Love Me Like You
5 Valentine's
Notas iniciais
— O que eu estava pensando quando concordei com isso? – questionei Tikki enquanto caminhava para a escola.
— Eu acho que nos seus sentimentos. – a kwami respondeu de dentro da minha bolsa, por mais que tivesse sido uma pergunta retórica.
Hoje pela manhã eu acordei extremamente feliz pensando sobre o meu namoro. O problema foi que Tikki disse a seguinte frase “Que bom que vocês vão poder comemorar o dia dos namorados hoje juntos”. Acontece que ela leu no meu calendário a data marcada com um coração e me lembrou que ela estava bem mais próxima do que eu pensava.
Imaginei que poderia fazer algo especial para Adrien ou na melhor das hipóteses passar esse dia com ele. Só que agora em menos de uma semana meus planos mudaram totalmente e eu estaria passando esse dia com ninguém menos do que Chat Noir.
Eu teria que presentar ele? Mas o que eu daria de presente?
Eu definitivamente não sabia ter um namorado, muito menos um namorado super-herói. Eu nem sabia quem ele era por trás da máscara, o que parando pra pensar é bem estranho namorar alguém nessas condições.
Parei de andar assim que avistei Adrien na estrada do Colégio rindo de algo que Nino tinha dito.
Pensar que esse ano eu não enviaria uma carta anônima declarando meu amor novamente era uma ideia esquisita. E de certa forma meu coração ainda apertava ao ver ele de longe não sabendo se um dia ficaríamos juntos.
— Você ainda gosta dele, não é? – Tikki perguntou.
— Muito. – respondi voltando a caminhar.
Tentei afastar esses pensamentos, pois não seria justo com Chat Noir. Aquele gatinho estava me fazendo feliz, mesmo que nosso namoro só tenha começado ontem.
— Mas preciso esquecer Adrien, afinal, eu tenho namorado agora. – sorri para minha kwami que se escondeu enquanto eu chegava na entrada.
O sinal tocou assim que subi a escada e os alunos que estava na frente entraram. Adrien olhou para trás de relance e quando me viu abriu um sorriso e acenou, fiz o mesmo sentindo minhas bochechas esquentarem.
Não podia me castigar muito pelo que eu sentia pelo loiro modelo, pois imagino que Chat Noir também esteja se questionando entre mim e Ladybug embora as duas fossem a mesma pessoa – só com um pequeno detalhe de que ele ainda não sabe disso.
***
Para a minha sorte, nada de akumas durante o intervalo, então pude sair conversando calmamente com a minha melhor amiga.
— Eu pensei em dar aquele fone que o Nino quer, sabe? – assenti, ele fava disso há dias – Você acha que é um bom presente de dia dos namorados?
— Se é algo que ele quer muito, eu acho que sim.
— Então vou comprar depois da aula e passar na casa dele depois. Ainda não tive tempo. – Alya disse anotando um lembrete no seu celular – E você o que vai dar pro Adrien? – arregalei os olhos enquanto ela riu.
— Por que eu daria algo para ele?
— Ué, você já enviou um poema. Pode enviar outro, só que dessa vez assinado. – ela cruzou os braços e me olhou com uma expressão divertida.
— Não, não acho uma boa ideia.
— Sério isso, Marinette? Você precisa dizer pra ele o que sente e que momento melhor que o dia dos namorados? – Alya permaneceu me encarando e eu tentava procurar uma desculpa convincente mas não encontrava.
— Ah, é que eu acho que não estou pronta. – foi uma desculpa bem ruim, no entanto foi a única que eu consegui encontrar.
— Aham sei! – obviamente Alya não acreditou, a minha amiga aspirante à repórter era muito esperta. – Tá, agora me diz o verdadeiro motivo. Está com medo?
— É! – quase gritei, era uma desculpa melhor que a minha – É sim. – recobrei a postura e falei com mais calma – Estou com medo.
— Tudo bem, Marinette. Sei que deve ser difícil. – sua postura agora tinha mudado e ela falava em um tom acolhedor enquanto passava o braço por cima dos meus ombros. – Não precisa esconder isso da sua melhor amiga. – me senti mal por estar mentindo, só que eu não podia simplesmente contar que estava meio que namorando ninguém menos que Chat Noir – Vamos lanchar e por enquanto vamos esquecer isso. Depois se você quiser fazer algo pra ele eu te ajudo.
— Muito obrigada, Alya. – sorri e fizemos nosso toque secreto.
— Achei que tivesse fugido. – Nino disse em um tom brincalhão assim que chegamos à mesa.
— Tentamos, mas infelizmente não foi possível. – Alya rebateu.
— Escuta só, Adrien estava me dizendo que já recebeu um monte de cartas das admiradoras dele. Inclusive dos recados anônimos. – o moreno disse e Adrien riu sem graça.
Os recados anônimos eram recados românticos que você gostaria de mandar para alguém e colocava em uma caixa na escola. No dia dos namorados eles eram entregues para as pessoas destinadas – uma sugestão da Rose, que a Srta. Bustier amou.
— Nossa! – Alya exclamou mas não alongou o assunto, sabia que ela imaginava que eu me sentiria mal falando sobre isso. – E você por acaso recebeu alguma coisa? – estreitou o olhar para o namorado.
— Claro que não, estou esperando receber algo da minha namorada. – piscou fazendo minha melhor amiga dar um sorriso.
Alya e Nino começaram a falar sobre o dia dos namorados, enquanto eu fiquei calada observando – com medo de falar qualquer coisa sem querer, que comprometesse o meu segredo.
Senti um olhar sobre mim e notei que era o de Adrien. Nossos olhares se encontraram e por algum motivo eu não desviei como sempre fazia. O loiro deu um sorriso simpático e eu retribuí.
— Marinette? – ouvi a voz de Sabrina e me virei meio confusa. – Isso é pra você. – ela me deu um bilhete em formato de coração vermelho.
— O que é isso?
— Os recados anônimos de dia dos namorados.
— A-Ah! – eu tinha recebido um? Como assim?
— O que diz no bilhete? – Alya se inclinou curiosa, enquanto eu abria para ler.
“Você é uma menina extraordinária, Marinette.
Clara, como uma nota musical,
Sincera, como uma melodia.
Você é a canção que está na minha cabeça,
Desde o dia que nos conhecemos!”.
Arregalei os olhos sabendo perfeitamente de quem era aquela declaração, mesmo que fosse anônima. Luka tinha me dito exatamente isso quando foi akumatizado e depois não lembrava de nada. Mas aparentemente ele tinha isso bem claro na cabeça dele.
— Wow! – Alya exclamou encantada.
— O que tem aí? – Nino tentou ver, porém minha amiga tirou do alcance das suas mãos e me entregou.
— É pessoal. Tudo bem que eu vi, mas nós somos melhores amigas. – ela se explicou e então o namorado deu de ombros.
— Quem foi que enviou? – ouvi Adrien questionar.
— É anônimo, meu amigo. – Nino explicou.
— Hum! – o loiro murmurou. – Você tem ideia de quem pode ter sido, Marinette? – neguei novamente e o guardei dentro da bolsa.
— De qualquer forma foi uma declaração muito bonita. – disse a minha amiga.
— É, foi. – de fato tinha sido uma declaração incrível mas que infelizmente veio na hora errada.
O problema é que eu fiquei pensando nisso o resto da aula. Porém quando cheguei em casa, afastei esses pensamentos, pois precisava pensar no que eu daria de presente para Chat Noir.
— Nós nem namoramos pra valer! – disse andando de um lado para o outro – Mas acho que seria incrível se eu presenteasse ele. Eu só não faço ideia do que comprar.
— Você pode fazer alguma coisa.
— É uma excelente ideia! – parei e encarei Tikki – O que você sugere? – ela deu de ombros.
— E como é que eu vou saber o que vocês humanos gostam? – ri do seu jeito engraçado.
— Certo, você tem razão. Que tal se eu fizer alguns doces pra ele? Não tem erro!
— Posso te ajudar se quiser.
— Seria ótimo! – abracei Tikki e juntas fomos para a cozinha.
***
Encarei a caixinha de doces que fiz para Chat Noir, estava incrivelmente fofa com uma decoração de gatinhos – por motivos óbvios.
Já era noite e eu estava esperando sua visita. Embora tenha ficado pensando por alguns minutos que ele poderia não vir, já que nem falamos sobre comemorar a data ontem – os dois estavam tão ocupados equilibrando a vida pessoal com a vida se super-heróis que nem se ligaram nisso. No entanto Tikki disse que era bem provável que Chat Noir viria, já que de certa forma estamos namorando.
Olhei para o relógio e já tinha passado um pouco da hora que ele geralmente vinha.
— Será que aconteceu alguma coisa?
— Não sei. – Tikki respondeu e continuou comendo seus doces em cima da minha escrivaninha.
Comecei a ficar aflita, por que ele não vinha? Aconteceu alguma coisa? Ou ele simplesmente desistiu de mim?
— Será que ele desistiu? – questionei, porém Tikki não disse nada. Me virei para falar com ela e quando o fiz dei de cara com Chat Noir. Pulei com o susto, fazendo ele rir.
— Não, ele não desistiu. – o loiro respondeu em um tom divertido e estendeu a mão, me oferecendo um buquê de rosas vermelhas. – Feliz dia dos namorados, Marinette. – sorri e peguei o buquê. – Desculpe pelo presente simples, sinceramente eu tinha me esquecido da data. Nunca a comemorei. – riu.
— Feliz dia dos namorados para você também, Chat Noir. – entreguei a caixa com os doces – E eu também me esqueci. Mas fiz os doces hoje, não é a melhor coisa do mundo, mas...
— Você está brincando? Eu adorei, muito obrigado! – o herói me abraçou e assim ficamos por alguns segundos.
Quando nos separamos nossos olhares se encontraram e ele se inclinou para frente, fiz o mesmo e começamos um beijo calmo e intenso. Mais do que tinha sido na noite anterior. Nos afastamos com um sorriso divertido.
Depois disso, sentamos na minha cama e ficamos conversando sobre a luta dele com a Ladybug no dia de ontem. Perguntei como tinha sido, embora eu já soubesse perfeitamente.
— Mas me conte como foi o seu dia. Recebeu alguma declaração de amor? – parei no mesmo instante estranhando um pouco a pergunta e avaliando se deveria respondê-la.
— A-Ah... – não é uma boa esconder segredos, não é? E afinal, alguém se declarar para mim não significa que eu ame a pessoa de volta – Sim, uma.
— Sério? De quem? – piscou os olhos, atento.
— Anônima. São os recados anônimos do dia dos namorados que tem na minha escola. – não disse quem era, porque por mais que eu tivesse quase certeza, ainda havia uma pequena porcentagem de não ser Luka.
— Hum! – murmurou – E o que dizia?
— Nada demais. – balancei as mãos, não queria falar disso agora – Mas e você? Recebeu alguma?
— Algumas. – ele deu de ombros e esticou as penas, o encarei esperando que falasse mais alguma coisa mas ele não disse.
— Algumas? – Chat Noir assentiu.
— É, algumas fãs. Nada demais.
— Hum... – estiquei as minhas pernas e o silêncio reinou entre nós.
Eu estava com ciúmes de Chat Noir? Porque se essa sensação incômoda que senti quando ele disse ter recebido algumas declarações, não for ciúmes, então não sei o que é.
— Eu aprecio o gesto das pessoas com essas declarações e tudo mais. – desviei meu olhar para ele – Mas no momento eu só penso em uma pessoa. – olhou para mim e sorriu. – Eu sou apaixonado por você, Marinette.
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