Loving The Enemy
38 I am losing myself
Notas iniciais
espero que gostem (:
(...)
1 mês depois...
- Hermione, há muito que você já está passando mal desse jeito. Você ainda não percebeu? – Harry sussurrou para mim.
- Eu sei o que você vai falar e a resposta é não.
Não era a primeira vez que Harry vinha com esse assunto comigo e eu não conseguia mais arranjar desculpas para falar para ele. Não acho que conversar sobre eu estar “passando mal” é um assunto para ser discutido enquanto você mora em uma barraca, está caçando Horcruxes e está sendo caçada por Comensais da Morte.
- Eu nunca me imaginei conversando com você sobre isso, porque essas coisas você conversa com a Gina e depois ela me conta... Er... Você já transou com o Malfoy?
Eu corei, corei muito. Eu também nunca pensei que conversaria sobre isso com o Harry e porque ele queria saber?
- Já...- eu sussurrei, baixo demais até para eu escutar.
- Vocês, é... Usaram... – O Harry estava tão vermelho quanto eu e não conseguia achar as palavras para formar a frase que ele queria.
- Não... – eu falei e então me toquei como eu e Draco fomos idiotas.
- Hermione como não? Isso é imprudente, infantil! Eu e a Gina... – ele olhou para os lados para ver se o Rony estava por perto ou se ouviria -... Agente usou proteção pelo menos e depois ela tomou a poção anticoncepcional! Hermione você é mais inteligente que isso! Como não fez nada?
Eu havia começado a chorar, fui muito imprudente. Como eu poderia ter esquecido? Eu tinha 17 anos, estava em uma barraca, correndo sério risco de vida...
- Eu não posso estar. Não dá.
- Porque você não quer aceitar isso? Está obvio! Hermione, você está g-r-á-v-i-d-a!
- NÃO! Eu não quero! O que eu farei? Olha onde a gente está! Harry me desculpa...
- Ta tudo bem Mione – ele me puxou para um abraço – Vai ficar, você vai ver... Desculpe-me, eu não devia ter ficado bravo com você.
- Eu estou sozinha Harry
- Não está, você tem a mim. Eu vou sempre ficar ao seu lado. Não importa o quanto eu odeie a pessoa que você ama.
- Obrigada Harry. Eu... eu estou grávida. – suspirei – e o pai da criança não tem a mínima idéia sobre isso, e talvez nunca tenha. Eu nunca mais o terei de volta...
- Você sempre o terá Hermione, você não vê? Ele já está ai com você. Dentro de sua barriga, o resultado do amor de vocês. – eu sorri. Era verdade, a partir de agora, uma parte de Draco sempre estaria ao meu lado. E isso, me fez mais forte.
- O que está acontecendo? Hermione, porque você está chorando?
- Eu estou grávida Ron. – eu falei tudo de uma vez.
- VOCÊ ESTÁ O QUE? – ele gritou
- Grávida.
- Como? Você está grávida do Malfoy? Daquele nojentinho comensal da morte? O culpado de tudo isso?
- Não fale assim dele!
- Para de ser ridícula Hermione! Pare de defendê-lo! Ele está longe, ele é inimigo! ELE FOI EMBORA E TE DEIXOU PARA TRÁS!
Aquilo me quebrou. Ouvir meu melhor amigo falando aquelas palavras com a frieza que estavam sendo ditas era destruidor.
- Ron pare. – Harry pediu.
- Parar? Acho que não! Nossa melhor amiga esta grávida de um comensal da morte! Você vai fazer o que Hermione quando ele tiver uma varinha apontada na sua cara? Quando ele tiver que te matar porque você é uma nascida trouxa? Ele é um comensal, um seguidor de Voldemort! Ele não terá compaixão, não terá pena de você só porque ele te comeu!
- CHEGA RONALD! – o Harry gritou. – Eu não irei admitir você falando assim dela! Não mesmo!
Eu estava no chão de joelhos, destruída depois de ouvir tudo aquilo que ele havia falado para mim.
- Então é isso o que você acha de mim? – eu perguntei com a voz embargada por causa das lágrimas que escorriam.
- Eu irei embora.
Ele disse e saiu da barraca. Harry foi atrás dele e não demorou muito para voltar. Ele já havia aparatado.
Harry estava olhando para mim com pena em seu olhar. Desde quando Harry Potter tinha pena de mim? Nunca. Porque eu nunca havia demonstrado tamanha fraqueza na frente dele.
- Vamos Harry, temos que continuar.
(...)
2 semana depois...
POV Draco
- Saia desse piano garoto. – minha tia falou.
- Estou na minha casa Bela.
- Está me irritando.
- Só está te irritando porque você não sabe tocar, claro você é burra que nem uma porta!
- Anda muito atrevido moleque, o que está acontecendo? Está se desligando dos seus sentimentos?
- Bela, deixe o garoto em paz.
- Ai, é sempre assim! Não irrite o garoto, deixe o garoto em paz, não o provoque! Qual é a graça?
Eu revirei os olhos. Minha mãe entrou na sala com a Astoria e com Scabior do lado dela. O que ela estava fazendo aqui? Astoria veio direto ao meu lado e minha mãe sorriu. Então era isso? Minha mãe queria que eu esquecesse Hermione ficando com outra?
- Lucio, eles foram vistos em uma floresta aqui perto.
- Você tem certeza que são eles Scabior? Não podemos chamar o Lorde a toa...
- Sim. Tenho certeza.
- Então o que você ainda esta fazendo aqui? Vai atrás deles! Capturem-nos! Traga-os até aqui!
- Sim senhor. – Scabior aparatou
Eles estavam se referindo a quem eu estava pensando? Ao Potter, ao Weasley e a Hermione? Eles iam seqüestrá-los e trazê-los aqui?
- Como você está Draco? – Astoria perguntou quando percebeu que eu estava meio em choque
- Porque você está aqui?
- Porque eu te amo Draco. Sempre amei.
- Desculpe Astoria, mas você sabe que eu não sinto o mesmo. Nunca senti e você sabe quem eu amo. – eu sussurrei o finalzinho.
- Sim eu sei, e é por isso que sua mãe me trouxe aqui, para você esquecê-la e no final você vai me amar.
- Você deve estar tirando da minha cara não é mesmo?
POV Hermione
- Onde você estava Harry? – eu perguntei assim que o vi chegando
- Eu encontrei umas coisas.
Assim que ele disse isso, eu pude ver o Rony vindo atrás dele trazendo a espada.
- O que você esta fazendo aqui? – eu disse com a cara fechada.
- Eu voltei, precisava me perdoar com você. Não foi certo o jeito que eu falei com você.
- Ah você acha isso mesmo? Não era meio obvio?
- Desculpe-me Mione.
- Estupefaça! – um feitiço passou por nós e acertou a nossa barraca.
- Muito bem Ronald, ainda trouxe seqüestradores com você. – eu disse com escárnio.
- E agora? – Harry perguntou.
- Agente corre.
Nós três saímos correndo, feitiços eram disparados em nossa direção. Atirava feitiços para trás, mas era difícil algum deles acertarem. Estávamos correndo e atrás de nós havia diversas árvores.
- Hermione, eles são muitos, não vamos conseguir escapar!
- Cadê o Ronald? – eu gritei
- Eu não sei, acho que ficou para trás!
- Pare Harry, rápido.
- Não temos tempo Hermione.
Eu apontei minha varinha para ele e mudei todo o seu rosto. Os seqüestradores nos alcançaram e eles traziam o Rony capturado. Eu revirei os olhos.
- O que aconteceu com o seu rosto? – Scabior perguntou.
- Não temos tempo para isso, vamos levá-los a mansão e lá veremos se ele é mesmo Harry Potter
O que? Eles nos levariam para mansão? Que mansão? Não seja a mansão que eu estou pensando...
- Greyback aparate com a garota.
Puxaram meu braço com tudo e aquele lobisomem nojento cheirou meu cabelo, eu quase vomitei. Senti meu corpo sendo solto do chão e a estranha sensação de aparatar percorreu pelo meu corpo. Quando pisei novamente no chão eu me senti tonta, meu estomago se revirou. Aparatar não era uma coisa boa para pessoas grávidas.
Olhei para frente estávamos do lado de fora da mansão, da mansão Malfoy. Vi Bellatriz se aproximando e encostando o rosto no portão. Scabior levou Harry até ela e levantou seu cabelo.
- O que aconteceu com o rosto dele?
- Não sabemos, acho que foi algum feitiço.
- Entrem, levem-no para o Draco, ele saberá identificar.
Meu corpo congelou, Draco estaria lá dentro.
- Vamos sua sangue-ruim ande.
Fomos andando pelo jardim, não era um jardim bonito, era um jardim morto, sem vida. Em algum lugar por perto havia uma fonte, pois o barulho de água escorrendo podia ser ouvida no meio daquele jardim silencioso. Entramos na mansão, era enorme, o hall de entrada era grande, mal iluminado e suntuosamente decorado, e um magnífico tapete cobria quase todo o piso de pedra.
Bellatriz andava na frente rindo. Assim que entramos na grande sala de estar eu o encontrei. Draco Malfoy estava parado ao lado de um piano com Astoria Greengrass ao seu lado e a vadia pegou a mão dela justo quando me viu. Ele estava com ela? Eu me senti tonta, minhas pernas custavam em continuar em pé, a vontade de cair era enorme.
- Olha só quem eu trouxe Draquinho, sua ex-namoradinha! Mas não se preocupe, eu cuidarei bem dela.
Eu estava parada a uns metros de distancia de Draco, que agora havia largado a mão da Astoria. Harry e Rony estavam no meu lado, com comensais a nossa volta. Harry me deu a mão depois de ver a expressão de meu rosto. Não sei se meu rosto expressava o que meu coração sentia. Era muita dor. Draco olhava para mim, seus olhos expressavam um pedido de desculpas, também havia dor neles... ou era pena?
Bellatriz olhou maliciosamente para mim, satisfeita, com um olhar presunçoso. Ela tirou uma faca do seu bolso e veio até mim, apontando a faca no meu rosto. Draco deu um passo para frente, Harry e Rony tentaram avançar nela, mas comensais o pegaram.
- Levem esses dois para o porão, eu vou ter uma conversinha de mulher para mulher com essa daqui.
Eu olhei para o Harry, comecei a chorar. Porque alguma coisa me dizia que eu não sairia viva daqui. Talvez essa fosse a ultima vez que eu olharia para o Harry.
- Solte. – Draco falou com a voz firme.
Bellatriz apenas riu e se colocou atrás de mim, com a faca colada em minha garganta, eu podia sentir a lamina na minha pele. Eu tinha medo da morte, eu não queria morrer, não agora, não assim. Eu queria poder olhar para o meu bebe, queria ver se ele teria os olhos do pai, queria vê-lo crescer. Eu olhava para Draco.
Bellatriz me jogou no chão e ficou por cima de mim com aquela cara de louca, eu não queria olhar para ela, procurei Draco, havia dois comensais o segurando.
- Viu só, isso que dá se meter no meio da família Malfoy. Você irá sofrer, sofrer muito por sujar o sangue da minha família.
- O seu sangue já é sujo, sujo por ainda ter esse pensamento preconceituoso.
Ela começou a sussurrar alguma coisa com a varinha no meu braço, e meu corpo se preencheu de dor. Eu gritei. Contorcia-me por causa da dor.
- Não encoste nela! Como você se atreve? Como você se atreve a machucá-la? – Draco gritou, sua voz deixava claro que ele estava lutando contra as lágrimas. Bellatriz de levantou imediatamente e foi até ele. O empurrou com violência, mas não falou nada, apenas ficou olhando.
Eu continuava deitada no chão sem forças para me levantar, olhei para o meu braço, aos poucos algumas letras se formavam no meu braço, cada uma delas me trazendo mais dor. Sangue sujo estava escrito, escrito em sangue, cravado na minha pele.
- Tia Bella, por favor. Eu te imploro. Deixe a ir.
- Eu tenho nojo de você Draco. Nojo. – ela disse e saiu de perto dele, voltando para mim.
Ela me puxou com força, me obrigando a ficar de pé.
- Narcisa venha aqui! – ela gritou – Seu filho não esta obedecendo a sua ordem, cuide disso.
Eu olhei confusa para ele, seu olhar expressava medo.
- Mãe, por favor, não.
- Eu te disse Draco, você tinha que escolher... Você fez a escolha errada.
- Posso te mostrar uma coisa Draquinho? – Bella perguntou. – Crucio!
Contorcia-me inteira, uma dor insuportável dominava o meu corpo. Parecia que facas em brasas estavam sendo penetradas na minha pele. Então era essa a sensação?
- Pare! – ele gritou. O feitiço se cessou. Mas eu sabia que não tinha acabado, sabia o que vinha a seguir.
- Vamos Draco sua vez. – ela disse.
- Não.
- Crucio! – pensei que sentiria a dor novamente, mas o feitiço não veio para mim.
- Draco! – eu gritei. – Pare, por favor!
Ela parou de torturá-lo e apontou a varinha para mim, eu fechei os olhos.
POV Draco
Ela apontava a varinha novamente para Hermione, que estava de olhos fechados e continuava a chorar.
Eu não podia fazer nada, minha mãe tinha a varinha apontada para mim, minha tia apontava a varinha para Hermione.
- Você quer que eu te mate não é? Você quer acabar logo com isso. Quer ver seu namoradinho a salvo. Que lindo sangue-ruim você está disposta a morrer para salva-lo.
Ela acentiu com a cabeça. Não, Hermione não podia morrer para me salvar, não poderia morrer no meu lugar.
- E você Draco, o que acha sobre isso? Você sabe que tem uma forma de salva-la. É só você esquecer. Ou... Você irá sofrer as conseqüências.
Eu olhei para ela novamente, agora ela parecia ter entendido.
- Vamos fazer assim, vocês decidem. – ela falou e empurrou a Hermione para perto de mim. Estávamos próximos, mas não nos tocávamos, estávamos sobre mira de varinha.
- Esqueça. – ela sussurrou.
Eu neguei com a cabeça.
- Esqueça Draco. – ela pediu.
- Não Hermione. Nunca.
- Você falou que um dia eu viria para a sua casa. – ela forçou um sorriso – só não imaginei que seria assim.
Meu coração se quebrou. Meu queixo começou a tremer, as lágrimas se amontoavam nos meus olhos. A culpa era minha.
- Vamos, acabou o tempo. Ainda quer a sua namorada sangue-ruim? Pense Draco, vamos querido. Você sabe o que vem agora. – ela tirou Hermione de perto de mim, empurrando-a novamente para longe. – Sua ultima chance, faça o seu trabalho ou você sofrerá as conseqüências.
- Pare de machucá-la, ela não fez nada. Deixe-a ir, por favor, tia. Eu não ligo para o que vai acontecer comigo, mas, por favor, não a machuque.
- Oh, não se preocupe Draco, Tia Bela cuidará muito bem da sua pequena namorada sangue ruim.
Eu não sabia o que fazer. Sei que era egoísta não querer esquecê-la, porque era. Mas eu não podia, porque sabia que eu esquecer não faria diferença para minha tia, ela continuaria a torturá-la. Vê-la sendo torturada por Bellatriz era igualmente terrível, minha tia era a melhor bruxa ao realizar essa maldição. Ela não tinha pena, nunca teve.
Só tinha um jeito de salva-la. Eu apontei minha varinha para Hermione, ela fechou os olhos.
POV Hermione
“Você vai fazer o que Hermione quando ele tiver uma varinha apontada na sua cara? Quando ele tiver que te matar porque você é uma nascida trouxa? Ele é um comensal, um seguidor de Voldemort!”
Lembrei-me do que o Rony falou, Draco estava com uma varinha apontada para mim. Ele não me mataria.
- Hermione desculpe-me, mas eu preciso te machucar. Porque só assim você pode se salvar.
- Muito bem Draquinho. Essa foi uma escolha justa. Vamos ver se você é realmente capaz...
- Crucio!
Novamente a dor de facas em brasas perfurando meu corpo voltou, mas dessa vez era mil vezes mais fraca. A dor era insuportável, não me impediu de gritar.
- Leve ela para cela. – ouvi a voz de Bellatriz.
Assim como a dor apareceu, ela foi embora. Fui puxada e arrastada por dois comensais para longe dali. Não tinha forças para andar.
Depois de descer várias escadas fui jogada dentro de uma cela vazia e úmida. Eu estava sozinha, não tinha a mínima idéia de onde estava Harry e Ron. Eu estava sem a minha varinha, meu braço latejava.
Escutei passos e fui até o canto da cela, era inútil. Mas não queria ficar perto de ninguém. A porta se abriu e lá estava ele.
- Desculpe-me. – ele disse e com esforço eu tentei me levantar, fui até ele.
- Sempre.
- Por quê? Porque sempre que eu te machuco você me perdoa? Pelo menos uma vez Hermione, me mande embora da sua vida! Você está machucada e a culpa é minha! É hora de dizer adeus. – ele falou e se virou para ir embora.
- Por favor, não vá embora Draco... — eu sussurrei
Ele permaneceu virado de costas para mim, a mansão Malfoy estava em completo silencio.
- Vire para mim, deixe-me ver seus olhos. – eu continuava implorando. – Eu estou desmoronando Draco, estou caindo e eu preciso de você. Preciso agora mais que nunca. – eu sussurrei e involuntariamente passei a mão no meu ventre.
Pude perceber o seu corpo enrijecer e ele soltou um suspiro alto e virou-se desesperadamente em direção as grades e colou seu rosto nelas.
- Seus olhos, eles mostram toda a dor que eu já te causei, desculpe-me.
Seus olhos estavam vermelhos e inchados, seu rosto estava com um semblante triste e com dor. Ele havia chorado.
- Lagrimas escorrem de nossos olhos em direção a nossa face, então nós choramos, choramos quando perdemos coisas importantes. Coisas que não podemos substituir. Então, porque choras? – eu comecei, ele não estava lutando por mim, para me salvar. Ele só pedia desculpas. Nós estávamos nos perdendo e ele não estava se esforçando para mudar isso.
- Você é algo importante.
- Você não me perdeu, eu ainda estou aqui e vou continuar a estar. – ele começou a negar com a cabeça, como se o que eu falasse era algo proibido de se ouvir.
- Você é algo insubstituível. – ele falou novamente olhando atenciosamente o meu rosto, como se nunca mais iria olhar para ele novamente. E essa possibilidade fazia minhas pernas tremerem e o meu coração se apertar.
- Não foi o que me pareceu quando o vi de mãos dadas com a Astória. – tentei parecer forte, mais eu não agüentava, não suportava a idéia de tê-lo perdido, de ter perdido a única coisa que eu mais amava em toda minha vida. Ele estava em outra, mas eu continuava a me humilhar, a me rebaixar. Eu implorava por ele. – Draco...
Minha voz estava tremula já, minha visão começou a embaçar e com a palma da mão limpei os olhos antes que lagrimas pudessem cair.
- Eu acho – ele começou – Que eu tenho que ir. – ele terminou e não pude evitar com que meu rosto desabasse com suas palavras. Foi a minha vez de começar a negar com a cabeça.
- Não. – eu disse firme. – Você não tem que ir. Não agora.
- Porque agora eu não posso ir? Porque agora você não pode permitir que eu vá que nem naquele dia ainda em Hogwarts? O que esta diferente agora? Continuamos na mesma situação Hermione. Sim, eu tenho. Na verdade, eu sempre tive que ir. Nós dois sempre soubemos que, um dia, teríamos que acabar. Que ia chegar uma hora que não daria mais. Agora é a hora. Agora é o fim. Um fim que nunca deveria ter tido um começo.
Ignorava as lágrimas que caiam dos meus olhos, então lembrei, lembrei do começo. Lembrei da primeira vez que me permiti chorar na frente dele. A primeira vez que percebi que eu precisava dele por perto, a primeira vez que ele se foi.
- Draco... Porque diz isso? Não significou nada? Foram olhares, toques, palavras, beijos e noites jogadas fora? Foi tudo em vão?
- Hermione… — ele esticou uma mão para tocar meu rosto, com o primeiro toque dele eu me senti indo ao paraíso. Todas as outras palavras foram embora e a sensação de saudade ao toque dele me preencheram. Mas logo cai na realidade e, tão rapidamente quanto entrei em delírio com seu toque, sai dele como se fosse um choque e dei um passo para trás.
Seus olhos, que tanto eu aprendera a observar e decifrar estavam complicados e novamente indecifráveis, como nos primeiros dias. Era dor, era amor, era desejo. Era tudo o que sempre foi.
- Você tem que me deixar ir. – ele disse e então se virou para ir embora.
- Não, eu não tenho. Nós não conseguimos – eu disse e novamente passei a mão pelo meu ventre – Eu não posso.
POV Draco
Dizer aquilo foi a coisa mais impossível que eu já tinha feito na vida. Eu não queria ter que deixá-la, não podia. Eu nunca havia visto Hermione daquele jeito, Hermione nunca foi fraca, nunca se rebaixou a ninguém, ela não era do tipo de garota que se lamentava por um garoto. Hermione era forte. Ela não estava nada bem, seu rosto estava pálido, fraco e ela estava com medo, com muito medo. Pela primeira vez em muito tempo, novamente eu me senti egoísta. Egoísta por negar o pedido dela, egoísta por quebrar todas minhas promessas. Ela me amava tanto, eu sabia disso, ela me amava mais que tudo, ela só pedia que eu ficasse e que não desistisse.
Assim que fechei a porta do porão, eu cai e comecei a chorar. Não conseguia entender.
- Toda a minha família a maltratou, a tratou como lixo e eu não consegui fazer nada, fiquei ali, apenas a ouvindo gritar. Ela deveria estar me odiando agora, deveria não querer mais me ver! Mas não! Ela esta lá, pedindo para eu ficar, pedindo para eu cumprir uma das minhas promessas. EU NÃO POSSO! – eu acabei gritando.
No momento eu estava com uma raiva da minha família, com um nojo de mim mesmo, porque eu era o único que não podia ficar com quem eu amava? Porque o amor da minha vida estava trancado em uma cela e eu não podia salva-la?
“Esse amor irá ser sua queda”
E novamente essa frase passou pela minha cabeça, a primeira vez que eu tinha a ouvido era durante aquela semana na praia, foi ai que ele descobriu.
No começo eu havia concordado com Ele, pensei que talvez amá-la realmente seria a minha queda, a minha destruição. Mas agora vejo que não. Tenho a certeza que não. O amor dela, a ternura nas palavras dela que foram deixadas em meu coração seria como uma ferida, que nunca mais iria embora, uma ferida que iria eternamente me prender a ela.
- Onde ela está? – a voz do Harry saiu cortante e me fez levantar com tudo.
- Atrás de mim. – eu disse e sai de frente para porta. Não iria impedi-los de fugir. Eu devia isso a ela. Eles explodiram a porta e entraram para resgatá-la, o Weasley saiu carregando-a, ela nem olhou para minha cara. O Potter saiu logo em seguida.
- Como vocês vão fugir? Não podem aparatar...
No momento em que eu falei isso ouvi um estalo e de repente Dobby estava lá.
- Dobby sempre vai estar aqui para ajudar Harry e seus amigos.
- O que está acontecendo ai embaixo? – Bellatriz de repente apareceu gritando e minha mãe estava logo atrás dela. Minha mãe me olhava com um ódio, eu não me importava. Minha mãe provou ser tão cruel quanto minha tia.
Minha mãe atirou um feitiço em Dobby, mas ele retirou a varinha dela.
- Como você se atreve a tirar a varinha de um bruxo? A varinha de seu mestre?
- Dobby é um elfo livre, Dobby não tem mestres. Dobby está aqui para ajudar Harry Potter. Eles se prepararam para aparatar e minha tia jogou sua faca.
Eu rezava para ela não ir junto com eles, porque poderia matar um deles. Mas a faca foi, e minha tia gritava de felicidade.
Que não seja a Hermione.
Notas finais
ok nao vou ficar reclamando aqui, já agradeço por todos que leem e comentam sempre e aqueles que só leem também.
Obrigada a todas voces que me mandaram recomendação (: São umas lindas serio.
beijos e até o proximo
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