Lua de Sangue
22 Precisa-se De Um Dicionário De Sonhos
Notas iniciais
Besos ♥
Capítulo 22 – Precisa-se De Um Dicionário De Sonhos
Como o de costume tive um sonho estranho, mas dessa vez conturbado, em fragmentos e muito desfocado. As várias imagens em fragmentos surgiam abruptamente em minha cabeça numa sequência fantasmagórica. Quando acordei, mal lembrava o que havia sonhado, coisa rara de acontecer, apenas recordava, vagamente, de poucas “cenas”... Uma delas era a de um carro que se deslocava sob a garoa, em alta velocidade por uma estrada entre uma floresta, que parecia muito com a daqui perto de casa por sinal; a outra que me surgia era de uma lua cheia, somente a lua mergulhada na escuridão de um céu sem estrelas, levemente embaçada pelas suaves nuvens prateadas da noite; e por último aquele mesmo carro capotado na beira da estrada, sem ninguém dentro. Pior do que um sonho anormal detalhado é um sonho anormal sem sentido, fragmentado em partes e pouco nítido. Se já é difícil decifrar um sonho decente, quem dirá um sem pé nem cabeça. Isso realmente me assustara. Encontrava-me num mar turbulento de dúvidas, todos acontecimentos possíveis estavam se misturando em minha mente. Por um momento pensei que minha cabeça iria explodir. Gotas de suor escorriam por minha testa. Respirei fundo e me levantei da cama, fui direto pro banho na esperança de me relaxar, de certo modo relaxei, mas isso não impediu que eu ficasse com caraminholas na cuca. Mal consegui tomar café, então fui direto pegar meu ônibus. No caminho tentava decifrar o tal sonho, mas, infelizmente não era a única coisa que tomava conta de meus pensamentos. De repente uma sensação terrível começou a percorrer meu corpo, começando por minha mão, minhas veias ficaram escuras e iam se espalhando vagarosamente pro resto do braço. Parecia que tinham injetado em mim ácido sulfúrico por via venal, meus olhos se encheram d’água e ardiam mais do que nunca. Isso não é um bom sinal, porque significa que algum mal está por perto. Olhei para os lados examinando as poucas pessoas que estavam sentadas no ônibus, nada de anormal. Senti um forte cheiro de o que parecia ser enxofre, coloquei a cabeça para fora da janelinha do ônibus tentando amenizar aquele fedor e uma nuvem negra, que mais se assemelhava a fumaça passou rapidamente na direção oposta e sumiu. A sensação foi diminuindo aos poucos até que eu voltasse ao normal. Soltei um forte suspiro, por conta daquela queimação horrível. Meus olhos ainda deixavam cair as últimas lágrimas. “Mais essa pra completar!” pensei. Meu celular vibrou, era uma mensagem:
“Estás bem? Senti algo estranho... Se alguma coisa estiver errada me diz. Só por precaução mesmo...
J.J.”
Égua será que Joseph sentiu algo de errado mesmo? Nossa não sabia que nossa ligação era tão forte assim... Mas isso é bom. Respondi dizendo que era só um mal estar, mas que estava tudo bem agora. Não dava pra entrar em detalhes via mensagem, mais tarde eu contava tudo pra todos. Chegando ao IML percebi que Lynn ainda não havia chego, mas com certeza o doutor já estava na sala. Empurrei a gélida porta de inox e avistei Jacques lendo algo em um caderno/diário velho, parecia concentrado porque só se deu conta de que eu estava ali quando lhe disse “bom dia”.
JACQUES: Ah, bom dia! – respondeu um pouco atordoado – Só tava lendo... – fechou rapidamente o caderno e me olhou. A reação dele foi como se um pai ou mãe tivesse acabado de pegar no flagra um filho vendo revistas pornográficas, de uma certa maneira foi engraçado. Será que ele tava lendo contos eróticos? Hahaha.
EU: O que?
JACQUES: o que o que? – aparentava-se um pouco nervoso.
EU: O que estavas lendo? – percebi que ele estava um pouco fora de si.
JACQUES: Ah sim... Umas coisas no velho caderno de anotações do meu pai...
EU: Hum... – a opção de ele estar lendo contos eróticos ainda não tinha sido descartada por mim, pelo jeito da reação dele... Nunca se sabe ué! No entanto, decidi não fazer mais perguntas, vendo que ele não estava nenhum pouco afim de responde-las. Tava morrendo de curiosidade pra saber o que estava escrito naquele caderno. Ai se curiosidade matasse...
JACQUES: Pois é, vamos ao trabalho sujo? – abriu um sorriso sem graça. Concordei. Começamos a fazer o que tínhamos pra fazer. Tentava bolar alguma coisa pra ele falar mais sobre o tal caderno de anotações, eu senti que lá tinha!
EU: Estás bem? Bem mesmo? Não pude deixar de perceber que estás um pouco estranho hoje... – tentei jogar “um verde” pra ele falar a respeito do diário, caderno, enfim.
JACQUES: Bom, eu não tô me sentindo muito bem hoje mesmo, mas não se preocupe é só um mal estar, já passa...
EU: Tem certeza? E quanto ao diário do seu pai? Tem algo que...
JACQUES: Não é assunto pra agora, ok?! – me interrompeu, falando de uma forma que nunca tinha visto ele falar, ríspido e frio.
EU: Ok... – falei atônita.
JACQUES: Olha... – suspirou — Desculpa, é que eu realmente não tô de bom humor hoje e, de fato, não é um ótimo dia pra mim... Desculpa se te ofendi, magoei ou qualquer coisa do gênero.
EU: Não, sem problemas... Afinal, você é quem manda aqui, né?! – sorri tentando quebrar o clima tenso com uma tirada. Mas acho que não resolveu muita coisa não...
JACQUES: É, mas isso não é motivo pra eu sair destratando meus funcionários... – ele, de fato, estava estranho hoje.
EU: Com certeza não... Mas qualquer coisa, eu tô aqui pra te ajudar, tá?
JACQUES: Ok, obrigado por sua preocupação é sinal de afeição e de que você gosta de mim! – abriu um sorrisinho sincero.
EU: Por nada doutor! Estamos aqui pra isso...
JACQUES: Ah, pode fazer um favor pra mim? – assenti – Pode ver se a Lynn já chegou e entregar esses papéis pra ela? – pegou de sua mesinha uma pasta verde com um monte de papel dentro – Relatórios e laudos dos nossos amiguinhos gelados, tem que despachar pro Ministério Público e afins.
EU: Sem problema, tô indo lá! – saí de lá em direção à recepção. Avistei Lynn mexendo no computador, deve ter chego um pouco depois de mim – Bom dia flor do dia!
LYNN: Bom dia, que animação toda é essa?
EU: Animação? Eu sou assim por natureza, meu bem! – ri.
LYNN: Eu sei que é, mas tá mais animada do que o normal... O que aconteceu, hein?!
EU: Ah, tá bom... Tenho um encontro, o primeiro da minha vida! – falei com um ar sonhador. Eu nunca havia saído com um homem antes, bom, não pra esses tipos de coisa.
LYNN: Aê! Se deu bem, né?! E quem é o infeliz, quer dizer o felizardo! Hehe
EU: Engraçadinha... É o Joseph! – dei um largo sorriso.
LYNN: Ah, aquele de quem me falaste! Agora tô ainda mais curiosa pra conhecer essa figura... E teus outros amigos sem ser a Diana.
EU: Vais conhecer claro! Eles vão gostar muito de ti.
LYNN: Duvido, sou uma pessoa bem difícil de lidar e estranha...
EU: Para com isso menina! E eu também sou assim, oras.
LYNN: Não é não, pode até ser estranha... Mas não chega a meus pés!
EU: Tá se achando já. Mas sim, como queres conhecer meus amigos, bora sexta na estreia da boate/clube do meu amigo Beto? O Joseph vai tocar com o Shane, irmão dele e tal... Vai ser bem legal!
LYNN: Ele toca? Que demais! – sorriu contente – Gostei! Acho que vou aceitar a proposta, só vou ter que pedir pra minha mãe, sabe como ela é, né? Já te contei todos os papos a respeito...
EU: Ah sim, claro. Fala com ela e me avisa, tens meu cel... O bonitão pediu pra te entregar isso aqui ó – dei a pasta a ela.
LYNN: Ok, ok! Brigada.
EU: De nada. Agora deixa eu ir, se não a próxima naquela maca irá ser eu! – rimos. Voltei pro local onde estava. Jacques estava folheando umas coisas em uma pasta vinda do Ministério Público.
JACQUES: Mais um pedido de laudo necrópsico e de toxicologia – falou olhando atentamente para o conteúdo das páginas.
EU: Então vamos por a mão na massa...
JACQUES: Parece que sim... E parece que esse aqui morreu com muitas facadas “no couro”.
EU: Percebe-se – o corpo estava todo esfaqueado, eram muitos os ferimentos naquele homem. A maioria dos cortes estavam profundos e outros nem tanto – Acho que ele lutou por sua vida, vendo esses cortes mais superficiais, presume-se que ele tenha se desviado dos ataques do agressor, assim tentando impedir a morte. Além do mais, quem não teria que salvar sua própria vida?
JACQUES: Realmente, mas gostei muito de sua constatação... Quem é essa pessoa bem instruída, bonita, charmosa e inteligente que te influencia e anda te ensinando essas coisas, hein? – brincou pela primeira vez no dia.
EU: Bom, é uma pessoa muito legal, profissional, ótimo no que faz, o melhor eu diria, é um homem bem misterioso também, devo dizer... – dei corda.
JACQUES: Hum... Além de tudo isso deve ser bonito pra caramba, estou certo?!
EU: Bom, isso eu não posso dizer, só posso dizer que ele é muito modesto, sabe?!
JACQUES: Ah, entendo perfeitamente... Afinal, isso é um charme também – rimos. Ele abaixou a máscara descartável, deixando a mostra aquela boca linda e com cara de ser muito gostosa, hehe. Sério, eu morria de vontade de provar aqueles lábios suculentos. Joseph que me desculpe, mas a boca de Jacques é mais apetitosa que a dele! Hahaha Deve ser porque seus lábios são mais cheios, os de Joseph são um pouco magros, assim como ele! xD Tadinho dele, não tô reclamando daquela boca maravilhosa que ele tem, só tô dizendo que a boca de Jacques é um pouco mais vistosa, apenas isso – Preciso de um pouco de ar, parece que essas porcarias descartáveis sufocam! Essas parafernálias me dão agonia, mas não posso fazer nada, não é? – sorriu. Que sorriso esse homem tem, vou te contar! E realmente, ele é bonitão, charmoso, instruído, inteligente ETC. Que homem!
EU: Verdade. O senhor... Digo, gostas de festa?
JACQUES: Que tipo de festa?
EU: Ah, pubs, clubes, boates, aniversários... Essas coisas.
JACQUES: Claro! Quem não gosta? – deu um riso curto – Por que a pergunta?
EU: Ah, é que vai ter a inauguração da boate do meu amigo na sexta feira e uns amigos meus vão tocar lá também, se quiseres aparecer por lá vai ser legal – tava vendo a hora de ele dizer algo do tipo “Até parece fedelha, tá mesmo achando que vou pra esse negócio idiota? Nossa relação se resume apenas ao IML!”.
JACQUES: Já é! Obrigado pelo convite – sorriu amistoso.
EU: Ah que bom! – será que eu mostrei empolgação demais?
JACQUES: Qual é o nome do lugar?
EU: Cebola & Salsa... – me segurei pra não rir, pois toda vez que falava esse nome caia na gargalhada. Só esse Roberto João pra colocar um nome desses numa casa noturna. Que credibilidade ele quer passar com esse nome? Enfim, acabei rindo do mesmo jeito.
JACQUES: Cebola & Salsa? – caiu no riso – Tenho que admitir que é um nome bem criativo!
EU: Realmente, isso é! Mas não repara não, meu amigo não regula muito bem de suas faculdades mentais... – Jacques riu mais ainda – O que foi? Ainda tá rindo do nome?
JACQUES: Também, mas é que eu nunca mais tinha escutado essa expressão!
EU: Ah bom... É bem engraçado mesmo!
JACQUES: Pode contar que estarei lá, bom, se não houver nenhum imprevisto no dia, estarei lá!
EU: Aham...
JACQUES: Embriagado!
EU: Que? – não me diz que vou ter que cuidar de porre, ou pior, de chefe porre – Vai entornar todas lá mesmo, é?
JACQUES: O camarada aqui, tava embriagado – apontou para o corpo estendido na maca diante de nós dois.
EU: Ah! Isso... – soltei um riso alto — Como sabes?
JACQUES: Não tá sentindo?
EU: O que, sentindo o que?
JACQUES: O cheiro de álcool... Tá exalando pelos poros dele. Esse corpo ainda tá fresco, quando tá assim é melhor, dá pra sentir essas coisas melhor.
EU: Não tô sentindo nada, e olha que meu nariz é sensível...
JACQUES: Sem problema. Pelo menos já temos o resultado de um dos exames, agora só falta o outro – eu estava absurdamente impressionada com aquilo. Como ele pôde sentir o cheiro daquele cadáver e ter tanta certeza do que estava dizendo? Sei lá, isso foi bem estranho. De qualquer forma é mais uma pista a meu favor pra descobrir sobre quem ele realmente é. Seguimos fazendo o laudo completo do bebum. Quando terminamos, organizamos a papelada todinha e engavetamos o presunto – Menos um! Direto pro freezer... Às vezes certas pessoas são melhores desse jeito... – ok, esse comentário foi meio estranho, mas tenho que concordar com ele, algumas pessoas seriam melhor mesmo engavetadas num freezer pra nunca mais voltar. Eu sei, isso foi maldoso da minha parte, mas é a mais pura verdade – Se me der licença, preciso tirar a água do joelho – deu um sorriso meio desconcertado.
EU: Tem toda licença... – enquanto ele estava no banheiro, eu aproveitei pra limpar a maca e os instrumentos de “tortura” como o Dr. Jacques chamava – “And I lost control, I’ll taste your blood tonight (...) You know I make you wanna scream, You know I make you wanna run from me baby (...) Scream, scream!”
JACQUES: Avenged Sevenfold? – falou abrindo a porta do banheiro.
EU: Hã? O que? – me assustei.
JACQUES: O que você estava cantando era Avenged Sevenfold, estou certo?
EU: Ah... – nem tinham percebido que estava cantando alguma coisa, mas depois me toquei – É sim, é A7X!
JACQUES: Uma banda muito boa, não é da velha guarda, mas ainda assim boa uma das poucas que se salva hoje em dia, eu diria...
EU: Exatamente! – dei um sorriso de aprovação – Tirou as palavras da minha boca. É uma das minhas bandas preferidas!
JACQUES: Já te disse que tens bom gosto, né?! Pois é... Bom saber que ainda existem pessoas sãs nesse mundo.
EU: Sem dúvidas!
JACQUES: Já tá limpando as tralhas?
EU: Sim, aproveitei pra adiantar um pouquinho...
JACQUES: Ótimo... Ah, sobre aquela visita aos meus bebês... Que tal irmos essa semana?
EU: Bebês? – pensei um pouco – Claro, os carros... Durante a semana não dá, tenho aula e de noite “faço boxe”.
JACQUES: Hum... Sábado? Que tal? – fiz uma cara de “Acho que não rola!”, Sábado é meu encontro com Joseph – Já tem compromisso?
EU: É... Mas qualquer coisa eu te aviso...
JACQUES: Ah, claro – tirou do bolso um cartãozinho preto com letras cor de prata cravadas – Aqui meu cartão, pode ligar pra qualquer um desses números.
EU: Ok! Dr. Jacques Tippens – falei olhando para o pequeno cartão – Chique...
JACQUES: Ah, obrigado... Agora, vamos terminar de limpar nossa sujeira – feito isso ele foi se desfazendo da máscara, da toquinha e das luvas, ficando só de jaleco. Ele ficava bem sexy só com o jaleco, sem aquelas coisas cobrindo o lindo rosto dele. Lynn bateu na porta pedindo pra ir logo embora, pois tinha uma consulta médica em algumas horas – Expediente encerrado por hoje. Quer uma carona?
EU: Com certeza. Uma carona é sempre bem vinda! Mas, não vai atrapalhar?
JACQUES: Que isso, atrapalha nada.
EU: Tá bom então... – comecei a tirar meu “uniforme” de trabalho, logo ele tirou o jaleco, pegou a jaqueta de couro marrom de sempre, colocou a pasta transpassada nos ombros e os óculos escuros. Em menos de um minuto ele se transformou em uma pessoa totalmente diferente, quem vê ele desse jeito não diz que é um médico renomado. O medalhão como sempre estava lá, em seu pescoço. Fomos andando até o estacionamento, o sol não dava descanso, arrisco uns 38ºC ou mais – Égua, esse sol tá queimando meu couro!
JACQUES: Nem me fale, só falta matar a gente...
EU: Cadê teu carro?
JACQUES: Tá ali!
EU: Onde?
JACQUES: Aqui – parou do lado de um carro preto, não conseguia distinguir qual carro era, pois meu olhos estavam quase que totalmente fechados por conta da claridade. Abri eles um pouco e consegui enxergar melhor.
EU: UM IMPALA 67 PRETO?
JACQUES: Corretíssimo! Entende mesmo de carros... Bom, pra uma mulher isso é demais.
EU: Obrigada! Mas abre logo essa porta, que quero entrar nessa belezura! – entrei no carro, que sonho. Como eu queria ter um carro daquele! – É incrível... Mas confesso que ainda prefiro o Mustang, minha paixão...
JACQUES: Eu prefiro o Impala, mas o Mustang é um máximo! O que importa é nossa paixão pelos carros... Especialmente os antigos.
EU: Aham – o motor roncou. Que máquina incrível da velha guarda – Nunca pensei que fosse entrar nesses carros algum dia...
JACQUES: Então se prepare bastante quando for ver os outros... – deu um sorriso maléfico e safado ao mesmo tempo. Conversamos um pouquinho mais sobre a máquina e depois sobre outros carros antigos. Falamos um pouco de comida e de como era bom comer. Como mudamos de assunto tão drasticamente eu não sei. A única coisa que eu sei é que Jacques é bom de boca que nem eu, com a pouca diferença que ele gosta mais das coisas que fazem mal à saúde, mas isso não vem ao caso. Por alguns minutos ficamos apenas ouvindo a música que soava do rádio. Agora era a vez de The Police com “Roxanne”.
EU: “Roxanne, you don’t have to put on the red light, Those days are over, you don’t have to sell your body through the night” – cantava baixinho. Mas acho que Jacques ouviu porque logo seguiu cantando o resto da música, animado. Eu só fazia rir, ele é de fato engraçado. Nisso deu o tempo de chegar em minha casa – Tchau, muito obrigada pela carona – bati a porta do carro.
JACQUES: Por nada, até amanhã! – deu um aceno se inclinando para a janela do carona e piscou. Entrei em casa e me deparei com meu pai na cozinha me olhando com uma cara estranha.
PAI: Já é outro é?
EU: Já é outro o que?
PAI: Hombre... Ontem era o do Mustang, hoy es de Impala Negro, ? qué pasa?
EU: Não pai, é a mesma pessoa, meu chefe por sinal... Que só fez a caridade de me dar uma carona, ok?!
PAI: Sí, yo sei... – fez uma cara de “Finjo que acredito!”.
EU: Se não quer acreditar, não acredita o problema é seu... – fui para meu quarto me aprontar pra Universidade e repassar o que eu ia falar no seminário de hoje. Ah, como eu odeio seminários! Odeio falar em público, mas tenho que parar com isso, afinal minha profissão requer esse tipo de coisa. Enquanto almoçava só conseguia pensar naquele sonho doido, de alguma maneira sentia que as notícias que me dariam no dia de hoje não seriam das melhores.
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