Love RB

9 "Eu prefiro a segunda opção"


Notas iniciais
IMPORTANTE! LOL Passa-se o seguinte eu fiz mal os cálculos e não consigo escrever a história só em dez capítulos, ou seja, vou ter de o fazer em mais. Não sei quantos mais, mas vou tentar não me estender muito!
Vimo-nos lá em baixo!
Muito obrigada a todos os reviews, eu costumo responder, mas com as frequências não tive tempo.
E como hoje é dia 14 de Fevereiro. Feliz Halloween a todos! :)

Rachel gostava de conseguir controlar o seu sistema nervoso, mas a coisa estava realmente complicada. A morena sentia um friozinho na barriga que delatava a breve chegada de Quinn ao seu apartamento. Ao ouvir um carro a apitar lá em baixo, foi à janela e fez sinal com a mão para que Quinn subisse. Largou a manta em que estava enrolada no sofá, e ajeitou a camisola de fato de treino que tinha vestida enquanto se mal dizia por não ter vestido alguma coisa mais bonito, mas o frio consumia-a e só o facto de estar sem a manta já a fazia tremer. Esperou que a porta do elevador se abrisse e de lá saísse uma Quinn com um sorriso envergonhado. Ao chegar perto da morena, ela encostou-se na porta e fez uma vénia a brincar para que Quinn passasse. Disseram “olá” uma à outra e Quinn foi rapidamente direita à manta que viu em cima do sofá e pousou-a por cima dos ombros de Rachel. A morena sorriu com o gesto e sentiu-se pequenina ao notar a preocupação de Quinn.

- Onde posso pousar isto? – disse Quinn com o saco do jantar na mão.

- Na cozinha, anda! – respondeu Rachel enquanto fazia um gesto com a cabeça para que Quinn a acompanhasse até à cozinha. Já na cozinha elas pousaram o jantar e Rachel sentiu o cheiro delicioso que emanava das caixinhas que Quinn ia pousando em cima da mesa. – O que é? Cheia bem pelo menos. – e numa atitude de brincadeira sorriu e deitou a língua de fora.

- Vais deliciar-te, e depois quero ver essas piadinhas quando tiveres de admitir que eu sou uma excelente cozinheira.

- Ah não foi o Mass que fez? – disse a morena enquanto gargalhava.

- Se tiver mau foi. – respondeu a loira acompanhando-a.

As duas prepararam tudo e começaram a comer enquanto conversavam.

- E sentes-te melhor? – disse Quinn enquanto olhava para Rachel com um sorriso amoroso no rosto. A morena reparou e corou.

- Oh, eu tenho alguma fé de que amanhã seja o derradeiro dia. As minhas gripes normalmente duram dois dias e depois passam.

- Não tens tempo para estar doente? – disse Quinn fazendo Rachel rir.

- Desta vez tenho. Pedi mais esta semana para fica em casa. Quando vi que estava a adoecer expliquei e eles disseram que eu podia ficar mais esta semana, a minha substituta dá conta do recado. Eu acho que ela até agradece. – respondeu a morena simpática.

- Rachel, isso não te incomoda? Quero dizer, eu tinha ideia que tu preferias mil vezes ser a protagonista a deixar outra ser por ti… eu não estou a dizer que tu…

- Quinn, eu estou a perceber o que estás a dizer.

- É que já não falas da Broadway como se fosse uma coisa maravilhosa. – explicou-se Quinn.

- Porque não é. Eu nunca pensei dizer isto em voz alta, mas ultimamente estou cansada deste tipo de vida. Estar em cima do palco e cantar, é sem dúvida o meu lugar no mundo, mas o ambiente, o tipo de pessoas, as mentalidades, as incompatibilidades, o meu cansaço mental…

- Queres uma coisa diferente, nova. É isso?

- Quero cantar para um público que vá lá para me ver. Que não lhes interesse o conteúdo ou o nome que o musical tenha, que não lhes interesse somente poder dizer aos amigos que “fui ver o Spring Awakening e trata de uma história blá, blá, blá”… sabes? Eu quero cantar para alguém que diga aos amigos “eu fui ver a Rachel Berry! E ela foi maravilhosa”, eu sei que é um bocado convencido da minha parte, ou até demasiado auto-centrado, mas estou cansada de ser uma figurante enquanto sou protagonista. Ao inicio eu gostei, mas agora… eu nem sei bem.

- Mas tu sabias que um palco da Broadway vale mais do que um nome, não sabias? Quando tu ouves falar de mulheres como a Barbra Streisand, Liza Minelli, Julie Andrews, Idina Menzel, Patti LuPone, tu sabias que essas senhoras por muito maravilhosas que sejam, os seus nomes vêm colados a grandes personagens. Umas agarram oportunidades e fazem carreiras a solo, outras vão ficar eternamente ligadas a uma peça, a uma história, a uma personagem. A questão aqui é, o que é que tu queres para ti? Porque se for um nome desses, tu tens a vida toda pela frente, e oportunidades não te irão faltar.

- Eu não sei Quinn. Olha para mim, eu não tenho nada! Eu tenho uma Wendla Bergman que me faz viver uma vida paralela, mas essa vida conseguiu tornar-se a minha vida e deixou de ser paralela, entendes? Eu não me consigo explicar melhor.

- A Wendla morre no fim da peça.

- Eu morro todos os dias. – disse Rachel enquanto baixava a cabeça. Quinn sentiu o peito apertar de uma forma sufocante.

- Então não pode ser. Tens de fazer alguma coisa por isso Rach. Gostavas de gravar um disco, por exemplo?

- Gostava de cantar para um público que me fosse ver. Não interessa se fiel ou não, sabes? Podiam ser pessoas diferentes todos os dias, mas que estivessem lá por mim e que me comentassem a mim, e… isto é tão egocêntrico, eu sei disso… mas é a única coisa que me resta Quinn. A minha voz é a minha imagem, é a minha alma, é a única coisa que eu tenho para dar.

- Posso ser honesta contigo e tu não te chateias comigo?

- Claro.

- Eu acho que o que te falta é uma vida social, e isso tem algum impacto na tua visão sobre o teu trabalho.

- Eu sei. Mas ainda assim, eu não gosto daquele ambiente. Quando me pagam o ordenado no fim do mês, eu fico com a sensação que aquele é um trabalho qualquer e que deixou de me dar prazer em fazê-lo. Eu não sei explicar isto. Se calhar nem é pela generalização de opiniões e por aquilo que nós estávamos a falar, se calhar é mesmo só porque é aquilo.

- Admito que tenho alguma pena, tu és sem dúvida a melhor performance daquela peça. Nenhum deles te chega aos calcanhares.

- Eu sei. – rir Rachel. Quinn acompanhou-a.

- Pois eu sei que sabes! – e agora foi Quinn que gargalhou.

- Eu não quero deixar de cantar, eu só quero que me dê gosto fazê-lo. Eu admito que a última coisa que eu tenho é vontade de voltar para a semana. – Quinn ia responder, mas Rachel continuou por cima dela. – E nem é pelo dinheiro, porque nestes 5 anos eu já ganhei dinheiro suficiente para me sustentar o resto da vida, é mesmo pela falta que me faz ter um objectivo, eu não gosto de viver ao sabor do vento.

- Eu percebo isso do objectivo. – disse Quinn com um ligeiro rubor que fez Rachel derreter.

- Vez? Ao menos tu tens um objectivo… eu afinal já sirvo para alguma coisa. – disse Rachel enquanto punha um ar autoritário brincalhão. Quinn ficou parada a olhar para ela com um sorriso doce, e a morena rapidamente voltou a corar. – É verdade, eu esqueci-me de te perguntar uma coisa. Para haver um casamento, é preciso haver testemunhas, certo?

- Segura-te! – disse Quinn acompanhada de uma gargalhada. Rachel olhou para ela com ar de medo. – Brittany e Santana.

- Espera, espera… repete lá?! – disse a morena assustada.

- Sim, é isso mesmo que ouviste! Brittana no seu mais puro estado de bebedeira. – Rachel desatou a rir à gargalhada de uma maneira descontrolada. Quinn ficou surpresa com aquela reacção.

- Tu estás a dizer-me que a Santana Lopez é minha madrinha de casamento? – e gargalhou novamente, mas desta vez Quinn acompanhou-a. – E ela sabe disso, né?

- Foi ela que me contou.

- E ela… como é que eu hei-de perguntar isto?!... ela… ela reagiu bem ao saber disso?

- Ela estava, ao que parece, relativamente sóbria.

- Como assim?

- Ela aguenta bem o álcool.

- Ela estava sóbria quando nós fizemos isso? E não nos impediu? – disse Rachel confusa. Quinn borrou o sorriso que tinha na cara.

- Ela diz que acreditou que nós queríamos mesmo aquilo.

- Não, ela queria é ter alguma coisa com o que gozar. Mas chegar ao ponto de nos deixar ir com a ideia para a frente, e inclusive assinar como testemunha, isso é estranho para mim.

- É a Santana, a Santana é estranha. – O silêncio apoderou-se do local, mas só estava a ser desconfortável para Quinn, que tinha mal interpretado as palavras de Rachel. Rachel por seu lado, estava concentrada na ideia de Santana estar sóbria, mas de repente sorriu ao perceber que lhe passava pela cabeça agradecer à latina quando a voltasse a ver, ainda que fosse noutra vida. Esse pensamento fê-la sentir-se novamente em descontrolo do que sentia e abandonou-o. Quinn quebrou o silêncio. – É verdade, e o Kurt? Tu ias contar-me no outro dia… ele e o Karovsky.

- Ah sim, sim… então foi assim… — Rachel contou pormenorizadamente a história de Kurt e Dave, e assim se seguiu a noite das duas. Entre conversas e gargalhadas elas acabaram de jantar e passaram mais algum tempo a conversar.

- Bom Rach, eu não vou abusar mais da tua boa vontade, vou andando. – disse Quinn após ajudar a morena a arrumar a cozinha. A loira abriu a mala e tirou de lá um papel e uma caneta, e apontou o seu número de telefone pousando-o em cima da bancada da cozinha. – Este é o meu número pessoal, qualquer coisa que precises, sabes que é só dizer. – e sorriu amável.

- Obrigada. – respondeu a morena um bocadinho nervosa. – Obrigada pelo jantar. – disse Rachel enquanto a acompanhava à porta.

- Obrigada eu pela companhia. – respondeu Quinn com um sorriso brilhante. Nenhuma das duas sabia como despedir-se, mas Rachel com alguma coragem abraçou Quinn rapidamente. A loira surpreendeu-se e suspirou. Rachel sorriu com aquela reacção da loira e Quinn não perdeu a oportunidade de inspirar bem fundo na esperança de ficar com o perfume da morena pelo resto da noite. Para Quinn estava a ser difícil manter as lágrimas afastadas do rosto, mas uma delas caiu e ela separou-se de Rachel, baixou a cabeça e saiu em direcção ao elevador. Rachel mais uma vez percebeu aquela reacção, mas novamente, nada disse.

Após Quinn ir embora, a morena ficou a noite inteira a tentar adormecer, mas amanheceu e ela continuava a pensar no que queria fazer em relação a Quinn. Rachel sabia que tinham de conversar sobre isso, sabia que Quinn queria mais dela do que uma simples amizade, e honestamente, ela sabia que Quinn tinha conseguido captar a sua atenção as quase 24 horas do dia. Não conseguiu fechar os olhos, e aquela era uma rotina à qual Rachel não estava habituada, ficava até tarde a falar com AS, mas só uma vez é que fez uma directa, e foi porque estava distraída. Quinn Fabray estava a tirar-lhe o sono, e ela não se podia queixar, porque tudo o que a loira a fazia sentir, eram coisas boas e novas. Eram quase oito da manhã quando conseguiu pegar no sono, eliminava então a tal directa, afinal ela estava a ficar era com os horários trocados.

Quinn acordou no dia seguinte e ligou o computador. Sentiu-se estúpida ao notar que só o ligara na esperança de falar com Rachel, afinal, ela não podia cansar a morena. Rachel não estava online e a loira não resistiu em deixar-lhe uma mensagem privada.

“Bom dia! Espero que este seja mesmo o derradeiro dia da tua gripe. Hoje tenho uma sessão marcada que deve acabar quase de madrugada, já não te vou apanhar por aqui, mas só te deixo esta mensagem para te relembrar que se precisares de alguma coisa, eu estou sempre disponível para ti. Beijinho Rachel. Q”

Eram oito da noite quando Rachel abriu os olhos, o corpo todo estava dorido e ela estranhou. A garganta já não lhe doía e a cabeça também não, isso era um bom sinal, embora ainda tivesse relativamente congestionada, já respirava bem. Olhou para as horas e deu um salto da cama.

- 12 horas? Eu dormi 12 horas? Tu és louca Rachel Berry! Não posso, não posso, não posso. Os meus horários vão ficar trocados. Não posso! Que horror! Banhooo!

Após ter divagado sozinha, entrou no banho e sentiu um alivio por todo o corpo. Ela estava realmente a precisar de relaxar. Pensou em Quinn, na noite anterior, nas conversas, nas gargalhadas e no que a loira a fazia sentir. Sentiu que o medo tinha de ser ultrapassado e decidiu que pelo menos ia tentar, e que tentar não custa. Despachou-se e eram nove da noite quando Rachel estava com um prato de comida na mão e o computador no colo. Abriu o facebook e leu a mensagem de Quinn. Sentiu-se desiludida ao pensar que a loira não ia passar a noite a falar com ela, no entanto, não lhe respondeu por ali. Pegou no telefone e enviou a resposta a Quinn.

- Desculpa, só acordei agora. :$ Eu sei que é estranho. Já estou melhor. Boa sessão. R-

Quinn sentiu o telefone vibrar no seu bolso e largou a câmara por dois segundos para ler a mensagem. As modelos ainda estavam a preparar-se para a próxima rodada o que possibilitou a Quinn abrir um sorriso enorme ao receber aquela mensagem e respondê-la.

- Fico tão feliz que estejas melhor. Dormiste desde ontem à noite até agora? Isso não é sintoma de melhoras. Q-

Rachel abriu um sorriso gigante ao receber a resposta imediata de Quinn.

- Dormi desde as oito da manhã até às oito da noite! :) R-

- Ah, deitaste-te tarde… ou cedo, depende do ponto de vista. Eu ainda tenho mais cinco rodadas de fotografias, deve ser por essa hora que me despacho. Obrigada por me mandares mensagem, fico tão lisonjeada de receber uma mensagem de uma estrela da Broadway, mas prometo que fico ainda mais porque és tu. :P Q-

- Bah! Nunca mais te conto nada! Lol Boa sessão, senão nem depois de amanhã sais daí. Beijinho Quinn. R-

- Beijinho para ti Rach, obrigada. Q-

E assim se passou o resto do dia e da madrugada, com Quinn ocupada mas feliz pela mensagem, e com Rachel cheia de vontade de voltar a vê-la ou falar com ela. A morena queria mesmo poder controlar aquilo que tinha despertado dentro de si em relação a Quinn. Mas não conseguia.

Eram cerca das onze e meia da manhã quando Rachel chegou ao restaurante. Esteve cerca de 10 minutos parada à porta, não sabia se devia entrar ou não, e distraiu-se com o nome do restaurante. Entrou e John ia dizer-lhe que estavam fechados quando a reconheceu. Sorriu e amavelmente a cumprimentou. Rachel perguntou por Quinn e John disse que a loira não estava e que não sabia como seria a sua vida hoje, mas acompanhou Rachel até à cozinha onde encontrou Massimo a cortar legumes enquanto assobiava. A figura daquele senhor com o chapéu típico de um chefe de cozinha, fê-la sorrir.

- Bambina! Que surpresa! – disse Mass enquanto limpava as mãos e abria os braços para dar um apertado abraço a Rachel, que se surpreendeu mas adorou a recepção. Não era todos os dias que sentia o carinho de pessoas comuns que não fossem seus fãs.

- Olá Mass! Desculpe incomodá-lo mas eu vim para ver a Quinn e ela não está e então…

- Espera! – interrompeu ele. – Primeiro, tratas-me por tu, segundo, nunca me incomodas, terceiro, este é o teu restaurante não tens de pedir desculpa de nada. Ah… — disse ele antes de a deixar interrompê-lo. – E quarto, posso ligar-lhe e ela mete-se aqui num instante.

- Não, não. Não é preciso. Posso conversar um bocadinho contigo? – perguntou a morena envergonhada.

- Claro bambina! – respondeu Mass feliz e entusiasmado.

- Não te atrapalho?

- Nada! Eu consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

- Posso? – Rachel apontou para a bancada de inox com o intuito de se sentar. Massimo deu uma estridente gargalhada e acenou com a cabeça em consentimento. A morena sentou-se na bancada e olhou para ele curiosa. – O que foi?

- Tu podes tudo aqui dentro, mas eu estava a rir-me porque a Quinn todos os dias se senta aí, e eu nunca percebi a tara que as mulheres têm por essa bancada. Não que alguma mais do que ela, e agora tu, se tenha sentado aí, mas é divertido. – Rachel baixou a cabeça e esboçou um sorriso muito corado. – Então conta lá…

- Oh, eu só estava aborrecida em casa e pensei em vir aqui ter. Não sei bem porquê admito… eu… não sei. – Massimo sempre a deixara à vontade, mas a morena não tinha a certeza se devia falar acerca de Quinn com ele.

- Pergunta-me que eu respondo. – disse ele com um sorriso.

- O quê?

- O que queres perguntar. – a morena ficou a olhar para Mass que tinha os olhos postos nos legumes e um sorriso engraçado. Ficou alguns segundos naquela situação até que ele olhou para ela de lado de modo brincalhão, e isso transmitiu alguma segurança a Rachel, estranhamente.

- Eu não vou acabar com o coração partido? É que pode ser um dano permanente. E se eu nunca mais me recomponho? – e aquela era a Rachel Berry de quem Quinn Fabray lhe havia falado. A menina obcecada nas consequências que os seus actos ou os actos de terceiros podiam trazer. Rachel não se sentia aquela menina há muito tempo, mas ali, naquela situação, ela tinha de pensar nela.

- Depende do que é para ti um coração partido. Se a pergunta fosse: ela alguma vez me vai deixar? Ou ela alguma vez vai deixar de gostar de mim? Eu respondia-te com segurança, quanto ao coração partido, a vida dá muitas voltas, e muitas delas nós não conseguimos controlar e são contra a nossa vontade.

- E o que responderias tu a essas outras duas perguntas?

- Não a ambas! Ela nunca te vai deixar, e ela nunca vai deixar de gostar de ti. Faças tu o que fizeres. Eu arrisco a dizer que a única que pode sair com o coração partido de forma permanente desta história, é ela. – Rachel não respondeu e baixou a cabeça. – Ela fez de ti o seu objectivo de vida, ela respira-te Rachel. Espera! – disse Mass enquanto voltava a limpar as mãos e a abrir uma gaveta pequenina no canto da cozinha. Tirou da gaveta um livro e entregou-o a Rachel. – Ela que nunca saiba que eu te mostrei isto! – disse ele brincalhão.

— É melhor eu não ver então. – disse ela com um sorriso.

- Oh, vá lá… não é como se alguém fosse morrer. – Rachel abriu o livro e percebeu que era um livro de receitas, mas ao desfolhá-lo deu-se conta que naquele livrinho não haviam só receitas, haviam montanhas de textos e de apontamentos, havia uma lista interminável de “razões pelas quais eu amo a Rachel”, e as lágrimas começaram a aparecer quando Rachel se deu conta de que nenhuma das razões eram razões banais, aquelas que qualquer namorado seu diria, aquelas eram razões inteligentes, razões pormenorizadas. Conforme as páginas iam sendo viradas, haviam pequenas ilustrações, às vezes desenhos, outras vezes fotos da morena nos cantos das páginas. Rachel estava completamente sem palavras e Mass parou de cortar legumes para se encostar à bancada de inox em que Rachel estava sentada e rodeá-la num abraço. Quando a morena sentiu os braços do senhor mais velho, deixou-se soluçar e chorar como tinha vontade de fazer. Mass sorriu para si mesmo ao perceber que aquele tinha sido o empurrão que faltava para que Rachel tomasse a decisão correcta.

Passada uma hora de todas aquelas emoções, Mass e Rachel continuavam a conversar enquanto ele começava a preparar alguns pedidos que chegavam, ainda era relativamente cedo mas o restaurante já tinha aberto para o almoço. O fluxo de gente à hora de almoço era sempre menor do que a hora de jantar e Mass pediu a Rachel que lhe fizesse companhia mais um bocadinho e que inclusive almoçasse por lá. Rachel aceitou sem saber que o que o homem queria, era fazer tempo para Quinn entrar pela porta e ter a melhor surpresa que lhe podiam dar.

E assim foi, Rachel e Massimo estavam a rir-se duma piada que o senhor tinha dito quando Quinn entrou com um ar cansado pela porta da cozinha. Quando a loira pousou os olhos em Rachel o seu olhar iluminou-se e a morena sorriu ao perceber isso. Todo o cansaço que Quinn tinha em cima desaparecera com aquela sensação de felicidade que a inundou. Mass não disse nada e só apreciou o momento. Quinn andou timidamente até Rachel e a morena abraçou-a levemente, a loira fechou os olhos nesse momento para não perder nenhuma sensação e quando se separaram o sorriso de Rachel desapareceu e deu lugar a um olhar preocupado que surpreendeu Quinn.

- Tens um ar cansado, dormiste pouco? – perguntou a morena.

- Cheguei agora do estúdio. – Quinn riu e respondeu divertida. Mass revirou os olhos e Quinn foi até ele e depositou-lhe um beijo sonoro na cara.

- Só agora? – Rachel ficou surpresa com a resposta, mas derretida com o cumprimento dos dois. – Isso faz-te mal.

- Tinha mesmo de acabar aquela sessão, se não o fizesse assim não tinha o fim de semana livre, e custa-me muito mais ir para lá ao fim de semana.

- Bambina, ao menos comeste alguma coisa? E quando eu digo alguma coisa eu não falo em fruta, eu falo em COMER! – disse ele enquanto gritava a ultima palavra. Quinn riu e Rachel olhou para ela séria enquanto concordava com Massimo.

- Comi uma salada…

- Menos mal. – disse Rachel baixinho, mas Mass franziu o sobrolho desconfiado.

- …de frutas. – concluiu Quinn com uma gargalhada.

- Quem não te conheça que te compre. – disse Mass enquanto ignorava a loira. Rachel achou graça aquela expressão e riu-se com Quinn. Passados alguns segundos Rachel percebeu que Quinn estava abraçada a si própria, inconscientemente, e a olhar para ela com um sorriso terno. Mass também reparou e decidiu dar o último empurrão para que aquilo desenvolvesse. – Bambina, sabes o que fazias bem? – disse ele para Quinn. – Fazias o almoço lá em cima para vocês as duas e sempre estavam mais confortáveis. Aqui há muito fumo, e duvido que vocês estejam com vontade de ir para o molho das pessoas que este restaurante hoje tem. Que raio aconteceu nesta cidade que hoje decidiu tudo vir aqui parar? Vá! Deixem-me trabalhar que depois ainda me despedem e dizem que eu me distraí e não fiz o comer a tempo. Vai cozinhar para tua casa, e leva a tua m… , leva a Rachel contigo! – Mass queria muito dizer daquela maneira, mas achou que era demasiado forçado e corrigiu. Rachel gargalhou para espanto de Quinn, e a loira pousou as mãos nas costas da morena, e indicou-lhe o caminho pela porta das traseiras que dava para a rua. Perto da porta das traseiras exista a porta do prédio, o apartamento de Quinn situava-se por cima do restaurante e tinha as mesmas dimensões que ele. Rachel subiu as escadas após Quinn abrir a porta e entraram as duas no amplo apartamento de Quinn. Rachel surpreendeu-se com o tamanho e a decoração moderna que ele tinha. Quinn fez o favor de lhe mostrar toda a casa, primeiro mostrou-lhe a sala, depois a cozinha (e não poupou o comentário de ser a sua parte favorita da casa), depois o quarto de hospedes, chegou ao escritório e Rachel ficou completamente muda ao ver a quantidade de álbuns fotográficos que existiam nas prateleiras, as paredes inteiras estavam forradas de prateleiras com álbuns, e cada álbum tinha um tema diferente. Eram álbuns grossos, se Rachel os abrisse, colado à capa no interior cada um tinha uma bolsinha onde estava guardado o cartão de memória onde habitavam aquelas fotos em formato digital, mas Quinn revelava tudo. Notou numa esquina do escritório que duas estantes inteiras tinham o titulo RB e uma estrela à frente. A loira notou o olhar espantando de Rachel e rapidamente disse o nome da peça que Rachel representava, o que fez a morena sorrir em entendimento. O escritório estava dividido por uma parede de pladur, como já tinha sido mencionado, mas em cada divisão havia uma porta fechada. Rachel assumiu que uma delas seria uma casa de banho e a outra talvez um quarto de vestir, mas Quinn mostrou a primeira porta e Rachel ficou surpresa ao vez um laboratório de revelação de fotos. Quinn tinha gosto em revelar fotos manualmente e passava algumas horas a fazê-lo. A outra porta despertou automaticamente curiosidade em Rachel, mas Quinn tremeu ao abri-la e a morena notou. Quando entraram naquele espaço Rachel ficou completamente muda. Era uma sala à prova de som, não era muito grande mas tinha espaço suficiente para cantar e dançar, além do mais, havia um piano e uma guitarra ao canto da sala. Quinn quis justificar-se e dizer qualquer coisa que quebrasse o silêncio de Rachel, mas quando ia falar, a morena levantou a mão e não a deixou dizer nada. Quando chegaram à porta do quarto principal, Quinn teve mesmo de dizer alguma coisa.

- Eu não sei se é boa ideia. – disse a loira nervosa.

- O quê?

- Entrares aqui. Eu não quero que tu fujas ou alguma coisa do género.

- Eu não fugi até agora, não me parece que vá fazê-lo. – disse a morena com um sorriso sincero.

Entraram no quarto de Quinn e Rachel viu a enorme cama de casal mesmo à sua frente, aquele era um quarto enorme mas muito bem decorado, no entanto, quando Rachel subiu o olhar e se deparou um quadro gigante na parede em frente à cama com uma fotografia sua, o chão fugiu-lhe debaixo dos pés. Quinn ficou tão nervosa que passou direita à porta da casa de banho e abriu-a para Rachel a ver. A morena não conseguia tirar os olhos daquela fotografia, o que a impressionava não era o quadro nem o seu tamanho, mas sim a fotografia em si. Aquela era sem dúvida a fotografia mais bonita que ela tinha visto dela própria. Quinn tinha-se esmerado. Foi até à loira e viu a casa de banho rapidamente, era enorme também, tinha um lavatório duplo, uma banheira de hidromassagem e um polibã moderno com portas de madeira, e no fundo habitava o jacuzzi de tamanho médio. Voltaram para o quarto e Rachel caminhou até ao quarto de vestir sem deixar Quinn ir à frente. A loira estava no fundo a rezar para que Rachel não reparasse, mas Rachel reparou. Um lado do quarto de vestir estava completamente completo com roupa, sapatos, acessórios, entre outras coisas, de Quinn, as portas eram de correr e tinham puxadores personalizados, na parte completa o puxador era em formato de película e na outra parte, de igual tamanho mas absolutamente vazia, o puxador era uma estrela. Quinn quis levá-la dali para fora rapidamente e Rachel percebeu isso, mas em vez de ir com a loira, a morena soltou uma sonora gargalhada que deixou Quinn confusa.

- Tenho duas coisas para te dizer para já… primeira: respira. Segunda: vai fazer o almoço que eu quero ficar aqui um bocadinho a olhar para este quadro. – disse Rachel enquanto se sentava nos pés da cama a olhar para a sua fotografia. Quinn respirou fundo, sorriu e riu-se.

- Isso não é um bocado egocêntrico da tua parte? – disse a loira divertida.

- Com uma fotografia como esta, até eu me apaixonava por mim própria.

- O que me vale é que tu com os anos ganhaste sentido de humor.

- Olha lá… — Rachel não respondeu aquela provocação. — … como é que tu consegues dormir com isto virado para ti toda a noite? Eu não conseguia, intimidava-me!

- Não faz mal.

- Não faz mal o quê?

- Se eu tiver de escolher entre dormir ou ficar a olhar para “isso”, como tu lhe chamas, eu prefiro a segunda opção. – Quinn sorriu sincera e abandonou o quarto e uma morena corada com aquela resposta. Sentada aos pés da cama de Quinn e com aquela realidade a envolvê-la, Rachel levou as mãos à cara e apeteceu-lhe chorar. Mas chorar de felicidade. Pela primeira vez em cinco anos, ela não se sentia sozinha, mas principalmente, pela primeira vez em cinco anos, Rachel sentiu-se em casa.

Notas finais
Não desesperem! Eu PROMETO, e o prometido é devido que no próximo capitulo elas se entendem!
Obrigada por lerem, e eu mais uma vez volto a referir que reviews são importantes e fazem bem à pele! Acima de tudo são motivadores, e é só disso que eu preciso neste momento, MOTIVAÇÃO! Aproveitem para me motivar que eu tenho 1 semana de férias a partir do dia de hoje!
Ah, só mais uma coisa PARABÉNS FABERRY SHIPPERS! Somos realmente um EXÉRCITO! Nem o E!online nos escapa!
Beijinhos a todos, e até breve.
Twitter: @RChe