Love of Cain
15 Hi, Sam.
Notas iniciais
– Alô, quem está falando? – Eu observava a mulher conversando no telefone. Ela olhava para mim como se eu tivesse cinco anos – Sam. Sam Winchester. É ele?
Fiz sinal de positivo para ela.
– Eu estou aqui com a Cecília... Sim, sim, calma. Ela está bem. Ela está do meu lado. – A mulher colocou o telefone para baixo e perguntou para mim: — Você tem certeza que não quer falar com ele?
– Não. Por favor. – Eu estava toda ensopada. Minha mala de mão estava do meu lado, no chão.
– Cecília está perguntando se você poderia vir buscar ela aqui em Adair, Oklahoma. – Ela ouvia atentamente o que ele dizia. – Sim. Sim. Ela estará te esperando aqui na frente da Escola Municipal. Certo. Muito obrigada.
Ela desligou o telefone e o guardou na bolsa.
– Ele disse que chega, no máximo, em seis horas. – Ela me explicou. – Você precisa de alguma coisa? Comida? Alguma roupa seca?
Senti meu estômago roncando.
– Não. Muito obrigada. Estou bem.
A mulher assentiu. Deu o último olhar de preocupação para mim e voltou para dentro da escola. Eu coloquei a cabeça entre os joelhos. Estava cansada. Andei sem parar por horas.
Assim que Crowley retirou os símbolos do meu corpo, adquiri uma força descomunal. Aos poucos, fui destruindo tudo. Tudo o que eu tocava, eu quebrava.
Puxei o câmbio e ele ficou na minha mão. Apertei o acelerador e fiz um buraco no carro. Abri a porta e ela saiu.
Peguei meu celular para ligar para o Sam e ele quebrou no primeiro toque. Eu me sentia um monstro. Retirei a tampa do porta-malas – literalmente – E peguei a alça da minha bolsa. Pelo menos essa era de pano.
Minha mente estava inundada de vozes de anjos. Eu mal conseguia pensar.
– Calem a boca! – Gritei. Minha mente ficou em silêncio.
Algumas pessoas que estavam fora do bar olharam, assustadas. Vi Victoria olhando para mim, de longe, como se não me reconhecesse.
Saí correndo.
Quando dei por mim, estava na frente de uma escola do ensino médio de uma cidade qualquer. A diretora, assim que me viu, perguntou se eu precisava de alguma ajuda. Foi assim que ela acabou ligando para o Sam.
Mas ficar sentada por algum tempo me ajudou a acalmar. Aquela força toda era questão de treino. Aos poucos, eu iria me acostumar a ser eu mesma de novo.
Quando Sammy chegou, eu dormia encostada na grade.
– Cecília. – Ele me chacoalhou. – Você está bem?
– Não. – Balancei a cabeça- Nem um pouco.
– Você quer falar sobre o que está acontecendo?
– Eu preferiria não falar. Não agora. Não aqui.
Sam me entendeu. Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar, mas não aceitei. Eu poderia quebrá-la ou algo assim.
Agradeci mentalmente quando ele abriu a porta para eu entrar no carro. Teria sido constrangedor quebrar o Impala também. Sentei o mais delicadamente que pude, não me movendo momento algum. Ele sentou e ligou o carro.
– Sam. – Eu disse. – Antes de voltarmos para o bunker, você precisa saber de uma coisa.
– Claro.
– O Dean está a menos de 30 minutos daqui. E, provavelmente, deverá ir embora logo. Se você quiser, eu dou um jeito de ficar por aqui enquanto você vai atrás dele.
Ele pareceu pensar na proposta. Mas a negou.
– Você precisa de mim agora. Achamos o Dean depois.
Sorri, agradecida. Sammy era a única pessoa que eu podia confiar agora – tirando Cass, que estava sei lá aonde.
Não falamos nada a viagem toda, porém não pude deixar de perceber que ele estava mudado. Mais sério. Solitário. Senti-me culpada por tê-lo deixado sozinho, mas era necessário na época. Ou eu sentia que era. Posso ser extremamente egoísta, às vezes.
Chegamos no bunker e eu pedi para que ele abrisse a porta para mim. Sammy o fez, apesar de ter achado estranho. Geralmente, eu entro na frente de todos e não pedir essas pequenas delicadezas.
Entrei e , querendo ou não, senti que estava de volta ao lar. Apesar de ser meio melancólico voltar para o bunker, sentia-me bem lá. Sentei no sofá da sala. O mesmo sofá que Sam e eu...
– E então? – Ele me perguntou, sentando-se em uma cadeira próxima. – O que aconteceu nos último quatro meses da sua vida?
– Não foram nada fáceis.
Ele riu.
– Bem-vinda ao clube. – Ele me encarou — Você me parece preocupada. Vamos, Cecília. Fala comigo.
Respirei fundo e me levantei. Peguei a mesa de metal e a levantei, com apenas uma mão. Puxei uma perna e ela saiu facilmente. A joguei no chão. Sammy estava pasmo.
– Então é por isso que você não queria abrir a porta do carro. – Ele comentou. Não aguentei. Comecei a rir. Todo aquele estresse do bar tinha passado, pelo menos por hora.
Eu ri como se ele tivesse contado a piada mais engraçada do universo.
Assim que me recuperei, descrevi tudo o que aconteceu comigo nos últimos tempos. Sobre o quê eu era, sobre a minha irmã ser filha do Crowley, sobre eu ter ficado algum tempo com Castiel, sobre o bar, sobre Victoria. Sammy ouvia tudo atentamente, sem dizer palavra alguma.
No final, ele me olhou carinhosamente.
– Quatro meses agitados.
– Mais do que eu queria.
Involuntariamente, peguei a garrafa de vinho em cima da mesa. Ela quebrou na minha mão, machucando-me. Sammy correu para me socorrer. Fui me limpar na pia da cozinha, sendo que a água misturava-se com o sangue.
– Merda. – Eu ficava repetindo.- Merda. Merda. Merda.
– Não é sua culpa. – Ele me disse- Logo você vai se acostumar com isso. Posso te ajudar.
Olhei séria para ele.
– Você não pode perder tempo comigo. Tem que aproveitar que Dean não deve estar muito longe e...
– Cecília. – Ele começou a tirar alguns cacos pequenos que estavam enfincados na minha mão direita. Mordi meu lábio para evitar gemer de dor. – Eu passei os últimos quatro meses atrás de Dean. Fiz coisas que não deveria fazer. Não vamos falar de Dean. Pelo menos por hoje.
Concordei, ficando quieta. Fui colocar um remédio na minha mão enquanto Sammy limpava o vinho da sala. Queria ligar para Castiel, ver se ele estava bem, mas também não era possível nessas condições. Eu estava com raiva de tudo. Raiva de mim.
E, principalmente, raiva de Crowley.
Comecei a andar pelo bunker a procura de gaze e acabei parando na porta do quarto do Dean. Estava tudo como da última vez. Duvido muito que Sammy tenha entrado lá desde que o irmão foi embora.
Fui tomar um banho e trocar de roupa. Evitei molhar minha mão, o que deixou tudo muito mais complicado. Pelo menos, eu era canhota.
Deitei na cama e acabei dormindo. Finalmente um pouco de paz.
Sammy me acordou. Já era o dia seguinte.
Ele tinha feito café-da-manhã para mim. Pãos, ovos, bacon. Ouvi meu estômago roncar.
– Você não comeu nada ontem. – Ele disse – Imaginei que estivesse com fome.
– Bastante.- E sorri, pegando a comida. Consegui pegá-la sem destruí-la, o que já era uma grande conquista.
Enquanto eu comia, Sammy foi me contando as novidades.
– Estava ouvindo a estação da polícia ontem. Um cara foi assassinado em um posto de gasolina, perto daqui cidade. A polícia está estranhando o caso. Um homem atacou o outro e acabou que, o que foi atacado, assassinou seu agressor. E adivinha... Ele carregava uma adaga de madeira na mão.
– A Primeira Lâmina. – Falei. Ele concordou.
– Eu vou lá conferir. Você me espera aqui?
Assenti. A comida deixava o meu humor bem melhor.
Sammy olhou para mim, colocando a mão na minha bochecha. Aproximou-se e beijou meus lábios.
Eu o empurrei, suavemente.
– Sammy... – Eu disse, olhando para baixo.
– Dean. – Ele disse, já irritado. Não me deixou responder. – É isso, não é? Eu salvei você. Eu que te dei comida. Eu que te dei abrigo enquanto você estava abandonada no rua. Dean?! Ele é um demônio agora, Cecília. Você critica Victoria mas no fundo quer as mesmas coisas que ela. Você não entende isso? Eu te amo, Cecília. Eu realmente amo.
Senti meus olhos arderem. Eu não conseguia olhar para o Winchester.
– Eu acho que você deveria ir. – Eu disse, quase que sussurrando.
Ele murmurou alguma coisa e saiu. Fiquei sentada na cama encarando o nada por algum tempo. Senti uma raiva me atravessando. Bati na parede atrás de mim.
Um buraco enorme se abriu nela.
– Merda.
Ouvi alguém batendo a porta.
Era Dean.
– Cheguei em má hora?
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