Notas iniciais
Eu gostei desse capítulo. De verdade. Espero que gostem também.

Acabamos indo dormir. Castiel tossia compulsivamente em alguns momentos da noite, de modo que eu sempre me levantava para levar um copo de água para ele.

Ele precisava urgentemente achar a graça perdida.

Na manhã do dia seguinte, Sam ligou para ele.

Pedi para que não comentasse que eu estava ali. Sam pediu ajuda para Cass em um caso em Tulsa, Oklahoma, aproximadamente uma hora de onde estávamos.

Castiel pediu para eu esperar por ele. Tínhamos muito a conversar, principalmente depois que contei para ele que minha cabeça doía cada vez mais e mais.

Ele demorou 3 dias. Eu basicamente fiquei andando naquela pequena cidade e conhecendo um pouco mais as pessoas do hotel. Era uma família que organizava tudo, os Trumans, pai, mãe, uma filha e dois garotos. Eles tinham acabado de comprar o bar do lado do hotel, aumentando os negócios. Bom para mim, pois precisavam de alguém para tocar as músicas do karaokê. Aceitei logo o trabalho. Estava com saudade de tocar piano e viver sobre o cartão clonado de outras pessoas estava me deixando desconfortável. Era uma ótima maneira de esfriar a cabeça enquanto o anjo não chegava.

– Sem sinal de Dean. Apenas alguns vampiros fazendo a festa. – Me contou Castiel, assim que apareceu – Ele perguntou se você tinha me ligado.

– E o que você respondeu?

– Que não. Não era isso que você pediu? – Assenti. – Sammy parece bem... Preocupado com você. Mais do que o normal, eu diria.

– Ele disse alguma coisa?

– Certas coisas não precisam ser faladas. – Respondeu.

– É complicado. – Senti minha cabeça latejar – Agora. Como eu faço esses anjos calarem a boca?

Castiel sentou perto de mim e colocou a mão na minha cabeça.

– O que você vai fazer? – Perguntei.

– Talvez eu consiga consertar os buracos nos símbolos. Retirá-los seria difícil demais, porém, aperfeiçoá-los... Necessitaria de menos energia.

– Não. – Eu o empurrei – Você está fraco demais para isso. Não tem como eu controlar?

– Improvável. – Ele respondeu. – Praticamente impossível, eu diria. Não com toda essa proteção contra você mesma.

Pelo menos, eu conseguia saber que ele falava a verdade.

Era interessante ter acesso a mente de Castiel. Claro que, sabendo que eu podia ler a mente dele, Cass tentava bloqueá-la o máximo que conseguia. Tinha alguns truques. Mas vez ou outra, eu capturava algum pensamento dele. O medo de não achar a própria graça. A vontade de salvar Dean. Alguns sentimentos por Hannah.

Ele começou a me ensinar alguns truques. Explicou-me como era a ordem dos anjos e disse-me como diferenciá-los.

O dia passava rápido. Cass, além da teoria, começou a me passar alguns truques com a faca e a arma. Ele não era um professor paciente – ou carinhoso. Mas era inteligente. Entendia das coisas. Vez ou outra, ele me acompanhava no bar. Não cantava nem nada. Apenas sentava lá, enquanto eu empurrava algumas garotas para ele. Jessica Truman, filha do dono do bar, estava desenvolvendo uma paixão por Castiel. Ele sempre ficava vermelho quando ia falar com ela.

E, nas madrugadas, era a minha vez de cuidar dele. Dia após dia, as tosses pioravam. Sendo que, casualmente, eram acompanhadas por sangue.

Passamos quatro meses assim. Às vezes, Cass ia ajudar Sam. Ele me contava como o Winchester estava perdendo a cabeça e eu me sentia inútil de não poder ajudá-lo. Mesmo que eu já estivesse ficando boa com as lutas e com os tiros.

De qualquer forma, eu e Castiel estávamos bem mais próximos. Não de um jeito romântico. Mais como irmãos. Eu ria com a maneira desajeitada que ele tinha em se adaptar aos costumes humanos. Vez ou outra, eu chegava no quarto e ele estava totalmente despido, assistindo algum filme na televisão.

– Sinceramente, Castiel, você me deprime. – Eu disse, jogando uma coberta nele.

– Por quê? É um filme ruim? – Ele me perguntava, confuso. Eu apenas ria. Não havia malícia ou maldade na fala dele.

Mas a saúde dele me preocupava. Cada vez pior.

Foi em uma madrugada, após Sammy telefonar para ele e Cass ter mais um acesso de tosse, que começamos a conversar sobre Dean.

– Eu brinquei uma vez... Sobre ter ciúmes de você e Dean. Talvez eu não estivesse tão errada.

Castiel ficou sério.

– Não há mais nada entre a gente. Não nesse sentido.

– Mas você gosta dele ainda. – Comentei. Cass deu de ombros.

– Eu sempre achei que salvá-lo do inferno seria a maior ajuda que você pode dar para alguém. Dean me mostrou que eu estava errado. É por isso que ele é tão especial para mim. Ele continua me salva cotidianamente.

– E porque vocês se separaram?

– Primeiro, por causa do apocalipse, que não ajudou em nada. Só que... Teve uma época em que eu achei que poderia ser Deus. Que era a pessoa perfeita para governar o céu e a Terra.

– Você estava enganado.

– Com certeza eu estava enganado. Fiz escolhas horríveis. Eu sinto que... Feri muito Dean com aquela situação. E ele tentou me ajudar até o final. Mas acabou que ele se fechou para qualquer tentativa... Romântica, apartir daí. Sempre repetindo o bordão que iria se focar nos negócios da família. Em salvar Sammy. Você sabe como ele é.

– Sei...

Cass me olhou. Devo ter feito alguma expressão diferente.

– Tá tudo bem?

– Ele me disse que me amava. – Comentei. – Será que era só... Não sei. Palavras?

Castiel ficou em silêncio, refletindo.

– Você deve ser muito especial para ele.

– Era um sentimento mútuo. – Comentei. – Não tenho certeza se o Dean que me disse isso ainda está lá.

– Nós vamos achar esse Dean. Eu só fico feliz por ele ter te conhecido antes de fugir com Crowley. – Cass sorriu para mim – Confesso que não estava muito seguro com você aqui. Te dei um voto de confiança por causa dos Winchesters. Ainda bem que o fiz.

Castiel me deu um abraço desajeitado e depois terminou de beber a água. Entregou-me o copo, agradecido.

Assim que me deitei na minha cama, perguntei para ele.

– Castiel.

– Cecília.

– Amanhã você me promete que irá dar uma chance para Jessica?

Ouvi a risada rouca dele.

– Talvez.

Dormimos e acordamos assustados com a voz de Crowley no corredor.

– Tem certeza que esse é um bom lugar? – Ele perguntou. – O último que ele não gostou acabou sendo destruído.

– Tem karaokê, boa cerveja e as camas não são ruins. – Gelei. Eu reconhecia aquela voz. – E, além do mais, você sabe como eu consigo mantê-lo bem entretido.

– Não sendo na minha cama novamente, eu não ligo. – Comentou Crowley. Ele então chamou algum demônio.

– Sim, senhor.

– Onde está Dean?

– Dormindo, senhor.

– Eu preciso que você o ataque ainda nessa noite. Ele já está ficando insuportável. Aquela marca precisa ser alimentada.

– Sim, senhor. – O demônio não parecia muito contente com essa ordem.

– E o Moose?

– Deixamos alguns vampiros para ele. Suponho que não volte para Oklahoma em algum tempo. Estava junto com o anjo.

– Só o anjo? Ninguém mais? – Ficou um silêncio constrangedor.

– Só o anjo.

Ouvimos passos. Eles saíram da frente da nossa porta. Castiel levantou-se rápido.

– Temos que ir embora.

– Mas Dean está aqui! – Respondi. – Se conseguirmos afastá-lo de Crowley...

– Dean não é a mesma pessoa. Você está fraca demais para qualquer tipo de luta e eu estou mais ainda sem a minha graça. Talvez se chamarmos Sam. Poderíamos nos encontrar no bunker. Não sei.

– Eu não posso sair daqui, Cass. – Eu sentia quão desesperada minha voz saía, contrapondo com a calma do anjo.- Tem o meu trabalho também.

– Você só pode estar brincando. Você é ótima mas eles podem comprar um karaokê digital ou algo assim.

– Cass.

– Cecília. Vamos.

– Minha irmã está aqui. – As malditas lágrimas de novo. O tom dela falando com Crowley na porta. Sempre o maldito tom impertinente. Zombeiro. Castiel silenciou-se.

– Era a garota? – Assenti.

– Só mais um noite. Eu tento falar com ela. Ou com Dean. – Supliquei. – Se alguma coisa der errado, nós vamos embora. Só preciso de uma chance.

Castiel respirou fundo.

Mas não teve oportunidade de falar nada. Bateram na porta logo em seguida. Ele se levantou, vagarosamente, com o roupão azul meio aberto.

Hannah estava parada na porta.

Notas finais
Castiel + Cecília: BFFS. hahaha Algum comentário?