Love comes softly
3 Johan
Eles entraram no apartamento às pressas. As mãos trabalhavam com velocidade para retirar as roupas enquanto os lábios permaneciam unidos em um beijo afoito, cheio de desejo.
Johan sentiu quando suas costas atingiram a cama de seu quarto, assim como sentiu quando os dedos frios de seu parceiro lutavam para abrir o zíper de sua calça. Eu devia ter escolhido uma calça melhor.
Suas próprias mãos estavam afundadas nos cabelos curtos do homem sobre si, puxando-o para perto, aprofundando o beijo ainda mais.
“Johan...” Aquela voz estava embargada pelo desejo e levou um arrepio para a espinha do rapaz.
Foi por isso que ele decidiu parar. Como nós nos encararemos amanhã? Não tem como fingir que isso não aconteceu.
“Pare.” Sua voz disse por fim.
“Johan?”
“Eu não quero. Sinto muito.”
“O que? Por quê?”
“Eu vou me arrepender depois. Eu só namorei mulheres. Minha vida toda! Não vou me envolver com você e quebrar a cara depois.” Sua mente estava clara e Johan estava decidido. E isso tudo começou porque bebi demais e me deixei levar.
Um tapa atingiu seu rosto antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa e o homem sobre si se levantou da cama.
“Podia ter me dito antes de fazer eu me envolver.”
“Nós estamos bêbados.”
“Você está bêbado. Eu estou completamente são.”
Johan permaneceu em silêncio, observando aquele belo homem recolocar as roupas e sair do quarto batendo os pés.
“Até nunca mais, Johan. Espero que seja feliz na sua vidinha medíocre.”
E com aquilo, o som da porta batendo informou que sua companhia já não estava mais lá. Sinto muito Rafael, mas eu serei feliz na minha vida medíocre sem você.
X
Os olhos verdes se abriram com velocidade ao mesmo tempo em que Johan se sentava na cama.
Sua respiração estava alterada e seus lábios secos. O quê? Por quê? Eu já havia me esquecido do incidente com o Rafael. Por que sonhei com isso justo agora?
Mordendo o lábio inferior, Johan encarou a porta de seu quarto, relembrando o dia em que ficara bêbado pela primeira vez em sua vida.
Havia sido há dois anos. Ele tinha um amigo no curso da faculdade. Seu amigo estava lá por intercambio, e eles se davam realmente bem. Até o dia da festa da sala de aula.
Johan se lembrava nitidamente dos beijos em seu quarto, mas não se lembrava como havia começado. Se lembrava dos braços e apertos fortes de Rafael, e de como a sua decisão em parar influenciara em muitas coisas em sua vida. Depois daquele dia, o Rafael não apareceu mais nas aulas e uma semana depois eu descobri que ele havia retornado para o país de origem. Nunca mais tive noticias dele.
Soltando um suspiro alto, Johan jogou as cobertas para o lado e caminhou até o banheiro enquanto retirava a faixa do braço. A região ao redor dos pontos ainda estava levemente avermelhada e a dor não era um incomodo. Preciso de um banho.
X
Após um rápido banho, cuidando para não erguer o braço esquerdo mais do que o permitido, Johan ouviu seu celular tocar.
Com uma toalha amarrada na cintura e os cabelos pingando água, o rapaz caminhou com passos apressados até o quarto, encontrando o celular em cima do criado mudo. A chamada foi atendida no quarto toque.
“Sim?”
“Bom dia Johan! Acordei você?” A voz levemente irritante e devidamente grossa entrou pelo ouvido de Johan, causando um arrepio de desagrado em seu corpo.
“Não, eu já estava acordado.”
“O quê? Você acordado antes do meio dia?”
“O que você quer Josh?” Sua pergunta saiu da maneira mais grosseira possível e isso levou um sorriso aos lábios de Johan.
“Credo, isso é jeito de falar com o seu irmão mais velho?” Josh riu antes de continuar. “Tudo bem, eu preciso mesmo de um favor.”
“Você só me liga quando precisa de algo.”
“Não é verdade.”
“Ah não?”
“Não. Hoje eu também liguei para avisar que a mãe sente sua falta e quer te ver.” Josh parecia orgulhoso por estar passando o recado.
“Me liga para pedir favores e passar notícias ruins.”
“Você não devia falar assim da nossa mãe.” O irmão de Johan suspirou, ficando alguns segundos em silêncio. “Ela se preocupa com você.”
“Ela não me pareceu muito preocupada quando me colocou para fora de casa só porque eu não queria cursar Direito.” Johan deu de ombros e se sentou na cama.
“Johan...”
“Qual o favor que você precisa?” Aquele assunto estava encerrado.
“Você pode cuidar do Richard pra mim?”
“Por quê?”
“Eu e a Lana precisamos trabalhar e não temos com quem deixá-lo. Prometo que vou buscá-lo até as seis.” Josh se adiantou na conversa antes que o irmão pudesse recusar.
“Você sabe que eu não me importo em cuidar do meu próprio sobrinho. Não precisa me prometer um horário.” Johan passou a mão nos cabelos, pensando na roupa que colocaria. E como colocaria. “Quando vai trazê-lo?”
“Agora mesmo.”
“Até logo.” A ligação foi encerrada, mas Johan não soltou o celular, procurando por um nome na lista de contatos.
Três toques foram necessários para que a pessoa atendesse.
“Você é desses que liga no dia seguinte?” A voz estava tão grossa que o rapaz se perguntou se havia acordado a pessoa do outro lado do telefone.
“Sou desses que cumpre o que fala. Bom dia Davi.”
“Bom dia Johan. A que devo a honra de sua ligação?” O policial parecia estar sorrindo.
“Você trabalha hoje?”
“Estou de folga até o horário de almoço de amanhã.”
“Ótimo, porque preciso da sua ajuda.”
X
Depois de desistir de colocar uma camiseta – mas colocando um casaco no lugar – Johan caminhou até a cozinha, se perguntando o que faria de almoço. Davi disse que viria o mais rápido possível e que traria um frango para me ajudar no almoço.
O policial concordara imediatamente em ajudar Johan a cuidar do sobrinho, alegando adorar crianças.
Sendo assim, a única preocupação de Johan era fazer o acompanhamento do almoço: arroz, salada e batata frita. O Richard ama batatas.
Quando o arroz já estava cozinhando e o rapaz se preparava para lavar a salada, o interfone de seu apartamento tocou.
“Sim?”
“Senhor Johan, seu irmão e seu sobrinho estão aqui para vê-lo.”
“Pode mandar subir. Ah, um homem chamado Davi também virá, ele está autorizado a subir também.”
“Entendido.”
A chamada foi finalizada e Johan correu para o banheiro, fechando o casaco até a gola, tendo a certeza de que ninguém repararia que ele estava sem camiseta.
O barulho de batidas em sua porta o fez suspirar e voltar para a sala e abrir a porta.
“Tio Johan!” Um pequeno emaranhado de cabelos ruivos pulou em suas pernas, abraçando-o com toda a força que podia.
“Oi Rick. Nossa como você cresceu!” Johan sorriu e se ajoelhou para abraçar o sobrinho.
“Eu já tenho três anos, tio!” O menino mostrou três dedos e logo em seguida ergueu os bracinhos. “Colo, colo!”
“Sinto muito Rick, eu não posso te pegar no colo hoje.” O rapaz se levantou e passou a mão nos cabelinhos ruivos de Richard, até o menino correr para dentro, carregando uma pequena mochila nas costas, e deixando os dois irmãos a sós.
“Não pode pegá-lo no colo? O que aconteceu?” Josh perguntou enquanto apertava a mão do irmão, cumprimentando-o.
“Nada demais. Machuquei o braço e levei uns pontos, por isso não posso fazer muita força.” Johan respondeu, dando de ombros.
“Machucou o braço?” Josh deu um passo para frente, colocando as mãos na cintura do irmão. “Como? Você está bem?”
“Estou ótimo e adoraria se você me soltasse.” O rapaz de cabelos castanhos encarou o irmão e tentou segurar a mão de Josh, para retirá-la de sua cintura.
“Johan, me conte o que aconteceu.” O tom de voz era firme e as mãos de Josh se fixaram ainda mais na cintura do irmão, puxando-o para perto.
“Me solte!” Johan franziu o cenho e apertou os lábios, visivelmente irritado.
“Por que você não me escuta? Eu te amo e me preocupo com você!”
“Eu acho que ele pediu para você soltá-lo.” Aquela voz conhecida levou uma onda de alivio para o corpo de Johan.
“E você acha que é quem para se intrometer em nossos assuntos?” Josh finalmente se afastou do irmão e deu um passo para o lado, ficando de frente para Davi. Eles têm a mesma altura.
“Ele é meu amigo e policial. Conversamos outra hora Josh. Eu tenho coisas para fazer e você também.” Johan tinha uma raiva quase palpável nos olhos e deu um passo para o lado, fazendo sinal para que Davi entrasse. “Até mais tarde.”
Sem esperar por uma resposta do irmão, Johan puxou o braço do policial e fechou a porta do apartamento, soltando um suspiro alto e se virando para Davi.
“Achei que você fosse hetero.” A voz do policial era acusadora.
“Eu sou.”
“E qual o significado dessa briga com o seu ex?”
Johan piscou algumas vezes e ficou alguns segundos em silêncio antes de gargalhar. Lágrimas se uniram nos cantos de seus olhos e ele teve certeza de que aquela era a primeira risada sincera da semana.
“Ele é meu irmão!” O rapaz limpou as lágrimas antes de se virar na direção do corredor. “Rick, venha aqui conhecer uma pessoa!”
“Irmão? Ele estava com as mãos na sua cintura e dizendo que te amava.” Os olhos azuis de Davi demonstravam confusão.
“Ele não queria relar nos meus braços porque não sabia onde eu tinha machucado. E irmãos amam uns aos outros.” Johan deu de ombros e colocou a mão na cabeça do sobrinho, quando este chegou na sala. “Davi, este é Richard, meu sobrinho. Rick, este é Davi, meu amigo policial.”
“Policial?!” Os olhinhos verdes do garoto brilharam.
“Exatamente. Porque vocês não brincam um pouco enquanto eu faço o almoço?” Johan começou a caminhar em direção à cozinha quando viu Richard pular nas pernas de Davi.
“É verdade que você é policial? Você prende os caras malvados?” Ele estava verdadeiramente feliz.
“É verdade. Eu prendo os caras malvados.” Davi sorriu e pegou o garotinho no colo, caminhando até a cozinha e colocando a sacola com o frango sobre a pia.
“Mas por que você não está com o uniforme? E a sua arma?”
Agora que ouvira Richard falar, Johan se virou discretamente na direção dos dois, observando as roupas de Davi. O policial estava com uma camisa social azul e calça jeans. Seus cabelos negros estavam levemente bagunçados. Ele está um pouco diferente.
“Hoje eu não preciso usar o uniforme, mas minha arma está aqui.” Davi colocou a mão na cintura, mostrando onde a arma estava.
“Eu posso ver?” Richard sorriu e se segurou no pescoço do policial, recuperando o equilíbrio.
“Opa, nada de armas na minha casa. É perigoso Rick. A arma faz machucado.” Johan franziu o cenho e encarou as pessoas atrás de si.
“Tudo bem Johan. As armas podem ser inofensivas de vez em quando.” Davi sorriu e colocou o pequeno garoto no chão.
Retirando a arma do coldre, Davi mexia o mais delicadamente possível nela, retirando o pente que estava cheio e a bala que ficava engatada no cano de ferro.
“Pronto. Perfeitamente inofensiva.” O polical sorriu e entregou a arma para Richard.
“Que leve!” O menininho sorriu e ergueu a arma, colocando-a contra a luz para admirá-la.
“Sim, é bem leve.” Davi concordou com a cabeça e encostou-se à bancada da pia, olhando de Richard para Johan.
“Davi.” O rapaz de cabelos castanhos colocou as folhas de alface dentro de uma travessa e encarou sua companhia.
“Sim?”
“Tire a arma das mãos do meu sobrinho.”
Davi suspirou e sorriu, caminhando até Richard e se agachando, para olhá-lo nos olhos.
“Richard, certo?”
“Rick. O tio Johan me chama de Rick.”
“Rick é um ótimo apelido. Então, Rick. Armas são objetos muito perigosos e podem machucar pessoas. Por isso você não deve pegar uma na mão nunca, tudo bem?” O tom de voz de Davi era sério e severo, mas ao mesmo tempo calmo e confortador.
“Tudo bem. Aqui, pode pegar.” O menininho estendeu a arma para o policial e abaixou a cabeça, parecendo envergonhado.
“Como fui eu que te entreguei a arma, não precisa ficar com vergonha, nem triste. Essa é boazinha. Mas as outras são malvadas.” Davi sorriu e pegou a arma, passando a mão nos cabelos ruivos do menino e se levantando.
“Entendido!” Richard sorriu e fez sinal de sentido, mesmo sem saber o que estava fazendo direito.
“Muito bem rapazinho.” O policial fez um sinal positivo com a cabeça e voltou a colocar o pente e bala dentro da arma.
“Rick, você trouxe roupas naquela sua mochila?” Johan perguntou enquanto temperava a salada.
“Sim!”
“Então tire as roupas de lá e coloque em cima da cama pra não amassar.”
“Amassar?” O menino inclinou a cabeça para o lado, visivelmente curioso.
“Sim. As roupas ficam com dobras.” Johan limpou as mãos em um pano de prato e se ajoelhou na frente do sobrinho, apertando a barra do casaco e soltando após alguns segundos. “Assim.”
A barra do casaco estava levemente amarrotada, chamando a atenção do pequeno Richard.
“Eu não quero que minhas roupas fiquem assim! Mamãe diz que é feio!”
“Então tire da mochila e coloque na cama.” O rapaz de cabelos castanhos se controlou para não rir e voltou a ficar em pé, vendo o sobrinho correr em direção ao quarto.
Assim que se virou para se aproximar da pia novamente, Johan percebeu dois olhos azuis o observando com certa curiosidade.
“Você está sem camiseta?” Davi arqueou uma sobrancelha.
“Ah... Deu pra ver quando eu amassei o casaco?”
“Sim.”
“Eu não consegui colocar uma camiseta por causa do meu braço. Dói quando eu ergo.” Johan deu de ombros e abriu um dos armários, procurando uma travessa de vidro para colocar o frango.
“E você está só de casaco?” O policial se aproximou um pouco mais. Havia um sorriso suspeito em seus lábios, mas Johan decidiu ignorar.
“É. Pelo menos o casaco eu consigo colocar.”
Davi chegou mais perto e puxou o zíper do casaco para baixo, em uma velocidade tão grande que Johan não teve tempo de protestar ou impedir que aquilo acontecesse.
Seu abdômen estava de fora e uma súbita onda de constrangimento atingiu sua mente. Eu devo ser milhares de vezes mais magro e menos musculoso que ele. Davi deve estar achando que sou doente.
Os olhos verdes voaram na direção do policial, encontrando-o em silêncio, com o mesmo sorriso suspeito nos lábios e os olhos azuis fixos em seu corpo.
“O que você está fazendo?” A vergonha sumira assim como chegara e Johan arqueara uma sobrancelha, encarando Davi.
“Desculpe, força do hábito.” O policial riu baixo e começou a tirar a desabotoar a camisa social.
“De novo: o que você está fazendo?” Os olhos verdes se arregalaram levemente e Johan pegou o pano de prato para secar as mãos.
“Você provavelmente não tem camisas sociais. Pode pegar a minha, já que não dói para colocar. Posso pegar uma camiseta sua?” Davi retirou a camisa social ali, na cozinha mesmo, e estendeu para Johan.
O rapaz de cabelos castanhos ficou em silêncio. Davi tinha mesmo um corpo de policial. Os músculos estavam nos lugares certos e na quantia certa, deixando-o extremamente atraente. Droga.
“Ahn...” Johan puxou a camisa social com um pouco mais de força que o necessário e passou a mão direita nos cabelos. “É, é. Deve.”
“Deve?” Davi parecia se controlar para não sorrir.
“Tem.”
“Tem?”
Johan respirou fundo e encarou o homem a sua frente.
“Deve ter alguma camiseta que te sirva. Tem umas dentro do meu guarda-roupa, é a primeira porta à esquerda no corredor.” Seu rosto parecia arde e Johan tinha certeza de que estava vermelho. E eu ainda gaguejei dizendo coisas sem sentido. O que está acontecendo comigo?
“Tudo bem, eu vou lá buscar. Coloque a camisa para não pegar um resfriado.”
Deixando-o sozinho em seu constrangimento, Davi caminhou a passos largos até o quarto de Johan.
Pigarreando levemente e retirando o casaco, o rapaz de cabelos castanhos colocou a camisa social, fechando os botões rapidamente. Fica grande em mim... E tem o cheiro da colônia cítrica dele.
“Por que você está sem camisa, tio Davi?” A voz de Richard chamou sua atenção e só então ele se lembrou que mandara o menino para o quarto.
“Você acredita que eu tive que emprestar minha camisa para o seu tio Johan? Ele se sujou com a comida e, como eu sou bonzinho, emprestei minha camisa pra ele.”
“Ele não podia ter vindo buscar uma?”
“É que ele ainda tem que terminar de cozinhar. Eu não sei cozinhar, então não tinha como eu ficar na cozinha. Além disso, é mais fácil vir aqui e escolher uma camiseta. Quer me ajudar a escolher uma?”
“Sim!” Richard parecia pular de felicidade e isso levou uma onda de alivio para o corpo de Johan.
Depois de abotoar a camisa e colocar o casaco novamente, o rapaz de cabelos castanhos voltou sua atenção para a pia, desligando a panela do arroz e colocando frango na travessa. Agora só faltam as batatas.
X
Depois do almoço – que Davi e Richard disseram estar maravilhoso – Johan se sentou no sofá, deixando que o pequeno garoto sentasse em seu colo e Davi se sentasse ao seu lado.
Um desenho qualquer estava passando na televisão e eles o assistiram até que Richard caiu no sono, abraçado no tio, com as pernas no colo do policial.
“Quer que eu o leve para o quarto?” Davi perguntou assim que Johan mudou de canal.
“Não precisa. Daqui a pouco ele vai acordar e eu preciso dar um banho nele.”
“Você não pode dar banho nele.”
“Claro que posso.” Johan arqueou uma sobrancelha e deixou que seus olhares se encontrassem.
Em silêncio, os dois homens permaneceram assim. Mantendo uma troca de olhares significativa.
“Eu realmente pensei que ele era seu ex.” Davi disse por fim, voltando a encostar-se ao sofá e erguendo o rosto para o teto.
“Se tem uma coisa que eu jamais faria, e ainda me pergunto como minha cunhada fez, é namorar o meu irmão.” Johan sorriu e passou a mãos nos cabelos ruivos de Richard. “Ele é simplesmente imprestável.”
“Percebi.”
“O que foi? Você parece estar com ciúmes.” O rapaz de cabelos castanhos sorriu e empurrou Davi com o ombro direito.
“Uhm... Nunca se sabe.” O policial sorriu e retribuiu o empurrão, de leve. “Mas se ele fosse mesmo seu ex e estivesse te obrigando a fazer algo, eu iria interferir. Amigos são para isso certo?”
“Amigos, huh?”
Enquanto o filme continuava passando na TV, os dois homens permaneciam em silêncio, imersos em pensamentos e ideias. Johan se lembrou do sonho. Lembrou do sorriso de Rafael e de como ele o deixara no quarto com as palavras ‘vida medíocre’ martelando em sua mente. Ele tem razão. Se eu não fizer o que quero fazer, minha vida medíocre continuará medíocre. Eu preciso me deixar levar.
“Obrigado Davi.”
“Pelo que?”
“Por estar aqui.”
“Eu não fiz nada demais. Estou ajudando no que posso.”
“Eu sei. Só queria agradecer. Quer sair para almoçar amanhã, antes do seu trabalho?” Johan virou o rosto para o lado, encontrando dois olhos azuis que o encaravam com certa curiosidade.
Deixando que um sorriso aliviado tomasse conta de seu rosto, Davi se inclinou para frente, depositando um cálido beijo na bochecha de Johan.
“Sinto muito, não posso cumprir minha palavra.” Foram suas palavras ao se afastar.
“Palavra?” Johan sentiu seu rosto se aquecer.
“Não vou conseguir ficar sem flertar com você. Acho melhor pararmos com essa ideia de amizade antes que alguém se machuque.”
“Eu ainda quero almoçar com você.” Johan sorriu.
“Mesmo sabendo que eu posso dar em cima de você?” Davi suspirou e cruzou os braços.
“Exatamente por isso.” Seus olhos verdes brilhavam e seu peito estava leve. Eu preciso deixar que meu coração siga o curso que ele quer, seja ele qual for.
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