Love Portal
16 Capítulo 16 - You'd like to know me well...
Notas iniciais
Essa letra é dessa música: http://letras.terra.com.br/david-bowie/124656/traducao.html
Não é um capítulo songfic, é só que eu gosto da música mesmo -qqq
Então... esse é o penúltimo D: Quer dizer, não exatamente. Vai ter o final alternativo, né? Então terão dois capítulos, mas eu os postarei junto.
É... ok. Boa leitura .-.
Ouvi vagamente um barulhinho eletrônico que devia indicar que o robô iria atirar, e então só vi um borrão de cores e escutei um estrondo enorme. Demorei alguns segundos para perceber que Frank me empurrara para o lado, vindo junto comigo, e que o estrondo fora do tiro, que atravessara o vidro e se chocara contra a parede atrás de nós. Aquilo era bem pior do que o tiro de um simples andróide... era um míssil.
Levantei-me junto com Frank e nós corremos de volta por onde viemos, escapando de mais um disparo. Esse robô era bem mais devagar para atacar, mas também dava muito mais medo.
— Porra, por que eles têm essas coisas aqui? — Frank ofegou, mais pelo susto do que por cansaço. — Não, sério, cara. Sério. Isso não era um laboratório? Olha, se eu soubesse que ser um cientista teria tanta ação, eu teria estudado mais.
Eu ri, meio incrédulo que ele tenha conseguido fazer uma piada segundos após escaparmos da morte pela milésima vez no dia... quer dizer... dia? Nossa, eu não tinha pensado nisso. Há quanto tempo estávamos ali? Não havia como saber, sem relógios e janelas. Minha noção de tempo estava completamente bagunçada. E eu estava com tanta fome que fazia parecer que eu acordara há semanas. Mas eu não podia pensar nisso, a fome doía demais.
— Bem, o que vamos fazer? — Frank continuou, e eu acordei dos meus pensamentos. — Eu vi que tinha outra sala do outro lado, poderíamos usar o robô para chegar lá... sabe, fazer ele atirar no vidro e irmos por lá.
Eu franzi o cenho e olhei para a porta por onde acabamos de sair. Não sei, aquilo parecia uma boa ideia, mas... era uma ideia boa demais. Fazia sentido e era algo que GLaDOS esperaria que fossemos capazes de pensar.
— Você acha que ela pode estar esperando isso? — Frank perguntou, baixinho, e eu assenti, sorrindo novamente com a nossa sincronia. — Então vamos voltar. Ela não deve achar que tentaríamos achar outro caminho.
Dei de ombros, percebendo que qualquer coisa que fizéssemos seria pura especulação. Confirmei com um leve sorriso e nós dois nos viramos para a parte do corredor por onde havíamos passado. Comecei a andar, mas imediatamente senti a mão do Frank no meu pulso, me virando para ele, e antes que pudesse sequer respirar, seus lábios já estavam nos meus.
Não fechei os olhos, surpreso, e quando pensei em fazer isso, ele se afastou. Foi rápido demais... isso... não é justo! O que ele...?
— Desculpa — ele murmurou, o rosto próximo, mas olhando para baixo. — Foi o meu jeito de mostrar que eu não me incomodei quando você fez isso.
Ele soltou meu pulso e foi na frente, me deixando ali parado, abismado. Eu podia jurar que vira uma pontinha de sorriso em sua boca antes que ele se virasse, mas minha mente não conseguiu produzir nada que explicasse isso. Não imaginei que fosse porque ele estava brincando comigo, nem que fosse porque ele me amava, nem nada disso. Ele só me beijou, sem nenhum significado a mais ou a menos. E até que não era ruim assim.
Ainda avoado, corri a segui-lo, antes que ele virasse no corredor e eu o perdesse de vista. Abri a boca para falar várias vezes, me esquecendo de que não podia, mas de qualquer forma eu não achei nenhuma boa palavra para sequer começar. Então desisti e deixei meus pensamentos vagarem, voltando ao ponto onde pararam nas lembranças do nosso passado enevoado.
Eu e Frank havíamos nos afastado, o que me magoou profundamente e possivelmente a ele também... Eu estava na clínica para acompanhar Mikey, mas não estava realmente preso lá. Eu podia sair quando quisesse, e depois de um bom tempo, eu finalmente fiz isso. Fui para casa e esperei Frank chegar do trabalho. Eu estava com raiva e a mágoa estava acumulada, então eu sabia que sairia uma briga. Aguardei, vez ou outra ligando para Ray — que ficou com Mikey — e remoendo minha impaciência.
É, com certeza a briga seria feia... eu estava quase explodindo, e mesmo assim não desisti. Então Frank chegou e...
Estaquei. Olhei para Frank andando à minha frente, abrindo portas aos nossos lados e aparentemente concentrado nisso, e arregalei os olhos. Ah, droga, não, ele não podia se lembrar disso... ou podia? Não, eu morreria de vergonha e ele também... mas seria legal...
Porém, como seria para ele se lembrar de ter entrado em seu apartamento e me encontrado sentado no sofá, com um olhar odioso no rosto, e de ter simplesmente corrido na minha direção? Eu sei que para mim estava sendo estranho. Eu estava lá, pronto para no mínimo uma discussão, e Frank correu e me abraçou e começou a pedir desculpas sem eu nem ter falado nada... E eu não consegui mais ficar com raiva, não consegui de forma alguma, por mais que eu quisesse. Eu estava esperando por aquilo, afinal eu estava apaixonado, não estava? E pelo jeito... pelo jeito Frank também. Nós dois. Porque ele me beijou, e eu permiti. Ele me empurrou contra o sofá, e eu também permiti. O beijo só cessou quando ele o transferiu para meu pescoço, e eu o abracei mais forte, aproveitando para levantar sua camiseta e suspirando quando senti seus dedos sob a minha...
Ah, merda! Pare de se lembrar disso, Gerard!
Frank continuava nos guiando, apesar de eu estar com a arma. Felizmente até agora não precisamos de portais, porque eu mal estava em condições de colocar um pé na frente do outro, quanto mais de pensar com portais.
Eu não consegui conter minha mente de voltar para aquele momento. Agora que eu o descobrira, ele parecia ter acabado de acontecer: tudo estava perfeitamente nítido. Os beijos suaves de Frank descendo pelo meu pescoço, nossas roupas desaparecendo lenta, mas meio desesperadamente, os gemidos à princípio controlados...
— Gerard? Gee? Alô? — ah, droga, ele estava me chamando. É por isso que eu tinha que parar de pensar naquilo! — Desculpa te atrapalhar no seu.. ahn... trabalho mental, mas precisamos de um portal ali.
Ele apontou para um lugar mais ao alto e eu atirei lá sem ver realmente. Estava começando a corar demais, tanto pela minha distração quanto pelas perversões que minha cabeça estava fabricando, e eu sabia que Frank iria notar logo, se já não tinha notado.
Fomos para o novo local, um corredor mais estreito e mais escuro, mas eu não prestava atenção nisso, ainda tentando expulsar aquela lembrança. Estava tão fora da realidade que praticamente colidi com Frank quando ele parou.
Olhei ao redor procurando um motivo para ele ter parado, mas não havia nada. Frank estava virado para mim e parecia curioso, e talvez um pouco tímido.
— Gerard, o que tá acontecendo? — eu abaixei a cabeça na hora, claro. — Ei, olha pra mim. Você tá vermelho, por quê? Se for por causa do beijo, desculpa, eu não vou fazer de novo, foi só... eu... eu só quis te beijar na hora, tá. Desculpa mesmo...
Eu neguei com a cabeça meio histericamente. Não era por isso, claro que não, ele podia fazer de novo a hora que quisesse!
— Não é por causa do beijo que você tá assim? — ele franziu a testa. — Então é por quê? Está se lembrando de alguma coisa?
Assenti de leve e dei uma risada meio nervosa, virando-me para continuar a andar, mas ele me segurou. Por um segundo delirante achei que ele fosse me beijar de novo, mas ele só me olhou penetrantemente.
— O que é? Aconteceu algo entre a gente? — assenti de novo, tão brevemente que torci para ele não ter visto, mas viu. — Algo bom ou ruim?
Dei de ombros. Eu realmente não saberia dizer se foi bom ou ruim... para ele.
— Mas... Gee, espera! Termina de contar! Quer dizer, de fazer mímica, que seja. Nós brigamos? Não? Então nós nos beijamos de novo, que nem na clínica, ou... ah.
Observei-o assustado. Não era possível que ele tivesse entendido, eu não disse nada, não fiz nenhum gesto que mostrasse isso, nada!
— Você... por acaso está se lembrando... do que aconteceu no dia que você foi pra casa, enquanto você morava na clínica com Mikey?
Meu Deus, como aquele lugar ficou quente de repente.
— É, né? — Frank sorriu um pouco, mas logo voltou a ficar sério. — Eu lembrei disso há um tempo, já, mas não quis apressar o seu processo. Estou lembrando das coisas bem aleatoriamente, mas você parece estar indo cronologicamente.
Concordei, nossos olhares se cruzando de vez em quando, enquanto tentávamos fingir que observávamos o lugar.
— Também fiquei envergonhado, mas não precisa ficar — ele continuou, sua voz ficando mais baixa e menos firme. — Já aconteceu, mesmo. Tenta lembrar do que veio depois disso... tipo, eu sei que um dia, não sei quanto tempo depois, o Mikey voltou pra casa, não é ótimo?
Era ótimo, e uma tentativa muito válida de me distrair, o que funcionou por alguns segundos. Eu me lembrava de ter ido com Frank, Ray e mais alguém buscar o Mikey, que ele estava pronto para continuar o tratamento em casa e que a primeira coisa que fez ao chegar foi pegar o baixo e começar a tocar. Lembrei-me de Frank subitamente falar que devíamos voltar com a banda, que eu devia parar de procurar emprego e tentar achar algum professor de canto. Então eu lembrei de Mikey perguntando porque estávamos tão agarrados o tempo todo e de nós dois respondermos que... estávamos namorando.
— Ahn... — Frank passou a mão pela nuca, como se tivesse feito algo errado. — Acho que não foi uma boa memória pra te distrair... bem... pense na banda!
A banda... ok. Ela tinha tudo para dar certo; menos dinheiro. Tínhamos os instrumentos, mas mais nada. As cordas das guitarras do Ray e do Frank precisavam ser trocadas, para começar, mas estávamos atolados em dívidas, para manter a casa e ainda minhas aulas de canto. Também não tínhamos um bom lugar para ensaiar, então precisávamos pagar por transporte toda vez para irmos em algum lugar público que permitisse nossa entrada. Queríamos realmente continuar, mas estava se tornando impossível. E então... nossa salvação chegou! Um aviso no mural onde Frank trabalhava, dizendo que um laboratório muito valorizado comercialmente precisava de voluntários para testar suas novas invenções. Sessenta dólares por pessoa, por rodada de testes! Era perfeito. A Aperture Science nos pareceu a porta de entrada para o resto das nossas vidas... e acabou sendo a morte para dois de nós e uma perseguição interminável para outros dois.
Olhei para Frank tristemente, provavelmente com uma cara de cachorro perdido.
— A banda também não foi uma boa lembrança, né? — Frank suspirou. — Quer saber, vamos parar de lembrar e continuar, sim?
Concordei, sentindo toda a vergonha que antes me assolava ir embora, deixando só o gosto amargo de ter me recordado da morte de Mikey e Ray. Mas que merda. As coisas podiam não estar indo bem, mas estavam indo! Caramba, Mikey finalmente saíra das drogas, só para morrer nas mãos dessa robô imprestável! Mas eu podia me orgulhar de alguma coisa... ele chegara ao teste 16, e só falhou ali porque seu bom coração não o deixou ver o que os andróides podiam fazer. Meu irmãozinho era inteligente para caralho.
Distraído, quase colidi com Frank novamente, mas dessa vez ele tinha um bom motivo para ter parado à minha frente. Ele abrira uma porta, e o que havia naquela sala parecia quase tão assustador quanto a GLaDOS em si... mas muito mais tentador, de uma forma que eu sabia que não poderíamos ignorar.
Ali, no meio de várias prateleiras com objetos que eu ignorei, bem no centro da sala... estava o bolo.
Notas finais
Sim, aquele é o Companion Cube. Eles não notaram ainda porque estão muito fascinados pelo bolo -q
(Não se surpreendam muito, o bolo ainda é uma mentira no jogo... não estou dando spoilers do jogo aqui ú_u)
Mas eu ainda vou aprender a fazê-lo. Já vi fotos dele de verdade e parece tão gostoso *----*
Não tenho como explicar muito bem na fic o que são aquelas bolas nas prateleiras porque o Frank e o Gee não sabem, mas eu digo pra vocês aqui porque sou legal. Aqueles são núcleos; cada um tem um objetivo em um robô. Por exemplo, a GLaDOS tem o núcleo da raiva, núcleo da curiosidade, da inteligência etc. Aí nessa sala são um bando de núcleos aparentemente quebrados :)
Tá, já falei bastante. Até o próximo ;-; Comentem ;-; -q
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