Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês, espero que gostem.

POV MARCUS

Jogar video game foi uma das maneiras que encontrei para esquecer tudo que aconteceu, eu tentei beber também e deu certo por um tempo, até eu ser obrigado a parar. Eu já sabia que minha mãe se casaria novamente, e que eu ganharia duas novas “irmãs” que eu já fui orientado que não poderia chegar perto delas com “más” intenções. Ainda não as conhecia, mas não estava com vontade de vê-las.

Enquanto eu jogava, uma delas entrou na sala de surpresa, eu com certeza não esperava ver o que vi. E, aparentemente, ela também não esperava nos ver ali, imagino que Harry não tenha contado às filhas sobre o relacionamento dele com a minha mãe, uma decisão não muito boa de acordo com a cara que ela estava fazendo. Eu sabia da história, a esposa de Harry tinha morrido a menos de um ano, de uma doença cruel que a mataria de um jeito ou de outro. Meus pais, Bruce e Sarah se separaram por não aguentarem o luto pelas minhas irmãs, isso já faz quatro anos, Harry e minha mãe estão juntos a mais ou menos três anos. As filhas dele com certeza não sabem, elas realmente acreditam que o relacionamento deles começou quando a mãe delas morreu. Elas precisam saber da verdade, mas não é dever meu dizer.

Depois de dar um ataque de estresse pelo pai estar com a minha mãe, a irmã mais nova e, na minha opinião, a mais bonita subiu para o quarto às cegas por não conhecer a casa e obviamente não saber onde seria seu quarto. Me peguei desejando que ela escolhesse o quarto em frente ao meu, só pra saber que ela estaria perto, dormindo logo a minha frente, com apenas nossas portas nos separando.

Me obriguei a espantar esses pensamentos, prometi à minha mãe que não tentaria nada com as filhas do Harry, eu também não tinha a menor intenção de iniciar nada com nenhuma das duas. Até porque seria no mínimo embaraçoso morar na mesma casa com alguém que eu já tenha ficado.

—Bem, é.. acho que podemos sair pra conhecer o lugar, não é?Acredito que Mariah não vá querer mas nós podemos ir mesmo assim_Harry como sempre, tentando amenizar a situação.

—Ah! Que ótima ideia, querido. Vamos, Marcus?

—Hoje não, mãe. Prefiro ficar em casa mesmo, acho que vou assistir um filme

—Ah, sério que você não vem, Marcus?_acho que aquela conversa sobre não se relacionar com novos “irmãos” não chegou pra essa menina, ela estava caidinha por mim e dessa vez eu não precisei nem abrir a boca.

—É, eu prefiro ficar mesmo.

—Ah! Que pena! Vamos sentir sua falta no passeio_a Emily era bonita, mas não fazia o meu tipo, eu já tenho dois ótimos motivos pra não tentar nada com ela.

—Bom passeio pra vocês_subi pedindo aos céus para que eles demorassem o máximo possível.

Subi as escadas observando cada detalhe, até agora nada dava indício de que ela tenha vindo para o quarto em frente o meu. Comecei a desejar mais ainda que ela tenha vindo para esse quarto pois, agora mais do que nunca, eu não queria ficar perto de Emily.

Entrei no meu quarto e deitei na minha cama, olhando pro teto. Ficar sozinho no silêncio era a pior coisa que eu poderia fazer, era nesses momentos que as lembranças do acidente se tornavam mais vívidas na minha mente. Toquei na pequena cicatriz na minha testa, a marca que eu carregaria pro resto da vida.

Flashback on

—Mark,vai mais rápido_ Clarisse, que me acompanhava no banco de trás falou com a voz um pouco alterada.

Ainda bem que eu não tinha bebido, Clarisse não estava em condições nem de se manter de pé, imagine dirigir.

—Estou indo o mais rápido que posso, Clarisse.

—Você é chato, Mark.

—Eu não sou não!

—É sim, chato, chato, chato. O Mark é um chatooo

—Calem a boca vocês, seus idiotas. Estou com dor de cabeça_Rebecca, outra que havia bebido tanto que não se aguentava em pé, francamente, eu era o único lúcido da família.

Não lembro muito bem o que aconteceu a seguir, só sei que Clarisse voltou a gritar que eu era chato, Claire também começou a gritar mandando Clarisse calar a boca, acredito que eu tenha me desconcentrado, e chovia também. Os faróis dos carros que vinham na outra mão estavam deixando minha visão turva, só lembro de ter apagado e acordar no hospital com minha mãe chorando ao meu lado.

Flashback off

Sequei as lágrimas que caíram e tratei de tentar esquecer todas essas recordações que insistiam em voltar pra mim em forma de pesadelos. Decidi assistir um filme, desci em direção a cozinha e resolvi fazer um pouco de pipoca, aproveitei e peguei um copo grande de refrigerante para acompanhar.

Subi e novamente olhei para aquela porta, eu não queria assistir filme sozinho, e eu havia exagerado na quantidade de pipoca, não conseguiria comê-la completamente. Somente juntei o útil ao agradável, eu não tentaria nada com ela, só precisava de companhia.

Deixei a pipoca e o refrigerante no quarto, e parei diante da porta que eu acreditava ser a do quarto dela. Tomei coragem para bater na porta, dei duas batidas, abri uma brecha da porta e coloquei meu rosto para dentro. Como previ, ela havia escolhido o quarto de frente para o meu. Quando olhei para o quarto, a encontrei na sacada que tinha vista para o jardim.

—Mariah?_ela se virou assustada, acho que ela não ouviu eu abrir a porta -Mariah? É esse o seu nome, não é?_ela pareceu sair de um transe e fechou a porta que dava para a sacada com rapidez.

—Ah, é sim.. han.. você quer alguma coisa?

—Claro! Preciso de companhia.

—Ah, para o que, exatamente?

—Pra um filme, minha mãe, Harry e Emily saíram para dar um passeio e conhecer um pouco da cidade, e nós ficamos sozinhos aqui, topa assistir um filme? Eu já fiz a pipoca.

—Ah, claro. Quero sim.

—Legal_esbocei um mínimo sorriso, e ela me acompanhou -Vamos?_estendi minha mão para ela, a mesma olhou um pouco insegura por alguns segundos, mas resolveu segurar, logo, senti um arrepio percorrer o meu corpo através de nossas mãos, uma eletricidade que nunca senti com nenhuma outra pessoa.

Tentando manter minha sanidade, segui em direção à porta do meu quarto, a senti travar no exato momento em que toquei na maçaneta, acho que não seria tão fácil quanto pensei.

—Tá tudo bem?_perguntei à ela, que por sua vez largou minha mão e encarou o chão.

—Han.. claro! É só que eu pensei que assistiríamos na sala mesmo.

—Ah, é que no quarto é mais confortável e tem ar-condicionado, mas se você quiser, nós podemos ir pra sala mesmo, sem problema nenhum.

—Não precisa, só fiquei surpresa que esse fosse o seu quarto. Pensei que Emily dormiria nele.

Dei uma risada mínima, Emily era a última pessoa que eu desejaria em meu quarto.

—Acredite, baby. Eu jamais deixaria sua irmã dormir nesse quarto, e parece que você também não, já que sua intuição a trouxe até aqui_ri enquanto ela corava, ainda parada na porta -Entre, por favor.

Notas finais
Espero vocês no próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.