Love Me Like You
6 The Identity
Notas iniciais
Permaneci congelada na mesma posição depois de ter ouvido Chat Noir dizer que é apaixonado por mim.
Nós começamos nosso meio namoro ontem e ele já me amava? Isso seria possível? Por que eu não sinto como se pudesse dizer de volta? Não que eu não gostasse pra caramba dele, só que amar era algo bem mais forte.
— Eu entendo que parece precipitado. – Chat Noir disse, tirando as palavras da minha boca – Mas é que eu meio que conheço você por trás da máscara e devo confessar que você mexe comigo faz um tempo. Agora meus sentimentos se intensificaram e... Bem, você entendeu. – ok, isso me deixou ainda mais em choque.
— Nos conhecemos por trás da máscara? – o loiro assentiu com um sorriso.
Na minha cabeça milhares de rostos passavam mas nenhum parecia se encaixar. Maldita mágica do Miraculous que faz com que não seja possível relacionar a pessoa que está por baixo da máscara! Quero dizer, esse recurso é muito bom para as identidades não serem descobertas, porém somente agora eu queria que não existisse.
— Imagino que não saiba quem sou e eu não te culpo. Minha personalidade é mais contida.
— Por acaso está me dando dicas? – ele riu.
— Quem sabe? Vai que você acaba descobrindo quem eu sou? – encarei Chat Noir tentando com todo o meu ser pensar em quem poderia ser o garoto por trás da máscara.
— Sua identidade não tem que ser um segredo?
— Sim, mas você é minha namorada. Se planejamos ter um relacionamento longo, uma hora ou outra você vai acabar descobrindo quem eu sou. – e foi nessa parte que eu surtei de vez.
Não tinha parado para pensar que futuramente eu descobriria quem Chat Noir é. Não que isso fosse ruim, só que me colocava em uma situação complicada.
Eu estive mentindo para ele o tempo todo e quando eu descobrisse a identidade dele, seria mais do que injusto não contar que eu era a Ladybug. O problema maior disso é a maneira que ele reagiria ao saber que eu o rejeitei e depois aceitei namorar com ele como se fosse outra pessoa.
— Você tem razão. – foi só o que eu consegui dizer.
Chat Noir passou os braços ao redor dos meus ombros, me trazendo para si.
— Eu sempre tenho. – falou em tom convencido.
— Engraçadinho!
— Realmente, sou uma graça. – soquei seu peito de leve.
— Por que mesmo eu resolvi aceitar namorar com você?
— A resposta é óbvio, olha essa perfeição! – arqueei a sobrancelha e encarei o loiro com a maior pose convencida.
— Aham. Você vai ver só! – comecei a fazer cócegas em sua barriga, enquanto ele ria sem parar e pedia para que eu parasse.
— Eu vou... Me... Vingar!
— Não! – Chat conseguiu me derrubar para o lado no colchão e começou a fazer cócegas em mim. Felizmente meus pais tinham sono pesado.
Quando ele finalmente parou, ficou sentado me olhando.
— O que foi? – perguntei ainda atirada na cama.
— É que você é incrivelmente linda! – sorri me sentindo envergonhada.
— Você também é. – Chat Noir se abaixou, segurou meu rosto com as mãos, me beijando em seguida.
— Desculpa, mas eu preciso dizer de novo que amo você, Marinette. – o loiro disse ofegante. – Eu entendo perfeitamente que você não possa dizer o mesmo, afinal, você não me conhece tanto quanto eu te conheço. Mas esse sentimento é grande demais para eu guardar dentro de mim.
O segurei pelos ombros e o puxei levemente para baixo, fazendo com que ficasse deitado por cima de mim. O beijei novamente, sentindo uma de suas mãos na minha cintura, por baixo da blusa.
Nos separamos e ficamos nos fitando, com as respirações descompassadas. Os seus olhos verdes brilhavam, me hipnotizando.
Embora eu não tivesse a certeza, naquele momento eu acho que também estava apaixonada por Chat Noir.
***
Era sábado, felizmente um dia sem aulas e que eu poderia acordar tarde sem nenhuma preocupação.
Durante a tarde eu normalmente ajudava os meus pais na padaria, no entanto, eles me dispensaram hoje. Logo, tive tempo de entrar em uma missão que gosto de chamar “Quem é Chat Noir?” — foi o que eu escrevi no papel em minha frente.
Tikki disse que talvez não fosse uma boa ideia tentar descobrir a identidade do herói, já que isso implicaria em eu contar que sou a Ladybug, pois não é justo que somente eu saiba seu segredo. Mas eu já não ligava mais para isso, se eu tivesse que contar, contaria.
— Se nós nos conhecemos por trás da máscara, será que o Chat Noir estuda comigo e viu a Sabrina me entregando a declaração anônima?
— O que te faz pensar isso?
— Ele perguntou sobre as declarações e parecia bem interessado.
— Então pode ser que estudem juntos. Mas isso não quer dizer muita coisa. – a kwami deu de ombros e voltou a comer seus doces.
— Certo, o Miraculous pode alterar a aparência física também, não é? – Tikki assentiu – Então quer dizer que Chat Noir pode não ser loiro ou não ter os olhos verdes?
— Sim, mas duvido que a sua forma completa seja mudada.
— É, você tem razão. – encarei o papel em minha frente e peguei uma caneta – Vamos começar fazendo uma lista de garotos loiros com olhos verdes que eu conheço. – pensei, pensei, pensei e logo ajeitei a minha postura na cadeira, engolindo em seco – T-Tem o Ad-drien. Hum... Quem mais... Não deve ter só ele. – ri com certo nervosismo pois por alguns segundos fazia muito sentido que Adrien Agreste fosse Chat Noir. – Quer dizer... É improvável, não é?
— O que é improvável?
— Adrien ser o Chat Noir.
Antes que Tikki pudesse dizer algo, peguei um recorte de revista da foto do modelo de dentro da minha gaveta – tinha guardado todos desde que Chat Noir começou a vir aqui – e usei a minha caneta preta para desenhar um traje de Chat Noir, do mesmo jeito que Alya tinha feito há um tempo atrás.
— Tá, é meio parecido. Mas não pode ser ele. – afirmei gesticulando. Em seguida olhei para a foto novamente – Não pode, não é? – peguei uma caneta amarela e rabisquei o cabelo bagunçado de Chat Noir. – Hã... – comecei a rir novamente – Ok, isso é loucura! Tá muito parecido sim, mas o Adrien não pode ser o Chat. A começar, a personalidade dele é mais... Contida. – desacelerei a minha fala ao perceber que Chat Noir disse exatamente isso sobre si por trás da máscara. – Apesar disso, o Adrien... Ele... Ele é modelo! – isso nem fazia sentido.
Adrien foi no meu aniversário e casualmente Chat Noir tinha compromisso no mesmo horário, sendo que eu nem tinha dito horário quando convidei o gatinho. Adrien viu a Sabrina me entregando a declaração anônima e à noite Chat Noir casualmente tinha me perguntando se eu tinha recebido alguma declaração.
Certo, por um momento vamos considerar que Adrien Agreste seja Chat Noir. Isso quer dizer que aquilo tudo que eu disse, a minha declaração toda sobre Adrien, eu disse para ele mesmo?
Isso só pode ser um pesadelo!
Nem tanto, porque eu estaria namorando Adrien.
Mas eu disse tudo aquilo para ele. Meu Deus, ele deve achar que eu sou incrivelmente patética!
E cada vez que eu pensava mais sobre as minhas conversas com Chat Noir, mais eu tinha vontade de sumir de tanta vergonha. Se bem que ele também disse algumas coisas sobre a Ladybug pra mim, que é a mesma coisa. No entanto, o gatinho já mostrou não ter tanta vergonha com isso.
Ai meu Deus! Eu não sei o que fazer, o que pensar e...
— Marinette! Akuma! – Tikki me avisou vendo a destruição pela janela.
— Era só o que faltava! – lamentei. Como conseguiria olhar para Chat Noir, sabendo que supostamente ele é Adrien Agreste? – Tikki, spots on! – me transformei e saí pela janela, afinal, mesmo com dilemas pessoais o meu trabalho como Ladybug vem acima de tudo.
Não demorou muito para que eu encontrasse o akuma e felizmente era apenas o Sr. Pombo de novo.
— Atchim! – ouvi um espirro e Chat Noir pousou ao meu lado coçando o nariz – Boa tarde, Bugaboo! Atchim! – arregalei os olhos, como não tinha notado antes que Chat Noir era alérgico a penas assim como Adrien? Isso só confirma ainda mais a minha teoria.
— Lucky Charm! – foi apenas o que eu disse, em seguida segurando o objeto com estampa de joaninha.
— Já? Qual é o plano? – me limitei a apenas explicar para o meu parceiro o que deveríamos fazer. Mal conseguia encarar ele, muito menos olha-lo nos olhos. Chat Noir provavelmente não estranhou o meu comportamento, pois estava preocupado demais espirrando a cada dois segundos.
Como Sr. Pombo não era necessariamente mal e habilidoso, conseguimos derrotar ele rápido. E assim que joguei o saco de comida de pombo para cima e disse a famosa frase “Miraculous Ladybug” para consertar todo o estrago feito pelo akuma – que nem tinha sido tão grande –, fiz o toque rapidamente com Chat Noir e saí correndo do local.
— Isso é loucura! – disse assim que desfiz minha transformação já no meu quarto.
— O que é loucura? – Tikki questionou voando para seus biscoitos.
— Eu acho que descobri a identidade do Chat Noir.
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