Notas iniciais
Eu postei essa fic alguns meses atrás e teve uma receptividade boa! São somente três capítulos. Espero que gostem!

Encarando o céu nublado pela vidraça do café em que encontrava-se, Sam tirou um gole de seu cappuccino e olhou novamente o horário na tela do celular. Ainda eram por volta de nove da manhã, ela não estava atrasada, mas o rapaz não conseguia parar de se sentir inquieto.

Precisava conversar com alguém, precisava entender o que estava acontecendo dentro de sua cabeça e quando Quinn lhe ligou na tarde do dia anterior, avisando que viria passar alguns dias na cidade pra visitar a irmã, o jovem apenas pulou na oportunidade.

E então ele estava ali, sentando em uma das muitas mesas vazias do Cloud City Coffee, já em sua terceira xícara de café e Quinn não daria sinais de que chegaria pelo menos nos próximos minutos.

Entediado, preocupado e com a mente on/off constantemente, o rapaz apenas permitiu que seus pensamentos se desgarrassem.

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Flashback: Dois anos atrás.

– Hora de acordar, idiota! – Blaine anunciou em seu tom bem-disposto de sempre, jogando-se nas costas de Sam, que ainda estava apagado, no sétimo sono. – Vamos lá, Sammy! Você não quer perder o dia de hoje! – disse botando força nas costas nuas do amigo e beijando o lado do rosto dele que estava exposto.

– Argh! – Sam grunhiu, tentando se mover em vão. – Você não tem nada melhor pra fazer? Tipo ir dar uns pegos no seu namorado com cara de bebê?! Sai de cima de mim, Anderson! – grunhiu de novo, dessa vez, mais alto.

Blaine e Sam já estavam morando naquele apartamento a quase duas semanas e haviam se adaptado bem mais fácil do que esperavam.

Era libertador finalmente estar longe de Lima, de Ohio e de toda aquela gente de mente pequena que não entendia nada de nada. Principalmente pra Blaine,mas de certa forma, Sam entendia aquilo e por vezes até se sentia da mesma maneira.

Os dois se conheceram aos 15 anos, no primeiro ano do ensino médio, e depois disso nunca mais se largaram. Sam foi o primeiro para quem Blaine assumiuser gay e o apoiou durante todo o período de aceitação e afirmação. Blaine foi quem mais ajudou Sam com sua dificuldade de aprendizado e problemas com dislexia. Eles sempre estiveram do lado um doutro. Inseparáveis.

Então era mais que esperado que, quando o colégio finalmente acabasse eles decidissem fazer alguma coisa juntos. Essa coisa foi finalmente se livrar de Ohio e se mudar pra Seattle, em Washington, com intenções de iniciar um novo estágio na vida.

Blaine ainda estava atado ao seu relacionamento de longa data com Kurt Hummel e os dois tentavam manter a “chama acesa”, mesmo com a distância Seattle e Nova Iorque. Sam namorava Brittany, mas as coisas apenas tiveram o término esperado, quando ela conseguiu uma bolsa pra cursar dança fora do país.

Ali eram apenas os dois. Blaine e ele. Prontos para experimentar todas as novas ofertas da vida.

O moreno decidiu cursar música na UW e seguir adiante com sua carreira no mundo da arte, que foi o que sempre gostou de fazer desde criança. O loiro preferiu esperar e começou a fazer pequenas apresentações em bares e restaurantes locais, conseguindo embolsar um bom dinheiro. Sentindo a vibe do melhor amigo, Blaine terminou por seguir a mesma direção.

Poderia ser considerado curioso como eles sempre terminavamtraçando a mesma linha de alguma forma.

– Blaney! – gritou rindo, quando o moreno começou a lhe fazer cócegas. – Saaaai, Frodo bolseiro! Sexo violento não é muito comigo.

Rindo mais alto, ele forçou o corpo abruptamente pra traz caindo por cima de Blaine. Virando-se pra encarar o rosto do menor, ele riu, apertando as bochechas do rapaz, que ainda respirava pesadamente com o golpe surpresa.

– Você é tão fofo, Blaney! – brincou.

– Sai de cima de mim, Samuel! – Blaine se mexeu desconfortável, mas ainda sorrindo. — Vamos! Saia! – mandou mais alto, agarrando com força o cabelo do loiro e puxando pro lado.

– Ai, ai, ai! Já saí, já saí! – pulou de cima do garoto, já se adiantando em direção ao banheiro. – Que agressividade gratuita!

– Pelo menos você acordou. – Blaine riu, levantando da cama, saindo do quarto.

– Vadia! – xingou, gargalhando pra dentro do banheiro.

– EU OUVI ISSO! – Sam escutou o outro dizer, provavelmente já no fim do corredor.

– QUE BOM! – gritou de volta, se abrindo de rir e batendo a porta com força.

Flashback off:

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A relação deles era simplesmente tão fácil, tão natural, tão tranqüila, guiada por uma coisa que nenhum dos dois jamais ousou abordar e preferiam intitular de irmandade. Ele não conseguia entender por que tudo havia se bagunçando daquela forma...

– Ouch! – foi a única reação de Sam ao sentir um golpe na parte de trás da cabeça, quase derramando um pouco de sua bebida. – Mas que merda...

– Que boca suja, Sammy!

– Quinn?!

– A primeira e única. – a loira anunciou, olhando pra Sam com um sorriso aberto. Ela realmente tinha sentido saudades daquele pateta.

– Graças a Deus. Duas eu não agüentaria. – Sam jogou, se levantando e pegando Quinn em um abraço apertado.

– Vai amassar minha roupa. – a ex-líder de torcida comentou rindo, mas sem soltar o rapaz.

– Tanto faz.

Ele a apertou mais contra seu corpo e descansou o rosto no ombro da garota. Como se estivesse completamente exausto.

– Ei... Sammy boy? Tá tudo bem? – Quinn perguntou, acariciando o cabelo dele suavemente.

– Er... Sim. – assentiu a soltando e voltando a sua cadeira. – Sente-se, peça alguma coisa. Eu realmente senti a sua falta.

A garota fez o que o rapaz pediu e o olhou seriamente por alguns segundos. Quinn conhecia Sam suficientemente bem, eles eram grandes amigos, nada parecido com o que ele tinha com Blaine (definitivamente), mas ainda sim era formidável. Quinn era como aquela irmã mais velha, que ás vezes você gostaria que sumisse, mas sempre dava os melhores conselhos.

– Como está a Frannie? – ele perguntou depois que ela fez seu pedido ao garçom.

– Grávida. – riu.

– De novo?!

– De novo. E parece que são gêmeos dessa vez.

– Qual o problema da sua irmã?! Como o David agüenta isso?

– Amor, meu caro Evans. Amor, uma gorda conta bancária e outros três pestinhas correndo pela casa como se não houvesse amanhã. – explicou bem humoradamente.

– Ah é?! E você? Quando pretende ter seus quinhentos pestinhas com a Rachel?

– Tá louco, garoto? – bateu com os nós dos dedos na mesa três vezes, rindo. – Eu tenho sorte. Rachel não quer filhos até ganhar o tal do primeiro Tony. Levando em conta que agora que ela fez as pazes com a Shelby, Beth passa quase todos os fins de semana com a gente. Isso pode ser adiado por mais um bom tempo.

Sam apenas assentiu com um sorriso branco estampado no rosto. Ás vezes ele realmente invejava o relacionamento da amiga com Rachel Berry.

Elas estavam juntas a quase dois anos, depois de alguns meses de uma estressante amizade entre New Haven e Nova Iorque. Quinn finalmente deixou de ser covarde, assumiu seus sentimentos desde o colégio e quando ele se deu conta, a amiga já estava transferindo seu curso pra Columbia e se mudando para o apartamento de Rachel.

Na época eram Rachel, Santana e Kurt que viviam lá, depois que o jovem Hummel resolveu “casar” com Adam Crawford, Artie tomou o posto do estressante modista. Aparentemente os quatro conseguiram encontrar um ponto de equilíbrio pra viverem juntos.

– E você e o Blaine? – a loira questionou, bebericando seu suco. – Pra quando é o casamento?

Sam parou a xícara no meio do caminho e encarou Quinn como um animal pego em faróis dianteiros. Foi uma reação totalmente desnecessária, eles sempre brincavam dessa forma, todo mundo constantemente apontava o relacionamento dessa maneira e nunca foi problema. Muitas vezes eles chegavam a provocar, apenas por diversão... Mas aquela situação era completamente diferente. E Quinn percebeu.

– Oh, oh... Sam...Oque tá acontecendo? – perguntou, olhando gravemente para o loiro.

Era isso que Sam mais temia em Quinn ás vezes, a maneira como ela conseguia pegar coisas no ar e tirar respostas de você sem quase nenhumaesforço. Mas ele queria se abrir com ela sobre isso, eleprecisava... Antes que acabasse tendo um AVC ou coisa pior.

– Aconteceu uma coisa... – ele gaguejou, sentindo o estômago revirar de insegurança e ansiedade. Não inseguro da reação de Quinn, apenas de si mesmo. – E parece que eu... Parece que... Eu tô tão confuso, Quinn...

Quando os olhos esverdeados do mais novo começaram a ficar levemente marejados, Quinn sentiu a preocupação lhe dominar e agarrou a mão dele que estava sobre a mesa, com força.

– Me conta. Não importa o que seja. A gente dá um jeito. O que aconteceu, Sammy?

– Eu não quero que você me julgue... – ele respondeu, com a voz trêmula e insegura.

– Nem se você tivesse matado um filhotinho, Sam. – ela sorriu de leve, tentando aliviar a tensão presente. – Provavelmente eu te daria umatapa ou outro, mas te julgar? Isso nunca, garoto.

Sam deixou o pensamento correr por sua mente com rapidez, respirando pesadamente, sem saber exatamente como falar o que veio a seguir.

– Eutransecuimblaine. – cuspiu, desviando os olhos para a xícara vazia na mesa.

– Sam, eu sei que ás vezes parece que eu sou psíquica, mas essa é a Rachel. Só entendi o “eu”. – Quinn disse, com a expressão legitimamente culpada.

Um segundo... Dois... Dez... Meio minuto.

– Sam...

– Eu transei com o Blaine, Quinn. — respirou fundo. — Eu transei com o Blaine e parece que o mundo se despejou nos meus ombros desde então.

Movendo a cabeça para finalmente encontrar os olhos da amiga, e os conhecidos olhos avelã de Quinn Fabray, enquanto ainda carregados de sarcasmo, levavam uma incredulidade maior.

– Você... Transou com o Blaine? – tentou reafirmar com a voz baixa, descrente.

O loiro apenas assentiu.

– Puta merda...

E mais uma vez Sam teve que concordar com a amiga mais velha. Puta merda.

Notas finais
Próximo é o flashback +18 e o meu favorito, então... Comentem, FAVORITEM, etc...