Love's To Blame
3 Capítulo 3.
Notas iniciais
Sam colocou a chave na fechadura e respirou fundo, se preparando psicologicamente pra encarar Blaine. Logicamente que eles vinham se comunicando nos últimos cinco dias, mas nada além do mínimo. Blaine começou a perceber Sam se encolhendo como um caracol cada vez que ele se aproximava e preferiu dar espaço... Talvez as coisas se ajeitassem com o tempo.
O loiro girou a chave e entrou silenciosamente, sendo surpreendido pela presença de Wes e Hunter, também conhecidos como guitarrista e baterista da banda amadora de Blaine.
– Eeeei, boa noite, Sam! – Wes saudou em seu humor sempre amigável, muito parecido com o de Blaine.
– Sam. – Hunter falou logo em seguida, mais reservado, mas ainda sim sorrindo.
– Boa noite, pessoal. – Sam devolveu em uma voz um pouco mais baixa. Ele não estava no clima exato pra ser amigável nem nada do tipo. Ninguém poderia lhe culpar.
Blaine se manteve quieto. Ele vinha fazendo muito isso recentemente. Sam não tinha certeza se isso lhe incomodava ou se apenas lhe dava alívio. Ás vezes ele só queria fechar os olhos e fazer as coisas voltarem ao normal sem ter que se esforçar pra isso.
– E... – ele pigarreou sentindo o nervosismo preso na garganta. – E o que vocês estão fazendo por aqui? Happy hour no meio da semana? – tentou brincar, pra não parecer tão estranho.
– A coisa do Sebastian. – Hunter se pronunciou. – O otário tá vazando pra L.A esse verão, a gente vai ter que arranjar um novo baixista. E quem sabe um novo amor para o coração do nosso Romeo aqui.
– Yo, Clarington! Não na frente do Sr. Anderson oficial, né? – Wes deu um soco de leve no ombro do mais alto, rindo. Eles sempre faziam piadas assim, desde que se conheceram.
– Nós não somos um casal... – Sam sussurrou pra si mesmo. Nenhum dos dois ouviu, mas ele chegou a notar Blaine se mover desconfortavelmente no sofá, mexendo em alguns papéis na mesa de centro.
– A gente não jantou... – Blaine se pronunciou pela primeira vez, ainda mantendo os olhos desviados dos de Sam. – Mas eu deixei uma lasanha no microondas pra você. Tem arroz no fogão, é só esquentar.
Sam sentiu algo desagradável borbulhar no seu estômago. Ele não gostava disso, de Blaine agindo totalmente no automático com ele. Mas ele também não conseguia voltar ao que eles eram antes... Era a porra de um labirinto! E tudo isso por quê? Porque ele não conseguiu controlar a própria vontade... Ou o próprio coração?
Qual era o maldito problema com ele?!
– Isso sim é um bom casamento... – Wes comentou.
O loiro tinha certeza que o rapaz iria completar a frase de alguma maneira, mas ele explodiu antes.
– Nós não somos casal!
Sua voz soou tão rude quanto era possível. Sam não era rude. Nunca. Por motivo nenhum. Ele era um filhotinho. Mas mesmo assim isso causou uma reação.
Wes e Hunter se encararam com expressões semelhantemente surpresas e até meio nervosas. E Blaine... Blaine finalmente encarou Sam diretamente. Era uma mistura de descrença e exaltação. Sam não conseguia se lembrar da última vez que viu os olhos de Blaine se tornarem tão hostis.
Engolindo em seco, com os batimentos ressoando nos ouvidos, ele apenas virou em seus calcanhares e se dirigiu até a cozinha.
Sam sentia as mãos suadas, os olhos começando a irritar novamente, mas os comuns sentimentos opressores logo se transformaram em frustração, enquanto ele apertava os botões do forno microondas com força e encostava-se à pia.
Ele ouviu algumas vozes na sala e alguns minutos depois a porta abrindo e fechando, por um segundo ele não pode evitar a onda de vergonha por sua atitude, mas quando a figura pálida ainda com a expressão hostil adentrou a cozinha, ele repôs todas as suas barreiras e virou de costas para o... Amigo?
– O que foi aquilo na sala?
Ele tremeu um pouco. Fazia um tempo que Blaine não se dirigia a ele diretamente fora as necessidades diárias para uma convivência entre duas pessoas fingindo estar tudo bem.
– Seus amigos sendo completos babacas? – ele cuspiu ainda alterado, mas se arrependeu logo em seguida.
– Meus amigos?! – dessa vez Blaine realmente gritou. – Nossos amigos, seu idiota! E eles fazem essa mesma maldita piada sem graça a quase malditos dois anos! Qual a porra do seu problema?!
– Porra do meu problema?! – a frustração de Sam atingiu o nível máximo e ele se virou encarando Blaine, se aproximando somente o necessário. – A porra do meu problema é que nós não somos a porra de um casal! Você, Blaine Anderson! VOCÊ NÃO É A PORRA DA MINHA ESPOSA!
Sam sentiu seu estômago rodar, sua cabeça pesar, ele se sentiu o ser humano mais desprezível do mundo quando o rosto de Blaine caiu e os olhos avelã do menor brilharam... Com lágrimas.
– Você não precisava ter me dito isso...
A voz de Blaine soou tão quebradiça, tão frágil, que Sam teve que lutar contra seu refluxo pra não vomitar tudo que ele não comeu.
Ele fechou os olhos com força e rosnou baixinho, lutando contra as próprias lágrimas. Ele não ia conseguir ver Blaine chorar, não por causa dele, logo ele, a pessoa que sempre enxugou as lágrimas do garoto. Isso era inaceitável.
Forçando todas as barreiras que ele havia montado nos últimos dias, Sam andou devagar até Blaine e o encarou por alguns segundos.
– Me desculpa, Devon? – pediu segurando o antebraço de Blaine com delicadeza, sentindo um conforto tóxico lhe dominar, depois de tantos dias sem tocar o amigo nenhuma vez, em uma relação posteriormente tão afetuosa. – Eu só tô tendo um dia de merda e dando patada em todo mundo. Eu não quis dizer isso, Blaine. Me perdoa. De verdade.
Talvez Blaine tenha sentido todo o peso do arrependimento em sua voz ou talvez Rachel e a Broadway estivessem perdendo um grande ator, mas Blaine engoliu a saliva notavelmente e sorriu de leve, acariciando a mão de Sam, antes de tirá-la do seu braço.
– Ok, Sam... Seu jantar vai esfriar de novo, ó... Tá tudo bem... – ele sorriu de novo e voltou pra sala.
Isso não fez se sentir nem minimamente melhor. Nem mesmo em um momento como aquele... Ele não havia sido capaz de abraçar seu melhor amigo.
Momentos depois, quando Sam passou pela sala... Blaine não estava em nenhum lugar a ser visto.
*
*
O loiro se trancou no banheiro, respirando pesado. Abriu a água gelada, mesmo no clima frio de Seattle, talvez algum tipo de punição inconsciente.
Ele ainda não havia conseguido tirar as expressões de Blaine pra ele na última, de sua mente. Hostis, decepcionadas... Eles nunca haviam brigado dessa forma antes. Usando palavras pra ferir um ao outro. Sam sentiu o peito apertar, enquanto a água desagradável chegava até a arder em seus músculos.
– Porra... – ele sussurrou pra si mesmo, sentindo lágrimas borrando sua visão. – Volta ao normal, Sam... Volta ao normal AGORA! – ele exigiu a si mesmo, esmurrando a parede com força.
Mas ele não conseguia voltar ao normal. Ele nem conseguia lembrar como era o normal dele.
*
*
“Me liga quando voltar dos Chang. Preciso conversar. – S.”
“É sobre o que eu acho que é? – Q.”
“Sim. Já decidi. – S.”
Ele olhou pro celular por alguns segundos, antes de jogar em cima da cama e tirar uma mala de dentro do guarda-roupa.
*
*
Ele cantarolava The Enemy is You do Elliott Smith, sentindo toda a ironia da música lhe tocando, apaixonado por sua tortura particular. Ele pegava algumas roupas no armário, algumas ele dobrava, outras ele jogava de qualquer jeito dentro da mala.
O som estava baixo o suficiente pra ele ouvir a porta do quarto de Blaine abrir e fechar.
O rapaz apareceu na sua porta minutos depois, ele estava com os cabelos também molhados e vestia calça e blusa de pijama.
A expressão do rapaz era calma, mas assim que notou o que estava acontecendo, Sam assistiu uma onda de pânico invadir os olhos infantis de Blaine e seu coração apertou dolorosamente... Ele realmente era um cretino filho da puta.
– Pra onde você tá indo? – o tom de desespero de Blaine quase fez Sam chorar novamente. Ele estava uma verdadeira bagunça sentimental. Seu pai teria vergonha.
– Viajar?
– O que? Por quê? Pra onde?! – desespero não diminuiu nenhum pouco, ele se aproximou mais, tentando buscar o olhar de Sam.
– Nova Iorque. – respondeu rápido. — Quinn vai me hospedar um tempo por lá.
– Por quê?
– Férias, Blaine. A gente viaja. – ele estava tentando ser rápido, fácil, tentando não causar mais desgaste emocional. Blaine pareceu ligeiramente mais calmo com a afirmação que ele estaria com Quinn, mas não menos ansioso.
– Sam, sério... O que tá acontecendo? – perguntou com a voz pequena. – Por que você tá estranho? É pelo que... Pelo que aconteceu naquela noite?
Isso tirou de Sam de sua tentativa.
– Bota uma coisa na sua cabeça, Blaine. – ele olhou seriamente dentro dos olhos do moreno, sem raiva, sem levantar a voz, mas em um tom sério, cansado. – Eu não quero falar sobre isso. Ok?
Blaine assentiu vagamente, a expressão estranha, triste, maculando seu rosto sempre tão bonito e animado. Sam sentiu a pressão.
– Não fica com raiva de mim... – ele pediu, largando uma peça na mala e se aproximando. – Eu só... Eu não posso. – murmurou, talvez mais pra si mesmo do que pra Blaine.
– Eu não tô com raiva. – Sam conseguiu ler ele, ele não estava com raiva... Ele estava magoado, desapontado, confuso... E cada identificação de sentimento fazia com que Sam sentisse uma faca ser enfiado dentro de si.
Ele estava sendo pior que o tal de Jeremiah. Pelo menos aquele havia dado algo palpável pra Blaine, ele mesmo só deu desgosto.
– Por que você não... Você... Não quer me ajudar fazer as malas? – perguntou, em uma esperança vã de tentar fazer as coisas pelo menos, não tão piores.
– Claro. – o músico sussurrou. – Tudo bem.
Mas não estava tudo bem. Nada ia ficar bem. Talvez nem em longo prazo.
*
*
Horas depois eles estavam na sala. Assistindo um episódio de Game of Thrones, Sam imaginou, porque a menina de cabelos brancos que ele nunca gravava o nome era protagonista. Ele pessoalmente não gostava da série, muito super estimada, mas Blaine era um aficionado e ele decidiu não ser tão estraga prazeres... Pelo menos na última noite.
– Ah... — ele aproveitou um dos intervalos. – Eu liguei pro Scott avisando. Claro que ele não ficou feliz, mas eu disse que ia falar com você, se poderia aparecer por lá pelo menos umas três noites por semana. O salário vai ser o mesmo meu, então é uma boa.
Blaine encarou o loiro por um momento, estudando as palavras com cuidado.
– Quanto tempo você pretende passar em Nova York, Sam?
– Ahn… Eu... Só algumas semanas, eu acho... Só férias, tempo suficiente pra dar uma relaxada e tal. – explicou vagamente, tentando sorrir.
– Hm... – Blaine resmungou ainda não muito convencido. – Eu tenho que falar com os garotos, mas... Provavelmente vai dar.
– Muito bom! Agora vamos voltar nossa atenção dos Dragõerrys.
– É Dracarys, Sam. – Blaine concertou rindo.
– Isso também! – o loiro se fez de desentendido, fazendo Blaine rir ainda mais.
Um silêncio confortável se seguiu entre eles, enquanto a série não voltava. Até Blaine falar novamente.
– Sammy?
Sam virou o rosto pra ele, o olhando preguiçosamente.
– Hm?
– Eu vou sentir a sua falta. – declarou carinhosamente, da mesma maneira que eles fariam cinco dias antes, antes de toda aquela bagunça se anunciar.
Sam fechou os olhos com força, sentindo mais dor interna e se permitiu mergulhar lentamente em uma lembrança daquela noite.
*
*
Flashback:
Sam ouviu passos e moveu a cabeça pro lado levemente, apenas a tempo de ver Blaine sair do banheiro, com uma toalha amarrada em volta da cintura e outra nas mãos enxugando o cabelo.
– Eu não vou tomar banho. – avisou, com a voz grogue, uma mistura de sono, exaustão e a forte quantidade de álcool que ainda percorria por seu sistema.
– Tudo bem. – Blaine riu de leve. – Eu só não consigo dormir todo suado, me dá insônia.
O loiro fechou os olhos novamente, talvez tivesse apagado por alguns minutos e quando os reabriu, Blaine vestia uma boxer cinza e ia em direção a porta.
– Pra onde você tá indo? – questionou desnecessariamente preocupado.
– Hum... Dormir?
– Esse é o seu quarto. Você dorme aqui. – disse com a voz firme, o pensamento de ter que passar aquela noite sem o amigo lhe perturbando em um nível totalmente novo.
– Tá tudo bem, Sammy. Você pode ficar aqui hoje e...
– Nãããããão! – arrastou a palavra, rindo manhosamente. – Você vem e dorme comigo aqui. Vamos. Não seja uma garotinha covarde, Blaney! – brincou, olhando ironicamente para o moreno.
Blaine o olhou por alguns segundos, com uma emoção que Sam não conseguiu distinguir, muito provavelmente por seu estado inebriado, mas logo um sorriso jocoso se formou em seus lábios e ele foi em direção a cama, deitando do outro lado.
– Idiota. – jogou, antes de se cobrir com o lençol.
– Naaah! Eu sou lindo, loiro, gostoso e você me ama. – Sam anunciou, em voz alta.
Ele puxou o cobertor debaixo de si, mas apenas se deu ao trabalho de cobrir do estômago até as coxas, virando de lado e aconchegando-se totalmente em Blaine: o rosto imerso nos cabelos do mais baixo, o braço em volta da cintura, uma das pernas jogada entre as dele e o tórax completamente colado nas costas do musicista.
– O que você tá fazendo, Sam? – Blaine perguntou. A voz baixa, confusa e mergulhada em expectativa.
– Dormindo. – respondeu quase ininteligivelmente, apertando o abraço na cintura do amigo.
Blaine respirou fundo, relaxando devagar contra o loiro, sem saber exatamente como agir ou o que esperar.
– Sam?
– Humm...
– Me promete que nada vai mudar entre a gente?
– Humm?
– Promete? – Blaine pediu com mais firmeza, se virando pra olhar pro loiro, que tinha os olhos minimamente abertos. – Mesmo que isso... – disse, apontando para os dois. – Mesmo que isso que nunca mais aconteça. Promete que nada vai mudar entre a gente?
– Nada vai mudar Blai-Blaney! – prometeu com a voz risonha. – A gente é pra sempre.
O músico sentiu seu coração apertar com força. Uma esperança? Um mau pressentimento? Ele não soube descrever.
– Eu amo você, Sam. Muito. – Blaine declarou, com a voz quase inaudível.
– É? Eu também amo você, Blaine. Muito. – Sam disse, com a voz um tanto quanto diferente as das falas anteriores. Quase como se estivesse mais sóbrio.
Blaine assentiu, não as levando seriamente. Segundos depois, ele sentiu os braços de Sam lhe puxando pra perto, forçando sua cabeça contra o peito do loiro.
Ele ficou preocupado, sem saber o que esperar, mas como bem diziam “Já está no inferno? Abraça o capeta!”. E Blaine abraçou. Abraçou seu demônio pessoal e mais íntimo, passando o braço por cima do abdômen de Sam e uma das pernas por cima das dele, sentindo o cheiro de suor e uma essência desconhecida de frutas.
– Boa noite, Sam.
– Humm... Noite, Blaney. – o loiro concluiu, beijando inconscientemente a cabeça do mais novo.
Poucos instantes depois, ambos já haviam se rendido sono. Mas tudo que Blaine conseguiu sonhar foram com “a gente é pra sempre” e “eu também amo você, Devon. Muito.”
Talvez essa fosse a parte boa dos sonhos. Tudo era potencialmente real até você acordar.
Flashback off:
*
*
– Eu também vou sentir a sua falta Blaine. – Sam falou com a voz grossa, segurando a mão de Blaine em cima do sofá com força, deixando os dedos do rapaz avermelhados.
Mas o moreno não disse nada. Ele sentia falta daquele contato. E não fazia a mínima idéia de quando teriam aquilo novamente... Se teriam.
*
*
Na manhã do dia seguinte, Blaine abriu a porta do apartamento ás sete da manhã pra uma loira de sorriso sutil e olhos tão intensos quanto os dele. Quinn abraçou o rapaz com força, quase machucando. Talvez o fato de ela ter conhecimento de toda a história, ter passado por algo parecido, a fizesse querer acarinha Blaine... Não ver nos olhos dele o que ela viu nos de Rachel tanto tempo atrás.
Quinn tomou café da manhã com os meninos, em um clima que se dividia entre tenso e calmo, muitas vezes pra ser considerado normal, mas ela nada comentou.
Quando o telefone de Blaine tocou, os dois loiros ficaram sozinhos na mesa. Olhares questionadores e arrependidos. Mas eles teriam que conversar sobre aquilo depois. E iriam!
Blaine voltou alguns minutos depois com um sorriso doce no rosto, deixando Sam atento.
A jovem Fabray pediu licença pra ir ao banheiro antes de eles pegarem a estrada. E Sam aproveitou a deixa.
– Quem era? – perguntou, tentando esconder alguma coisa na voz. O que? Ele não sabia.
– Jake Puckerman.
– Jake... Jacob? Caçula do Noah? – agora ele estava confuso. Ele não sabia que Blaine era amigo do irmão do Puckerman. Muito menos amigo a ponto de causar um sorriso daqueles.
– Aham. Esse mesmo. – ele sorriu novamente, colocando outra xícara de café.
– O que ele queria?
– Hmm... Ele vai substituir o Sebastian no baixo. Wes e Hunter já estão com ele me esperando no clube. A gente tem que se encontra pra fechar as últimas coisas. Inclusive sobre o Scott. – avisou, terminando o café e colocando tudo na pia.
Quinn apareceu na soleira da porta com a mala de Sam.
– Tá na hora, môzão! – ela brincou. – Se a gente sair mais tarde que isso, não chega a tempo pro aniversário da Lopez e ela via, eu sei que vai... Cortar o meu não existente pênis. – Fabray dramatizou sacudindo a mala com pressa.
– Tá certo, tá certo. – Sam riu, levantando.
Blaine foi os levar até a porta, sorrindo abertamente para os amigos. Quinn se adiantou em direção ao elevador, mas Sam ficou pra trás.
– Hum... – ele gaguejou olhando pra Blaine. – Ele é um bom garoto... Quer dizer... O Jake. Ele é um menino legal.
– Sim. Ele é. – Blaine riu confuso sobre a frase.
– Se cuida, Blaney. – Sam sorriu pra si mesmo, dando um beijo rápido no cabelo do menor.
– Você também Sammy. Divirta-se em NY. – Blaine passou a mão displicentemente no rosto do melhor amigo.
– Vou tentar.
Um último sorriso. Só isso. Foi assim que eles se despediram.
*
*
– Tudo pronto? – Quinn perguntou indo encontrar Sam perto do porta-malas.
Eram duas malas. Quinn achou demais pro período, mas preferiu não comentar. Sam passava brilho labial e era enrustido. Questionar o número de malas era idiotice.
– Sim. Tudo na mala. Você já falou com a Rachel? – ele perguntou.
– Falei. Ela ficou preocupada com você, Sam. Artie e Santana também.
– Você contou pro Artie e pra Santana?! – ele indagou assustado, mas Quinn apenas riu indo se colocar no banco do motorista. Sam a seguiu, sentando no passageiro. Seria uma estrada longa até NY, mas poderia até ser divertido.
– Não. Contei pra minha namorada. – ela explicou. – Você sabe que não escondo nada dela. Mas é questão de tempo até coisas assim saírem do seu controle, Sam. – ela explicou colocando o cinto e checando o espelho retrovisor. – O que você vai fazer quando esse um mês voltar e você voltar pra casa?
– Acho que esse é ponto então, Fabray. Eu não vou voltar. – ele foi sucinto, fazendo Quinn virar a cabeça rapidamente, quase se machucando.
– Você tá brincando né?
– Não. Mas não se preocupe, eu não espero que você e a Rach me hospedem pra sempre, eu tenho alguns planos em mente. – resumiu.
– SAMUEL! Que inferno, olha o que você tá dizendo! – ela estava gritando com ele.
Sam olhou pro lado envergonhado. Ele não tinha esse plano. Eram só alguns meses. Mas ele viu como Blaine ficou sobre o tal Jake. Ele não queria estar lá pra presenciar isso. Ele não queria voltar pra casa e ver seu pequeno com outro cara... E ele não estava pronto pra lutar por Blaine.
– Eu não posso lidar com nada disso agora! – ele sussurrou agoniado. – Por favor, me entende, Quinn! – Sam implorou.
– Desculpa, mas não, eu não entendo... – ela o olhava descrente, fazendo-o se sentir pior. – Coloca a porra do cinto. – mandou resignada – Eu realmente espero que a Santana descubra isso e nunca mais deixe você em paz. – resmungou, ligando a ignição.
Sam quase riu, mas não conseguiu. O mundo estava pesando em seus ombros. Ele não tinha mais tanta certeza sobre quem realmente era. Ele estava apaixonado e não podia amar do jeito que queria, porque era covarde. Ele estava vivendo a primeira descoberta de sua vida que não podia dividir com Blaine, o primeiro sentimento que ele escondia de Blaine... O começo de uma vida sem Blaine... E nem parecia tanto uma vida.
Não. Ele não voltaria tão cedo a Seattle, aquele apartamento ou para qualquer lugar próximo de Blaine Anderson. Ele apenas não podia.
Maybe time will heal your heart
And maybe after time
You'll understand...
I said goodbye 'cause I love you
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