Love Portal

14 Capítulo 14 - Au coeur inflammable


Notas iniciais
Je suis une bombe anatomique ♫
O título significa "um coração inflamável", e é de uma música chamada Bombe Anatomique, do Christophe Willem :)
Sim, estou postando às três e meia da manhã, problem? -q
Preciso. Dormir. Cassete.
Bom, espero que gostem ;)
E AH, acho que me decidi sobre o final da fic... falo mais lá embaixo *-*

Eu e Frank pulamos para trás ao mesmo tempo, escapando da primeira onda de tiros. Ele jogou um portal na parede atrás do andróide e outro atrás de nós, e conseguimos derrubá-lo rapidamente. Graças a Deus eles não estavam enjaulados, ou estaríamos perdidos.

As outras duas portas pareciam estar teimando em funcionar, e por isso não abriram ao mesmo tempo. Um fumaça preta saía delas, o que me fez imaginar que GLaDOS estava concentrando todos os seus esforços ali.

Quando uma delas finalmente se abriu, Frank fez o mesmo jogo de portais e conseguimos desativar aquele também. Agora não havia como dar errado, se só sobrara um andróide, certo? Não. Frank precisava ficar visível para jogar o portal na “sala” onde o último andróide ficava, e dessa vez não foi rápido o bastante para voltar. Antes de conseguir se esconder, começou a receber os tiros, e eu o puxei desesperado.

— AHHH! — ele gritou, deixando a arma cair; eu a puxei antes que rolasse para o meio da arena improvisada. — Caralho, isso dói muito!

Obriguei-o a sentar e comecei a examinar a extensão dos danos. Não fiquei tão preocupado porque meu ombro já estava praticamente curado, então o mesmo aconteceria com ele. Mas ele estava em situação pior; eu vi o sangue começando a atravessar o pano em seu braço e mais um pouco na sua cintura.

— Faz... faz um favor, Gee? — ele perguntou, ofegante, e eu assenti bruscamente. — Destrói aquela merda?

Sorri de leve e peguei a arma. Fui através dos portais para trás do andróide e o chutei com tanta força que ele foi parar quase no lugar em que Frank me esperava, o que era uma bela estupidez, já que um andróide, caído, começa a atirar loucamente para todos os lados. Voltei correndo para Frank, mas vi que ele estava bem, sorrindo cansado.

— Valeu — ele disse, e tentou se levantar, mas eu o impedi. — Ficar parado não vai adiantar... Gerard... tá, tá bom.

Fiquei feliz que somente meus olhares já tenham sido o bastante para ele me obedecer. Encostei o dedo de leve no lugar onde um pouco de sangue saía ao lado de seu corpo e ele gemeu de dor. Percebi que ali a roupa desaparecera; o projétil pegou só de raspão. Já no braço, o negócio foi tão feio quanto havia sido comigo. Ali era um buraco de verdade, e Frank estava provavelmente se segurando muito para não gritar de novo.

Tentei dizer a ele que ficaríamos parados até seus ferimentos se curarem, e consegui depois de algum esforço de ambas as partes. Não que tenha adiantado alguma coisa.

— Não, e se ela colocar mais dessas coisas aqui? Temos que ir... Gerard... pelo menos ficar em um lugar melhor!

Suspirei e concordei. Era um meio-termo. Ajudei-o a se levantar, eu novamente portando a arma. Ele começou a andar com a respiração difícil, uma mão sobre a cintura e outra sobre o braço, talvez tentando estancar o sangue ou só apertando as feridas porque é isso que fazemos quando sentimos dor. Observei-o com um aperto no peito, sem imaginar que vê-lo sofrendo pudesse me afetar tanto. De qualquer forma, eu estava no comando mais uma vez, até que ele se recuperasse, e eu não podia me deixar levar só pelo o que ele queria, apesar do meu instinto me dizer para fazer isso; negar algo a ele era como negar doce à uma criança: necessário, mas incrivelmente incômodo. Só que eu precisava manter a racionalidade.

Procuramos um jeito de sair dali e acabamos encontrando na sala onde o último andróide ficara. Através de um buraco no teto — por onde GLaDOS poderia mesmo mandar outros desses pequenos assassinos —, encontrei um lugar para jogar o portal, novamente no teto de algum lugar meio longe. O problema era que, saindo por ali, nós teríamos que cair até atingir o chão. Não seria nada demais para mim, mas Frank franziu a testa, prevendo a dor que sentiria nos ferimentos por causa do impacto.

Fui primeiro, sem saber bem porquê; não daria certo pegá-lo quando ele caísse, iria doer do mesmo jeito e possivelmente quebraria minhas costas. Mas talvez o desse mais coragem, sei lá.

Ele respirou fundo e me seguiu, pousando em pé, mas se desequilibrando logo em seguida. O pior que ele sentiu deve ter sido na cintura, que com certeza sofreu um movimento brusco na queda. Eu o amparei e o fiz sentar de novo.

Estávamos agora em um lugar mais fechado, embaixo de um daqueles tubos transparentes que transportavam cubos para os testes. Nos encostamos à uma grade próxima, atrás da qual existiam alguns andróides quebrados e jogados. Eles eram muito melhores assim.

— Vocês não são boas pessoas — GLaDOS falou, sua voz próxima, mas não tanto quanto ficava nas câmaras de teste. — Vocês sabem disso, certo? Boas pessoas não terminam aqui.

Frank bufou e gemeu mais um pouco, baixinho, olhando para o braço. Ah, como eu queria poder fazer alguma coisa!

— Vamos ficar aqui só até essa bosta parar de doer um pouco, tá? — ele falou, tentando sorrir, mas não conseguindo muito bem. — Depois temos que continuar.

Assenti, sem nem pensar muito no que ele dissera. Eu fitava o sangue que continuava saindo devagar de seu braço. Subitamente, larguei a arma e agarrei a manga de sua roupa — um macacão solto da Aperture Science, laranja, assim como o meu — e tentei rasgá-lo. Ele soltou mais um “ai”, mas eu ignorei. Com algum esforço e fazendo o possível para não encostar muito em sua pele, rasguei a parte da manga que ficara sobre o lugar com a bala. Obriguei-o a esticar o braço e enrolei o pano ali, apertando e lançando-lhe um olhar de desculpas pela dor, mas ele sabia que era necessário estancar o sangue.

Quando terminei, ele baixou o braço e contemplou meu trabalho.

— Obrigado — falou baixo, e eu sorri levemente.

Ele continuou olhando para seu braço, com uma expressão pensativa. Quando percebeu que eu também o observava, notou minha indagação e riu rapidamente, sem muito humor.

— Eu estou pensando... como isso aconteceu? Quero dizer, é tão estranho quando paramos pra pensar... eu acabei de ser atacado por um robô, comandado por outra robô, enquanto tento fugir de um laboratório subterrâneo.

Falando assim parece que somos loucos.

— Até parece que somos loucos, né? — ele continuou, e eu olhei para baixo, tentando esconder meu sorriso pela sincronia de pensamentos. — E é isso que vão pensar, na verdade... se conseguirmos sair daqui, vão pensar que somos loucos. Bem... isso se tiver alguém lá fora nos esperando... e eu acho que não.

Vi pelo canto dos olhos que ele também baixou a cabeça. Realmente... o que seria de nós lá fora? Mikey e Ray estavam mortos, até onde eu sei havíamos passado anos nesse lugar e nossos pais já haviam nos desertado há tempos. Não tínhamos dinheiro, não sabíamos em que lugar era essa Aperture Science — nem mesmo se ainda estávamos nos EUA — e eu não podia falar.

Eu sabia que Frank pensava as mesmas coisas. Qual era o propósito de estarmos fugindo? Bem, existia a possibilidade de estarmos errados e termos alguém nos esperando lá fora... acho que para saber o que seria de nós, tínhamos de lembrar o que foi de nós.

Tentei me concentrar, apesar de não ter certeza se queria fazer isso. Eu havia parado com as lembranças na grande descoberta de que eu amara Frank. Isso não estava sendo muito agradável agora. Eu poderia dizer que ainda o amava? Na presente situação, com a presente falta de memória e tudo o mais, meu sentimento ainda poderia ser considerado amor, ou só um resquício do que foi?

Na verdade eu não me mantive nessas perguntas. Meus pensamentos acabaram disparando em outra direção: o que Frank sentia, antes e atualmente? Será que ele e Mikey chegaram a ter alguma coisa, ou aquele beijo foi um episódio isolado? Droga, eu estava sentindo ciúme de novo, e só pela lembrança... mas, felizmente, eu sei que consegui me controlar depois daquilo. Sim, Ray havia me levado de volta à sala e eu e Mikey fizemos as pazes, apesar de ainda emburrados. Mikey repetiu pela milésima vez que foi sem querer, que ele nem se lembrava direito do que fez e que eu reagi exageradamente. Eu só fiquei balançando a cabeça, querendo comer alguma coisa — larica infernal — e ir dormir. No dia seguinte... o que aconteceu no dia seguinte?

Olhei para Frank, que ainda fitava o chão, e minha mente clareou mais um pouco. No dia seguinte Frank veio nos convencer de novo à ir para uma clínica, mas dessa vez parecia mais decidido. Eu e Mikey estávamos sóbrios e concordamos, mas era sempre assim. Por que dessa vez seria diferente?

Mas foi, foi diferente... eu não fugi. Nem Mikey. Nós queríamos melhorar... pelo menos no começo. Acabamos pedindo de novo para que Frank e Ray nos liberassem, mas eles não nos ouviram. Continuaram com as visitas regulares e mantiveram a negativa rigidamente. Eu e Mikey começamos a reagir à abstinência prolongada. Ora estávamos deprimidos e possivelmente suicidas, ora estávamos agressivos e violentos. Eu nem sabia o que eu queria, desde que me injetassem alguma coisa, qualquer coisa, e fizessem parar aquilo tudo. A insônia, a perturbação mental, a ansiedade... eu só queria que parasse.

Reconheci que naquele período de tempo houve alguma coisa importante... não sei o quê, mas eu me lembro de ter me sentindo muito triste, desesperado e esperançoso ao mesmo tempo, e que isso causou alguma coisa em outras pessoas, mas não consegui lembrar do quê...

— Você tá tentando de novo, né? — Frank murmurou, me sobressaltando. Olhei para ele e assenti, sabendo o que ele quis dizer. — Conseguiu lembrar do que aconteceu na clínica, umas semanas depois do negócio com o Mikey?

Neguei com a cabeça e ele suspirou.

— Não sei se é bom lembrar, mas... precisamos saber como estávamos quando deixamos o mundo externo, né?

Concordei, aguardando. Ele encostou a cabeça na grade atrás de nós e fechou os olhos.

— Bem, foi em uma visita. Ray foi passear com Mikey nos jardins da clínica... não eram bem jardins, não tinham flores e a grama era horrível, mas enfim... Eles foram e eu fiquei com você no quarto. Mikey estava em um dos seus períodos depressivos, por isso era seguro Ray ficar sozinho com ele, mas você estava muito irritado. Um funcionário queria acompanhar a visita, mas eu quis entrar sozinho.

Ah, não... será que aconteceu algo...?

— Você me ignorou à princípio, mas depois começou a gritar, me xingar e me culpar por você estar lá, preso. Eu já esperava isso, era comum na sua situação — ele falou rápido, dando uma espiada na minha expressão horrorizada e tornando a fechar os olhos. — Só que eu não prestei atenção em mim mesmo e... ahn... você acabou me atacando. Ou algo assim.

Atacando? Não, não, o que eu havia feito? Eu queria poder me lembrar, mas ao mesmo tempo não queria...

— Sua visão é interessante — GLaDOS falou, e eu e Frank olhamos para os lados imediatamente, procurando alguma câmera escondida, mas não havia nenhuma. — Segundo meus registros, você foi tirado da clínica nesse dia em questão não porque Gerard o atacou, mas porque um funcionário os viu na cama. O que era expressamente proibido.

Frank corou mais subitamente que eu, e olhou para todo lugar que fosse o mais longe possível de mim.

— N-não.. não foi bem assim...

— Então explique direito como foi, sr. Iero. Não acha que Gerard merece ouvir a verdade?

Frank revirou os olhos, mas parecia meio assustado.

— Ok, ok... então... certo, o que aconteceu é que você me agarrou. Eu não sabia se era pra me beijar ou me bater, porque você fez um pouco dos dois, mas... eu deixei. Estávamos já sentados na sua cama, entende, por isso quando o cara entrou lá e me viu em cima de você, achou que a gente ia... sabe.

E... a gente ia? Merda, eu queria poder falar.

— Mas era só porque você não me soltava, porque você estava fora de si, e eu... eu acho que eu também.

Ele deu uma risada nervosa, ainda sem olhar para mim. Ah, por que eu não me lembrava disso! Eu queria saber como ele estava, saber se era possível descobrir se ele me amava também, mas eu não conseguia...

— Obrigada por tagarelar o bastante para me dar tempo de reconhecer onde vocês estão — GLaDOS tornou a falar, e eu e Frank finalmente nos encaramos, esquecendo completamente o assunto anterior. — O que o amor não faz!

Ouvimos um estampido forte acima de nós e percebemos um andróide que voava pelo tubo onde geralmente só passavam cubos. Ele nos vira e atirara, o que só fora o bastante para quebrar o tubo; mas então, o próximo andróide que viesse conseguiria nos acertar.

Eu e Frank nos levantamos em um pulo, ele ignorando a dor no braço, e eu atirei um portal atrás das grades onde nos apoiávamos. Chegando do outro lado, arrombamos uma porta a tempo de ouvir mais um “Deploying” dito naquela voz doce.

Passamos à um corredor, e eu me perdi no que Frank acabara de falar... Gerard, concentre-se... vocês precisam sair daqui. Ela ainda está tentando nos matar, e você fica aí pensando em um passado vago.

Olhei para Frank e sorri de leve. Bem... não era um passado tão vago assim. E não faria realmente tão mal continuar cavando-o, não é?

Notas finais
Então, eu acho que vou fazer os dois finais o/ Vou postar um e o "final alternativo" em seguida, aí vocês decidem o que mais gostarem, o que acham?
E, uma mensagem... Adrenaline E. e Miss Nothing, eu estou completamente inútil pra responder suas MPs agora '-' Sei lá, não consegui escrever nada lá, e talvez eu nem entre amanhã (hoje --'), desculpem :/
Bom, então... é isso. :*