Loves and Wounds
1 Capítulo 1
Notas iniciais
CAPÍTULO 1 — POV MARIAH
Era tardezinha, dava pra ver o sol em seus últimos minutos de glória. Não conseguia apreciá-lo da maneira devida por estar dentro de um carro em movimento, mas somente o borrão já me satisfazia. Era um pequeno momento que fez meu coração aquecer em meio a tantos momentos de dor em minha vida.
Fechei meus olhos e mais uma vez me lembrei do rosto dela, que já estava começando a esquecer. Lembrei de seu sorriso que iluminava todas as manhãs, do cheiro dos seus cabelos negros e macios que tinham um cheiro único. Toquei nos meus, uma réplica exata dos seus, como todos diziam. A herança que eu levaria pro resto da vida. Assim como seus olhos castanhos, esses eu achava que não tinham nada a ver com os dela. Seus olhos eram como duas pedras brilhantes que os meus não chegam aos pés.
Mais uma vez olhei pela janela e já era noite, me espantei por ter passado tanto tempo pensando em minha mãe. Logo, também percebi que estava chorando.
—Papai, ainda vai demorar muito?_minha irmã mais velha Emily perguntou pela décima vez.
As vezes penso que nossos pais se confundiram na metade do caminho e que eu sou a irmã mais velha, Emily as vezes consegue ser extremamente chata e infantil.
—Não, querida. Já chegamos na cidade, logo chegaremos em casa.
Eu, Mariah Jones, tenho 17 anos. Minha irmã Emily, tem 20. Apesar da diferença de idade não ser tão grande, parece que existe um abismo entre nós. Nossos gostos e costumes são completamente divergentes, o que faz com que não sejamos tão próximas como irmãs devem ser.
Logo, me lembrei do que minha mãe disse em seus últimos dias de vida.
Flashback on
Entrei em seu quarto, na cama, não tinha um sequer vestígio da mulher forte e confiante que havia me criado, com uns quinze quilos a menos, e com os cabelos fracos e quebradiços, a única coisa que ainda reconhecia eram seus olhos castanhos, grandes e brilhantes, grandes demais em um rosto agora tão magro, se eles eram mesmo a janela da sua alma, eu imagino que ela estava em paz.
—Minha querida, já não me resta muito tempo. Você precisa saber que eu te amo, e que sempre vou estar com você, todos os dias da sua vida. Eu queria viver mais tempo, pelo menos o suficiente pra te ver entrar na faculdade, casar e ter seus filhos. Mas eu preciso que me prometa uma coisa.
—Qualquer coisa_ eu já não continha minhas lágrimas, não era possível que a pessoa mais importante pra mim estava morrendo
—Eu preciso que você me prometa que não vai deixar sua irmã fazer besteiras, ela é a mais velha e ela deveria te auxiliar, mas você já é uma mulher e ela tem muito que aprender.
—Eu te prometo, mamãe_ eu meio aos soluços, minha fala saiu como um suspiro
—Eu te amo, minha filha_ ela segurou minhas mãos e me entregou uma coisa
—Eu te amo mamãe_ ela logo dormiu e fiquei ali velando seu sono para que a deixassem descansar, quando tive certeza que ela não seria importunada, apaguei as luzes e do quarto fechando a porta. Abri minha mão e vi sua pulseira preferida que, segundo ela, era seu bem mais precioso depois da família. Era uma pulseira simples em ouro, com alguns pequenos pingentes ao redor dela.
Flashback off
Resolvi ouvir música para passar o tempo, coloquei I Don`t Want To Live Forever do Bon Jovi pra tocar no volume mais alto que meu celular me permitia, meus ouvidos doíam demais, mas eu precisava disso, para não ser tomada por pensamentos e lembranças novamente. Estava tão alto, que eu já não ouvia mais a voz fina da minha irmã perguntando se já havíamos chegado.
Não lembro o que aconteceu a seguir, só me lembro de acordar na frente da nova casa, que não tinha garagem ainda, então era a frente de casa mesmo, mas seria a garagem por enquanto. Saí antes de todos, não aguentava mais ficar sentada, minha bunda estava tão dolorida. Observei a casa, era ridiculamente grande, grande demais para somente três pessoas viverem, um desperdício de terreno, acredito eu. Era bem bonita, em tons de branco e azul pastel, porém muito extravagante, minha mãe teria odiado, com certeza. Esperei meu pai abrir o porta malas e tirar todas as nossas malas de lá, peguei minhas duas únicas malas e segui em direção a porta. Naquele mesmo dia de manhã, papai tinha nos dado uma cópia da chave, o que seria ótimo, mas, para a minha surpresa, a porta não estava trancada. Quando já havia aberto uma pequena brecha meu pai me chama assustado.
—O que é?_respondi sem ânimo algum.
—Não abre a porta ainda, espere que eu e Emily acabemos aqui_eles estavam retirando as quinhentas malas de Emily do carro.
—Ah! Pelo amor de Deus. Me poupe!_ mesmo ouvindo os protestos do meu pai, abri a porta sem me importar, estava cansada demais pra ficar esperando. Entrei e encontrei uma casa totalmente mobilhada, a sala era grande, mobilhada em tons de branco, não sabia que existia tantos tons de branco assim. Mas, o mais estranho era que no enorme sofá da enorme e exagerada sala tinha um menino jogado, jogando vídeo game, um jogo meio besta de luta. E o que mais me deixou intrigada foi a mulher em pé, parada, olhando fixamente para o celular como se estivesse a espera de algo.
—Eu falei pra você me esperar, garota_ disse meu pai, dessa vez me empurrando para dentro segurando duas malas. Ao contrário de mim, ele não esboçava surpresa por encontrar aquelas pessoas estranhas em nossa nova casa, muito pelo contrário, ele parecia muito familiarizado com o ambiente.
Os “entrusos” pareceram se dar conta da nossa presença, eles também não aparentavam nenhuma surpresa com a presença de pessoas desconhecidas no local, o que só tornava a situação mais estranha e embaraçosa.
—Entrem, meninas. Eu, Sarah e Marcus precisamos conversar com vocês_ o menino que antes jogava video game, se levantou e se posicionou ao lado da mulher, que era deslumbrante. De pele morena e cabelos extremamente pretos, com o comprimento um pouco abaixo dos ombros. Estava vestida com um conjuntinho preto que a deixava parecida com uma advogada que pudesse ganhar qualquer causa, por sua aparência e também por sua postura impecável, eu quase a odiei por ser tão perfeita. Logo, meus olhos se desviaram para o menino ao seu lado, menino não, homem. Que com certeza era filho dela porque ele era sua cópia lavada, só que num corpo que eu, particularmente, gosto mais. Ele trajava uma camiseta branca que contrastava muito bem com sua pele bronzeada, o cabelo bagunçado o deixava com uma aparência bem mais jovem e descontraída, e os músculos eram bem evidentes. Quase me derreti por ele naquele exato momento mas, me controlei bravamente. Percebi que seus olhos também estavam em mim, me observavam de uma maneira intensa, como se pudesse ver quem realmente sou, isso me deixou incomodada e tratei de desviar o olhar, mas ele era como um ímã, e meus olhos se voltaram para ele novamente, mas dessa vez nossos olhos não se encontraram pois ele olhava fixamente pras minhas pernas. Que safado! O último resquício de bom humor que havia em mim, se foi num sopro.
—Meninas, essa é a Sarah. Ela sempre foi uma grande amiga minha, nós nos conhecemos na faculdade. Recentemente nós nos reencontramos numa viagem que eu estava fazendo a negócios e relembramos os velhos tempos. A Sarah também é divorciada e nós decidimos que vamos morar juntos até o dia do casamento, e esse é Marcus, filho de Sarah_ minha mente parou e tudo começou a rodar.
Eu não ouvia mais nada, meu coração batia cada vez mais forte, eu sentia uma pressão na minha cabeça que estava me deixando sem ar, minha visão ficou turva, mas ainda conseguia ver Emily abraçando e parabenizando os dois, e se jogando pra cima do Marcus, pelo amor de Deus, ela acabou de conhecê-lo. Eu não entendia como ele foi capaz de arrumar uma mulher tão cedo, minha mãe morreu a menos de um ano, e ele já conseguiu esquecê-la.
Sem querer fazer escândalo, peguei minhas malas e tentei sair dali, o ar começou a faltar em meus pulmões e todos esses sorrisos e abraços estavam me deixando enjoada, muito enjoada.
Eu já estava perto da escada quando senti uma mão do meu pai me segurar.
—NÃO!_gritei de forma que todos parassem de agir como uma família feliz e prestassem atenção em mim. -Como você foi capaz?_ disse ainda incrédula, todos me olhavam como se não entendessem o que eu queria dizer. –Ela mal foi enterrada, a mulher a quem você jurou amor eterno! Ela morreu e a sua forma de ficar de luto é arrumando outra qualquer na esquina?
—Mariah! Não fale assim de Sarah, ela não é uma mulher qualquer e exijo resp..
—Emily, fala que isso está errado. Fala pra ele! Nós deveríamos estar de luto!_disse interrompendo meu pai, essa situação estava completamente errada.
—Eu.. eu acho que.._esperei Emily responder, ela nunca gaguejava, o que estava me deixando mais nervosa. –Mari, a mamãe já morreu, você tem que aceitar isso. O papai merece reconstruir a vida dele.
—Você está maluca, todos vocês estão! A mamãe não merecia isso, você a traiu!_ subi as escadas em direção ao que eu acreditava serem os quartos e me deparei com dois corredores, fui em direção ao segundo corredor, pelo simples motivo de ser o mais distante e por eu acreditar que seria o lugar mais sossegado, fui logo seguindo e encontrei um corredor com duas portas, uma de frente pra outra.
Abri a porta e encontrei um quarto simples, branco com uma cama no centro, uma mesa onde ficaria meu computador, e duas portas que eu acreditava serem um banheiro e um closet. E, como eu previa, havia uma sacada, com vista para o jardim da casa, que era exuberante, com alguns bancos espalhados e flores de vários tipos, eu com certeza passaria ali quando estivesse com um estado de espírito melhor. Me joguei na cama, fechei os olhos e esperei cair no sono, depois de todos esses acontecimentos eu esperava dormir logo para dar uma pausa para o meu cérebro.
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