Love of Cain

13 Little sister.


Notas iniciais
YAY é hoje.

– Oi? – Hannah parecia extremamente desconfortável – Eu estou atrapalhando em alguma coisa?

Olhou para mim surpresa e para Castiel. Lembrei do pequeno problema da falta de pudor dele.

– Não, não. – Fui em direção deles e abri a porta para ela entrar. Virei-me para Castiel e sussurrei: — Cass, o que nós falamos sobre nudez?

Ele olhou para baixo, supreso, e fechou o roupão. Revirei os olhos e voltei minha atenção para Hannah.

– Desculpe-me. A gente só estava... – Pedi ajuda para Castiel. Ele parecia mais perdido do que eu.- Certo. Não há nada que eu possa dizer que vai melhorar a situação agora então eu só vou... Sair e deixar vocês dois a sós. Tchau. Tchau.

Fechei a porta atrás de mim, respirando fundo.

Olhei para o lado e comecei a andar para fora, com medo de encontrar alguém.

Esperei pelos dois do lado de fora do hotel.

– Hannah precisa dá minha ajuda com alguns anjos. – Ele disse. – Você quer vir conosco?

Sorri.

– Me parece um problema angelical demais para mim. E vou deixar você com Hannah. – Eu disse, provocando ele. – Cuidado com esses seus pensamentos, hein, garanhão.

– Mas... O quê? – Ele ficou vermelho e fingiu estar irritado. – Vamos falar sério aqui. Eu não estou me sentindo confortável em te deixar sozinha com Crowley e com Dean.

Respirei fundo.

– Um dia. Depois eu prometo que ligo para o Sam e peço para ele vir. – Coloquei minhas mãos sobre os ombros dele e inclinei a cabeça – Por favor, Cass. Eu até te conto o que Hannah pensou quando te viu pelado.

Achei que ele ia me empurrar para longe, mas simplesmente me puxou e me abraçou.

– Tome cuidado. – Ele sussurrou.

– Você também.

Com o carro deles indo, encarei o hotel. Era o momento.

Entrei no bar e Jonathan, dono do local, estava arrumando a mesa junto com Jessica Truman, a filha dele. Sentei no piano e comecei a tocar algumas músicas. Eu sempre chegava antes e tocava alguma coisa para eles. Pareciam gostar.

Foi quando Crowley apareceu do meu lado. Vestia o de sempre: o terno e o sorriso cínico.

– Ou você é uma espiã incrível ou o destino quis que nós nos encontrássemos outra vez. – Comentou, irônico.

– Vamos colocar a culpa no destino essa vez. – Respondi, tentando parecer indiferente. Ele se sentou ao meu lado. Deslizou os dedos sobre as teclas. Eu não parei de tocar.

– Sua irmã está aqui. Você deveria falar com ela. Victoria parece estar ficando íntima demais do seu namorado. – Ele me provocou. Crowley começou tocar comigo, acompanhando a melodia. Eu tocava a Metamorphosis de Philip Glass.

– Eu vou tirá-la de você. Assim como Dean. – Respondi, já com raiva. Crowley apenas riu.

– Boa sorte com isso. O seu querido Dean está um pouco diferente agora. E já sua irmã – Ele revirou os olhos – Pode levá-la. Ela que está me seguindo até aqui. Mas, sinceramente, não tenho paciência para essa relação pai e filha. Não tinha quando era vivo, imagine agora.

– Por que minha mãe? – Perguntei, parando de tocar. – De todas as mulheres do mundo, por que a minha mãe?

– Você quer respostas. Ok. – Ele começou a tocar sozinho uma música que eu não conhecia. Era bem melancólica. – A essa altura você já deve saber o quê você é.

– Nefilim. – Sussurrei.

– Uma abominação. Bonita. Mas bestial. – Ele sorriu. – Perfeita. De qualquer maneira, sua mãe se preocupava com o que você poderia se tornar. Estava tornando-se extremamente incoveniente para ela um bebê quebrando tudo em casa. Além do que, ela queria se esconder de Gabriel, isso é fato. E eu achei a situação interessante, confesso. Ter um Nefilim na palma das minhas mãos.

Eu não conseguia olhar para ele.

– Mas, digamos que, na época, eu estava com uma pequena crise de identidade. Se eu estivesse com esse corpo, nenhuma Victoria teria aparecido. Só que o vidente da sua cidade estava lá e sua mãe iria para ele certamente. As coisas simplesmente se ajustaram sozinhas. Eu possui ele. Sua mãe estava triste. Alguém tinha que ajudá-la. Além do que, ela tinha a mesma beleza exótica que as filhas possuem. – Ele colocou a mão no meu queixo. Apenas o empurrei.

– Ela foi procurar um vidente. E apareceu você. Alguém que conseguia anular os poderes da filha. – Presumi.

– Permanentemente. Até segunda ordem. Até quando eu precisar deles. Ou de você.

– Se pensa que eu oferecerei minha ajuda, está muito enganado.

Crowley riu, novamente.

– Dean e Victoria estão vindo. Aproveite o seu dia, Cecília.

O som da última nota da música ecoou no meu ouvido. O piano ficava em um canto, escondido. Fiquei quieta, respirando fundo.

Eles chegaram gritando. Alguns clientes já estavam lá, os de sempre. Percebi que Jonathan Truman estava levemente desconfortável. Eu queria que eles tivessem escolhido QUALQUER outro hotel. A família Truman eram muito boa para merecer aquilo.

A voz de Dean chegou aos meus ouvidos.

– Gostei daqui. Sinuca. Karaokê. Mas cadê a cerveja? – Eu não queria me desesperar. Já eram cinco da tarde. Lá pelas sete chegaria a maioria dos clientes.

Talvez- TALVEZ – Eles já teriam se acalmado até lá.

Eu arrumava as partituras discretamente. As horas demoravam para passar. Dean estava provocando praticamente todo mundo do bar. Crowley sentava separado dele, apenas observando. Olhava para mim, às vezes, interessado.

Era deplorável.

Quando o karaokê abriu, Dean logo subiu no palco. Não olhou para mim. Apenas gritou:

– I’m too sexy. – Confesso que soltei uma risada. Ele já estava extremamente bêbado. Mas a escolha da música era hilária.

– O que você está rindo? – Perguntou uma mulher. Eu reconhecia ela. Era Victoria. Senti meu estômago apertar.

Apenas balancei a cabeça. Ouvi os passos dela se aproximando. Era o momento. Talvez a minha única oportunidade.

Ela chegou perto o suficiente para me reconhecer. Encarou-me por alguns segundos e sorriu:

– Lia! – E me abraçou.

Eu sentia todos os meus músculos congelarem.

– Victoria. – Respondi, desconfortável.

– O que você está fazendo aqui? – Ela me perguntou, sentando do meu lado.

Ela não tinha a menor ideia das coisas que eu sabia.

Do que tinha acontecido.

Crowley tinha deixado ela totalmente a par dos fatos.

E eu não sabia se isso era bom ou não.

– Eu trabalho aqui. –Respondi. Sentia minha voz tremendo – Temporariamente. E você? A mãe está preocupada com você.

– Preocupada? – Dessa vez, ela quem cambaleou. – Mas eu não tenho agido normal? Eu tenho não tenho?

Comecei a entender as coisas.

Um transmorfo não tinha sequestrado a minha irmã. Ela tinha colocado ele lá propositalmente. Para que ninguém percebesse que ela tinha ido. Alguém gritou no bar. Ignorei.

Ela colocou um assassino na casa dos pais simplesmente porque queria fugir com um demônio. Foi aí que comecei a me irritar. Mas ela não podia perceber.

– A mãe disse que a relação de vocês anda... Difícil. – Respondi, apenas. Ela se acalmou.

– Sempre foi, né, mana. Cê tá ligada nisso. Por isso que eu tô aqui. Viajando por um tempo. Mas nem comenta sobre isso com ela, tá? Senão ela vai se preocupar.

Victoria. Sempre achando que os outros são idiotas.

– Mesmo assim... Eu acho que deveríamos voltar pra casa. Eu e você. O que acha?

Victoria ia me responder.

Mas Dean apareceu nesse exato momento.

Minha irmã se levantou e sorriu. Beijou o canto da boca dele e disse:

– Dean, minha irmã, Cecília. Cecília, Dean. – Ela ria despreocupadamente. – Ela lembra muito o Sammy. Você vai adorar ela.

"Juro."

Notas finais
Adoro terminar o capítulo em momentos críticos. Melhor. Sentimento.