Love of Cain
18 Time for Crowley
Notas iniciais
Eu sentia toda a pele de Sam me aquecendo enquanto eu descansava no braço dele, deitados no chão da casa abandonada.
Por um rádio velho, ele ouvia o chamado da polícia local, procurando alguma ocorrência que combinava com o irmão.
Eu refletia se deveria contar ou não para ele sobre a minha última noite com o Dean. Era algo importante que ele deveria estar ciente, porém eu sabia que ele iria se irritar comigo. Principalmente por não ter tentando impedir Dean de ir embora.
De novo, eu sendo egoísta.
Foi quando Sammy aumentou o som do rádio. Ele tinha achado algo.
“Homem, loiro, aproximadamente 1,85 e 30 anos, Casa Noturna... Agrediu o segurança e depois...” E o som sumiu.
– Droga. – Winchester bateu no aparelho – Deve ter acabado a pilha.
– Você pegou o endereço? – Perguntei, levantando-me.
– Sim. – Ele me respondeu. Começamos a colocar as nossas roupas. – Onde está Castiel? Ele já deveria ter chego.
– Vou ligar para ele. – Peguei meu telefone e disquei. Foi Hannah quem atendeu.
“Cecília? Castiel está dormindo agora. Tivemos um pequeno acidente com o carro.”
– Mas vocês estão bem?! – Perguntei, preocupada.
“Sim. Porém Castiel está muito fragilizado por causa da graça roubada dele. O que vocês precisam?”
– Achamos o paradeiro de Dean. E... – Respirei fundo. Sammy me observava. Eu tinha que ajudar Cass. – Hannah. É preciso que aja uma mudança de planos aqui.
“O que você quer dizer?”
– Cass não consegue te ouvir, não é? Tem certeza de que ele está dormindo? – “Tenho certeza que ele está dormindo. Praticamente desmaiou no sofá” – Então me ouça bem porque é muito importante. Metraton. Ele sabe onde está a graça de Castiel, não sabe?
“Sim. Foi ele quem a roubou.”
– Hannah. Você precisa encontrá-la.
“Mas para isso eu teria que quebrar várias regras! Ir para a prisão, falar com ele, fazer Castiel aceitar isso...”
– Você se importa com Castiel. – Eu tentava não parecer desesperada, o que era praticamente impossível. – Eu sei que sim. Eu consego sentir isso. Ele te constrange porque faz com que você tenha sentimentos humanos. Ele te faz bem.
Hannah não me respondeu.
– Você precisa salvá-lo, Hannah. Por favor.
“Mas como?!”
Respirei fundo.
– Você vai encontrar um jeito.
E desliguei o telefone. A expressão de Sammy era estranha. Uma mistura de orgulho e preocupação. Sorri para ele.
– Perdemos nossa carona. E agora?
– Agora vamos torcer para que tenha algum carro abandonado por aqui também.
Era uma camionete vermelha que mal conseguiu ligar, mas foi perfeita para nós.
Saímos rapidamente daquele lugar e eu estava com o meu coração na mão. Eu tinha que contar para Sam o que tinha acontecido antes dele encontrar com Dean. Mas estava TÃO BOM daquele jeito que estávamos. Sem brigas. E ele já tinha tanta coisa para se preocupar.
A questão é que, infelizmente, eu ainda não estava conseguindo gostar de Sam do mesmo jeito que eu gostava de Dean. A minha cabeça ainda martelava que quem tinha falado comigo daquele jeito cruel era um demônio, não Dean. Só que eu não podia me prender a isso. Ficar com Sam era fácil. Era simples.
E eu via que aquilo estava fazendo bem para ele.
Se eu não estivesse ali para fazer companhia para Sam, ele estaria completamente preocupado com o irmão. Desesperado. Ele precisava de alguém que olhasse no olho dele e passasse confiança de que tudo ia dar certo. Que apertasse a mão dele. Que fizesse companhia.
Era isso então.
Eu ajudaria Sammy a encontrar o irmão.
E era o fim. Ele ficaria bravo comigo e teria toda razão em ter.
Ele saberia que foi a segunda opção. E ele não merece ser a segunda opção. Sammy é muito especial para isso.
Coloquei minha mão na coxa dele e disse:
– Relaxa, grandão. Vamos salvar Dean. – Ele suavizou o olhar e sorriu para mim.
Ao mesmo tempo que aquele sorriso me iluminava, doía alguma parte dentro de mim.
Chegamos na “Casa da Noite” – em outras palavras, um Strip Club. Sammy tinha passado antes em uma loja de festa e alugado um terno para mim e outro para ele. Estávamos vestidos como verdadeiros federais.
– Eu vou entrar na festa também? – Brinquei.
– Eu tinha feito isso para você. – Ele me passou uma credencial da FBI – Mas não tive tempo de te entregar antes.
Olhei para o documento e ri. Era perfeito.
– E se eu estragar tudo? – Perguntei.
– Tenho certeza que não. – Ele me beijou e descemos do carro.
O segurança que tinha sido agredido descrevia Dean como um verdadeiro monstro. Pelo que entendi, ele estava tentando tocar em uma das dançarinas e ela recuou. Quando o segurança pediu para ele se retirar, Dean começou a bater nele violentamente.
– Ele bateu em você também? – Perguntou para Sam, referindo-se aos machucados que Cole tinha feito nele.
– Não. – Respondeu Sammy – Há vários homens como esse no meu emprego.
– Esse mundo é uma bagunça, estou dizendo! – Falou o segurança – Uma bagunça!
– Temos que ir. Mas muito obrigada pelas informações, senhor. Estamos atrás desse cara há semanas. – O segurança se despediu, mas continuou a resmungar com ele enquanto íamos embora.
Sammy riu de mim.
– Parece até que você já fingiu ser da FBI antes.
– Ah! – Brinquei – Com certeza. Era um hobby meu.
Ele beliscou minha mão de leve, sorrindo.
Dean não devia estar longe. Fomos atrás de um hotel, para procurar melhor por ele e planejar nosso próximo passo.
Não era um hotel 5 estrelas, mas a cama para mim parecia a melhor do mundo. Ter dormido no chão tinha deixado minhas costas muito doloridas.
– Eu vou procurar alguma coisa para a gente comer. Você vai ficar por aí?
Assenti, quase dormindo.
– Compra chocolate. – Balbuciei. Ouvi Sammy rindo e saindo do quarto.
Foi quando desmaiei de sono.
Acordei algumas horas depois. Sam ainda não tinha chegado mas percebi que tinha mais alguém no quarto.
Crowley.
– O que você está fazendo aí? – Levantei rápido da cama.
Ele estava sentado no canto do quarto, observando-me.
– Eu estava pensando. Talvez eu já precise dos seus serviços.
– E o que te faz pensar que eu vou te ajudar?
Crowley se levantou e se aproximou de mim.
– Apenas uma coisa. – Ele sussurou.- Victoria.
Senti meu coração apertar. Eu sabia. Eu sabia. Por que fui deixá-la sozinha?!
Respirei fundo.
– O que você quer de mim?
Crowley passou a mão pelo meu braço e segurou levemente meu queixo.
– Ah Cecília...- Ele encostou os lábios nos meus. Resisti à vontade de socá-lo. – Por onde eu começo?
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