Love Me For Me
4 Looking Up
Notas iniciais
Capitulo 4 – Looking Up
Annabeth pensou durante horas no que havia constatado. Ela poderia mesmo ter se apaixonado? Se apaixonado por Perseu Jackson? Não, isso seria impossível! Seria, não seria? Ela não tinha tanta certeza. Pelo menos, não mais. Agora, ela não entendia mais nada.
A loira sentia-se estranha. Principalmente quando pensava em Percy. Quando o fazia, sentia uma alegria estranha, sorria e corava, mas logo que lembrava das palavras dele sentia seu coração se apertar e tinha vontade de chorar. Ela o queria por perto, e se amaldiçoava por isso. Era bom e ruim ao mesmo tempo. Por que teve que se apaixonar logo pela pessoa que mais a desprezava no mundo? Por quê?! Por que não podia ser qualquer outro? Bufou tristemente e uma lagrima escorreu pelo seu rosto. Ela queria tanto que ele fosse igual aos outros garotos! Porque se ele fosse estaria caindo aos seus pés e ela não teria se apaixonado...
Enxugou a lagrima, levantou-se e foi olhar-se no espelho. O que viu foi uma garota com cabelos loiros e cachos meio desgrenhados por estar deitada na cama, de olhos cinzentos tristes, maquiagem borrada — porém ainda forte -, vestindo roupas dignas de uma prostituta. Notar isso foi como se a realidade a atingisse em cheio. Era isso que parecia? Uma prostituta? Sentiu o coração pesar. Olhou para a mesa de cabeceira ao lado do espelho e viu a foto de uma garota jovem. Ela era loira, usava óculos e aparelho. Parecia ter onze ou doze anos e sorria ingenuamente. Uma lágrima escorreu pelo rosto de Annabeth. Aquela garotinha era ela, alguns anos atrás. E isso a fazia se sentir tão... mal.
Ela havia mudado tanto. Quando aquela foto fora tirada, ela era a nerd tímida e inocente, que repugnava garotas como ela mesma havia se tornado, garotas que vestiam roupas curtas e vulgares e ‘’davam’’ para qualquer um. Mas ela havia mudado. Mudado pra pior. E só agora percebia isso. Talvez se nunca tivesse mudado, Percy talvez gostasse dela. Talvez ele visse ela como a garota certa para si, afinal a antiga Annabeth era completamente o oposto daquilo que ele repugnava.
Olhando para o espelho, a loira tentou ver o que havia restado da antiga ela em si mesma. Claro que continuava tendo os cabelos loiros e os olhos cinzentos. Mas não tinha nem de longe o sorriso ingênuo e puro, muito menos a expressão ingênua e pura. Além disso não era só seu exterior que havia mudado, mas seu interior também. O que era muito pior. Queria naquele momento, mais do que em todos os outros, voltar a ser quem era. Parar de sentir-se tão mal, tão triste e tão cheia de nojo de si mesma. Tinha vontade de chorar mais, mas suas lagrimas seriam em vão. Elas não trariam de volta o que era, muito menos a purificariam. Eram simples gotas de água salgada que caiam do seus olhos. Não poderiam fazer muita diferença, porém aliviavam bastante a dor. E isso já era mais do que suficiente.
Sentou-se na cama, ainda olhando-se no espelho, e com a mão tocou o próprio rosto e viu o seu reflexo fazer o mesmo. E se sentiu mais mal. Como ela queria que aquela do espelho não fosse ela. Mais lagrimas escorreram pelo seu rosto.
Naquele momento, ela viu tudo de errado que havia consigo. Lembrava de todos os erros que cometera. Lembrava quando tudo aquilo acontecera. Lembrava de tudo. E se odiava mais a cada coisa que lembrava. Parecia que todas aquelas lembranças haviam aparecido apenas para torturá-la e fazê-la se sentir pior que já estava. Agora ela entendia o que Percy queria dizer. E sentia por si mesma o que o rapaz parecia sentir também.
Com as costas das mãos, a garota tirou toda a maquiagem e enxugou as lágrimas. Levantou-se, andou até uma gaveta e procurou. Por fim, achou o que procurava. No fundo da gaveta, achou o que procurava. Era uma caixa rosa, desbotada. Em cima havia um post-it escrito ‘’velharias’’. A loira arrancou o post-it, o amassou e abriu a caixa. Dentro dela, havia um ursinho de pelúcia marrom, uns blusões, cadernos e outras coisas, que não lhe interessavam no momento. Pegou um dos blusões, uma legging e roupas intimas e foi para o banheiro.
A loira ligou o chuveiro e entrou na água, sentindo-a escorrer por todo o seu corpo. E depois de todo aquele tempo se sentindo suja e com nojo de si mesma, sentiu-se, pela primeira vez em horas, que estava limpa e bem. Era como se a água traspassasse sua pele e penetrasse sua alma, limpando, não somente a sujeira externa, quanto a interna. E isso a fez sentir melhor.
Enquanto tomava aquele banho, sentiu como se nada daquilo tivesse acontecido, como se ela ainda fosse aquela garota alegre, só que crescida. E sentir-se assim novamente foi ótimo. Pela primeira vez em tempos, ela sorriu. Não que desde que ela mudara não sorria mais, ela sorria, mas não daquela forma. Não, daquela forma não. Annabeth estava sorrindo docemente, estava realmente feliz. Qualquer um que a conhecia antes de mudar diria que parecia ser a mesma Annabeth, mas por dentro ela não era. A antiga Annabeth não sentia nojo de si mesma, era alegre e adorável, a nova Annabeth sentia nojo de si mesma, era atirada e, por mais que não parecesse, triste.
Sim, ela era triste. A vida dela não era perfeita como parecia, ninguém gostava dela pelo que era, e sim por sua aparência, o garoto que gostava a repugnava e ela não tinha amigos. Se você fosse ela, você, realmente, acha que seria feliz?
Quando acabou o banho, saiu do Box e secou-se. Pela primeira vez em anos, ignorou as maquiagens e cremes que estavam em sua mesa. Vestiu-se com aquela roupa velha, porem confortável. Respirou fundo e sentiu o cheiro de limão da blusa. Sorriu. Quando era mais jovem costumava cheirar a shampoo de limão. Sentia falta daquele cheiro. A roupa continuava larga e folgado, pois havia crescido com o tempo, mas não havia engordado. Penteou os cabelos loiros calmamente e saiu do banheiro. Depois arrumaria tudo, mas naquele momento não.
Foi andando silenciosamente até o seu quarto. Deitou-se na cama e puxou a caixa mais para perto de si. Retirou o urso e o abraçou, como fazia quando estava triste quando estava pequena. E ficou simplesmente assim, parada abraçando o velho urso. Enquanto o fazia, varias idéias vinham a sua cabeça. Não sabia o motivo, mas sabia que estava na hora de mudar. Para melhor, obviamente.
Era sexta-feira, então tinha muito tempo para se ajeitar antes da escola. E agora, com o começo do ano letivo, na mente de Annabeth ela via apenas dois objetivos: Ela voltaria ser o que era e conquistaria, de qualquer forma, Perseu Jackson.
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