Acordo sem fôlego e ao olhar ao redor, encontro meu travesseiro ao chão. Mesmo se fosse possível esquecer um sonho desses, eu seria capaz de descobrir com o que sonhara simplesmente pela situação na qual me encontrava e pela euforia e receio misturados com desejo que se agitavam dentro de mim.

Ele desperta o pior de mim, o meu lado mais... Apenas viro outra pessoa, alguém que depende dele para viver. E vê-lo tão perto, mas ao mesmo tempo distante de mim, é como se tudo me fosse arrancado, como se não fosse possível encontrar paz. Ajoelho-me e oro, coisa que não fazia há dois anos, então peço algo que provavelmente Deus não achou que escutaria de mim, peço que tire ele de minha cabeça. Mas acho que não é possível deixa-lo ir, se tudo o que quero é ele aqui.

Ele passa pelo corredor e não me vê, ou talvez me veja, mas me ignore. Ele canta uma música sobre amor e quando seus olhos, finalmente, encontram os meus, eles me dizem que ele não me quer mais, que não precisa mais de mim. Mas eu o encaro. Meu olhar revela fogo, desejo, coragem. Combato o gelo de seu olhar, com o fogo e juro ver algo, algo pequeno, mas ainda assim algo. E então a música acaba todos aplaudem e Puck volta a se sentar. É minha vez.

Canto uma música sobre amor não correspondido, mas parece que todos só ouvem a palavra amor. Finn abraça Rachel, Mike abraça Tina, Santana abraça Britt e Puck mantém os olhos distantes, pensando em outra coisa. Odeio ser a garota sensível, mas naquele momento eu tinha o direito de ser. Seco distraidamente uma lágrima enquanto o pianista termina a música.

– Quinn, você está chorando? — Artie pergunta e todos me olham. Então o sinal toca. Salva pelo gongo. E todos vão embora, exceto eu e ''ele''.

– Puck... O que achou? — Arrumo meu vestido e me sento ao lado dele, colocando uma das mãos em seu ombro direito.

– O que? — Ele dá um pulo e olha para mim assustado.

– O que você achou? Da música? Que eu acabei de cantar? Sério, Puck? Você não ouviu nada?

– Desculpe, eu estava pensando... — Ele abre um sorriso torto e sei exatamente em que ele estava pensando. Ou melhor, em quem.

– Que droga. Ela não te ama, ela é a mãe de Rachel, a mãe adotiva de Beth. A mulher que nos tirou nossa filha. Ela podia ser sua mãe!

– Você não entende... — Ele balança a cabeça e tira minha mão de seu ombro. — Eu preciso ir. — Então se levanta e sai da sala.

Olho ao redor, espantando as lágrimas e percebo Rachel ali. Olhando para mim, boquiaberta e com os olhos arregalados como os de um cachorrinho que não encontra o caminho de volta para casa.

– É verdade isso? — Ela se senta ao meu lado.

– Sim, Rachel. Eu sou a garota estúpida que se humilha aos pés de um cara que a trata feito lixo, sim Rachel. E eu não preciso que você jogue na minha cara como está alegre ao lado de Finn. Como sou estúpida...

– Não, não, não isso. Minha mãe? Quer dizer, Shelby e Puck? Como?

– Não sei como. Francamente, não quero falar sobre isso. Preciso ir.

– Eu quero te ajudar. Te ajudar a reconquistar Puck e deixar ele longe de Shelby.

– Por quê?

– Shelby é minha mãe, Quinn. Mesmo que eu não faça parte de sua vida. E bem, Puck não é exatamente quem sempre sonhei em chamar de pai.

– Tudo bem, que seja, não tenho nada a perder. — Deixo a sala ainda me perguntando o que acontecera ali, Rachel realmente me ajudaria? E pior que isso, eu não acabara de aceitar sua ajuda? Bem, situações extremas exigem medidas desesperadas.



Outro sonho . Dessa vez ele está ao meu lado. Seus dedos tocam minhas bochechas enquanto ele diz que me ama. Eu fecho os olhos e seus lábios tocam nos meus. Mas não passa de um sonho, é claro.

Tudo parece normal. Nos corredores as pessoas agem como se tudo em suas vidas estivessem no seu exato lugar, como se cada parte do quebra-cabeça estivesse perfeitamente encaixado. Na verdade, era assim que tudo se encontrava: em seu exato lugar. Tudo, exceto eu. Ou talvez, eu estivesse no meu lugar certo, se este lugar for sem ninguém ao meu lado.

Puck está encostado em meu armário e ao vê-lo meu coração dispara. Digo a mim mesma que ele não vai dizer as palavras que espero ouvir, que ele não sente o que espero que sinta, mas mesmo assim uma ponta de esperança continua ali e impede meu coração de bater em seu ritmo normal. Paro a um passo de distancia e olho para ele, meu coração bate desesperadamente, sinto que vou desabar, mas uso toda a força que tenho para me manter em pé e não fazer papel de ridícula.

–Ei, Quinn. Desculpe ontem eu fui grosso. Mas você disse coisas...

–Eu disse a verdade. Ela não te ama. – Ele me deixa nervosa, mas não posso negar que amo a maneira como me sinto, há algo tentador e delicioso em discutir com ele.

– Ela me ama, Quinn. Olha, nós estamos juntos, você tem que prometer não contar para ninguém. Ela quer ficar comigo, Quinn, de verdade. E eu não vou deixar você ficar no meu caminho.

–Saí daqui.

–Quinn... – O empurro e saio correndo em direção ao banheiro, rezando para que ninguém entre em meu caminho.