Love Story
220 CSI:Vegas ❥ “— Gil… Minha aliança.”
Notas iniciais
Max foi rebaixada na noite daquele mesmo dia pelo sub-xerife porque ela ligou pro laboratório de Washoe pra saber como eles estavam cuidando do caso Hodges. Mandar o caso pra lá foi justamente para evitar conflito de interesses e o xerife disse que ela estragou tudo. Foi com pesar que ele foi até a sala dela dizer que ela não era mais chefe da criminalística, rebaixada e suspensa com pagamento até tempo indeterminado.
Max quase chorou dizendo que ele não podia fazer aquilo com ela, mas ele disse que as ordens vieram de cima.
Quando ela perguntou de quem, ele só mostrou a foto de Anson Wix na manchete do jornal. Ele fez com que ela fosse rebaixada.
Se antes não era guerra, agora era.
Três semanas se passaram depois disso, e o avanço era lento. Estavam mais próximos do julgamento e mais próximos de serem pegos em flagrante por Wix. Estavam há três semanas revirando o lixo dele, e nada. Já estavam no quadragésimo primeiro dia longe dos filhos e Gil não aguentava mais contar. Tinham prometido que iam se ver na ação de graças, isso tinha que terminar antes. Eles tinham dez dias até lá.
Nesse meio tempo, eles conseguiram um espaço só deles na garagem, pra trabalharem sem atrapalhar ninguém. Gil estava lá dando uma olhada num tablet quando Sara entrou com uma pasta nas mãos cobertas por luvas de látex.
— Janice Woo. Conhece esse nome?- Gil perguntou ao ver a esposa entrar. — A nova testemunha especialista de Wix.
— Será que ela sabe que o último especialista dele explodiu?- Sara colocou a pasta na mesa e pôs-se a tirar as luvas enquanto Gil lia o que estava escrito na matéria.
— “O sr. Wix promete continuar lutando. A srta. Woo, uma artista forense, ajudará a expor a podridão na divisão de criminalistica”. O julgamento começa segunda. É melhor torcer para algo aparecer no lixo de Wix.
Sara balançou a cabeça já sem paciência. Estavam há mais de um mês tentando achar qualquer coisa que incriminasse Wix, tentando manter a calma e a esperança, tentando não se afogar na tristeza por estarem longe das crianças, e mais essa agora: enquanto Sara tirava a última luva, sua aliança caiu no chão.
Ela resmungou ao pegá-la.
— De novo não!- Grissom olhou pra ela, pois já tinha percebido que a aliança dela estava folgada. — Minha aliança está frouxa. Fica caindo quando tiro a luva.- ela então colocou de volta no dedo.
— Já ouviu falar em sanduíche?
Nas últimas semanas ela quase não estava tendo uma alimentação saudável, as vezes até pulava refeições pra continuar focada no trabalho. Muitas vezes nem apetite tinha. Isso o deixava preocupado. Mas brincar com isso enquanto ela estava estressada, não era bom para sua integridade física.
Sara semicerrou os olhos pra ele.
— Você sabe que uma greve de fome não vai ajudar Hodges.
— O estresse também está te afetando. Você sabe disso.- rebateu.
— Pois é.- ele respondeu sem argumentos. — Bom… É a irmã dele, a tal da Anna Wix. Ela faz parte disso, Sara.
Do nada, o celular dela começou a tocar. Ela pegou e mostrou pra ele a tela com o nome do Sub-xerife Wyatt.
— Não atenda.
— Preciso mantê-lo feliz para ele nos dar espaço.- e atendeu na maior simpatia olhando pro marido. — Sub-xerife!- Grissom balançou a cabeça querendo rir. Nem parecia que quase rolou uma discussão uns segundos atrás. — Como podemos ajudar?
O caso era o seguinte: dois caras invadiram a casa de um colecionador peculiar pra roubar, mas ao chegarem lá encontraram um corpo decomposto em gosma no banheiro. Eles mesmos ligaram pra emergência garantindo que não tinha sido eles. Folsom precisava de ajuda na cena e o sub xerife ligou pro casal.
Assim que chegaram, Folsom mostrou a eles um cofre que ele não estava conseguindo abrir e depois foi mostrar a banheira no segundo andar. Tinha gosma nos canos também, então pra conseguir coletar tudo, eles teriam que quebrar as paredes antes que fosse tudo pro esgoto.
O corpo foi dissolvido no ácido e havia uma rachadura circular na parede numa altura muito elevada, como se alguém tivesse batido com força o crânio ali. Mas era a uns dois metros do chão, só se a pessoa tivesse voado. Aquilo era a única coisa que não fazia sentido ainda.
Beleza, teriam que falar com a esposa do dono da casa, ou ex, porque eles estavam em processo de divórcio, então Sara deu a ideia de Folsom ir com Allie falar com ela, enquanto ela e Gil coletavam toda a gosma.
Enquanto isso, enquanto estava “de férias”, Max espionava um possível suspeito, cúmplice de Wix.
Gil e Sara passaram um bom tempo quebrando parede e guardando a gosma em baldes. Era um tira e põe de luva, marretada em parede, furadeira em parede, meleca caindo no chão, e um fedor que mesmo acostumados, era horrível. Terminaram com 15 baldes cheios e assim que juntaram todos e Sara tirou a última luva… cadê a aliança? Quase entrou em pânico.
— Como está seu apetite agora?
— Gil…- ele a olhou e ela mostrou a mão vazia. — Minha aliança.
Ele ficou uns segundos raciocinando que ela perdeu.
— Quando esteve com ela pela última vez?
— Ãhn…
Sara olhou para os baldes e fez uma careta. Grissom suspirou tentando pensar positivo.
— Tá, olha… Hugo vai ter que revirar toda essa gosma de qualquer jeito, então… ele vai achar.
— Uhum.- sua expressão não era muito confiante, e ela passou o dedo onde a aliança ficava. Não costumava ficar sem ela.
— Hey, não se preocupe. Ela está aí dentro, você não perdeu completamente.
— Vou procurar também, junto com Hugo.- comprometeu-se. — Mas e se eu não achar?- agora ela pareceu entrar em pânico mesmo.
— Eu compro outra.- falou despreocupado, afinal, foi sem querer.
— Mas eu quero a minha, amor.
Ele sorriu e foi até ela apoiando as mãos em sua cintura.
— Apego emocional, né?
— É, ela já minha há quase treze anos, não quero outra.
Ele sorriu mais ainda, deu um beijo em sua testa e a abraçou. Aspirou seu cheiro e riu.
— Isso é romântico.
— Perder a aliança?- ela perguntou com o cenho franzido desfazendo o abraço para olhá-lo.
— Não. Ficarmos fedidos juntos.
Sara não aguentou e deu risada.
— Como vou revirar tudo isso também, nem vou tomar banho.
— Não tem problema, eu te amo mesmo assim.
Sara lembrou do jeito que ele a olhou quando voltou de Massachusetts e a encontrou no corredor, toda suja. Mesmo tendo acabado de sair de uma lixeira, ele a olhava com saudade e desejo, então não duvidou que a amasse mesmo cheirando a gente morta.
~ ♥ ~
Voltaram ao laboratório, tiraram os macacões e colocaram as roupas que estavam antes de mexer naquela nojeira. Enquanto os baldes eram levados ao necrotério para Hugo trabalhar, Gil e Sara voltaram pra garagem pra continuarem com o que estavam fazendo antes. Revirar o lixo de Wix.
— Três semanas coletando o lixo do Wix e só descobri que ele é cuidadoso.- comentou Sara. — Parece que ele tentava se proteger de roubo de identidade e não encobrir seus crimes.
— Então, se não há nada nesse lixo, talvez possamos voltar ao nosso trabalho normal?- ele estava doido pra parar de olhar sacos e mais sacos de lixo.
— Allie disse que nos cobriria se eu achasse que estávamos perto. Não tive coragem de contar a ela.
— Que os Wixes gostam de tamales de micro-ondas?- ele falou ao pegar uma embalagem do saco de lixo.
— O julgamento do Hodges será em dois dias. Só queria que houvesse algo mais que pudéssemos fazer além de revirar o lixo do Wix.
— Podemos expandir nossa busca. Nem todos os seus cúmplices eram cuidadosos quanto sua irmã desvirtuada.
— Verdade. Mas, eles estão todos presos ou mortos.
— É. E quanto a nova testemunha especialista dele?- ele pegou o tablet mais uma vez. — A “artista forense”, Janice Woo.- entregou o tablet a ela.
— Acha que ela está envolvida?
— Alguém tinha que forjar as digitais do Hodges.
— Woo é mais qualificada nisso do que os outros foram. Pode ser mais do que só uma testemunha especialista.
— Então… agora mergulhamos no lixo dela.
Mas ela já tinha outra ideia.
— Talvez possamos fazer melhor do que olhar o lixo dela. Talvez possamos contratá-la.
Grissom tirou o óculos laranja que usava e a olhou como se dissesse “meu deus, como você é esperta e gosta de correr perigo!”. Sara sorriu com seu biquinho e tratou de colocar o plano em prática. Mas antes, um banho. Não podia receber a especialista com pequenos vestígios de cheiro de gosma nela, apesar de não dar pra sentir mais.
~ ♥ ~
— Agradeço por ter vindo tão rápido, srta. Woo.
A mulher asiática de longos cabelos escuros estava séria, mas curiosa.
— Admito que fiquei surpresa com o convite.
Sara era uma ótima atriz, fingiu que não era nada demais.
— Na verdade, usamos consultores externos com frequência.
— Não tenho dúvidas. Mas com que frequência eles testemunham contra seus amigos?- ela parecia sacar o que Sara queria, mas a morena sorriu. — Você deve estar ciente.
— Estou sim. É por isso que pensei em você. Não sou uma “ex-artista forense”. Você foi descrita assim no jornal.
— Isso é correto.
— Então, eu tenho um caso que não tem nada a ver com David Hodges. Só precisamos de ajuda para abrir um cofre.- e apontou para o cofre que Folsom não conseguiu abrir na cena. A desculpa perfeita para vê-la forjar uma digital. — Pertencia a uma vítima.
— E é biométrico?- ela pareceu interessada.
— Sim. Enviei a você digitais dele de uma prisão anterior.
— Bem… é fácil duplicar impressões digitais.- ela disse ao vasculhar o computador atrás das digitais que Sara mandou.
— Isso aparece sempre no seu trabalho?- jogou um verde.
Janice não caiu e não respondeu, só sorriu.
— Eu cobro por hora. Acho que quer que eu comece.
— Sim. Se você não se importa, eu gostaria de assistir. Talvez eu aprenda alguma coisa.
Ela não se importou e continuou fechada. Sara a observava enquanto trabalhava, sem levantar suspeitas. Ela refez um dedo numa impressora 3D só com as impressões que Sara mandou pra ela. Mostrou todo o processo a Sara.
— E terminamos com uma borrifada de triglicerídeos.- deu a borrifada e estendeu o dedo a Sara. — Quer fazer as honras?
— Claro.- Sara sorriu, pegou o dedo e colocou na biometria do cofre. E ele abriu. — Exatamente como o real. Você é mágica.
Janice sorriu, guardou suas coisas e foi embora.
~ ♥ ~
Poucas horas depois, no necrotério, Sara, Folsom e Allie estavam com Hugo. Três baldes já tinham ido e nada. Sara olhava o 4 e Allie o 6, enquanto Folsom ia pro 5.
— Nada da aliança ainda?- Hugo perguntou e Sara negou com a cabeça. — Você não é supersticiosa, é?
— Geralmente não.- ela respondeu.
— Quando eu estava com a minha primeira mulher, perdi a minha em um tobogã no Peru. Nos divorciamos três meses depois.
Os três pararam na hora o que estavam fazendo e ficaram olhando pra ele enquanto ele continuava o trabalho. Hugo percebeu o silêncio e viu os olhares pra ele. Allie fez até uma cara de tipo “Qual o seu problema? Por que disso isso? Ela é casada ainda!”, aí ele se tocou do que disse.
— Des-desculpe, e-eu não quis dizer…
— Es-está tudo bem, é… vai… vai aparecer, não vai?
— É, bom…
Allie o interrompeu pra ele não falar mais nenhuma bobagem.
Continuaram procurando evidências até verem Hugo confuso com os ossos. Foram até ele.
— O que foi?
— Tem dois fêmures aqui.
Folsom falou quase lentamente.
— A vítima tinha duas pernas.
Sara e Allie quiseram rir, mas só olharam para Hugo.
— São de tamanhos diferentes. Vocês tiraram mais de uma vítima dos canos.
Ueepaaa! Aí que fica mais interessante, mas não menos difícil.
Anoiteceu um tempo depois e Grissom foi buscar Sara pra irem pro hotel dormir. Com o quadragésimo segundo dia raiando, eles voltaram para o laboratório. Sara voltou pra gosma e Gil presenciou uma cena engraçada.
Anson Wix estava apontando o dedo na cara do sub-xerife, furioso com ele. Não deu pra ouvir, pois estava em uma das salas, mas com sua especialidade em ler lábios, conseguiu entender o que ele disse antes de sair batendo o pé.
“Coloque sua casa em ordem, agora!”
Grissom sorriu. Ah, ele descobriu que a especialista dele os ajudou num caso e estava nervosinho? Interessante.
O sub-xerife suspirou e foi até Grissom atrás de explicações. Gil nem deixou ele começar.
— Deixe-me adivinhar. Quer saber por que chamamos Janice Woo. O sr. Wix está chateado?
— O que diabos está acontecendo?
— Precisávamos de ajuda na duplicação de digitais.
— De quantos especialistas este laboratório precisa?- ele não estava feliz com isso também.
— Mais um, evidentemente.- Gil respondeu, pleno.
— E sua ideia foi recrutar a mulher que vai testemunhar contra o seu amigo??
— Bem, ela é uma especialista em arte forense.
— Bem, se me perguntar, é terrivelmente suspeito.
Grissom levantou, sorriu e disse:
— Eu não perguntei.- e saiu da sala. Maravilhoso haha.
Enquanto isso, Sara continuava na busca pela aliança, já estava no balde 9 e nada. Mas achou um dente. Hugo disse que ela devia procurar Folsom pra ajudá-la a fazer a reconstrução da mordida. Com base nisso, descobriram quem era a segunda vítima e que ele tinha um irmão gêmeo.
Ele não sabia de nada, então suspeitaram da ex mulher da primeira vítima, o dono da casa. A levaram pra interrogatório, mas ela insistia que não tinha sido ela, que ela não teria motivos.
Já era noite, e enquanto assistiam o interrogatório do outro lado do vidro, Sara lembrou o marido.
— Gil, amanhã é o dia do lixo do Wix.
Gil olhou a hora no relógio.
— É, bem, parece que eles dão conta.- referiu-se a Allie e Folsom que estavam dentro da sala com a moça. — Então eu vou lá.
— Não, quer saber? Você fica. Termine isso.- ele a olhou sem entender direito. — Pode ser o nosso último caso.- dito isso, ela saiu da sala.
Ele não estranhou seu comportamento, ela só estava cansada. E nessas três semanas eles não foram pegos nenhuma vez, então, tudo bem ela ir.
Mas não ficou tudo bem.
Enquanto caminhava com um dos sacos para levar pro carro, ele rasgou no meio do caminho. As luzes da casa ainda estavam acessas, então corria o risco dele escutar e sair. Sara tentou colocar o lixo de volta, desesperada olhando pra casa. Foi quando o viu sair com mais lixo. Pegou o que deu e correu pro carro, pra se esconder atrás dele.
Fez careta. Já era, não tinha como se esconder, ele viu o lixo no chão. Então, sem alternativa, ela saiu de trás do carro.
— Olá, Anson.- tentou não demonstrar medo. — Esqueceu alguma coisa aqui?- e mostrou o saco que segurava.
— Deve estar desesperada, remexendo meu lixo. Acho que não deveria estar surpreso.
— Não. Acho que nós dois sabemos com quem estamos lidando.
— Você não vai encontrar nada, Sara.- ele colocou o saco que segurava no chão, confiante.
— Todo criminoso comete erros.
Ele ficou meio bravo e apontou o dedo pra ela
— Isso aí. É isso que eu odeio nos CSI’s. É essa certeza. Essa… Essa crença iludida que se você souber onde olhar e como olhar…- alô deboche, você está sendo usado. —... você vai ver a verdade.
Sara balançou a cabeça.
— Não me fale sobre verdade.
Ele riu.
— Ah é, eu sinto muito. Você é a especialista. Quem sou eu para falar?- Sara ficou séria, sem responder. — Sabe… As pessoas não conseguem digerir o horror desse mundo, então você as alimenta com uma história de uma molécula de cada vez.- ele então começou a andar em sua direção, enquanto falava mais porcarias. — Mas, todas as suas luzes, seus lasers e suas poções, sabe, ninguém no júri entende nada disso. São apenas efeitos especiais para criar uma ilusão de certeza. E é meu trabalho…- Sara riu dessa frase e ele quis interromper seu deboche alterando a voz. — Não! É meu trabalho lutar contra isso com dúvidas, Sara, e é assim que eu ganho!
— Anson.- ela estava de saco cheio daquele papo e quase o mandou calar a boca com essa chamada de nome. — Não haverá dúvidas.- garantiu e levou o lixo dele com ela, sem se importar que ele viu.
Entrou no carro e foi embora, sem ver a expressão raivosa que o deixou. Foi direto pra garagem revirar aquele saco e Gil apareceu lá umas duas horas depois. Ele tinha ido revirar o resto da gosma.
— Ótimo. Mais lixo.- ele disse ao entrar.
— Folsom me disse que prenderam Tammy Shaw há três horas.
— Sim. Eu fui procurar pela cápsula de bala na chance de Tammy Shaw ter ajudado a colocar pistas na cena do crime contra seu cúmplice. Não a encontrei, mas achei…
Sara resolveu contar logo ao marido o que aconteceu e quando ele ia falar o achou — a aliança dela —, Sara falou primeiro.
— Eu encontrei com ele. Wix.
— O que??- Gil paralisou na hora e franziu o cenho. Ele viu ela??
— Foi um acidente.
— Sara!- a repreendeu. Sabia que tinha que ter ido no lugar dela.
— Ele não me disse nada, mas… Talvez quem deixou isso dirá.- mostrou-lhe um pano/lenço manchado de batom.
Gil olhou pra prova relevante que podiam ter, mas estava preocupado com outra coisa.
— Certeza que ele não disse nada? Estava revirando o lixo dele e ele não disse nada?
— Griss…
— Sara, não mente pra mim.- ela suspirou. — Confrontou ele?
— Não…- ele levantou a sobrancelha. — Talvez um pouco, mas…
— Sara, pelo amor de Deus.
— Gil, não tinha saída. O saco rasgou, e meu carro estava parado do lado quando ele saiu com mais lixo pra fora. Não dava pra me esconder ou fugir. E você sabe que eu não fujo de nada.- Gil suspirou assentindo. — Ele debochou de CSI's e da minha cara também.- revirou os olhos. — Tentou me amedrontar ou sei lá.
— Ele te ameaçou de alguma forma?- perguntou temeroso.
— Não, mas… deu pra perceber que ele não gostou de me ver ali.
Grissom suspirou apertando o polegar e o indicador entre os olhos.
— Não se preocupe com isso, eu estou segura.- Sara se aproximou dele e tirou sua mão do rosto apertando a mesma. — Sei que não vai deixar ele chegar perto de mim.
Tentou sorrir pra ele fazer o mesmo, e ele fez, mesmo que bem pouco.
— Eu vou falar com a Max. Ela pode ajudar com isso aqui.- pegou o tal do pano.
— Honey… ela não pode.
— Relaxa. Somos sorrateiros, lembra?- sorriu, deu um selinho nele e saiu já pegando o telefone pra ligar para Maxine.
Max foi pra lá como ela pediu e Sara disse que precisava de sua ajuda com o lenço. Max perguntou como ela sabia que aquele lenço não era de Anna Wix, já que ela morava com ele.
— Você é a geneticista.- sorriu. — Espero que você possa me dizer.
Contou pra ela onde encontrou enquanto a via trabalhar no lenço. Max fez todo o processo e lhe entregou o potinho pronto para análise.
— Você pode até ter resultados antes do julgamento do Hodges começar amanhã. Tenho que sair daqui antes que alguém se lembre que não mando neste laboratório.
Ela se arriscou para ajudá-la.
— Max… obrigada.
Max sorriu e bateu a mão sobre o peito, como se dissesse que Sara já estava ali dentro. Foi fofo.
Sara colocou a amostra que ela lhe deu para análise e voltou para a garagem. Gil olhava para o quadro onde ele tinha colocado umas fotos do banheiro, e olhava especificamente para a rachadura circular sem sentido. Sara parou ao lado dele, só um pouquinho mais a frente.
Como ela não disse nada, ele disse.
— Quantas leis vocês acabaram de violar?
— Algumas.- ela respondeu com as mãos no bolso do jaleco. — Ainda está preso nisso?
— Uma pequena mãe de dois filhos não fez essa marca.- referindo-se a Tammy.
— Não, ela jogou alguém contra a parede. Me pergunto como a cabeça fez o impacto voltar assim.
Grissom a sentiu tensa. Ela estava quase completamente sem esperanças, já que o julgamento era na manhã seguinte. Chegou mais perto dela e lhe fez uma massagem nos ombros.
A ouviu suspirar e a sentiu relaxar um pouco, mas parou ao perceber algo.
Sara estava de olhos fechados curtinho o momento. Adorava quando ele lhe fazia massagens, mas ele parou de repente e ela abriu os olhos, confusa.
— O que foi?- perguntou enquanto ele olhava para o que parecia ser seu colo.
— Seus ombros.- ele disse. Parecia ter entendido aquela marca. — Se você fosse Erik Shaw e isso fosse feito pela parte de trás da sua cabeça, onde estão seus ombros e suas costas?
— Acha que poderia ter sido feito pelo topo da cabeça?
— Talvez. Se ele foi derrubado completamente.
— Devíamos procurar por um assassino com força sobre-humana.
Grissom então sentiu uma luzinha se acender em sua cabeça.
— Não tenho certeza se o assassino era humano.
— Algo me diz que teremos que fazer um experimento.
Grissom sorriu.
— É, mas todos já foram embora. Então devíamos ir também e voltar pela manhã pra fazer. Vou avisar Allie e Folsom.
Sara suspirou. Estava realmente cansada e precisava dormir. Só venceu o cansaço um pouquinho antes pra poder falar com os filhos e saber como foi o dia deles, depois foi direto pra cama.
~ ♥ ~
Era manhã do quadragésimo terceiro dia de investigação e lá estavam os quatro CSI’s juntamente com o sub-xerife e Hugo pra testar a teoria.
E deu certo. O assassino de Erik Shaw estava colocando o ácido na banheira depois de matá-lo, e a composição acabou explodindo jogando-o na parede, daí a rachadura só do topo da cabeça. Com o impacto, o assassino acabou ficando inconsciente e caiu na banheira junto com o outro corpo, dissolvendo-se assim os dois juntos.
— Outra bela confusão em que nos meteu, hein Allie.
Ela riu.
— Então foi um assassinato e uma morte acidental?- indagou o xerife.
— Passamos o tempo todo resolvendo a morte do assassino.- comentou Gil.
— Há uma primeira vez pra tudo.- Sara falou depois o fazendo sorrir.
— Caso encerrado.
— Agora é nos prepararmos para o julgamento daqui poucas horas.
Grissom suspirou com ela.
Allie e Folsom ficaram responsáveis pelos relatórios e o casal foi pro hotel.
~ ♥ ~
Grissom conferia o visual uma última vez no espelho enquanto dava o nó em sua gravata. Felizmente aquela não era a borboleta que ele tanto tinha dificuldade. Ele fez questão de escolher uma com listras azuis só pra combinar com o blazer da esposa.
Sentiu-a se aproximar e a viu parar atrás dele, um lindo reflexo no espelho. Ela acariciou seu braço.
— Está tão bonito!
Ele sorriu.
— Achei que eu fosse sempre.- brincou ele.
— Você é.- ela riu com os olhinhos brilhando. — Deixa eu terminar…
Gil se virou pra ela e Sara deu o último nó na gravata apertando-a certinho na gola do pescoço.
Gil a observava com o olhar e o sorriso bobo. Sempre se encantava com tamanha beleza. Adorava quando ela se vestia pra corte, ficava ainda mais linda de social.
— Prontinho.
— Isso me traz lembranças.
Ela sorriu. Sabia que era um momento no laboratório com uma tal gravata borboleta quando ainda não estavam juntos.
— Vai me dar uma rosa branca no caminho?
Ele quem sorriu dessa vez se aproximando pra lhe dar um beijo. Se ele achasse, daria com certeza.
— E a amostra?- perguntou depois do beijo.
— Deixei a Allie de olho. Ela ficou de me ligar quando saísse o resultado.- Grissom assentiu. — Pronto pra ir?
— Pronto.- sorriu e segurou a mão que ela lhe estendeu.
Saíram do hotel e quando estavam no carro, Jim mandou mensagem para Grissom ao mesmo tempo que Catherine ligou para Sara.
— Oi ruiva.- a morena atendeu no viva voz enquanto dirigia.
— Oi. Soube que o julgamento é daqui a pouco. Como anda o caso?
— Honestamente? Ruim. Sabemos quem é o culpado e não conseguimos provar.
— Anson Wix, não é? Greg me contou. Nunca tinha ouvido falar dele.
— Pois é, e é isso que ele quer mudar.
— De jeito peculiar, eu diria. Que forma melhor de ser conhecido se não se passando por bom moço enquanto comete crimes por baixo dos panos? Inteligente ou apenas um estúpido?
Sara riu de nervoso.
— Tem que ouvir ele falando. Dá vontade de vomitar.
— Eu imagino. Me liga assim que audiência acabar. Daqui não dá pra acompanhar pelo jornal.
— Pode deixar. Dá um beijo nas meninas.
— Tá bom. Até mais.
Sara a ouviu mandar beijinhos pelo telefone e sorriu.
Assim que chegaram, estacionaram o carro e seguiram para a entrada do prédio. Foram interrompidos pelo celular de Sara. Ela parou e atendeu. Tinha tirado o blazer no carro porque estava com calor, ele estava agora pendurado em seu antebraço.
Gil resolveu sentar num dos banquinhos em meio as árvores para esperar ela finalizar a ligação. Isso levou poucos minutos, logo ele levantou.
— A análise que a Max fez na amostra de batom, funcionou.- ela sorriu ao contar isso pra ele. — DNA da boca de duas pessoas. Anson Wix e Janice Woo.
Ele ficou surpreso, mas brincou:
— Não achei que beijar sua perita fosse algo normal.
Ela estava tão compenetrada no caso que nem reagiu a piada.
— Sua cúmplice, talvez. Ai, se fizéssemos ela mudar de lado…
— Seria a bola do jogo.- ele então foi direto ao ponto que queria desde a noite passada e esqueceu. — Falando nisso, achei algo que você estava procurando.- ele colocou a mão no bolso e tirou de lá a aliança dela. — É melhor eu te dar isso antes de passarmos pelo detector de metal.- pegou sua mão esquerda e a colocou em seu devido lugar. Limpinha e brilhante, como estava antes.
Sara levou a mão ao peito, surpresa e emocionada por vê-la de novo. Já tinha achado que realmente a perdeu. Ela ficou sem o que dizer por uns segundos enquanto o olhava.
Ele prestava atenção em cada reação dela. Sara olhava pra aliança em seu dedo de um jeito especial. Lembrou do que ela disse quando percebeu que a perdeu. Que ela não queria outra, queria a dela.
Sara olhou pra ele com um sorriso emocionado e super alegre, tocou o ombro dele com carinho e agradeceu.
— Você não estava tão preocupada assim com a aliança, né?
A voz dela embargou um pouco e ela levou suas mãos até a gravata dele.
— É que…- engoliu a seco e direcionou uma das mãos ao rosto dele. — Pareceu um mau presságio.
Ele demorou pouco para entender, mas nada disse. Sorriu pra ela e colocou a mão em sua cintura, para conduzi-la até a corte. Sara sorriu, feliz e aliviada. Foi só um susto.
Já perto da entrada, ela parou.
— Ah, espera. Meu blazer.- ela ficou de frente pra ela. — Segura aqui minha bolsa, por favor.- ele o fez enquanto a observava vestir a peça azul. Ela não conseguia parar de olhar pra aliança em seu dedo de novo e ele sorriu com isso. — Pronto.- ao reparar no sorriso dele, ela também sorriu. — O que foi?
— Nada, só… achei fofo o jeito como ficou ao tê-la de volta. Eu sabia que era importante pra você, mas não sabia que era tanto assim.
Sara nada disse, apenas levou sua mão esquerda até a esquerda dele e fez um leve carinho em cima da aliança dele.
Aquilo encheu o coração dele de amor, mais do que já tinha, e deu um beijo demorado na testa dela antes de entrarem.
Passaram pelo detector de metal e depois de colocar tudo de volta, Sara logo pegou o celular.
— Só o Hodges mesmo pra chegar tarde no seu próprio julgamento. “Cinco minutos”.
No mesmo momento notaram uma leve discussão entre Janice e Wix. Ele disse algo pra ela e a largou no saguão. Ela parecia desolada.
— Srta. Woo? Tudo bem?
— Aparentemente, não preciso me preocupar com o julgamento.- disse ela, nervosa. — Acabei de ser demitida. Estou fora do caso Hodges.
— Por quê?
— Anson está me substituindo. Acho que está preocupado com a aparência das coisas. E agora ele… terminou comigo.- sua voz embargou e ela pediu licença.
Eles a viram ir embora e se olharam, pasmos.
— Se ela soubesse de alguma coisa, ele não tiraria ela.- Grissom sussurrou.
— Ele a teria matado.
“Estado de Nevada contra David Hodges. Por favor, reporte-se à sala 9” ouviram no alto falante.
— Bem, é isso.- disse Sara. — Estamos sem tempo.
Ambos olharam ao mesmo tempo para onde Wix foi, temerosos.
Enquanto isso, Max e Folsom confrontavam Guillermo Chaves, um cliente de Anson Wix que estava envolvido no ataque a Jim Brass. Ele era o elo entre Wix e um assassino. O cara que Jim matou foi pago por Guillermo. Queriam a ajuda dele para derrubar Wix, e foi isso que Max disse a ele. Guillermo não tinha escolha, pois ela tinha provas contra ele.
Agora o bicho ia pegar.
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