Love of Cain
19 Adeus
Notas iniciais
– O que você quer de mim?
Crowley passou a mão pelo meu braço e segurou levemente meu queixo.
– Ah Cecília...- Ele encostou os lábios nos meus. Resisti à vontade de socá-lo. – Por onde eu começo?
– Comece se afastando de mim. – Balbuciei, ainda sem me mexer.
Crowley revirou os olhos.
– Eu não vou abusar de você. Se é isso que acha. – Ele disse. – Quero propor uma troca.
O demônio estralou os dedos. Minha irmã apareceu no quarto, amarrada e machucada. Quando me viu, começou a se espernear e a tentar gritar – mas a fita na boca dela impedia isso.
– Victoria! – Eu gritei. Olhei séria para Crowley – O que você quer?
– Cansei dela. Desde que Dean foi embora, ficou mais insuportável ainda. Mas quero você.
Observei minha irmã. Ela parecia cansada e prestes a chorar. Eu tinha que ajudá-la.
– Feito. – Concordei – Mas eu quero que você entregue ela aos Winchesters. Eles vão ficar com Victoria até eu conseguir fugir de você.
– Então, meu bem, eles vão ter que cuidar dela para sempre. – Eu estava com muita raiva. Principalmente por me sentir inútil. – Pronta para selar o acordo?
Assenti. Se esse seria o jeito para que Victoria ficasse bem, então eu iria até o fim.
Crowley se aproximou de mim e nos beijamos.
Apesar de eu ter ouvido os Winchesters comentarem que era assim que um demônio selava os pactos, eu ainda achava estranho.
– Vamos. Eu deixo você se despedir. – Ele disse para mim.
Estávamos em um estacionamento. O Rei do Inferno pediu para que eu aguardasse enquanto ele pegava a Primeira Adaga com Sam. Não pude deixar de sorrir. Sammy tinha conseguido capturar o irmão. Eu só queria que ele conseguisse transformá-lo em Dean novamente, para que os dois pudessem seguir em frente.
– Eu vou escondê-la, Moose.- Falou o demônio, referindo-se a adaga — Acredite, não é nada útil para mim o Dean dessa maneira.
– Tudo bem. Mas se eu te ver mais uma vez... – Ameaçou Sammy.
– Vamos lá, Sammy. Ninguém gosta de despedidas, mas não há necessidade de derramar lágrimas, não é mesmo? – Provocou Crowley. – Ah... Falando em despedidas. Cecília, querida, venha aqui falar tchau.
Meu coração batia rápido.
– Cecília? – Eu andava devagar em direção a eles. Sammy olhou para mim, desesperado e correu para me alcançar. – Cecília, tchau?! O que está acontecendo?! O que você está fazendo aqui?!
Eu sentia minha garganta apertar.
– Sammy. – Passei a minha mão no rosto dele. – Você é tão incrível. E por ser assim que você vai me entender. E vai me deixar ir embora.
– Como assim ir embora? O que você está dizendo?
Comecei a sentir meus olhos arderem. Claro. É clichê de todas as minhas despedidas alguns litros de lágrimas.
– Eu troquei a minha liberdade pela Victoria. – Crowley fez minha irmã aparecer de novo. Ela não estava mais amarrada porém não dizia nada. Estava muda. Paralisada. Estática.
Com medo.
– Mas... Mas... – Senti o desespero de Sammy aumentar cada vez mais. – Você não pode, Cecília! Depois de tudo o que ela fez!
– Ela é minha irmã, Sam. Você, mais do que qualquer um, deve me entender. – Olhei para Dean dentro do carro. Ele nos ignorava.
Apesar de estar chorando e tremendo, por dentro eu sentia que essa tinha sido uma das escolhas mais fáceis que eu já fiz na minha vida. Era claro que eu ia salvar a minha irmã.
Sammy me beijou mas eu não retribui. Não podia me abalar. Além do que, eu tinha pouco tempo para falar muita coisa.
– Eu quero que você cuide dela, Sam. Eu sei que... Eu sei que você já tem que cuidar do seu irmão e eu me sinto horrível em te pedir isso. Mas...
Ele me abraçou, entendendo o que eu queria dizer.
– Dois minutos. – Disse Crowley. – Eu não tenho todo o tempo do mundo, senhores.
– Certo. Certo. – Me recompus – Sam. Agora, essa é a coisa mais importante que eu tenho para te dizer e eu quero que você preste muita atenção. Eu preciso que você me esqueça.
– Oi?! – Ele olhou para mim como se aquilo tivesse sido a coisa mais absurda que ele tinha ouvido na vida.
– Eu preciso que você me esqueça, Sam. Para sempre. Ir atrás de mim quer dizer que minha irmã está em perigo. Eu não quero isso. Eu não quero, Sammy. – Ele ia me responder e eu o interrompi. – Você também precisa achar outro alguém para você. Eu não sirvo para você. Eu te amo, mas eu não consigo esquecer o seu irmão e você merece alguém que te ame 100%. Eu achei que eu conseguiria. Mas eu precisava de mais tempo. Algo que nós não vamos ter agora.
Olhei para Dean. Vê-lo ali porém não sendo ele mesmo doía muito.
Eu não entendia porquê eu o amava tanto.
“...Eu quero que você seja feliz. Você tem uma vida difícil, Sammy. Mas não consigo imaginar outra para você. Salve Dean. Vocês possuem negócios de família para resolver.”
– Para de tratar isso como um adeus. – Ele brigou comigo. Os olhos dele estavam cheios de lágrimas e limpei uma que escorregava pelo rosto dele. Olhei para minha irmã.
– Eles vão fazer muito por você. Por favor, não me decepcione de novo. Aproveite a sua segunda chance.
Ela nem ao menos se mexeu. Apenas me encarava muito assustada.
– Vamos?-Perguntou o Rei do Inferno. Assenti.
– Eu tenho que tratar isso como um adeus, Sammy. – Respondi o Winchester. – Por que é exatamente o que isso é.
Fiquei do lado de Crowley.
“Adeus, Sammy”
No segundo seguinte, eu estava no inferno.
Literalmente.
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