Love of Cain
14 Useless
Notas iniciais
Dean a abraçou e me encarou.
– Você é a pianista? – Assenti. – Então toque “I’m too sexy”, por favor.
– Claro. — Sussurrei.
O que estava acontecendo comigo? Por que eu estava agindo como uma idiota?
Eu simplesmente queria gritar com ele e pedir para que ele voltasse para mim. Para o Sam. Para a antiga vida.
Mas vê-lo tão próximo me deixava mal. Lembrei da sensação que eu tive quando o vi, sentado na cama, com os olhos totalmente negros. Aquela maldade que eu tentava evitar dele totalmente exposta.
Victoria foi para frente do palco, vê-lo cantar. Crowley olhava para nós como se fóssemos personagens da série favorita dele. Era horrível.
Comecei a tocar e Dean foi — de longe — o pior cantor de todos. Ele já estava terrivelmente bêbado. O pior era que Victoria ficava olhando para ele como se o Winchester fosse um Deus, assobiando e gritando. Aquilo me deixava confusa.
Eu sentia como se não fosse justo.
A pior parte foi quando ele virou para mim e começou a cantar como se fosse para mim.
Comecei a ficar enjoada.
"I'm too sexy for my love. Too sexy for my love. To sexy for..."
Parei de tocar e saí correndo de lá.
Fora do bar, estava chovendo.
Eu me sentia vazia, sozinha e sem objetivo.
Os últimos meses tinham sido planejado exclusivamente para salvar minha irmã. Para cuidar dela. Para salvar Dean.
Mas nada estava indo como eu tinha planejado. Victoria só estava passando por mais um crise rebelde, não corria risco de vida como eu achava.
Dean fingia que não me conhecia. Ele me provocava. Ele realmente estava diferente.
Minha mãe... Bem, eu não tinha a menor vontade de falar com ela agora. Além de ter se envolvido com seres sobrenaturais, ela queria esconder a filha abominável do mundo.
Que amável.
Deixei as gotas de chuva caírem sobre mim.
O som da conversa do bar ainda estava alto. Algumas pessoas riam.
Peguei meu telefone, precisava ligar para o Sam. Queria ir embora dali.
Foi quando um homem chegou pra cima de mim. Ele cheirava mal. Era um dos clientes de sempre, que vez ou outra ia me encher. Mas nunca estava tão bêbado quanto agora.
– E aí, delicia. Aquele cara estava te incomodando lá dentro? O desafinado? Por isso você saiu correndo?
– Cai fora, Jasper. — Eu o empurrei.
– Oh amor. — Ele cambaleava. O cheiro de cerveja dele me deixava enjoada – Só um beijo, vamos lá. Não se faça de difícil, como sempre faz.
– Não seja ridículo. – Comecei a ir em direção ao meu quarto de hotel. Precisava me trocar antes de voltar pro trabalho. Estava toda ensopada de água.
– Sabia que você fica muito sexy com essa roupa molhada? – Ele me seguia.- Ai, esse corpo colado no meu.
Ele passou a mão na minha bunda e, a partir daí, tudo foi muito rápido. Eu fechei os pulsos, pronta para dar um soco na cara dele.
Quando Dean apareceu.
Puxou Jasper pela gola e o socou, deixando-o cair. Algumas pessoas ouviram o barulho e vieram conferir o que estava acontecendo. O bêbado levantou-se, atordoado, partindo para cima de Dean, que rebateu com outro soco.
Começou a escorrer sangue da boca de Jasper. Ele mexia os braços, inofencivo, mas Dean o jogou para cima do capô de um carro estacionado. Começou a bater no homem bêbado sem parar. Eu assistia àquela cena horrorizada.
Foi quando Jasper desmaiou e Dean não parava de socá-lo. Não aguentei mais.
– Para, Dean! Você vai matá-lo. – Gritei. Ele hesitou, olhando para mim. – Pare agora! Você não tá me ouvindo?
Sem a mão do Winchester o segurando, Jasper escorregou do capô do carro até o chão.
Ouvi a voz de Victoria comemorando. Ela logo se aproximou de Dean, o abraçando por trás. Ele se desvencilhou dela e olhou para mim.
– Você está bem?
– Eu conseguia me virar sozinha. – Respondi, seca.
– Isso lá é modos de agradecer? – Perguntou Victoria, indignada.
– Cala a boca. – Falou Dean, agressivamente. Não me importei. Minha irmã estava realmente insuportável.
– Eu não vou te agradecer, Dean. Você quase matou esse homem. Você queria me proteger ou provar a sua força?
– Cecília. – Ele não mostrava emoção na fala. – Você não devia estar aqui.
– Bem, supresa, querido. Cheguei primeiro. Mas não se sinta incomodado. Já estou indo embora.
Dei as costas para ele e comecei a andar. Dean gritou atrás de mim.
– Você devia ter pego o Sam. Não eu. Eu te avisei desde o início.
Parei. Respirei fundo.
– Com isso, você não precisa se preocupar. – Olhei para ele. Aquilo me doía mais do que eu queria admitir. – Eu peguei o seu irmão.
Forcei um sorriso.
– E ao contrário de você, ele foi até o final.
Continuei indo para o quarto. Se ele respondeu alguma coisa, não consegui ouvir.
Estava preocupada demais em esconder minhas lágrimas.
Cheguei no meu quarto e tranquei a porta. Caí no chão, desgastada.
Aquilo estava sendo pior do que eu imaginava. Eu sentia o fracasso invadir o meu corpo.
Na minha mente, várias cenas passavam repetidamente.
Quando começamos a fazer perguntas um para o outro. Meu dedo contornando a tatuagem dele. O jeito que ele olhou para mim quando disse que me amava.
Ele me olhando indiferente no bar.
Me levantei e fui tomar banho, antes que pegasse algum resfriado. Coloquei uma roupa e comecei a arrumar as minhas coisas. Foi quando ouvi alguém batendo a porta compulsivamente.
Ignorei até começar a ouvir minha irmã gritando comigo.
– Eu sei que você está aí! – Ela parecia fora de si. – Abre a porta agora, sua puta!
Abri, assustada. Ela me olhava com muita raiva.
– O que você quer? – Perguntei, calmamente.
– Você conhece ele. O que você foi fazer?! Agora ele não quer nem olhar para a minha cara! – Ela ameaçou a me atacar, mas eu dei um passo para trás.
– Primeiro, vamos nos acalmar, okay? Não somos selvagens. – Fechei a porta – Senta na cama e me diz, com calma, o que você quer saber.
– Com calma?! – Ela gritava, escandalosa. – Como que você quer que eu reaja, sendo que o amor da minha vida está lá naquele bar dando em cima de qualquer pessoa que tenha peitos e uma vagina?!
– Bem... – Eu disse, delicadamente. Primeiro vamos repensar que tipo de pessoa você quer como amor da sua vida. Porque, sinceramente, não são boas qualidades que você está me apresentando.
– Você se acha muito esperta, não é? – Ela me perguntou rispidamente, porém com o volume mais baixo. – Você e Dean tiveram alguma coisa. Me fizeram de idiota lá.
– Te fizeram de idiota? – Dessa vez, fui eu quem me irritei. – Quem está fazendo quem de idiota aqui, Victoria? Vamos falar sério, agora. Quem você acha que é para deixar um monstro na casa dos nossos pais só para ir atrás de um demônio que você chama de pai?
Ela congelou. Olhou para mim, paralisada.
– E-eu... Co-como você...? – Me perguntou, quase sussurando.
– Como eu sei? – Eu ri, irônica. – Como eu sei?! Bom, primeiro, minha mãe me liga dizendo que minha irmãzinha está diferente. Eu viajo por 6 horas, correndo, e quando chego em casa, surpresa! Um monstro transvestido da minha irmã tinha tentado matar minha mãe.
– Ele o quê?! – Ela começou a ficar desesperada. – Mas eu tinha feito um acordo com ele! Ele não ia machucar ninguém da nossa família.
– Victoria! Como você pode ser tão idiota?! – Eu gritei. Senti meu rosto ficando vermelho de raiva. – Como você pode largar tudo e ir atrás de um demônio? Só porque ele é...?
– Meu pai! – Ela respondeu. – Eu tinha que conhecê-lo! Quais são as chances, Cecília?! – Ela se aproximou de mim. – Eu sou filha do rei do inferno! Você consegue perceber quão especial eu sou?! Ele me deu apoio. Ele me deu carinho. Ele me deu o Dean!
Não aguentei. Dei um tapa na cara dela. Ela gritou.
– Você me dá nojo. – Eu disse.
Victoria levantou a cabeça, com um sorriso cínico no rosto.
– Você está com ciúmes de mim porque eu estou com o seu namorado, não é isso? – Ela colocou a mão do lado em que bati. – Ele era seu namorado, não era? Eu vi o jeito que você olhou para ele.
Respirei fundo, tentando me acalmar.
– Você pode abrir um pouco mais a sua cabeça, por favor? — Respondi — Nem tudo aqui tem a ver com sexo ou namoro. Você colocou nossa família em risco por nada. E vai colocar toda a sua carreira a perder se continuar por aqui.
– Pouco me importo! Não quero mais desfilar ou tirar fotos! Não, não, não! – Ela estava fora de si. – Estou apaixonada, Lia! Eu quero me casar com Dean! Eu vou ter filhos com ele! Eu sou bem melhor para ele do que você pode ser! Eu posso dar filhos para ele, tá me ouvindo?! Ao contrário de você! Estéril inútil!
Aquilo foi, definitivamente, a gota d’água.
Joguei o resto das minhas roupas para dentro da mala e caminhei para a saída.
Porém parei rapidamente quando estava na porta do quarto.
– Você mal conheceu Dean antes dele virar um demônio. Ele não é uma pessoa, Victoria. Ele nem ao menos tem a capacidade de sentir alguma coisa agora. – Eu disse. – Mas suponho que você já tem idade para fazer as próprias escolhas. Adeus, Victoria.
Coloquei minhas coisas no carro.
Assim que sentei no banco de motorista, Crowley apareceu do lado de fora da minha janela.
– O que você quer? – Perguntei.
– Logo vou precisar de você. – Ele disse. – Porém, quero que esteja preparada para quando chegar a hora.
Ele tocou em mim. Senti algo atravessando minha alma.
Soltei um grito de agonia.
– Até logo, Nefilim. — Ele desapareceu.
Entrei em desespero.
Os símbolos tinham ido embora.
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