Love Spell
9 Revenge
Notas iniciais
Nesse capítulo vocês irão saber um pouco mais sobre quem são Alexia e Cassandra, seu passado e suas motivações.
Boa leitura!
Enquanto as duas procuravam por Regina, a ruiva misteriosa a estava arrebatando. A morena estava completamente hipnotizada. Com o cajado brilhante, a ruiva secretamente lhe controlava. Ali havia seu coração pulsando, deixando a prefeita completamente entregue, sem fazer a menor ideia do que ocorria.
Cassandra surgiu do mar, aproximando-se da aliada que mantinha Regina praticamente adormecida. Desacordada também, nos braços da bruxa de cabelos barrentos, era possível reconhecer a cabeleira loira de Emma Swan.
– Mas que demora, está quase na hora do ritual. – Alexia esbravejou com Cassandra.
– Acha que essa mocoronga é pouco pesada? Ajude-me logo a colocá-la sobre a pedra. A meia-noite está próxima.
Assim foi feito. Emma foi colocada sobre a pedra, os braços abertos para a lua e as pernas amarradas. Regina mantinha-se em silêncio, sentada na areia ao lado da pedra, encolhida, a cabeça baixa encostando o queixo nos joelhos e os olhos fixos nas águas do mar.
– Por que mesmo precisamos dela? – Cassandra encarava a morena diminuta logo abaixo de si.
– Não é qualquer um que pode matar a salvadora, Cassandra. – Alexia perdia a paciência toda vez que repetia isso. Seria tão mais fácil para ela poder simplesmente destruir Emma com as próprias mãos. – Nem mesmo arrancar seu coração. Por isso tivemos que usar esse seu brinquedinho para controlá-la. Apenas ela... – A ruiva apontou para Regina. – Seu verdadeiro amor, é quem pode matá-la. Irônico, não? – Um sorriso sinistro surgiu nos lábios cor de sangue de Alexia. – Ela deve perder a vida assim que o eclipse da lua de sangue estiver concluído. Não teremos outra chance como essa.
– E por que o desespero quando as viu juntas? Estão aqui agora, não estão? Lado a lado. Você é uma megera idiota. – Cassandra fez uma careta.
– Mas estamos no controle absoluto. Se Regina tocasse em Emma, poderíamos perder o nosso controle. Apenas por ficarem próximas eu já pude sentir a interferência. Se elas se beijassem, seria o fim!
– Por que não me deixa matá-la? – Cassandra mostrou o boneco pendurado à cintura, apertando de leve em seu pescoço e vendo Emma sentir os efeitos do estrangulamento sobre a pedra.
– Você poderia tentar, talvez até tivesse a sorte de conseguir. Mas não adiantaria em nada para o nosso plano. O amor verdadeiro precisa ser o destruidor, afinal.
Flashback – Reino Encantado, a história das bruxas.
Alexia e Cassandra eram duas garotas jovens de uma vila no meio da Floresta Encantada. Elas eram adoradoras da Evil Queen, enquanto todo o seu povo era seguidor leal da Snow White. Por serem primas e filhas únicas em suas famílias, elas passavam muito tempo juntas.
A jovem de longos cabelos castanhos e encaracolados adorava nadar. Cassandra era quase uma sereia, conseguia ficar longos períodos embaixo d’água sem respirar e era a nadadora mais rápida da vila.
Alexia exibia a cabeleira ruiva e encaracolada esvoaçando com o vento enquanto corria. Ela era uma excelente corredora e ganhava de qualquer menino ou homem adulto da sua vila. Passava longas horas correndo em volta do lago enquanto a prima nadava.
Era um dia como qualquer outro na vila, não fosse pela ilustre presença de Snow White. A princesa renegada apareceu ali em busca de abrigo de uma noite e um pouco de comida. A vila toda ficou em festa, com exceção das garotas. A única coisa que elas sabiam era que, se Branca de Neve estava ali, não demoraria para que a guarda real encontrasse seus rastros até a vila, e talvez pudessem realizar o sonho de conhecer sua rainha.
Na manhã seguinte, Snow partiu com o nascer do sol. Não sem antes agradecer imensamente a todos. Ainda demorou certo tempo para que o lugar fosse tomado pela guarda real. Eles invadiram as casas e interrogaram todos ali. Ninguém a delatou.
As meninas queriam contar que a fugitiva esteve ali, mas foram impedidas por seus pais que lhe taparam a boca. E foi então que elas viram a Rainha, pela primeira vez em suas vidas, em todo o seu esplendor sobre o cavalo marrom avermelhado. Regina estava maravilhosa. Os olhos das duas jovens brilharam ao escutar a voz grave da mulher dirigindo-se a todos ali.
– Estou aqui atrás de Snow White. Ela é acusada de roubo, traição e assassinato. Aquele que a delatar terá uma grande recompensa. – Minutos se passaram enquanto todos olhavam a Rainha sem nada dizer. – Ninguém? Pois bem...
A rainha virou-se de costas e deu alguns passos para longe daquelas pessoas miseráveis. Seus guardas a seguiram. Cassandra e Alexia escaparam das mãos de seus pais e correram ao encontro da mulher que tanto adoravam.
– Vossa Majestade, ninguém aqui delatará o paradeiro de Snow White. O que faremos agora? – As meninas se aproximaram por trás do guarda, mas não tiveram chance alguma de falar, pois a voz da rainha se fez presente.
– Matem todos! Sem piedade!
Elas ouviram o suficiente. Alexia segurou a mão da castanha, alguns centímetros menor, por ser dois anos mais nova, e correu. Correu como nunca havia corrido em sua vida, arrastando a garota atrás de si. Ambas ouviam o tinido das espadas, o choro e os gritos vindos da sua vila natal. No lago elas se separaram. Enquanto a ruiva dava a volta correndo no lago, Cassandra o atravessava a nado.
Durante a noite chuvosa, ambas se encontraram em uma caverna onde costumavam brincar quando crianças. Alexia aninhou a prima que chorava nos braços, alisando o cabelo brilhante da garota e lhe sussurrou ao ouvido:
– Elas pagarão! Elas pagarão!
Fim do flashback.
– Um plano brilhante o seu, Alexia. Mas o que fará com essa aqui assim que o ritual terminar? – Ela apontou a morena encolhida com uma cara de nojo.
– Não terá mais serventia. Digamos que a bela prefeita irá realmente se afogar em suas mágoas. – Ela abriu um sorriso perverso e se abaixou, acariciando o rosto de Regina. – O mar vai se encarregar da rainha.
– E então, teremos conseguido tudo o que sempre quisemos! – A castanha abriu um sorriso de dentes enegrecidos para a prima. – E você terá cumprido sua promessa.
Flashback – O passar dos anos.
Alexia e Cassandra caminhavam em meio ao povo de uma nova cidade. Aquela cidade era mais uma em que todos odiavam a rainha e elas estavam bem à vontade quanto a isso. Porém muitos defendiam Snow White e aquilo realmente as incomodava. Não acreditavam mais em nada, em ninguém. A única coisa que sabiam que poderia ajudar em sua vingança era magia negra.
Elas viram uma mulher defender a rainha com unhas e dentes. Em seguida, afirmar ser a própria Regina. Alexia a encarou; era completamente diferente da mulher deslumbrante que ela conhecera alguns anos atrás.
Ela tentou enfeitiçar seus agressores, sem sucesso. E elas ouviram aquele nome. A mulher chamava insistentemente por um nome: Rumplestiltskin. Se havia algo que Alexia sabia quanto a esse nome é que ele era o Senhor das Trevas. Elas tiveram certeza de que aquela era realmente a rainha. Ela agia como uma rainha, sua postura, suas palavras, não eram de uma simples mendiga miserável.
Cassandra cutucou a prima e apontou para o que vinha a seguir. Snow White estava presente. O sangue da ruiva ferveu; sua respiração a queimava por dentro como se houvesse corrido o reino todo sem descanso. Elas perderam as mulheres de vista, mas agora Alexia sabia que a magia negra existia, era forte e poderia realmente ajudá-la em sua vingança.
Em sua jornada, elas encontraram uma mulher de aparência horrível. A bruxa garantiu-lhes que previa o futuro.
– Como iremos acreditar em você? – Cassandra ergueu uma de suas sobrancelhas em direção à outra ruiva.
A mulher estendeu as mãos na direção das duas jovens e de suas palmas abriram-se dois olhos azuis como o da mocinha.
– Estão buscando vingança contra sua rainha. Você quer ver Snow White pagar pelo que aconteceu a vocês. Quer que as duas sejam destruídas.
As primas se olharam, espantadas. Alexia tomou a frente e olhou bem no rosto daquela mulher, desafiando-a.
– Você sabe o que queremos. Então me diga. Como conseguiremos nossa vingança?
– Não será nesta vida. Nem mesmo neste reino. Sua vingança será executada muito longe daqui. Magia. É magia o que querem. Mas é justamente o que vocês não têm. Ainda.
– Explique! – A ruivinha gritou com a mulher.
– Vocês precisam de magia.
– Grande novidade. Agora diga: como a conseguimos? – A castanha revirou os olhos cor de mel.
– Terão de aprender. Terão de roubar os poderes que não possuem. Levará muitos anos até atingirem a rainha.
– Não temos tanto tempo assim. – Alexia estava impaciente com os enigmas da mulher.
– Mas sempre haverá outro fruto de amor verdadeiro.
Aquelas foram as últimas palavras da mulher antes de desaparecer na floresta entre as árvores. As duas passaram um bom tempo refletindo, sem entender o que significava aquele “fruto do amor verdadeiro”, caminhando em uma floresta fechada, até que encontraram uma casa de doces.
– Alexia, estou com fome. – A castanha gemeu.
– Fique aqui. Sei que uma bruxa mora aí. Se você for comigo, vai comer algo e será nosso fim. Eu sei o que fazer. – A ruiva beijou a testa da prima e a deixou a sós, entrando na casa.
Minutos depois ela saiu do lugar, vitoriosa. Trazia em mãos um livro de feitiços. Daquele primeiro livro, elas perceberam que conseguiam absorver magia com facilidade e aprender os truques. E foi assim em todos os lugares pelos quais passavam. Onde houvesse uma bruxa, elas usavam os poderes que copiaram das anteriores para conquistar mais, enquanto ouviam histórias pelos reinos aos quais passavam.
– A rainha. Regina é filha da Rainha dos Corações. Se nós conseguirmos os seus segredos e os da mãe, seremos poderosas, poderemos desafiar Rumplestiltskin e matá-lo. Seremos invencíveis! Seremos as rainhas de todos esses reinos! – Os olhos azuis de Alexia tinham uma sombra negra de obcessão e poder que era a mesma vista nas orbes cor de mel de Cassandra.
As primas só não contavam com a maldição da rainha para estragar seus planos. Por vinte e oito longos anos elas estiveram presas à ilha afastada da cidade, sem magia e com suas memórias intactas. Cassandra era a única que conseguia atravessar o mar a nado, graças às suas habilidades, até a pedra para buscar informações. Com a chegada de Emma Swan, a maldição se quebrou e Alexia passou a poder sair também da ilha com ajuda da magia. Descobrir que a Salvadora era a filha de Snow White e Prince Charming, tornando-a o fruto de um amor verdadeiro, o ser mágico mais poderoso dali e que essa mesma pessoa havia conquistado o coração da rainha a fez reformular sua vingança e saber exatamente o que fazer para obter o êxito. Elas esperaram outros longos quinze anos pela lua de sangue, quando conseguiriam executá-la.
Fim do Flashback.
Elas aguardaram alguns minutos mais. Então Alexia olhou para a lua que começava a ficar avermelhada no céu e se virou para Regina. Ela deu a ordem para que a prefeita se levantasse e subisse na pedra onde estava o corpo imóvel de Emma Swan.
Com a proximidade, a morena começou a oferecer uma certa resistência. Parecia que tocar na loira realmente dava interferência no controle que Alexia tinha sobre ela, mesmo estando com seu coração nas mãos.
A ruiva insistiu com Regina e ela se posicionou sobre Emma, sentando sobre a barriga da loira e, lentamente, sua mão entrou à esquerda no peito da loira e ela tocou o coração pulsante da Salvadora. Os olhos da ruiva brilharam com a imagem e então ela deu a ordem final.
– MATE-A! – Alexia gritou com satisfação.
– NÃO! – Alexia e Cassandra se viraram para ver de quem era a voz que ousava interrompê-las.
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