Love of Cain
8 The Last Breath
Notas iniciais
Era como se minha cabeça fosse explodir. Ouvi milhares de vozes. Anjos idolatrando Metraton. Alguns o xingando.
Só que um pensamento destacou-se.
“Eles me ama. Eles realmente me amam.”
Abri os olhos.
Achei o paradeiro de Metraton.
Enquanto pegava o carro e dirigia para um abrigo de sem-teto onde o anjo-deus (vulgo Metraton) se encontrava, tentei ligar para a mulher do vídeo. Aparentemente, ela tinha fugido da cidade. Fugido dos médicos e jornalistas que já cercavam a casa dela.
– Caralho! – Xinguei. – Sam não deve ter chegado lá ainda. Ele não vai saber onde Metraton está!
Liguei para uma agência de atores da cidade.
– Olá, estou disposta a pagar 1000 dólares se vocês fizerem um serviço para mim.
A moça do outro lado da linha perdeu o ar.
– Qual seria?
– Preciso que alguém se disfarce da moça do vídeo da internet. A que foi salva, sabe? – A mulher respondeu que sabia. – Eu preciso que essa pessoa vá para a casa dessa mulher e, quando chegar um homem moreno de cabelos no ombro, ela diga o que o homem sussurou para ela.
– E o que seria essa coisa?
Dei o endereço do local atual de Metraton. Disse que iria transferir o dinheiro. Assim que cheguei ao local, peguei um dos cartões de crédito que os Winchesters usavam e pedi para que pagassem a agência.
Eu usava alguns panos velhos. Comecei a entrar no acampamento dos sem-teto.
Várias pessoas me encaravam, olhando-me desconfiadas.
– Quem é você? O que você quer? – Gritou uma mulher. Respirei fundo.
– Disseram-me que o Messias estava por aqui. – Ajoelhei-me – Eu só quero contempla-lo.
Fingi um choro histérico. Algumas pessoas vieram me acolher.
– Estou com tanta fome! – Eu disse.
Não demorou muito para que me aceitassem como um deles. Deram-me uma coberta e uma tigela de sopa. Sentei em um canto isolada.
Agora, seria só questão de tempo.
Os pensamentos de auto-idolatração de Metraton deixavam-me com dor de cabeça. Não sei como eu conseguia me conectar a esse rádio angelical, mas isso estava acabando comigo.
Metraton apareceu depois de algumas horas.
– Amados. – Ele disse. Todos o reverenciaram. Fingi também admirá-lo. – Um homem virá me ver. O nome dele é Dean Winchester. Peça para que entre. Estarei orando por vocês.
Ele então parou e começou a olhar ao redor.
Seus olhos estacionaram em mim e por um momento congelei. Mas havia apenas dúvida no olhar dele.
– Você. Qual é o seu nome? – Ele gritou.
– Cecília, senhor. Estou aqui para servi-lo, senhor.
– Deixo para você a escolha de quem entra e sai desse acampamento. – Ele falou. – Posso contar contigo?
Balancei a cabeça.
– Não irei decepcioná-lo, Deus. – Ele sorriu.
– Pode me chamar de Marv, querida. Você será muito bem vinda a minha tenda se quiser, mais tarde.
Resisti a vontade de vomitar.
– Será uma honra, senhor.
Ele voltou ao recinto. Todos os outros me encararam. Sorri sem-graça.
– Pela glória de Marv! – Gritei.
– Amém! – Responderam.
Aquilo seria mais difícil do que eu pensava.
Já de noite, vi Dean se aproximando do acampamento. Sorri. Deve ter dado certo o plano. Apenas me preocupou o fato de Sam não estar com ele.
– Devemos deixar aquele homem entrar, senhora?
– Aquele é Dean Winchester. Libere a entrada. – Eu disse, cobrindo-me com lençois. Ele passou por mim e não me reconheceu. Os olhos dele eram pura irá. Senti uma lágrima escorrendo dos meus olhos. Onde será que estava Sam?
Subi atrás de Dean. Fiquei observando ele combatendo Metraton. Trocavam ameaças e revelações.
Onde estava Sam?
Quando o irmão finalmente chegou, Dean e Metraton já lutavam.
Dean estava forte mas Metraton tinha a habilidade de um Deus. Disse ele que o plano de Castiel e Gadreel tinha dado errado. Ou seja, não era o momento de lutar. Marv ainda estava abastecido com a força da Tábua dos Anjos.
– Deixe-o entrar! – Gritei de longe. As pessoas olharam surpresas para mim e liberaram a passagem de Sam Winchester. Ele não acreditava que eu estava lá.
Enquanto ele chegou ao local onde Metraton se encontrava, aproximei-me da batalha.
Dean estava caído. Metraton jogou a Primeira Adaga para longe dele. Corri em direção a ela.
Metraton me olhou. Dean tentou exclamar alguma coisa sobre eu estar ali.
– Agora não, docinho. Eu preciso matar o seu namorado.
E enfincou uma faca no coração de Dean.
– Não! – Gritei. Sammy chegou logo depois. Eu segurei Dean, impedindo-o de cair. Sammy o segurou também.
– Ei, ei, ei, ei! – Ele disse para o irmão praticamente inconciênte.
Ele se levantou e foi atacar Metraton, mas nesse exato momento, tudo balançou e o anjo-deus desapareceu.
– Dean, dean! – Eu o chamei. Os olhos dele estavam quase se fechando.- Nós vamos estancar isso. Chamar um médico, qualquer coisa, eu...
– Cecília. Sam. – Dean nos chamou. Sammy abaixou-se ao me lado, também desesperado. – Me ouçam. É melhor assim.
– O quê?
– A Marca. Está me transformando em algo que eu não quero ser.
– Não se preocupe com a Marca. Nós podemos lidar com ela depois. – Respondeu Sam. – Vamos sair daqui.
Ajudei Sammy a levantar Dean. Havia sangue por todo lado mas eu não me importava mais com o cheiro. Eu só queria que ele ficasse bem.
– Eu quero dizer uma coisa. Para vocês. – Dean parou. Primeramente, olhou para mim. – Fuja de nós. Ache sua irmã. Você não merece essa vida. Mas tê-la nesses últimos dias foi a única coisa que conseguiu me dar forças contra a marca. Desculpa por ter sido um idiota.
– O que você está dizendo ? – Meus olhos choravam. –Eu te amo. Nós vamos ficar juntos ainda. É uma promessa.
Ele riu, com muito esforço.
– O que eu te disse sobre promessas? – Olhou para o irmão – Sammy.
– Sim. – Sam olhava para o irmão, preocupado.
– Estou orgulhoso de nós. – Eles se encararam. Foi o adeus de Dean.
– Não, não, não. – Gritou Sam.
Nós três caímos no chão. Um morto e os dois não muito diferentes disso.
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