o Nathan? – estranhei.
JACQUES: Ah, ele vai mais tarde, tava se sentindo um pouco mal, então quando ele melhorar ele vai.
EU: Mas é alguma coisa grave?
JACQUES: Ah, n-não, não... É só um mal estar, daqui a pouco passa.
EU: Ah bom – meu celular apitou. Era uma mensagem da Di:
“Já tamos aq, Mi! Qnd cê e o bonitão irão dar as kras? Bjokas ;*”
Ri quando acabei de ler a mensagem e logo tratei de responder:
“Já tamos a caminho, eu e o bonitão!;D Besitos”
Esse pessoal... Dê tudo, mas não dê intimidade! Bem na hora que respondi a mensagem de Diana, chega outra:
“Mana, infelizmente ñ vai dar p/ eu ir p/ festa do seu amigo hj, aconteceram alguns probleminhas aqui em ksa. Msm assim obg pelo convite, fica pra uma próxima! Bjs sz, Lynn”.
Fiquei realmente triste por ela não ir, mas não podia fazer nada.
EU: Esse pessoal me ama mesmo... – tirei onda.
JACQUES: Aconteceu alguma coisa?
EU: Ah, não... Só minha amiga dizendo que já tá lá na festa e a Lynn que não vai poder ir.
JACQUES: Ah bom... – deu um sorriso. Ele estava mais encantador do que nunca. Nunca em minha vida iria imaginar que estaria acompanhada de um homem desses, nem que teria beijado aquele “deuso” do Joseph e que sou uma bruxa e... Enfim – Tá fazendo uma noite muito bonita! – comentou.
EU: Verdade... E o clima tá agradabilíssimo! – sorri olhando para o céu – E olha ela ali! – referindo-me à lua, que estava cheia.
JACQUES: Lindíssima... – deu um sorriso sutil e olhou pra mim. Desviei o olhar, não conseguia olhar por muito tempo para aqueles olhos, me sentia envergonhada com um homão daqueles, era assim com Joseph também, só que com ele já me acostumei. Rodamos por mais dez minutos até chegarmos ao “Cebola & Salsa” (hahahahaha). Na esquina da rua já se podia ver as luzes que coloriam a fachada da boate. Diversos banners enfeitavam o lugar, anunciando a inauguração e suas respectivas atrações. Por fora, tava tudo lindo, queria ver se lá dentro tava também. Porque quem planejou o lugar foi o irmão mais velho do Beto (que é arquiteto e engenheiro civil) e os dois decoraram, só quero ver no que deu! Hehehe. A frente era pintada com preto e verde escuro, havia várias pinturas tribais ou sei lá o que era, nas paredes, ficou bem legal. Na entrada, um corredor que levava para o interior com um tapete vermelho no chão. Ao lado, que era a céu aberto, uma área para os fumantes. Os seguranças pediram nossas identificações, um deles olhou estranho pra Jacques.
SEGURANÇA: Jack? – perguntou confuso.
JACQUES: Fale, Ricardão! – eles apertaram as mãos. Jacques deu uns tapinhas nas costas do “armário”.
RICARDÃO: E aí, como tá meu velho?
JACQUES: Melhor impossível... Não tá mais na “Louvre”?
RICARDÃO: Não, saí de lá... Aqui as condições de trabalho são melhores... Sem falar do salário.
JACQUES: Ah, claro! Que bom te encontrar, cara! – deu um soquinho no ombro do Ricardão.
RICARDÃO: Igualmente! E vejo que está muito bem acompanhado... – me fitou. Ê, saí pra lá! Hahaha.
JACQUES: Como sempre, né?! – riu – Agora deixa eu ir mano, outra hora a gente se fala. Bom trabalho... Tudo de bom, hein!
RICARDÃO: Falou! – eles se despediram. Ele me deu o braço e fomos em direção à entrada. Uma grande porta de vidro fumê preto estava a nossa frente, lá mais dois seguranças estavam à sua frente.
SEGURANÇA 2: Fala, Jacques! – abriu um sorriso.
JACQUES: Qualé a boa?! – sorriu. Eles abriram a porta para nós e entramos. Uma música latina tocava um ritmo envolvente e caliente. Logo de cara nos deparamos com várias mesas e cadeiras, um bar-restaurante, duas mesas de bilhar e uma de totó (pra quem não sabe isso é o mesmo que pebolim, mas na “minha terra” se chama totó, hehehe) e algumas televisões de LCD na parede. Era um ambiente bem “barzinho”, só que mais sofisticado e moderno. Estava tudo lotado: as mesas, o “bilharito”, o totó e os banquinhos do bar. Todos olhavam pra nós, à medida que íamos passando. A mulherada olhava com olhos de cobiça para Jacques e com olhos de pura inveja pra mim! Tava me sentindo a tal! Andando um pouco mais, adentramos em um “outro” ambiente, alguns sofás coloridos seguiam pelas paredes com mesas acompanhando os mesmos. No meio um grande espaço, provavelmente a pista. Logo mais à frente um palco. Havia uma escada, na qual o corrimão era um tipo de cano transparente por onde passavam líquidos coloridos cor de neon. Muito louco, psicodélico, eu gostei muito, aliás, o lugar tava um arraso só. Beto e o irmão haviam realmente se esmerado. Embaixo da escada tinha um bar, só de bebidas, muitas bebidas. Não tive a oportunidade de subir pra ver o que tinha lá em cima, pois logo avistei o pessoal e fui ao encontro deles. Estavam na mesa Di, Juan, Brenda (sim, eles se conheciam, principalmente Jospeh, quando nos conhecemos naquele dia no pub; Brenda sempre sai comigo, então conhece praticamente todos meus outros amigos e é amiga deles também), Shane e Joseph.
EU: Ah, olha lá eles! – apontei na direção deles. Shane deu um aceno. Di fez um sinal com a mão para que fôssemos lá e Joseph sorriu, mas quando avistou Jacques do meu lado, o sorriso desapareceu do rosto dele que nem dinheiro da minha carteira! Fingi que ia me coçar, só pra tirar meu braço que estava por entre do de Jacques – E aí gente?!
SHANE: Fale Mirandinha! – foi o primeiro a se levantar, tratando logo de me dar um beijo e um abraço apertado – Tá gata... Como sempre!
JACQUES: Eu disse isso pra ela também, mas ela não quis acreditar...
SHANE: E tu deve ser o famoso Dr. Jacques, certo?!
JACQUES: Certíssimo, meu caro. Muito prazer! – eles apertaram as mãos. Os outros se levantaram para cumprimenta-lo, Joseph ficou um pouco relutante, mas cedeu. Não podíamos demonstrar nada suspeito. Mas eu fui lá, na verdade, pra me divertir mesmo! Dei um abraço em Diana e lhe disse o quanto estava linda, o que não era mentira, e ela me disse o mesmo, o que também não era mentira, né?! Ê! Hahaha. Depois falei com Juan, pude ver que ele estava animado. Brenda tratou logo de me dar um tapa na bunda e um abraço (nossa saudação! kkk), e dizer que eu tava “Arrasandooo!”. Por último, Joseph... Ai Joseph! Ele tava com uma blusa manga comprida preta de botão; um colete preto de risca de giz cinza quadriculado e uma espécie de lenço, xale, cachecol, ou sei lá como se chama aquilo, só sei que era branco e começava no pescoço sem amarrar e caía até a cintura; uma calça jeans preta; as unhas pretas; luvas também pretas com “spikes” nos punhos e tênis, sem falar do cabelo dele que tava sensacional, bom ele todo sem nenhum esforço é maravilhoso, mas enfim... Pare de babar Miranda.
EU: Gostei de ver... – falei discretamente.
JOSEPH: Eu também... Gosto do que vejo! – me analisou com uma cara de safado — Mas quando olho pro outro lado não gosto nada – se referiu a Jacques – Você trouxe mesmo ele... – disse em tom de voz baixo.
EU: Eu disse que ia trazer... Não foi por falta de aviso. Mas deixa de ser chato! Vamos aproveitar, ainda mais que é tudo de graça pra gente hoje! – sorri.
JOSEPH: Tudo bem... Mas vamos ficar atentos – me deu um beijo na bochecha e me abraçou. Me voltei para Jacques.
EU: Diana, a Di, Juan, Brenda, Joseph e Shane, que já se apresentou! – ri. Ele cumprimentou a todos muito bem e vice-versa, ainda bem que Joseph não me fez vergonha. Hehehe. Brenda ficou visivelmente babando no doutor, como era de se esperar. E pelo visto Diana também, mas quem não baba com um homem desses?! Enfim. Todos voltaram a seus lugares. Eu e Jacques nos sentamos um do lado do outro, mais precisamente eu do lado da Brenda que tava no lado do Shane, à nossa frente estavam Juan, Di e Joseph. Cada sofá daqueles dava 4 pessoas mais ou menos – Cadê o Beto? – perguntei.
SHANE: Deve tá por aí... – olhou ao redor como se o procurasse. Nesse momento alguém botou as mãos nos meus olhos por trás de mim, tomei um baita susto.
EU: Didi?! – era o irmão de Beto, Rodrigo – Que susto seu louco! – bati em seu ombro. Ele me deu um beijo no cangote. Pude ver rapidamente que Joseph o olhava com uma cara nada boa. Será que ele tava com ciúmes? Tô me sentindo! Hahaha.
DIDI: Desculpa, Mi! E aí?
EU: Tô bem e tu?
DIDI: Eu? Ótimo... E aí, o que achou? – abriu os braços se referindo ao lugar – Fiz ou não um bom trabalho? – falou daquele jeito dele meio malandro de ser. Ele e Beto eram bem parecidos tanto na aparência quanto no jeito, só que Beto é louco, Didi é normal.
EU: E o Beto onde fica nessa história? Ele não ajudou, não? Quer ganhar os créditos sozinho, é?
DIDI: Tá certo, tá certo... Fizemos ou não um bom trabalho?
EU: Hum... – olhei ao redor – Tá DEMAIS! – dei um sorriso largo.
DIDI: Ah que bom! Mas eu já sabia que tava demais... Mesmo assim obrigado pelo elogio! – me deu um beijo no rosto.
EU: E cadê o doido?
DIDI: Ah, vou dizer pra ele vir aqui... É que estamos muito ocupados, sabe!? Inauguração... Casa cheia... Saca?!
EU: Saco.
DIDI: Pois é, deixa eu ir... Depois volto aqui pra falar com vocês de novo! – me deu outro beijo no rosto. Queria poder ver a cara de Joseph pra constatar se ele tava se mordendo com todos esses beijinhos do Rodrigo! Hahaha. Didi se voltou pro pessoal sentado na mesa – Pra vocês, tudo por conta da casa hoje! – Shane soltou um “Yeah!” – Pra ti também mano! – deu uns tapinhas no ombro de Jacques e saiu.
JACQUES: Valeu, cara! – piscou.
EU: Vocês vão tocar que horas? – perguntei pros meninos.
JOSEPH: Depois da primeira banda que se apresentar... Não dá pra precisar uma hora.
SHANE: Isso se a gente tocar...
EU: Por que? Qual o problema?
JOSEPH: É que o baixista temporário não chegou até agora, e não deu nenhum sinal de vida... – falou um pouco irritado.
EU: Eita, mas vocês acham que ele vai furar?
SHANE: Pelo visto...
JOSEPH: O que será ótimo! – ironizou.
EU: Calma, nunca se sabe o que aconteceu com ele... Sei lá, não percam a esperança, ainda dá tempo de ele chegar por aqui.
DIANA: Verdade meninos esperem um pouco, de repente ele aparece.
JOSEPH: Assim espero... – falou sério.
JACQUES: Olha, qualquer coisa meu irmão sabe mandar muito bem no baixo, coincidência ou não... Se vocês quiserem ele pode dar uma ajuda!
SHANE: Eras, sério?! Pô, da hora! Se a gente precisar, te dizemos!
JOSEPH: Okie Dokie! – disse sarcástico.
JACQUES: Tudo bem... – percebeu que Joseph não queria muita conversa com ele – Qualquer coisa estamos aqui pra isso! – sorriu.
EU: Falando nisso, quando o Nathan vai chegar?
JACQUES: Sinceramente não sei... Ele disse que ia me avisar quando estivesse chegando.
EU: Será que ele tá bem?
JACQUES: Tá sim, não se preocupe. Daqui a pouco ele chega...
EU: Ah, tá bom então – as luzes se apagaram, o ambiente ficou em total escuridão de repente, até que se ouviu uma movimentação no palco. Uma luz de cor verde iluminou o centro do palco, revelando uma pessoa: Beto.
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