Love in The Darkness

2 As Primeiras Brasas a Serem Lançadas


Lá estava Harry,na casa dos Dursley,onde quase sempre estava quando não estava em Hogwarts,a casa de seus tios era sua casa,mas nunca fora (nem seria) seu lar.Quanto mais o tempo passava,mais sua presença era esquecida pelos tios,não era mais um pequeno garoto,não precisava de tanta assistência,mas,como era de conhecimento comum,precisava ficar lá até completar seus dezessete anos.

Tudo aquilo era horrível claro,afinal,ele era como um nada para aqueles que deveriam cuidar dele e tratá-lo como um filho,mas isso não importava tanto agora,pois agora encontrara o lugar ao qual seu coração pertencia,Hogwarts.Ele não gostava daquilo,daquela solidão,de não estar com seus amigos,mas,não havia fuga,e,de alguma maneira aquela solidão chegava a ser boa.A solidão dava a Harry tudo que precisava para colocar seus pensamentos em ordem,para tentar se livrar de certas palavras e hipóteses que ecoavam em sua cabeça desde uma tarde cinzenta com leves raios dourado-avermelhados de Sol.

"Potter?"Harry ouvia em sua mente,naquele tom interrogativo e inseguro de Malfoy,naquele tom que só falavam aqueles que não saberiam a reação de alguém a falar algo que as envolvesse,aquele tom de insegurança que levava em si um pequeno átomo de esperança,o tom daquele que diria o que nunca pôde ou se deu a liberdade de dizer.

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"Malfoy,saia do meu caminho."Draco ouvia em sua mente,e novamente sentia o desapontamento por ter sido tão arrogante e estúpido com Harry.E se eu tivesse falado?E se eu ao menos tivesse começado a falar?Será que ele me ouviria?Claro que não,seu idiota!Por que iria Potter prestar atenção em você?Por que iria ele dar alguma importância a sua presença? Falava Malfoy consigo mesmo,em seus pensamentos.O que ele de fato estava sentindo por Harry?O que ele queria dizer?Nem ele sabia,mas de algo tinha certeza,que pelo menos uma frase deveria alimentar essa chama,que ele deveria ter dito algo que pelo menos destrancasse uma das portas de um infinito corredor.

No fundo,Draco sabia que não seria assim tão fácil se expressar,quando nem consigo mesmo ele conseguia fazer,ele sempre foi tão introvertido,tão pressionado com tudo,nunca tivera uma oportunidade de ser ele mesmo.Nunca pudera provar da felicidade.

Não era apenas Potter que passava por um momento difícil,o pai de Draco,Lucius,estava em Azkaban,tendo sua alma sugada.E Draco,o jovem Draco,o garoto que não teve escolha,agora carregava um peso sobre seu braço esquerdo,a assinatura de um pacto,a sua única escolha perante a morte de todos aqueles que conseguia amar.Ele agora carregava a Marca Negra.Ele agora era,de fato,um servidor do Lorde das Trevas.

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Passam-se duas semanas.

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Era o dia de ir ao Beco Diagonal com os Weasley,garantir aquilo que precisavam para o novo ano letivo em Hogwarts.Como era de esperar,seus uniformes já estavam desgastados,e enquanto os Weasley e Hagrid estavam ocupados com outras coisas,Hermione,Harry e Ron foram ao local apropriado para terem seus novos uniformes.

O que resultou num encontro inevitável.Draco também estava lá,pelo mesmo motivo que os três.Mas havia algo de estranho.Draco e a costureira pareciam discutir por algo em seu braço,que ela relutava em tocar para tirar as medidas para o jovem.Harry,então,começou a criar hipóteses do que seria aquilo,hipóteses um tanto óbvias,afinal.

Passaram mais alguns minutos até Malfoy sair da cabine acompanhado por Narcissa,sua mãe.É claro que Potter e Draco notariam a presença um do outro,o que resultaria numa briga já esperada.Mas que não aconteceu.Apenas trocaram olhares,olhares fixos e profundos.Era como se nos olhos de Draco ele quisesse falar algo mais.Era como se nos de Harry ele estivesse tentado a descobrir o que era esse "algo".Eles continuaram fazendo contato visual até Malfoy sair da loja e Harry voltar à realidade.

Ambos se olhavam com a mesma intensidade,tinham o mesmo sentimento,mas cada um buscava entendê-lo de uma forma diferente.

E,além de tudo isso,segundos antes de Malfoy se virar de costas para Harry e abrir a porta,Potter podia jurar que Draco quis dizer algo,apenas movimentando seus lábios sem emitir o mínimo som.Aqueles lábios buscavam algo em Harry.E ele sentia-se tentado a senti-los,articulando-se da mesma maneira,sem fazer nenhum som,apenas expressando o que no fundo os dois mais desejavam.

No fim desses acontecimentos,Harry tinha mais uma confusão em sua cabeça,mais um nó a ser desatado.O que ele de fato queria? Isso ele não sabia responder,assim como Draco.

Era impulsivo,era intenso,era natural.Era uma linha tênue que facilmente corria risco de se quebrar ou partir,e ambos sabiam disso.Talvez isso os motivasse e os contivesse,talvez isso criasse mais uma barreira entre os dois.Talvez isso alimentasse duas chamas,a da tentação e a da insegurança,que,juntas,seriam tudo o que precisavam para tornar a sensação ainda mais intensa.Isso porque ainda não tinham feito tudo sair do campo das idéias.

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Ainda havia uma longa viagem até Hogwarts pela frente,uma viagem na qual era muito pouco provável que se esbarrassem ou se vissem.Sempre estavam em vagões diferentes,nunca estavam no mesmo lugar na plataforma.Apenas se veriam em Hogwarts,até então,isso era uma certeza.

Até que Harry decidiu investigar o que tanto aguçara sua curiosidade,ou melhor,confirmar aquilo do qual já suspeitava,e,para isso,iria até o vagão onde Draco estava.

E foi.

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Ele conseguiu se manter totalmente invisível por um bom tempo,mas ele muito raramente escapava de Draco,ele sempre descobria que Potter estava lá,tentando descobrir algo.

Draco,também,não soava alarme,resolvia por conta própria.Esperou todos saírem do vagão,fechou a porta e as cortinas,então foi averiguar se Harry estava lá,mais uma vez,espionando-o.

E estava certo,Potter estava lá,no canto do vagão,envolto em sua capa da invisibilidade,mas fora percebido.Malfoy puxara a capa de Harry,mostrando o lá,flagrado e sem saber o que fazer.

–Tinha que ser,não?Potter sempre aqui e ali para espionar alguém,para tentar arranjar mais uma chance de ser o herói,mas,ao que parece algo deu errado,não?Dessa vez você não me escaparia,Potter.-Disse Draco,num tom malicioso e desafiador,arqueando-se sobre Harry,que estivera o tempo todo no último banco,atrás do assento de Draco,bem no canto,praticamente imperceptível.

Parecia que Draco gostava de jogos,gostava de brincar com as tentações e sentimentos alheios quando lhe era possível,e isso fazia bem.

Harry sentia-se tentado com aquela situação,ainda tinham 30 minutos até o trem partir de volta a Londres,30 minutos até Draco resolver parar com seus joguinhos.

Mas não,não pararia,até ter consciência de que ele mesmo teria que voltar com Harry.

Harry permanecia calado,com as faces coradas de nervosismo enquanto Malfoy continuava.Ele estava praticamente sentado no colo de Harry,virado para ele,olhando-o fixamente.

–Você parece assustado,Potter.O que há?Hahaha.Não gosta de jogos? -Falava Malfoy,tentando-o ainda mais.

Malfoy aproximava e afastava seu rosto,fazendo Harry sentir seu calor e seu cheiro.Fazia isso também com seu corpo,como um jogo de sedução.Até que Harry não aguentou mais,e puxou-o para si,segurando Malfoy pela cintura e pela nuca,beijando levemente seu pescoço.

–Era isso que você queria?-sussurou Harry.

–Agora você conseguiu mover as peças no tabuleiro,não?Sou todo seu agora...-falou em tom igualmente baixo Draco,acariciando o maxilar de Harry e beijando suas faces.Suas bocas se aproximavam.No meio daquilo tudo,a tensão aumentava em ambos.Finalmente.Se beijaram,longa e intensamente.

Os lábios de Draco eram macios,eram quentes,assim como os de Harry,era uma sensação única nunca antes provada.A linha tênue se partira,mas era a quebra mais bela que poderia ser,a mais intensa e apaixonada.

Se beijaram,enquanto as mãos de Harry corriam o corpo de Draco,e Malfoy fazia o mesmo.Não precisavam de nada mais para chegar ao êxtase daquele momento.

Então o ritmo foi ficando mais lento,se olharam,e Draco afundou nos braços de Harry,nunca havia sido abraçado com tanto carinho.

"É hora de ir,caso contrário,será tarde demais."-sussurrou Draco.

Harry assentiu.Draco saiu de seu colo,deram mais um beijo e saíram do trem,cada um seguindo seu caminho.Todos estranharam quando Draco e Harry entraram juntos no Grande Salão,ambos com expressões exaustas em seus rostos e seus cabelos bagunçados.

Mas afinal,o que tinham a perder?Nada mais confortável que o calor de uma chama recentemente acesa.

Notas finais
Finalmente,não?Mais capítulos virão.Espero que tenham gostado