Love of Cain

6 Metraton - The Fake God.


Notas iniciais
Dean e Cecília. Cecília e Sam. Sam e Dean. Sam e Gadreel. São tantas possibilidades nessa vida.

Deixaram-nos a sós em uma sala até que Castiel chegasse.

– Você decidiu ser grosseiro comigo agora? E com todo mundo? – Perguntei.

Ele não respondeu, apenas ficou olhando para baixo.

– Esses anjos estão querendo te matar, Dean. Eu posso... – Suspirei. – Dá para ver no olhar deles. Eu queria poder te ajudar mas de repente você decidiu que eu era um impecílio para você aqui.

– Mas você é. – Ele me respondeu. Ainda não me olhava nos olhos.

– Obrigada. – Senti meus olhos se encherem de lágimas – Eu posso ir embora. Vou procurar minha irmã sozinha.

– Você deveria ter nos deixado fazer esse trabalho. Ela deve estar com Metraton agora ou mesmo que seja algo menor do que isso... Alguma máfia ou coisa do tipo. Além da possibilidade de estar morta. O que você pode fazer? Uma musicista fracassada.

Senti lágrimas escorrerem em meu rosto.

– Você é ridículo. – Comecei a chorar. Sentia-me envergonhada e com raiva de mim. Por que eu fui ser atraída por ele?

Só aí que Dean olhou para mim. Os olhos dele estavam vermelhos também.

– Você deveria ter se interessado por Sammy. Ele seria melhor para você. Olha as coisas que eu estou dizendo.

– Eu tenho o dom de fazer coisas estúpidas mesmo.

– Sim. Como de me fazer estar completamente apaixonado por você. – Eu o encarei. Não podia acreditar no que estava ouvindo.

– Você conseguiu escolher a hora mais incoveniente para fazer uma declaração, Dean Winchester. – Comentei.

– Cecília, isso é sério. – Ele disse, olhando para mim. – Eu tenho uma maldição me seguindo. Eu perco meu temperamento de hora em hora. Essa marca... Ela suga minha felicidade. Eu não posso te ter na minha vida. Eu nunca pude ter alguém. Agora, mais do que nunca, não. Olha para mim e me diga que vai embora assim que nos soltarem.

– Desculpa, Dean.- Eu falei, calmamente- Mas eu sou teimosa demais para te obedecer. E agora que eu sei que você gosta de mim... Ai,ai. Você está tão fudido.

– Nós dois estamos.

– Será? Pelo jeito, até agora não conseguimos fazer nada nesse sentido. – E começamos a rir. Senti o clima se aliviar um pouco. Por um momento, esqueci que estávamos presos em uma sala minúscula e que Dean tinha matado a nossa única pista para Metraton e os anjos-bomba. Mas Castiel e Sam entraram na sala, fazendo com que nós dois ficassem sérios.

– Você deveria ver os outros dez cara, Sam. – Brincou Dean, referindo-se ao fato de estar preso.

– Você trouxa a Adaga.

– Ah... Te contaram sobre isso?

– Nós conversamos sobre isso, Dean. Você matou a nossa única chance de seguir os passos de Metraton!

– Eu não a matei. Ela se jogou na minha lâmina.

– E você quer que eu acredite nisso? – Perguntou Sam.

– É verdade.- Respondi, cautelosa – Eu vi.

Quando Sammy percebeu que eu também estava amarrada no quarto, ele foi direto me soltar.

– Porque ela está aqui também?

– Ela estava junto. Foi cúmplice. Podia ter impedido. – Disse um anjo que estava de vigia.

– Ah, faça-me o favor. – Eu disse, enquanto Sam terminava de me soltar. Eu o abracei assim que o fez.

– Aceito que me liberte também. – Comentou Dean.

Hanna entrou no quarto. Estava muito séria.

– Castiel. Você está recebendo uma ligação... de Metatron.

Fomos todos ver o chamado. Ninguém disse palavra alguma até estarmos todo na frente do computador. Foi a primeira vez que vi esse tal chefão. Metraton.

Ele parecia baixinho e tinha os cabelos acinzentados. Logo começou a falar.

“Castiel. Não deve estar tão feliz em me ver, não é mesmo?”

– Alguém já ficou? – Comentou Dean.

“Dean! Esse seu humor dos anos 80 deixa saudades.”

– O que você quer, Metraton? – Perguntou Sam, impaciente.

“Dizer que estou bem. O seu homem-bomba não funcionou. Claro, tivemos alguns feridos. Alguns anjos mortos. Você perdeu alguns aliados, Castiel.”

– Eu não enviei pessoa alguma para te matar.

“Pare de mentir, Castiel! Vocês me chamam de mentiroso mas olhe só para você. Fiz os anjos caírem? Talvez. Sim. Mas foi uma medida necessária. Havia uma necessidade de seleção. Só que parei com esssa vida. Não matarei mais nenhum. Estou oferecendo para vocês uma anistia. Uma anistia para me seguirem.”

– E o que vamos ganhar com isso? – Perguntou Hanna. Outros anjos se aglomeravam em volta da tela que mostrava Metraton.

“Passagem livre para o céu. Sendo eu o seu novo Deus. Vocês precisam receber ordens! Olhe aí! Fazendo tudo o que Castiel manda. Vocês o conhecem bem? Sabem que ele está com uma graça de outro anjo? Sabem dos homens-bomba? Se eu errei? Sim. Talvez. Mas espero que a memória de vocês não seja curta o suficiente para se lembrar das coisas que esse seu líder fez. Voltem para mim. Voltem para o céu. Adeus.”

A tela se desligou.

Todos os anjos se agruparam em torno de Castiel, esperando explicações. Minha cabeça doía com tantos pensamentos. Tudo o que eles pensavam passava por mim. Alguns acreditavam na inocência de Cass e outros queriam matá-lo ali mesmo . Eu só queria que aquilo parasse.

– Ele está mentindo. – Disse Castiel.

– Sobre a sua graça? – Perguntou Hannah. – Ela é sua mesmo?

– É... Complicado. Mas ele está mentindo sobre as outras coisas. Sobre os homem-bomba. Vocês não... Vocês... – Ele olhou desesperado para todos os lados. – Vocês acreditam em mim, não é?

– A gente quer acreditar, Castiel. – Disse Hanna, seriamente. –Prove sua inocênia. Puna-o.

– O quê?!

– Dean Winchester. Ele quebrou nossas regras. É a lei.

– Vão para o inferno. – Disse Dean, saindo do lugar. Castiel o chamou de volta e vários anjos o seguraram.

– Você é o nosso líder. Prove sua força. Não perca tudo por causa de um homem.- Hannah continuou a falar para Cass.

Dean olhou para ele na expectativa.

Foi quando consegui ler a mente de Castiel.

“Se fosse qualquer outro homem, eu mataria. Mas eu desistiria de toda a minha vida para preservar a do Dean.”

Três horas depois, eu, Sam, Dean e Castiel estávamos de volta ao bunker. O clima era pesado.

Assim que entramos, Sam foi falar com Dean.

– Então, vamos conversar sobre o que aconteceu?

– O que aconteceu? – Respondeu Dean. – Eu levei a Adaga. Sim. Eu sou o único que pode usá-la e ela é a nossa maior chance de matar Metraton. Vou levá-la para todos os lados, Sam. Porque eu quero. Porque eu posso. E até isso acabar eu mando por aqui. Por hora, não somos parceiros. Isso aqui é uma ditadura.

Sam não se deu o trabalho de responder. Apenas saiu em direção aos quartos. Eu fiquei encarando Dean.

– O quê?

– Nomeie uma ditadura que deu certo na história, idiota. – E saí atrás de Sam. Ele não me impediu.

– Sam. – Ele olhou para mim. Percebi que os olhos dele estavam vermelhos.

– Ele não é assim. – Respondeu-me – Eu queria poder tirar logo essa marca dele. Eu quero meu irmão de volta.

Apertei a mão dele.

– Está chegando o momento para isso. Logo, logo, vocês acabarão com Metraton. Eu sei disso.

Sammy olhava-me profundamente, atento a todos meus gestos e palavras.

– Eu queria que já tivéssemos achado a sua irmã. – Comentou ele. – Você não precisaria passar por tudo isso.

– Estou vivendo dias incríveis. – Respondi – Mas também queria ter achado ela. Estou preocupada com o que pode ter acontecido. É tão...

– Confuso. – Ele concluiu. Assenti.

Sam colocou a mão no meu rosto e me beijou. A princípio, eu o correspondi mas a imagem de Dean veio forte na minha mente. Senti uma pontada no coração.

– Não. – Eu disse, afastando-me. Sam me olhava cheio de dúvida. – Eu...

Olhei para baixo. Uma onda de entendimento passou pelo rosto de Sammy.

– É o Dean, não é? – Ele perguntou — Você e ele...?

– Sim. — Respondi, baixinho.

Sam balançou a cabeça.

– Eu não acredito nisso. Eu sou um idiota.

Coloquei minhas mãos no ombro dele. Ele não conseguia olhar para mim.

– Você não é um idiota. Eu que sou. — Ele ia falar alguma coisa mas eu o impedi — Somos os mestres em escolher irmãos errados.

Ele riu, sem-graça.

– Você deveria ter aparecido antes na nossa vida. — Comentou.

– Uma mundana sem nenhuma habilidade especial? — Eu ri. — Quão inútil seria?

– Talvez Dean não tivesse a Marca de Cain. — Não respondi. Ele me abraçou e começamos a andar de volta para junto do irmão e de Cass.

Quando chegamos na porta, um outro homem estava entrando no bunker. Sam me soltou e gritou:

– Gadreel!

Cass e Dean juntaram — se a nós, correndo.

Eu não tinha a menor ideia de quem era esse tal de Gadreel, mas ele não parecia um bom sujeito. Todos olhavam atentos para ele, na expectativa de qualquer movimento.

– Eu vim em paz. — Disse o homem. — Cansei de Metraton. Ele está louco. Vocês têm que acabar com ele. Vim oferecer a minha ajuda.

– E o que nos garante que você não está apenas mentindo?

Pessoalmente, eu sabia que ele não estava. Gadreel era um anjo. Ele possuía a mesma áurea das pessoas do quartel general de Castiel. Porém, resolvi ficar quieta no meu canto. Eles possuíam uma rixa na qual eu não fazia parte.

– Eu sou a única chance que vocês possuem de encontrar Metraton. — Respondeu Gadreel.- Conheço os homens-bomba. Eles eram agentes dele. Não de Castiel.

Dean se aproximou dele, estendendo a mão para cumprimenta-lo.

Vi o suspiro de alívio do homem com essa movimentação.

Mas, ao chegar perto o suficiente, Dean tirou a Primeira Adaga do bolso e atacou o homem. Dei um grito e corri para socorrê — lo. Sam e Castiel seguraram Dean.

Todos olhavam pasmos para ele.

– Ele esta arrependido! — Gritei.

– Você nem ao menos sabe quem ele é. O que ele fez!

Olhei no fundo dos olhos de Castiel. Ele me encarou de volta. Respirei fundo.

Comecei a captar pedaços de pensamentos do anjo.

Gadreel.

Ele havia possuído o corpo de Sam. Matou um outro sujeito... Kevin?

Ele era espião de Metraton e assassinou vários anjos seguindo ordens.

Voltei minha atenção para Dean.

– Ele assassinou anjos. Enganou Sam. Mas eu tenho certeza que ele estava arrependido. — Falei.- Ele errou. Mas merece uma segunda chance.

– Como que você sabe? — Dean disso. Ele tentava ir na direção minha e de Gadreel mas os dois o seguravam fortemente.

Sam intercedeu por mim

– Eu contei pra ela. — Disse — Se esta conosco agora, pensei que era melhor que conhecesse nosso inimigo.

Dean pensou por alguns instantes e depois relaxou.

– Venha. — Disse Sam, puxando o irmão. Eles caminharam para dentro do bunker.

Olhei para Gadreel.

– Você realmente acredita em mim. — Ele disse. — Quem é você?

– Ninguém importante. — O peito dele sangrava. Toquei levemente no machucado e senti um formigamento na ponta do meu dedo. Tive impressão que o machucado tinha se cicatrizado um pouco.

Afastei-me assustada.

Gadreel me encarava, curioso. Corri atrás de Sam e Cass, deixando o homem machucado sozinho.

Notas finais
Sim. Cecília, a menina que ouvia anjos. Quem diria que isso NÃO seria uma coisa boa?