Love Portal
18 Final 2 - When you want to live, how do you start?
Notas iniciais
Who do you need to know?
http://letras.mus.br/the-smiths/37083/traducao.html THE BOY WITH THE THORNE IN HIS SIDE ♥
É dessa música o título -q
Ok, então agora é o final mesmo. Não terão mais capítulos depois desse. Eu vou poder colocar que a fic foi terminada.
;-;
Ah, droga.
Então, o começo é igual o outro, eu coloquei aqui também pra não ficar sem base nenhuma. A frase que está em negrito é a última igual ao outro final, a partir daí é tudo novo.
Espero que gostem ;-;
Eu e Frank continuamos parados por vários segundos. Bem, era compreensível, afinal aquela visão era ligeiramente... inacreditável.
Então o bolo não era uma mentira, afinal?
Olhei para os lados, mas não havia câmeras em nenhum lugar à vista, e GLaDOS não se pronunciou. No silêncio do choque, minha respiração e a de Frank pareciam bem altas. Finalmente, ele se virou para mim.
— O que... o que devemos fazer?
Eu franzi a testa. Só Deus sabe o quanto nós estávamos com fome, e só Deus saberia quando conseguiríamos sair dali... o problema era que aquilo era tão obviamente uma armadilha que já devíamos ter recuado faz tempo. Mas por outro lado... era tão óbvio que talvez não fosse uma armadilha. Isso faz sentido?
Suspirei e fitei o bolo, a luz da vela sobre ele iluminando o cômodo fracamente. Bem, nós poderíamos... talvez...
Subitamente, empurrei Frank um pouco para o lado e joguei um portal em qualquer lugar naquela sala. Eu não conseguia ver se as paredes eram próprias para isso, mas contei com a sorte; e me dei bem. Um portal azul foi fabricado no lado direito, à uma distância razoável do bolo. Sorrindo, virei-me e atirei um portal laranja atrás de nós. Se a porta se fechasse, teríamos como sair de lá.
— Acho que isso quer dizer que vamos entrar, né? — Frank murmurou, preocupado, mas com uma sombra de sorriso.
Assenti e fui um passo à frente, logo vendo que Frank se colocara ao meu lado. Não era hora para ninguém estar na frente ou atrás.
Caminhamos cuidadosamente até o centro do cômodo, desviando das prateleiras com aquelas esferas estranhas e indo lentamente até o bolo, lindo, convidativo. De repente, percebi que havia um Cubo de Companhia ali perto e sorri. A porta atrás de nós permaneceu aberta.
Ao chegarmos, hesitamos. O próprio bolo poderia ser o problema. Poderia estar lotado de veneno...
Frank me cutucou e apontou para a ponta de uma das prateleiras, que continha uma bem trabalhada teia de aranha. Por um momento não entendi o que ele quis dizer, pois seu rosto ficara bem aflito. Pensei que ele só estivesse com medo da grande e magra aranha que estava ali, lembrando-me repentinamente de que ele tinha fobia delas. Mas assim que pensei em ir matá-la, percebi que ele olhara para o bolo. O medo o calou momentaneamente, o que fez com que eu tivesse de ser o tradutor dos olhares e gestos mudos dessa vez. Seria engraçado se não fosse tão triste.
Entendendo a ideia, peguei um pedacinho do bolo e o coloquei bem próximo da aranha, notando que Frank se afastara um pouco mais. Então me pus ao lado dele e esperamos. Esperamos. Esperamos.
Aranhas são um bichinhos desgraçados mesmo. Ou isso era só minha impaciência falando. Mas por fim, a curiosidade pareceu vencê-la e ela se aproximou do minúsculo teco de bolo, mais cobertura do que qualquer outra coisa. Pôs-se sobre ele e, suponho, começou a comer. Ela também devia estar com muita fome para querer comer aquilo... imagino que chocolate para um ser que come insetos deve ser horrível.
Esperamos mais um bom tempo. A aranha desistiu da comida, mas continuou viva. Por dois minutos. Três. Quatro...
— Acho que se fosse pra morrer, já teria morrido, né? — Frank falou, sua voz soando alta demais e meio estridente. Ele observava a aranha com os olhos um pouco arregalados, mas fora isso, parecia calmo. — Quer dizer, olha o tamanho dela. Se tivesse veneno ela teria caído em segundos.
Ele tinha razão. Então, era isso? Podíamos comer?
Nós nos olhamos por mais um segundo e metemos as mãos no bolo.
Estava uma nojeira, mas não era como se tivéssemos garfo e faca ali, então seria na mão mesmo. E, tenho que dizer... aquilo estava uma delícia. Úmido, doce, era a perfeição. A fome indo embora ajudava muito nessa percepção.
Não falamos nada por alguns minutos, só comemos, realmente desesperados. Frank conseguiu até mesmo se esquecer da aranha. Em certo momento, virei-me e peguei o Cubo de Companhia. Coloquei-o abaixo de nós e eu e Frank nos sentamos nele e voltamos a comer.
Quando terminamos, estávamos saciados. Suspiramos e nos olhamos. Ele estava com chocolate em vários pontos ao redor da boca e eu imaginei que eu também. Rimos e fomos ao mesmo tempo limpar o rosto um do outro, o que fez com que trombássemos as mãos.
— Eu primeiro — ele falou baixinho e passou o dedo indicador sobre meus lábios, atento na limpeza.
Aquilo... era demais. Fofo demais, próximo demais, clichê demais. Ele estava passando dos limites, do meu limite.
E, sinceramente? Eu não me importava.
Segurei sua mão, afastando-a bruscamente, e colei nossos lábios de uma forma quase violenta. Dessa vez não seria só um selinho, e Frank pareceu entender imediatamente. Sua boca se abriu hesitante e eu não perdi tempo.
Por que demoramos tanto, afinal? Qual era o problema? Em momentos como esse, eu odiava a lógica, a racionalidade, o modo como sempre tentamos colocar a mente na frente do coração, convencidos de que é o certo a se fazer. E se, é o que devíamos nos perguntar, e se não for? Não sei, talvez minha mente seja mais poética do que deveria, talvez eu veja mais nas coisas do que realmente há, mas será que seguir o coração é tão errado quanto tentamos fazer parecer? Será que de vez em quando, não devemos nos deixar levar por ele, sem se importar com o resto?
Bem, era o que eu estava fazendo. E, para minha completa felicidade, Frank também. Ele estava correspondendo, agora com tanta vontade quanto eu. Eu deixei a arma cair ao chão e nos abraçamos, sem quebrar o beijo; por um segundo quase ri, imaginando como devia ser linda a cena de nós dois entrelaçados sobre aquele Cubo cheio de corações.
Paramos um pouco para respirar, mas permanecemos com os rostos próximos.
— É incrível — Frank disse. — Como eu sentia falta de algo que nem me lembrava.
Mas aí é que estava: nós nunca tínhamos esquecido.
Eu queria beijá-lo de novo, me aproximar mais, o máximo que fosse possível, e eu sabia que ele também; mas assim que vi em seus olhos que o pensamento se acendeu em sua mente, uma voz chegou aos nossos ouvidos. Indesejada, assustadora.
— Eu estava pensando no que dizer — afirmou GLaDOS, fazendo-nos sentar eretos. — E vou ser sincera. Eu queria dar uma observação irônica, ou presenteá-los com algum fato do qual vocês viveriam muito melhor sem.
Nesse ponto, eu já estava com a arma em mãos. Procurei pela escuridão dos cantos do aposento e achei uma pequena luz vermelha que indicava uma câmera que não havíamos visto. Ouvi Frank suspirar ao avistá-la, e eu e ele passamos a caminhar para trás, em direção à porta, devagar e atentos.
— Por fim, eu queria fazer vocês dois caírem em um buraco de fogo e me livrar dessa inconveniência de uma vez por todas — GLaDOS prosseguiu.
Estávamos perto da porta, mas com um baque, uma grade de ferro irrompeu na frente dela e bloqueou nossa saída. Olhei para Frank e ao mesmo tempo corremos para o portal que eu havia fabricado antes de entrarmos, sem nos preocupar em sermos cautelosos agora.
— Vocês... parem de tentar fugir!
O lugar tremeu um pouco, eu e Frank nos desequilibramos momentaneamente e, para nosso crescente desespero, o portal que estava na parede sumiu.
— Eu estou falando — GLaDOS disse, como uma adolescente birrenta.
— O que...? — Frank começou a perguntar, mas a robô o cortou:
— Portais não funcionam em superfícies móveis. Eu balancei o lugar, a parede se moveu, o portal sumiu. Podem me ouvir agora?
Ah, claro, afinal ela mostrou ser muito confiável mesmo. Levantei a arma e estava pronto para jogar um novo portal, mas o local balançou de novo.
— Eu vou continuar fazendo isso até vocês pararem quietos.
Bufei e cruzei os braços, irritado.
— Ótimo — GLaDOS continuou. Sua voz estava meio distante, mas audível. — Eu vou falar a verdade, números 1012 e 1013. Vocês deveriam ter morrido ao fim do teste 19. Vocês com certeza deveriam ter morrido depois de tentarem me enganar repetidamente e terem entrado nos lugares errados.
— Então, o que está esperando? — Frank falou, claramente com raiva, colocando um braço ao redor dos meus ombros.
— Você quer morrer? — GLaDOS perguntou calmamente.
— Bom... não, mas... err, não.
— Muito bem. Pois eu já não quero mais te matar. Nenhum de vocês.
Ficamos em silêncio. Eu até esqueci que poderia tentar jogar o portal mais uma vez para sair de lá. Será que ela estava falando sério?
— Por... por quê? — Frank questionou, temeroso, apertando mais a mão em meu ombro.
— Vocês são dois. Isso não deveria ter acontecido. Sujeitos de testes não devem se encontrar. Isso vai contra o regulamento.
— E...?
— E, portanto, eu devo agir independentemente nesse caso, já que é uma situação não prevista na minha programação. O mais certo seria me livrar de vocês. Mas vocês estão dificultando as coisas. E...
Nós esperamos. Eu sentia a respiração acelerada de Frank, sua cabeça quase apoiada em mim.
— Eu achei muito interessante sua... história. E seu relacionamento. Não é algo para o que eu estivesse preparada.
— Amor? — Frank falou, e eu tive certeza que ele estava levantando uma sobrancelha.
— Sim. Amor. Parece-me muito forte, e eu não acho que é algo que deva desaparecer.
Apertei os lábios. Ela não precisava saber que não desapareceria nem se morrêssemos. Eu sabia que nosso amor sobreviveria à morte. Mas GLaDOS acabara de descobrir o que ele é; sua percepção sobre isso era nova.
— De qualquer jeito — ela continuou, e nós dois ouvimos um barulho alto vindo de um ponto no teto, mais à frente. —, isso é o de menos. Eu realmente preciso prosseguir com os testes. A próxima pessoa a testar está a um ponto de acordar do sono criogênico e eu preciso estar concentrada nela, para não deixar acontecer algo como o que aconteceu com vocês.
O barulho ficou mais alto. Eu e Frank demos um passo para trás, só para esbarrar na parede, e vimos um movimento na escuridão do outro lado da sala. Em alguns segundos, uma porta ali se abriu e percebemos que era um elevador.
— Entrem.
Continuamos parados.
— Como podemos confiar em você? — Frank perguntou.
— Não podem. Entrem.
Eu e Frank nos entreolhamos.
— O que você acha? — ele sussurrou.
Acho que não temos nada a perder. Eu não poderia dizer isso, então tentei traduzir a frase em um beijo. Se obtive sucesso ou não, não faço ideia, mas Frank estava sorrindo ao nos separarmos.
Segurei a arma frouxamente em uma mão e segurei a de Frank com a outra. Caminhamos para o elevador, sua luz quase cegante no que antes era só um cômodo com a luz da vela de um bolo.
Assim que entramos, a porta se fechou e começamos a subir.
— Então você só quer que a gente suma, é isso? — Frank perguntou depois de alguns segundos.
— Sim. Tenho mais o que fazer do que me preocupar com dois seres humanos destruindo meu laboratório.
— Claro, eu entendo. Então realmente não tem nada a ver com uma admiração secreta pelo nosso amor?
GLaDOS ficou quieta. Eu cutuquei Frank e o lancei um olhar severo. Ele não devia brincar com o humor dela. Era só ela desligar o elevador e pronto, estávamos ferrados de novo.
— Admiração não é a palavra, 1013 — ela respondeu então. Notei que ela não estava mais nos chamando pelos nomes, o que me pareceu uma tentativa de manter distância emocional. Mas eu não sou psicólogo, nem técnico em inteligência artificial, sou? — E sim interesse. O que vocês chamam de amor é um sentimento idiota, impulsivo e que os faz agirem de forma irracional. Eu acho que será divertido largá-los no mundo lá fora, sem amigos, sem dinheiro e sem chances. Só com seu precioso amor.
Olhei para Frank e vi que ele sorria. Nada daquilo o incomodava, pois ele percebeu o mesmo que eu: GLaDOS só queria manter seu orgulho intacto. Mas, por outro lado... realmente não tínhamos chance lá fora. O que faríamos?
O elevador continuou a subir. Eu estava nervoso, sem saber o que esperar. Talvez a porta se abrisse e revelasse quarenta andróides prontos para atacar. Talvez nós estivéssemos mesmo livres. Como saber?
Em certo momento, Frank me virou para ele. Me deu um selinho rápido e deitou a cabeça no meu peito. Eu sabia que ele tinha os mesmos pensamentos, e só o que podíamos fazer enquanto aguardávamos era nos acalmar. Que forma melhor de fazer isso do que com um abraço? Simples, afetuoso. Era o bastante.
Finalmente, o elevador parou. Mas a porta não se abriu.
— Vocês deveriam deixar a arma de portais aqui. Não será útil lá fora.
Soltei-a imediatamente. Eu não me importava se nunca mais visse aquilo.
— Muito bem. Por favor, não voltem mais. Vão viver suas curtas e patéticas vidas.
A porta ainda não se abria. Quando Frank começou a dizer algo, a voz de GLaDOS retornou.
— Procurem por Bob Bryar.
A porta, enfim, se abriu. A luz forte que veio de lá foi tão intensa quanto o súbito reconhecimento do nome que GLaDOS falou.
Bob. Baterista. Amigo.
Alguém que não fora conosco para a Aperture Science.
Alguém que estava vivo.
Eu olhei para Frank com um sorriso estupidamente grande no rosto, mas ele ainda estava em choque com a descoberta. Eu entendia. Bob, como podíamos ter nos esquecido dele? Nós só o conhecemos depois de começarmos a procurar um baterista para a banda, e ele tinha outras ideias para conseguir dinheiro que não “ser cobaia de algum laboratório suspeito”. Ele foi o único que agiu do jeito certo, e era o único que provavelmente nos esperava. Ou pelo menos nos aceitaria de volta.
GLaDOS estava relutante em dar essa informação. Eu quase podia ver sua natureza má entrando em curto-circuito com a vontade de nos ajudar. Mas ela falou.
Dei um passo para frente e esperei Frank me seguir, mas ele ainda estava parado. Olhou para trás, para o elevador, e suspirou.
— Obrigado, GLaDOS.
Silêncio por alguns segundos.
— Vão logo.
Frank sorriu e deu um passo para frente, mas se virou mais uma vez.
— Só tome cuidado, hein? Esse tal de amor pode aparecer pra você um dia também.
Ele saiu bem a tempo de não ser esmagado pela porta do elevador, que se fechou com um estrondo. Sua risada se perdeu na vastidão do lugar em que estávamos.
Era um campo de centeio, enorme, sem nada à vista. O lugar de onde saímos era uma casinha minúscula, que com certeza só comportava o elevador. Ninguém imaginaria que ali, embaixo da terra, existia um complexo de pesquisas científicas.
Eu e Frank observamos o lugar sem falar uma palavra, sentindo o sol em nossas peles, incômodo, mas bem-vindo. Estávamos livres.
Estávamos livres.
Sem ver, senti a mão de Frank se entrelaçar com a minha. Sorri e fechei os olhos. Livres.
De repente, ouvimos um barulho atrás de nós, e ao nos virarmos, vimos a porta da casinha se abrir de novo. De dentro do elevador, foi atirado em nós um objeto quadrado, grande, que poderia ter nos machucado com a violência.
Cubo de Companhia.
A porta se fechou de novo. Eu ri e me sentei sobre o cubo, com Frank vindo parar em meu colo logo em seguida. Nos beijamos por alguns momentos, sentindo uma certa paz se alastrar em nosso peito.
A liberdade era bem mais do que eu esperava.
–——
— Ahh... e-eu... eu... ah! — resmunguei. Aquilo não estava indo a lugar nenhum.
— Nem pense em desistir, Gee.
Revirei os olhos para Frank e voltei a me concentrar na médica.
— Frank tem razão, Gerard, você tem que continuar tentando. Sei que é difícil, mas você não quer voltar a falar?
Assenti e voltei ao trabalho. Por mais que eu tentasse, só conseguia fazer alguns sons com a boca. Aprender a linguagem de sinais estava sendo mais fácil. Mas Frank queria que eu continuasse, e, bem... eu não desisto das coisas tão rapidamente.
Apesar de já fazer quase dois meses que eu estava naquilo.
Mas eu não podia reclamar. Bob, depois de nos procurar por muito tempo, conseguira virar o baterista de uma banda de sucesso, e quando aparecemos para pedir um lugar para ficar, ele não fez nada menos que nos comprar uma casa. E não era uma casa ruim. Quase desmaiei quando ele contou.
Eu poderia não cantar mais, por algum tempo, mas eu ainda sabia fazer outras coisas. Como desenhar. Ninguém precisa abrir a boca para desenhar, e por isso a minha vida estava começando a funcionar bem mesmo com esse “pequeno” problema. Eu inclusive me tornara o ilustrador oficial da banda do Bob.
Frank estava trabalhando em uma loja de música qualquer, só o suficiente para nos sustentar, mesmo que pudéssemos contar com Bob a qualquer hora. Eu sabia que ele deixaria para falar sobre o nosso sonho musical depois que (e se) eu conseguisse recuperar minha voz plenamente.
As pessoas perguntaram o que aconteceu conosco, claro. E nós realmente consideramos a possibilidade de contar; só que, alguns dias depois de estarmos livres, soubemos de uma estranha explosão que ocorreu próxima ao campo onde fomos libertados. Eu e Frank assistíamos televisão e paralisamos ao ver os destroços de metal espalhados para todo lado na imagem gravada de um helicóptero.
— Aparentemente, uma empresa de pesquisa de produtos químicos assumiu a culpa pelo incidente e recolheu todos os destroços em questão de horas, sem deixar que nossa equipe analisasse melhor. A seguir, uma menina é encontrada morta...
Ignoramos a voz da repórter, não querendo saber de mais tragédias. Olhei para Frank e vi sua expressão assombrada.
— Você acha que era ela?
Neguei com a cabeça, mas sem muita convicção. O que poderia ter acontecido com o sujeito de teste que veio depois de nós para provocar aquilo? Fosse o que fosse, com certeza não foi uma empresa de produtos químicos a causa da bagunça. GLaDOS devia ter dado um jeito de limpar tudo antes que o problema da publicidade se agravasse.
Acabamos por deixar a história para lá. Ninguém precisava saber o que acontecera com nós, exceto Bob, que até hoje não tenho certeza se acreditou ou não. Ele só murmurou um “hmm” quando terminamos de contar e foi comer uma torrada. Não seria eu quem questionaria sua reação.
Agora, com nossa vida parecendo finalmente ir para frente, eu em um consultório médico fazendo um tipo de fisioterapia vocal, a médica concentrada na minha recuperação e Frank tamborilando os dedos distraidamente enquanto me aguardava... Uma situação dessas poderia ser ruim, ou no mínimo desinteressante para qualquer um, mas para mim, era algo que me fazia feliz. As coisas estavam andando. Isso era bom.
Saímos do consultório e fomos tomar um sorvete, como sempre fazíamos, já que havia uma sorveteria naquela esquina.
Enquanto comíamos, a televisão ligada falava sobre um novo robô japonês que mostrava algum avanço em termos de inteligência artificial. Ele podia responder a questões de complexidade moderada e interagir com seres humanos educadamente.
— Qualquer dia esses robôs vão dominar o mundo — comentou um garoto sentado próximo a nós.
— Você assiste muitos filmes, Justin — uma menina respondeu, com ar de riso. — São robôs, o que eles podem fazer? Resolver questões matemáticas até nos matar de tédio?
Frank quase engasgou com o sorvete, mas se esforçou para não mostrar que estava ouvindo a conversa.
— Você é que é muito cética, Daphne. Você não está vendo o que estão criando? Logo um robô vai poder pensar por conta própria e perceber que está muito acima de nós intelectualmente.
— Como pode estar acima de nós se nós o criamos? Sério, você tá viajando. Nenhum robô vai tentar matar a gente. Eles só vão servir pra entregar chá para as pessoas ricas que podem comprá-los.
— Ou podem jogar o chá quente na cara da pessoa. Você não vê as possibilidades?
— Não. No momento eu só vejo meu sorvete derretendo.
Eu e Frank sorrimos um para o outro enquanto terminávamos de comer. Então fomos pagar, e no caixa, Justin e Daphne pararam ao nosso lado.
— Não vai ficar com medo da caixa registradora te atacar? — zombou a garota, e ele mostrou a língua para ela.
Frank deu um sorriso travesso e, sem que ninguém além de mim visse, esticou a mão até a parte de baixo da caixa registradora e deu um empurrão que a fez pular. Todos se assustaram, inclusive o funcionário do lugar, e Frank começou a rir.
— É sempre bom estar precavido — falou, piscando para os dois amigos, e me puxou para fora.
É, ele tinha razão. É por isso que mantínhamos dentro do nosso Cubo da Companhia — que conseguimos transformar em uma caixa — as coisas que precisávamos para tentar fabricar nossa própria armas de portais. Não que esperássemos voltar para a Aperture Science um dia, mas... eu não podia negar que GLaDOS ainda visitava meus sonhos.
Às vezes eu a imaginava com os olhos em brasa, soltando neurotoxinas para nos matar, e eu acordava com uma aparente falta de ar. Às vezes eu a imaginava com um sorriso, mesmo não tendo rosto.
Mas de qualquer jeito, os sonhos sempre tinham alguma variável em que eu e Frank atravessávamos dois portais, azul e laranja, e nos encontrávamos.
Portais do amor. Era ridículo.
Era perfeito.
Notas finais
Qual dos finais vocês gostaram mais?
Comentem e me deixem menos triste por estar acabando, porque eu sofro em dobro T_T NÃO, eu sofro em triplo (-QQ), porque além de eu ser o escritor, eu tenho que dar adeus à esses Frank e Gerard e eu sou fã de Portal, então o adeus é mais doloroso ;-;
E por falar, algumas coisinhas que aconteceram aí eu peguei dos jogos, tanto do Portal 1 quanto do 2. Só quem jogar vai saber -q
E eu fiz esse negócio do amor, porque adoro shipar a GLaDOS com a Chell, que é o sujeito de teste que será acordada logo depois que o Gee e o Frank foram embora (sim, eu shipo uma robô com uma humana, problem? -q). Ou seja, quando você joga Portal, é como se eles tivessem acabado de sair no campo de centeio :) Ou acabado de morrer, se você pensar no outro final -q
Eu acho que estou superando a crise, então não devo demorar com a próxima fic, de HP, como eu disse.
Ah, tô falando demais aqui.
ENFIM, muito obrigado MESMO por terem acompanhado. Eu não sabia o que ia dar isso aqui, foi um crossover estranho que eu tive bastante receio em postar. Não foi das minhas melhores fics, acho, mas fico feliz de ter agradado mesmo assim. Valeu mesmo por cada comentário, indicação, e xingamento -qs
Beijão, meus amores ♥
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