Love of Cain
11 Help from Heaven
Notas iniciais
A voz dele parecia cansada.
Assim que terminamos de conversar, peguei minha mala, ainda sem ser desfeita, e comecei a descer as escadas.
– Filha! – Minha mãe estava em prantos – Fique. Por favor. Eu preciso de você aqui comigo. Não faça nenhuma besteira.
Eu me afastei dela. Talvez estivesse agindo como uma criança mimada. Mas eu estava muito chateada com aquela situação. Era um segredo que envolvia toda a minha história. Eu era filha de um anjo. Quer dizer, isso era possível? Além dela ter se envolvido também com um demônio. Que tipo de mãe eu tinha?
O encontro com Castiel foi marcado em um café, em Oklahoma. Há apenas alguns kilômetros do bunker. Como cheguei antes, comecei a mexer no celular, buscando algum tipo de resposta.
Filhos de Anjos com Humanos.
Nefilim.
Desertores. Traídores.
Deixei o celular cair.
Castiel apareceu sentado na minha frente.
– Você descobriu? – Ele disse, olhando para o meu aparelho. Assenti. – Eu sabia que tinha alguma coisa com você. Mas... É diferente da outra Nefilim que eu conheci.
– Diferente? – Perguntei .
– É como se os seus poderes tivessem sido... Neutralizados. Algum tipo de magia. Você tem algum tipo de marca no corpo? Alguma cicatriz?
Balancei a cabeça.
– Me dê sua mão. – Castiel me tratava sério. Como se decidisse o que fazer comigo. Ele segurou minha mão e fechou os olhos.
Fiquei olhando para os lados, desconfortável. A garçonete passou bem nessa hora.
– Vocês desejam alguma coisa?
– Apenas duas xícaras de café, por favor. – Respondi. Ela sorriu e olhou estranho para Castiel.
– Ele está bem?
– Sim. Só traga o café, ok?
Ela saiu. Castiel abriu os olhos logo depois.
– É como se sua alma estivesse repleta de símbolos. – Ele me explicou. – São eles que impedem seus poderes de reagir. Mas... Creio que você está criando buracos. Sua energia é muito grande. Sua mãe te disse de quem você é filha?
– Gabriel.
Castiel suspirou.
– O arcanjo. É por isso.
A garçonete chegou e nos entregou os cafés. Saiu sem falar nada.
– E... Que tipos de poderes eu deveria ter? – Perguntei.
– Super força. Uma incrível capacidade de aguentar a dor. E a habilidade de ver a verdadeira forma dos anjos.
– Sem ler mentes?
– Como?
– Leitura de mentes. Dos anjos. Além de tipo, se conectar com o rádio angelical... Não? – Comecei a ficar desconfortável.
– Não... – Ele ficou estranhamente sério. – Por quê?
– Seria legal, não é? – Desconversei. – E... Esses símbolos. É possível retirá-los? Seria bom ter superforça atualmente.
– Estou com minha graça se esgotando. Não serei muito útil com isso.
– E se chamarmos outro anjo?
Castiel encarou-me com os olhos azuis dele.
– Nâo é uma boa ideia. – Ele deu um gole no café – Nefilins não são bem-vindos. São vistos como uma mutação, um monstro.
– Ótimo. – Respirei fundo. – E os outros Nefilins?
– Não há mais nenhum vivo. – Eu sentia como se ele tivesse escondendo alguma coisa de mim. – Pelo menos, até você me ligar, eu pensava que não havia mais nenhum vivo.
Passei a mão pelos meus cabelos, os prendendo em um coque alto. Minha cabeça estava uma bagunça. Acabei virando objeto de perseguição dos Winchesters de uma hora para outra.
Castiel me chamou.
– Eu já fiz muita coisa de errada desde que pisei na Terra, Cecília. Mas não se preocupe. Eu quero te ajudar. Eu devo isso para Dean.
– Espero que você tenha certeza disso, Castiel. – Respondi, terminando de tomar meu café – Porque o fato de eu ser um Nefilim é apenas o começo dos meus problemas.
Expliquei sobre o caso da minha irmã para ele e Castiel disse que havia possibilidade dela ser o novo anti-cristo. Senti minha cabeça girar, apesar de parecer muito improvável para mim que sim. O comportamento que Cass descreveu que ela teria caso fosse não se encaixava com a minha irmã. Apesar de ser difícil, Victoria nunca matou ou fez mal para ninguém. Ela era apenas rebelde.
Muito rebelde.
– Ela é normal. – Expliquei – Igual a mim.
Ele assentiu.
– Nem todos os filhos de demônio viram algum tipo de coisa. Há uma série de fatores. Mas isso nos dá uma dica de onde está sua irmã.
– Onde?
– Ela pode ter ido procurar o pai. – Ele não comentou nada sobre as opções sexuais de minha mãe.
Eu ri, sem graça. Se Victoria tivesse descoberto de quem ela era filha, essa seria a primeira coisa que ela faria.
– Ou seja, no final das contas, eu também estou atrás de Crowley. – Comentei. Eu não sabia se estava feliz ou com raiva.
Ao sairmos do café, Castiel começou a tossir. Tanto que caiu de joelhos no chão.
– A minha graça... – Ele apenas disse.
O ajudei a se levantar e o levei para o hotel mais próximo. Ele estava tonto.
Assim que o joguei na cama, ele dormiu.
Não estava fácil para ninguém.
Acabei me acomodando na outra cama. Peguei minha bolsa e ajeitei algumas roupas no armário. Assim que terminei de guardar uma calça jeans, minha habilidade de ler mentes angelicais voltou com tudo.
Eu via o sonho de Cass.
Minha visão deixava Castiel em primeira pessoa.
Dean apareceu nela e estava com uma aparência mais jovem. Ele sorria para Cass.
– Não acredito que você nos fará ajudar o cupido.- Comentava Dean.
– Ele é um velho amigo meu. – Respondeu Castiel. – Temos que ajudá-lo.
Dean se aproximava de Cass. Eu sentia os sentimentos do anjo. Um aperto no estômago. O coração acelerando.
– Nós vamos falar sobre o que aconteceu? – Perguntou Dean. A voz dele era séria. – Ou simplesmente ignorar?
– Pensei que você não se lembrasse.- Respondeu Cass. Ele olhou para o chão, desviando o olhar de Dean.
– Eu também pensei. – Comentou. – Mas... Eu não consigo. Simplesmente, não dá.
Cass levantou a cabeça. Winchester estava há apenas alguns centimetros dele.
– Castiel. Eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo aqui. Então, dessa vez, apenas cale a boca.
E eles se beijaram. As mãos de Dean seguravam a cabeça de Cass firmemente, como se temesse que ele pudesse sumir a qualquer momento. Mas isso era exatamente o que Castiel não queria fazer. Apesar de saber que deveria sair dali, ele sentia uma necessidade de estar junto com o Winchester.
Ele queria que ele o tocasse. Descobrisse as partes daquele corpo recém-adquirido.
Sentia a barba de Dean raspando com a dele. O cheiro do caçador era forte. Usava um perfume diferente do de hoje. Era mais amadeirado.
Dean tirou a camisa e empurrou Castiel para a cama. O anjo sentia-se imóvel. Não queria que Dean parasse, mas não conseguia se mexer – apesar de muito querer.
De uma maneira ou de outra, eu comecei a me envolver com aquela situação. Senti meus joelhos fraquejarem e eu cai no chão. A imagem começava a ficar cada vez mais real.
Dean deitou-se sobre Castiel e começou a despi-lo. Retirou o sobretudo, a gravata azul, o terno, a calça, a sapato, a meia... Minha respiração estava pesada. Senti meus dedos entrando pela minha calça. Quando Cass estava totalmente despido, Dean começou a tirar a própria roupa.
Eu reconhecia aquele corpo. E meu coração apertou, forte. Eu sentia vontade de beijá-lo. De sentir a pele quente dele contra a minha. De me arrepiar com os dedos dele nas minhas costas.
Dean deitou-se sobre Castiel, dando uma pequena risada.
–Eu não tenho a menor ideia do que eu estou fazendo aqui — Sussurrou.
“Imagine eu” Pensou Cass. Dean dançava sobre o corpo do anjo e Castiel estava maravilhado com aquela sensação. Se alguém tivesse dito para ele, há um ano atrás, que logo estaria infinitamente apaixonado por um ser humano e – ainda –fazendo amor com ele, nunca teria acreditado.
Cecília riu com a fineza da palavra “amor”.
O dedo dela já tinha começado a se infiltrar na vagina. Ela jogou o pescoço para trás. Sentia o quadril dela se retorcendo.
O sonho de Castiel continuava.
Dean o virou. O anjo não tinha certeza do que aconteceria agora.
– Se doer, você me fala. – Comentou Dean, enfiando, suavimente, dois dedos dentros do ânus de Cass. Castiel soltou um gemido de dor. – Cass...?
– Continue. – Disse. Não queria parar. Ele queria ir até o final.
– Ok. Eu esqueci de... – Dean saiu de cima dele e voltou com um pote na mão.
Acabei gozando.
Perdi todo o foco no sonho de Castiel e não consegui retomar. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas.
Ouvi Cass se movendo. Me levantei rápido.
Ele me observou, calmamente.
– Por que você estava no chão? – Perguntou. Meu rosto ficava cada vez mais quente.
– Eu...
– Gostou do que viu? Eu e Dean? – Ele perguntou, se levantando.
– Eu não tive a intenção... – Cass me encarava sério.
– Só me faça um favor. Quando eu te perguntar as coisas, não minta pra mim. Você consegue sim ler a mente dos anjos. Eu fiz um teste com você e você falhou miseravelmente.
– Teste... Mas então... Era uma criação? Isso com o Dean?
Dessa vez, foi Cass quem ficou vermelho.
– Foi. Criação.
Eu ri.
– Quem está contando mentiras agora? – Castiel não respondeu.
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