Lua Cheia

1 O começo de tudo...


Tudo começou quando mudei de escola. Era um dia nevado depois de uma tormenta muito forte, estava indo caminhando até a escola. Eu vejo um tronco jogado no meio do bosque e acabo me distraindo, fui dar uma olhada pois me chamou a atenção. Acabo não encontrando nada, olho para meu relógio e vejo que estou atrasada. Começo a correr, mas não encontro a saída do bosque. Pego meu celular e busco no GPS, noto que estou a 4km da minha escola então peço um táxi, mas o taxista não liga para mim. Tento novamente com outro carro, mas nada. Começo a correr na direção que o meu celular diz. Com a mochila se mexendo e batendo nas minhas costas. Depois, do que pareceu uma eternidade, um carro aparece ao meu lado.

—Onde você está indo tão apressada?

Diz o menino, que parecia ter uns 18 anos, dirigindo o carro.

—Estou atrasada para a escola, não posso conversar agora.

—Você vai a escola S. PongaCity?

—Sim, e estou bem atrasada como pode ver.

—Sobe aqui. Também estou indo para lá — ele mostra o logo do uniforme, que dizia: School of Ponga City. Demoro para responder.- sobe logo!

Não tinha muitas opções, então não duvido e subo no carro. Tudo era melhor do que chegar no recreio do primeiro dia de aula.

Ele acelera e chegamos em menos de 5 minutos na escola.

—Obrigada…

—Erik

—Muito obrigada mesmo!

Saio correndo antes dele poder dizer qualquer coisa. Quando chego em aula o professor de história comenta inutilmente, como se eu não tivesse notado:

—Atrasada 15 minutos, senhorita.

—Desculpa pela demora! Quer dizer…-limpo a garganta lembrando do vídeo do Pinterest de como ser mais educada e dar uma boa impressão- obrigada pela paciência.

Sento no único lugar livre atrás de um menino com cara de nerd. Eu não conhecia ninguém. Havia me mudado para outra escola exatamente no 1° ano do ensino médio, que digamos é um ano importante.

No final das primeiras aulas chegou, ao fim, o recreio. Ninguém sai correndo, nem começam a gritar ou até fazer guerra de comida. Só se levantam, pegam o lanche e se sentam no chão, apoiados na parede ou sentados de um jeito elegante, em forma de uma roda meio torta. Eu não sabia se deveria me juntar, mas eu me aproximo e não falam nada. Só sento, como alguém que não quer nada. Eles começam a falar sobre suas férias, de ricos, e assuntos que não me atraíram, só fiquei lá olhando todo mundo sem ouvir nada.

Meus pais conseguiram pagar uma escola particular para o meu ensino médio, mas não é que nós tínhamos muito dinheiro, eles apenas se esforçam muito para poder pagar minha escola. Eu trabalho como garçom na pizzaria "Chesse and Olives", não ganho muito, mas tento ajudar no pagamento.

Ouvo o sinal tocar e me levanto para ir ao banheiro antes do professor chegar. No banheiro estou lavando as mãos.

—Oi.

Era Erik. Acho que somos amigos depois da carona.

—Oi.

—Não encontrei você no refeitório.

Comenta ele. Ele prestou atenção.

—Fiquei na sala, não sabia que havia um refeitório.

—Quer que te mostre onde é?

—Pode ser amanhã? Vou estar encrencada se me atrasar duas vezes em apenas um dia, o primeiro. Haha…- dou uma risadinha para não parecer chata.

—Pode ser. Até mais!

—Até!

—Espera -ele me para- qual é seu nome?

—Abigail Baker.

—Prazer.

Eu saio correndo para não me atrasar. Quando passo pela porta o professor fala:

—Abigail Baker?

—Aquí.

Sento novamente e espero a aula acabar.

Não consegui conhecer muitas pessoas hoje. Mas acho que entendi que definitivamente não devo ficar sentada no chão da sala olhando pro nada e refletindo como fui parar ali. Estou decidida: vou sair da sala e ver o refeitório.

A aula acaba. Saio e noto que algumas meninas me olhavam estranho. Ignoro e só começo a caminhar o mais rápido possível sem olhar para trás.

-E ai! Quer carona? — era Erik, de novo.

-Vou aceitar desta vez. Só porque estou cansada e não consigo mais mexer meus músculos da perna esquerda.

Ele começa a caminhar e eu o sigo como uma mosca. Quando chegamos ao carro eu entro antes que ele desabo na poltrona do carro. Ele entra e liga o carro, esperando um tempo para aquecer o motor, o frio deve ter congelado ele ou algo do tipo, pois solta um grunhido indignado. O carro havia sido literalmente congelado e ele não conseguia ligá-lo. Eu saio do carro.

—Espera Abi!

—Gostei do apelido. — falo me dirigindo a parte traseira do carro, deito no asfalto frio do estacionamento e tento revisar o motor.

—O que você está fazendo?

—Vendo o que houve com o carro que não liga.

Ele fica me olhando, enquanto eu reviso o motor. Não era o motor. Era o escapamento. Consigo ver que há uma bola de neve lá dentro, algum engraçadinho deve haver posto lá. Tiro ela de dentro do tubo.

—Pronto. — Falo orgulhosa.

—O que era?

—Alguém colocou uma bola de neve no encana… — não consigo terminar a frase.

—E ai, cara! Seu carro estragou? Eu arrumo carros, comecei hoje.

Um menino alto com cabelo na régua e olhos verdes se aproxima. Ele colocou a neve lá dentro, penso ao ve-lo.

—Não, foi mal cara. A Abigail já arrumou tudo. Né, Abi?

—Sim. Sou uma mulher muito esperta com grandes habilidades em mecânica, matemática, quiropraxia e além disso muito boa em escalada. Ah! E não duvide de mim no futebol.

O menino comprime o cenho e contorce a boca de um jeito engraçado.

—Interessante. Mas não sou uma entrevista de trabalho ou universidade, você sabe disso né?

Fico calada e apenas entro no carro e espero Erik lá.

—Vamos?

—Vamos. — digo.

No caminho a casa não conversamos muito, apenas falei onde morava e ele falou o que iria estudar na faculdade, medicina.

—Obrigada pela carona.

Sorrio e ele me retribui com um sorriso torto muito fofo. Ele tinha a cara lisinha sem nem um resquício de barba ou bigode, nem espinhas. Com o cabelo loiro e olhos azuis. Bem estereótipo.

Quando entro em casa minha mãe está arrumando a mesa para comermos.