Love Portal

17 Final 1- By your side, is such a heavenly way to..


Notas iniciais
CONSEGUI.
Cara. CARA. Eu estava numa crise... na verdade, ainda estou. Mas dei um jeito de escrever essa capítulo. Terminei às quatro da manhã, mas estava com sono pra revisar, por isso estou postando só agora.
Desculpa mesmo pela demora, eu juro que estava me batendo todos os dias que passavam e eu não postava .-.
Bom, como estou em crise, só consegui escrever esse primeiro final '-' Eu queria postar os dois juntos, mas como já estou atrasado demais, vou colocar só esse e depois faço o outro, ok?
Tem uma música nesse capítulo, um trecho dela é o título... pra quem conhece já está óbvio o que vai acontecer, mas vai, vocês já esperavam u_u De qualquer jeito, vou colocar um link pra ela quando o nome for citado.
E para nossa alegria, ou não... TEM LEMON o/ Pequeno, mas tem.
Eu não ia colocar isso também, mas dane-se :)
Boa leitura!

Eu e Frank continuamos parados por vários segundos. Bem, era compreensível, afinal aquela visão era ligeiramente... inacreditável.

Então o bolo não era uma mentira, afinal?

Olhei para os lados, mas não havia câmeras em nenhum lugar à vista, e GLaDOS não se pronunciou. No silêncio do choque, minha respiração e a de Frank pareciam bem altas. Finalmente, ele se virou para mim.

— O que... o que devemos fazer?

Eu franzi a testa. Só Deus sabe o quanto nós estávamos com fome, e só Deus saberia quando conseguiríamos sair dali... o problema era que aquilo era tão obviamente uma armadilha que já devíamos ter recuado faz tempo. Mas por outro lado... era tão óbvio que talvez não fosse uma armadilha. Isso faz sentido?

Suspirei e fitei o bolo, a luz da vela sobre ele iluminando o cômodo fracamente. Bem, nós poderíamos... talvez...

Subitamente, empurrei Frank um pouco para o lado e joguei um portal em qualquer lugar naquela sala. Eu não conseguia ver se as paredes eram próprias para isso, mas contei com a sorte; e me dei bem. Um portal azul foi fabricado no lado direito, à uma distância razoável do bolo. Sorrindo, virei-me e atirei um portal laranja atrás de nós. Se a porta se fechasse, teríamos como sair de lá.

— Acho que isso quer dizer que vamos entrar, né? — Frank murmurou, preocupado, mas com uma sombra de sorriso.

Assenti e fui um passo à frente, logo vendo que Frank se colocara ao meu lado. Não era hora para ninguém estar na frente ou atrás.

Caminhamos cuidadosamente até o centro do cômodo, desviando das prateleiras com aquelas esferas estranhas e indo lentamente até o bolo, lindo, convidativo. De repente, percebi que havia um Cubo de Companhia ali perto e sorri. A porta atrás de nós permaneceu aberta.

Ao chegarmos, hesitamos. O próprio bolo poderia ser o problema. Poderia estar lotado de veneno...

Frank me cutucou e apontou para a ponta de uma das prateleiras, que continha uma bem trabalhada teia de aranha. Por um momento não entendi o que ele quis dizer, pois seu rosto ficara bem aflito. Pensei que ele só estivesse com medo da grande e magra aranha que estava ali, lembrando-me repentinamente de que ele tinha fobia delas. Mas assim que pensei em ir matá-la, percebi que ele olhara para o bolo. O medo o calou momentaneamente, o que fez com que eu tivesse de ser o tradutor dos olhares e gestos mudos dessa vez. Seria engraçado se não fosse tão triste.

Entendendo a ideia, peguei um pedacinho do bolo e o coloquei bem próximo da aranha, notando que Frank se afastara um pouco mais. Então me pus ao lado dele e esperamos. Esperamos. Esperamos.

Aranhas são um bichinhos desgraçados mesmo. Ou isso era só minha impaciência falando. Mas por fim, a curiosidade pareceu vencê-la e ela se aproximou do minúsculo teco de bolo, mais cobertura do que qualquer outra coisa. Pôs-se sobre ele e, suponho, começou a comer. Ela também devia estar com muita fome para querer comer aquilo... imagino que chocolate para um ser que come insetos deve ser horrível.

Esperamos mais um bom tempo. A aranha desistiu da comida, mas continuou viva. Por dois minutos. Três. Quatro...

— Acho que se fosse pra morrer, já teria morrido, né? — Frank falou, sua voz soando alta demais e meio estridente. Ele observava a aranha com os olhos um pouco arregalados, mas fora isso, parecia calmo. — Quer dizer, olha o tamanho dela. Se tivesse veneno ela teria caído em segundos.

Ele tinha razão. Então, era isso? Podíamos comer?

Nós nos olhamos por mais um segundo e metemos as mãos no bolo.

Estava uma nojeira, mas não era como se tivéssemos garfo e faca ali, então seria na mão mesmo. E, tenho que dizer... aquilo estava uma delícia. Úmido, doce, era a perfeição. A fome indo embora ajudava muito nessa percepção.

Não falamos nada por alguns minutos, só comemos, realmente desesperados. Frank conseguiu até mesmo se esquecer da aranha. Em certo momento, virei-me e peguei o Cubo de Companhia. Coloquei-o abaixo de nós e eu e Frank nos sentamos nele e voltamos a comer.

Quando terminamos, estávamos saciados. Suspiramos e nos olhamos. Ele estava com chocolate em vários pontos ao redor da boca e eu imaginei que eu também. Rimos e fomos ao mesmo tempo limpar o rosto um do outro, o que fez com que trombássemos as mãos.

— Eu primeiro — ele falou baixinho e passou o dedo indicador sobre meus lábios, atento na limpeza.

Aquilo... era demais. Fofo demais, próximo demais, clichê demais. Ele estava passando dos limites, do meu limite.

E, sinceramente? Eu não me importava.

Segurei sua mão, afastando-a bruscamente, e colei nossos lábios de uma forma quase violenta. Dessa vez não seria só um selinho, e Frank pareceu entender imediatamente. Sua boca se abriu hesitante e eu não perdi tempo.

Por que demoramos tanto, afinal? Qual era o problema? Em momentos como esse, eu odiava a lógica, a racionalidade, o modo como sempre tentamos colocar a mente na frente do coração, convencidos de que é o certo a se fazer. E se, é o que devíamos nos perguntar, e se não for? Não sei, talvez minha mente seja mais poética do que deveria, talvez eu veja mais nas coisas do que realmente há, mas será que seguir o coração é tão errado quanto tentamos fazer parecer? Será que de vez em quando, não devemos nos deixar levar por ele, sem se importar com o resto?

Bem, era o que eu estava fazendo. E, para minha completa felicidade, Frank também. Ele estava correspondendo, agora com tanta vontade quanto eu. Eu deixei a arma cair ao chão e nos abraçamos, sem quebrar o beijo; por um segundo quase ri, imaginando como devia ser linda a cena de nós dois entrelaçados sobre aquele Cubo cheio de corações.

Paramos um pouco para respirar, mas permanecemos com os rostos próximos.

— É incrível — Frank disse. — Como eu sentia falta de algo que nem me lembrava.

Mas aí é que estava: nós nunca tínhamos esquecido.

Empurrei Frank gentilmente, até ele sentar no chão, e me coloquei sobre seu colo. Ele me lançou um olhar tão absurdamente malicioso que, se eu já não estivesse pensando em sexo, não teria escolha agora.

A vela do bolo estava sobre a mesa, jogando uma luz amarelada sobre nós dois. Passei as mãos pelo peito de Frank e abri o zíper de sua roupa, dando um jeito de despir a parte de cima rapidamente. Sorri ao ver a luz se chocar contra suas tatuagens e ao ver o brilho em seus olhos. Ele não parou de me observar em momento algum, o que geralmente me deixaria desconfortável, mas dessa vez só me deixou mais confiante.

Em pouco tempo, Frank estava sem nada, me ajudando a também me livrar daquela roupa ridícula da Aperture Science. Não estávamos com vergonha, não havia o menor rubor em nossos rostos; aquilo era perfeitamente familiar, e com isso a expectativa só cresceu. Eu sabia que seria maravilhoso, porque já havia sido. E nada mais importava, nem o lugar, nem as circunstâncias; éramos só eu e ele, de novo, como sempre foi e sempre seria.

Empurrei suas pernas para frente e me ajeitei sobre ele. Lambi dois dedos demoradamente e o lubrifiquei um pouco antes de começar, apesar de aquilo não resolver muita coisa.

— Vai logo — Frank sussurrou, e quem era eu para discordar?

Empurrei meu membro contra ele devagar, entrando com dificuldade; há quanto tempo será que havíamos feito pela última vez? Mas não importava. A dor que ele sentia agora iria passar, e eu poderia esperar o tempo que fosse até que ele estivesse pronto para mais. Em alguns minutos, sua expressão suavizou e seus gemidos mudaram de tom. Entendi o recado e penetrei mais fundo, ainda lento, quase morrendo com a vontade de ir de uma vez, mas me controlando. Até que Frank começou a movimentar o quadril, sem que eu precisasse fazer nada.

Ele se empurrou para frente e voltou, abrindo os olhos e me mostrando novamente todo o seu desejo através deles. Sorri e me joguei para frente, indo fundo dentro dele e fazendo com que nós dois gemêssemos alto; era interessante que eu conseguisse gemer tão bem, mesmo sem fala.

Frank fechou as pernas ao redor da minha cintura, não me deixando afastar. Forçou-me a voltar para dentro dele repetidamente, enquanto eu afundava meu rosto em seu pescoço, às vezes o beijando de leve e às vezes só tentando respirar. Ele me abraçou apertado, cravou as unhas nas minhas costas, usou minha barriga para estimular o próprio membro, fez tudo que estava ao seu alcance para aproveitar ao máximo. E aproveitou.

Seu grito ao gozar foi como uma última descarga elétrica que eu precisava para atingir meu ápice. Entrei nele pela última vez e não segurei nada; não que fosse possível, claro.

Tombei para o lado, ofegante. Mantive um braço sobre ele, recusando-me a me afastar completamente, e a julgar pelo seu sorriso, ele gostou disso.

Poderíamos ficar daquele jeito para sempre. Tudo estava perfeito. Só por um segundo, mas e daí? Um segundo no Paraíso vale mais do que anos no inferno. E ao lado dele, nenhum lugar teria como ser o inferno.

Ou era o que eu esperava.

— Então é isso que a rede mundial de computadores classifica como yaoi — a voz de GLaDOS nos sobressaltou, e já estávamos sentados. — Interessante. Mais atraente na ficção do que na realidade... ou não.

Frank me cutucou e apontou para um canto bem longe, onde uma luz vermelha indistinta brilhava. Uma câmera. Filha da puta.

Eu e Frank olhamos para a porta ao mesmo tempo. Ainda aberta. E os portais que eu criara ainda estavam lá...

Portais. A arma.

Eu e Frank nos atiramos na direção dela juntos, mas nesse momento o chão tremeu e nos desequilibrou. Antes de conseguirmos superar a tontura, ele tremeu de novo e, para nosso pânico, cedeu sob nós.

Os blocos que formavam o chão despencaram e eu e Frank fomos juntos. Caímos dolorosamente sobre uma plataforma de vidro. Meu primeiro instinto foi segurar Frank próximo a mim e nos proteger das coisas que caíram junto com nós; o Cubo de Companhia, a vela, a arma e mais pedaços do chão — que agora seria o teto.

Olhei ao redor. E vi onde estávamos.

No fim do teste 19. Na plataforma que levava ao fogo.

A arma caiu no líquido que nos cercava. Eu vi, Frank viu. Sem ela não havia qualquer chance para nós. Sabíamos disso.

E, estranhamente, eu não entrei em desespero. Nem Frank. Nós nos olhamos calmamente, e a plataforma começou a se mover. Não havia medo em nossos olhos.

— Talvez eu tivesse deixado vocês irem se não tivessem fugido de novo — GLaDOS falou, uma voz distante na minha mente. — Mas, sinceramente, eu lhes fiz um favor. Vocês tiveram seu momento carnal de demonstração de amor. Tiveram seu bolo, como eu prometi. O que mais poderiam querer?

Isso pareceu captar a atenção de Frank. Ele olhou para cima.

— Liberdade, talvez?

— Liberdade para quê? — ela retrucou. — O que seria de vocês lá fora? Vocês não têm dinheiro ou casa, seus únicos amigos estão mortos, ninguém procura por vocês e um de vocês está permanentemente mudo, o que, logicamente, complica um pouco aquele sonho de ser cantor.

Frank não respondeu. No meio do discurso voltara a olhar para mim. Estávamos de frente um para o outro, as pernas meio entrelaçadas, sentados. A plataforma virou na curva e o brilho do fogo apareceu no canto da minha visão.

— Preciso continuar com os testes — GLaDOS falou, e eu não pude deixar de notar um certo desespero em sua voz. — Me livrar dos sujeitos de teste anteriores e continuar com o próximo. Preciso.

Talvez ela não tivesse escolha, afinal. Era uma robô, certo? E fora programada para coordenar os testes, não fora? Isso era algo do que ela não podia fugir. Testes. Ela precisava testar, estava em seu... DNA, ou seja lá qual for o semelhante disso em robôs.

Bem, dane-se. No fim, ela tinha razão. Não existia nada lá fora para mim e Frank. Tudo o que precisávamos estava aqui.

Fitei-o atentamente. Ele também me encarava. Segurávamos as mãos um do outro, sem muita consciência disso.

A plataforma se aproximava do fogo, mas eu mal sentia o calor. Eu sorria. Frank também.

— Eu te amo — ele falou.

Eu também. Eu também. Eu precisava falar. Eu... precisava... falar.

Ele acariciou minha mão, como que dizendo que sabia que eu não conseguia, que estava tudo bem. Mas eu conseguia. Naquele momento, eu conseguiria.

Abri a boca, mas ele se aproximou e me beijou, calando qualquer que fosse minha tentativa. Aproveitei o beijo, novamente ignorando o calor que se aproximava. Explorei sua boca delicadamente, uma mão em sua nuca. Senti seus cabelos, sua pele, sua língua, e só me afastei para poder olhar seus olhos mais uma vez.

Eu conseguiria.

— Eu te amo — minha voz saiu muito baixa e sufocada, mas era o bastante. Ver aquele sorriso em Frank fazia valer o esforço.

Do nada, uma música começou a tocar. Eu e Frank a reconhecemos ao mesmo tempo e rimos.

— Fazíamos cover dessa — ele comentou, meio alegre e meio irônico. — Valeu, GLaDOS.

— Disponha.

Era do The Smiths. “There is a Light That Never Goes Out”.

Frank apoiou a cabeça no meu ombro e eu apoiei a minha no dele. O fogo se aproximava. Meu coração batia devagar. O cheiro do Frank invadia minhas narinas.

Morrer ao seu lado, é um jeito tão divino de morrer!

Continuamos assim, sem precisar dizer mais nada. Nossos corpos podiam estar a ponto de desaparecerem, mas nós permaneceríamos juntos. Era uma certeza tão absoluta e feliz que me deu uma paz indescritível. Uma paz silenciosa e perfeita. Eu ficaria com ele, e com Mikey, e Ray.

Nosso destino estava traçado desde que entramos na Aperture Science pela primeira vez, atrás de dinheiro. No fundo, eu acho que sabia disso. E percebi que foi idiotice tentar fugir.

Eu não havia entendido até aquele momento, com Frank abraçado a mim e a voz de Morrissey ressoando em meus ouvidos, que a morte não era o pior. Que existiam coisas mais fortes do que ela. Não havia entendido até agora que havia uma luz que nunca se apaga.

E o nome dela é amor.

Notas finais
... não me matem, teve lemon! ;-;
Desculpem se ficou uma merda, eu não queria ter que forçar o capítulo a sair, mas não tinha jeito. A minha situação está ficando tensa e eu acho que vou precisar de ajuda, é.
Enfim, isso não interessa à vocês -q
Bom, esse era o fim que eu programei desde o começo, mas como eu sei que alguns de vocês vão querer me esquartejar por ter matado eles (morreram se amando, não foi tão ruim, né? '-'), vou escrever um final em que não morram. É só o que digo -q
Então, até o próximo! Estou preparado para os comentários, podem vir ;-;