Love in The Darkness
1 Uma Tarde Cinzenta
Notas iniciais
Uma estória dramática que se passa logo após a morte de Sirius.
Era uma tarde cinzenta,como foram todas nos últimos dias,mas esta em especial fazia ressoar,no coração de Harry,a triste melodia da perda,da amargura e da dor,tais como ele nunca antes sentira.
Por alguma razão,naquela tarde,não haveriam aulas em Hogwarts,ao menos,para o quinto ano;todos os professores já haviam lecionado o que fora necessário naquele dia,e Harry sentia-se melhor em não ter que comparecer a mais aulas numa tarde como aquela.Ele não queria estar na Sala Comunal,na biblioteca,em algum lugar do castelo com Ron e Hermione,ele queria estar só,queria livrar-se de toda aquela dor que a morte de seu padrinho causara,sem precisar estar com mais ninguém.Para sua sorte,Hogwarts era um lugar demasiadamente amplo,com seus grandes jardins e até mesmo a Floresta,e,caminhando às margens do lago,aos poucos encontrou o que precisava.
Ele estava perdido em seus próprios sentimentos,a morte de seu padrinho o afetara de maneira que ele nunca imaginara que o afetaria,um vazio tomava seu coração,um vazio maior que suas esperanças no momento e até maior do que o que podia sentir de bom por pessoas e que suas boas lembranças que vinham à mente para confortá-lo.Buscar ajuda em si mesmo,nessas horas,era tal como conjurar um Patrono,buscar em si algo que pudesse espantar a miséria de algo que sugava-lhe a vida.Ele andava vagando pelos gramados de Hogwarts,sem se preocupar com as horas ou com o que poderia estar fazendo,ele precisava daquele momento,daquela caminhada,de tudo aquilo que estava pensando e vivenciando,precisava conhecer mais da dor da morte,para,novamente,encarar a vida.
Andou por bastante tempo,enquanto lágrimas escorriam por suas faces,lágrimas de amargura e dor.Andou até achar um lugar suficientemente longe do castelo,onde acreditava que ninguém o veria,ninguém viria a ele,ninguém se preocuparia em ver quem estava sentado à margem do Lago,observando a beleza daquele lugar,beleza que sobrevivia até aos mais tensos momentos do coração e da vida,que sempre permanecia lá,para aqueles que tinham olhos para vê-la.
Passaram-se duas horas,era quase pôr do Sol,e os raios dourados ficavam cada vez mais vermelhos e alaranjados,escondendo-se sob o horizonte e dando lugar à bela noite sem luar que logo viria.Até que...escuta passos,passos vindo em sua direção.
"Quem se daria ao trabalho,quem viria me atrapalhar,quem viria até aqui tendo muito mais o que fazer,por que?Por que nem nesses meus momentos ninguém parece deixar de vir,agradavelmente ou não?"Pensou Harry.
A pessoa estava contra o Sol,então só era possível ver sua silhueta,o que deixava claro que era um homem magro,um pouco alto e que andava calma e tristemente.Também era possível ver seus cabelos louros,então,logo se soube quem era.
Draco.
Harry e Draco sempre cultivaram uma inimizade,sempre desprezaram um ao outro.Draco sempre esteve lá para trapaceá-lo,para atrapalhá-lo.Como recentemente fizera,o perseguira durante quase todo o ano junto à Brigada Inquisitoral,e,num desses eventos,acabou atrapalhando a ida de Harry ao Ministério,o que,para Harry,se Malfoy não estivesse lá,não estivesse lá para garanti-lo nas mãos de Umbridge,ele teria escapado mais rápido para ir,supostamente,salvar seu padrinho.
O que diabos estaria ele fazendo lá?Por que viera ele falar com Harry?Ele que sempre demonstrou desprezo e inimizade pelo Garoto Que Sobreviveu,pelo favorito da Grifinória e de Hogwarts?
Eram boas questões.Boas questões para ambos.Assim como os sentimentos nunca antes provados.Assim como a perda diante de seus olhos.Assim como aquilo que não se vê e sempre esteve lá,como uma chama pequena apenas precisando de mais brasa pra se mostrar maior e aquecer àqueles que perto dela estão.
-Potter?-Perguntou Draco.
-O que diabos está fazendo aqui?Não acha que já fez o bastante?SAIA!-Disse Harry,já irritadiço.
-Potter...
-SAIA.
-Pott...
-Apenas vá!VOCÊ JÁ FEZ O BASTANTE!
-Potter!
Draco persistiu,e Harry acalmou-se um pouco,virou-se e voltou a observar o lugar.
-Potter,não há razão para estar tão irritado.Eu não te fiz nada.Não é minha culpa se você é um pseudo-herói que não aguenta lidar com uma adversidade.Não se pode,realmente,esperar outra coisa de alguém tão medíocre como você!-Disse Draco.
-Então,é para isso que vem aqui?Para falar novamente de tudo isso que vem falando desde que neguei sua companhia,no primeiro ano?Para falar tudo aquilo que você cria para distorcer o que sempre quis ser?
-Cale a boca!Eu sei pelo que você está passando!Mas,quem diria,que você pararia de ser tão medíocre assim.
-Você não sabe.Você não ama.Você é fraco.Você,sim,é desprezível.
-Eu nem sei o que pude pensar que encontraria vindo aqui.Busco a mesma coisa que você.Mas me deparo com esse obstáculo,com você.Por que você atrapalha minha vida e se mete em tudo até quando quero me isolar daquele maldito Castelo?
-Pare de ser infantil,Malfoy.Eu sei,você sabe,que veio até aqui apenas para ver se se aproveitava de um pouco do meu sofrimento.Nós sabemos que você não aguentaria muito tempo sem vir implicar comigo.
-Você é um idiota mesmo!Melhor eu ir procurar outro lugar,até aqui o queridinho de Hogwarts tem que aparecer.
-Melhor eu ir fazer algo mais útil do que perder meu tempo com suas implicâncias,Malfoy.Saia do meu caminho.
...
E assim saiu Harry de lá,sem olhar nos olhos de Draco,com seus sentimentos convertidos em raiva por aquele garoto mimado e estúpido da Sonserina.Mas,quem diria que essa raiva só ficaria ali.Foi a última vez que viu Malfoy nos dias que restavam do ano letivo,mas,desde então,a briga vinha ressoando em sua mente,a lembrança e a voz de Draco vinham perturbá-lo.E,se,ele não quisesse apenas implicar ou atrapalhá-lo?E,se,ele de fato quisesse falar algo com Harry?
Bem,ele não descobriria agora,ele já estava no Hogwarts Express e havia um longo recesso pela sempre,preso em sua solidão na casa dos Dursley.Havia também muitas noites a sós com seus pensamentos,havia,acima de tudo,muitas brasas a serem queimadas até que tudo voltasse e a chama de fato se acendesse.
Notas finais
Beijos.
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