Loving Again
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Com o tempo vocês começam a perceber que adoro flores.
Passei pelas mesas, abri a porta do banheiro. Visualizei meu reflexo no espelho enorme que havia na parede. Já estava tirando meu batom da bolsa para retocar. Mas o mesmo caiu com um baque no chão. Sozinha no banheiro havia mais um reflexo no espelho. Um certo homem de cabelos negros e olhos azuis-gelo.
Estava ofegante, meu corpo tremia e meus olhos lacrimejavam. Tentava evitar a todo custo um desmaio. O rosto tão conhecido por mim já havia sumido, mas havia uma rosa azul grudada no espelho.
-Sakura-chan, você está bem, faz tempo que saiu da mesa- falou Ino assustando-me.
-Sim, eu já estou indo, pode ir à frente- falei encarando o chão, digamos que eu não estava em bom estado.
-Certo- falou saindo deixando-me novamente sozinha.
Abri a torneira e molhei meu rosto. Retoquei a maquiagem e voltei a mesa dos noivos. Todos sorriam e conversavam. Brincavam entre si, o ambiente estava leve e ao que parece apenas eu me sentia em uma bolha, presa. Levantei-me, conversei com Naruto e Hinata desejando-lhes novamente felicidades e parti para minha casa. Sasuke e Sai protestavam, queria acompanhar-me, mas eu não queria ser acompanhada. Dispensei a presença dos dois e fui embora.
A noite estava cada vez mais fria. Como um ritual fechei meus olhos pra aproveitar o vento de encontro ao meu rosto brigando com meus cabelos, agora bagunçados. Fiquei pensando novamente na rosa azul, caindo assim em outro momento de nostalgia.
Flashback on
O céu estava negro e as gotas de chuva caiam sobre nós. Rimme e eu estávamos lado a lado correndo como se nossas vidas dependessem disso, e na verdade, dependiam. Encaramos então o castelo a nossa frente. Era totalmente de pedras, muito antigo. Subimos a enorme escadaria que havia na frente até o topo. Estávamos ofegantes e cansados. A chuva ao que parece não iria parar.
Subindo toda aquela escadaria nos deparamos com uma área completamente vagia. Pareceu-me um campo de treinamento. Ficava entre o céu e o castelo, um lugar bem alto. Havia um círculo desenhado no chão, e um desenho no centro. Um flor, uma flor Sakura.
Rimme caminhou até mim rapidamente, disse-me para ir embora, para descer as escadas e afastar-me. Eu não conseguia ouvir, aquela flor me atraia como um imã. Caminhei até o centro da Sakura, olhei para os meus pés e lá havia uma pedra rosa e brilhante.
Ouvi Rimme gritando, ele dizia para me afastar, dizia para parar. Ele simplesmente não conseguia entrar no círculo. A situação mudou e o ambiente pareceu ficar pesado, perigoso. Tentei sair dali, mas era impossível, meu corpo não me obedecia.
-Pegue-a, ela é sua- sussurrou uma voz na minha cabeça.
Não sabia de quem era, mas me pareceu tão certa, aquela pedra parecia minha. Agachei-me então para pega-la. Meus dedos finalmente puderam a ter em mãos.
Flashback of
Cai de joelhos ofegante, deixei que as lágrimas se misturassem com a chuva molhando meu rosto. Minha visão começou a ficar embaçada e rendi-me ao cansaço e a escuridão, como se revivesse momentos que nem ao menos queria lembrar.
Acordei primeiramente sentindo o colchão fofo embaixo de mim. Abri meus olhos sentindo a luz do sol me cegar. Fechei novamente os olhos preferindo levantar-me, apoiei-me na cabeceira para isso, tendo a certeza de onde eu estava. Abri os olhos agora acostumados a luz do dia. A janela estava aberta e deveria ser pelo menos dez horas da manhã. Ouvi a porta sendo aberta e passos pesados. Deparei-me então com Sai me olhando preocupado.
-Estávamos preocupados com você rosada- falou o moreno. Rosada? Pelo menos não era feiosa.
-O que aconteceu?- perguntei baixo, mas audível. Segurei minha cabeça como se isso pudesse acabar com a dor.
-Não, pensamos que você diria isso. Shikamaru te encontrou na rua, caída e desacordada. Levou você até Tsunade imediatamente, ela te examinou e depois trouxemos você para cá- falou explicando a situação.
-Agradeço pela preocupação, mas agora estou bem- falei levantando-me.
Sai em segundos mudou de preocupado a safado, com um sorriso malicioso no rosto. Perguntei-me o porquê e logo fui respondi olhando para baixo. Estava apenas usando um pequeno top preto e um mini short igualmente preto. E pra deixar a situação mais constrangedora eis que entra Sasuke no quarto. Dois sorrisos maliciosos e quatro orbes me despindo.
Puxei a coberta grossa da cama e tratei de me esconder. Sem esperar qualquer palavra pedi para que os dois se retirassem. Os morenos logo o fizeram. Peguei minhas roupas ninja que vesti após tomar um longo banho.
Desci as escadas e fui até a cozinha. Preparei meu almoço e depois lavei a louça usada. Saí de casa, em seguida tranquei a porta. Sasuke e Sai ao que parece já haviam saído.
Estava andando tranquilamente pela vila. Hoje eu estava de folga. As pessoas passavam sorrindo e conversando, alegres. Algumas me cumprimentavam ao passar, algumas outras acenavam. Conhecia pelo menos metade da vila por ser chefe no hospital de Konoha.
Fui até uma loja onde vendia-se flores. Avistei algumas miosótis. Peguei uma azul, paguei por ela, e saí da pequena loja com ela em mãos. Logo me pus a lembrar de Rimme.
Flashback on
Rimme estava partindo. Iriamos nos separar, apenas nos reencontraríamos daqui a um mês, nessa mesma ponte onde estávamos, meia noite.
Levantou a mão fechada e a abriu em frente aos meus olhos. Lá havia uma flor pequenina, azul e delicada. Peguei-a sentindo meus olhos brilharem.
-Sabe que flor é Saky?- perguntou-me sorrindo.
-Não Rimme- respondi.
-Uma miosótis. A flor do “não me esqueças”- falou me surpreendendo.
-Conta-se várias lendas. Um lenda romântica alemã diz que um cavaleiro, tentando alcançar uma flor para dar a sua amada, caiu em um rio, e por conta do peso da armadura se afogou, tendo dito como última frase “não me esqueças”. A quem diga que este nome teria sido dado por Adão, no jardim de Éden, que estava nomeando as flores do jardim, mas esqueceu desta pequena, e quando percebeu deu-lhe o nome de miosótis, “não me esqueças”. A uma lenda cristã também, diz que a Virgem Maria derramou suas lágrimas por cima desta flor e ela ficou azul. Através de todo o período negro do nazismo, a pequenina flor azul identificava um Irmão. Nas cidades e até mesmo nos campos de concentração, o miosótis adornava a lapela daqueles que se recusavam a permitir que a Luz se extinguisse. Na Europa há um folclore que costuma atribuir diversos poderes mágicos ao Miosótis, tratando-o, por exemplo, como chave mágica para tesouros enfeitiçados.
-Prometo não te esquecer- falei sorrindo.
Flashback of
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