Love of Cain
10 The truth.
Notas iniciais
Acordei com o cheiro de Sam fazendo café.
Espreguicei-me.
– Bom dia. – Eu disse. Ele sorriu ao ver que eu estava acordada.
Sammy vestia apenas uma calça de moletom.
– Bom dia. – Ele pegou uma xícara e começou a me observar. – Eu fiz café.
– Senti o cheiro. – Comentei. Levantei-me. Quando percebi que ele olhava atentamente para o meu corpo, fingi estar indignada. – Podemos manter o profissionalismo por aqui, por favor?
Ele se aproximou de mim e me beijou.
– Eu estava pensando sobre a nossa conversa de ontem a noite. – Ele disse – Eu não quero que você vá. Não mais.
– Sam... – Balancei a cabeça, olhando para baixo.
– É sério. – Ele levantou meu queixo, delicadamente, para que eu olhasse para ele. – Eu tenho medo do que pode acontecer com você. As coisas que existem na escuridão... Se ao menos você soubesse.
– É algo que eu tenho que fazer. – Senti meu coração apertar. Ele passou as mãos pelas minhas costas. Encostei o rosto no peito dele. Era bom. Era seguro. Respirei fundo. – Vou colocar alguma roupa.
Peguei meus shorts atrás do sofá e andei até meu quarto.
Tomei uma ducha e coloquei o primeiro vestido que vi. Aproveitei e juntei todas as minhas coisas na mala. Algumas lágrimas caíram do meu rosto.
Principalmente quando olhei para o chão.
Uma blusa de Dean estava lá. A coloquei na mala.
Precisava de ao menos uma lembrança. Para ter certeza que tudo aquilo era real.
Sam me esperava na cozinha. Olhou com o canto do olho para a bolsa, fingindo indiferença.
Peguei um pedaço de torta na geladeira.
A dor de perder Dean na noite passada voltou com toda força. Era a comida favorita dele.
– Você vai achá-lo, não vai? Você vai salvá-lo? – Sussurrei.
– Sim.
Comemos em silêncio. A hora da partida chegava cada vez mais rápido.
Juntei algumas garrafas d’água e coloquei na bolsa. Eu ainda estava com o cartão de crédito usado para pagar aquela atriz e ele podia me levar a certa distância. Tudo estava certo.
Virei-me para Sammy.
– Adeus, Sam. – Ele segurou minha mão e beijou minha testa. Toquei levemente meus lábios no dele.
– Espere. – Ele disse. Pegou um pedaço de papel que guardava no bolso e o entregou para mim. – Esse é o número de Castiel. Você deveria conversar com ele sobre essa coisa de ouvir os anjos. É alguém que realmente pode te ajudar. Isso não é normal, Cecília.
Olhei o número e o guardei.
– Obrigada.
– E... Você tem o meu celular também. Qualquer coisa, a mínima que for, sinta-se à vontade em me ligar.
– Digo o mesmo.
– Ah, eu separei algumas coisas para você ali fora. Há algumas facas, algumas armas, eu não sabia o que...
Eu ri.
– Você é um sujeito incrível, Sam Winchester. Não se preocupe. Eu já sou grandinha.
O beijei novamente e saí.
Entrei no carro e dirigi meio que sem rumo.
Acabei tomando estrada para onde tudo começou.
A casa da minha mãe.
Ela não estava lá.
O quarto da minha irmã estava todo arrumado. Ela devia ter deixado alguma pista. Qualquer coisa que me indicasse algo.
Talvez no quarto da minha mãe.
Comecei a remexer nas cartas dela. Ela as guardava toda dentro de uma caixa, no alto do armário. Foi quando ouvi um barulho de carro na garagem.
As resolvi guardar, antes que ela percebesse. Ao subir no móvel, acabei percebendo que tinha mais uma carta debaixo de algumas caixas. Só a ponta dela aparecia. A peguei rapidamente.
Não havia endereço, nem nada. Apenas um nome.
E um que era bem claro para mim.
Crowley.
A guardei no bolso. Saí do quarto, em direção a pessoa que tinha chego. Era meu pai.
– Cecília! – Ele se aproximou e me abraçou. – Sua mãe já sabe que você está aqui?
– Não. – Sorri – Cheguei agora. Como você estão?
– Em geral? Bem. Mas muito preocupados com você. – Sentamos na mesa da sala. – Você achou alguma pista da sua irmã?
– Não. – Respondi. – Acabei me... Distraíndo no meio da busca. Mas agora estou inteiramente focada aqui. – Comecei a ficar desconfortável. – Pai...
– Sim? – Eu queria ler a carta logo mas não tinha certeza se podia perguntar para ele algo sobre. Resolvi perguntar qualquer coisa.
– Há quanto tempo você conhece a mãe?
Ele pestanejou, pensando. Estranhei.
– O mesmo tanto que você existe. O nosso cupido. – Ele apertou minha bochecas. Dei um passo para trás. Percebi que nunca havia perguntado como eles tinham se conhecido.
– Como foi?
– Cecília. Porque você está me perguntando isso?
– Acabei de perceber que eu nunca...
– Você descobriu, não descobriu? – Gelei. Meu pai parecia assustado. Será que tinha alguma coisa a ver com a carta? — Ora, você tem que entender que quando eu vi sua mãe com um bebê e indefesa... Eu não podia deixá-la sozinha, não é?
– Oi?! – Perguntei, transtornada. Ele parecia não entender.
– Não é essa a questão que você veio me perguntar? O fato de eu não ser o seu pai verdadeiro?
– Não. – Levantei-me. – Não era.
– Eu sou o seu pai. – Ele passou a mão na cabeça – Poxa. Que desastre. Eu arruinei o nosso reencontro. Eu te amo, filha.
Respirei fundo.
– Na verdade, pai, eu acho que foi ao contrário. Você acabou me ajudando com algumas coisas.
Eu não tinha cabeça para ficar brava com ele.
Fui para o meu antigo quarto e abri a carta de Crowley.
Querida Lorena,
Pare – por obséquio – de me invocar. Pouco me importa o que aconteceu conosco. Você possui a sua vidinha miserável enquanto eu tenho o inferno para cuidar. Sejamos razoáveis. Você é ninguém.
Talvez esse corpo que aqui atualmente tenha te dado um filho. Descuido meu. Não estou acostumado a possuir mundanos e acabei me empolgando. Aproveite a criança como lembrança dos momentos que passamos juntos. Alguma felicidade para você,em meio a outra filha bastarda e um marido indiferente a vida. E agradeça por eu estar te escrevendo isso.
Uma carta vai tão além do que você merece.
Espero nunca mais ouvir sobre você.
Pela saúde de sua família.
Crowley.
Joguei a carta no chão e esperei minha mãe chegar.
Quando ela entrou no meu quarto, fechou e porta e me encarou séria.
– Seu pai me contou sobre a conversa que você teve com ele.
– Não foi isso que mais me pertubou hoje. – Olhei para a carta. Vi o rosto da minha mãe perder o sangue.
– Onde você achou isso?
– Não estava tão escondido assim. Não se faça de boba. – Levantei-me – A razão de Victoria ter sumido pode ser essa. Você achou que era uma boa ideia ter escondido isso de mim?
– Eu... – Ela começou a chorar – Eu não queria que nada de ruim acontecesse para vocês duas.
– Um pouco tarde demais, não acha? – Perguntei. – Mas não é sobre isso que eu quero falar agora. Quem é o meu pai?
– O homem que está lá embaixo!
– Quem é o meu verdadeiro pai? – Gritei. As vozes dos anjos voltaram na minha cabeça. Uma gritando por cima da outra.
– Gabriel. – Ela sussurrou. Chorava compulsivamente. – Gabriel.
– Que Gabriel? – Perguntei, confusa.
– O arcanjo. – Olhou para mim.
Perdi o ar.
Eu tremia enquanto discava no meu celular. O papel o qual o telefone tinha sido anotado estava todo amassado.
– Castiel?
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