Espanha (2005)

O espanhol coçava a cabeça, pensativo. Todo ano, na mesma época, a belga tocava naquele assunto cada vez tendo mais argumentos.

– Mas isto vai contra os mandamentos de Deus... Como ficaria a igreja Católica? – Tentou esboçar o habitual sorriso, apesar da preocupação evidente. — Talvez ocorresse uma nova Inquisição...

– Mas e o amor, Antônio? Corações apaixonados devem padecer escondidos temendo os olhares de discórdia emitidos pela sociedade?

– É verdade.

– Só não basta os tormentos que um apaixonado passa... Como diz Félix Lope de Vega “O apaixonado nunca é feliz; a felicidade é o preço da audácia.”.

– Só sendo você, Aaya... – Ele sorriu vencido. Recolhendo a caneta e trazendo os papéis para mais perto de si, a animação retornava para seu semblante vivido. — Onde assino?