Love You, Miss You, Mean It
4 S2E4: Photographs
O campus fervilhava com a energia de um novo dia, o sol filtrando-se pelas árvores altas e projetando sombras longas sobre os corredores de tijolos vermelhos. O gramado central estava pontilhado de estudantes—alguns sentados em círculos, outros apressados entre as aulas, enquanto o som distante de um violão ecoava de algum canto. O cheiro de café recém-passado escapava do prédio da cafeteria, misturando-se com a brisa matinal.
Ethan caminhava sonolento em direção ao vestiário, a mochila pendurada em um dos ombros e o capacete de futebol americano equilibrado na outra mão. Os treinos matinais do time exigiam disciplina, e embora a rotina fosse exaustiva, ele gostava da sensação de pertencimento que o campo lhe dava. O gramado bem cuidado, as arquibancadas vazias àquela hora da manhã, o som dos técnicos e companheiros se preparando—tudo fazia parte do ritual que ele conhecia tão bem.
Enquanto isso, do outro lado do campus, Hannah ajeitava a câmera ao redor do pescoço e conferia suas anotações. Ela estava cobrindo um evento esportivo para o jornal da faculdade, uma tarefa que ajudaria a compor seu portfólio, mas sua verdadeira paixão estava em capturar momentos que transcendiam o óbvio. Expressões genuínas, olhares de tensão antes de um jogo importante, os detalhes esquecidos na pressa do movimento. Isso era o que realmente a fascinava, mas como todo trabalho deve ter um início, o clube de jornalismo pareceu bastante promissor.
Ao chegar ao campo de treino, Hannah encontrou um ponto estratégico na lateral, onde poderia ter uma visão ampla da movimentação dos jogadores. O clique da câmera se misturava aos comandos dos treinadores, ao som das chuteiras afundando na grama e aos gritos motivacionais dos companheiros de time. Quando avistou Ethan, seu olhar permaneceu nele por alguns segundos a mais do que o necessário. Ele parecia em casa ali—o corpo movendo-se com naturalidade, a postura segura, o jeito como sua expressão mudava assim que o jogo começava.
Ethan, por sua vez, notou Hannah observando da lateral do campo. Entre uma jogada e outra, seu olhar a encontrava, e por um instante, ele se perguntou o que ela via através daquela lente. Será que ela o enxergava da mesma forma que ele começava a vê-la? Como algo que valia a pena capturar e guardar?
A manhã passou entre suor, gritos e o barulho intermitente da câmera de Hannah registrando cada detalhe. Quando o treino terminou, Ethan caminhou até onde ela estava, ainda recuperando o fôlego.
— Então, conseguiu boas fotos? — perguntou, apoiando as mãos na cintura.
Hannah ergueu uma sobrancelha e sorriu, balançando a câmera levemente. — Algumas. Mas acho que minha favorita ainda é a do defensor tentando amarrar o cadarço com as luvas de treino.
Ele riu, passando a mão pelo cabelo úmido de suor. — Impressionante. Você consegue encontrar arte até nos detalhes mais idiotas.
Ela inclinou a cabeça e levantou a câmera, observando-o por trás da lente. — Talvez seja porque os detalhes dizem mais do que parecem. Você só precisa saber onde olhar — Clique, um flash ofuscou brevemente os olhos do rapaz.
Ethan continuou a observá-la por um momento: os detalhes da camiseta polo branca com pequenas listras vermelhas, o jeans com rasgos nos joelhos que pareciam ter sobrevivido à algumas boas temporadas, os tênis do tipo “Converse” vermelhos um pouco chamativos demais. Piscou algumas vezes, sentindo algo no peito que não sabia nomear, gravando cada detalhe, como uma fotografia mental. Então, sorriu, balançando a cabeça.
— Quer um café? Acho que merecemos depois dessa manhã.
Hannah fingiu considerar a proposta, levando o dedo indicador ao queixo e olhando para cima, mas a resposta já estava na ponta da língua.
— Desde que seja você quem paga.
Ele soltou uma risada baixa, começando a caminhar ao lado dela pelo campo, enquanto a câmera de Hannah balançava suavemente em seu pescoço, carregando consigo fragmentos daquela manhã—e talvez, algo mais.
(...)
O dia a dia na faculdade logo se tornou uma dança sutil entre o familiar e o inesperado. Ethan e Hannah seguiam suas rotinas, mas agora havia um novo elemento que parecia tornar tudo mais interessante: a presença um do outro. Pela manhã, os corredores fervilhavam com estudantes apressados, copos de café em mãos e mochilas pesadas nos ombros. Ethan caminhava pelo campus com passos largos e despreocupados, cumprimentando colegas do time com acenos de cabeça.
Hannah, por sua vez, se movimentava entre os edifícios da faculdade carregando sua câmera, sempre em busca de um enquadramento perfeito para sua próxima matéria, uma vez que o campus era um mosaico de tijolos avermelhados, gramados bem-cuidados e árvores que começavam a trocar o verde vibrante por tons dourados e avermelhados conforme o outono se aproximava. Ou seja, um ambiente fotográfico perfeito. Seu olhar artístico, porém, ia além das pautas tradicionais, e ela buscava cenas que transmitissem emoções genuínas — risadas espontâneas, olhares distraídos, a energia vibrante dos estudantes no início de um novo capítulo de suas vidas.
Os amigos começaram a notar as sutis mudanças. Durante os intervalos, era comum encontrar Hannah sentada nas arquibancadas enquanto Ethan treinava com o time. O campo de treino ficava nos arredores do campus, cercado por arquibancadas modestas e iluminado por refletores altos que ganhavam vida ao entardecer. O cheiro de grama cortada misturava-se ao suor dos jogadores, e o som das batidas dos capacetes e dos gritos do treinador preenchia o ar. Hannah apareceu por lá algumas vezes para tirar fotos do time para o jornal, mas acabava voltando sua lente, com mais frequência do que gostaria de admitir, para um certo número 84.
Alguns diziam que ela estava apenas cobrindo o esporte para o jornal da faculdade, mas outros trocavam olhares sugestivos, percebendo que sua atenção ia além das lentes da câmera. Os cochichos cresceram quando uma foto de Ethan, capturada por Hannah em um momento de concentração absoluta durante o treino, foi parar na matéria esportiva da semana.
Nos intervalos entre as aulas, a presença de Ethan ao lado de Hannah se tornou frequente. Ele se encostava nas mesinhas do pátio enquanto ela revisava suas fotos, inclinando-se para espiar o que estava na tela. "Você tirou essa quando?", ele perguntou certa vez, surpreso ao se ver em um retrato capturando sua expressão mais natural. "Você se distrai MUITO", ela respondeu com um sorriso brincalhão.
O burburinho entre os amigos só aumentava. “Você anda vendo muito a garota da câmera, hein, Carter?”, provocou um dos jogadores do time enquanto eles trocavam de roupa no vestiário. Ethan apenas deu de ombros, um sorriso de canto surgindo em seus lábios, mas sem dar mais satisfações. Do outro lado, Hannah também não passava despercebida. "Não me diga que você tem um fraco por atletas agora", brincou uma de suas amigas durante um café rápido entre as aulas. Hannah revirou os olhos e reprimiu um sorriso, mas o rubor leve em seu rosto não passou despercebido.
Os dias seguiam esse compasso, uma dança silenciosa entre rotinas que se entrelaçavam. Algumas noites, Ethan e Hannah se encontravam no pequeno café próximo à biblioteca, onde o cheiro de canela e chocolate quente criava um refúgio acolhedor do frio crescente. Outras vezes, simplesmente caminhavam pelo campus depois das aulas, trocando histórias e risadas, sem se preocupar para onde iam. E, aos poucos, sem que nenhum dos dois precisasse dizer em voz alta, ficava claro para todos que o que começara como uma noite de verão sob as estrelas estava se transformando em algo muito maior.
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