Notas iniciais
Segundo capítulo em mãos! O próximo é o último, como eu disse antes, é uma simples three-shot! Aproveitem!

– Como foi que isso aconteceu, Sam? – a pergunta coagulou no ar até chegar aos ouvidos do rapaz.

A dupla já havia saído do café há pelo menos uma meia hora e a sugestão de Sam para que fossem terminar de conversar no parque mais próximo não estava se mostrando muito útil. Eles já estavam andando há um bom tempo e não havia trocado uma palavra. Quinn teve que intervir.

Sam não sabia explicar nada. Ele mal conseguia explicar a terceira guerra mundial que se plantava no seu cérebro desde a manhã de domingo. Ele estava confuso por que havia transado com seu melhor amigo? Com a pessoa que sempre considerou um irmão? Por esse melhor amigo ter sido Blaine? Ou apenas por ter sido um homem? Todas as opções provavelmente. Ele não era gay!

Sentando pesadamente em um dos bancos do parque, o loiro esfregou o rosto com força, respirando com alguma dificuldade.

– Eu não sei por onde começar. – tentou, com a voz baixa.

– Tenta pelo começo, Sam. Eu tô aqui pra ouvir você, só isso... Ok? – Quinn se sentou ao lado dele, o olhando pacientemente.

Ela estava se esforçando para ser o que ele precisava naquele momento, nada mais justo do que ele parar de agir como um zero à esquerda e lhe dar algo em troca.

– Ok... Eu vou tentar. – suspirou buscando os detalhes na mente...

*

*

Flashback: Cinco dias atrás.

Sam chegou a casa ás cinco e meia da manhã totalmente exausto. Blaine e ele ainda não tinham coletado dinheiro pra comprar um carro e ele teve que esperar até que Scott, o dono do bar onde ele trabalhava, fechasse tudo e pudesse lhe dar uma carona até em casa.

Ele não esperava de maneira nenhuma passar pela porta e dar de cara com um Blaine encolhido no sofá da sala, com os olhos vermelhos, assistindo algum filme água com açúcar completamente aleatório.

Sentindo uma onda súbita de preocupação lhe dominar, Sam largou seu violão no chão, batendo a porta devagar e se aproximando do menor com suavidade.

– Ei... O que você tem Devon? – perguntou, se ajoelhando pra ficar perto da altura do rosto do rapaz e deslizando os dedos pelo cabelo dele levemente.

– Nada, Sam. – passou a mão pelos olhos, tentando se levantar.

Sam puxou a cabeça dele de volta pro sofá e o olhou com mais seriedade.

– Me fala o que aconteceu, Blaine. Você sabe que eu não vou descansar até você abrir a boca. Vamos. – concluiu.

O moreno suspirou nervosamente e olhou direto nos olhos claros do melhor amigo.

– Sebastian e eu terminamos. – disse, desviando o olhar logo em seguida de volta pra TV.

Sam ficou confuso por um minuto. Blaine e Sebastian “Cara de Cavalo” Smythe, estavam namorando a cerca de seis meses, ou algo desse tipo. Sebastian havia sido o “reembolso” do moreno após um término turbulento com tal de Jeremiah.

Jeremiah havia sido o primeiro namorado sério de Blaine depois do término com Kurt, mas aparentemente o “cabelo de macarrão” não era assumido pra ninguém e o próprio Sam havia o visto poucas vezes. No fim das contas, o otário trocou Blaine por uma garota da loja em que ele trabalhava e deixou o moreno em uma espécie de quase depressão.

Sam ficou tão irado com o acontecimento que entrou em contato com um velho amigo dos tempos de Lima, Noah Puckerman e alguns dias depois... Jeremiah havia sido misteriosamente demitido.

Sebastian aconteceu um mês depois. Ele tocava baixo na banda amadora de Blaine e sempre foi interessado pelo vocalista. Sentindo a “deixa” pra se mostrar, as coisas apenas aconteceram. E em poucos dias eles já estavam namorando.

Sam nunca gostou de nenhum dos namorados de Blaine, nem Kurt escapava dessa regra, tanto que a relação deles que costumava ser simpática, se tornou apenas cordial entre os quase dois anos que o branquelo namorou Anderson. Nenhum daqueles otários era bom o bastante para o seu amigo e agora Sebastian havia apenas provado ser mais um deles.

– Por quê? Como assim, Blaine?! Tava tudo dando tão certo entre vocês... – protestou com a voz adocicada, sentando no sofá e puxando a cabeça de Blaine para suas pernas.

– Ele é um babaca. Prefiro ficar sozinho de que ao lado de alguém tão egoísta. – resmungou, fechando os olhos, sentindo uma dor de cabeça voltar a lhe tomar.

– Mas o que ele fez...

– Ele é um filho da puta, Sam! Foi isso que ele fez! – Blaine levantou do sofá em um impulso e encarou o loiro com a expressão irritada.

– Ei... – Sam ergueu as mãos em sinal de rendição. – Ele é o filho da puta, não eu, ok? Relaxa.

Blaine relaxou a expressão automaticamente e voltou ao sofá, jogando a cabeça no ombro de Sam. Raras eram as vezes que ele se exaltava, mesmo que levemente, com o melhor amigo. E ele odiava quando isso acontecia. Se irritar com Sam Evans era o mesmo que gritar com um filhotinho. Inútil e cruel.

– Desculpa Sammy. Eu só tô estressado com tudo isso. – confessou, suspirando pesadamente.

– Tudo bem, B... Quer saber de uma coisa?! – sorriu subitamente animado. – Que tal a gente tirar o dia de hoje pra um happy hour particular?

– Como assim?

– Me deixa dormir só um pouquinho, que eu ainda tô quebrado, mas assim que eu acordar, eu saio pra comprar umas cervejas, alugar uns filmes e a gente pode só curtir o finzinho de tarde! Topa?! – sugeriu com uns de seus convincentes sorrisos abertos.

Blaine estalou a língua. Até parece que ele ia dispensar Sam com uma de suas idéias geniais.

– Vou considerar isso um sim. – o loiro sorriu, dando um beijo no rosto do menor e levantando para ir em direção ao seu quarto.

*

*

– Samuel, por favor, me diz que você não estava bêbado quando tudo isso aconteceu... – Quinn perguntou lhe tirando de suas lembranças abruptamente.

Sam lhe encarou por alguns segundos, corando de leve.

– Você disse que não ia me julgar, Fabray. – resmungou baixinho.

– Não tô julgando você, anta. Só tô pasma como você conseguiu dar assim, um tiro no próprio pé. – vocalizou.

– O que você quer dizer...

– Nada. Volta pra sua história... Antes que eu tenha que contratar meu próprio terapeuta. – sussurrou a parte final, Sam escutou, mas preferiu ignorar.

*

*

Sam acordou mais ou menos no começo da tarde, se sentindo novo em folha e antes mesmo de falar com Blaine, que estava na cozinha preparando alguma coisa, ele desceu até o super mercado para comprar o que havia prometido.

Ele iria fazer seu amigo esquecer-se da existência daquele imbecil com cara de cavalo nem que fosse a última coisa que fizesse na vida!

Quando o loiro retornou alguns minutos depois, Blaine estava no sofá da sala, usando apenas um short de seda preta, comendo algo bastante parecido com pudim e assistindo um episódio de Gossip Girl, ou seja, lá qual fosse o nome daquela série esquisita.

Sam apenas sorriu consigo mesmo e se moveu até a cozinha em silêncio pra deixar as cervejas na geladeira.

Momentos depois ele estava de volta com duas garrafas. Pulou por cima do sofá, se jogando ao lado de Blaine, tirando o prato da mão do menor e mudando o canal, colocando em alguma coisa com vampiros e sangue.

O loiro olhou de lado para o mais novo e Blaine o encarava incrédulo. Sam apenas sorriu.

– Você é tão folgado, garoto. – comentou com em tom descrente.

– Aham. – abriu uma cerveja e deu na mão dele, enfiando uma colher de pudim na boca.

Blaine apenas riu, tomando um gole da garrafa. Sam o olhou de novo e sorriu satisfeito consigo. E o resto do dia deveria seguir a mesma vibe. Qualquer coisa pra fazer o moreno se sentir melhor.

*

*

Duas horas depois e nenhum dos dois já se encontrava em um estado totalmente sóbrio de mente. O primeiro engradado já havia ido pro espaço e Sam teve que dar uma grana para o porteiro ir buscar mais álcool no local mais próximo.

– Só Deus sabe como você pode ter um dedo tão podre assim pra relacionamentos, Blaney! – Sam gargalhou, abrindo outra cerveja. – Primeiro a falsa passiva, depois o enrustido babaca e agora esse merdinha do Sebastian! Tá na hora de levantar seus padrões! – discursou displicentemente, deitando no chão, focando os olhos na TV.

– Por que você odeia todos eles? – Blaine, que estava minimamente mais lúcido, perguntou.

Isso era uma coisa que sempre lhe chamava atenção. Sam nunca gostava de nenhum de seus namorados, encontros ou tanto faz. Ele sempre encontrava algum defeito. Diferente dele. Blaine, apesar de preferir não estar sempre presente, sempre foi cordial com as namoradas de Sam, mesmo que essas tenham sido apenas Mercedes e Brittany.

Sam levantou a cabeça minimamente, lhe encarando e fez um “pff” com a boca, voltando a posição anterior.

– Porque nenhum deles era bom o suficiente pra você. – resumiu.

– Nem o Kurt? Você gostava do Kurt. – apontou, tentando encontrar qualquer sinal de menos animosidade.

– Nah... Ele é ok, mas Adam e Kurt dão muito mais certos. Vocês dois eram estranhos juntos. – explicou em um tom que beirava até o insensível.

– Ei! Eu tô aqui! E se eu ainda gostar dele? Você pode estar ferindo meus sentimentos. – o tom afetado de Blaine, fez Sam rir audivelmente.

– Você não gosta dele. Você gosta de vinho branco, musicais e encher o meu saco. – disse, se sentando abruptamente e encarando o menor com um sorriso irônico no rosto.

Blaine rolou os olhos. Sam era um bêbado irônico e sempre dizia o que pensava. Ele já havia se acostumado. Talvez por isso ele não tivesse tido mais nenhum relacionamento. Trabalhando na noite e bebendo quase todos os dias, ele acabava sendo excessivamente honesto e isso assustava algumas garotas. Idiotas, todas elas. Sam era o namorado perfeito. Ele já havia presenciado.

– Idiota. – resmungou, tirando a garrafa da mão do loiro. – Continua assim e eu vou terminar morrendo sozinho, cercado de gatos.

– Ei, e eu? – questionou honestamente ofendido.

– O que tem você? – o musicista riu.

– Eu não vou ficar aqui com você não? – Blaine tentou não rir, mas a expressão confusa no rosto do mais velho era totalmente sem preço.

– Vai? – ironizou.

– Mas é claro que sim, Blaney! – resmungou novamente, a confusão e a ofensa ainda tatuadas em seu rosto. – Nenhum desses perdedores merece você.

– E você merece? – perguntou sério, subitamente tentando entender o que raios estavam se passando pela cabeça do amigo.

– Olha com quem você tá falando vadia! – o loiro gritou, rindo, lançando seu corpo inesperadamente em cima de Blaine, fazendo cócegas no torso do mais novo, que ainda permanecia sem camisa. – Não me compare aos seus namoradinhos perdedores. – rosnou ainda em piada, mordendo a bochecha de Blaine com força, em seguida.

Blaine o empurrou de cima si rapidamente, limpando o rosto ás pressas, com uma expressão que variava entre gastura e riso.

– Você é ridículo e eu te odeio! – gritou, tentando manter a expressão séria.

– Não! Eu sou incrível, tenho as melhores cervejas e você me ama. – o loiro sorriu, cutucando o rosto de Blaine com o dedo indicador, tendo a mão estapeada pra longe logo em seguida.

– Não. – o menor determinou, fechando a expressão de vez e se levantando, para sentar no sofá.

Sam o encarou por alguns instantes, vendo Blaine fingir estar concentrado na TV e beber a cerveja – que era dele – lentamente. Logo, um plano maléfico se formou em sua mente embriagada.

Ele se ajoelhou no chão, devagar, segurou os calcanhares de Blaine e os puxou para o lado com força, fazendo o moreno deitar abruptamente no sofá e soltar um grito indignado de surpresa. Ainda rindo, ele se jogou em cima do jovem Anderson novamente e começou a distribuir beijos desnecessariamente molhados por todo o rosto do mais novo.

– Me ame! Vamos Blaine, diga que me ama! – ele pediu rindo, sem cessar seu ataque. — Você sabe que me ama!

– Sai! Sai de cima de mim, seu idiota! Vai derramar a cerveja! – Blaine guinchou dividido entre tentar tirar Sam de cima de si, desviar o rosto do ataque sem sentido e manter o braço pra fora sofá, evitando que a cerveja caísse na mobília.

– Ah é? – Sam ironizou, parando os beijos e olhando pra ele diretamente. — Tipo assim? – questionou, arrancando a garrafa da mão de Blaine e jogando quase todo o resto do líquido no rosto e no peito do rapaz.

Um minuto de silêncio se fez em seguida. Enquanto Sam observava risonho o líquido percorrer toda a estatura de Blaine, e o dito cujo olhe encarava com um olhar tão chocado, indignado e incrédulo, que era quase cômico.

– Você não fez isso. – sua voz estava em um tom controlado.

– Acabei de fazer. – o loiro gargalhou, segurando o rosto de Blaine com força e literalmente lambendo o rosto do mais novo do queixo até o canto do olho.

De repente, Blaine de se deu conta da posição em que ambos estavam. Não era a primeira vez que Sam ficava por cima dele, não mesmo, ambos eram excessivamente afetuosos e não tinham a menor intenção de parar. Mas não era sempre que o moreno sentia esse arrepio peculiar coagular na boca de seu estômago, era controlável, mas o álcool não estava colaborando...

Tirado de repente de seu raciocínio pelos risos de Sam, Blaine resolveu fazer alguma coisa, antes que seu corpo armasse mais alguma pra cima dele.

– Eu vou matar você... – disse com a voz ainda controlada, mas levemente mais rouca. -... Te ressuscitar, te capar e te matar, de novo! Samuel Evans! – gritou o nome do rapaz, o empurrando de cima de seu corpo.

Sam sentiu a situação esquentar e antes que pudesse atingir a outra lateral do sofá, já tinha levantando e corrido para o outro lado do apartamento, rindo como uma criança de seis anos.

– Eu vou trucidar você! – o moreno gritou, o perseguindo por toda a residência, com uma mistura de estresse e agitação.

– Vai nada! Pára de me perseguir, Blaney!

Se tivesse em um estado mais sóbrio, Sam teria corrido para o banheiro no corredor e se trancado ali até Blaine aparecer minutos depois com outro prato de pudim e um de seus sorrisos babacas. Mas ele de certo não estava em seus melhores dias e erroneamente escolheu a porta aberta do último quarto do corredor pra entrar. O quarto de Blaine.

Sam tropeçou em alguma mobília, ainda rindo, inábil de sentir qualquer perigo na situação. Ele planejava rapidamente pular por cima da cama e ir pra perto da janela, aberta e ameaçar até Blaine se afastar. Um plano de bêbado. Mas não deu tempo.

Antes que o loiro pudesse fazer qualquer coisa, Blaine o alcançou pela barra da camiseta e puxou Sam com toda força pra trás. Os corpos dos dois se chocaram brevemente, até Blaine jogar Sam de costas na cama e ficar entre as pernas do rapaz, puxando o cabelo de Sam pro lado com força, afundando os dentes sem nenhum tipo de aviso no pescoço do mais alto.

– Aaaaaaah, porra Blaine! – Sam grunhiu e riu ao mesmo tempo, um som estranho.

Era uma brincadeira comum entre eles. Mesmo que quem normalmente começasse a morder fosse Sam, porque “Blaine era uma vadia descontrolada” e acaba continuando até tirar sangue do loiro. Era engraçado, mas explicar para o resto da sociedade se tornava um desafio, então Blaine terminava ficando com a parte de empurrar e chutar o melhor amigo. Delicados assim.

– Isso é pra você aprender a nunca mais mexer comigo. Samuel. Paul. Evans! – as últimas três palavras foram marcadas pela pressão das mãos de Blaine contra o peito de Sam.

E algo completamente inesperado.

Enquanto ainda inerte embaixo do corpo de Blaine, Sam estava concentrado apenas em rir e ignorar qualquer coisa que o moreno dissesse, mas em algo, que nem sequer pode ser considerado como um pensamento sóbrio, talvez no máximo um instinto latente... Ele percebeu a situação em que os dois se encontravam.

A sua mente, mesmo bêbada, lhe permitiu desenhar toda a cena diante de si. Blaine apenas com seus shorts de seda em cima dele, que enquanto ainda permanecia com uma bermuda e camiseta simples, conseguia sentir cada mínima contração das palmas das mãos de Blaine contra seu peito.

Era um daqueles momentos que era difícil de se explicar até pra si mesmo o que sentia. Talvez ele estivesse mais bêbado do que havia se dado conta, talvez o peso e o calor que emanavam do corpo do mais novo estivessem forçando seus instintos ou talvez... Talvez ele nem soubesse o que estava acontecendo. Mas antes que pudesse pensar mais profundamente, até aproveitando-se do nível de álcool em seu sangue, Sam parou por um segundo e observou os olhos de Blaine, ainda focados em seu rosto, risonhos, acinzentados, como pequenas sardas lilases lhe encarando.

– Ei Sammy... – Blaine chamou, percebendo a distração do mais velho.

Ele delicadamente encostou o dedo indicador no maxilar de Sam, lhe chamando a atenção, quando o olhar do mais velho voltou a se focar, Blaine não soube exatamente dizer o que ele identificou. Parecia algo inexplicavelmente intenso demais para um jovem embriagado.

– Sammy, tá tudo bem com você?!

O loiro assentiu lentamente, esticando uma de suas mãos até os cachos do mais velho, ainda o encarando com a já comentada intensidade. Antes que o estudante de artes pudesse vocalizar seu alívio pelo bom estado do amigo, Sam puxou a cabeça dele pra baixo com certa brutalidade. Chocando o menor de uma das formas mais inimagináveis até ali.

Quando os lábios de Sam cobriram os seus, Blaine sentiu um arrepio percorrer por toda sua coluna. O mesmo arrepio que ele havia tentando controlar minutos antes, mas que agora vinha com muito mais ardor... Porque não parecia haver pra onde fugir.

As mãos fortes de Sam prendiam a parte de trás da sua cabeça com força, o atando firmemente, os lábios grossos ainda possuíam gosto de álcool, e algo mais... Algo que parecia ser unicamente de Sam. Sugestivo.

Foi um beijo duro, fechado, vindo de um impulso, mas Blaine conseguiu aproveitar por alguns segundos até a consciência lhe atingir.

– Sam... – ele tentou, tentando mover seus braços a causa impulso na cama. – Sam, o que... – o loiro forçou seus lábios juntos novamente. Aparentemente não havia nada que fosse o tirar daquele impulso sádico.

Sim, sádico, aquela era a única maneira que Blaine encontrou para descrever o que Sam estava fazendo. Sadismo.

Porque ele queria aqui. Deus! Como ele queria. Sentir os lábios de Sam pressionados com força contra os seus, as mãos fortes dele segurando seu cabelo com impunidade. Ele queria aquilo. Ele queria mais. Mas não podia!

Era errado. Sam estava bêbado e ele já teria uma bela ressaca moral pra encarar pela manhã, só por esse beijo. Blaine precisava ser racional, mesmo que fosse incrivelmente difícil...

Sentindo as mãos de Sam subitamente relaxarem em sua nuca, Blaine aproveitou e forçou seu corpo para fora de cima do moreno, sentando na cama.

– Merda... – resmungou, respirando pesado. – Você vai tomar um banho e esfriar a cabeça, Sam. Amanhã já vai...

Antes que ele pudesse concluir sua frase, o menor sentiu um dos braços de Sam lhe puxar pra trás. Blaine não teve a menor idéia de como o amigo conseguiu fazer aquilo, mas de alguma maneira, Sam terminou em cima dele, entre suas pernas, lhe encarando com um olhar que apesar de ainda entregar sua latente embriaguez, também continha algo intenso... Algo que Blaine se acovardou em identificar.

Sam baixou a cabeça devagar e depositou leves mordidos na mandíbula de Blaine, mantendo o corpo do menor completamente rendido na cama. Ele parecia concentrado, estudando o ambiente, desceu o rosto mais um beijo e encaixou-se no pescoço do moreno, mordendo, lambendo em círculos, sentindo o ponto de pulso.

Blaine queria resistir. Ele devia! Mas seu corpo não conseguia dizer aquelas sensações.

Quando Sam apertou os braços ao seu redor novamente e sugou o ponto em seu pescoço com força, tudo que Blaine conseguiu fazer foi arquear seus quadris pra cima em um impulso. Como se seu corpo estivesse implorando por aquilo.

Com a mente totalmente nublada, ele desceu uma das mãos até o lado da cintura de Sam e puxou o loiro pra baixo, pressionando seus membros levemente.

– Arrhh... – Blaine jogou a cabeça pra traz, sentindo os lábios secarem e o coração bater mais forte.

Ele não conseguia entender o que estava acontecendo, nem pela metade, mas quando Sam finalmente tirou a cabeça de seu pescoço e lhe encarou com os olhos verdes, totalmente nublados, o jovem Anderson percebeu que era um caminho sem volta.

– Você gosta disso, é? – Sam perguntou com a voz carregada, deixando o peso de seu corpo cair totalmente sobre o de Blaine, forçando seu pau já quase dolorido contra o do amigo, quase em círculos.

Blaine estava sem falar.

– Fala pra mim, Blaney... – ele sorriu, baixando os lábios até o do moreno, dando um beijo ofegante. – Você gosta, não gosta? – apressou o quadril.

– S-Sim... – pra que negar naquele ponto?

Sam sorriu abertamente e saiu de cima do mais novo, voltando a ficar de pé, Blaine se apoiou em seus cotovelos, encarando o loiro em completa confusão, mas Sam apenas negou com a cabeça e puxou as pernas de Blaine pra fora da cama.

O moreno continuava confuso, mas Sam mantinha um sorriso, que ele nunca havia visto antes, plantado no rosto. Como uma criança armando o plano perfeito pra roubar doces.

– Eu nunca fiz isso antes... – o loiro confessou em uma voz rouca. – Você vai ter que me ajudar aqui.

E antes que o ex-warbler tivesse a chance de perguntar o que, Sam já estava enrolando os dedos nos lados do short de seda do rapaz e puxando pra baixo, encarando o pênis de cabeça avermelhada já implorando por atenção.

– Você que é o ativo com seus namoradinhos, Blaney? – o loiro questionou, começando a punhentar o membro do mais novo gostosamente. – Fala pra mim, Devon... – insistiu quando moreno continuou em silêncio, os olhos fechados, com o lábio inferior preso entre os dentes. – Você que come o cuzinho dos seus garotos?

– É... – foi tudo que ele conseguiu sussurrar.

– É? – o loiro confirmou. – Então hoje vai ser diferente. – concluiu soltando o pau de Blaine devagar, acariciando as bolas por um segundo, até puxar o corpo do cantor mais pra perto de si.

Blaine sentiu a mão de Sam o agarrar pelo pescoço e o trazer até sim, sentado na cama, praticamente na altura perfeita para o que estava bem claro que o mais velho queria.

Sem precisar de uma segunda sugestão, Blaine desceu o zíper do calção de Sam junto com as boxers e agarrou o pênis dele com segurança, sorrindo pela primeira vez na noite. Esse jogo ele sabia jogar.

Sam sentiu como se tivesse sido mergulhado em água morna quando Blaine abocanhou seu mastro quase completamente, deslizando a língua por todo o comprimento, como um maldito profissional!

– Você era a puta deles, não é Blaine? – perguntou com a respiração tensa, segurando nos cabelos do mais novo. – A putinha viciada em pau dos seus namoradinhos.

Blaine apenas gemeu, sentindo a cabeça do pau de Sam praticamente alcançar sua garganta. O loiro gemeu alto.

Sam puxou o cabelo de Sam com força, o soltando com um “plop” de seu membro completamente enrijecido.

– Eu odeio imaginar isso, Blaine. – o loiro confessou, arrancando a própria camiseta pela cabeça. – Odeio imaginar você chupando o pau deles. – disse, apertando a bochecha de Blaine, que lhe olhava ofegante. – Odeio imaginar você comendo eles. – sussurrou.

Ele deitou devagar sobre o corpo do moreno, olhando dentro dos olhos quase verdes do mais novo, com uma seriedade nunca antes vista e talvez se não fosse pela mistura de álcool e luxúria, Blaine tivesse captado a mensagem mais diretamente.

– Mas essa noite, Blaine... – sussurrou, praticamente gemendo, sentindo seu membro deslizar junto com o de Blaine. – Quem vai comer você... Sou eu.

Rendido, Blaine enlaçou os dedos nos cabelos lisos do mais velho e o puxou pra um beijo, sentindo a língua de Sam fazer movimentos lascivos dentro da sua boca, chupando a sua própria língua, provocando os sons mais sacanas dele.

– Abre as pernas pra mim... – pediu roucamente, fazendo arrepios passarem abruptamente pelo corpo do mais novo, acariciando a coxa dele com firmeza. – Me deixa meter em você... Deixa, pequeno?

– Por favor... – Blaine implorou em uma voz pequena, puxando Sam de volta para seus lábios, o beijando com força.

Evans riu levemente, esgueirando um braço e puxando um travesseiro, o posicionando no fim da coluna do mais novo. Ele voltou a mão para o pau do moreno, batendo com força, até tirar um pouco do pré-gozo e espalhar na ponta dos dedos. Por um segundo, Sam desconfiou que Blaine estivesse tendo uma crise asmática, mas quando o menor voltou a morder o lábio inferior, ele apenas continuou seu caminho.

Ele provocou a entrada do ânus de Blaine com o dedo indicador, sentindo o moreno contrair os músculos do local. Ansioso.

– Relaxa Blaine. Nenhum dos seus viadinhos chega ao meu nível, mas eu nunca machucaria você... – murmurou.

– Eu sei... – Blaine suspirou, abrindo os olhos levemente e encarando Sam por um momento.

O loiro aproveitou esse voto de confiança do melhor amigo e penetrou o dedo, espalhando o pré-gozo nas pregas, relaxando aquela entrada para o número principal, quando tudo que Blaine fez foi respirar fundo, Sam enfiou um segundo dedo, movendo pra dentro e pra fora, sentindo os tremores daquela área tão sensível, quente... Apertada.

– Sam... Por favor... – o mais novo implorou, quase soluçando, acompanhando o movimento dos dedos de Sam com o quadril.

– Você quer?

– Que- Quero... Por FAVOR. – a última palavra saiu gritada, com Sam enfiando os dedos até o final e os tirando completamente.

O loiro segurou as coxas de Blaine com firmeza e olhou para o rosto do menor com concentração, ele desceu o rosto, voltando a beijar o amigo, deixando Sam brevemente distraído até sentir a cabeça do pênis de Sam começar a lhe entrar. Deliciosamente devagar.

Blaine esticou as mãos automaticamente para as costas do mais velho, cravando as unhas curtas ali, fazendo Sam assim palpitar e entrar com um pouco mais de impulso que o esperado.

– PORRA! – ele gritou, apertando a pele das costas do loiro com força.

– Calma... – Sam instruiu. Uma camada de suor se acumulando em seu peito e pescoço, ansioso pra se enfiar completamente em Blaine. – Relaxa Devon... Relaxa.

Quando Blaine finalmente conseguiu deixar seu desconforto de lado, Sam voltou a entrar, no seu passo lento, concentrado, deixando o mais novo completamente maluco, até Blaine sentir as bolas batendo em suas nádegas.

– Você vai querer me apertar mais forte, Blaney... – Sam sorriu, começando a se mexer. Com força.

Blaine nunca havia sentido algo como aquilo antes. O membro quente entrando e saindo dentro de si, com uma potência estarrecedora.

– Ah, Deus! Deus, Sam! Ugh, Sam… Isso é tão bom, não para. – Blaine conseguia sentir seu pênis enrijecer ainda mais e tirou uma das mãos das costas de Sam, se masturbando rápido, com força, desesperado. – Ah, Sam. Mhh, Sam! Eu vou gozar...

Sam apenas sorriu, sem saber o que mais falar, beijando o moreno com fome, sentindo a língua quente disparar todos os circuitos de seu corpo.

– Porra...

Blaine gemeu do fundo da garganta, sentindo todo seu gozo ir parar no estômago e peito de Sam, o loiro apenas se manteve de olhos fechados, precisando de apenas mais alguns segundos até se liberar ainda dentro do mais novo. Completamente exausto.

– Des- Desculpa Sam... – Blaine começou, mas foi logo calado por um selinho rápido.

– Relaxa. – o loiro sacudiu, puxando o lençol do lado e se limpando de qualquer jeito, deitando pesadamente do lado do moreno.

Os dois apenas continuaram ali, tentando recuperar o fôlego pelos próximos minutos.

*

*

Sam corava dos pés a cabeça quando finalmente voltou a fazer contato visual com Quinn. Lógico que ele não havia lhe detalhado o ato completamente, boa parte havia ficado e sempre ficaria unicamente restrita a sua mente, mas isso não significava que ele não ficasse envergonhado de ter estendido certos detalhes pra garota que era quase como sua irmã.

Quinn o observava cuidadosamente. Tudo que Sam havia lhe dito, fazia sentido de certa forma, mas se dependesse da confusão do mais novo... Ela realmente duvidava que ele fosse entender.

– Como você se sente sobre isso? – ela perguntou rompendo o silêncio. Pergunta idiota. Ok. Mas era melhor do que não dizer nada. – Quer dizer... Vocês se falaram depois disso?

– A gente se fala diariamente Quinn. Nós moramos juntos... – o loiro ironizou.

– Não banca o esperto pra cima de mim, Evans. Você me entendeu.

– Eu ainda tô tentando encontrar uma maneira de olhar pra ele, agir com ele... Da mesma maneira que eu agia antes. – explicou olhando pro chão. – A gente não consegue conversar nada além do cordial. Parece que é feito de vidro... Essa terça feira a gente brigou só porque eu me recusei a assistir a maratona de Queer as Folk. – contou, rindo de um jeito triste.

– Você assiste Queer as Folk com o Blaine?!

– Ás vezes. – o loiro sorriu, lembrando da estranha paixão que o jovem Anderson mantinha por Gale Harold. – Por quê? – endureceu a voz, voltando sua feição fechada novamente pra Quinn.

– Nada. – a loira queria poder permanecer neutra diante daquilo. Ela já havia visto um filme parecido antes, mas conhecia Sam. Ele não reagiria tão bem.

– Cospe logo, Fabray! Você veio aqui pra isso, não pra me deixar mais nervoso do que eu já estou. – o loiro praticamente estourou.

“Você já tá nervoso.” Quinn acrescentou mentalmente, mas preferiu por se abster.

Ela podia não conhecer Sam tão bem quanto Blaine conhecia, mas ela sabia das coisas que ele havia experimentado no passado.

Sam havia ficado confuso quando Blaine se abriu sobre sua sexualidade e foi pra ela que ele correu pra pedir conselhos quando isso aconteceu – que novidade! Quinn não pode ajudar muito na época, já que ela mesma estava confusa com os próprios sentimentos, então o bocudo acabou encontrando “apoio” no primeiro e único Noah Puckerman.

Mais do que apoio, se me permite insinuar.

Sam namorava Mercedes naquela época, sua primeira namorada séria, então Quinn não achou por bem se atentar muito para o que estava acontecendo entre o loiro e o garoto de moicano... Até flagrar os dois se beijando dois meses depois, após uma das competições do New Directions.

Sam jurou de pés juntos que nada além de beijos haviam acontecido e Noah foi suficientemente descente em confirmar. Sam disse que não era gay, que aquilo era apenas algo que ele estava fazendo pra entender melhor a cabeça de Blaine.

Essas foram as exatas palavras dele: Se eu quero entender o Blaine, acho que é justo, não?

Fabray conseguiu ler todo o conflito, a ânsia, a espera que ela dissesse “sim” e livra-se ele de qualquer responsabilidade com seus atos... E ela o livrou. Eles eram jovens, um mais confuso que o outro. Foi aceitável.

Quando Sam terminou com Mercedes e algum tempo depois começou seu relacionamento com Brittany, a loira não teve tempo de respirar aliviada antes de ver Sam novamente nos braços de Puck.

Eles tiveram uma briga horrível nesse dia, quase chegando a violência, um mais ávido pra fazer o outro calar a boca. Fosse Quinn jogando na cara de Sam que ele deveria “tirar a bunda de dentro do armário” antes de magoar Brittany ou Sam mandando Quinn para o além do inferno por não conseguir nem assumir pra si mesma que estava apaixonada por Rachel.

Foi épico.

Eles ficaram sem se falar por semanas, Blaine não conseguia entender o que estava acontecendo e muito encontrar uma maneira de ajudar. Então ele ficou de fora. Tentando lidar com os próprios problemas.

Até que um dia os “Super Gêmeos” finalmente colocaram seus pingos nos “i” durante uma festa na casa do próprio Noah. Eles estavam bêbados, chorando e sinceros como nunca. Sam reafirmou sua “virgindade anal” e disse que Puck era apenas seu consolo... Do que? Quinn nunca soube. Até aquele momento.

E foi exatamente isso que ela disse pra ele, antes que o músico decidisse estourar de vez pra cima dela. Quinn estava mais velha, mais madura, ela realmente disse que achava que Sam era gay, que foi todos esses anos e que usou Puck e sua eterna libido pra não perceber isso.

Quer dizer... Se você beijar o maior puto do colégio aka o cara que pega qualquer coisa que anda, isso não deve significar muito, huh?

– Você usou não só o Noah, Sam, mas a Mercedes, a Brittany... Você usou todos eles pra não chegar diretamente a única pessoa que você sabia que não podia ter... Ou achava que não podia ter. – a loira concluiu, olhando atentamente para o rapaz loiro.

Sam passou todo o sermão calado, encarando as poucas pessoas que passavam pelo parque, seja caminhando com os filhos, amigos ou praticando esportes. Em silêncio.

Não era algo comum dele ficar em silêncio. Dependendo do assunto, ou Sam explodia de uma vez ou se abria em uma de suas famosas gargalhadas contagiantes. Ele era 8 ou 80. Então Quinn começou a ficar oficialmente preocupada. Mas antes que ela pudesse dizer algo... Ele mesmo se pronunciou.

– Você sabe qual é a parte mais fodida disso tudo? – ele perguntou em uma voz que fez o coração de Quinn apertar.

Não era difícil distinguir quando uma pessoa estava a beira das lágrimas.

– Qual? – ela perguntou retoricamente, a voz pequena.

– Você tá certa... – ele finalmente olhou pra ela. Os olhos esverdeados com as bordas vermelhas, rasos com lágrimas. – Você sempre esteve certa.

E foi aí que ele desabou. Quinn pegou Sam nos braços antes que o loiro tivesse a chance de tomar a iniciativa.

Quinn sentiu as próprias lágrimas deixarem seus olhos. Ela sabia o quão difícil era chegar a conclusão que tudo que você acreditou durante um grande período da vida, era falso. Era apenas você tentando enganar a si mesmo. Ela havia passado por aquilo, mas não sozinha, ela teve Rachel, Kurt, Santana, teve todos eles pra apoiá-la e ela não permitiria que Sam passasse por aquilo só.

Porque ele não havia admitido ser gay. Não. Muito longe disso. Aquele havia sido apenas o primeiro tiro, apenas a conclusão de que ele era uma mentira... De que não era nada que esperava que fosse... De que estava apaixonado pelo seu melhor amigo.

Não... Aquilo pra Sam era apenas o começo... Ou começo do fim, se assim preferir.

Notas finais
Comentem, favoritem, o próximo e último cap só vem quando eu aparecer por aqui novamente! Xx.