Love Portal
13 Capítulo 13 - She'll stop feeling so GLaD
Notas iniciais
Será que nunca mais vou postar sem cantar alguma coisa? -q
Well, então. Enjoy :)
Arregalei os olhos. Como... o que... por quê?
— Vocês ainda estavam drogados o tempo todo — Frank prosseguiu, baixo. — E um dia eu cheguei em casa do trabalho e o Mikey, do nada... ele... ãã...
— Ah, por favor, quer terminar logo? — GLaDOS já parecia tão impaciente quanto eu.
— Tá! — Frank falou mais alto, mas ainda não queria olhar para mim. — O Mikey me beijou. Pronto, foi isso.
Boom.
A palavra “beijo” deve ter ativado alguma coisa no meu cérebro, porque de repente a cena se apresentou nitidamente em meus olhos. Eu e Mikey no sofá, a televisão ligada, mas os dois olhando para o teto. O que havíamos usado? Ele eu não sei, mas eu... acho que eu só tinha fumado algo leve naquele dia. Mikey estava claramente mais alterado do que eu, os olhos vidrados, a boca meio aberta.
Então Frank passou pela porta, cansado, acabado como sempre, sendo o único que nos sustentava. Eu olhei para ele e sorri, sincero, mas ele retribuiu friamente. Algo em seus olhos me disse que ele achava que o sorriso fosse só um efeito da maconha. Não era verdade. Ele me fazia feliz, eu sabia que sim, era ele quem me fazia sorrir daquele jeito... mas ele não sabia.
Subitamente, Mikey tomou consciência da presença de Frank e formou um sorriso estranho nos lábios, quase maníaco. Frank não fez nada, só tentou ir até a geladeira, que era no mesmo cômodo. Atônito, eu vi Mikey agarrá-lo quando ele passou ao seu lado, e paralisei com o medo de que ele fosse fazer algo terrível, como esfaqueá-lo, sei lá. Mas ele fez pior, ao menos para mim. Ele puxou Frank para perto e o beijou, sem dizer nada, sem esperar nada.
E foi aí que entrou o borrão de dor. Eu fui para cima de Mikey tão rápido que não consegui me lembrar quando estávamos no sofá e quando estávamos ambos no chão, gritando coisas ininteligíveis e nos socando. Frank tentava nos separar em vão, desesperado.
Então a lembrança começou a se apagar. Em algum momento Frank finalmente nos afastou, ligou para uma ambulância, assustado com todo o sangue que conseguimos tirar um do outro, e fomos levados de lá.
— Lembrou? — Frank perguntou, e eu percebi que estava há alguns segundos olhando fixamente para um ponto ao seu lado. Assenti, um pouco envergonhado, mas ainda curioso em saber o que acontecera no hospital.
Frank pareceu ler minha mente, como sempre.
— No hospital quem perdeu a cabeça fui eu — ele disse, agora conseguindo me encarar. — Xinguei o Mikey por ter feito aquilo, e você por ter brigado com seu irmão... você pode imaginar como foi.
É, não era realmente preciso que eu me lembrasse. E Frank bravo não era algo que eu gostaria de ter na minha mente, de qualquer jeito.
— Muito interessante — GLaDOS falou. — Ciúme, então, se sobrepõe ao amor fraternal?
Não!
— Não — Frank respondeu por mim. — Mas raiva se sobrepõe a tudo. Perdemos a razão quando estamos irritados, e, bem... você estava drogado, né, Gerard? Sua raiva devia estar multiplicada por mil.
Ele deu um sorriso fraco e eu tentei retribuir direito. Pelo amor de Deus, ele realmente acreditava nisso? Era maconha. Ninguém fica bravo daquele jeito com maconha. Mas tudo bem, se ele queria acreditar que eu não agi de um jeito impulsivo e idiota por mim mesmo, eu não teria problemas com isso.
A porta se abriu e só então eu percebi que o elevador havia subido. A consciência de que iríamos para mais um teste — o penúltimo — me atingiu com força, mas eu ainda estava um pouco desnorteado pelas últimas descobertas. Eu esperava que Frank imaginasse que eu estava pensando sobre como eu poderia ter brigado com meu irmão... mas na verdade eu estava pensando sobre como ele pôde ter beijado Frank. Sinceramente, eu devo ter contado a ele o que eu sentia, não é?
Ahn... mas... o que eu sentia?
Balancei a cabeça e segui Frank, que já havia saído. Concentrei-me em dispersar os pensamentos e foquei no teste.
Já tínhamos que começar voando por portais e passando por cima daquele líquido viscoso. Lembrei-me de como era essa câmara; antes, era possível jogar portais no teto. Agora só nas paredes, e depois que atravessamos a primeira parte, levamos muito tempo para perceber o que fazer para continuar. Frank andava de um lado para o outro, murmurando consigo mesmo, e eu acompanhava seu raciocínio vagamente.
De repente, percebi um pequeno espaço na parede ao nosso lado, por onde conseguiríamos passar se nos agachássemos. Cutuquei Frank e apontei para lá; ele foi primeiro e eu o segui.
Era mais um daqueles lugares sujos e sombrios da manutenção. Vi algumas caixas e pensei se não poderia levá-las de volta para a câmara para tentar usá-las como escada, então percebi, com um assombro magnífico, que havia uma porta no alto de uma escada ali dentro.
Frank viu ao mesmo tempo. Olhou para mim com uma expressão de “isso é bom demais para ser verdade” e foi até a porta, cauteloso. Eu o segui de perto, sentindo meu coração acelerar com a perspectiva de escapar dali. Seria possível?
A porta estava fechada, mas isso era esperado. Frank me entregou a arma e deu um impulso com o ombro para frente; não conseguiu nada além de um barulho estrondoso.
— O que vocês estão fazendo? — GLaDOS perguntou, temerosa, o que me fez sorrir.
Frank tentou de novo e não conseguiu. Vendo-o ofegante, eu dei um passo à frente para tentar, impulsionando o ombro que não estava machucado, para não arriscar outra pontada de dor. Ainda nada.
— Vamos usar os pés, temos esses negócios que nos protege das quedas, né? — Frank sugeriu. — Os dois juntos, no três, ok? Um.. dois... três!
Chutamos a porta e ela se escancarou, revelando um corredor de metal escuro que continuava até perder de vista.
— O que vocês estão fazendo?
GLaDOS não conseguiria aceitar que eu estava fugindo de novo, e dessa vez levando mais um sujeito de teste comigo. A raiva em sua voz foi como uma injeção de ânimo, e a visão do corredor vazio que seria assustadora em qualquer outra circunstância pareceu acolhedora.
Frank deve ter se sentido da mesma forma, pois não hesitou em ir à frente, olhando para os lados e quase correndo pela excitação.
— Não acredito que escapamos — ele sussurrou, e sua voz ficou bem audível no silêncio em que estávamos. — Quer dizer, não escapamos ainda, mas já não estamos mais fazendo o que ela quer, isso é alguma coisa, né?
Assenti, apesar de ele não estar olhando para mim. Continuamos no corredor, que virava à direita e então à esquerda mais à frente. Não fazíamos ideia de onde estávamos indo, e eu não quis pensar que na verdade aquilo era bem inconsequente. Bem, qual era nossa outra opção? Ficar lá para quase ser morto durante os testes? Quando chegássemos ao teste 19, de qualquer jeito, eu iria escapar novamente. Mas pelo menos lá eu saberia por onde ir...
— É subterrâneo, certo? — Frank perguntou, virando-se para mim, e eu percebi que ele havia parado em frente à uma escada. Vendo minha confusão momentânea, ele explicou: — Aqui, esse laboratório, é subterrâneo, não é? É o que estava escrito naquela pasta que você me mostrou.
Assenti de novo, entendendo aonde ele queria chegar.
— Então nosso objetivo é subir — ele prosseguiu, virando-se e caminhando. — Sempre subir... se controlássemos o elevador seria mais fácil, não?
Com certeza. Mas acredito que a única forma de ter acesso ao controle da Aperture Science seria encontrar GLaDOS, o centro de comando ou seja lá onde for que ela fique, e tomar a força. Eu não estava disposto, porém, a enfrentá-la cara a cara. Se ela fazia aquilo tudo nos testes, imagine se chegássemos ao seu... covil? É, parece apropriado.
Os corredores de metal por onde estávamos andando sumiram; algumas partes muito enferrujadas haviam despencado. Era de se esperar, já que não havia seres humanos por lá há anos. Tínhamos poucos lugares para jogar os portais, e tanto eu quanto Frank corremos o olhar por todos os lados, procurando uma saída.
Eu achei antes dele. Aproximei-me e apontei, meu braço ao lado de seu corpo.
— Onde? — ele perguntou, ainda não conseguindo enxergar a pequena brecha que eu via através de alguns grandes canos no alto.
Segurei seu braço e o levantei, fazendo-o apontar a arma para o lugar certo.
— Ah — ele exclamou, mas não atirou.
Virou o rosto para mim, e eu percebi subitamente que estava praticamente abraçado a ele, guiando sua pontaria. Por ser mais alto, eu tive que me abaixar um pouco para fazer isso, o que fez com que nossos rostos ficassem quase colados.
Afastei-me bruscamente, corando, é claro, e Frank atirou. Passou por mim sem me olhar para fazer o mesmo em uma parede próxima e entrou pelo portal, comigo em seus calcanhares.
Quando passei, porém, quase trombei com ele. Ele havia parado e me olhava atentamente.
— Gerard... — falou, baixo. — Você percebeu que não vamos mais saber do nosso passado?
Arregalei um pouco os olhos, surpreso. Não tinha pensado nisso. Sem GLaDOS também não havia como recuperar nossa memória danificada.
Bem, poderíamos tentar lembrar por nós mesmos. Fiz um gesto apontando para nossas cabeças e então nossos peitos.
— Descobrir sozinhos? — Frank entendeu. — É, pode ser, mas como? Tentar continuar de onde ela parou?
Assenti. Fui me recostar na parede e Frank atirou subitamente um portal ao meu lado; percebi que eu quase caíra de costas pelo portal que até então ainda estava atrás de mim. Depois de um momento confuso, dei risada e admirei o riso calmo e gostoso de Frank. Como eu posso ter me esquecido de algo assim? Meu Deus, o sorriso dele poderia curar um câncer... ei, legal, eu lembrei o que é câncer... ahn, seria melhor não ter lembrado.
Fechei os olhos e procurei me concentrar. Eu e Mikey saíamos do hospital com Frank... os funcionários acharam mais fácil nos deixar ir do que ter todo o problema de chamar a polícia e nos encaminhar para uma clínica por causa das drogas. Não me surpreendi com isso; as pessoas nunca se importam o bastante para gastarem mais do que dois minutos de seu precioso tempo com dependentes químicos.
Não conseguia me lembrar do caminho até nossa casa, mas eu vi Ray chegando — Frank ligara para ele em algum momento — e perguntando o que acontecera. Foi mais uma onda de gritos, cada um acusando o outro, e então...
— Ray foi com você para o quarto — Frank disse, e eu abri os olhos. — Lembra disso? Ele foi conversar com você.
Eu sorri um pouco, cínico. Eu me lembrava de não querer ir para não deixar Mikey sozinho com Frank, mas acabei cedendo. Ray deve ter me dado algum sermão e dito que Mikey estava fora de si...
Estremeci de leve e torci para Frank não ter percebido, já que ele estava absorto em seus próprios pensamentos. Lembrei-me, subitamente, de Ray me perguntando porque eu fizera aquilo. Foi muito impulsivo para ter sido normal. E eu confessara que... droga. É, eu já imaginava isso, mas agora conseguia lembrar com clareza: eu amava Frank.
Fitei-o discretamente, ou o quão discreto eu poderia ser, e pensei o que ele estava se lembrando. Sim, eu o amava, mas e ele? O que acontecia internamente com ele durante todo esse tempo que estávamos nos lembrando?
Suspirei e isso atraiu sua atenção. Apontei com a cabeça para o lado, com uma expressão decidida.
— Ah, sim, vamos continuar — ele falou, rápido, parecendo um pouco agradecido por não ter de permanecer lá parado.
Continuamos a andar, indo de um lado para o outro, e descendo quando não restava outra alternativa. Procurávamos qualquer escada ou lugar para jogar portais que estivesse acima de nós, mas nem sempre era possível.
— Vocês se acham muito espertos, não é? — GLaDOS nos sobressaltou; eu quase esquecera dela. — Bem, se vocês vão trapacear, eu também vou.
Troquei um olhar significativo com Frank, pensando o que ela queria dizer, mas não precisamos pensar por muito tempo. Em um minuto, chegamos em um lugar suspeito, onde teríamos de passar por cima de grandes rolos de metal, parecidos com compressores. Não havia escolha, e fomos rápido, apesar de já estarmos pressentindo o que aconteceria.
Os rolos foram recolhidos e nós caímos em um lugar retangular abaixo deles. Das quatro paredes que nos cercavam, três continham portas; só a que ficava atrás de nós era lisa.
Olhamos para as três portas e então Frank se virou para mim, muito assustado.
— Isso... — ele disse baixinho. — É como uma arena. Como aquelas romanas, em que saía um leão de cada lado...
Petrifiquei. Uma das portas começou a ranger, pronta para subir. Mas o que estaria do outro lado? Com certeza não seriam leões...
— I see you. — a voz fina e terrivelmente familiar de um andróide ecoou quando a porta finalmente se abriu.
Notas finais
Fazer eles escaparem agora é um jeito de eu zoar mentalmente a Chell (com quem a gente joga no Portal), porque se uma porta tá trancada ela não tem nenhuma capacidade de tentar arrombá-la, tem que ir por outro lado -q Coisas de jogos -qs
Sabiam que eu ainda estou em dúvida com o fim disso aqui? O que é péssimo, porque o fim está se aproximando e eu ainda não sei o que fazer ._. Tenho duas ideias e não sei qual escolher, socorro ;-;
xoxo
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