Love You, Miss You, Mean It

3 S2E3: I Don’t Want This Night to End


A noite já se arrastava madrugada adentro, mas nenhum dos dois parecia disposto a deixá-la acabar. Ethan dirigia sem pressa, uma mão firme no volante e a outra repousando próxima à perna de Hannah, sentindo o calor sutil da pele dela mesmo sem tocá-la diretamente. O rádio tocava uma sequência de músicas que pareciam ter sido escolhidas para aquele momento, e ela cantarolava junto, os olhos brilhando no reflexo do painel.

O vento morno da noite entrava pela janela aberta, bagunçando os cabelos dela, e Ethan achou que poderia passar uma vida inteira assistindo a essa cena. Hannah ria, jogando a cabeça para trás, totalmente entregue à leveza daquela estrada sem destino certo, com a mão deslizando no vento fora da janela, como se pintasse um quadro invisível.

— Você sempre faz isso? — ela perguntou, virando o rosto para ele, os pés descalços sobre o painel.

— O quê? — Ethan lançou um olhar de canto, um sorriso discreto nos lábios.

— Dirigir sem rumo só pra prolongar a noite. — Ela estreitou os olhos, desconfiada.

Ele deu de ombros, soltando uma risada baixa. — Só quando a companhia vale a pena. Aparentemente você não sabe muito sobre mim ainda.

Hannah mordeu o lábio, tentando esconder o sorriso, mas falhando miseravelmente. Então, como se algo a impulsionasse, ela estendeu a mão e aumentou o volume do rádio. A batida da nova música encheu a caminhonete, e antes que Ethan pudesse reagir, ela ergueu os braços, balançando ao ritmo da melodia.

— Ah, essa eu adoro! — exclamou, fechando os olhos por um instante, sentindo a música na pele.

Ethan observou, fascinado, enquanto Hannah se entregava ao momento, cantando cada palavra com a voz doce e despreocupada. Ele sentiu um aperto no peito, aquela sensação estranha de querer congelar o tempo. Como se já soubesse que, quando a manhã chegasse, tudo poderia ser diferente.

— Você canta bem — comentou, a voz rouca, quase relutante em interromper a cena.

— Eu canto alto, o que é diferente — ela corrigiu, levantando o indicador e rindo.

Ethan balançou a cabeça, sorrindo. — Dá na mesma.

A estrada parecia não ter fim, mas a cidade logo começou a surgir no horizonte, as luzes cortando a escuridão. O relógio no painel marcava 3:35 da manhã, e Ethan desejou que os números parassem de avançar.

Hannah percebeu a mudança no clima, as luzes da cidade voltaram a pontilhar o horizonte, o cheiro dos pastos e plantações diminuindo exponencialmente a cada quilometro percorrido. O riso cedeu espaço para um silêncio carregado de algo não dito. Ela puxou as sandálias do chão da caminhonete e as colocou devagar, como se cada segundo fosse precioso.

— Então, é aqui que me deixa? — perguntou, virando-se para ele quando estacionaram em frente à casa dela.

Ethan segurou o volante com mais força do que o necessário, encarando-a por um instante antes de assentir devagar. — Parece que sim.

Ela suspirou, hesitando antes de abrir a porta. — Eu me diverti hoje, Carter.

— Eu também — ele respondeu, a voz mais baixa do que gostaria, mas sem desgrudar os olhos dos olhos dela.

Hannah sorriu, mas havia algo nos olhos dela que fazia Ethan querer puxá-la de volta e dar a partida novamente, só para rodar mais uma hora, talvez duas. Em vez disso, ela se inclinou, os lábios roçando os dele em um beijo que foi ao mesmo tempo breve e cheio de promessas.

— Boa noite, cowboy — sussurrou, antes de sair da caminhonete.

Ethan ficou parado por alguns segundos, observando-a desaparecer pela porta da casa. Só então soltou um suspiro pesado, batucando os dedos no volante antes de engatar a marcha e voltar para a estrada. O rádio ainda tocava, e ele deixou a melodia preencher o silêncio enquanto dirigia sem pressa.

A única coisa que sabia era que não queria que aquela noite terminasse, mas a vida não parava e, em sua mente, já conseguia ouvir o despertador tocando após as poucas horas de sono que teria, isso é, se conseguisse dormir.