Notas iniciais
Olá gente! Ora aqui está mais um. No entanto quero deixar aqui claro um ponto importante: isto não é uma história dramática na sua integridade, ou seja, isto é muito mais um romance. Sim, eu podia usar muito drama, que está na moda hoje em dia, mas não o vou fazer pois não tenho espaço para ele nos 10 capitulos que tem esta ideia. Talvez num futuro eu escreva uma desse género.
(Aqui entre nós, eu sou 8 ou 80, se é para ter drama é para ter MUITO, se não é só tem um bocadinho bem como o romance!)
Fico feliz pelas poucas pessoas que lêem esta história tenham gostado. Espero que apareçam mais entretanto, senão, eu escrevo na mesma!
Beijinhos a todos!

Saiu do teatro com a sensação de que Rachel estava particularmente dramática naquele dia, no entanto, o coração de Quinn estava apertado por ter notado uma ponta de tristeza e desconcentração na diva. Após atravessar a porta de saída do teatro e já cá fora, parou e olhou para trás. Aquele era o primeiro dia de todos os que lá foi que ela sentia coragem para pedir para falar com Rachel, no entanto não o fez. Quinn foi para o restaurante com um semblante preocupado mas também desiludido consigo própria.

Por seu lado, Rachel Berry estava sentada no sofá do seu camarim, hoje aquele espaço parecia-lhe mais pequeno, mas não porque ela se sentisse apertada, senão pelo facto de as lágrimas que se formavam nos seus olhos lhe davam uma visão mais desfocada da sala. Na noite anterior tinha sido informada pelo seu amigo Kurt que estava casada, mas pior do que estar casada, era estar casada com alguém que ela além de não ver há cinco anos tão pouco tinha qualquer relação de amizade. O pranto que ela tinha evitado até então soltou-se e ela não o segurou mais, deixou as lágrimas caírem pelo seu rosto e permitiu-se o luxo de pensar que tudo aquilo poderia ser um pesadelo. Passados alguns minutos pegou no telefone e ligou a Kurt.

- Kurt? – disse a morena com voz de choro ao notar que o amigo lhe atendera o telefone.

- Ah olá darling! Estás bem? Noto-te uma voz estranha.

- Sim, estou bem, mas preciso de te perguntar uma coisa.

- Diz, diz.

- Tu tens mesmo a certeza daquilo que me disseste ontem?

- Qual parte? Do casamento?

- Sim. Diz-me que não tens a certeza.

- Infelizmente tenho a certeza. Aliás, eu achei que tu sabias, é muito estranho que tu estejas casada com alguém e após 5 anos não o saibas ainda. Mas que raio? E porque é que a Quinn não te contou?

- Achas que ela sabe?

- Claro que sabe. Achas que não sabe? Vai na volta também ninguém lhe contou. – disse Kurt pensativo.

- Achas mesmo que a Quinn Fabray não quereria logo anular isto? Há maneira de ela o ter feito sem precisar que eu assine alguma coisa?

- Não Rach, lamentavelmente não me parece nada saudável que sonhes tão alto. Vai na volta ela também não sabe.

- Tu não tens nenhum contacto dela?

- Não, eu só tenho contacto contigo e com a Mercedes. Talvez a Mercedes tenha, a Quinn viveu em casa dela na época do secundário.

- Envia-me uma mensagem com o número da Mercedes, podes?

- Sim claro. Posso fazer mais alguma coisa para ajudar? É que sinto-me tão estranho com toda esta situação. Nunca me passou pela cabeça que não soubesses.

- Está tudo bem Kurt, não te preocupes, manda-me só o número.

- Mal desligue envio logo.

- Obrigada, beijinho.

- Adeus darling. Liga-me se precisares de mim.

Aquela era uma situação que poderia ser publicada como notícia nos casos insólitos de um jornal internacional. Era absolutamente surreal como ninguém lhe tinha falado em nada disso. Mas se Rachel parasse para pensar ela não tinha qualquer ligação com nenhum dos seus ex-colegas do Glee Club. Arrumou as suas coisas e foi para casa, quando chegasse ao seu apartamento ligaria a Mercedes, ela nem sequer se importava com o facto de já ser tarde.

Quinn entrou no restaurante pela porta das traseiras, porta essa que dava directamente para a cozinha. Não estava nada animada e Massimo notou isso. A loira sentou-se numa das enormes bancadas de inox enquanto Massimo cozinhava os pedidos dos clientes.

- Estás bem? Não vens muito animada.

- Ela estava desconcentrada hoje. Foi estranho.

- A bambina é humana Quinn, é normal que existam dias em que ela não esteja a 100%.

- Não Mass, ela estava triste. Notava-se no olhar dela.

- Isso é paranóia tua. Porque é que não perguntaste? Continuas a fugir dela como se fosse policia atrás de ladrão. – disse Massimo enquanto limpava as bordas de um prato perfeito.

- Hoje quase que o fiz. Juro-te, se houve dia em que me apeteceu falar com ela, foi hoje! Mas ia ser estranho.

- Devias tê-lo feito.

- Sim, e dizia o quê? “olá Rachel vi que estavas triste e depois de 5 anos apareci para te consolar?” – Quinn usou o tom de ironia.

- Olha Quinn, assim nunca vais conseguir nada.

- Não me digas. – disse ela sarcástica.

- Tens de te aproximar dela algum dia, e esse dia vai ser sempre estranho.

- Eu só não sei como.

- O que é que tu pretendes?

- Como assim?

- Tu queres ser romântica ou directa?

- Depende das circunstâncias.

- Oh bambina! Que confusão! Olha, eu vou só à despensa buscar verduras e já continuamos esta conversa.

- Bah! Estou feita em pó.

Enquanto isso Rachel entra no seu apartamento e pousa a sua mala no bengaleiro. Dirige-se ao quarto e despe-se, veste o pijama e enrola-se com uma manta no sofá. A morena hesita em telefonar a Mercedes, mas acaba por fazê-lo.

Mercedes fica extremamente surpreendida com o telefonema de Rachel, as duas ficam a conversar durante uma hora e meia e Rachel quase que se esquece do motivo que a levou a ligar à ex-colega. No entanto Mercedes pergunta-lhe por Quinn e é então que a morena se recorda de lhe pedir um contacto da loira. Mercedes fica chocada e talvez um pouco assustada quando a morena lhe conta que não sabia da existência de um suposto casamento, e a diva acaba por contar-lhe que Santana e Brittany foram as madrinhas. É então que Rachel pensa que nada podia piorar. A sua antiga colega não tem qualquer contacto de Quinn a não ser o de sua casa em Lima. Rachel pede que ela lho dê de modo a que através dele ela possa conseguir algum contacto actual da loira. Mercedes acaba por dar o contacto da casa de Quinn em Lima e após mais uns minutos de conversa ambas desligam. Rachel decide que no dia seguinte tentará contactar alguém que a possa informar do número actual da loira e permite-se por uma noite tentar esquecer essa informação. A morena é uma pessoa actualizada e que adora o contacto com os fãs, na realidade ela respira o contacto com os fãs. É extremamente importante para ela o feedback das pessoas que acompanham a sua, ainda curta, carreira na Broadway. Todos os dias a morena se conecta nas mais famosas redes sociais, o twitter e o facebook, e essa noite não foi excepção. Rachel pousou o seu computador portátil no colo por cima da manta e escreveu um novo estado no seu facebook.

“Hoje eu posso afirmar com segurança que a biografia que eu tinha em mente escrever está adiada por tempo indefinido. Afinal existem sempre coisas que eu não sei, e ao que parece coisas importantes. Uma boa noite a todos.”

Após ter publicado esse estado, a morena teve a ideia de procurar por Quinn Fabray no facebook, embora tivesse prometido esquecer o assunto por uma noite era-lhe completamente impossível. Apareceram-lhe algumas Quinn mas nenhuma delas a que Rachel procurava.

Enquanto isso Massimo volta da despensa com um sorriso gigante no rosto.

- Admirador Secreto! Ou admiradora neste caso.

- Hã?

- É isso que tu ouviste! Torna-te uma figura secreta mas importante na vida dela. – disse Massimo entusiasmado, modéstia a parte aquela tinha sido a sua ideia de génio da noite.

- Mas como assim?

- Oh Quinn, tu não vês filmes? Não lês livros?

- Mas assim tipo enviar flores anónimas uma vez ou outra?

- Tu vais todos os dias ao teatro, não perdes uma única peça, tens de ser rebuscada. Sei lá, envia flores sim, mas todos os dias, e cada dia um tipo de flores diferentes. Escreve um cartão, tu és muito boa com palavras.

- E como é que isso me faz aproximar-me dela?

- Oh meu deus.

- Não Mass, eu envio, eu tenho todo o gosto em fazê-lo, mas ela deve receber flores todos os dias.

- Ou não. Se calhar não recebe. Tu não sabes.

- Espera! – disse Quinn enquanto esboçava um enorme sorriso. – O facebook e o twitter!

- Modernices! – a cara de Massimo de entediado era um poema. – mas pronto, usa isso também. Mas sê criativa, não quero que a bambina ache que afinal casou com uma pessoa básica, isso não é verdade. Poderia! Mas não é! – e agora o sorriso de Massimo era de ternura. Quinn estava a magicar mil e uma maneiras de se aproximar de Rachel através do mistério e não se permitiu esperar nem mais um segundo.

- Fechas o restaurante?

- Onde vais?

- Vou à internet! Preciso de começar por algum lado.

- Eu estava a pensar que começavas amanhã, ou adiavas mais 5 anos… sei lá! – disse Massimo com o seu acento italiano.

- Oh vá, vou embora. – Quinn deu um abraço a Massimo e saiu do restaurante para subir até ao seu apartamento.

Quando entrou em casa nem se despiu para vestir o pijama, simplesmente se sentou no computador e foi directamente ao facebook. Quinn não tinha uma página do facebook, já o restaurante sim tinha, no entanto a loira criou uma nova página à qual deu o nome de “A.S”. Mal ela sabia da importância que aquelas siglas iam ter na vida de Rachel.

Após a criação do novo perfil, perfil esse que a loira preencheu com alguma informação misteriosa e algumas das suas mais bonitas fotografias de Nova Iorque que eram pessoais e não de domínio publico, Quinn foi directamente à Página de Rachel e clicou no “like” que lhe deu total acesso para comentar como todos os outros fãs. O estado da morena não lhe passou despercebido e a loira sentiu-se próxima daquelas palavras como se tudo indicasse que tinham a ver com a situação delas. Pela mente de Quinn passou a hipótese de Kurt ter contado a Rachel naquele dia, mas a loira não queria entrar em desespero e decidiu calmamente formular um comentário.

“O que era a vida sem um bocadinho de mistério? Não tinha graça nenhuma. Afinal não são descobertas aquilo que tu representas todos os dias? É fácil quando somos jovens, quando o somos gostamos de surpresas, mistérios para desvendar, cartas para escrever e guardar em caixinhas e enterrar no jardim como se fossem um tesouro, assim como nos filmes, sabes? Mas depois crescemos, esquecemos os tesouros e tratamos de tentar controlar tudo à nossa volta, isso torna-nos mais fortes, será que torna? Ou é somente uma ideia errada que criamos à volta da segurança que queremos alcançar? As surpresas que a vida nos trás deixam de ser recebidas “de braços abertos” e passam a ser recebidas com “sete pedras na mão”, porque podem vir abalar a nossa comodidade, porque nós adultos gostamos de ter tudo controlado, não nos permitimos uma coisa básica à qual qualquer ser humano devia ter como dever… viver! Eu vivo todas as noites, talvez não viva à segunda-feira, e só por isso todos os meus dias valem a pena. Com Amor, A.S”

Se Quinn parasse para pensar sabia perfeitamente que não teria coragem para publicar aquele comentário. Então não o fez, simplesmente pulsou o botão do Enter e automaticamente já não podia fazer mais nada. Um friozinho da barriga apoderou-se dela. A loira esperou cerca de uma hora e meia antes de desligar o facebook, ela sabia que aquela página era a página de fãs, mas que Rachel teria certamente uma página pessoal associada àquela, tentou procurá-la mas não sabia como fazê-lo, embora ela lesse o facebook todos os dias não estava familiarizada com as funcionalidades da rede social, mas após uma hora e meia ela já tinha mais ou menos uma ideia de como tudo funcionava. Foi dormir quando o cansaço a derrotou.

Eram quase duas da manhã quando Rachel termina de ver o filme que passava na televisão, a morena tinha o computador ligado em cima da mesinha da sala e a página aberta no facebook. Ela tinha-se despedido dos seus fãs quando escreveu o seu estado, mas porque sabia que ia ver um filme e ia acabar por, das duas uma, adormecer ou terminar tarde. Decidiu desligar o computador mas antes a curiosidade pelas respostas dos seus fãs ao seu estado venceu-a. Rachel abriu os 58 comentários que tinha e todos eles eram palavras de apoio ou perguntas simpáticas, à excepção de um. Havia um comentário consideravelmente comprido que lhe chamou a atenção. Perdeu dois minutos para o ler e foi inundada com uma sensação de estranhamente boa. Aquele era um comentário inteligente, tão inteligente que a deixava particularmente lisonjeada. Rachel esboçou um sorriso de “orelha a orelha” e respirou fundo. Há muito tempo que um fã não a deixava tão feliz, ou talvez não se destacasse. Consumida pela curiosidade abriu o perfil desse fã e deparou-se com um conjunto de fotografias da cidade onde vivia, mas aquelas não eram fotografias normais, aquelas eram visões inspiradas de uma cidade profunda. Eram absolutamente magnificas e Rachel ficou encantada. Era muito raro Rachel dar-se a conhecer no seu íntimo no facebook, todos sabem que as redes sociais são uma via que a imprensa utiliza como ratoeira de noticias, mas ela estava tão bem impressionada que permitiu-se adicionar aquela personagem ao seu perfil pessoal. Após ter enviado o pedido de amizade, Rachel notou que aquele perfil tinha sido criado no próprio dia, isso desagradou-a. No entanto, pensou um minuto sobre isso e chegou à conclusão de que se algo estivesse errado ela poderia sempre eliminá-lo.

Voltou à sua página de fãs e respondeu algumas perguntas e alguns elogios, após essas respostas decidiu elaborar qualquer coisa especial para aquele comentário que a tinha feito ganhar a noite.

“A.S, essa é uma visão romântica ou realista? É que quase diria que conseguiu ser um pouco das duas. E já agora, é aplicável ou só teoria? Será fácil viver assim despreocupadamente quando a vida nos trás surpresas insólitas? Um monte de perguntas rondam a minha cabeça, mas a coisa mais importante que eu retiro do teu comentário é o facto de ele me ter feito sorrir! Obrigada por isso. RB”

Notas finais
Espero que tenham gostado. Beijo e até à próxima!
Twitter: R_Che