Love Spell
4 Delusion
Notas iniciais
Regina está agindo muito diferente que o de costume, isso está revoltando as pessoas por quem ela passa. Ela se refugia na praia e pede pela ajuda de alguém. Quem será? Será que a rainha está mesmo fora do seu juízo perfeito?
Espero que gostem. Boa leitura! xD
Regina saiu às ruas de Storybrooke, por onde a prefeita passava em seu deslumbrante ar de felicidade e com suas peças, que eram de um tamanho e transparência jamais vistos por ninguém sendo usada por ela ali na cidade, a morena causava um estranhamento muito grande. Para não falar na revolta.
Aquele era o sétimo dia de luto decretado por David e Mary Margareth aos cidadãos, com uma falsa aprovação da prefeita que, desde o dia da morte de Emma, não havia mais dado às caras na prefeitura. Aos poucos os moradores haviam voltado às suas funções rotineiras e suas roupas usuais, com apenas uma faixa negra simbolizando o luto, mas muitos deles ainda usavam o preto como único tom de suas vestes.
Snow foi uma das pessoas pelas quais ela passou cantarolando em suas vestes brancas e esvoaçantes, uma rua antes de chegar à praia. Ver a antiga nora daquela forma foi ainda pior do que se Regina estivesse esmagando seu coração. Era como se a rainha pisoteasse os seus sentimentos pela filha morta. O modo como Regina nem mesmo olhou em sua cara, era como se não desse a mínima para nada, além de si mesma.
Foi a gota d’água para a princesa. Aquilo fez com que Mary perdesse completamente a eterna paciência que tinha e partisse para cima de Regina, chamando atenção de todos ao redor.
– Sua bruxa! Ela não significou nada para você. NADA!
Snow chorava furiosamente e, a milímetros de alcançar os cabelos negros de Regina, foi puxada para trás por David, agarrado à cintura da esposa, que esperneou e quase conseguiu se libertar.
– Olhe para mim! Tudo não passou de uma vingança, não é? Todo esse tempo, você pretendia se livrar da minha filha.
As pessoas começaram a se aglomerar, em busca de informações, tentando acompanhar o desenrolar daquela gritaria. Foi preciso um David revoltado, porém com a cabeça no lugar, e um Leroy com uma força de vontade gigantesca para deter a fúria da princesa do Reino Encantado.
O que mais os irritou, no entanto, foi que Regina seguiu seu caminho cantarolando, em nenhum momento diminuiu a velocidade de seus passos. Ela nem mesmo olhou para trás, como se estivesse alheia a tudo o que acontecia à sua volta. Realmente os ignorando. Mais do que isso, agindo como se só houvesse ela naquela cidade. Assim que notaram, a rainha já havia desaparecido atrás da última esquina que dava para a praia.
Assim que seus pés tocaram a areia, a prefeita respirou fundo, sentindo a brisa do mar, e sorriu abertamente. Tirou os chinelos e voltou a caminhar naquela mesma direção. Outra vez de forma automática. Sua mente estava leve, cheia de luz, sabia exatamente o caminho ao qual estava percorrendo.
A rainha parou diante da pedra. O sol reluzia na água espumada das ondas. O lugar estava calmo, ela olhou ao redor, como sempre fazia, evitando possíveis testemunhas do seu encontro. A rua onde ficavam os bares era mais distante, estava calma, tinha mais movimento durante a noite e era praticamente impossível vê-la de lá no escuro. A vegetação que havia ao redor da pedra era uma excelente camuflagem. Apenas da praia era possível avistá-la. Mas isso também possibilitaria que ela visse o enxerido que a bisbilhotava.
Ela encarou a enorme pedra, seus olhos emitiam um chamado silencioso. Havia um pingo de ansiedade em sua postura, algo em torno de uma esperança sem fundamento. Ela atirou uma concha na pedra, que se quebrou em duas com um pequeno estrondo. E, sobre a pedra, surgiu a figura da mulher que Regina tanto ansiava em ver. O sorriso no rosto da prefeita foi instantâneo ao perceber que seu chamado foi atendido.
A loira se equilibrava nos calcanhares de um jeito divertido, com os braços estendidos, como se a qualquer momento fosse alçar voo, fazendo graça para sua visitante.
– Então, você está aí. – Ela disse e, sorrindo, pulou para o chão de areia da praia, diante de Regina.
– Pensei que não fosse aparecer dessa vez. – A morena a encarava, não conseguia tirar o sorriso bobo de seu rosto.
Emma se aproximou dela e ambas ficaram alguns minutos se encarando. Era quase uma marca registrada delas, os longos minutos que passavam apenas se encarando. Foi a loira quem desfez aquele transe, abrindo um sorriso sapeca e passando a poucos centímetros de Regina. A prefeita sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo, sentiu seu coração bater mais forte, como há muitos dias não sentia. Era quase como se Regina não tivesse mais seu coração dentro do próprio peito.
A morena ansiava tocar a amada, porém seu medo era maior de que, se tentasse, ela simplesmente evaporasse em pleno ar, ou então sua consciência a alertasse de que ela estava falando com um espírito. Não, ela preferia ficar na loucura a ser tirada de perto da loira pela racionalidade.
– Você precisa me ajudar a convencê-los de que devem me deixar seguir em frente. – Ela girou o corpo para poder ver outra vez os olhos verdes.
– Desculpe, não sei do que você está falando. – A loira deu de ombros, divertindo-se com a aparente confusão de sua amiga. Tornou a abrir os braços para equilibrar-se, agora na ponta dos pés, brincando com a própria sombra.
– Emma, não fique de brincadeiras agora. Eu estou falando sério. – Os olhos castanhos se estreitaram e um bico de birra surgiu nos lábios volumosos da prefeita. – Eles nunca aceitarão a Alexia se você não me ajudar.
A loira apenas sorria e continuava com suas gracinhas. Regina revirou os olhos por um instante, agora notava que as antigas manias da esposa eram bem menos detestáveis do que esta nova Emma diante dela, cuja essência parecia pertencer a uma criança de oito anos.
A morena continuou se queixando, contando fatos sobre pessoas e lugares que Emma parecia não dar à mínima. Ou mesmo conhecer. Aquilo desanimou imensamente a prefeita. Ela lembrou-se da primeira vez que encontrou Emma naquela praia, três dias depois de seu funeral. A rainha não sabia, mas aquela era a segunda vez que estava com Emma, e não a terceira, como imaginava.
Flashback — Destino
Regina caminhava pela praia, era a terceira vez que ia até lá, sempre naquele mesmo horário, em busca da mesma pessoa à qual nem mesmo se recordava muito bem. Viu um corpo estirado sobre a famosa Pedra do Desconhecido e subiu até lá para ver melhor. Quase morreu de susto ao se deparar com Emma Swan.
– Oi. – Foi tudo o que a loira disse. Sentou-se na pedra e observou Regina, com a cabeça levemente inclinada, um rostinho angelical que fez com que a morena se arrepiasse.
– Em... Emma! – A prefeita pensou em pular para cima da loira e abraçá-la, mas foi impedida por algo muito forte, vindo de dentro de sua mente, que lhe dizia para não se aproximar da xerife.
Alexia havia se aproximado, a mulher de cabelos ruivos fincou o cajado na areia e observou as duas. Regina imediatamente congelou-se no lugar, desviando o olhar entre as duas mulheres. Emma parecia uma criança grande que se distraía por qualquer coisa, totalmente alheia à situação em que a prefeita se encontrava.
– Desça daí, querida. É melhor que não fique muito junto com essa... Esse ser. – A voz da ruiva era suave em direção à rainha.
– Alexia, é a Emma. Você pode vê-la? – Os olhos de Regina enchiam-se com lágrimas que estavam quase a se derramar, quando a voz da bruxa soou estridente.
– A salvadora está morta. Esse ser é apenas uma ilusão. – Alexia bateu o cajado novamente contra a areia. O redomo na ponta do cajado, que brilhava com intensidade, foi diminuindo o seu brilho até um vermelho fraco, assim que Regina obedeceu e desceu da pedra. – Ótimo! Você é uma boa garota, devo dizer. – A morena aproximou-se dela e os dedos frios e pálidos da ruiva contornaram seu rosto. – Agora me conte: o que descobriu hoje?
Quando Regina olhou para trás, Emma havia sumido. Aquilo só reforçou sua ideia de que havia mesmo visto um espírito.
Fim do flashback.
Ela tornou a olhar a loira, ainda brincando com a própria sombra e estranhou o fato de ver aquele vulto negro abaixo dos pés de botas marrons. Emma estava vestida exatamente com a mesma roupa com a qual morreu.
Regina começou a notar que, apesar da sujeira, não havia marcas de escoriações nas vestes da loira. Nem mesmo marcas de esfolados em parte alguma de seu corpo, o que não fazia muito sentido com a morte à qual Emma havia sofrido. Algo gritou em sua cabeça que ela estava delirando e Regina afastou as ideias ao balançá-la de um lado para o outro.
Alguns metros distantes dali, sem que as duas notassem, um olhar sombrio surgiu sobre o mar. O rosto, parcialmente escondido pela água, observava as duas com atenção. Os cabelos castanhos molhados pareciam barrentos e os olhos cor de mel pareciam não gostar nem um pouco do que viam.
Notas finais
Beijão!!
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