Love In War

1 Capítulo 1


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" A cada dia que passa eu agradeço. A cada dia em que acordo, eu agradeço. A cada dia em que sinto o ar, mesmo que pesado, eu agradeço. Agradeço por cada segundo que vivo. Pois vivo, afinal... " [Joseph Grey] –



– 4 de Setembro de 1941 –


O céu estava cinzento naquela tarde de Outono. Talvez fosse pelo clima, talvez pela fumaça dos bombardeios.

Era Outono, mas o chão não estava coberto com as folhas alaranjadas das árvores, dando vida ao local. Muito pelo contrário. Árvores? Não havia nenhuma. A não ser os troncos queimados do que já foram árvores naquele lugar.

O cenário do local aparentava ter saído de um livro de ficção, um livro cuja história se passasse num tempo pós-apocalíptico, talvez.

Casas destruídas, corpos de pessoas dentre as ruínas, o cheiro de pólvora fundia-se com o de cadáveres, empregando o ar com um aroma fétido e insuportável.

Soldados passavam em jipes de modelo Kübelwagen, atentos a qualquer movimento. Outros andavam a pé, as armas sempre apontadas, prontas para atirar.

Uma das pessoas entre os destroços gemeu de dor, estava viva! Um soldado com uma cicatriz no pescoço aproximou-se do corpo e olhou bem para o mesmo. Era uma criança, uma menina que aparentava ter de cinco a oito anos.

O pobre ser estava completamente ferido, sangue escorria da testa e manchava boa parte do rosto, um dos olhos estava tão by Text-Enhance\">inchado e roxo que mal podia abrir. Com a pouca energia que lhe restava, agarrou o pé do militar e ergueu a cabeça, com o olhar de súplica.

–– Ajude-me. Por favor!

Ela conseguiu sussurrar com a voz fraca.

Mas o soldado a olhou com desprezo. Aqueles olhos azuis não continha nenhuma emoção, eram vazios. O militar apontou a arma para o rosto daquela criança e disparou um tiro, dando fim a seu sofrimento.

–– Apenas os fracos esperam piedade dos inimigos, criança idiota.

Não muito longe daquele lugar, os 'Insanos' uma resistência de judeus sobreviventes escondiam-se nos escombros de um bar abandonado.

Aleksander Stravnsky, o líder, estava sentado em uma cadeira, os pés em cima da mesa de maneira despojada, manchando o móvel de lama. As roupas também demonstravam certo desleixo, calças num tom bege estavam encardidas, as botas pretas até os joelhos, sujas, blusa preta e uma jaqueta camuflada desbotada. Em uma das mãos segurava um cigarro pela metade, a outra uma garrafa de Vodka, a qual constantemente levava aos lábios e bebia direto do gargalo.

A mesa tremeu ao ser socada por um jovem irritado. A raiva podia ser vista em seus olhos castanhos escuros, alguns fios de seu cabelo caiam desalinhados em sua testa.

Aleks ergueu a cabeça, encarando o jovem a sua frente enquanto tragava o cigarro e jogava a fumaça no rosto do outro, com um ar desafiante.

–– O que deseja?

–– Stravnsky, temos que sair daqui o mais rápido possível! Estamos aqui a três dias inteiros! É um milagre que não tenham nos descoberto!

–– Iremos...

–– Já perdemos muitos dos nossos! Não podemos perder mais ninguém. Além do mais...

Aleksander levantou-se num salto derrubando a mesa e garrafa no chão, fazendo um barulho que assustou e chamou atenção de todos. Trincando os dentes, pegou o rapaz pela gola da camisa e o ergueu no ar, enquanto olhava-o fixamente nos olhos.

Controlando-se para não socar o rosto do amigo, ele apertou mais a gola e disse entre os dentes, a voz carregada de raiva e autoridade.

–– Já falei que ninguém aqui vai ser pego! Eu sou o líder! Se ainda não saímos, é porque não achei nenhum lugar seguro ainda! Agora escute aqui, insolente: Jurei pela felicidade de minha irmã, que manteria todos aqui seguros. E irei cumprir! Então, faça um favor a todos, e sente-se lá e fique calado!

O jovem engoliu a seco e obedeceu. Não pensando duas vezes, saiu de perto do líder.

Aleksander respirou fundo e passeou com os olhos pelo local, realmente não poderiam ficar ali por muito tempo. O lugar estava lotado, caindo aos pedaços. Não queria luxo, mas sabia que qualquer leve tremor, por menor que fosse, e aquele lugar desabaria.

Precisava pensar em algum novo esconderijo, mas onde encontrar? Havia soldados rondando por toda a cidade.

Suspirou e acendeu novo cigarro, que começou a fumar nervosamente enquanto andava de um lado para o outro, pensativo.


Sentado no chão, atrás de uma estante torta, Joseph Grey escrevia uma carta para sua mãe e irmã.

Pensava com cuidado nas palavras, muitas vezes colocando o lápis nos lábios e olhando para os lados, procurando descrever a situação que estava vivendo. Queria deixar a mãe aliviada, alertando-a que estava vivo. Mas se contasse tudo o que acontecera com ele nos últimos três meses, certamente levaria a mãe a ter um ataque cardíaco.

Sentiu um aperto no peito ao lembrar-se de três dias atrás, quando quase fora pego pelos militares.

Ele, por ser ágil, conseguiu escapar. Mas muitos de seus amigos foram pegos, e ele sentia-se culpado por não ter voltado para ajuda-los.

Mas o que poderia fazer? Seus olhos encheram-se de lágrimas, então resolveu afastar estes pensamentos sombrios e concentrar-se na carta.

Respirando fundo, passou as mãos nos olhos para secar as lágrimas e mordeu levemente o lábio inferior, começando a escrever:

Quinta-Feira, 4 de Abril de 1941


'' Shalom Aleichem*, mamãe e irmã! Escrevo-lhes esta carta a fim de amenizar a dor que carrego em meu coração.

Sinto saudades de casa, de vocês duas, dos meus amigos. Estou tão longe....

Atualmente, estou me abrigando em um esconderijo, no que já foi o bar preferido do papai, em Paris.

Aqui não é nada confortável, não há condições de saneamento básico, temos pouca comida e água, mas dá para sobreviver! E eu repito: Da pra sobreviver.

Nosso líder é chamado Aleksander Stravnsky, um judeu russo comunista que mora na França desde a adolescência, mas incrivelmente não perdeu seu sotaque.

Acho que a senhora iria gostar dele, mamãe. Ele lembra muito ao papai em certos aspectos de personalidade.

Aleksander é severo e exigente; Um líder nato, sem dúvidas! Mas, apesar do gêneo difícil, preocupa-se com todos aqui, e vive procurando um lugar seguro para nos abrigar.

Além de tudo, é super protetor com relação a sua irmã gêmea, Natasha.

Ela é exatamente o oposto do irmão. Enquanto Aleksander é todo sério e severo, Natasha é tímida e doce. Muito meiga, gosta de conversar comigo sempre que pode.

Nós, da resistência, somos denominados 'Insanos', não é legal? Sei que achará loucura... mas loucura é necessária nestes tempos difíceis.

Mais uma vila Judaica foi atacada três dias atrás, e eu quase fui pego.

Felizmente, consegui me esconder em um beco. E os soldados nem perceberam, apenas continuaram a correr para frente, a fim de pegar os outros Judeus que a vista podia alcançar!

Queria saber por que este tipo de coisa está acontecendo, mãe...

O que nós fizemos para sermos caçados assim? Como animais ferozes...

Até agora não entendi. Também não entendi porque este ódio tão grande para com nosso povo..

Mas fico muito aliviado sabendo que você e a mana estão seguras! Em breve, esta guerra acabará e poderei ver você e Ruthe novamente. Estaremos juntos, como uma família deve ser!

Assim que puder estarei voltando para casa. Não se preocupe comigo, pois estou vivo!

Nestes tempos de guerra, não tenho feito outra coisa se não agradecer a Deus pelos dias.

A cada dia que passa eu agradeço. A cada dia em que acordo, eu agradeço. A cada dia em que sinto o ar, mesmo que pesado, eu agradeço. Agradeço por cada segundo que vivo. Pois vivo, afinal.


Lembrem-se sempre: Eu as amo muito! E mesmo longe estou com vocês.

Que Deus as proteja!


Ass: Joseph Grey

Ao terminar a carta, o jovem deu novo suspiro. Dobrou o papel e colocou-o em um envelope já endereçado. Levou a carta aos lábios, depositando delicado beijo nela e a colocando na parte de dentro de seu casaco.

Encostou-se na parede e ajeitou o cachecol rasgado em volta do pescoço, fazendo-o cobrir até parte de seu queixo. Esfregava as mãos nuas uma contra as outras, a fim de aquecê-las, ao mesmo tempo em que encolhia as pernas, ficando quase que numa posição fetal.

Estava muito frio naquela tarde, e as roupas de Joseph não eram as mais quentes. Já estavam bem castas e rasgadas, servindo apenas para cobrir a nudez do corpo.

Joseph fechou os expressivos olhos negros, acreditando que se dormisse não se preocuparia tanto com o frio. Mas não demorou mais de alguns segundos, e ouviu passos que se aproximavam.

Ao abrir os olhos, deu de cara com uma longa saia azul, subiu o olhar até encontrar os brilhantes olhos verdes de Natasha, que segurava uma garrafa de vodka e dois copos, olhando para Joseph com o rosto levemente ruborizado.

–– Achei que uma bebida pudesse aquecê-lo um pouco, já que esta se encolhendo de frio aí..

Joseph sorriu e afastou-se um pouco, dando mais espaço para que Natasha pudesse sentar.

Ela então ajeitou o vestido e sentou-se ao lado do amigo. Logo, Natasha já enchia metade de um dos copos e entregava ao amigo, que pegou com as mãos trêmulas e um tanto sem jeito.

Natasha observou e sorriu de canto, obviamente o garoto não estava acostumado com bebida. Ela então deu o primeiro gole, como que para encorajá-lo e sorriu depois.

O jovem baixou o olhar para o copo e suspirou. Levou o copo aos lábios e virou a bebida de uma só vez, fazendo uma careta depois.

Natasha riu da reação do amigo e perguntou de maneira brincalhona:

–– O que achou? No meu país, beber isso e água é a mesma coisa.

–– Naty! Estou... Estou sentindo um calor de dentro pra fora... É incrível!

–– É por isso que bebemos na União Soviética! Para nos aquecer, fugir do frio.

Ela então começou a encher novamente o próprio copo, e foi surpreendida ao ver o de Joseph sendo colocado a sua frente.

A loira olhou o amigo, surpresa, o mesmo estava com os olhos brilhando como um pedido.

–– Joseph, não acho uma boa ideia você beber. Quero dizer... Vai que você fique mal.

–– Ficarei bem. Por favor, me de mais um pouco!

–– Achei que não tivesse gostado.

–– Não tem gosto de nada, mas é quentinho quando desce!

Natasha suspirou e encheu novamente o copo do amigo, enquanto tentava puxar assunto.

–– Escrevendo novamente para sua mãe?

–– Sim, sempre... Mas nunca sou respondido.

–– Fique tranquilo quanto a isso. São os tempos, esta difícil para todo mundo. Garanto que assim que ela puder irá te responder!

–– Verdade. Obrigado, Naty.

–– Disponha.

–– Você não vai escrever para ninguém?

–– Não. Não no momento, ao menos.

–– E da sua terra? Não sente falta?

Natasha suspirou e serviu-se novamente, bebendo calmamente enquanto conversava.

–– É lógico que sinto falta.

–– E como veio parar aqui?

–– Me formei em Enfermagem, em Moscow. Vim para Paris já com a maior idade, pra fazer uma visita ao Aleks, mas acabei ficando aqui.

–– Então vocês não vieram pra cá juntos?

–– Não. Aleksander veio ainda na adolescência. Veio para cá, a fim de seguir a carreira de diretor de cinema.

–– Não brinca! Stravnsky Aleksander, o severo, gostava de filmes?

–– Sim. Todo mundo foi contra. O negócio da família mesmo era fabricar armas, sabe? Eu e Aleks somos peritos nesta área. Mas, ele resolveu seguir um caminho diferente. Era apaixonado pelo mundo do cinema. Eu escolhi Enfermagem, porque sempre gostei de ajudar as pessoas. Chegando aqui, fui trabalhar num abrigo para idosos.

–– Mon Dieu!* Juro que não esperava por isso... Muito interessante.

Joseph já estava corado e sentia que tudo começava a girar à sua volta, mesmo assim estendia o copo a russa, que enchia sem protestar. Já estava em seu quarto copo, enquanto Natasha, já estava no seu décimo primeiro, bebendo a vodka como se fosse água.

–– E quanto a você, Joseph? Como veio parar na capital da França?

–– Por incrível que pareça, vim visitar uma amiga que estava doente a três anos atrás. Acabei ficando para cuidar dela, e no ano seguinte este inferno se iniciou.

–– Que trágico!

–– Demais. Ela faz falta...

–– O que houve com ela?

–– Acabou morrendo de pneumonia.

–– Sinto muito...

–– Tudo bem. Pelo menos ela esta num lugar melhor. Não viveu para ver esta droga de guerra começar.

Os olhos de Joseph se encheram de lágrimas ao lembrar-se destes momentos, mas disfarçou com um triste sorriso. Logo em seguida, estendeu o copo, pedindo mais uma dose. Natasha mostrou que a garrafa já estava vazia, e o garoto logo fez cara de choro.

–– Por que a bebida acabou? Por que tudo que é bom acaba?!

–– Ai meu Deus... Ele ficou bêbado!

–– Tudo que eu amo me abandona. Eu tinha um amigo na infância, ele me abandonou! Quando vim pra Paris, adotei um coelho de estimação e ele me abandonou! E agora a vodka me abandonou também!

–– Fique calmo! Você já bebeu alguma vez na sua vida?

–– Hahahaha! Mas que pergunta boba! É claro... Que não.

O jovem deixou o corpo cair no chão, ainda consciente. Tudo girava a sua volta, as coisas estavam em dobro, e ele sentia um forte aperto no estômago. Fechou os olhos forçadamente, rezando para não vomitar.

Natasha levou as costas da mão até a testa do amigo, conferindo sua temperatura. Ela entrou em pânico ao notar que o mesmo estava muito quente, e logo se levantou para chamar Aleksander.

–– Mano, venha cá! Acho que matei o Joseph!

–– Que esta dizendo, mulher?

Aleksander aproximou-se com as mãos nos bolsos da calça, olhando para o garoto com ar de confuso.

–– Joseph bebeu quatro copos de vodka e ficou assim! Desmaiou, está com febre e tremendo muito.

–– Quatro?! Que garoto fraco! Uma criança bebe mais que ele!

–– Isto é sério, mano! Ele está muito mal. Esta ardendo em febre.

Aleksander levou a mão até a testa do garoto, confirmando o que a gêmea disse. Ele suspirou e retirou a jaqueta, cobrindo o amigo e se retirando.

–– Você é enfermeira, cuide dele e não saia de perto do mesmo. Enquanto isso, irei verificar como estão as coisas, amanhã sairemos deste lugar.

Natasha suspirou e olhou para o amigo, preocupada. Sentou-se no chão e cuidadosamente começou a acariciar os cabelos do garoto, enquanto olhava o rosto, corado pela febre.

O jovem se encolhia de frio, gemia. Sem dúvidas, seu organismo não havia recebido o álcool muito bem.

Ele apertava os olhos, proferindo algumas palavras enquanto dormia. Mergulhava em um mundo de lembranças, que a muito tempo estavam enterradas no fundo de sua memória...


* * *

Era o entardecer, e o Outono já se fazia sentir no clima que começava a esfriar, no ar sombrio do céu.

O vento uivante soprava tão forte, a ponto de fazer os galhos das árvores se curvarem e se despirem sem o menor pudor de suas folhas, formando no chão um tapete de folhas secas e alaranjadas.

Em baixo de uma árvore, em um balanço, um garotinho de cabelos castanhos brincava sozinho, olhando para o horizonte.

–– "Onde ele está?"_ Pensava consigo mesmo

Deu longo suspiro e tentou se balançar com mais força, mas não adiantava. Já estava esperando a cinco minutos, sim era pouco tempo, mas para ele mais parecia uma eternidade. Será que seu amigo não viria?

Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro, chutando algumas folhas, adorando ouvir o barulho que elas faziam por estarem secas.

–– Joseph!

O garotinho virou-se, deparando-se com um garoto acenando enquanto andava apressadamente.

O maior correu o mais rápido que pode, abraçando Joseph com carinho e rodando com ele em seus braços.

A risada inocente do menor ressoava, e o maior logo riu também. Deixando-se cair no meio das folhas secas, ficando assim ambos deitados lado a lado enquanto olhavam para o céu.

–– Achei que não viesse._Confessou Joseph enquanto virava o rosto para olhar o amigo.

–– Eu havia prometido a você que viria, não é mesmo?

O maior tinha olhos tão azuis e claros como a mais pura água, os cabelos loiros, dourados como ouro e a pele tão clara que mais parecia porcelana.

Tal aparência fazia o pequeno Joseph sentir um tanto de inveja, e se considerar inferior a seu amigo.

Afinal, que graça tinha um cabelo castanho? Era marrom, uma cor totalmente sem graça e sem vida. Sua pele também era levemente bronzeada, e seus olhos eram de um negro tão profundo que poderiam ser comparados com a alma do próprio Diabo.

O loiro voltou a olhar para o céu, e o vento soprou novamente fazendo com que as folhas voltassem a cair, desta vez em cima dos dois.

–– Ah! Já ia me esquecendo, eu trouxe uma coisa pra você, Allan.

Levou a mão ao bolso da bermuda e tirou uma moeda bem antiga, porém conservada, entregando-a para o maior.

–– Eu sei que você fez treze anos, não sabia o que te dar. Então, resolvi te dar minha moeda da sorte.

–– E ela da sorte mesmo?

–– Sim! Fique com ela sempre no bolso e terá muita sorte.

Allan riu gostosamente e sentou-se, puxando Joseph para perto e abraçando-o carinhosamente.

–– Você é o melhor irmãozinho que alguém poderia ter!

O rosto de Joseph ficou levemente corado, ele devolveu o abraço timidamente enquanto proferiu em tom baixo.

–– Queria mesmo ser seu irmão...

–– Como assim? Você é meu irmãozinho! Sangue não importa, não quer dizer nada, Joseph.

–– Não é isso que seu pai diz.

–– Meu pai pensa diferente de mim. Agora, vamos mudar de assunto! Sei que seu aniversário esta chegando, não é?

–– Uhum. É no primeiro dia do inverno. Odeio inverno...

–– Primeiro de Dezembro então. Até lá, terei tempo suficiente para pensar no que um garoto de oito anos possa querer. Oito anos.. Será difícil. Crianças dessa idade devem ter um gosto sofisticado, não?

Ele perguntou, brincando. Mas ficou surpreso com a resposta do menor.

–– Só quero que venha me ver. Pode fazer isso?

O loiro corou levemente.

–– Há! É claro que posso. Esta certo então, estarei aqui te esperando.

–– Promete?

–– Prometo.

Joseph sorriu de forma meiga e abraçou o maior carinhosamente.

–– Joseph, acorde!

–– Huh?

–– Acorde, camarada! Joseph, acorde!


Joseph abriu os olhos sonolentos, confuso. Assustou-se ao ver a correria e desespero de seus amigos, o pânico nos olhos de Natasha, que se levantou e puxou-o pela mão.

–– Nathy, que esta havendo?

–– Natasha! Corra!_ A voz de Aleksander ecoou pelo lugar

–– Nos encontraram! Os soldados nos encontraram!

–– O que?!

A soviética abriu uma janela próxima e empurrou o garoto para for a, que caiu no chão de mau jeito.

–– Natasha, e você?! Não vou te deixar aqui!

–– Não seja idiota e fuja! Já estou indo.

Assim dizendo, ela apoiou as mãos na beirada da janela, Joseph segurou suas mãos e tentou ajuda-la. Mas ela foi puxada violentamente por alguém do outro lado, e ela acabou gritando desesperadamente.

O garoto acabou caindo no chão, assustado. Rapidamente ele se levantou e saiu correndo, ainda cambaleando devido ao efeito do álcool.

Enquanto corria, olhou para trás brevemente e viu o lugar sendo destruído, o grito de Natasha ainda ecoava em seus ouvidos. Ele levou as mãos para tampa-los, como se quisesse abafar o barulho, o som do medo da amiga.

Inesperadamente começou a chover, e enquanto corria na chuva a febre de Joseph começava a surgir novamente, começava a ver tudo embaçado e dobrado. Enquanto corria, lutando para manter-se são, só conseguia pensar em sua covardia, no que seria feito de seus amigos, no pesadelo que ele estava vivendo.

Parou em um beco, respirando fundo e desmaiando logo depois, caindo deitado em uma grande poça d'água suja de lama. Antes de apagar completamente, conseguiu ver um estranho vulto se aproximando.

–– “Fui pego. Vou morrer”

Foi seu único pensamento, enquanto o vulto negro se aproximava.

A figura parou diante dele, e o pobre só conseguiu ver a bota e calça militar, desmaiando logo depois.

Notas finais
- Glossário -

*Shalom Aleichem: Saudação judaica. Significa "Que a paz esteja com você"
*Mon Dieu: Em francês: Meu Deus!

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Esta é a primeira fanfic que resolvo publicar. Por tanto, peguem leve nos comentários! D: