Love Me Do

1 Capítulo único


Notas iniciais
Olá! Espero que você goste de ler. *-*
Eu não sei o que escrever aqui, então... boa leitura!

O suor formava uma fina camada em cima de suas mãos claras. Ela respirou fundo e fechou seus olhos, tentando se acalmar. Seu coração batia rápido, muito rápido. Acho que dentre todas aquelas pessoas que, naquele momento, também esperavam sua vez de apresentar seu talento, nenhuma delas se encontravam tão nervosa quanto ela.

“Céus... Por que eu deixei minha consciência me convencer a fazer isso?” Indagou-se mentalmente.

Lá fora a quente tarde terminava, enquanto, no palco há poucos metros de si, o número de comédia chegava ao seu fim. Logo, logo, seria a sua vez. A sua forca; o momento decisivo.

- Continua firme e forte aí, Jenna? – Sam perguntou-lhe com um sorriso brincalhão em seu rosto.

- Claro, por que não estaria? – Ela respondeu-lhe. Sua voz parecia calma, mas seus olhos denunciavam para o rapaz todo o pânico que ela estava sentindo.

- Relaxa. O Max vai adorar. – Ele piscou.

Era o dia do show de talentos. Que, por coincidência, caíra no mesmo dia do dia dos namorados. Ela não possuía um namorado. Mas uma paixão abrasadora ardia dentro de si toda vez que pousava seus olhos nos dele. De Max.

Então aproveitaria o ensejo e, se tudo corresse conforme planejado, ao final do dia, ela teria um namorado.

Já havia tentado se declarar; jogado indiretas; provocar-lhe ciúmes... Já havia feito de tudo. Uma vez, até... Talvez eu deva te contar... Não, não, não vamos nos desviar daquela tarde atípica da apresentação. Em uma outra ocasião, talvez, eu lhe conte o que é que aquela danada aprontou... Como eu ia dizendo, Jenna já havia feito de tudo, menos falado abertamente que estava completa e totalmente apaixonada pelo garoto de óculos sentado na arquibancada. E era isso que ela iria fazer agora: cantando. E com a ajuda dos melhores amigos do rapaz (que também eram seus amigos): Sam, Harry e Jason.

Você deve estar se perguntando... O que levaria uma garota normal a se declarar em frente a toda uma escola para um garoto a quem nem tinha certeza se nutria por ela os mesmos sentimentos?

Mas é aí que você se engana. Jenna não era como as outras garotas normais de dezessete anos que desfilam por aí com roupas de marcas e namorados novos. Jenna gostava de rubgy, de ler, de Beatles, de História, de Literatura, de música, jogava basquete, falava inglês e espanhol, gostava de ler, de escrever e de cantar. Percebe que são coisas desconexas? Exatamente, Jenna era complicada. Fazia o que gostava, sem se importar com o que os outros pensavam. Não usava roupas de marcas. Andava de ônibus. Não tinha o cabelo liso. E nem os dentes incrivelmente brancos. Não usava maquiagem.

Mas... exatamente por essa simplicidade, era que Jenna conversava com toda a escola. Tinha diálogo com todas as moças. E com os rapazes. Ahhh... Mas ela não tinha olhos para nenhum. Nenhum outro que não fosse Max.

Agora, enquanto escrevo para você, me veio em mente o momento em que eles se conheceram. Diferente da primeira vez que ameacei contar-lhes algo, essa sim seja um acontecimento que valha a pena ser contado. Ajudará você a entender melhor Jenna.

Então diga-me você, leitor: queres ler? Deseja saber como é que se conheceram? Já se sente intrigado com o final dessa história? Já foi pego pela curiosidade? Ou eu ainda não consegui te cativar? Caso não, caso realmente queira fechar essa janela, ler outra coisa ou fazer algo mais interessante, recomendo que o faça. Afinal de contas, é horrível fazer algo que não quer. Fazer algo por obrigação.

Já que aqueles que não querem saber o fim já se retiraram – assim espero – convido a você, leitor que restou – tenho a esperança de que alguém respondeu sim as minhas indagações anteriores – a conhecer a protagonista dessa história melhor.

Foi há dois anos atrás. Era, assim como essa, uma tarde quente.

Jenna estava jogando beisebol com Jason, Harry e Sam no grande gramado dedicado aos alunos. Era apenas uma brincadeira entre amigos. A poucos metros jazia um Max que, muito concentrado, lia e refletia sobre Hamlet (Jenna não fazia ideia da existência de Hamlet naquela época. Conhecia apenas – e vagamente – Shakespeare por causa de um filme que já havia visto baseado em Romeu e Julieta).

Pois bem, estavam jogando. Mas Jenna rebateu a bola com muita força, fazendo-a voar, ir para muito longe e acertar Max – por obra do destino, penso eu. Os outros três rapazes – muito cavalheiros – fizeram com que Jenna fosse buscá-la.

- Joga a bola! – Exclamou pedindo, assim que chegou perto o suficiente para que Max ouvisse.

O rapaz levantou os olhos para a figura ímpar a sua frente: o rosto levemente avermelhado – por causa do exercício -, o peito arfante e os cabelos ondulados rebeldes presos em um elástico chamaram-lhe a atenção. Depois olhou para a bola: o pequeno objeto branco estava ao seu lado. Olhou novamente para o livro.

- Nossa! – Proferiu. – Você é mesmo educado, hein? – Nesse momento já havia aproximado o suficiente: abaixou-se e pegou o item.

- Sou tão educado quanto você que me jogou isto. – Respondeu, sem desviar os olhos do livro.

- Ah, eu te acertei? Me desculpe. – Pediu sinceramente.

- Tanto faz. – Ele ainda olhava para o livro. Desejava que ela percebesse que estava atrapalhando-o.

- Hmmm... – Jenna respondeu, desviando seus olhos para o livro nas mãos do rapaz. – O que você está lendo?

- Ser ou não ser, eis a questão. – Respondeu com a célebre frase da obra.

Ela abaixou seus olhos para a capa do livro, tentando ler o título.

- Mas... está escrito Hamlet...

- Você não conhece Hamlet?! – Ele perguntou, perplexo.

E então se seguiu um longo discurso sobre a importância de Shakespeare para o mundo moderno. Discurso esse que, além de não ter nenhuma importância com a história, caso eu o colocasse aqui, entediaria você, querido leitor. Mas que foi extremamente interessante para Jenna, porque mostrou-a como Max era diferente dos outros com os quais ela conversava.

Ela se apaixonou por ele naquele momento.

E isso nos remete ao momento atual: nervosa, ela aguardava sua vez de subir ao palco.

O show de comédia acabou com aplausos, agora seria sua vez. Caminhou, com passos vãos, até o palco seguida por seus fiéis escudeiros. Passou entre a grande cortina vermelha. Logo a sua frente, o microfone encontrava-se lá no meio, só. Respirou fundo e fechou os olhos. Imaginou que aquilo não passava de outro ensaio. Retirou o microfone de seu suporte.

- Max... – Chamou o nome do amado com os lábios secos e trêmulos. – Essa música é para você.

O homem levantou seus olhos – de algum livro – e olhou para ela após proferida aquela frase inesperada. A moça deu um sorriso sutil.

Ouviu os garotos começarem com seus instrumentos atrás de si. Fechou seus olhos, sentindo a melodia animada inundar seus ouvidos. Antes que pudesse perceber, já havia começado a imitar John Lennon.

Love, love me do (Amor, me ame)
You know I love you (Você sabe que eu te amo)
I´ll always be true (Eu serei sempre verdadeiro)
So please, love me do (Então, por favor, me ame)

Oh, love me do (Oh, me ame)

Abriu seus orbes após a primeira estrofe. Queria ver a reação do rapaz.

Ele continuava surpreso. A boca entreaberta e ambas sobrancelhas erguidas, como quem pergunta: “Mas que diabos...?” Entretanto, não parecia uma reação negativa. Jenna cerrou os olhos novamente: gostava de se imaginar sozinha com o microfone. Um sorriso dançava em seus lábios.

Love, love me do (Amor, me ame)
You know I love you (Você sabe que eu te amo)
I´ll always be true (Eu serei sempre verdadeiro)
So please, love me do (Então, por favor, me ame)
Oh, love me do (Oh, me ame)

Ela, de maneira particular, era apaixonada por essa música dos Beatles. O ritmo era envolvente e fazia com que ela quisesse dançar. A letra era ousada e condizia com o que ela sentia. Se ela amasse alguém, não custava pedir para que essa pessoa a amasse de volta. Assim ela não sofreria.

Someone to love (Alguém para amar)
Somebody new (Alguém novo)
Someone to love (Alguém para amar)
Someone like you (Alguém como você)

Love, love me do (Amor, me ame)
You know I love you (Você sabe que eu te amo)
I´ll always be true (Eu serei sempre verdadeiro)
So please, love me do (Então, por favor, me ame)
Oh, love me do (Oh, me ame)

Abriu seus olhos novamente após esse verso, procurando o rapaz para quem cantava. “Agora ele já deve ter percebido, mesmo sendo lerdo como é...” Ela pensou, ansiosa pela reação do rapaz.

Mas... a cadeira se encontrava vazia. O homem, que minutos atrás estava sentado lá, naquele lugar, agora não mais estava. Seus olhos voaram em direção à saída, procurando-o. Nada.

Diga-me, querido leitor, você acha que isso foi uma resposta negativa as palavras de Jenna? Será que alguém seria tão indelicado ao ponto de sair sem ao menos trocar uma palavra com uma mulher que se declara? E... detalhe: alguém que se declara no dia dos namorados? Será que Max seria assim, tão cruel?

Não vou lhe contar, pois isso remete ao final da nossa história. E longe de mim querer estragar uma surpresa. Aproveito o ensejo e peço que tenha paciência para ler até o final, pois já está terminando.

Mas a pobre Jenna realmente achou que aquela ação foi negativa. Sentiu uma pontada contínua em seu coração e lágrimas chegaram aos seus olhos. Lágrimas que ela não deixou cair. Jenna era forte. A última estrofe da música chegava e a mocinha cantou com a mesma intensidade de antes – se não melhor. Não se daria por vencida. Não ia deixar que uma rejeição – mesmo que fosse no dia dos namorados – fizesse com que ela perdesse o ânimo.

Love, love me do (Amor, me ame)
You know I love you (Você sabe que eu te amo)
I´ll always be true (Eu serei sempre verdadeiro)
So please, love me do (Então, por favor, me ame)
Oh, love me do (Oh, me ame)

Quando a derradeira nota musical soou, Jenna – e seus amigos – foram aclamados por uma calorosa salva de palmas. A jovem sorriu e acenou para alguns conhecidos. Mas o sorriso era falso e se quebrou assim que seus olhos voaram novamente para o lugar vazio antes habitado por seu amado. Ela suspirou. Seu peito tentava comportar a mais nova dor ali chagada.

Deu as costas para o palco e, assim que passou para dentro de cortina vermelha, sentiu uma mão em seu ombro, tentando confortá-la. Um conforto de um dos seus amigos. Ela deu um triste sorriso.

- Jenna... – Um ser arfante passou pelas outras pessoas que estavam ali – ainda esperando sua vez para se apresentar — entre empurrões e pedidos de desculpas.

Antes que pudesse ligar a voz do falante à pessoa, ela ergueu seu olhar por ter ouvido seu nome ter sido falado. O peito de Max subia e descia rapidamente e seu rosto era coberto por uma fina e brilhante camada de suor.

- Cara... sabe o tanto que eu corri pra poder estar aqui antes que a música acabasse? – Ele engoliu em seco.

- Max... – Ela murmurou.

Ahhhh, o amor...!

- Então era isso? – Ele perguntou com um pequeno sorriso no canto da boca em meio à respiração pesada.

- Errr... acho que a gente vai embora. Tchau, Jenna, tchau, Max. – Sam disse, empurrando um Jason estupefato que não queria arredar os pés dali. Harry deu de ombros e os seguiu.

- O que... você tá fazendo aqui? – Ela perguntou. Seus olhos evasivos e covardes encaravam o chão.

- Ué, não era você que tava se declarando pra mim na frente de todo mundo? – Ele se aproximou dela com passos calmos. Pousou uma de suas mãos no queixo da garota e, apesar da leve pressão feita por ela, ele ergueu seu rosto. Mas os olhos de Jenna ainda encaravam qualquer outra coisa senão os de Max.

- Olhe para mim. – Ele sussurrou. Ela obedeceu cegamente. Sentiu suas pernas bambearem e seu coração se acelerar demasiado devido à proximidade dos dois. – Se você estava tão corajosa há alguns minutos atrás, na frente de todos, por que é que agora mal consegue olhar para mim?

- Não sei... – Deixou as palavras saírem vãs embaladas pela voz de seu amado.

- Você é complicada, Jenna. – E sorriu.

Ela sorriu por reflexo. Já não ouvia o que Max dizia. Estava encantada por ter conseguido estar com ele naquele momento. Conseguido se declarar. Por ter seus sentimentos correspondidos.

A proximidade entre os dois corpos... Sentia o hálito quente do rapaz bater em seu rosto. Olhou para seus lábios. Tão convidativos... Tão próximos...

Max enlaçou seus braços na cintura da menina.

- Agora eu deveria te beijar, certo, namorada? – Ele disse. Sua mão caminhou lentamente até a nuca da moça, sentindo a textura macia de sua pele. Tocou-lhe os lábios doces com os seus, selando-os.

Jenna era complicada. E, por ser complicada, era perfeita.

Notas finais
E então? *Percebam a excitação da autora* Gostaram? Eu preciso da opinião de vocês, please. ;-;
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!